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Horas após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar na segunda-feira que a guerra contra o Irã “vai acabar em breve”, o governo israelense divulgou nesta terça-feira uma declaração do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, reafirmando a continuidade das ações militares contra Teerã. Em um momento em que as consequências do conflito aprofundam suas dimensões globais e os custos políticos se revelam para Washington e para as capitais do Oriente Médio, os aliados demonstram que a estreita coordenação no plano tático-militar não se repete com o mesmo nível de precisão no campo político — em que cada um parece ter um nível diferente de tolerância à permanência em estado de guerra e um cálculo estratégico para perseguir o que se mostrou uma lista de objetivos frouxa, fatores que podem dificultar o fim definitivo das ações.
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— Nossa aspiração é que o povo iraniano se liberte do jugo da tirania. Em última análise, depende deles [povo iraniano]. Mas não há dúvida de que, com as medidas tomadas até agora, estamos quebrando os ossos deles [regime teocrático] e ainda não terminamos — disse Netanyahu durante uma visita ao Centro Nacional de Comando de Saúde na noite de segunda-feira, apesar da fala só ter sido divulgada nesta terça em um comunicado, após entrevistas ambíguas de Trump, em que evitou estimar a data, mas sugeriu que a campanha militar se encaminhava para o fim.
A divergência entre um flerte com a desescalada e o desejo pela continuidade aponta que, mesmo em um alinhamento que foi capaz de planejar e executar o letal ataque que resultou na morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, no primeiro dia de conflito, há limitação no campo material. Embora Israel e EUA sempre tenham demonstrado o interesse em transformar Teerã em um ator regional em sintonia com o Ocidente, e que tanto Trump quanto Netanyahu tenham justificado a ação, para além de razões de segurança, na libertação do povo iraniano de um regime opressivo, o preço que cada um se mostra disposto a pagar para atingir o objetivo final é diferente — sobretudo em um momento em que a estrutura da Revolução Islâmica demonstra capacidade de manter suas funções usuais e realizar a sucessão da liderança sob intenso fogo inimigo.
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— Há menos divergências entre os objetivos finais almejados por EUA e Israel do que propriamente quanto aos possíveis impactos que outro resultado [que não uma mudança de posição do regime] teria nos respectivos países — afirmou o professor de Relações Internacionais Rodrigo Amaral, que leciona na PUC-SP. — Para Israel, o Irã representa uma inimizade terrena, em sua região. Os objetivos contemporâneos do Irã, de solidificar o seu Estado e garantir uma ordem hegemônica regional através de suas alianças diverge do objetivo israelense, que é fazer com que os Estados reconheçam sua existência e garantir sua segurança.
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Pesos e custos
As opções para encerrar o conflito parecem mais viáveis para Trump do que para seus sócios em Israel. Autoridades americanas retiraram das declarações públicas, após o discurso do presidente no dia inicial da ofensiva, menções à queda do regime. Também passaram a listar objetivos militares que, em grande parte, podem ser alcançados por meio da campanha de bombardeios aéreos e navais, como a destruição da Marinha iraniana e das capacidades de mísseis, além do fim das supostas pretensões de Teerã de desenvolver uma bomba atômica.
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Retirar-se cumprindo os objetivos militares também abafaria para Trump o que se tornou uma frente de pressão interna, uma vez que a maior parte da população americana se mostra contra o conflito — uma pesquisa Quinnipiac feita no fim de semana indicou que 53% dos eleitores registrados desaprovam a guerra — em ano de eleições parlamentares.
Em Israel, o cálculo é diferente. A ação contra o Irã conta com o apoio de 93% da população judia do Estado, segundo pesquisa recente do Instituto Democracia Israel. O apoio a Netanyahu também subiu com a ação contra o rival que culpou, em última instância, pelo ataque terrorista lançado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. O premier prometeu refundar os parâmetros de segurança do país após a falha que permitiu a morte de mais de 1,2 mil cidadãos.
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Ao contrário do cenário para Trump nos EUA, o conflito por si só reforça a posição do primeiro-ministro antes das eleições parlamentares agendadas para outubro, segundo Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM, que aponta a vitória nas urnas como preocupação existencial para Netanyahu — réu em uma série de processos na Justiça e alvo de investigações policiais. A tendência para o líder israelense seria manter a ofensiva.
— Do ponto de vista de Netanyahu, essa guerra tem que continuar. E Israel pode continuar, se tiver o apoio de armamentos e financeiro dos EUA — avaliou o professor, projetando um cenário sem ataques diretos por parte de Washington. — As Forças Armadas do país podem continuar lutando sozinhas e teriam meios de continuar fazendo essa campanha aérea como mostrou a guerra dos 12 dias. Resta saber qual seria o interesse de Trump, considerando toda a pressão sobre o setor do petróleo e no Estreito de Ormuz.
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Entre cálculos e bombardeios
A breve incongruência nos discursos oficiais não interrompeu as ações no campo de batalha nesta terça-feira. Os EUA lançaram o que o secretário de Defesa Pete Hegseth classificou como “dia mais intenso” de ataque contra alvos iranianos, enquanto Israel anunciou uma nova onda de bombardeios que teria, entre outros pontos de impacto, dizimado a infraestrutura das forças Basij na província de Ilam (sudoeste iraniano).
Ainda assim, diferenças foram marcadas. Em entrevista coletiva no Pentágono, Hegseth disse que o recente ataque israelense contra depósitos de combustível iranianos não era “necessariamente” um objetivo americano. Perguntado sobre o caso, que causou polêmica mesmo entre republicanos — que viram risco de prejuízo à imagem interna da ofensiva —, o secretário indicou que Israel “perseguiria” seus próprios “objetivos diferentes”. O secretário também voltou a rejeitar que os americanos estejam agindo por influência israelense e se negou a estimar a duração da ofensiva.
— [Trump] controla o acelerador. É ele quem decide — disse Hegseth. — Não cabe a mim dizer se é o começo, o meio ou o fim.

