Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo, nesta quarta-feira (4), para que líderes globais busquem a paz em meio ao cenário recente de guerras e que priorizem o combate à fome no lugar de gastos com armamentos.

“Se pegássemos o dinheiro que foi gasto, no ano passado, em armamentos, em conflitos – o equivalente a US$ 2,7 trilhões – e dividíssemos entre os 630 milhões de seres humanos que, no planeta, passam fome, daria pra ter distribuído US$ 4.285 para cada pessoa. Vocês percebem que não precisaria ter fome no mundo se houvesse o bom senso dos governantes?”, disse o presidente. 

Notícias relacionadas:

Durante a abertura da 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe, Lula destacou que a região é “a única zona de paz no mundo”.

“Aqui no Brasil, temos a opção de não possuir armas nucleares na nossa Constituição. Há muito tempo, a gente chegou à conclusão de que aquele ditado que diz que quem quer paz se prepara para a guerra é para quem quer fazer guerra. Nós queremos paz porque a paz é a única possibilidade de fazer com que a humanidade avance.”

Conselho de Segurança

Em sua fala, Lula fez um apelo direto aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU): França, Inglaterra, Rússia, China e Estados Unidos.

“Se esses senhores, que coordenam o Conselho de Segurança como membros permanentes da ONU, se preocupassem com essa questão da fome neste instante ao invés de ficarem discutindo, como agora está se discutindo na Europa, o fortalecimento do armamento dos países, investimentos na defesa.”

“Está todo mundo pensando que vão se agravar os conflitos. E todo mundo quer mais armas, todo mundo quer mais bomba atômica, todo mundo quer mais drone, todo mundo quer aviões de caça cada vez mais caros. E tudo isso não é feito para construir ou para produzir alimentos. Isso é feito para destruir e para diminuir a produção de alimentos ou destruir aquilo que já está plantado.”

Faixa de Gaza

Em seu discurso, Lula também criticou a criação, por parte do governo estadunidense de Donald Trump, do chamado Conselho de Paz, voltado para a reconstrução da Faixa de Gaza.

“Compensou destruir Gaza, matando a quantidade de mulheres e crianças que mataram, para agora aparecerem com pompa, criando um conselho para dizer: ‘Vamos reconstruir Gaza’? Aí aparece como se fosse um resort, para passar férias no lugar onde estão os cadáveres das mulheres e das crianças que morreram.”

“Muitas vezes, a gente fica impassível. E, se a gente não gritar, não falar, não se mexer, nada acontece”, disse. “A fome não é por um problema de intempéries, não é porque tem excesso de frio e excesso de calor. A fome só existe porque existe uma coisa chamada excesso de irresponsabilidade naqueles que são eleitos para ter responsabilidade”, completou.

Nações Unidas

Ao final do pronunciamento, Lula agradeceu o que chamou de “papel extraordinário” que a FAO, segundo ele, mantém como instituição das Nações Unidas. “A ONU está ficando desacreditada. A ONU não está cumprindo aquilo que está escrito na sua carta de criação, em 1945”.

“A ONU está cedendo ao fatalismo dos senhores das guerras e não tem espaço para senhores da paz. Por que a ONU já não convocou uma conferência mundial para discutir esses conflitos?”, questionou o presidente.

“Vocês acham normal o presidente Trump ficar, todo dia, dizendo: ‘Tenho o maior navio do mundo, tenho o maior exército do mundo’. Por que ele não fala: ‘Tenho a maior capacidade de produção de alimento do mundo, tenho como distribuir alimento’. Não era muito mais simples? E soaria melhor aos nossos ouvidos”, concluiu.


