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Depois de uma longa batalha, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton presta depoimento nesta quinta-feira a uma comissão da Câmara dos Deputados dos EUA em investigação sobre o financista Jeffrey Epstein, responsável por liderar uma rede de abuso de menores e que, mesmo morto em 2019, está no centro de um escândalo no país. Hillary afirmou que não conheceu Epstein, que não sabia de suas atividades criminosas, e acusou os republicanos de tentarem encobrir a relação entre Donald Trump e o milionário. Contudo, os laços do ex-presidente Bill Clinton com Epstein a levaram mais uma vez ao papel de responder pelo seu marido, um lugar incômodo que ela frequenta há décadas.
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“Vocês me obrigaram a depor, plenamente cientes de que não possuo nenhum conhecimento que possa auxiliar a investigação, com o objetivo de desviar a atenção das ações do presidente Trump e encobri-las”, disse Hillary em suas declarações iniciais, chamando a investigação de “teatro político”. “Se esta Comissão está realmente empenhada em descobrir a verdade sobre os crimes de tráfico de Epstein, não se basearia em depoimentos sensacionalistas para obter respostas do nosso atual presidente sobre seu envolvimento; questionaria-o diretamente, sob juramento, sobre as dezenas de milhares de vezes em que seu nome aparece nos arquivos de Epstein.”
Trump e Epstein em uma festa da Victoria’s Secret em Nova York, em 1997
Reprodução
Levantamentos apontam que o nome de Donald Trump aparece 38 mil vezes nos arquivos de Epstein, e ambos tinham uma relação próxima no final dos anos 1990 e início dos anos 2000. Há referências sobre possíveis encontros entre o então empresário com jovens apresentadas por Epstein, e que seriam vítimas de sua rede de abusos.
A Casa Branca nega as alegações, mas o Departamento de Justiça — responsável pela divulgação dos documentos — investiga se o depoimento de uma mulher ao FBI que, em 2019, acusou Trump de abuso sexual quando ela era menor de idade foi deliberadamente mantido em sigilo, além de outras menções pouco elogiosas ao presidente.
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Sob juramento, Hillary Clinton disse que “não tinha ideia” das atividades de Epstein e seus sócios, e que “não se lembra” de ter encontrado pessoalmente com o financista. O depoimento está sendo tomado na residência dos Clintons no estado de Nova York a portas fechadas, e as declarações iniciais foram compartilhadas em suas redes sociais. A fala está sendo gravada em vídeo, mas caberá à comissão decidir sobre sua divulgação.
“Essa falha institucional visa proteger um partido político e um funcionário público, em vez de buscar a verdade e a justiça para as vítimas e sobreviventes, bem como para o público que também quer chegar ao fundo dessa questão”, continuou Clinton. “Meu coração está partido pelas sobreviventes. E estou furiosa em nome deles.”
O depoimento foi brevemente interrompido depois que a deputada trumpista Lauren Boebert compartilhou uma foto da sala onde estão Hillary e os deputados com um youtuber de direita, que a publicou em suas redes sociais.
Mick Jagger e Bill Clinton nos arquivos de Epstein
US DEPARTMENT OF JUSTICE
Bill e Hillary Clinton travaram um duelo político e jurídico com a Comissão de Supervisão da Câmara para evitar responder às perguntas dos deputados, na maioria republicanos. Eles sugeriram fornecer um depoimento por escrito, como ocorreu com outras testemunhas, e cogitaram ignorar a convocação. Contudo, no começo do mês, concordaram em falar, a portas fechadas — o depoimento de Bill Clinton está previsto para esta sexta-feira.
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Dentre os milhões de documentos do caso contra Jeffrey Epstein, que morreu em 2019 antes de ir a julgamento, o nome de Hillary Clinton aparece cerca de 700 vezes, na forma de matérias na imprensa ou comunicações de Epstein com terceiros. O mesmo não se pode dizer de Bill Clinton, que viajou ao menos 16 vezes no avião particular do financista entre 2002 e 2003. Entre os documentos tornados públicos, há fotos de Bill em eventos de Epstein, seja em uma mesa ao lado do vocalista dos Rolling Stones, Mick Jagger, seja em uma banheira de hidromassagem com mulheres de biquíni.
O ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, é citado diversas vezes nos arquivos ligados a Jeffrey Epstein
Reprodução: Departamento de Justiça dos Estados Unidos
Bill Clinton jamais foi acusado de nenhum crime relacionado a Epstein, mas para os republicanos, ele se tornou o alvo perfeito. Na década passada, quando surgiram as denúncias de abusos cometidos pelo financista, teorias da conspiração apontavam para uma suposta lista de clientes, da qual o ex-presidente democrata faria parte. A tal lista não existe, como comprovou o próprio governo Trump, mas Clinton seguiu na mira. E a pressão do público por condenações e prisões — como ocorreu no Reino Unido, envolvendo até o ex-príncipe Andrew — serve como combustível a mais.
— Obviamente, a comissão quer ver algumas pessoas responsabilizadas — disse ao portal Politico o presidente da Comissão de Supervisão, o republicano James Comer. — Ficamos fascinados com a forma como Epstein conseguiu se cercar de tantas figuras governamentais de alto escalão, não apenas nos Estados Unidos, mas também em outros países, então acho que muitas perguntas surgirão.
Foto divulgada pelo Departamento de Justiça mostra Jeffrey Epstein, o ex-presidente Bill Clinton e Ghislaine Maxwell; nos anos 2000, seus círculos se sobrepunham
U.S. Department of Justice / The New York Times
Enquanto os republicanos tentam incriminar Bill Clinton — o que seria uma vitória de peso em um ano eleitoral que vê os democratas em vantagem, Hillary se viu mais uma vez em um lugar incômodo: o de responder por acusações contra seu marido, envolvendo situações que não têm a ver com decisões políticas ou atos presidenciais.
Nos anos 1990, a então primeira-dama foi a público defender seu marido em meio a um escândalo sexual envolvendo uma estagiária da Casa Branca, Monica Lewinsky. Depois que a Câmara aprovou seu impeachment, ela estava ao lado do presidente nos jardins da Casa Branca para criticar os pedidos de renúncia.
Presidente dos EUA, Bill Clinton, escuta a primeira-dama, Hillary Clinton, em evento na Casa Branca
Joyce NALTCHAYAN/AFP
Mesmo depois de se eleger senadora por Nova York, ou de chefiar o Departamento de Estado, as perguntas sobre Bill jamais deixaram de ser feitas. Em uma autobiografia de 2003, “Vivendo a História”, contou detalhes de seus momentos privados, e disse que “as decisões mais difíceis que fez na vida foram permanecer casada com Bill e concorrer ao Senado por Nova York”.
— Durante quase toda a sua vida de casada, ela teve que responder a perguntas sobre as ações do marido — disse Patti Solis Doyle, ex-assessora de Hillary Clinton, ao New York Times. — Ela o apoiou em todos os momentos. Não há razão para que ela tenha que sofrer essa última humilhação. Ela não tem nada a ver com isso. É revoltante. Ela é um ícone global, uma pioneira para as mulheres. É de partir o coração que ela tenha que passar por isso.

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O clube de futebol feminino norte-coreano Naegohyang Women’s FC chegou à Coreia do Sul neste domingo para uma partida intercoreana muito aguardada esta semana.
O Naegohyang enfrentará o Suwon FC Women nas semifinais da Liga dos Campeões Feminina da Confederação Asiática de Futebol (AFC) no Estádio de Suwon, em Suwon, a cerca de 30 quilômetros ao sul de Seul, às 19h desta quarta-feira (20).
Em sua segunda edição, a Liga dos Campeões Feminina é a principal competição de clubes femininos da Ásia e oferece US$ 1 milhão para a equipe vencedora.
As 27 jogadoras e 12 membros da comissão técnica do Naegohyang viajaram de Pequim, onde estavam treinando desde terça-feira (12), e desembarcaram no Aeroporto Internacional de Incheon, no oeste de Seul.
O Naegohyang Women’s FC é o primeiro clube de futebol feminino da Coreia do Norte a cruzar a fronteira. Elas também são o primeiro grupo de atletas norte-coreanas a viajar para a Coreia do Sul para competir desde dezembro de 2018, quando a Coreia do Norte enviou jogadoras para as Finais do Circuito Mundial da Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF) em Incheon.
Este será o segundo encontro do torneio entre Naegohyang e Suwon FC Women. No confronto do Grupo C, em 12 de novembro do ano passado, o Naegohyang venceu por 3 a 0.
* Com informações da Yonhap News
Ataques com drones deixaram três mortos e quatro feridos nos arredores de Moscou, informou o governador Andrei Vorobyov neste domingo, menos de uma semana após o fim do cessar-fogo com a Ucrânia.
“Desde as 3h da manhã (horário local), as forças de defesa aérea estão repelindo um ataque com drones na região da capital”, disse Vorobyov no Telegram.
