Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
O presidente dos Estados Unidos afirmou que concordou em conversar com a nova liderança do Irã, segundo entrevista concedida à revista The Atlantic.
Ataques contra o Irã: Veja cobertura completa
Veja: Força Aérea de Israel posta vídeo de ataque contra quartel-general das Forças Armadas do Irã em Teerã
De acordo com a revista, o presidente norte-americano declarou que o novo governo iraniano manifestou interesse em dialogar com sua administração e que ele aceitou a proposta.
Galerias Relacionadas
“Eles querem conversar, e eu concordei em conversar, então vou conversar com eles”, disse ele, segundo a publicação.
O presidente também afirmou que o contato poderia ter ocorrido antes. “Eles deveriam ter feito isso antes. Deveriam ter dado o que era muito prático e fácil de fazer antes. Eles esperaram demais”, acrescentou.
Veja: Imagens de satélite mostram destruição em residência do líder supremo do Irã, Ali Khamenei
Questionado sobre quando a conversa acontecerá, ele não comentou a respeito, segundo a The Atlantic.
O tráfego de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz, uma via marítima estreita na fronteira sul do Irã que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é uma das artérias marítimas mais vitais do mundo, desacelerou drasticamente no sábado após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, segundo especialistas da indústria e dados marítimos analisados pelo New York Times.
Cobertura completa: Acompanhe em tempo real
Irã: Incertezas após a morte de Khamenei
A plataforma de rastreamento de navios MarineTraffic registrou uma queda de 70% no tráfego de embarcações pelo Estreito de Ormuz até o final da noite no Irã, de acordo com Dimitris Ampatzidis, analista sênior de riscos e conformidade da Kpler, empresa-mãe da MarineTraffic. A maioria dos navios na área fez inversão de rumo, desviou para rotas alternativas ou começou a ficar inativa no Golfo de Omã, acrescentou ele.
“A Arábia Saudita, o Iraque, os Emirados Árabes Unidos e o Catar são os mais expostos”, disse Ampatzidis, “pois a maior parte de suas exportações de petróleo bruto e gás natural liquefeito por via marítima passa por Ormuz”.
Ataques contra o Irã: Saiba quais comandantes teriam morrido e quais foram os alvos de ação dos EUA e Israel
Alguns navios, no entanto, continuaram a atravessar a via marítima, segundo dados de rastreamento da MarineTraffic e da Pole Star Global, outra empresa de dados.
“Minha suposição é que eles estão tentando sair enquanto ainda há uma chance melhor”, disse David Tannenbaum, ex-funcionário de conformidade com sanções do Tesouro dos EUA.
O exército iraniano advertiu os navios no sábado para evitar o estreito, afirmando que a passagem por ele era “atualmente insegura”, segundo a Tasnim, uma agência de notícias ligada à Guarda Revolucionária Islâmica.
Um oficial americano disse que não há evidências de que o Irã esteja tentando impor um bloqueio militar à via marítima.
Teocracia em baixa: EUA atacam Irã em seu momento de maior fragilidade; veja como funciona a República Islâmica
Fechar completamente o Estreito de Ormuz seria difícil para o Irã, pois exigiria uma presença militar contínua. Isso reduziria a capacidade do Irã em outras operações, disse Ampatzidis. “Historicamente, vimos mais frequentemente assédio, apreensões e alvos seletivos de navios em vez de um fechamento absoluto e prolongado do tráfego”, acrescentou ele.
O presidente Donald Trump sinalizou que os EUA mirariam a capacidade do Irã de projetar poder no mar. “Vamos aniquilar sua marinha”, disse ele em um vídeo postado no X e na Truth Social logo após o início dos ataques.
Segundo a TankerTrackers.com, empresa que monitora remessas globais de petróleo, 55 petroleiros permanecem em águas iranianas — 18 carregados com petróleo bruto e 37 vazios. A crise no estreito ameaça os suprimentos globais de petróleo e as próprias exportações de petróleo do Irã.
As maiores companhias de navegação do mundo estão evitando o Golfo Pérsico, e a DP World suspendeu as operações em seu principal porto em Dubai em meio à ampliação do conflito entre a aliança EUA-Israel e o Irã, que se espalhou por vários países do Oriente Médio.
A maior empresa de navegação do mundo, a italo-suíça MSC, ordenou neste domingo que todos as suas embarcações no Golfo se colocassem em segurança e suspendeu os carregamentos com destino ao Oriente Médio.
“Como medida de precaução, a MSC instruiu todos os navios que operam atualmente na região do Golfo, e aqueles que se dirigem para essa zona, que vão para zonas de refúgio seguras até novo aviso”, anunciou a companhia em comunicado.
