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Quando Vladimir Putin lançou a maior invasão terrestre na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, no dia 24 de fevereiro de 2022, o presidente russo esperava tomar Kiev em dois dias. Um ataque relâmpago para mostrar ao mundo a força de uma Rússia que retornava ao seu lugar entre as grandes potências e que daria força ao discurso neoimperial do Kremlin. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, afirmou que seria “aceitável” se o Estado judeu assumisse o controle de uma vasta faixa do Oriente Médio, incluindo territórios que, segundo interpretação bíblica mencionada em entrevista, se estenderiam do Nilo ao Eufrates. As declarações foram feitas ao comentarista conservador Tucker Carlson e provocaram reação imediata de países árabes e de organizações regionais neste sábado.
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Durante a entrevista, Carlson afirmou que, de acordo com o Antigo Testamento, os descendentes de Abraão teriam direito a terras que abrangeriam “basicamente todo o Oriente Médio”, incluindo áreas que hoje fazem parte do Egito, da Síria e do Iraque. Em seguida, perguntou diretamente ao embaixador: “Israel tem direito a essa terra?”.
— Não tenho certeza se iríamos tão longe. Seria uma grande extensão de terra — respondeu ele inicialmente, antes de afirmar, diante da insistência de Carlson na pergunta: — Seria aceitável se tomassem tudo. [Mas] não acho que seja disso que estamos falando aqui hoje.
O entrevistador, então, questionou se o embaixador acreditava que seria “aceitável” o Estado de Israel assumir o controle de toda Jordânia. Huckabee afirmou que o governo israelense não está tentando assumir o controle de países vizinhos, mas que “quer proteger seu povo”. O embaixador acrescentou que, em sua avaliação, a discussão não se trata de expandir fronteiras para além do que o Estado judeu já controla:
— Acho que você está deixando algo passar, porque eles não estão pedindo para voltar e tomar tudo isso, mas estão pedindo ao menos para manter a terra que agora ocupam, onde vivem, que possuem legitimamente, e que é um refúgio seguro para eles — declarou.
‘Violação flagrante’
As falas provocaram reação de Egito e Jordânia, além da Organização da Cooperação Islâmica e da Liga dos Estados Árabes. Em notas separadas, as declarações foram classificadas como extremistas, provocativas e em desacordo com a posição oficial dos EUA. O Ministério das Relações Exteriores do Egito afirmou que os comentários representam “violação flagrante” do direito internacional e que “Israel não tem soberania sobre o território palestino ocupado nem sobre outras terras árabes”.
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A Liga dos Estados Árabes, por sua vez, disse que “declarações desse tipo — extremistas e desprovidas de qualquer base sólida — servem apenas para inflamar sentimentos e despertar emoções religiosas e nacionais”. O Ministério das Relações Exteriores palestino também criticou Huckabee, afirmando que suas palavras “contradizem fatos religiosos e históricos, o direito internacional e a posição expressa pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que rejeita a anexação da Cisjordânia”.
Em novembro de 2024, pouco depois de ser anunciado como indicado para o cargo pelo presidente Trump, Huckabee declarou apoio à anexação da Cisjordânia ocupada. À Rádio do Exército de Israel, afirmou: “Não serei eu a formular a política, executarei a política do presidente. Mas (Trump) já demonstrou, em seu primeiro mandato, que nunca houve um presidente americano mais disposto a garantir o reconhecimento da soberania de Israel”.
Em setembro passado, no entanto, Trump disse que não permitiria a anexação da Cisjordânia por Israel, enfatizando que “isso não vai acontecer”. Sugerir apoio, ainda que nominal, à soberania israelense sobre grande parte do Oriente Médio representa um afastamento sem precedentes da política externa americana e vai além do que parte significativa da extrema direita israelense defende publicamente.
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Desde sua criação, em 1948, Israel não possui fronteiras plenamente reconhecidas. Seus limites com vizinhos árabes foram alterados ao longo de guerras, anexações, cessar-fogos e acordos de paz. Na Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel capturou a Cisjordânia e Jerusalém Oriental da Jordânia, Gaza e a Península do Sinai do Egito e as Colinas de Golã da Síria. Depois, retirou-se do Sinai como parte de um acordo de paz com o Egito após a guerra de 1973 e deixou Gaza unilateralmente em 2005.
