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Geraldo Magela/Agência Senado
Parlamentares governistas se aproximam da mesa diretora para protestar após resultado da votação

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou nesta quinta-feira (26), em votação simbólica, 87 requerimentos, incluindo pedidos de quebra de sigilo bancário e fiscal e convocações de investigados. Entre os alvos está Fabio Luis Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além do Banco Master e da empresa CredCesta.

A reunião teve questionamentos sobre a contagem de votos e o formato da votação.

Após o anúncio do resultado, parlamentares da base do governo questionaram a contagem e o modelo de votação em bloco.

O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que o procedimento foi solicitado por parlamentares do governo, com base no regimento. Segundo ele, o painel eletrônico registrou a presença de 31 parlamentares.

“O governo veio à CPMI hoje com a decisão de bloquear toda a pauta e por requerimento solicitar uma votação em bloco. Contei duas vezes sete votos contrários, portanto a pauta de hoje está aprovada na integralidade”, declarou.

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) apresentou questão de ordem e pediu a anulação do resultado.

“Solicito a anulação do resultado por erro material na contagem. Nós vamos interpretar essa decisão como uma ação deliberada do senhor para fraudar o resultado da votação”, afirmou.

O senador Rogério Marinho (PL-RN) defendeu a manutenção da decisão.

“Tem 31 presentes aqui. Se 14 votaram contrário, como afirmou o deputado, permanecem 17 que votaram a favor. Nada disso aconteceu, não houve golpe”, declarou.

Em resposta, Viana afirmou que, em votações simbólicas, são contabilizados apenas os votos contrários e rejeitou o pedido de anulação.

Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
Oitivas de testemunha. Dep. Paulo Pimenta (PT - RS)
Paulo Pimenta apresentou questão de ordem e pediu anulação do resultado

Quebras de sigilo
A CPMI solicitou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) a elaboração de relatório de inteligência financeira (RIF) sobre movimentações de Fabio Luis Lula da Silva entre 2022 e janeiro de 2026.

Também foram aprovadas quebras de sigilo do Banco Master, no período de 2015 a 2025, e da CredCesta, entre abril de 2017 e dezembro de 2025. Os requerimentos citam operações relacionadas ao mercado de crédito consignado.

A comissão aprovou ainda representação pela prisão preventiva do presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), Abraão Lincoln Ferreira da Cruz. O pedido menciona investigação sobre descontos indevidos em benefícios do INSS e aponta risco à instrução do processo e à aplicação da lei penal.

Convocações
A CPMI aprovou a convocação do ex-deputado André Moura, ex-líder do governo no Congresso no governo Michel Temer. O requerimento cita reportagens da imprensa de Sergipe que apontam suspeita de auxílio a investigados no esquema de fraudes no INSS.

Também foi aprovada a convocação do empresário Gustavo Marques Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA). O pedido menciona registro de presença dele em reunião no Ministério da Previdência, em 13 de março de 2023, com Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, além de ligações com pessoas investigadas.

A comissão aprovou ainda a convocação do ex-CEO do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, apontado como responsável pela criação da CredCesta. O requerimento cita reclamações relacionadas a crédito consignado e fatos divulgados no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.

O texto aprovado pela Câmara dos Deputados para o Projeto de Lei Antifacção dificultará a punição das grandes lideranças do crime organizado no país. Segundo o ex-secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, as dificuldades serão, inclusive, financeiras, uma vez que, por questões políticas, os deputados inviabilizaram recursos que seriam obtidos junto às bets para abastecer o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP). 

Sarrubbo foi o entrevistado do programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional nesta quinta-feira (26). 

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Ele explicou que, se o texto for sancionado na versão atual, a lei criada “atingirá apenas a base das organizações criminosas”, deixando de lado aqueles que, segundo ele, “estão no andar de cima”.