“A MSC suspendeu todas as reservas de carga mundial com destino à região do Oriente Médio até nova ordem”, acrescentou.
A companhia de navegação dinamarquesa Maersk também anunciou que, devido à deterioração da situação resultante do conflito no Irã suspenderá o trânsito de seus navios pelo Estreito de Ormuz “até novo aviso”.
“A segurança de nossas equipes, navios e mercadorias dos clientes é a nossa prioridade número um. Suspendemos todo o trânsito de navios pelo Estreito de Ormuz até novo aviso”, informou a empresa em um comunicado em seu portal na internet.
A alemã Hapag-Lloyd, 5ª maior empresa de navegação do mundo, também suspendeu todas as travessias pelo Estreito de Ormuz.
Já a DP World, empresa líder global em logística e gestão portuária, suspendeu as operações no porto de Jebel Ali, em Dubai, segundo um comunicado enviado a clientes e visto pela Bloomberg no domingo.
Depois dos ataques realizados pelo Irã e Israel contra o Irã, no sábado, a República Islâmica retaliou contra países de toda a região, incluindo interesses dos EUA nos Emirados Árabes Unidos, Catar e Bahrein. As hostilidades também retardaram o movimento de navios, incluindo aqueles que transportam petróleo e gás, entrando e saindo do Estreito de Ormuz, em meio a avisos para evitar a estreita via navegável.
Jebel Ali, o porto de contêineres mais movimentado do mundo fora da Ásia, registrou um incêndio em um de seus decks de atracação causado pela queda de destroços de uma interceptação aérea, informou anteriormente o Escritório de Mídia de Dubai na rede X. Equipes da Defesa Civil tentavam conter as chamas, segundo a publicação feita no início da manhã de domingo.
As interrupções logísticas representam um duro golpe para a região, onde centros de negócios como Dubai dependem do comércio, do turismo, do transporte e das finanças, além da reputação de porto seguro em uma vizinhança turbulenta.
As duas maiores companhias aéreas dos Emirados Árabes Unidos interromperam voos, e aeroportos foram danificados por destroços de ataques após o início do conflito no fim de semana.
A Força Aérea de Israel afirmou ter atingido o quartel-general das Forças Armadas do Irã em Teerã, segundo vídeo publicado nas redes sociais. De acordo com a emissora americana, as imagens mostram o que Israel alega ser um ataque contra a sede das forças armadas iranianas na capital do país.
Ataques contra o Irã: Veja cobertura completa
Veja: Imagens de satélite mostram destruição em residência do líder supremo do Irã, Ali Khamenei
Ao divulgar o vídeo, a Força Aérea israelense incluiu a legenda: “A destruição do quartel-general do regime terrorista iraniano no coração de Teerã.”
Israel ataca base da Guarda Revolucionária em Teerã
*Esta matéria está em atualização
Quando concorreu pela primeira vez à presidência em 2016, Donald J. Trump repudiou o aventurismo militar dos anos recentes, declarando que a mudança de regime é um fracasso comprovado e absoluto. Ele prometeu “parar de correr para derrubar regimes estrangeiros”.
Cobertura completa: Acompanhe em tempo real
Irã: Incertezas após a morte de Khamenei
Quando Trump concorreu à presidência em 2024, ele se gabou de não ter iniciado “novas guerras” e afirmou que, se Kamala Harris vencesse, “ela nos levaria à Terceira Guerra Mundial garantida”, enviando os “filhos e filhas” dos americanos “para lutar em uma guerra em um país que você nunca ouviu falar”.
Mal um ano depois, Trump está correndo para derrubar regimes estrangeiros e enviando filhos e filhas americanos para travar outra guerra no Oriente Médio. O autoproclamado “presidente da paz” optou por se tornar o presidente da guerra, afinal, liberando todo o poderio militar dos EUA contra o Irã com o objetivo explícito de derrubar seu governo.
Enigma sem solução
O que o Donald Trump de 2016 pensaria do Donald Trump de 2026 nunca será conhecido. Mas são figuras marcadamente diferentes no que tange à intervenção no exterior. Uma década após impulsionar-se ao mais alto cargo prometendo focar em “América em primeiro lugar”, o Trump tem se mostrado cada vez mais disposto a exercer poder no exterior.
A morte do aiatolá Ali Khamenei não muda as incertezas sobre o futuro do Irã e o equilíbrio das forças políticas no Oriente Médio
KHAMENEI.IR / AFP
O bombardeio ao Irã no sábado foi a oitava vez que ele ordenou ação militar em seu segundo mandato, mesmo após decapitar o governo da Venezuela e ameaçar derrubar o ditador de Cuba.