Brasília (DF), 04/03/2026 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Diretor-Geral da FAO, Qu Dongyu, participam da cerimônia de abertura da 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe (LARC39), no Palácio Itamaraty. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Diretor-Geral da FAO, Qu Dongyu, participam da cerimônia de abertura da 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe (LARC39), no Palácio Itamaraty. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quarta-feira a proposta do presidente dos Estados Índios, Donald Trump, para reconstruir Gaza após a ofensiva de Israel contra o enclave.
— Compensou destruir Gaza, matando a quantidade de mulheres que mataram, crianças, para agora aparecerem, com pompa, criando um conselho para dizer, vamos reconstruir Gaza? Aí aparece como se fosse, sabe, um resort, para melhorar e passar as férias no lugar que estão os cadáveres das mulheres e das crianças que morreram — discursou Lula, durante abertura de conferência regional para a América Latina da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU).
Em janeiro, Trump convidou Lula para integrar o Conselho de Paz para Gaza. No mesmo mês, o presidente americano apresentou a sua visão de uma “nova Gaza” que, em três anos, transformaria o devastado território palestino em um luxuoso complexo de arranha-céus à beira-mar.
Em outro momento, Lula criticou o fato de Trump exaltar a capacidade militar dos Estados Unidos e não a de ajudar o mundo a acabar com a fome.
— Vocês acham normal o presidente Trump ficar dizendo eu tenho o maior navio do mundo, eu tenho o maior exército do mundo? Por que ele não fala: eu tenho a maior capacidade de produção de alimento do mundo? Não era muito mais simples e soaria melhor aos nossos ouvidos?
Sem citar diretamente o ataque dos EUA e de Israel ao Irã, Lula criticou a atuação da ONU na solução de conflitos.
— A ONU está ficando desacreditada, não está cumprindo o que está escrito na sua carta de criação. Está cedendo ao fatalismo dos senhores das guerras e não tem espaço para os senhores da paz. Por que a ONU já não convocou uma conferência mundial para discutrir esses conflitos? Por que a guerra da Rússia e da Ucrânia demora quatro anos quando todo mundo já sabe o que vai dar? O (presidente da Rússia, Vladimir) Putin vai ficar com o que já conquistou e (o presidente da Ucrânia, Volodymyr) Zelensky vai se contentar com o que perdeu. E vai ter um acordo. Se é isso, por que não fazem logo?
Durante o evento, a primeira-dama Janja da Silva recebeu um prêmio da FAO denominado “campeã da boa vontade contra a fome”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quarta-feira a proposta do presidente dos Estados Índios, Donald Trump, para reconstruir Gaza após a ofensiva de Israel contra o enclave.
— Compensou destruir Gaza, matando a quantidade de mulheres que mataram, crianças, para agora aparecerem, com pompa, criando um conselho para dizer, vamos reconstruir Gaza? Aí aparece como se fosse, sabe, um resort, para melhorar e passar as férias no lugar que estão os cadáveres das mulheres e das crianças que morreram — discursou Lula, durante abertura de conferência regional para a América Latina da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU).
Em janeiro, Trump convidou Lula para integrar o Conselho de Paz para Gaza. No mesmo mês, o presidente americano apresentou a sua visão de uma “nova Gaza” que, em três anos, transformaria o devastado território palestino em um luxuoso complexo de arranha-céus à beira-mar.
Em outro momento, Lula criticou o fato de Trump exaltar a capacidade militar dos Estados Unidos e não a de ajudar o mundo a acabar com a fome.
— Vocês acham normal o presidente Trump ficar dizendo eu tenho o maior navio do mundo, eu tenho o maior exército do mundo? Por que ele não fala: eu tenho a maior capacidade de produção de alimento do mundo? Não era muito mais simples e soaria melhor aos nossos ouvidos?
Sem citar diretamente o ataque dos EUA e de Israel ao Irã, Lula criticou a atuação da ONU na solução de conflitos.