“Era contra eles [os verdadeiros comandantes das organizações criminosas] que a gente queria avançar”, acrescentou ao ressaltar que o foco do texto se restringiu aos crimes violentos, liberando os políticos ligados ao crime organizado, bem como aqueles que, de fato, financiam o crime.

Alterações na Câmara

A versão apresentada pelo relator do PL antifacção na Câmara, Guilherme Derrite (PP-SP), rejeitou as alterações feitas no Senado, o que, na avaliação de Sarrubbo, prejudicou até mesmo a destinação de recursos aos estados, para o combate às organizações criminosas, uma vez que excluiu a taxação das bets para a criação do FNSP.

“A Câmara não quis dar recursos para esse fundo por razões políticas. O Derrite [relator na Câmara] retirou isso do texto. Seriam R$ 30 bilhões [que iriam das Bets] para o FNSP. Recursos que, na verdade, iriam para os estados, porque esse não é um recurso do governo federal.”

Coração financeiro

Ele lembrou que a proposta inicial criava “mecanismos para atingir os que atuam na Faria Lima e em Fintechs; quem financia essas organizações criminosas”, disse o ex-secretário. “

A Faria Lima não pega fuzil”, acrescentou ao se referir à Operação Carbono Oculto, que identificou um esquema criminoso que teria movimentado recursos de organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Sarrubbo ressaltou que a ideia defendida pelo governo é a de asfixiar financeiramente as facções criminosas. 

“A hora de subir o morro é após conseguirmos estancar o fluxo financeiro das organizações criminosos, quando elas estiverem sem fuzis, desorganizadas e sem conseguir pagar para os seus olheiros. Aí sim a gente [as forças de segurança] pode agir com consistência. Com baixa letalidade e com muita eficiência, a gente começa a tomar esses territórios.”

Dois candidatos ao Congresso da Colômbia desapareceram nesta quarta-feira, às vésperas das eleições legislativas de 8 de março, anunciou nesta quinta o ministro da Defesa, Pedro Sánchez. O país vive a maior crise de segurança em uma década antes da votação. Em 31 de maio, os colombianos também vão eleger o sucessor do presidente Gustavo Petro.
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O ministro Sánchez denunciou “o desaparecimento” de dois candidatos a cadeiras legislativas: Andrés Vásquez, membro de um partido de direita, que aspira ao Senado, e Anita Guetío, uma indígena que busca ser eleita para a câmara baixa.
Vásquez desapareceu na manhã de ontem, quando deixava a residência de seu pai em Pelaya, informou sua mulher. Familiares encontraram seu carro abandonado.Anita não faz contato desde que se deslocava por uma estrada do departamento de Cauca onde atuam grupos guerrilheiros.
Sánchez não informou o motivo dos desaparecimentos. “Estamos agindo com toda a capacidade e determinação da Força Pública para encontrá-los e trazê-los de volta para seus lares sãos e salvos”, publicou no X.
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Os desaparecimentos se somam a vários ataques contra políticos na Colômbia, onde grupos criminosos continuam atuando desde o acordo de paz com a guerrilha das Farc, em 2016.
Os grupos armados, que se financiam por meio do narcotráfico, da extorsão e da mineração ilegal, usam a violência para tentar impor um controle territorial.

Convocado a depor na condição de testemunha do esquema criminoso que desviou bilhões de reais de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o empresário Paulo Camisotti permaneceu em silêncio ao depor à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, nesta quinta-feira (26).

Apontado como dirigente de mais de 20 empresas investigadas no âmbito da Operação Sem Desconto, o empresário de 33 anos é filho e sócio do também empresário Maurício Camisotti, preso desde setembro de 2025, acusado de envolvimento na fraude que lesou milhões de segurados do INSS em todo o país.

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Amparado por um habeas corpus e orientado por seu advogado, Paulo Camisotti usou o direito constitucional de não responder às perguntas que o pudessem incriminar. O primeiro a questioná-lo foi o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), a quem o empresário limitou-se a confirmar apenas ser presidente da Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Saúde e Benefícios (ABCS) e filho de Maurício Camisotti, deixando de responder inclusive se já foi condenado em algum processo judicial.