O governador informou que uma mulher foi morta na cidade de Khimki, a noroeste de Moscou, e dois homens foram mortos em Mytishchi (nordeste), enquanto diversas casas e infraestruturas foram danificadas no restante da região.
A campanha militarizada de combate ao “narcoterrorismo” do presidente dos EUA, Donald Trump, na América Latina e no Caribe — iniciativa inserida por Washington no esforço mais amplo para recuperar a hegemonia no Hemisfério Ocidental — tem incidido na região de maneira extensa. Além do impacto mais direto visível na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e no ataque a lanchas com suposto vínculo a grupos criminosos, a pressão militar se converteu em uma ferramenta negocial para Trump em mesas que frequentemente tratam sobre recursos estratégicos em disputa com a China, bem como estimulou a adoção de medidas de combate ao crime que forçam os limites da legalidade, com nove países da região registrando aumento de letalidade em confrontos entre forças policiais e grupos armados no último ano, incluindo o Brasil. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Novos estudos têm reduzido a incerteza dos cientistas sobre como a mudança climática vai afetar a grande corrente do Atlântico, e a resposta que está se cristalizando é má notícia: essa circulação de águas marinhas deve perder metade da força neste século e pode se paralisar. Conhecido dos cientistas pela sigla Amoc (Corrente Meridional de Revolvimento do Atlântico, em inglês), esse fluxo de água oceânica é hoje uma peça essencial na regulação do clima global, e uma vez perturbado reage com consequências graves. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Chovia forte no último domingo em Paris, mas cerca de 40 pessoas se reuniram em uma praça no oeste da capital francesa para comemorar o Dia Nacional das Memórias do Tráfico, da Escravatura e de suas Abolições. Ao redor de uma escultura de algemas quebradas, o pequeno grupo escutava atentamente a cerimônia. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O Japão decidiu unir turismo e cultura pop em uma estratégia inusitada para revitalizar uma de suas regiões que perdeu visitantes, depois que foi atingida por um terremoto, em janeiro de 2024. O aeroporto da província de Ishikawa, no litoral do Mar do Japão, passará a se chamar “Aeroporto Noto Satoyama Pokémon with You”, a partir do dia 7 de julho.
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Segundo a emissora pública japonesa NHK, a mudança foi anunciada em meio aos esforços para impulsionar o turismo doméstico e internacional, em uma região que costuma receber menos turistas do que destinos famosos como Tóquio e Osaka, por exemplo. Como parte do projeto, personagens do anime Pokémon passaram a decorar diferentes áreas do terminal, incluindo painéis, sinalizações e espaços temáticos para fotos. A campanha terá duração de 3 anos.
— Primeiro, queremos dar às crianças da região uma sensação de entusiasmo e animá-las. Também esperamos que mais pessoas visitem a região e que isso traga benefícios econômicos — disse o governador Yamano Yukiyoshi, à NHK.
Aeroporto Pokémon será lançado no Japão
Reprodução/YouTube/PokemonJP
No saguão principal do aeroporto, um grande balão em formato de Pikachu sobre um avião flutuará sobre os visitantes, cercado por imagens de pokémons do tipo voador. Na área de desembarque, a decoração evocará a beleza natural da ilha, com destaque para três figuras tridimensionais de Pikachu, Plusle e Minun. O aeroporto também um cardápio com o tema Pokémon em um de seus restaurantes. A campanha está sendo apoiada pela Fundação Pokémon with You.
Veja abaixo um vídeo de como estão as instalações divulgadas até o momento.
A Venezuela deportou o empresário colombiano-venezuelano Alex Saab para os Estados Unidos neste sábado, acusado de ser testa de ferro do presidente deposto Nicolás Maduro, anunciou o Serviço Venezuelano de Migração em um comunicado. Saab havia sido preso na Venezuela em fevereiro como parte de uma operação conjunta entre autoridades americanas e venezuelanas, pouco depois da captura de Maduro.
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“A medida de deportação foi adotada levando em consideração que o referido cidadão colombiano está envolvido na prática de diversos crimes nos Estados Unidos da América, como é de conhecimento público e amplamente divulgado”, detalha o comunicado.
Transferir uma pessoa para outro país no qual é procurada por um crime é uma extradição, medida proibida pela Constituição venezuelana. As autoridades de imigração alegam que se trata, na verdade, de uma “deportação”.