Poder de fazer guerra: Cresce discussão sobre limites do presidente
No vídeo em rede social postado no meio da noite “anunciando o início dessa nova guerra”, Trump apresentou um catálogo de acusações contra o Irã remontando há quase meio século, incluindo sua busca por armas nucleares e mísseis balísticos, apoio a grupos terroristas que atacaram americanos e aliados, a tomada da Embaixada dos EUA em Teerã em 1979 e o recente massacre de manifestantes iranianos. Mas ele nunca explicou por que essas agressões exigiam ação agora, e não antes, ou por que seu pensamento mudou visivelmente.
Cada vez mais longe
Tampouco reconciliou suas declarações conflitantes sobre o status da ameaça iraniana. Após se juntar a Israel no ataque ao Irã no verão passado, ele disse que havia “obliterado” o programa nuclear do país. Repetiu essa alegação no discurso sobre o Estado da União na semana passada e novamente em seu vídeo da madrugada de sábado. Mas não esclareceu por que era necessário atacar um programa já obliterado.
Ali Khamenei: Líder supremo dominou a política do Irã por quatro décadas
No entanto, ele foi mais longe do que nunca ao tornar a mudança de regime o objetivo explícito, convocando os iranianos a derrubar seus líderes. “Quando terminarmos, tomem o controle do seu governo”, disse Trump. “Será de vocês para tomar.” Ele repetiu isso em uma postagem na rede social no sábado, anunciando que o ataque matara o aiatolá Ali Khamenei, o líder supremo — “uma das pessoas mais malignas da História”, nas palavras dele.
Mas como os iranianos deveriam proceder para tomar o controle permaneceu incerto. Trump escreveu que policiais e forças da Guarda Revolucionária deveriam “se fundir pacificamente aos Patriotas Iranianos e trabalhar juntos como uma unidade para trazer o País de volta à Grandeza que merece” — uma noção notável sugerindo que autoridades de segurança iranianas se aliarem de alguma forma às mesmas pessoas que elas alvejavam nas ruas semanas antes.
Mais contradições
“Seu objetivo declarado aqui, mudança de regime, é exatamente o que ele combateu em 2016”, disse Brandan P. Buck, pesquisador em estudos de política externa no Instituto Cato, de orientação liberal. “Anteriormente, o presidente usava ataques aéreos, raids e poder militar encoberto quando acreditava que poderia alcançar fins discretos com boa imagem e baixo custo. Este ataque ao Irã quebrou essa fórmula e constitui um salto para o desconhecido.”
Ataques contra o Irã: Saiba quais comandantes teriam morrido e quais foram os alvos de ação dos EUA e Israel
Os críticos de Trump rapidamente ressuscitaram suas declarações passadas para acusá-lo de abandonar suas próprias promessas, circulando clipes de vídeos de comícios de campanha e citações em redes sociais em que ele atacava Barack Obama, George W. Bush e Kamala Harris como belicistas.
Incoerências em série
Trump, 2012: “Agora que os números de Obama estão em queda livre — preparem-se para ele lançar um ataque na Líbia ou no Irã. Ele está desesperado.”
Trump, 2013: “Lembrem que eu predisse há muito tempo que o presidente Obama atacará o Irã por causa de sua incapacidade de negociar adequadamente — não é habilidoso!”
Trump, 2016: “Vamos parar a política imprudente e custosa de mudança de regime.”
Trump, noite da eleição 2024: “Não vou começar guerras. Vou parar guerras.”
Onde o Irã já atacou? Saiba os locais no Oriente Médio atingidos na retaliação iraniana; oito morrem em Israel
E havia muitas citações de assessores como Stephen Miller, agora chefe de gabinete adjunto da Casa Branca (“Kamala = III Guerra Mundial. Trump = Paz,” 1 de novembro de 2024), e o secretário de Defesa Pete Hegseth (“O Departamento de Guerra não será distraído por construção de democracia, intervencionismo, guerras indefinidas, mudança de regime,”6 de dezembro de 2025).
Entre os que atacaram Trump no sábado estavam não apenas liberais, mas também proeminentes líderes do movimento Make America Great, que reclamaram que ele havia sido capturado pelos neoconservadores que outrora repudiava, com críticas lideradas pelo podcaster de direita Tucker Carlson e a ex-deputada Marjorie Taylor Greene, republicana da Geórgia.
“Sempre é uma mentira e sempre é América em último lugar”, escreveu Greene, que renunciou ao cargo no mês passado após romper com Trump, “em rede social”. “Mas parece a pior traição desta vez porque vem do próprio homem e da administração que todos acreditávamos ser diferente e que disse ‘não mais’.”