Ao interrogar Paulo Camisotti, o relator da comissão apontou que as empresas da família Camisotti movimentaram mais de R$ 800 milhões, sendo “mais de R$ 350 milhões diretamente para eles”, tendo o pai de Paulo, Maurício Camisotti, o grande beneficiário do esquema.

“Esta família é cinco vezes mais forte do que o Careca do INSS”, afirmou Alfredo Gaspar, referindo-se a Antônio Carlos Camilo Antunes, lobista apontado como um dos principais operadores da fraude contra o INSS.

“Botaram o nome do Careca do INSS [em evidência] e nós ficamos o repetindo, até porque, de fato, ele é um grande operador do esquema, mas lembrem deste nome: Camisoti. Ele [Paulo] e o pai [Maurício] montaram uma rede estruturada de serviços fictícios que arrancava dinheiro das associações que eles dominavam. Dinheiro que saía dos bolsos de aposentados e pensionistas”, denunciou o relator, assegurando que só a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec) recebeu quase R$ 500 milhões em descontos associativos, por serviços não prestados.

“A Ambec retirou R$ 500 milhões de aposentados e pensionistas. E seu primeiro presidente foi Ademir Fratic Bacic, primo do senhor Paulo Camisotti, sobrinho de Maurício Camisoti. José Hermicesar Brilhante, também presidente [da Ambec], trabalhava nas empresas presididas por Paulo Camisoti. Luciene de Camargo Bernardo, era prima do pai dele. Antonio Fratic Bacic, tio de Paulo. Então, a diretoria da Ambec era toda constituída por [pessoas com] laços familiares, de sangue, ou por funcionários das empresas [da família Camisotti]”, completou Gaspar, lembrando que Antunes, o Careca do INSS, era procurador da Ambec.

“O senhor, seu pai e o resto da gangue tiraram milhões de reais do povo brasileiro”, acusou Gaspar, dirigindo-se diretamente a Paulo Camisotti.

A defesa do empresário não se manifestou sobre o conteúdo das acusações durante a audiência pública.

