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Um novo ataque com míssil do Irã deixou 19 pessoas feridas em Be’er Sheva, no Sul de Israel. Com o impacto da explosão, uma cratera se formou no terreno do local, e muitos prédios foram danificados, segundo a polícia israelense. O comando do Distrito Sul afirmou ao jornal Haaretz que uma operação está em andamento para resgatar vítimas em dez prédios, num ação que deve levar várias horas em meio ao novo capítulo na escalada de tensões no Oriente Médio desencadeada após os ataques iniciados por Estados Unidos e Israel contra o território iraniano, no sábado.
Guerra no Oriente Médio: Acompanhe a cobertura completa
Guerra no Oriente Médio cresce com múltiplos fronts e ataques entre Israel e Hezbollah; ações do Irã aumentam tensão com Europa
Os serviços de emergência detalharam que, dos 19 feridos, um teve lesões moderadas enquanto os demais sofreram ferimentos leves, resultantes do impacto direto do míssil. Um levantamento da rede Al Jazeera aponta que, do início do confronto contra o Irã até a manhã desta segunda-feira, ao menos dez pessoas morreram em Israel e outras centenas ficaram feridas.
A maior parte dos mortos em Israel estava num abrigo antibombas público atingido por um míssil balístico iraniano na cidade de Beit Shemesh, no Centro de Israel, neste domingo. As autoridades israelenses identificaram nesta manhã os irmãos Sarah Bitton, de 13 anos, Avigail Bitton, de 15, e Yaakov Bitton, de 16, como as últimas três das nove vítimas do bombardeio, que deixou outros 60 feridos.
Uma investigação inicial das Forças de Defesa de Israel (IDF) concluiu que o abrigo antibombas atendia aos padrões oficiais de segurança. Segundo as IDF, a maioria das pessoas que estavam no local não morreu. O caso reacendeu o debate sobre o sistema de defesa aérea do país (veja detalhes mais abaixo). Enquanto isso, Israel afirma ter mobilizado 110 mil reservistas desde o início do conflito contra o Irã e se preparado para desdobramentos “em múltiplas frentes”.
Veja o vídeo: Aviões militares dos EUA caem no Kuwait em terceiro dia de conflito com o Irã
“Antes da campanha, a Diretoria de Operações conduziu um processo aprofundado de preparação para o combate ao longo de vários meses”, declararam as Forças, que citaram ainda preparativos junto ao Exército dos EUA e o reforço comandos regionais.
No sábado à noite, outra vítima morreu após ser atingida por estilhaços na região de Tel Aviv, onde ao menos 40 edifícios sofreram danos, segundo o jornal Haaretz. Os ataques também atingiram diretamente forças americanas. De acordo com o Comando Central dos Estados Unidos, três soldados morreram e cinco ficaram gravemente feridos após um ataque iraniano contra posições militares no Kuwait.
O Irã afirmou no sábado ter iniciado uma “primeira onda” de retaliação com mísseis e drones contra Israel, em resposta aos bombardeios conduzidos por forças americanas e israelenses. Em comunicado, os Guardiões da Revolução disseram que a ofensiva foi direcionada aos “territórios ocupados”, em referência a Israel. A escalada rapidamente atingiu outros países do Oriente Médio.
Explosões continuam sendo registradas pelo terceiro dia consecutivo no Irã, em Israel e em diferentes pontos da região. A ofensiva levou Teerã a cumprir uma promessa reiterada nas últimas semanas: retaliar mirando instalações militares americanas e alvos ligados a Israel na região. Um levantamento da Al Jazeera indica que, até a manhã desta segunda, ao menos 12 países já haviam sido atingidos direta ou indiretamente pela escalada militar.
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O novo conflito com o Irã marca um teste decisivo para o sofisticado sistema de defesa antimísseis de Israel, estruturado em múltiplas camadas e reconhecido por proteger a população contra ameaças aéreas. A guerra cresceu em extensão, entre a noite de domingo e a madrugada desta segunda-feira, com as confirmações dos ataques trocados pelas Forças Armadas do Estado judeu e o Hezbollah, grupo libanês aliado de Teerã por meio do “Eixo da Resistência”, e do bombardeio de drones iranianos a uma base do Reino Unido no Chipre — país insular na fronteira geográfica e cultural entre Ásia e Europa.