— A ONU está ficando desacreditada, não está cumprindo o que está escrito na sua carta de criação. Está cedendo ao fatalismo dos senhores das guerras e não tem espaço para os senhores da paz. Por que a ONU já não convocou uma conferência mundial para discutrir esses conflitos? Por que a guerra da Rússia e da Ucrânia demora quatro anos quando todo mundo já sabe o que vai dar? O (presidente da Rússia, Vladimir) Putin vai ficar com o que já conquistou e (o presidente da Ucrânia, Volodymyr) Zelensky vai se contentar com o que perdeu. E vai ter um acordo. Se é isso, por que não fazem logo?
Durante o evento, a primeira-dama Janja da Silva recebeu um prêmio da FAO denominado “campeã da boa vontade contra a fome”.
EUA afundam navio de guerra iraniano com torpedo enquanto Pentágono promete nenhuma trégua ao Irã Secretário de Defesa diz que EUA mataram líder de unidade iraniana acusado de tentar assassinar Trump; Turquia diz que Otan derrubou míssil iraniano que se dirigia a espaço aéreo do país Aiatolás não estavam em prédio atingido por ataques de Israel e EUA; reunião que elegerá sucessor de Khamenei passa a ser virtual. Trump diz que poder militar do Irã ‘foi quase todo foi eliminado’ e contradiz Rubio: ‘Decisão de ataque foi dos EUA’. Perto de escolher líder supremo, Irã confirma que filho de Khamenei está vivo; Israel ameaça matar qualquer eleito. CIA planeja armar forças curdas a fim de provocar uma revolta popular no Irã, com ações terrestres nos próximos dias. Submarino dos EUA afunda fragata do Irã perto do Sri Lanka; autoridades falam em 87 mortos e 32 resgatados
Um novo estudo indica que a maioria das pesquisas feitas para prever o impacto do aumento do nível do mar em locais costeiros específicos está subestimando o perigo desse fenômeno, causado pela mudança climática.
Em um artigo nesta quarta-feira (4) na revista Nature, uma dupla de cientistas da Universidade de Wageningen (Holanda), avaliou 385 pesquisas feitas sobre diversas locações do mundo, e apontam que 90% delas possuem um problema técnico que distorce suas previsões.
Crise do clima: Antártida perde área de gelo equivalente a oito cidades de São Paulo em 30 anos, aponta estudo
Segundo os pesquisadores, o erro não está na estimativa de quanto os oceanos vão se elevar no futuro, mas em adotar valores corretos da linha d’água no presente.
Essas distorções acontecem porque a maioria dos estudos que buscam prever quanta área costeira a subida do nível do mar vai cobrir não usam medições reais sobre os oceanos. Os estudos onde se verificou problema se baseiam em modelos de “geoide”: aproximações matemáticas do nível do mar que incluem variáveis como a gravidade e a rotação da Terra.
Oceanos: Cientistas criam IA para prever risco de extinção de mais de 10 mil espécies de peixes
Essas simulações, porém, não consideram fatores circunstanciais importantes, como ventos, correntes oceânicas e temperatura da água, que alteram a linha d’água em escala regional e local.
Ao avaliar os estudos, quando compararam os trabalhos com medições de satélite atualizadas sobre o nível do mar em diversos pontos, surgiu a revelação de que a maioria deles tinha essa distorção.
Uma distorção de 25 cm em previsões de elevação do nível do mar não é pouca coisa. Para efeito de comparação, a média global adotada como consenso pelo painel de cientistas do clima da ONU (IPCC), por exemplo, é de 44 cm para um cenário de aquecimento de 2°C em 2100.
Nas pesquisas globais sobre o tema, cada centímetro é relevante, porque representa um volume enorme de água a mais que fica à disposição de furacões, tempestades e ressacas para ser levado litoral adentro nesses eventos extremos.
“Nossos resultados realçam a necessidade de reavaliação de estimativas existentes de impacto costeiro e de aprimoramento de padrões da comunidade de pesquisa, com potenciais implicações para formuladores de política, financiamento climático e adaptação costeira”, afirmam no artigo da Nature os pesquisadores Katharina Seeger e Philip Minderhoud.
Uma outra maneira de entender a raiz do problema dizem os pesquisadores, é que os tipos de satélite que medem a altitude da superfície do mar e de locais em terra firme são diferentes. O modo com que as simulações de computador integram os dados nos geoides é que dá origem ao problema apontado.