Em um gesto que viralizou nas redes sociais e reacendeu o debate sobre a acomodação de práticas religiosas no esporte, o goleiro Anthony Lopes, do FC Nantes, simulou uma lesão, segundo a imprensa internacional, durante a vitória por 2 a 0 sobre o Le Havre, neste domingo, para que cinco companheiros que cumprem os preceitos do Ramadã, período religioso em que muçulmanos praticam jejum, pudessem comer e beber água ao pôr do sol.
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O episódio ocorreu aos 74 minutos da partida pela 23ª rodada da Ligue 1, no Stade de la Beaujoire. Lopes caiu no gramado alegando dores na coxa esquerda, o que obrigou os médicos a entrarem em campo e interromper momentaneamente o jogo. Durante essa breve paralisação, cinco jogadores muçulmanos correram para a linha lateral, onde puderam consumir água e tâmaras — práticas tradicionais para encerrar o jejum diário no Ramadã.
Após o atendimento, Lopes levantou-se devagar, sem sinais evidentes de lesão, prolongando de forma estratégica a pausa antes da retomada da partida. Veja o vídeo do momento:
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A ação destacou a diferença entre regulamentos internacionais: enquanto ligas como a Premier League e a Bundesliga adotaram diretrizes que permitem breves interrupções para que atletas muçulmanos quebrem o jejum ao anoitecer, a Ligue de Football Professionnel (LFP) e a Federação Francesa de Futebol (FFF) mantêm regras rígidas que não contemplam paradas por motivos religiosos.
O gesto também suscitou debates sobre inclusão e respeito às práticas religiosas no futebol francês, em um país marcado por uma forte tradição laica e restrições a manifestações religiosas em espaços públicos, como a proibição do uso de “burkinis”, vestes islâmicas de banho, em piscinas municipais.
O Nantes, que luta para se afastar da zona de rebaixamento na tabela, garantiu os três pontos em um momento crucial da temporada.
Em sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, realizada nesta quinta-feira em Genebra, o alto comissário da ONU, Volker Türk demonstrou preocupação com as ações militares lideradas por Israel na Cisjordânia ocupada e em Gaza. Segundo ele, as operações têm o objetivo de provocar uma “mudança demográfica permanente” nos territórios palestinos.
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— Em conjunto, as ações de Israel geram preocupação quanto à limpeza étnica — declarou o comissário.
Na fala, Türk cita principalmente uma das incursões que está em atividade há um ano, e que já provocou o deslocamento de 32 mil palestinos. Em fevereiro deste ano, Israel anunciou planos que permitem que terras da Cisjordânia sejam registradas como “propriedades do Estado”. Alguns termos que impediam a compra de lotes no território por israelenses também foram derrubados.
Para os ministros israelenses, a mudança é “um passo que aumentará a transparência e facilitará a redenção de terras”. Já o Ministério das Relações Exteriores de Israel, diz que as decisões são uma forma de corrigir o que chamaram de “distorção racista” que “discriminava judeus, americanos, europeus e qualquer pessoa que não seja árabe na compra de imóveis na Judeia e Samaria”.
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Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina, disse que as medidas criadas por Israel são consideradas “perigosas” e solicitou uma intervenção por parte do Conselho de Segurança da ONU e dos Estados Unidos.
— Essa é uma tentativa aberta de Israel para legalizar a expansão de assentamentos, o confisco de terras e a demolição de propriedades palestinas, inclusive em áreas de soberania — afirmou.
Segundo a ONG israelense “Paz Agora”, o governo de Israel aprovou 54 assentamentos no ano passado, um retrato da expansão no território. Nesta semana, 20 países, incluindo Brasil, França, Espanha e vários Estados muçulmanos, emitiram uma declaração conjunta de condenação à expansão israelense. Para as nações, Israel constitui uma ação de “anexação de fato”. A ocupação israelense da Cisjordânia ocorre desde 1967.