Nos últimos meses, Israel ampliou a construção em assentamentos judaicos na Cisjordânia ocupada, legalizou postos avançados e promoveu mudanças administrativas em suas políticas no território. Palestinos defendem há décadas a criação de um Estado independente na Cisjordânia e em Gaza, com Jerusalém Oriental como capital, posição apoiada por grande parte da comunidade internacional.
Sob o cessar-fogo atual em Gaza, Israel retirou tropas para uma zona-tampão, mas ainda controla mais da metade do território, sem que o acordo estabeleça um cronograma para novas retiradas.
Agências de inteligência dos Estados Unidos concluíram que entre 15 mil e 20 mil pessoas, incluindo afiliados do Estado Islâmico (EI), estão agora foragidas na Síria, após um êxodo de um campo que mantinha familiares de jihadistas, disseram autoridades americanas familiarizadas com o assunto ao Wall Street Journal (WSJ).
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Há anos, especialistas em segurança alertam que as esposas de combatentes do EI vinham, na prática, criando a próxima geração de militantes nas amplas instalações de al-Hol. Nas últimas semanas, porém, a estrutura de vigilância do campo ruiu, depois que o governo sírio derrotou as Forças Democráticas Sírias apoiadas pelos EUA, responsáveis pela guarda do local. O colapso reacendeu o temor de que pessoas potencialmente radicalizadas tenham sido soltas.
Localizado no deserto oriental da Síria e com dimensão comparável à de uma pequena cidade, o campo chegou a abrigar mais de 70 mil pessoas após forças apoiadas pelos EUA destruírem, em 2019, o o que restava do autoproclamado califado do EI no país. Em 2025, mais de 23 mil pessoas permaneciam no local, segundo relatório do Pentágono.
A vasta maioria deixou al-Hol depois que o governo sírio assumiu o controle da área, no mês passado. Diplomatas ocidentais em Damasco estimaram que mais de 20 mil pessoas fugiram em poucos dias, em meio a tumultos e a uma onda de tentativas de fuga. Ao Wall Street Journal, um diplomata disse sob anonimato, que apenas entre 300 e 400 famílias permaneciam no campo no início desta semana.
Avaliação dos EUA
A avaliação dos Estados Unidos atribuiu as fugas à má gestão do governo sírio e à ausência de vigilância rigorosa ao longo do vasto perímetro de segurança. A administração síria, liderada pelo presidente Ahmed al-Sharaa, ex-jihadista, reconheceu que muitos deixaram o campo rumo a outras regiões do país e afirmou que pretende monitorar possíveis extremistas e reintegrá-los à sociedade.
Mulheres e crianças no campo de detenção de al-Hol, no nordeste da Síria, em 5 de fevereiro de 2026; retirada de forças curdas apoiadas pelos EUA deixou o sistema em caos.
Nanna Heitmann/The New York Times
Autoridades do governo, porém, responsabilizaram as Forças Democráticas Sírias pelo caos, alegando que as tropas abandonaram o local na ofensiva de janeiro, deixando-o sem vigilância por horas e dificultando a retomada do controle. A administração informou nesta semana que está transferindo as últimas famílias remanescentes do campo, situado em uma área próxima à fronteira com o Iraque, para outro centro de deslocados no noroeste da Síria.
A dissolução desordenada de al-Hol reacendeu questionamentos dentro do governo americano, no Congresso e entre analistas de segurança sobre a decisão da gestão do presidente Donald Trump de repassar rapidamente aos novos líderes sírios os esforços de contraterrorismo, em meio à retirada das forças dos Estados Unidos do país.
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Embora Sharaa, um ex-líder rebelde que comandou a derrubada do ditador Bashar al-Assad em dezembro de 2024, tenha se distanciado de grupos extremistas e combatido o EI por anos, suas forças militares e de segurança incluem islamistas de linha dura. Ignorando as advertências dos EUA, ele seguiu com uma ofensiva relâmpago que levou ao fim de uma zona controlada por curdos que representava um desafio aos seus esforços para consolidar o controle nacional.
O braço de inteligência do Pentágono concluiu que o governo de Sharaa demonstrou disposição para cooperar com os EUA no combate a grupos terroristas, mas ressaltou limitações. Segundo relatório publicado em 19 de fevereiro pelo inspetor-geral do Departamento de Defesa americano, os esforços de Damasco são “limitados pela falta de pessoal treinado e qualificado pelo estado incipiente das instituições de segurança”.