O deputado Marlin Stutzman, republicano de Indiana, argumentou que o ataque de Trump ao Irã afastaria uma ameaça pior no futuro e pavimentaria o caminho para um novo Oriente Médio mais amigável aos EUA. “Para aqueles que dizem: ‘Bem, o presidente Trump disse que não nos levaria a guerras’, ele está nos mantendo fora de guerras a longo prazo”, disse ele à CNN.
Mudanças entre mandatos
Defensores de ação contra o Irã disseram que Trump ainda não se comprometera totalmente a mudar o governo em Teerã, deixando isso ao povo iraniano. “O discurso de Trump não foi um discurso de mudança de regime — e eu gostaria que tivesse sido”, disse Mark Dubowitz, CEO da Fundação para a Defesa das Democracias, grupo que há muito pressiona por política mais dura contra o Irã.
“A única ‘solução duradoura’, acrescentou ele, não é um ataque militar que atrase o programa de armas nucleares iranianas por meses ou anos, mas o fim do regime. “Mas isso não é exatamente o que Trump priorizou esta noite”, disse Dubowitz, “e precisamos ser honestos sobre o que ele disse, e não disse.”
Porta-aviões: EUA negam bombardeio iraniano
A crescente disposição de Trump para empregar força militar sublinha a mudança mais ampla entre seu primeiro e segundo mandatos. Ele está muito mais à vontade para usar os instrumentos de poder do que da última vez, tanto em casa quanto no exterior.
O que ele às vezes ameaçava ou considerava fazer em seu primeiro período na Casa Branca, agora age com mais prontidão, seja enviando forças federais às ruas americanas, processando inimigos percebidos, purgando o governo de desleais ou impondo tarifas a países ao redor do mundo.
A equipe que ele reuniu nos primeiros quatro anos incluía republicanos convencionais ou oficiais militares de carreira que frequentemente refreavam seus impulsos mais radicais. Mas desta vez não há John F. Kelly, Jim Mattis, Mark T. Esper ou Mark A. Milley. Em vez disso, cercou-se de conselheiros mais agressivos e “quebrem-a-china”, impulsionando ações mais ambiciosas, e figuras como Hegseth, o secretário de Estado Marco Rubio e Susie Wiles, chefe de gabinete da Casa Branca, que veem seus cargos como facilitadores dos desejos do presidente em vez de dissuadi-lo deles.
Uma jornada irregular
A jornada de Trump como comandante-em-chefe tem sido irregular. Ele não tinha experiência militar ou em cargo público quando chegou ao Salão Oval em janeiro de 2017. Promoveu uma guerra mais agressiva contra o Estado Islâmico, mas às vezes hesitava em usar força, em certo momento cancelando um ataque retaliatório ao Irã com minutos de antecedência, julgando que as baixas não valeriam a pena.
Ele estava decidido a recuar do mundo, buscando trazer tropas americanas de volta de lugares como Coreia do Sul, Alemanha e Síria. Negociou um acordo de paz com o Talibã para retirar todas as forças americanas do Afeganistão, um acordo executado por seu sucessor, o presidente Joe Biden, em uma operação desastrosa.
Leia também: Ao menos nove morrem ao tentar invadir consulado dos EUA no Paquistão em ato pró-Irã; Iraque também registra protestos
Mas ele também foi encorajado quando um ataque dos EUA em 2020 alvejou e matou o major-general Qassim Suleimani do Irã sem provocar as retaliações devastadoras ou guerra regional prolongada que alguns críticos previram. Da mesma forma, neste segundo mandato, a bem-sucedida operação que capturou o presidente Nicolás Maduro da Venezuela também energizou Trump.
Sua postura pública, no entanto, oscilou muito no último ano. Em um momento, ele se apresenta como um pacificador histórico, formando um suposto Conselho da Paz e reclamando por não ter ganhado o Prêmio Nobel da Paz enquanto se gaba, inexatamente, de ter encerrado oito guerras — incluindo uma com o Irã. No momento seguinte, ameaça tomar a Groenlândia, retomar o Canal do Panamá, estrangular Cuba e até ir atrás do presidente da Colômbia como fez com o da Venezuela.
Charles Kupperman, que foi assessor adjunto de segurança nacional de Trump no primeiro mandato do presidente, disse que não achava que Trump tivesse evoluído em seu pensamento sobre ameaças estrangeiras. Mas, no caso do Irã, disse Kupperman, o presidente se colocou em uma posição ao investir em um esforço diplomático sempre condenado ao fracasso, deixando pouca alternativa senão ação militar.