Um ex-engenheiro da agência espacial norte-americana Nasa entrou com uma ação federal em Houston nesta semana contra quatro mulheres que o acusaram de agressão sexual, dois detetives da polícia local e a própria cidade, argumentando que as denúncias e a investigação policial “violaram seus direitos constitucionais” e “causaram danos pessoais e profissionais irreparáveis”.
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O processo, protocolado na Justiça Federal do Sul do Texas, surge após todas as acusações criminais de agressão sexual contra Eric Sim, 39 anos, terem sido descartadas pela promotoria em fevereiro de 2025, poucos dias antes do início do julgamento. Sim foi preso em 2024 sob múltiplas acusações relacionadas a supostos ataques a várias mulheres que teria conhecido por meio de aplicativos de relacionamento.
Segundo a queixa, Sim sustenta que as relações com as mulheres citadas no processo foram deturpadas e que as acusações foram motivadas por mal-entendidos ou ressentimentos depois que os relacionamentos terminaram. A ação acusa tanto os indivíduos quanto a polícia de conluio, fabricação de depoimentos e falhas na divulgação de evidências que poderiam exonerá-lo mais cedo.
Acusações e retirada das acusações
Em 2024, Sim foi alvo de sete acusações de agressão sexual que, segundo autoridades à época, envolviam encontros em que ele teria coagido ou violentado mulheres. A investigação teve repercussão significativa nos Estados Unidos.
No entanto, sob nova administração no escritório do promotor público em Harris County, os promotores concluíram que “a maioria das acusações não poderia ser provada além de uma dúvida razoável” e arquivaram os casos em fevereiro de 2025, quando o julgamento estava prestes a começar. Sim deixou a NASA depois das acusações e, desde então, diz ter enfrentado desafios para encontrar emprego.
Conteúdo do processo
No processo civil, Sim busca indenização por danos morais, danos econômicos — incluindo perda de oportunidades de carreira — e outros prejuízos decorrentes da investigação e das acusações. Sua defesa alega que policiais ignoraram contradições nos depoimentos e retiveram evidências digitais que poderiam reforçar a versão de que as relações foram consensuais.
Os advogados também sustentam que mensagens de texto e gravações disponíveis nos aparelhos de Sim mostram relatos positivos das parceiras no dia seguinte às relações, o que, segundo a defesa, aponta para consentimento.
Até agora, a Cidade de Houston e o Departamento de Polícia não emitiram respostas formais às acusações, e os advogados das mulheres acusadas também não comentaram publicamente a ação.
Depois de uma longa batalha, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton presta depoimento nesta quinta-feira a uma comissão da Câmara dos Deputados dos EUA em investigação sobre o financista Jeffrey Epstein, responsável por liderar uma rede de abuso de menores e que, mesmo morto em 2019, está no centro de um escândalo no país. Hillary afirmou que não conheceu Epstein, que não sabia de suas atividades criminosas, e acusou os republicanos de tentarem encobrir a relação entre Donald Trump e o milionário. Contudo, os laços do ex-presidente Bill Clinton com Epstein a levaram mais uma vez ao papel de responder pelo seu marido, um lugar incômodo que ela frequenta há décadas.
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“Vocês me obrigaram a depor, plenamente cientes de que não possuo nenhum conhecimento que possa auxiliar a investigação, com o objetivo de desviar a atenção das ações do presidente Trump e encobri-las”, disse Hillary em suas declarações iniciais, chamando a investigação de “teatro político”. “Se esta Comissão está realmente empenhada em descobrir a verdade sobre os crimes de tráfico de Epstein, não se basearia em depoimentos sensacionalistas para obter respostas do nosso atual presidente sobre seu envolvimento; questionaria-o diretamente, sob juramento, sobre as dezenas de milhares de vezes em que seu nome aparece nos arquivos de Epstein.”
Trump e Epstein em uma festa da Victoria’s Secret em Nova York, em 1997
Reprodução
Levantamentos apontam que o nome de Donald Trump aparece 38 mil vezes nos arquivos de Epstein, e ambos tinham uma relação próxima no final dos anos 1990 e início dos anos 2000. Há referências sobre possíveis encontros entre o então empresário com jovens apresentadas por Epstein, e que seriam vítimas de sua rede de abusos.