Após a guerra de 12 dias travada em junho do ano passado, os estoques de interceptadores de mísseis balísticos israelenses foram significativamente reduzidos, aumentando a preocupação com a capacidade de resposta em caso de novos ataques. O mesmo ocorreu com o arsenal americano de mísseis antibalísticos lançados da terra e do mar, que funcionou como um escudo adicional crucial para Israel.
O sistema de defesa de Israel
Embora o sistema Domo de Ferro seja talvez o componente mais conhecido da defesa aérea israelense, ele é projetado para interceptar foguetes de curto alcance, como os disparados pelo Hamas. Outros sistemas são mais relevantes em conflitos com o Irã ou com o Hezbollah, no Líbano.
O sistema David’s Sling, ou Funda de Davi, intercepta mísseis de médio a longo alcance que não atingem altitudes muito elevadas. Já o Arrow 3, desenvolvido em conjunto pela Boeing e pela Israel Aerospace Industries (IAI), é empregado contra mísseis balísticos de longo alcance, interceptando-os acima da atmosfera terrestre.
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Em operação desde 2011, Israel conta com um sistema antimísseis conhecido como Domo de Ferro, que já interceptou milhares de foguetes disparados de Gaza. O sistema de defesa foi projetado para deter em pleno ar mísseis que adentrem o território israelense. Os dispositivos inimigos são detectados por meio de um radar, e o sistema rapidamente calcula se o foguete deve cair em uma área habitada ou atingir uma infraestrutura importante. Caso represente uma ameaça, mísseis são disparados para atingir o artefato inimigo.
O sistema de radar é capaz de detectar foguetes entre 4 e 70 km de distância. Já os mísseis podem defender uma área de 150 km². Segundo Israel, o sistema tem 90% de eficiência. O infográfico abaixo mostra em etapas o funcionamento do sistema:
Infográfico mostra em etapas como funciona o Domo de Ferro, sistema de defesa de Israel
Arte O Globo
O C-Dome é a versão naval do Domo de Ferro e utiliza os mesmos interceptores. Ele complementa o sistema de defesa aérea de múltiplas camadas de Israel em relação ao Arrow-3, que é projetado para interceptar mísseis balísticos fora da atmosfera terrestre.
Domo de Ferro: Videográfico mostra como funciona o sistema de defesa de Israel
“O C-Dome garante proteção abrangente para as embarcações e uma alta probabilidade de acerto contra um amplo espectro de ameaças modernas: marítimas e costeiras”, diz a empresa, chamada Rafael Advanced Defense Systems, em seu site. Consiste em três componentes: interceptores TAMIR, uma unidade modular de lançamento vertical (VLU) e um componente de comando e controle (C2). Ao utilizar o radar de vigilância do navio para detectar e rastrear ameaças, a necessidade de um radar dedicado é eliminada.
Arrow 2 e 3
Esse sistema antimísseis foi desenvolvido em cooperação com os Estados Unidos com o objetivo de interceptar mísseis de médio e longo alcance. O Arrow 3 não revida ataques de aeronaves militares ou lançadores de artilharia, mas sim os mísseis que voam mais alto, sendo capaz de derrubá-los no espaço, em uma altitude que destruiria qualquer ogiva bélica não convencional com segurança. O alcance estimado do Arrow 3 é de aproximadamente 2.400 km ou mais, dependendo do alvo e da trajetória do míssil. Já o Arrow 2 tem um alcance de cerca de 90 km a 150 km.
Decolagem de um míssil do Arrow 3
Reprodução
Em operação desde 2000, o programa de desenvolvimento dos sistema Arrow é estimado em mais de US$ 2 bilhões. O sistema é desenvolvido e fabricado pela Israel Aerospace Industries (IAI) em colaboração com a fabricante de aeronaves americana Boeing. Seu alcance é muito superior ao do sistema americano de defesa antiaérea Patriot e ao do sistema IRIS-T.
David’s Sling
Esse é um sistema de defesa antimísseis desenvolvido por Israel para interceptar mísseis de médio e longo alcance (até 300 km), além de foguetes pesados e mísseis balísticos táticos, complementando a atuação do Domo de Ferro e o sistema Arrow.
O sistema usa um míssil interceptador chamado Stunner, que tem tecnologia avançada para detectar e destruir ameaças com grande precisão. O Stunner é um míssil de dois estágios, isto é, ele pode mudar de curso durante o voo, tornando-o mais eficaz contra alvos que manobram.