‘Ponto cego’
Uma das preocupações apontadas no trabalho da Nature é que o problema das pesquisas se distribui de forma desigual no mundo. Em média, as pesquisas sobre elevação do nível do mar feitas no hemisfério sul estão mais distorcidas, porque há menos dados concretos de medição local da gravidade para alimentar modelos de geoides ali.
Seeger e Minderhoud não apontam trabalhos específicos que tenham distorcido pesquisas brasileiras, por exemplo, mas afirmam que 13 dos estudos avaliados tratam da América do Sul, e que na linha costeira do continente o problema é maior do que no resto do planeta, em média. As maiores distorções, porém, foram encontradas em costas de países no Índico e no Pacífico-Leste onde alguns estudos subestimavam elevação presente do nível do mar em mais de um metro.
Apesar de apontar necessidades de correção em muitos trabalhos, Minderhoud evitou adotar na entrevista coletiva sobre o trabalho um tom de “caça as bruxas” para condenar os estudos que apresentam distorções.
— O que nosso estudo revela é, de certa forma, um ponto cego metodológico situado entre duas disciplinas científicas tradicionalmente desconectadas. De um lado, temos a oceanografi— O que nosso estudo revela é, de certa forma, um ponto cego metodológico situado entre duas disciplinas científicas tradicionalmente desconectadas. De um lado, temos a oceanografia, que lida com o nível do mar, e, do outro, áreas como geomorfologia e riscos costeiros, que tratam da elevação costeira e dos impactos desses riscos — explicou o cientista — Nossa pesquisa demonstra que o conhecimento e as práticas comuns em uma disciplina, na verdade, foram disseminados de modo muito esparso na outra.
Tarefa para o IPCC
Uma notícia ruim que se soma ao recado que o pesquisador deu à comuidade acadêmica, é que mesmo entre os 10% que não apresentaram distorções grandes, a abordagem de cálculo não está sendo feita da maneira correta para integrar os dados. Só 1% das pesquisa, diz, tem metodologia boa o suficiente para prevenir eventuais erros.
Minderhoud sugeriu que a correção dessas medidas seja uma das missões importantes para o próximo relatório de avaliação do IPCC, que começa a ser feito neste ano. Para governos que fazem seus projetos de adaptação climática, ele diz, também é importante levar em conta potenciais diferenças em suas previsões.
Se o nível do mar subir em média 1 metro, aponta seu estudo, as pesquisa com dados distorcidos estão deixando de prever impacto sobre uma área habitada por mais de 100 milhões de pessoas no mundo, sobretudo em países em desenvolvimento. Em termos de território alagado, isso representa uma área 37% maior que ficaria sob os oceanos dentro desse cenário.
No Irã, alvo de ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel desde o último sábado, a população civil enfrenta explosões, cortes de eletricidade, interrupção dos serviços de internet e destruição de infraestruturas. Desde o início dos ataques, que desencadearam em uma guerra regional que levou Teerã a lançar ataques retaliatórios em todo o Oriente Médio, mais de mil pessoas morreram no país, entre civis e militares, segundo a agência oficial iraniana Irna.
Guerra no Oriente Médio: Acompanhe a cobertura completa
CNN: CIA planeja armar forças curdas a fim de provocar uma revolta popular no Irã, com ações terrestres nos próximos dias
5º dia de guerra: Israel fala em conclusão de ‘fase inicial’ de ofensiva após novos ataques no Irã e amplia incursão por terra contra o Hezbollah no Líbano
Nesta quarta-feira, as Forças Armadas de Israel deram início à 10ª onda de bombardeios contra o Irã, após a confirmação de ataques noturnos contra centrais militares do regime iraniano. A nova leva de ataques aéreos acontece simultaneamente ao aprofundamento da incursão por terra de tropas israelenses contra o sul do Líbano, em posições controladas pelo grupo xiita Hezbollah, aliado do Irã no “Eixo da Resistência”, que entrou na guerra com ataques retaliatórios à morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