A Casa Branca nega as alegações, mas o Departamento de Justiça — responsável pela divulgação dos documentos — investiga se o depoimento de uma mulher ao FBI que, em 2019, acusou Trump de abuso sexual quando ela era menor de idade foi deliberadamente mantido em sigilo, além de outras menções pouco elogiosas ao presidente.
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Sob juramento, Hillary Clinton disse que “não tinha ideia” das atividades de Epstein e seus sócios, e que “não se lembra” de ter encontrado pessoalmente com o financista. O depoimento está sendo tomado na residência dos Clintons no estado de Nova York a portas fechadas, e as declarações iniciais foram compartilhadas em suas redes sociais. A fala está sendo gravada em vídeo, mas caberá à comissão decidir sobre sua divulgação.
“Essa falha institucional visa proteger um partido político e um funcionário público, em vez de buscar a verdade e a justiça para as vítimas e sobreviventes, bem como para o público que também quer chegar ao fundo dessa questão”, continuou Clinton. “Meu coração está partido pelas sobreviventes. E estou furiosa em nome deles.”
O depoimento foi brevemente interrompido depois que a deputada trumpista Lauren Boebert compartilhou uma foto da sala onde estão Hillary e os deputados com um youtuber de direita, que a publicou em suas redes sociais.
Mick Jagger e Bill Clinton nos arquivos de Epstein
US DEPARTMENT OF JUSTICE
Bill e Hillary Clinton travaram um duelo político e jurídico com a Comissão de Supervisão da Câmara para evitar responder às perguntas dos deputados, na maioria republicanos. Eles sugeriram fornecer um depoimento por escrito, como ocorreu com outras testemunhas, e cogitaram ignorar a convocação. Contudo, no começo do mês, concordaram em falar, a portas fechadas — o depoimento de Bill Clinton está previsto para esta sexta-feira.
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Dentre os milhões de documentos do caso contra Jeffrey Epstein, que morreu em 2019 antes de ir a julgamento, o nome de Hillary Clinton aparece cerca de 700 vezes, na forma de matérias na imprensa ou comunicações de Epstein com terceiros. O mesmo não se pode dizer de Bill Clinton, que viajou ao menos 16 vezes no avião particular do financista entre 2002 e 2003. Entre os documentos tornados públicos, há fotos de Bill em eventos de Epstein, seja em uma mesa ao lado do vocalista dos Rolling Stones, Mick Jagger, seja em uma banheira de hidromassagem com mulheres de biquíni.
O ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, é citado diversas vezes nos arquivos ligados a Jeffrey Epstein
Reprodução: Departamento de Justiça dos Estados Unidos
Bill Clinton jamais foi acusado de nenhum crime relacionado a Epstein, mas para os republicanos, ele se tornou o alvo perfeito. Na década passada, quando surgiram as denúncias de abusos cometidos pelo financista, teorias da conspiração apontavam para uma suposta lista de clientes, da qual o ex-presidente democrata faria parte. A tal lista não existe, como comprovou o próprio governo Trump, mas Clinton seguiu na mira. E a pressão do público por condenações e prisões — como ocorreu no Reino Unido, envolvendo até o ex-príncipe Andrew — serve como combustível a mais.
— Obviamente, a comissão quer ver algumas pessoas responsabilizadas — disse ao portal Politico o presidente da Comissão de Supervisão, o republicano James Comer. — Ficamos fascinados com a forma como Epstein conseguiu se cercar de tantas figuras governamentais de alto escalão, não apenas nos Estados Unidos, mas também em outros países, então acho que muitas perguntas surgirão.
Foto divulgada pelo Departamento de Justiça mostra Jeffrey Epstein, o ex-presidente Bill Clinton e Ghislaine Maxwell; nos anos 2000, seus círculos se sobrepunham
U.S. Department of Justice / The New York Times
Enquanto os republicanos tentam incriminar Bill Clinton — o que seria uma vitória de peso em um ano eleitoral que vê os democratas em vantagem, Hillary se viu mais uma vez em um lugar incômodo: o de responder por acusações contra seu marido, envolvendo situações que não têm a ver com decisões políticas ou atos presidenciais.