Também foi desenvolvido em uma parceria entre a empresa israelense Rafael Advanced Defense Systems e a empresa americana Raytheon.
Iron Beam
O Iron Beam é um sistema de defesa a laser em desenvolvimento por Israel para interceptar e destruir ameaças aéreas, como foguetes, mísseis de curto alcance, drones e morteiros. Ele utiliza um laser de alta energia em vez de mísseis tradicionais para neutralizar tais ameaças, sendo uma alternativa muito mais econômica e eficaz para a defesa aérea de curto alcance.
Como o sistema é baseado em lasers, ele é praticamente invisível, e os ataques não geram ruídos ou explosões visíveis. O sistema também foi desenvolvido pela empresa israelense Rafael Advanced Defense Systems e vem sendo testado desde meados de 2010.
Um feixe de laser do sistema, diz o governo israelense, tem o diâmetro de uma moeda e é “incrivelmente preciso”, superando os efeitos de distorção do vento e da temperatura atmosférica.
Sistema Patriot
O Sistema Patriot é um sistema de defesa aérea de longo alcance desenvolvido pelos Estados Unidos, amplamente utilizado para interceptar mísseis balísticos táticos, mísseis de cruzeiro e aeronaves inimigas, sendo o equipamento mais antigo do sistema de defesa antimísseis de Israel. Montados em caminhões, para serem transportados facilmente, cada sistema é capaz de conter quatro interceptadores de mísseis. Nos círculos militares, eles são vistos como um cobertor de segurança, destinado a proteger uma população, tropas ou até edifícios de ataques.
Sistema de defesa aérea Patriot durante um treinamento nos arredores de Constanta, na Romênia
Daniel MIHAILESCU / AFP)
Os mísseis Patriot tornaram-se conhecidos a partir da guerra do Golfo Pérsico em 1991, quando uma série deles derrubou diversos mísseis Scud iraquianos em defesa de Israel. Ele é capaz de detectar, rastrear e identificar alvos em distâncias de até 160 km.
Em lados opostos das salvas de mísseis que cortaram os céus do Oriente Médio nos três últimos dias, os altos-comandos militares de EUA e Irã coincidiram nesta segunda-feira ao se dizerem prontos para uma guerra prolongada no Oriente Médio. Enquanto a liderança do Conselho de Segurança Nacional do Irã apontou que o país estava preparado para um conflito longo e rejeitou a ideia de abrir conversas imediatas com a parte americana, chefes militares no Pentágono declararam publicamente que o país pode precisar de mais tempo para alcançar o objetivo militar traçado. Os discursos acontecem em um momento em que analistas apontam que cada lado tem os seus próprios motivos para se preocupar com a durabilidade de seus arsenais em caso de um prolongamento indeterminado das hostilidades.
*Matéria em atualização
Faleceu na manhã desta segunda-feira a esposa do ex-líder supremo do Irã Ali Khamenei. Mansoureh Khojasteh tinha 79 anos e estava internada em coma, devido aos ferimentos causados pelos bombardeios de sábado, que culminaram na morte do aiatolá, seus filhos e sobrinha. A informação foi atribuída por autoridades iranianas.
Guerra no Oriente Médio: Catar suspende a produção de gás natural após ataque
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Em comunicado a televisão estatal iraniana, o clérigo recém eleito, Alireza Arafi, afirmou que a nomeação de um novo líder supremo do país será feita “rapidamente”. A Assembleia de Peritos, composta por 88 membros, um grupo formado principalmente por clérigos, escolherá um substituto para o líder supremo, morto no sábado. Apesar das movimentações, ainda não há uma definição sobre quem irá suceder Khamenei.
Guerra no Oriente Médio se estende
A morte de Mansoureh é anunciada em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, que se expandiu no começo desta semana, com ataques ao Líbano e Israel. Países europeus surgem em meio à guerra com contestações e classificaram como “cegos e desproporcionados” os ataques iranianos contra países vizinhos e contra Israel — onde ao menos nove pessoas faleceram, segundo serviços de emergência.
Em meio à escalada, Washington confirmou as primeiras mortes de soldados americanos na operação contra o Irã. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã não estabelece “nenhum limite” ao seu direito de defesa, classificando a ação dos EUA como “ato de agressão”.