De Teerã, o jornalista Mohamed Vall, da rede catari Al Jazeera, relatou que os ataques desta quarta causaram, pelo menos, cinco mortes e que os bombardeios atingiram escolas.
Initial plugin text
À BBC News Persa, Omid, de 20 anos, disse que as pessoas em Teerã estão começando a ficar preocupadas sobre quanto tempo irá durar esta situação.
— Eu imaginava que eles atacariam certas autoridades, como Khamenei, e que, a esta altura, já teriam terminado — contou o jovem. — Há mais presença policial nas ruas, mas elas estão vazias. Algumas lojas fecharam, principalmente as que ficam perto das regiões afetadas.
Clérigos iranianos e voluntários da Guarda Revolucionária Islâmica oram ao lado dos escombros no centro de Teerã
AFP
Além do medo de morrer, os moradores também estão preocupados com a falta de alimentos e o aumento dos preços, à medida que a guerra escala.
— Precisamos nos abastecer, porque não sabemos quanto tempo isso irá durar — afirmou Nasrin, morador de Teerã, à BBC. — Nossa preocupação é ficarmos sem produtos básicos, se não nos precavermos.
Maryam, outra moradora de Teerã, disse que os “ataques da noite passada (terça-feira) foram terríveis”.
— Nossa casa balançava. Algumas pessoas saíram de Teerã, mas nós ficamos em casa — disse Maryam, de 20 anos, que mora no norte da capital iraniana. — Se não nos matarem, ficaremos aqui. Enquanto houver convocações de protestos nas ruas, sairei com minha família para participar. Fico muito feliz ao ver que essas autoridades são o alvo. Aguentaremos os ataques até todos eles morrerem.
Perto de escolher líder supremo: Irã confirma que filho de Khamenei está vivo; Israel ameaça matar qualquer eleito
Um homem de 30 anos, que preferiu não revelar seu nome, afirmou estar “cansado e confuso sobre o que pode acontecer”.
— Ainda consigo ouvir as explosões. Não sei se elas ainda estão acontecendo ou se agora estão apenas na minha cabeça. Não estou mais feliz [com a possibilidade de mudança de regime], não. Apenas cansado — afirmou.
Homem limpa destroços de posto policial atingido por bombardeio em Teerã
AFP
Outro homem, na faixa dos 20 anos, disse que contou “30 explosões” na terça-feira.
— Está ficando cada vez pior a cada dia. Hoje, a fumaça entrou na nossa casa. Eu só quero paz para todos nós. É muito assustador. Espero que isso não acabe voltando contra nós e nossas vidas por causa deles (as autoridades iranianas) — relatou o jovem.
Em Beirute, mais explosões
No Líbano, dezenas de pessoas foram mortas, segundo o Ministério da Saúde, em decorrência dos ataques retaliatórios israelenses contra o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, em diversas áreas do país. Muitos moradores do sul do Líbano, próximo à fronteira com Israel, fugiram de suas casas.
Libaneses deslocados se reuniram ao longo da costa do Mediterrâneo, em Beirute, após fugirem de suas casas
Diego Ibarra Sanchez / The New York Times
Sem abrigos adequados para os acolher, os recém-desabrigados espalharam-se por estacionamentos, escolas e mesquitas em Beirute.
— Este país é lindo, mas precisamos de paz — disse Musa Hashem, de 50 anos, um funcionário municipal que fugiu de Dahiya com o irmão gêmeo e seus oito filhos. — Só queremos que esta guerra acabe.
Como foi o caminho de Trump até a decisão de atacar o Irã: Pressão de Netanyahu, cálculo de risco e golpe de inteligência
Com o aumento das preocupações sobre uma guerra mais ampla, muitas pessoas — tanto libanesas quanto sírias — começaram a se dirigir para a fronteira com a Síria, na esperança de deixar o país. Nos últimos dias, muitos fugiram não apenas com medo, mas também em profunda descrença, forçados a deixar suas casas pouco mais de um ano após um cessar-fogo que deveria ter silenciado as armas. Israel e o Hezbollah assinaram essa trégua em novembro de 2024, embora ataques israelenses quase diários tenham abalado o Líbano desde então.
— Estamos vivendo em guerra diariamente há mais de dois anos — disse Shadia Shahla, que trabalha em uma escola na vila de Tallouseh, no sul do Líbano, de onde fugiu. — Agora, uma nova guerra começou, e estamos cansados.
(Com New York Times)