Nascido em Barranquilla, Colômbia, e de ascendência libanesa, ganhou notoriedade internacional em 2020, quando as autoridades de Cabo Verde o prenderam a pedido de Washington. Ele foi extraditado para os Estados Unidos em outubro de 2021. Lá, foi acusado de conspiração para lavagem de centenas de milhões de dólares por meio de contratos de fornecimento de alimentos com o governo venezuelano e de pagamento de propinas a autoridades chavistas.
O empresário recebeu indulto em troca da libertação de vários americanos detidos na Venezuela em dezembro de 2023. Ao retornar à Venezuela, foi nomeado ministro da Indústria e da Produção Nacional por Maduro, cargo no qual permaneceu até janeiro, quando foi demitido pela presidente interina, Delcy Rodríguez. Sua esposa, Camilla Fabri, que atuava como vice-ministra das Relações Exteriores e também chefiava um programa de migração, também foi demitida em março.
Sua ligação com a Venezuela é conhecida desde 2000, por meio de seu envolvimento com os Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAP), um programa venezuelano de distribuição de alimentos subsidiados, criado em 2016 por Maduro, que foi apontado na acusação americana contra ele.
Durante seus anos de vínculos com o chavismo, o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela afirma que Saab garantiu “acordos significativos com empresas mexicanas, turcas, colombianas e de outros países” para o programa CLAP. Além disso, em 2018, o empresário foi nomeado “Enviado Especial da República Bolivariana da Venezuela”, o que o concedeu o status de diplomata pelo país sul-americano.
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Na época de sua primeira prisão, Saab negou as acusações e recorreu para que fossem rejeitadas com base na imunidade diplomática. O tribunal de apelações ainda não havia se pronunciado sobre o recurso do colombiano na época da troca de prisioneiros.
Saab também enfrenta uma condenação na Itália por lavagem de dinheiro relacionada à compra de um apartamento de luxo em Roma com fundos supostamente ilícitos provenientes de operações na Venezuela, diz o jornal venezuelano Efecto Cocuyo.
Um mergulhador profissional da equipe de resgate que procurava os corpos do grupo de mergulhadores italianos mortos nas Maldivas também morreu durante a operação. A informação foi publicada pelo jornal italiano La Repubblica. Segundo a publicação, o Sargento-Mor Mohammed Mahdi, das Forças de Defesa Nacional das Maldivas, sofreu de doença descompressiva, condição causada pela formação de bolhas de gás (normalmente nitrogênio) no sangue e nos tecidos. Ela ocorre quando há uma queda brusca de pressão, como em uma subida rápida durante mergulhos autônomos.
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Ele participava da operação com outros sete colegas e passou mal. Mahdi chegou a ser levado ao hospital, mas não resistiu. O Ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, ordenou o envio de pessoal adicional às Maldivas para apoiar a embaixada e auxiliar as famílias das vítimas. Autoridades locais disseram que este foi o pior acidente de mergulho já registrado das Maldivas.
Apesar do mergulho arriscado, na caverna conhecida por sua forte correnteza, toda a equipe de mergulhadores que morreu era formada por pesquisadores, em sua maioria experientes. Monica Montefalcone, professora de biologia marinha na Universidade de Gênova, e sua filha de 20 anos, Giorgia Sommacal; a pesquisadora Muriel Oddenino; e o cientista marinho Federico Gualtieri, foram as vítimas da excursão. Eles estavam acompanhados de um instrutor de mergulho Gianluca Benedetti, que também morreu.
Resgate de ‘alto risco’
O porta-voz do governo das Maldivas , Mohamed Hussain Shareef, afirmou que a caverna “é tão profunda que nem mesmo mergulhadores com os melhores equipamentos se aventuram a chegar perto”.
“Haverá uma investigação separada sobre como esses mergulhadores foram além da profundidade permitida, mas nosso foco agora é a busca e o resgate”, disse ele após o incidente.
A guarda costeira e as unidades militares das Maldivas lançaram uma operação de busca e resgate de “alto risco” utilizando mergulhadores especializados , barcos e apoio aéreo, mas as condições climáticas adversas na área, incluindo ventos fortes e um alerta amarelo oficial, tornaram as operações mais difíceis do que o esperado.
Um comunicado da Força de Defesa Nacional das Maldivas (MNDF) afirma que “um corpo foi encontrado entre os cinco mergulhadores no Atol de Vaavu”. “O corpo foi encontrado dentro de uma caverna. Acredita-se que os outros quatro mergulhadores também estejam dentro da mesma, que se estende a uma profundidade de cerca de 60 metros”.