Teatro kabuki
“É difícil determinar o processo decisório de Trump dada a séria redução do papel do N.S.C. e sua formulação de políticas”, disse ele sobre o Conselho de Segurança Nacional. “Quais opções foram desenvolvidas e apresentadas a Trump e o processo para gerá-las são questões-chave.” Mas ele acrescentou que “o esforço diplomático para engajar o Irã nunca renderia os resultados que Trump buscava. Teatro puro de Kabuki.”
O resultado do risco geopolítico de Trump dependerá não apenas de como a operação militar prossegue, mas do que vem depois. O sucesso tem o jeito de fazer os eleitores esquecerem promessas quebradas. Há pouco amor pelo regime de Teerã, e vídeos mostraram iranianos nas ruas aplaudindo relatos da morte do aiatolá Khamenei. Se Trump conseguir empurrar o governo remanescente para fora do poder, terá algo para se gabar que nenhum de seus predecessores ousou tentar.
Veja vídeo: EUA divulgam imagens de ataques ao Irã
Diferentemente das chamadas guerras eternas no Afeganistão e Iraque que ajudaram a impulsionar sua ascensão política, Trump não fez nenhum grande compromisso de tropas terrestres no Irã e parece determinado a se ater ao poder aéreo, evitando o tipo de guerra de guerrilha de guerras passadas.
Ainda assim, como o próprio Trump alertou em seu vídeo da madrugada, pode haver baixas americanas. E se o governo de Teerã cair, poderia resultar em um substituto ainda hostil aos EUA, ou em caos fratricida, como aconteceu na Líbia após Muammar el-Qaddafi ser deposto e morto em 2011.
De um jeito ou de outro, seus aliados já falavam disso como um momento de legado para Trump. Que tipo de legado ainda não está claro. Mas não será o que ele originalmente prometeu.
Antes de as bombas americanas e israelenses começarem a cair no sábado, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, o centro autoritário do regime teocrático por quase 40 anos, havia planejado uma transição de poder em caso de sua morte.
Ataques contra o Irã: Veja cobertura completa
Veja: Imagens de satélite mostram destruição em residência do líder supremo do Irã, Ali Khamenei
Khamenei, de 86 anos, liderava o Irã desde 1989 e detinha amplos poderes como líder supremo. Era ao mesmo tempo reverenciado por seguidores como representante de Deus e, como comandante em chefe das Forças Armadas, tinha a palavra final em todos os principais assuntos de Estado.
Galerias Relacionadas
Desde que sucedeu o aiatolá Ruhollah Khomeini, o pai fundador da revolução islâmica, Khamenei governou com mão de ferro e recusou apelos por mudanças, reprimindo dissidências e ordenando a morte de manifestantes que desafiaram seu governo nas ruas. Acima de tudo, Khamenei se via como o guardião da revolução, responsável por salvaguardar a sobrevivência da república islâmica, e havia identificado possíveis substitutos para assumir esse papel após ele.
Agora, parece que seus planos serão postos à prova.
Trump e Netanyahu teriam visto foto de corpo: Testemunhas relatam celebração em Teerã após relatos não confirmados de morte de líder supremo do Irã
O governo iraniano informou no domingo que ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã mataram Khamenei, horas depois de o presidente Donald Trump ter anunciado a morte de Khamenei. Pouco tempo depois, a agência estatal iraniana IRNA afirmou que o presidente do Irã, o chefe do Judiciário e um jurista do Conselho dos Guardiões estariam encarregados durante o período de transição, sem detalhar o que vem a seguir.
Em junho, durante a guerra de 12 dias com Israel, quando Khamenei estava escondido, ele nomeou três candidatos que poderiam ser rapidamente designados para sucedê-lo. O líder supremo deve ser um clérigo xiita e estudioso sênior nomeado por um comitê de clérigos conhecido como a Assembleia dos Peritos.
Os três candidatos que Khamenei disse preferir para o cargo de líder supremo, com base em entrevistas com seis autoridades iranianas de alto escalão e dois clérigos que não quiseram ser identificados ao discutir informações sensíveis, são o chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni-Eje’i; o chefe de gabinete de Khamenei, Ali Asghar Hejazi; e Hassan Khomeini, um clérigo moderado da facção política reformista que é neto de Khomeini.
Obituário: Líder supremo dominou a política do Irã por quatro décadas
O Exército israelense informou que Hejazi foi morto.
O filho de Khamenei, Mojtaba, que tem sido uma figura poderosa nos bastidores, é favorecido por algumas facções, mas Khamenei disse a seguidores que não queria que o posto de líder supremo fosse hereditário.
O que acontece agora no Irã é incerto.
As divisões do país ficaram evidentes até o fim do sábado. Em alguns bairros de Teerã, opositores de Khamenei foram vistos comemorando, dançando e gritando em celebração às notícias de sua morte, segundo mais de uma dúzia de moradores da capital, contatados por telefone e mensagens de texto.