— Eles têm algum tipo de experiência e infraestrutura para isso — disse Alexander McKeever, analista independente baseado em Damasco, ao WSJ. — Mas definitivamente não para 20 mil pessoas, e uma parcela significativa delas sendo não sírias.
‘Praticamente vazio’
Além de familiares de combatentes, o campo também abrigava civis comuns que acabaram detidos no caos que marcou o fim do domínio do Estado Islâmico, segundo uma autoridade de defesa dos EUA e especialistas. Um estudo das Nações Unidas publicado em outubro apontou que até um quarto dos detidos não tinha vínculos com o grupo.
Os suspeitos considerados mais perigosos em al-Hol permaneciam em um anexo separado e em uma rede de prisões espalhadas por todo o país. Após a retomada do nordeste pelo governo, em janeiro, militares americanos transferiram cerca de 5.700 prisioneiros afiliados ao Estado Islâmico de campos de detenção na Síria para o Iraque.
Prisão de Shaddadi vazia após fuga em massa de detentos do Estado Islâmico, em al-Shaddadi, Síria, em 7 de fevereiro de 2026, após retirada de forças curdas apoiadas pelos EUA
Nanna Heitmann/The New York Times
No início do mês, protestos e tumultos dentro do campo deixaram um trabalhador humanitário ferido. Também houve aumento no contrabando e abertura de buracos na cerca que delimitava a área.
O chefe da agência global de refugiados da ONU na Síria, Gonzalo Vargas Llosa, afirmou na sexta-feira que a organização ajudou a coordenar o retorno de 191 iraquianos de al-Hol ao Iraque, enquanto prosseguem os esforços para retirar famílias remanescentes.
“O campo de al-Hol agora estará praticamente vazio”, escreveu ele nas redes sociais.

Brasil e Índia vão continuar ampliando e fortalecendo suas relações bilaterais para aumentar o fluxo comercial. A declaração foi dada neste sábado pelo presidente Lula e pelo primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em Nova Délhi, após cerimônia de assinatura de atos. 

Os dois líderes disseram também que vão atuar na defesa do multilateralismo e para implementar mudanças que permitam a reestruturação das Nações Unidas, fortalecendo a organização. Em seu discurso, Lula afirmou que o encontro entre Índia e Brasil é uma reunião de superlativos e que os dois países não são apenas as duas maiores democracias do Sul Global:

“Este é o encontro da farmácia do mundo com o celeiro do mundo. De uma superpotência digital com uma superpotência da energia renovável. Somos ambos países megadiversos e polos da indústria cultural. Somos ambos defensores do multilateralismo e da paz.”, disse.

Narendra Modi ressaltou o compromisso de elevar o comércio bilateral para além dos US$ 20 bilhões nos próximos cinco anos e destacou a cooperação na agricultura para fortalecer a segurança alimentar de ambos os países.

Entre os atos assinados por Brasil e Índia, estão uma parceria digital e um memorando de entendimento sobre cooperação no campo de elementos de terras raras e minerais críticos.

O presidente Lula está em visita oficial à Índia desde a última quarta-feira, dia 18.

No último dia de sua viagem à Índia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a importância da parceria estratégica do Brasil com o país asiático, afirmando que ela fortalece o Sul Global e contribui para afastar o espectro de “mais uma guerra fria”.
Ao lado do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, a fala de Lula ocorre em meio a uma visita de Estado que, na visão da diplomacia brasileira, eleva a relação bilateral a um novo patamar.
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Ainda não está claro como isso se traduzirá em resultados práticos, mas os primeiros passos foram dados com a assinatura de oito atos entre os dois países, em várias áreas. O destaque, segundo deixaram transparecer membros da comitiva brasileira nos últimos dias, são a parceria digital e o memorando de entendimento sobre terras raras e minerais críticos.
Narendra Modi também ressaltou os dois em seu discurso, proferido em hindi com a adição de algumas palavras de cortesia em português.
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Ambos os países têm buscado meios de criar alternativas autossuficientes para o processamento desses minerais, fundamental para a fabricação de produtos tecnológicos e altamente concentrado pela China.
— O acordo firmado sobre minerais críticos e terras raras é um passo importante para a construção de cadeias de suprimentos resilientes — disse Modi.