Nos anos 1990, a então primeira-dama foi a público defender seu marido em meio a um escândalo sexual envolvendo uma estagiária da Casa Branca, Monica Lewinsky. Depois que a Câmara aprovou seu impeachment, ela estava ao lado do presidente nos jardins da Casa Branca para criticar os pedidos de renúncia.
Presidente dos EUA, Bill Clinton, escuta a primeira-dama, Hillary Clinton, em evento na Casa Branca
Joyce NALTCHAYAN/AFP
Mesmo depois de se eleger senadora por Nova York, ou de chefiar o Departamento de Estado, as perguntas sobre Bill jamais deixaram de ser feitas. Em uma autobiografia de 2003, “Vivendo a História”, contou detalhes de seus momentos privados, e disse que “as decisões mais difíceis que fez na vida foram permanecer casada com Bill e concorrer ao Senado por Nova York”.
— Durante quase toda a sua vida de casada, ela teve que responder a perguntas sobre as ações do marido — disse Patti Solis Doyle, ex-assessora de Hillary Clinton, ao New York Times. — Ela o apoiou em todos os momentos. Não há razão para que ela tenha que sofrer essa última humilhação. Ela não tem nada a ver com isso. É revoltante. Ela é um ícone global, uma pioneira para as mulheres. É de partir o coração que ela tenha que passar por isso.
O fisiculturista iraniano Davood Soharabi, de 30 anos, conhecido nas redes sociais como o “Brad Pitt do Irã”, morreu 50 dias após ser baleado no olho durante protestos contra o regime no país. Ele estava internado em estado crítico desde 7 de janeiro, quando foi atingido durante uma manifestação.
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Levado às pressas para um hospital, Davood passou por cirurgia para a retirada de um dos olhos, mas entrou em coma pouco depois. Sem apresentar melhora ao longo de quase dois meses, ele morreu na quinta-feira.
Natural da vila de Yam, no nordeste do Irã, Davood havia se mudado para Teerã para trabalhar como treinador de fisiculturismo. Antes, atuou como entregador de motocicleta. Ativo nas redes sociais, compartilhava fotos com frequência e sonhava em se tornar modelo — o que lhe rendeu o apelido inspirado no ator americano.
Duas horas antes de ser baleado, ele comemorava a conquista de uma medalha de prata em uma competição de fisiculturismo.
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Após a confirmação da morte, o irmão de Davood revelou nas redes sociais que a mãe deles havia sido hospitalizada após sofrer um colapso emocional. Minutos depois, a publicação foi apagada e a conta saiu do ar. Segundo relatos, a família estaria sob vigilância rigorosa do governo iraniano.
De acordo com informações divulgadas por fontes locais, autoridades têm pressionado repetidamente os parentes para que declarem que Davood era membro da Basij, milícia paramilitar voluntária ligada à Guarda Revolucionária Islâmica. Uma fonte afirmou que agentes estariam tentando “apresentá-lo como mártir”.
O funeral foi realizado na quarta-feira, em Teerã, com a presença de numerosos integrantes da Basij e agentes de inteligência à paisana. Um participante afirmou que a cerimônia destoou das realizadas para outras vítimas dos protestos.
“Ao contrário dos enterros habituais de outras vítimas, que normalmente são apressados e duram apenas alguns minutos, esta cerimônia durou cerca de três horas”, disse. “Tanto a organização quanto os elogios foram diferentes do padrão, e a cerimônia prolongada foi realizada especificamente para se apropriar do nome dele.”
Davood deixa os pais, o irmão e a namorada, que, segundo relatos, autorizaram a doação de seus órgãos. Nas redes sociais, seguidores prestaram homenagens ao jovem. “Que jovem bonito. Que Deus o abençoe e à sua família”, escreveu um usuário.
Outro comentou: “De partir o coração! Eles estão massacrando nossos jovens irmãos e irmãs talentosos.”
A atriz albanesa Anila Bisha é conhecida por interpretar mulheres complexas no teatro e no cinema, habilidades aprimoradas ao longo de uma carreira de 30 anos, mas agora vive à sombra de seu avatar de inteligência artificial e de uma atuação que nunca realizou. Em setembro do ano passado, o primeiro-ministro Edi Rama anunciou com grande alarde a nomeação daquela que alegou ser a primeira ministra gerada por inteligência artificial, encarregada de prevenir a corrupção em licitações públicas. Em poucos dias, a “ministra” faria seu discurso inaugural no parlamento.