“Você consegue ouvir os gritos e os aplausos? Olha, fogos de artifício no meu quarteirão”, disse Ali, um empresário, em uma chamada de vídeo do Irã.
Antes dos ataques aéreos de sábado, Khamenei tomou precauções para preparar o país e o regime para sobreviver. Ele delegou a condução do país a um de seus aliados mais próximos, o político veterano Ali Larijani, que é o chefe do Conselho de Segurança Nacional e efetivamente deixou de lado o presidente Masoud Pezeshkian.
“Faremos os criminosos sionistas e os americanos desonrosos se arrependerem”, disse Larijani nas redes sociais no sábado. “Os bravos soldados e a grande nação do Irã darão aos tiranos internacionais que estão indo para o inferno uma lição inesquecível.”
Khamenei também autorizou um pequeno círculo de aliados políticos e militares a tomar decisões caso ele fosse morto ou ficasse incomunicável durante uma guerra, e nomeou quatro níveis de sucessão para figuras militares e políticas de alto escalão que ele próprio designa, segundo seis autoridades iranianas de alto escalão.
Eles incluem seu chefe de gabinete, Hejazi; o general de brigada Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento e ex-comandante da Guarda Revolucionária; e seu principal assessor militar e ex-comandante-chefe da Guarda, general Yahya Rahim Safavi.
Não estava claro no início do domingo quem estava no comando.
Dias antes, Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã, disse à mídia iraniana que, em caso de guerra com os Estados Unidos, “podemos ter perdido alguns de nossos líderes, mas isso não é um grande problema.”
“Não temos limites na defesa de nós mesmos”, afirmou.
Este artigo foi publicado originalmente no The New York Times.
Após a escalada militar entre Estados Unidos e Irã, três militares americanos morreram e outros cinco ficaram gravemente feridos durante operações na região, informou neste domingo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), responsável pelas forças no Oriente Médio.
Siga em tempo real: Escalada retórica acompanha novos ataques de Irã e Israel
Onde o Irã já atacou? Saiba os locais no Oriente Médio atingidos na retaliação iraniana; nove morrem em Israel
Veja infográfico: Irã diz ter atingido porta-aviões americano USS Abraham Lincoln
As mortes são as primeiras baixas entre militares americanos desde que Estados Unidos e Israel lançaram, no sábado, bombardeios em larga escala contra o Irã — ataques que resultaram na morte do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.
Em comunicado publicado na rede X, o Centcom não revelou onde os soldados foram mortos nem a identidade deles. Segundo o comando, novas informações só serão divulgadas após a notificação das famílias.
“A situação é dinâmica. Em respeito às famílias, reteremos informações adicionais, incluindo a identidade dos guerreiros caídos em combate, até 24 horas após seus parentes terem sido informados”, afirmou o comando militar.
Equipes de resgate em Israel após nova onda de mísseis iranianos
De acordo com o comunicado, vários outros militares sofreram ferimentos leves provocados por estilhaços e traumatismos, mas já estão sendo reassumidos em suas funções.
Mais cedo, autoridades iranianas haviam afirmado que mísseis atingiram o porta-aviões americano USS Abraham Lincoln, no Golfo Pérsico. O Pentágono negou a informação.
Em publicação na rede X, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) classificou a alegação como falsa. “Mentira. O Lincoln não foi atingido. Os mísseis lançados nem sequer se aproximaram”, afirmou o comando militar responsável pelas operações no Oriente Médio.
Segundo o Centcom, o porta-aviões segue operando normalmente. “O Lincoln continua enviando aeronaves em apoio à campanha implacável do comando para defender o povo americano e eliminar as ameaças do regime iraniano”, acrescentou.
EUA deslocam porta-aviões e seu grupo de ataque para o Oriente Médio em meio à tensão com o Irã, diz mídia americana
Veja vídeo: Morte de Khamenei provoca comoção no Irã, festas nas ruas e onda de protestos no Oriente Médio e na Ásia
Escalada após morte de líder iraniano
A tensão aumentou desde que Washington e Israel lançaram ataques contra alvos em território iraniano. Explosões foram registradas em Teerã e em outras cidades, e a mídia estatal do país confirmou posteriormente a morte de Khamenei.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que a operação tinha como objetivo eliminar ameaças consideradas iminentes ligadas ao programa de mísseis e às atividades nucleares iranianas. Segundo ele, era esperado que houvesse baixas no confronto.
Autoridades iranianas prometeram retaliar. O chefe de segurança do país, Ali Larijani, afirmou que novos ataques estão sendo preparados e que Estados Unidos e Israel enfrentarão uma resposta sem precedentes.