Desde que os bombardeios americanos e israelenses foram lançados sobre o Irã, e as represálias de Teerã incendiaram a região, uma guerra paralela no campo da informação surgiu. Ambos os lados e seus apoiadores inundam as redes sociais com desinformação e conteúdos falsos gerados por IA ou tirados de contexto.
Ao vivo: Acompanhe as atualizações sobre a guerra no Oriente Médio
Guerra: Submarino dos EUA afunda fragata do Irã perto do Sri Lanka; autoridades falam em 87 mortos e 32 resgatados
Matemática da guerra: Drones baratos do Irã desafiam defesa milionária dos EUA no Oriente Médio
A agência de notícias AFP encontrou uma série de alegações de contas pró-Irã que publicavam vídeos antigos para aumentar os danos dos ataques com mísseis de Teerã contra Israel e estados do Golfo Pérsico, como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.
Segundo Moustafa Ayad, membro da ONG Instituto para o Diálogo Estratégico, dedicada ao combate à desinformação, há uma verdadeira disputa nas redes para construir narrativas sobre o conflito.
— Definitivamente, há uma guerra de narrativas online. Seja para justificar os ataques no Golfo ou para exaltar o poderio militar iraniano frente aos ataques israelenses e americanos, os objetivos parecem ser desgastar os inimigos — declarou Ayad.
Mojtaba Khamenei: quem é o filho cotado para assumir a liderança do Irã após morte de Ali Khamenei?
De acordo com investigadores, membros da oposição iraniana difundiram em redes como o X e o Telegram, relatos que atribuíam um ataque contra uma escola de meninas no Irã ao próprio governo iraniano. Teerã acusa os EUA e Israel de serem autores do ataque, que deixou mais de 175 mortos.
A ONG também chamou a atenção para o crescimento de contas falsas que se passam por lideranças iranianas, com declarações que não são as oficiais, mas que se camuflam pelo uso de identidades que podem enganar quem consome o conteúdo.
Initial plugin text
Inteligência artificial também vem sendo usada para gerar imagens que mostram navios de guerra dos Estados Unidos afundados, que — entre eles, o porta-aviões USS Abraham Lincoln. Os vídeos acumularam milhões de visualizações. Há relatos, até mesmo, de cenas de jogos de videogame recicladas para se parecerem com ataques de mísseis.
Táticas de desinformação semelhantes também foram registradas em outros conflitos globais, como os da Ucrânia e também em Gaza. Segundo o órgão de controle de desinformação NewsGuard, os materiais visuais fake somam no total mais de 21,9 milhões de visualizações apenas no X.
Respostas das redes
O X anunciou na última terça-feira que suspenderá por 90 dias o programa de distribuição de receita para os criadores que publicarem, sem especificar, vídeos de conflitos armados gerados por IA.
— Em tempos de guerra, é fundamental que as pessoas tenham acesso a informações autênticas sobre o terreno — declarou Nikita Bier, chefe de produto do X.
A mudança por parte da rede social é notável para uma plataforma cuja política de moderação de conteúdo tem sido objeto de fortes críticas desde que o bilionário Elon Musk adquiriu a empresa, em outubro de 2022 por US$ 44 bilhões.
Um estudo da NewsGuard mostrou que a ferramenta de busca reversa de imagens do Google forneceu resumos imprecisos gerados por IA de materiais fabricados e enganosos relacionados ao conflito no Oriente Médio. A organização revela que este comportamento gera uma “fraqueza significativa” de um sistema amplamente utilizado para verificar a autenticidade das imagens.
Consultado pela AFP, o Google não se manifestou.
A Emirates Airline retomou nesta terça-feira suas operações regulares para o Brasil, após quase uma semana de suspensão provocada pelo fechamento do espaço aéreo no Golfo Pérsico em meio ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. O voo EK261, na rota Dubai a Guarulhos, foi confirmado pela companhia e aparece nos sistemas da GRU Airport e da plataforma de monitoramento FlightRadar24.
48 voos por hora: Emirados Árabes criam corredores de segurança para retomada de voos sob ameaça do Irã
Ao vivo: Israel aumenta ataques no Irã e Líbano no quinto dia de guerra; forças iranianas retaliam na região