Leia: EUA e aliados do Golfo criticam ‘escalada perigosa’ do Irã; veja onde República Islâmica já atacou
Segundo a Al Jazeera, os confrontos e ataques já alcançaram Irã, Israel, Bahrein, Iraque, Jordânia, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Líbano e Chipre. Em muitos casos, os projéteis foram interceptados por sistemas de defesa aérea, mas ainda assim houve mortos, feridos e danos à infraestrutura civil e militar.
A QatarEnergy, empresa petrolífera estatal do Catar, anunciou a suspensão total da produção de gás natural liquefeito (GNL) e de produtos associados, segundo comunicado oficial que atribui a decisão a ataques militares ao seu complexo em Ras Laffan.
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O Catar é um dos maiores produtores globais de gás natural, e a paralisação pode ter impacto relevante no mercado internacional de energia. O petróleo e o gás ainda representam mais de 50% do PIB do país, cerca de 85% das receitas de exportação e 70% das receitas do governo.
A QatarEnergy havia informado anteriormente que um drone havia atingido um reservatório de água em uma usina elétrica no complexo e outro em uma instalação de energia em Ras Laffan, de acordo com um comunicado do Ministério da Defesa.
“Um drone teve como alvo um reservatório de água pertencente a uma usina elétrica em Mesaieed, e o outro teve como alvo uma instalação de energia na Cidade Industrial de Ras Laffan, pertencente à Qatar Energy, sem relatos de vítimas humanas”, afirmou a nota, de acordo com Al Jazeera.
Fundada em 1974, a empresa atua na exploração de petróleo e gás, incluindo exploração, produção, refinamento, transporte e armazenamento. Uma das unidades de produção no complexo de Ras Laffan, no Catar, estava passando por manutenção programada até a semana passada, segundo traders, o que contribuirá para a redução dos fluxos.
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O Catar exportou 82,2 milhões de toneladas de GNL em 2025. Mais de quatro quintos do GNL do Catar foram entregues a compradores asiáticos no ano passado, sendo a China o maior comprador, responsável por quase um terço de suas importações provenientes do país. A Índia é o segundo maior importador.
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A ampliação do conflito no Oriente Médio põe em risco o mercado global de gás como não se via desde 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia desorganizou o comércio global há quatro anos.
Vizinhos do Irã, como o Catar, estão entre os produtores mais importantes do mundo, e a região também é uma rota vital de abastecimento, com 20% das exportações de gás natural liquefeito (GNL) passando pelo Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento crucial para a energia global.
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Se o conflito se prolongar e as interrupções no transporte marítimo continuarem, os riscos para a produção de GNL aumentarão rapidamente, já que o setor depende de exportações constantes para escoar o combustível pelas instalações — caso contrário, poderá ser forçado a cortar a produção.
Na Europa, o gás disparou até 25% diante dos riscos aos fluxos globais, já que o continente permanece altamente vulnerável ao conflito com o Irã. A temporada de aquecimento de inverno esgota os estoques regionais de gás, o que significa que a Europa precisa importar grandes volumes de GNL para reconstruir suas reservas.
A invasão da Ucrânia forçou uma mudança drástica na matriz energética europeia, reduzindo a dependência da energia russa, e agora uma parcela significativa do gás natural liquefeito (GNL) europeu vem do Catar, através do Estreito de Ormuz, onde o tráfego comercial praticamente parou.
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O número de militares americanos mortos durante os ataques retaliatórios do Irã contra bases dos Estados Unidos no Kwait subiu para quatro nesta segunda-feira. Até então, três mortes haviam sido confirmadas, com cinco soldados gravemente feridos. A ofensiva iraniana, com mísseis, aconteceu depois que os EUA e Israel lançaram ataques coordenados contra a República Islâmica, no último sábado.
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Veja infográfico: Pentágono nega que Irã tenha atingido porta-aviões americano USS Abraham Lincoln
O chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, disse que provavelmente haverá mais baixas americanas na campanha contra o Irã.
As mortes, cuja localização foi confirmada pela BBC, são as primeiras baixas entre militares americanos. Segundo o Comando Central dos EUA (Centcom), as identidades dos militares mortos serão mantidas em sigilo até 24 horas após a notificação dos familiares.