Diante do momento geopolítico instável vivido pelo mundo, Lula ecoou desde que chegou ao país a ênfase dada por Modi ao fortalecimento do multilateralismo e do Sul Global. O presidente brasileiro foi um dos convidados de honra da Cúpula sobre Impacto da Inteligência Artificial, sediada esta semana na capital indiana, a primeira organizada por um país em desenvolvimento.
Um cenário global turbulento exige que os dois países “aprofundem o diálogo estratégico”, disse Lula, que também lembrou os esforços para ampliar o acordo de comércio preferencial Mercosul-Índia.
Vários de nossos problemas são similares, nossos conhecimentos científicos e tecnológicos estão próximos e, se nós trabalharmos juntos, a gente vai fortalecer a relação Brasil-Índia, a gente vai fortalecer o Mercosul e a gente vai fortalecer o Sul Global, para que a gente não entre nunca mais numa guerra fria entre duas potências — disse Lula.
O foco nas relações econômicas é um dos eixos da aproximação maior que o presidente buscou nesta visita. O fluxo bilateral de comércio atingiu US$ bilhões no ano passado, quando os dois países estabeleceram a meta de chegar a US$ 20 bilhões até 2030. Para Lula, porém, há motivos para confiar que o ritmo de crescimento irá superar essa cifra.
— Estamos avançando tão rápido que deveríamos revisitar nosso objetivo para chegar a US$ 30 bilhões de intercâmbio — disse o presidente brasileiro. — O encontro entre Índia e Brasil é uma reunião de superlativos. Não somos apenas as duas maiores democracias do Sul Global. Este é o encontro da farmácia do mundo com o celeiro do mundo.
* O repórter viajou a convite da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos)
A transformação da casa onde Adolf Hitler nasceu em uma delegacia de polícia gerou controvérsia em sua cidade natal austríaca, onde moradores parecem incomodados com a decisão.
“É uma faca de dois gumes”, disse Sibylle Treiblmaier em frente à casa em Braunau am Inn, perto da fronteira com a Alemanha.
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Embora o projeto possa ajudar a impedir que extremistas de direita se reúnam no local, a assistente de escritório, de 53 anos, afirmou que a casa poderia ter sido “mais bem aproveitada” ou que algo “diferente” poderia ter sido feito com ela.
A alocação de uma delegacia no local faz parte de uma estratégia do governo para “neutralizar” o local, para evitar seu uso como ponto de peregrinação neonazista. Em 2016, aprovou uma lei para assumir o controle do prédio deteriorado, que era de propriedade privada.
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A Áustria, anexada pela Alemanha nazista em 1938, foi duramente criticada por não reconhecer plenamente sua responsabilidade pelo Holocausto, no qual seis milhões de judeus europeus foram assassinados.
No ano passado, duas ruas em Braunau am Inn que homenageavam nazistas foram renomeadas, algo que grupos ativistas exigiam há anos.
Fascismo nunca mais
A casa onde Hitler nasceu em 20 de abril de 1889 e morou por um curto período em sua juventude está localizada no centro da cidade, em uma rua estreita repleta de lojas.
Em frente à casa, há uma pedra com a inscrição: “Pela paz, liberdade e democracia. Fascismo nunca mais. Milhões de mortos nos alertam”.
Nesta semana, uma equipe de operários estava trabalhando nos retoques finais na fachada renovada. Segundo o Ministério do Interior, a delegacia deverá estar em funcionamento “no segundo trimestre de 2026”.
Para Ludwig Laher, membro do Comitê Mauthausen da Áustria, que representa as vítimas do Holocausto, “uma delegacia de polícia é problemática porque a polícia (…) é obrigada, em todos os sistemas políticos, a proteger o que o Estado deseja”.
Outra ideia que foi apresentada, de transformar a casa em um local de encontro para debater a promoção da paz, “recebeu muito apoio”, afirmou.
Para Jasmin Stadler, dona de loja no bairro, teria sido interessante colocar o local de nascimento de Hitler em um “contexto histórico”, oferecendo mais informações sobre o imóvel.
A mulher, de 34 anos, natural de Braunau, também criticou o custo da reforma, que foi de € 20 milhões de euros (cerca de R$ 122 milhões de reais).
Mas também há quem apoie o novo destino dado ao prédio. Anos atrás, o Ministério do Interior a alugou e ela abrigou um centro para pessoas com deficiência, até que, com o tempo, foi abandonada.