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“Não estou aqui para substituir as pessoas, mas para ajudá-las”, disse o bot, uma sósia digital de Bisha em trajes tradicionais albaneses, em uma mensagem de vídeo que ganharia manchetes em todo o mundo.
Mas Bisha, ao ver seu rosto familiar proferir um discurso sobre o qual nada sabia, em um papel que nunca aceitou, ficou atordoada.
“Não conseguia acreditar quando me vi discursando no parlamento, quando ouvi minha voz dizendo que eu era ministra”, disse a mulher de 57 anos à AFP. “Fiquei em choque, chorei muito.”
Trabalho difícil
No início de 2025, Bisha concordou em emprestar seu rosto e voz para uma assistente virtual de um portal de serviços governamentais online, com o objetivo de ajudar as pessoas a lidar com a burocracia. Na época, ela ficou encantada, mas foi um trabalho árduo. Para criar um avatar responsivo e realista para o chatbot, ela ficou em pé por horas falando sem parar.
Atriz Anila Bisha luta para recuperar rosto usado por ‘ministra da IA’ na Albânia
Adnan Beci/AFP
Cada movimento da boca e cada som emitido pelo robô precisavam ser gravados para que ela, apelidada de “Diella” ou “Sun” em albanês, pudesse responder naturalmente às solicitações do usuário. Em poucos meses, Diella registrou quase um milhão de interações e emitiu mais de 36 mil documentos por meio da plataforma – um sucesso aclamado pelo governo e pelos usuários.
“Recebi muitos parabéns pela Diella”, disse Bisha.
Um Sol, 83 crianças
Em setembro, Rama repentinamente “promoveu” o chatbot a ministro das compras públicas – uma medida que, segundo ele, tornaria as licitações públicas “100% livres de corrupção”. Mas, com poucos detalhes divulgados ao público, o anúncio atraiu fortes críticas da oposição e de especialistas, que levantaram questões constitucionais e de prestação de contas em um país onde a corrupção é generalizada.
Bisha também disse que foi deixada no escuro e passou meses tentando entrar em contato com o governo.
“O uso da minha imagem e da minha voz para fins políticos é algo muito sério para mim”, disse Bisha.
Segundo a atriz, ela havia assinado um contrato apenas para o uso de sua imagem na plataforma de serviços online, e o acordo expirou em dezembro do ano passado. O governo ignorou as mensagens dela, e Rama prosseguiu. Diella estava “grávida”, disse ela em uma conferência em Berlim, em outubro, e logo daria à luz 83 filhos, um para cada um de seus deputados. Bisha conta que ficou enojada.
“As pessoas que não gostam do primeiro-ministro me odeiam, e isso me magoa muito.”
‘Está ficando assustador’
Rama continua a promover Diella no exterior como parte de sua promessa de erradicar a corrupção – um requisito fundamental para as ambições do país em relação à União Europeia. Desde dezembro, o chefe do departamento responsável pela IA está em prisão domiciliar por suas supostas ligações com a manipulação ilegal de licitações governamentais.
O próprio vice de Rama também está envolvido em um escândalo de corrupção. Bisha abandonou suas esperanças de um acordo amigável com o governo e iniciou uma batalha legal contra “Diella” no início deste mês. Na segunda-feira, uma tentativa de suspender o uso de sua imagem antes de um processo judicial completo foi rejeitada por um tribunal administrativo.
Mas seu advogado afirmou que entrariam com o processo principal em poucos dias, incluindo um pedido de indenização de um milhão de euros (cerca de R$ 6,08 milhões) por violação de seus direitos de imagem.
Em comunicado, uma porta-voz do governo afirmou que o processo era “um absurdo”, acrescentando: “Mas acolhemos com satisfação a oportunidade de resolver a questão de uma vez por todas em tribunal.” Bisha afirmou que continuaria lutando até recuperar sua identidade, mesmo que isso significasse levar o caso ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos em Estrasburgo.
“Não sei o que pode acontecer com a minha voz e com a minha figura, o que mais pode ser feito?”, questionou ela. Embora ainda duvide que uma IA possa algum dia substituir a capacidade de um ator de transmitir “emoções belas”, sua experiência recente abalou suas esperanças para o futuro.
“Não sei, o desenvolvimento está acontecendo e está ficando assustador.”

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