Em comunicado publicado no X no domingo, o Centcom, responsável pelas forças no Oriente Médio, não revelou onde os soldados foram mortos nem a identidade deles. Segundo o comando, novas informações só serão divulgadas após a notificação das famílias.
“A situação é dinâmica. Em respeito às famílias, reteremos informações adicionais, incluindo a identidade dos guerreiros caídos em combate, até 24 horas após seus parentes terem sido informados”, afirmou o comando militar.
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Equipes de resgate em Israel após nova onda de mísseis iranianos
De acordo com o comunicado, vários outros militares sofreram ferimentos leves provocados por estilhaços e traumatismos, mas já estão sendo reassumidos em suas funções.
Mais cedo, autoridades iranianas haviam afirmado que mísseis atingiram o porta-aviões americano USS Abraham Lincoln, no Golfo Pérsico. O Pentágono negou a informação. Em publicação na rede X, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) classificou a alegação como falsa. “Mentira. O Lincoln não foi atingido. Os mísseis lançados nem sequer se aproximaram”, afirmou o comando militar responsável pelas operações no Oriente Médio.
Segundo o Centcom, o porta-aviões segue operando normalmente. “O Lincoln continua enviando aeronaves em apoio à campanha implacável do comando para defender o povo americano e eliminar as ameaças do regime iraniano”, acrescentou.
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Escalada após morte de líder iraniano
A tensão aumentou desde que Washington e Israel lançaram ataques contra alvos em território iraniano. Explosões foram registradas em Teerã e em outras cidades, e a mídia estatal do país confirmou posteriormente a morte de Khamenei.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que a operação tinha como objetivo eliminar ameaças consideradas iminentes ligadas ao programa de mísseis e às atividades nucleares iranianas. Segundo ele, era esperado que houvesse baixas no confronto.
Autoridades iranianas prometeram retaliar. O chefe de segurança do país, Ali Larijani, afirmou que novos ataques estão sendo preparados e que Estados Unidos e Israel enfrentarão uma resposta sem precedentes.
Na mesma linha, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que responder à morte do líder supremo é uma obrigação da República Islâmica e parte do que chamou de direito legítimo do país.
Desde o início da ofensiva, sirenes de alerta e lançamentos de mísseis foram registrados em diferentes pontos da região, elevando o temor de um conflito mais amplo no Oriente Médio.
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França, Alemanha e Reino Unido declararam neste domingo que estão prontos para adotar “ações defensivas necessárias e proporcionadas” diante da resposta iraniana aos ataques conduzidos por Israel e Estados Unidos. Em comunicado conjunto, o grupo E3 afirmou que poderá agir para “destruir na origem” capacidades militares de Teerã, incluindo lançamentos de mísseis e drones.
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Os líderes europeus classificaram como “cegos e desproporcionados” os ataques iranianos contra países vizinhos e contra Israel — onde ao menos nove pessoas morreram, segundo serviços de emergência. O texto afirma que as ofensivas ameaçam aliados e pessoal militar e civil na região, e que eventuais medidas serão coordenadas com Washington.
O Reino Unido anunciou ainda a elaboração de um plano de evacuação em massa para cidadãos retidos no Golfo devido à suspensão de voos. Autoridades orientam britânicos em Israel, Palestina, Emirados Árabes, Bahrein e Catar a registrarem presença online e seguirem instruções oficiais. Estima-se que o número de nacionais na região ultrapasse centenas de milhares.
Diante das tensões, a França exigiu que o porta-aviões Charles de Gaulle e seu grupo naval, que estão no Mar Báltico, se dirigissem para o leste do Mar Mediterrâneo, afirmou a rede BFMTV.
Em meio à escalada, Washington confirmou as primeiras mortes de soldados americanos na operação contra o Irã. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã não estabelece “nenhum limite” ao seu direito de defesa, classificando a ação dos EUA como “ato de agressão”.
Veja o comunicado na íntegra:
“A França, a Alemanha e o Reino Unido têm instado consistentemente o regime iraniano a pôr fim ao programa nuclear do Irã, a restringir seu programa de mísseis balísticos, a se abster de suas atividades desestabilizadoras na região e em nossos territórios, e a cessar a terrível violência e repressão contra seu próprio povo.
Não participamos desses ataques, mas estamos em contato próximo com nossos parceiros internacionais, incluindo os Estados Unidos, Israel e parceiros na região. Reiteramos nosso compromisso com a estabilidade regional e com a proteção da vida civil.