Wolfgang Leithner, um engenheiro de 57 anos, expressou a esperança de que o projeto “traga um pouco de tranquilidade” para a região e impeça que a casa se torne um local de veneração para extremistas de direita.
“Faz sentido usar o prédio e cedê-lo à polícia e às autoridades públicas”, afirmou. O gabinete do prefeito, conservador, não se manifestou sobre o assunto.
Ferida histórica
O debate sobre como lidar com a história do Holocausto não é novo na Áustria; ele ressurge periodicamente.
Durante o regime nazista, aproximadamente 65 mil judeus austríacos foram assassinados e cerca de 130 mil foram forçados ao exílio.
O Partido da Liberdade (FPÖ), de extrema direita e fundado por ex-nazistas, lidera atualmente as pesquisas de opinião no país. Em 2024, pela primeira vez, obteve a maioria dos votos nas eleições legislativas, mas não conseguiu formar governo.
Brasil e Índia assinaram neste sábado um acordo-base sobre terras-raras e minerais críticos, com os dois países concordando em trabalhar de forma próxima no processamento desses minerais. O objetivo do acordo é facilitar a colaboração entre os países na área de minerais estratégicos, prevendo troca de tecnologia, parceria em pesquisas e avanço na exploração e na produção de terras-raras e outros insumos considerados críticos.
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O texto prevê ainda cooperação em gestão ambiental responsável, desenvolvimento de capacidades, monitoramento, avaliação e iniciativas de investimento.
Investimentos recíprocos e uso de IA em dados
Estímulo a investimentos dos dois lados para explorar, minerar e desenvolver infraestrutura ligada a terras-raras e minerais estratégicos;
Desenvolvimento de tecnologias para processar e reciclar esses minerais;
Uso de automação e tecnologias mais modernas para tornar a mineração mais eficiente e com menor impacto ambiental;
Aplicação de inteligência artificial (IA) para analisar dados geológicos e facilitar a descoberta de novas jazidas;
Apoio a projetos tanto em áreas ainda não exploradas quanto em minas já em operação;
Adoção de boas práticas ambientais e operacionais na extração e no processamento;
Possibilidade de ampliar a cooperação para outras áreas que venham a ser acordadas futuramente.
(Matéria em atualização)
A transformação em uma delegacia de polícia da casa onde o ditador nazista Adolf Hitler nasceu gerou sentimentos contraditórios em sua cidade natal austríaca. Na visão de Sibylle Treiblmaier, é como “uma faca de dois gumes”. O imóvel fica em Braunau am Inn, perto da fronteira com a Alemanha.
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Embora o projeto possa ajudar a impedir que extremistas de direita se reúnam no local, a assistente de escritório, de 53 anos, admitiu à agência AFP que a casa poderia ter sido “melhor aproveitada” ou que algo “diferente” poderia ter sido feito com ela.
O governo quer “neutralizar” o local e, em 2016, aprovou uma lei para assumir o controle do prédio deteriorado, que era de propriedade privada.
Mulher passa pela casa onde nasceu o nazista Adolf Hitler e que foi transformada em uma delegacia de polícia, na Áustria.
Foto por JOE KLAMAR / AFP
A Áustria, anexada pela Alemanha nazista em 1938, foi duramente criticada por não reconhecer plenamente sua responsabilidade pelo Holocausto, no qual seis milhões de judeus europeus foram assassinados.
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No ano passado, duas ruas em Braunau am Inn que homenageavam nazistas foram renomeadas, algo que grupos ativistas exigiam há anos.
‘Problemática’
A casa onde Hitler nasceu em 20 de abril de 1889 e morou por um curto período em sua juventude está localizada no centro da cidade, em uma rua estreita repleta de lojas. Em frente à casa, há uma pedra com a inscrição: “Pela paz, liberdade e democracia. Fascismo nunca mais. Milhões de mortos nos alertam”.
Jornalistas da AFP visitaram o local esta semana e viram uma equipe de operários dando os retoques finais na fachada renovada.
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Segundo o Ministério do Interior, a delegacia deverá estar em funcionamento “no segundo trimestre de 2026”.
Casa onde nasceu o nazista Adolf Hitler passa por obra para ser transformada em uma delegacia de polícia, na Áustria.