Desde o último dia 28 de fevereiro, a empresa não operava voos para o Brasil. A escalada do conflito levou ao fechamento do espaço aéreo em toda a região do Golfo, afetando diretamente o hub da companhia no Aeroporto Internacional de Dubai.
Voo de Dubai está em rota para Guarulhos
Reprodução | FlightRadar
Com a interrupção, um Airbus A380 que havia partido do Aeroporto Internacional de Guarulhos com destino a Dubai precisou retornar ao Brasil. A aeronave se somou a outro A380 que já estava em rota para São Paulo, resultando na permanência simultânea dos dois superjumbos no país.
A retomada ocorre após a criação de corredores aéreos considerados seguros pelo governo dos Emirados Árabes Unidos, o que permitiu a reabertura gradual das operações. A expectativa é que a companhia normalize progressivamente sua malha internacional, à medida que as condições de segurança na região sejam mantidas.
Um grupo de cerca de 30 brasileiros ligados ao movimento Legendários, que participava de um evento de imersão denominado “TOP de Dubai”, que aconteceu entre 25 e 28 de fevereiro, ficou retido nos Emirados Árabes Unidos após o fechamento dos aeroportos. Segundo um dos participantes do retiro religioso, alguns dos integrantes conseguiram embarcar no voo UAE261 para retornar ao Brasil.
A Força Aérea de Israel afirmou ter lançado nesta quarta-feira 5 mil bombas contra o Irã na atual operação militar, iniciada no sábado. Em comunicado publicado na rede social X, a corporação declarou: “Caças da Força Aérea de Israel continuam a ampliar sua superioridade aérea em todo o Irã, com ênfase na região de Teerã.”
Entenda: Irã ‘tentou matar’ Trump, alega secretário de Defesa dos EUA
Pressão de Netanyahu, cálculo de risco e golpe de inteligência: Como foi o caminho de Trump até a decisão de atacar o Irã
Mojtaba Khamenei: Quem é o filho cotado para assumir a liderança do Irã após morte de Ali Khamenei?
A mensagem foi acompanhada de um vídeo que, segundo os militares israelenses, mostra imagens de um ataque com míssil contra um sistema de defesa aérea iraniano na capital, Teerã.
“As Forças de Defesa de Israel (IDF) estão agora divulgando documentação adicional do interior da ocular do míssil, referente a um ataque realizado para destruir o sistema de defesa do regime terrorista iraniano em Teerã”, acrescentou a corporação.
O submarino argentino que implodiu submerso em 2017 com 44 tripulantes a bordo estava em condições de navegar, disse, nesta quarta-feira (4), um dos quatro ex-oficiais acusados no julgamento realizado no sul da Argentina.
‘Santo graal’ do combate aéreo: F-35 dos EUA mobilizados no Irã têm IA avançada durante conflito; entenda
Irã sob ataque: EUA têm maior poder de fogo no Oriente Médio desde a invasão no Iraque; veja infográficos
— O submarino cumpriu as normas e os requisitos estabelecidos. É falso que não estava em condições de navegar — afirmou Claudio Villamide, ex-comandante da força de submarinos encarregada do ARA San Juan quando ocorreu a tragédia, ao depor ao tribunal em Río Gallegos, 2.500 km ao sul de Buenos Aires.
O submarino perdeu contato depois de reportar uma falha elétrica e um início de incêndio enquanto navegava de volta para sua base em Mar del Plata, ao sul de Buenos Aires, procedente de Usuhaia, no extremo sul da Argentina. Seus destroços foram encontrados um ano depois a 900 metros de profundidade e 500 quilômetros da costa argentina depois de uma busca internacional.
Villamide é um dos quatro ex-oficiais julgados no processo iniciado na terça-feira sem a presença de familiares das vítimas, 43 homens e uma mulher.
Na abertura do processo, o Ministério Público expôs que o naufrágio “não se deveu a um fato fortuito, mas foi um desfecho previsível devido ao estado da unidade, que tornou o naufrágio possível”.
Mas para Villamide não foi o que ocorreu.
— A embarcação estava em condições de navegar em segurança, contava com suas caixas de ferramentas e manuais necessários, elementos de segurança e de escape — insistiu este ex-oficial, destituído por um tribunal de guerra em 2021 devido ao caso.
Monumento em memória aos 44 membros da Marinha Argentina que morreram no naufrágio do submarino ARA San Juan, em 15 de novembro de 2017. Homenagem está em Río Gallegos