Na mesma linha, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que responder à morte do líder supremo é uma obrigação da República Islâmica e parte do que chamou de direito legítimo do país.
Desde o início da ofensiva, sirenes de alerta e lançamentos de mísseis foram registrados em diferentes pontos da região, elevando o temor de um conflito mais amplo no Oriente Médio.
O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais e ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, classificou como “totalmente condenável” e “inaceitável” a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel. Para ele, a ação representa um precedente grave nas relações internacionais.
— Acho que, obviamente, matar um líder de um país, à distância, é totalmente condenável, é inaceitável. Ninguém pode se arrogar em juízo do mundo — afirmou ao GLOBO.
Amorim ressaltou que não faz juízo sobre o governo iraniano em si.
— Não estou entrando no mérito do governo iraniano, isso é outra questão, mas é para os iranianos julgarem e atuarem.
Segundo ele, a eliminação de Khamenei não configura ajuda à oposição interna.
— O que foi feito não é uma ajuda à oposição iraniana, se você imaginar, um ataque direto, enfim, um assassinato de um líder de outro país. Certo ou errado o líder, isso não me interessa, eu acho que isso é altamente condenável.
Celso Amorim também avaliou que o episódio tende a prolongar a instabilidade. Ele lembrou que esteve no Irã em diferentes ocasiões, negociando a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também visitou o país, em iniciativas voltadas ao diálogo diplomático.
— O que eu pelo menos constatei é que é um país que obviamente tem divisões, tem uma oposição, tem várias coisas que nós podemos criticar do nosso ponto de vista, mas não é um país totalmente dividido, totalmente enfraquecido, totalmente debilitado — disse.
Para ele, o cenário é complexo e não terá desfecho simples.
— É algo duradouro, não sei exatamente que direção isso vai tomar, mas não será uma questão simples. Não será, digamos assim, exagerando um pouco, um passeio, como foi a invasão do Iraque, também condenável, mas foi fácil. Nesse caso, é condenável e é muito complexa.
O líder supremo é a mais alta autoridade política e religiosa da República Islâmica do Irã. O cargo foi criado após a Revolução de 1979 e concentra amplos poderes: o líder supremo comanda as Forças Armadas, tem influência decisiva sobre a política externa, nomeia chefes do Judiciário, da mídia estatal e metade dos membros do Conselho dos Guardiães, além de exercer autoridade final sobre temas estratégicos do Estado. Desde 1989, o posto era ocupado pelo aiatolá Ali Khamenei, que sucedeu Ruhollah Khomeini.
Khamenei morreu, junto a outras figuras centrais do regime iraniano, após ser atingido em ataques atribuídos aos EUA e a Israel contra estruturas do Estado iraniano. A morte foi confirmada pelo governo iraniano e ocorreu em meio à escalada militar na região.
Com explosões ainda ecoando em Teerã e as ruas esvaziadas por recomendação oficial, o embaixador do Brasil no Irã, André Veras, descreve um país sob bombardeio e diante de uma encruzilhada política. “Tivemos ataques fortíssimos há duas ou três horas, com muita fumaça e poeira”, relata. “As bombas assustam, claro, mas minha preocupação maior é o vácuo que isso vai deixar.”
Em entrevista ao GLOBO, o diplomata afirma que mais inquietante do que os ataques a estruturas do Estado é o que pode vir depois da morte do líder supremo: a incerteza sobre quem deterá o poder em um regime sustentado pela Guarda Revolucionária e por forças armadas que não dão sinais de dissolução.
Como o senhor descreve a situação neste momento em Teerã? Que tipo de alvos estão sendo atingidos?
A situação é a seguinte: ocorrem ataques direcionados a certos objetivos específicos. O presidente americano disse que atacaria a estrutura do Estado para “devolver o Estado ao iraniano”. Então estão atacando unidades do Exército, unidades da Guarda Revolucionária, estruturas do Estado iraniano.
Com a morte do líder supremo do Irã, o que pode acontecer no país, em sua opinião?
As bombas assustam, claro, mas minha preocupação maior é o vácuo que isso vai deixar. Já anunciaram que mataram o líder supremo e outras lideranças. A questão é o que acontece depois. Quando os americanos pararem de bombardear, o que vem? Eles decretaram uma semana de feriado a partir da morte do líder. A vida deve começar a voltar no domingo que vem. Mas disseram que vão continuar bombardeando. No primeiro momento, atacaram as estruturas de lançamento e defesa aérea, o que facilita agora. Minha preocupação é o que vem depois, como vão resolver essa questão central, que é retirar da Guarda Revolucionária o poder que ela tem no país.