Foto por JOE KLAMAR / AFP
Mas para Ludwig Laher, membro do Comitê Mauthausen da Áustria, que representa as vítimas do Holocausto, a ideia não é muito boa:
— Uma delegacia de polícia é problemática porque a polícia (…) é obrigada, em todos os sistemas políticos, a proteger o que o Estado deseja.
Outra ideia que foi apresentada, de transformar a casa em um local de encontro para discutir como promover a paz, “recebeu muito apoio”, disse à AFP.
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Para Jasmin Stadler, dona de loja, teria sido interessante colocar o local de nascimento de Hitler em um “contexto histórico”, oferecendo mais informações sobre o imóvel. A mulher, de 34 anos, natural de Braunau, também criticou o custo da reforma, que foi de 20 milhões de euros (cerca de R$ 122 milhões na cotação atual).
Críticas não são unânimes
Mas também há quem apoie a remodelação da casa. Anos atrás, o Ministério do Interior alugou o imóvel, que passou a abrigar um centro para pessoas com deficiência, até que, com o tempo, foi abandonada.
Wolfgang Leithner, um engenheiro eletricista de 57 anos, expressou a esperança de que o projeto “traga um pouco de tranquilidade” para a região e impeça que a casa se torne um local de peregrinação para extremistas de direita.
— Faz sentido usar o prédio e cedê-lo à polícia e às autoridades públicas — afirmou.
Casa onde nasceu o nazista Adolf Hitler e que foi transformada em uma delegacia de polícia, na Áustria.
JOE KLAMAR/AFP
A AFP tentou entrar em contato com o gabinete do prefeito conservador, mas não recebeu resposta.
O debate sobre como lidar com a história do Holocausto não é novo na Áustria; ele ressurge periodicamente. Durante o regime nazista, aproximadamente 65 mil judeus austríacos foram assassinados e cerca de 130.000 foram forçados ao exílio.
O Partido da Liberdade (FPÖ), de extrema direita e fundado por ex-nazistas, lidera atualmente as pesquisas de opinião no país. Em 2024, pela primeira vez, obteve a maioria dos votos nas eleições legislativas, mas não conseguiu formar governo.
Brasil e Índia firmaram um acordo-base sobre minerais críticos, com os dois países concordando em trabalhar de forma próxima no processamento desses minerais. O movimento busca garantir o fornecimento de terras-raras num momento de disrupção global.
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— O acordo sobre minerais críticos ajudará a moldar uma nova e resiliente cadeia de suprimentos — afirmou o primeiro-ministro Narendra Modi após se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Nova Déli, no sábado. Lula chegou na quarta-feira para uma visita de três dias.
O Brasil, que abriga a segunda maior reserva de terras raras do mundo, oferece à Índia uma fonte alternativa potencial de suprimento, à medida que o país busca reduzir a dependência da China e assegurar insumos essenciais para eletrônicos, energia limpa e defesa.
Aproximação com os EUA
O acordo vem pouco depois de a Índia aderir à iniciativa Pax Silica, liderada pelos Estados Unidos, para construir cadeias de suprimentos resilientes em semicondutores, inteligência artificial e minerais críticos.
O domínio de Pequim sobre o fornecimento de minerais críticos necessários para a manufatura de alta tecnologia e para a defesa é uma preocupação crescente para países ao redor do mundo, especialmente economias em desenvolvimento como a Índia.
Países como Brasil e Índia vêm fortalecendo a cooperação, em parte para se consolidarem como vozes de liderança do mundo em desenvolvimento e ampliar sua influência sobre as tecnologias e cadeias de suprimentos que estão remodelando a ordem global.
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Modi visitou o Brasil em julho, quando os dois países concordaram em trabalhar de forma mais estreita em defesa, energia, segurança alimentar e na redução de “barreiras não tarifárias” para ampliar o comércio, segundo comunicado conjunto divulgado na ocasião.
Nova Déli e Brasília buscaram estreitar laços após o presidente dos EUA, Donald Trump, impor tarifas de 50% a ambos os países. As tarifas aplicadas à Índia foram posteriormente reduzidas para 18% depois que o país assinou um acordo comercial no início deste mês.
Agora, esse acordo pode ter sido abalado pela decisão da Suprema Corte dos EUA, na sexta-feira, que derrubou muitas das tarifas implementadas por Donald Trump no ano passado. Após a decisão, Trump impôs uma tarifa global de 10% sobre produtos estrangeiros.