Walter Diaz / AFP
Seu advogado, Juan Pablo Vigliero, disse à AFP que confia “absolutamente em uma absolvição” de seu cliente, ao destacar que o julgamento carece de provas “essenciais” para chegar a uma condenação.
— Aqui morreram 44 pessoas, uma embarcação militar do Estado argentino afundou e não há perícia mecânica, é insólito. O problema é que agora não pode ser feita porque o submarino ficou a 900 metros de profundidade, seria tão grave quanto querer trazer o Titanic à tona — afirmou.
O advogado assinalou que essa circunstância favorece sua estratégia de defesa, e por extensão a dos demais acusados.
— A realidade com toda a justiça é que hoje não se sabe o que aconteceu, por que afundou e se foi a pique por algo além de uma situação de colapso — disse.
As dúvidas razoáveis podem deixar os familiares sem justiça.
Villamide, assim como os outros acusados, enfrentam acusações de descumprimento e omissão de deveres e dano culposo, com penas de um a cinco anos.
‘Os ninguém’
Nenhum dos familiares das vítimas, 43 homens e uma mulher, compareceu à abertura do julgamento, que foi transmitida pelo YouTube.
— Eles não conseguem nem pagar as fotocópias, quanto mais uma passagem aérea e hospedagem. O mais importante é ter chegado ao julgamento — afirmou à AFP a advogada Valeria Carreras.
Justiça argentina inicia julgamento sobre implosão de submarino que matou 44 marinheiros em 2017
Reprodução
— São pessoas sem poder, dinheiro nem sobrenome influente; sentiram-se os ‘ninguém’ nestes oito anos, por isso há muita expectativa. A visibilidade é importante para que o esquecimento e o tempo não sejam cúmplices da impunidade — acrescentou.
As acusações são descumprimento e omissão de obrigações e negligência qualificada, que têm penas de um a cinco anos.
— Foi uma tragédia evitável, mas é malvisto na Marinha dizer ‘tenho medo’, ‘há riscos’; existe uma cultura de silêncio — afirmou Carreras.
Os acusados, que chegam ao julgamento em liberdade, são o ex-chefe do Comando de Treinamento Luis López Mazzeo, o ex-comandante da Força Submarina Claudio Villamide, o ex-chefe do Estado-Maior do Comando Submarino Héctor Alonso e o ex-chefe de Operações Hugo Correa. Em 2021, um Conselho de Guerra destituiu Villamide por negligência.
‘Invisibilizar’
A Justiça rejeitou pedido do advogado Luis Tagliapietra — pai de Alejandro, morto no submarino aos 27 anos — para que o julgamento fosse realizado em Mar del Plata, a 400 km da capital argentina, onde residiam os tripulantes e três dos quatro acusados.
Os familiares realizaram protestos em frente aos prédios da Marinha nessa localidade durante o período de buscas e depois da localização do submarino, uma exposição que incomodou a força. Eles denunciaram que foram vítimas de espionagem, um caso em que Macri foi processado e que a Suprema Corte encerrou em 2025.
— Levando o debate para Río Gallegos, tão distante de Buenos Aires, buscam invisibilizar a tragédia — afirmou Tagliapietra, que representa cerca de vinte familiares.
Galerias Relacionadas
A realização do julgamento em Río Gallegos foi determinada pela Câmara Federal de Cassação Penal.
O julgamento
As audiências ocorrerão em blocos de quatro dias consecutivos, com intervalo de uma semana entre cada etapa.
A principal hipótese é que uma falha em válvula tenha permitido a entrada de água no compartimento de baterias, provocando um incêndio seguido de explosão. Para confirmar essa tese, seria necessária a reflutuação dos destroços — uma operação considerada milionária.
Carreras acredita que mais de 90 testemunhas devem apresentar provas. Durante a instrução, “a memória de muitos falhou, agora isso pode mudar”, indicou.
Na terceira semana de março, as testemunhas vão começar a depor. As audiências serão realizadas durante quatro dias consecutivos, com intervalos de uma semana.
Galerias Relacionadas

Assine nossa newsletter

e seja avisado quando surgirem novos artigos

Copyright ® 2025 - Todos os Direitos Reservados

Este site é protegido pelo reCAPTCHA e está sujeito à Política de Privacidade e aos Termos de Uso do Google.

plugins premium WordPress