A morte de Ali Khamenei  pode significar o fim do regime da República Islâmica?
Olha, não sei se é o fim do regime. O fim do regime seria sair da República Islâmica para outra coisa. O regime não acaba simplesmente matando o líder supremo. Um dos pilares é a Guarda Revolucionária, os Pasdaran, uma espécie de milícia informal. Esse grupo detém o poder, até mais forte que Exército, Marinha e Aeronáutica, que existem basicamente para proteger o líder supremo e o regime. O Irã não tem histórico recente de oposição política organizada, porque essas forças foram sendo expurgadas ao longo do tempo.
Como está o clima nas ruas de Teerã neste momento? Há recomendações oficiais para que as pessoas fiquem em casa?
As ruas estão vazias. A polícia pediu que as pessoas ficassem em casa por causa dos ataques. Eu mesmo recebi uma recomendação no telefone para permanecer em casa. As pessoas estão preocupadas, claro. Tivemos ataques fortíssimos há duas ou três horas, com muita fumaça e poeira. As explosões são muito fortes. As pessoas não saem às ruas. Estão esperando para ver o que vai acontecer. A grande pergunta é: até quando vão os ataques e a quem será entregue o poder?
O senhor mencionou o risco de um vazio de poder. Que cenário o preocupa mais nesse contexto?
Nós sabemos que não existe vazio de poder. Mas mataram lideranças. Se acontecer como o presidente Trump diz — que os que estão armados vão depor as armas e terão tratamento digno — isso vale para alguns. Mas e os que não quiserem entregar as armas? E os mais ideológicos? Quem vai tirá-los? A gente lembra do Iraque, quando decidiram acabar com o partido Baath e impedir que seus integrantes trabalhassem para o Estado. Eram pessoas armadas. O resultado foi guerra civil. Foi um desastre. Eu vejo o risco de que estejam levando a sociedade iraniana a uma situação de possível guerra interna, de dissolução, algo que Israel deseja — um Irã enfraquecido na região.
Quantos brasileiros estão hoje no Irã?
Calculamos cerca de 200 brasileiros.
Qual é o perfil dessa comunidade e há brasileiros afetados diretamente pelos ataques?
A maioria são brasileiras ou filhos de brasileiras que foram para o Japão nos anos 1990 e se casaram com iranianos. Muitas são descendentes de japoneses. Depois vieram para o Irã. Têm filhos nascidos aqui. Os filhos homens, principalmente, não podem deixar o país. Então muitas mães dizem que não vão sair, porque os filhos não podem sair. São poucos os casos de assistência direta. Normalmente pedem para avisar familiares no Brasil que estão bem, porque as comunicações foram cortadas. Tem também atletas e treinadores. Um atleta de luta livre veio para treinar equipe aqui, e estamos ajudando para que possa sair. Há também alguns técnicos de futebol.
Há, neste momento, plano de evacuação para brasileiros que desejem deixar o país?
Num primeiro momento, quando começam as bombas, há sempre muitas solicitações. Mas depois as pessoas pensam nas consequências e nos impedimentos. Na guerra dos 12 dias, em junho passado, retiramos cinco ou seis pessoas, geralmente não residentes — empresários, atletas, visitantes. Agora não acredito que haja turistas, porque a situação já vinha escalando e o espaço aéreo está fechado. Não só o do Irã, mas também em países do Golfo. Se for necessário, seria levar até a fronteira para que possam embarcar de outro país.
O senhor vê risco de impacto imediato sobre o petróleo e o comércio internacional?
Quem acompanha sabe o potencial. Ontem houve fechamento do estreito (de Ormuz). Se um petroleiro afundar, ninguém mais passa. As empresas não vão permitir. Isso tem impacto imediato.
Irã promete ‘vingança’ contra EUA e Israel por morte de Khamenei Ofensiva americana marca ápice de escalada de tensões envolvendo Washington e Teerã; Donald Trump fala em mudança de governo Obituário: Líder supremo dominou a política do Irã por quatro décadas. Teocracia em baixa: EUA atacam Irã em seu momento de maior fragilidade; veja como funciona a República Islâmica. O que pode acontecer? Da sobrevivência do regime ao retorno da monarquia: entenda os possíveis cenários para o Irã após ataque dos EUA. Análise: Ao lançar ataque contra o Irã sem objetivo definido, Trump evoca fracassos passados dos EUA

Assine nossa newsletter

e seja avisado quando surgirem novos artigos

Copyright ® 2025 - Todos os Direitos Reservados

Este site é protegido pelo reCAPTCHA e está sujeito à Política de Privacidade e aos Termos de Uso do Google.

plugins premium WordPress