Condenamos veementemente os ataques iranianos contra países da região. O Irã deve abster-se de ataques militares indiscriminados. Apelamos à retomada das negociações e instamos a liderança iraniana a buscar uma solução negociada. Em última análise, o povo iraniano deve ter a liberdade de determinar seu próprio futuro”.
Explosões continuam sendo registradas pelo terceiro dia consecutivo no Irã, em Israel e em diferentes pontos do Oriente Médio. Um levantamento divulgado pela rede Al Jazeera indica que, até a manhã desta segunda-feira, ao menos 12 países já haviam sido atingidos direta ou indiretamente pela escalada militar desencadeada após os ataques iniciados por Estados Unidos e Israel contra o território iraniano no sábado.
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A ofensiva levou Teerã a cumprir uma promessa reiterada nas últimas semanas: retaliar mirando instalações militares americanas e alvos ligados a Israel na região. Desde então, ondas de mísseis balísticos e drones foram lançadas contra Israel e em direção a bases onde há presença de tropas dos EUA, espalhadas por diferentes países do Oriente Médio.
Segundo a Al Jazeera, os confrontos e ataques já alcançaram Irã, Israel, Bahrein, Iraque, Jordânia, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Líbano e Chipre. Em muitos casos, os projéteis foram interceptados por sistemas de defesa aérea, mas ainda assim houve mortos, feridos e danos a infraestrutura civil e militar.
Israel ataca base da Guarda Revolucionária em Teerã
Ataques se espalham pela região
No Irã, alvo inicial da ofensiva conjunta de Washington e Tel Aviv, autoridades afirmam que centenas de pessoas ficaram feridas e ao menos 555 morreram, segundo o Crescente Vermelho. Um dos episódios mais letais ocorreu na cidade de Minab, no sudeste do país, onde um ataque atingiu uma escola primária feminina. De acordo com Hossein Kermanpour, do Ministério da Saúde iraniano, cerca de 180 crianças teriam morrido no local.
Em Israel, os bombardeios iranianos também deixaram vítimas. Um míssil balístico atingiu a cidade de Beit Shemesh, no centro do país, matando nove pessoas e ferindo dezenas. No sábado à noite, outra vítima morreu após ser atingida por estilhaços na região de Tel Aviv, onde ao menos 40 edifícios sofreram danos, segundo o jornal Haaretz.
Os ataques também atingiram diretamente forças americanas. De acordo com o Comando Central dos Estados Unidos, três soldados morreram e cinco ficaram gravemente feridos após um ataque iraniano contra posições militares no Kuwait.
No Bahrein, mísseis atingiram a área onde está o quartel-general da 5ª Frota da Marinha dos EUA, em Juffair. Um trabalhador asiático morreu depois que destroços de um míssil interceptado caíram sobre uma embarcação em manutenção. Já no Iraque, ataques envolvendo posições ligadas a milícias apoiadas por Teerã deixaram dois combatentes mortos e cinco feridos, segundo autoridades locais e fontes do grupo Kataib Hezbollah.
Outros países registraram interceptações e danos pontuais. A Jordânia afirmou ter derrubado dezenas de drones e mísseis que cruzaram seu espaço aéreo. Em Omã, ataques com drones e um incidente envolvendo um petroleiro deixaram cinco pessoas feridas. No Catar, projéteis atingiram a base aérea de Al Udeid, que abriga forças americanas, e deixaram ao menos 16 feridos.
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Na Arábia Saudita, ataques tiveram como alvo áreas próximas a instalações estratégicas, incluindo regiões com infraestrutura petrolífera, embora não haja registro de vítimas. Nos Emirados Árabes Unidos, ao menos três pessoas morreram e dezenas ficaram feridas após destroços de mísseis e drones caírem em áreas residenciais em Abu Dhabi e Dubai.
O Líbano também entrou na lista de países afetados após ataques aéreos israelenses que, segundo o Ministério da Saúde local, mataram ao menos 31 pessoas e feriram quase 150. Em paralelo, o Hezbollah afirmou ter lançado foguetes e drones contra uma base militar perto de Haifa, no norte de Israel.
Além disso, um drone iraniano atingiu uma pista de pouso em uma base militar britânica no Chipre, ampliando ainda mais o alcance geográfico do conflito.