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Índia e Brasil querem avançar para o processamento de minerais críticos, em vez de permanecerem apenas como fornecedores de matérias-primas. A China atualmente domina tanto a extração quanto o processamento, enquanto países como os Estados Unidos correm para garantir fontes alternativas e novas parcerias.
— O aumento dos investimentos e da cooperação em energia renovável e minerais críticos está no centro do acordo pioneiro que assinamos hoje — disse Lula.
O ex-chefe de polícia da cidade de New Haven, em Connecticut, nos Estados Unidos, foi preso na sexta-feira sob acusação de desviar recursos dos cofres municipais para financiar apostas em plataformas online. Karl R. Jacobson foi indiciado por duas acusações de furto e, segundo investigadores, pode ter desviado até US$ 85,5 mil (cerca de R$ 442 mil, na cotação atual).
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De acordo com promotores, a maior parte dos valores teria sido retirada de um fundo destinado ao pagamento de informantes confidenciais em investigações sobre tráfico de drogas. Parte do montante também teria origem em dois cheques, que somavam US$ 4 mil, da New Haven Police Activity League.
Veterano com 15 anos de atuação na corporação, Jacobson assumiu o comando da polícia em 2022. Em janeiro deste ano, o prefeito de New Haven, Justin Elicker, afirmou que o então chefe admitira o uso indevido de recursos públicos e o desvio de dinheiro da cidade. Segundo o prefeito, ele foi colocado em licença administrativa, mas optou por se aposentar no mesmo dia.
A saída do cargo levou a Divisão de Jogos do Departamento de Proteção ao Consumidor de Connecticut a abrir investigação. O órgão enviou mandados de busca a três plataformas que operam no estado: DraftKings, FanDuel e Fanatics.
A expansão das apostas digitais nos Estados Unidos ampliou o acesso a esse tipo de prática. Além de sites voltados a apostas esportivas, cassinos oferecem jogos tradicionais, como caça-níqueis, por meio de aplicativos de celular. Também cresceram os chamados mercados de previsão, submetidos a regulação mais branda, que permitem apostas sobre uma ampla gama de eventos.
Segundo o pedido de mandado de prisão, Jacobson começou a retirar recursos do fundo de informantes ainda em 2019, tendo desviado até US$ 81,5 mil ao longo do período. Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, suas contas nas plataformas DraftKings e FanDuel registraram apostas que totalizaram cerca de US$ 4,46 milhões (cerca de R$ 23 milhões, na cotação atual). No intervalo, ele acumulou perda líquida de US$ 214.365 (mais de R$ 1 milhão), de acordo com os investigadores.
A prisão foi noticiada inicialmente pela imprensa local de Connecticut.
Agentes estranharam comportamento
O mandado de prisão aponta ainda que subordinados diretos passaram a estranhar o comportamento do então chefe. Um tenente relatou que, ao solicitar recursos para pagamento de informantes, recebeu US$ 2 mil. Em seguida, Jacobson teria retomado US$ 1 mil e deixado ao oficial um “vale” (IOU). O valor, segundo o documento, nunca foi devolvido.
Em reunião gravada secretamente, realizada em janeiro, superiores confrontaram Jacobson. Na ocasião, ele “admitiu estar gastando dinheiro demais com jogos de azar” e afirmou que buscava ajuda e um empréstimo para repor os valores desviados. Disse ter retirado apenas algumas dezenas de milhares de dólares e, ao ser questionado sobre há quanto tempo a prática ocorria, respondeu: “Não faz muito tempo, só neste mês”, segundo o documento.
De acordo com relatos feitos a um investigador, Jacobson implorou por uma oportunidade de devolver o dinheiro, para “corrigir o livro de registros e então se aposentar”. Ele afirmou ainda que era o único responsável pelo desvio.
“O chefe Jacobson declarou que estava envergonhado e pediu a eles uma oportunidade para evitar possivelmente ir para a prisão e perder sua aposentadoria por usar indevidamente recursos do governo”, diz o mandado.
Questionado sobre o jogo, afirmou que a situação havia se agravado nos “últimos meses” e que realizava apostas “por aplicativo”.
Na gravação da conversa, segundo o investigador, Jacobson reconheceu ter um problema.
“Eu resolvi meu problema com álcool. Eu me voltei para o jogo”, disse ele, conforme o documento. “Não sei por que simplesmente piorou recentemente”.

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