Toxicidade do oxigênio
Segundo a mídia local, uma das hipóteses mais aceitas pela guarda costeira e por especialistas é a toxicidade do oxigênio. Esse fenômeno ocorre quando a mistura do cilindro é inadequada, tornando o oxigênio tóxico em certas profundidades.
“A 50 metros de profundidade no mar, existem vários riscos; é uma verdadeira tragédia”, afirma Alfonso Bolognini, presidente da Sociedade Italiana de Medicina Subaquática e Hiperbárica. “Podemos formular diversas hipóteses neste momento: uma mistura respiratória inadequada pode criar uma crise hiperóxica quando há um aumento na pressão parcial de oxigênio nos tecidos e no plasma sanguíneo, o que pode causar problemas neurológicos.”
“É provável que algo tenha dado errado com os tanques”, disse o pneumologista Claudio Micheletto ao veículo de comunicação italiano Adnkronos. “A morte por toxicidade do oxigênio, ou hiperóxia, é uma das mortes mais dramáticas que podem ocorrer durante um mergulho — um fim horrível”, acrescentou Micheletto, diretor de pneumologia do Hospital Universitário de Verona.
Pelo menos 57 pessoas foram presas neste sábado durante confrontos entre a polícia e manifestantes que bloqueavam as vias de acesso a La Paz. Os bolivianos fecharam as estradas em protesto contra o governo e exigindo aumentos salariais, informou a Defensoria Pública. As forças de segurança tentam dispersar os manifestantes com gás lacrimogêneo e retomar o fornecimento de alimentos e suprimentos médicos à capital administrativa.
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Desde o início de maio, trabalhadores, agricultores, professores, indígenas e transportadores exigem aumentos salariais, estabilização econômica, o fim da privatização de empresas estatais e até mesmo a renúncia do presidente de centro-direita, Rodrigo Paz.
A operação, que envolve cerca de 3.500 agentes uniformizados, segundo a imprensa local, começou neste sábado às 2h em La Paz, na cidade vizinha de El Alto e na rodovia La Paz-Oruro (sul do país), onde o Exército informou ter desobstruído uma faixa da via.
“O monitoramento de direitos humanos da Defensoria Pública relata um total de 57 pessoas detidas, presas e apreendidas”, afirmou a instituição em um relatório divulgado ao meio-dia.
O porta-voz da Presidência da República, José Luis Gálvez, disse em uma coletiva de imprensa que a operação é “um esforço específico (…) para estabelecer um corredor humanitário diante de uma série de bloqueios que impediam o trânsito” para abastecer La Paz com alimentos, oxigênio para hospitais e medicamentos.
Segundo o governo, três pessoas morreram nos últimos dias por não conseguirem chegar a centros médicos devido aos bloqueios de estradas.
Durante a operação, “diversos pontos bloqueados foram reabertos” e “outros foram retomados” pelos manifestantes, disse Gálvez. Víctor Valderrama, chefe das Forças Armadas, garantiu à imprensa que nenhuma arma letal foi utilizada.
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Cidade sitiada
Com quase todas as vias de acesso fechadas, os preços de diversos alimentos perecíveis dispararam nos mercados de La Paz, sede dos poderes Executivo e Legislativo, na última semana. A Administração Rodoviária da Bolívia, estatal responsável pelas rodovias, relatou pelo menos 22 bloqueios de estradas em todo o país no sábado, a maioria no departamento de La Paz.
O governo implantou uma “ponte aérea” desde domingo, dia 10, para contornar os bloqueios e levar carne e verduras à cidade. A Argentina apoiará esse esforço, uma tática comum na Bolívia para lidar com esse tipo de pressão, com duas aeronaves militares Hércules, anunciou o governo.
Em uma declaração conjunta divulgada nesta sexta-feira, os governos de Argentina, Chile, Peru, Equador, Costa Rica, Paraguai, Panamá e Honduras expressaram sua preocupação com a “situação humanitária” do país.
Em meio à agitação, o governo Paz se reúne neste sábado em El Alto com um setor da Central Operária Boliviana (COB), o maior sindicato da Bolívia, para negociar uma saída para a crise e “pacificar o país”. Na quinta-feira, esse sindicato havia anunciado que suas reivindicações não foram atendidas e que exigia a renúncia do presidente.