Presença militar dos EUA amplia risco de escalada
O alcance regional dos ataques está diretamente ligado à presença militar americana no Oriente Médio. De acordo com dados citados pela Al Jazeera e pelo Conselho de Relações Exteriores, os Estados Unidos mantêm uma rede de instalações militares em pelo menos 19 locais da região.
Oito delas são bases permanentes localizadas no Bahrein, Egito, Iraque, Jordânia, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Em meados de 2025, havia entre 40 mil e 50 mil militares americanos estacionados nesses países, em estruturas usadas para operações aéreas, navais, logística e inteligência.
Com bases espalhadas por diferentes territórios, esses locais passaram a ser considerados por Teerã como alvos potenciais após o início da ofensiva contra o Irã. O resultado é um conflito que, em apenas três dias, já ultrapassou fronteiras e se espalhou por grande parte do Oriente Médio.
Um eclipse lunar total, popularmente conhecido como “Lua de Sangue”, ocorre na manhã desta terça-feira (3). O fenômeno poderá ser observado em diversas regiões das Américas, da Ásia e da Austrália, mas o Brasil não está entre os locais mais favoráveis para acompanhar o evento.
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Durante o eclipse, a Lua atravessa a parte mais escura da sombra da Terra, chamada umbra. Nesse momento, o satélite natural adquire um tom avermelhado característico. Em 2026, estão previstos quatro eclipses. O primeiro ocorreu em 17 de fevereiro e foi um eclipse solar anular.
Visibilidade limitada no Brasil
De acordo com o astrônomo Thiago Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo, a observação no Brasil será prejudicada pela posição da Lua e pelo horário em que o fenômeno acontece.
“Dentro do Brasil, quanto mais para o Oeste você estiver, então as regiões Oeste do Amazonas, Acre, vão ter um pouco mais de visibilidade e vão conseguir, pelo menos, enxergar o eclipse parcialmente”, afirma.
Segundo ele, quando o eclipse começar a se tornar perceptível, a Lua já estará muito próxima do horizonte. “Quando começar o eclipse, a Lua já vai estar muito baixa no horizonte, infelizmente. Então, quem conseguir ver alguma coisa lá vai ver um pouquinho”, diz.
A previsão é que o fenômeno ocorra entre 5h e 6h da manhã, momento em que o satélite natural estará prestes a se pôr. “Vai ser um eclipse visto pela manhã, entre 5 e 6 da manhã, então a Lua já vai estar quase se pondo nesse momento”, explica.
O melhor cenário de observação, segundo o astrônomo, será em regiões onde ainda for noite durante a fase total do eclipse. “O lugar ideal mesmo para ver o eclipse seria nas ilhas do Pacífico, Nova Zelândia, Fiji”, afirma.
Por que a Lua fica vermelha
A coloração avermelhada ocorre quando a Terra se posiciona entre o Sol e a Lua, bloqueando a luz direta do Sol. Parte da luminosidade, porém, atravessa a atmosfera terrestre antes de atingir a superfície lunar.
“Da mesma forma como a gente observa o Sol avermelhado quando ele está no horizonte, isso acontece porque ele está atravessando uma camada maior de área. Ele deixa de ser, digamos, amarelado e ele fica mais avermelhado, porque a nossa atmosfera espalha essa luz azul”, explica Gonçalves.
O mesmo processo ocorre durante o eclipse. “A luz azul é espalhada e só chega essa parte vermelha da luz do Sol na superfície da Lua, que é o que a gente enxerga, por isso que se chama uma Lua de Sangue.”
A semana começa com o fechamento de um dos mais importantes complexos de produção e terminal estratégico de exportação de petróleo do Oriente Médio, Ras Tanura, na Arábia Saudita, o que aumenta o temor do impacto do conflito sobre o mercado global. Dentro do complexo situado no Golfo Pérsico, o qual já visitei, está uma das maiores refinarias da região, com capacidade de produção de 550 mil barris por dia. Após o ataque de Estados Unidos e Israel, neste sábado, preço do barril chegou a subir mais de 10% e a cotação vai continuar a oscilar dependendo da gravidade do conflito. A primeira coisa que aconteceu é, o que sempre se temeu em qualquer conflito com o Irã, o fechamento do Estreito de Ormuz, por um de passa cerca de um quinto da produção mundial de petróleo e gás. O mercado de petróleo está estressado pela incerteza. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.

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