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Caso Evo Morales
Agricultores leais ao ex-presidente socialista Evo Morales (2006-2019) também ocuparam neste sábado o aeroporto de Chimoré, na região produtora de coca de Chapare, em Cochabamba (centro da Bolívia), informou Mauricio Zamora, Ministro de Obras Públicas, em suas redes sociais.
Os manifestantes temem que Morales, que reside atualmente na região de Chapare e é procurado pela Justiça por um caso de suposto tráfico de crianças, seja capturado em breve. Na sexta-feira, ele denunciou um suposto plano envolvendo a DEA, a agência antidrogas dos Estados Unidos.
“Os EUA ordenaram ao governo de Rodrigo Paz que realizasse uma operação militar, com o apoio da DEA e do Comando Sul dos EUA, para me prender ou me matar”, escreveu Morales no X.
Imagens divulgadas por Zamora mostram um caminhão despejando entulho no portão e dezenas de pessoas carregando toras e galhos para a pista. O aeródromo, usado principalmente pela polícia e pelos militares, está inoperante desde 2024, após outro protesto ter danificado a infraestrutura.
Enquanto isso, uma marcha de apoiadores do primeiro presidente indígena da Bolívia partiu de Oruro rumo a La Paz, onde esperam chegar na segunda-feira para se juntar aos protestos.
A agência de defesa civil de Cuba publicou recentemente um “guia” para “proteger a população contra agressão militar”, segundo diversos sites de governos provinciais, em meio a uma crise crescente com os Estados Unidos. A publicação deste documento, que não foi noticiada nacionalmente pela mídia estatal, ocorre em um momento particularmente tenso na relação entre Washington e Havana, inimigos ideológicos há mais de seis décadas.
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‘Demonstração de força’: EUA ampliam voos de espionagem sobre Cuba, e especialistas veem recado de intimidação
Desde o final de janeiro, o governo dos EUA, liderado por Donald Trump, impôs um embargo energético à ilha controlada pelos comunistas, localizada a 150 quilômetros da costa dos EUA, considerando-a uma “ameaça excepcional” à segurança americana devido aos seus laços estreitos com a Rússia, a China e o Irã. Esta semana, John Ratcliffe, diretor da agência de inteligência dos EUA (CIA), viajou a Havana para se reunir com altos funcionários cubanos e discutir a profunda crise que a ilha enfrenta.
O documento do Estado-Maior da Defesa Civil Nacional, dirigido “a todas as famílias cubanas”, fornece informações “práticas” para “proteger a vida contra possíveis ataques inimigos”, segundo um comunicado divulgado na sexta-feira no Portal do Cidadão da província de Havana.
A rádio provincial de Sancti Spíritus, província localizada na região central do país, publicou as informações em seu site no sábado, disponibilizando o documento para download.
Intitulado “Proteger, Resistir, Sobreviver e Vencer”, o guia inclui uma série de recomendações que vão desde a preparação de “um kit familiar com água potável, alimentos prontos para consumo, um rádio com bateria extra, uma lanterna, medicamentos e itens de higiene” até a atenção às “sirenes de ataque aéreo”. O documento também incentiva os leitores a aprenderem “primeiros socorros” e enfatiza a importância de se manterem informados “por meio dos conselhos de defesa locais”.
A divulgação discreta do documento ocorre em um momento em que Cuba, com seus 9,6 milhões de habitantes, atravessa uma crise socioeconômica sem precedentes. A situação da rede elétrica também é crítica, já que o país ficou sem reservas de diesel e óleo combustível desde que o bloqueio energético imposto pelos EUA interrompeu o abastecimento de combustível no país. Antes, as commodities eram vendidas a Cuba pelo regime venezuelano de Nicolás Maduro, capturado em janeiro por tropas americanas em Caracas.
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Na sexta-feira, Cuba conseguiu restabelecer sua rede elétrica nacional após um apagão massivo que deixou sete das 15 províncias da ilha sem energia no dia anterior.
Os apagões intermináveis ​​e repetidos têm provocado protestos em diversos bairros de Havana nos últimos dias. Em meio à crise energética, Havana afirmou que está considerando aceitar os US$ 100 milhões em ajuda oferecidos por Washington, sob a condição de que sejam distribuídos por meio da Igreja Católica.
Desde o fim de janeiro, apenas um petroleiro russo com 100 mil toneladas de petróleo bruto foi autorizado a atracar em Cuba, aliviando a crise em abril. O combustível, porém, já se esgotou, fazendo o país conviver com cortes de eletricidade que ultrapassam 19 horas diárias na capital — enquanto em várias províncias os apagões se estendem por dias inteiros.

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