Trump disse recentemente que a ofensiva com o Irã duraria quatro ou cinco semanas. Apesar de ter reforçado a mensagem de que os EUA estão “ganhando a guerra”, ele demonstrou contrariedade pela ascensão do filho de Khamenei, Mojtaba, como novo líder supremo — uma indicação de que não está em curso uma mudança estrutural no regime. Na segunda, disse a apoiadores que a ofensiva era uma “excursão curta”.
— Parece-me que Trump acreditou que conseguiria uma queda do regime relativamente fácil — disse Rudzit. — Que diante da demonstração de força ao matar Khamenei, alguém mais moderado seria eleito para negociar a paz, que até poderia continuar, desde que fosse moderado. Com a negativa, sobretudo da Guarda Revolucionária do Irã, eles parecem agora estar decidindo o que fazer.
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Em entrevista à rede americana PBS News, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou nesta terça-feira que EUA e Israel falharam em alcançar o objetivo inicial de forçar uma mudança de regime. O principal diplomata da nação persa disse duvidar que os inimigos tenham um plano de fato.
— Eu não acredito que eles tenham nenhum objetivo final realista em suas mentes, porque estamos diante de algo caótico — disse Araghchi. — Suas palavras e ações, eles apenas começaram a nos atacar de maneira indiscriminada.
A Guarda Revolucionária Iraniana, em uma declaração separada, afirmou que a organização decidiria quando se daria o fim do conflito, e não os inimigos.

Murib Zaman trabalhou como motorista nos Emirados Árabes Unidos (EAU) por duas décadas, vivendo a mais de 1.600 km de sua família no noroeste do Paquistão e enviando US$ 300 (cerca de R$ 1.500) por mês para casa. Abu Dhabi, capital dos Emirados, parecia muito mais segura do que sua remota aldeia, onde militantes talibãs paquistaneses vagavam. Agora, os pais dele receberam a notícia de que o filho havia sido morto em uma guerra distante — atingido por destroços que caíram de um míssil iraniano interceptado, segundo comunicado do governo dos EAU. Dezenas de milhões de pessoas como Zaman formam a espinha dorsal da economia dos Estados do Golfo Pérsico, ricos em petróleo e gás natural que dependem fortemente de mão de obra estrangeira. Desde o início do ataque dos EUA e de Israel ao Irã, os persas dispararam centenas de mísseis e drones em retaliação aos vizinhos. São os migrantes que estão pagando o preço mais alto. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Em Santiago, na capital chilena, quando José Antonio Kast atravessar o pátio de La Moneda hoje para iniciar seu governo, a cena vai marcar uma virada já em andamento na história política do país. A posse formal ocorre em Valparaíso, cidade litorânea sede do Legislativo, mas é naquele prédio, bombardeado em 1973 para derrubar o governo de Salvador Allende e dar início à ditadura de Augusto Pinochet, que o Chile deixará de se explicar politicamente pelo plebiscito de 1988 e passará a operar com outro marco recente, formado no ciclo constituinte de 2019 a 2022 e finalizado agora, com o ultradireitista Kast. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Sessão do Plenário desta terça-feira

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (10) o regime de urgência para sete propostas. Os projetos com urgência podem ser votados diretamente no Plenário, sem passar antes pelas comissões da Câmara.

Confira as propostas que receberam urgência:

  • PL 4638/23, da deputada Rogéria Santos (Republicanos-BA), que institui o Dia Nacional das Mulheres na Construção Civil, a ser celebrado no dia 25 de março de cada ano. O texto foi aprovado pelo Plenário em seguida;
  • PL 9600/18, da deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) e da deputada licenciada Carmen Zanotto (Cidadania-SC), que proíbe a divulgação de imagens de vítimas de crimes ou de acidentes. O texto foi aprovado pelo Plenário em seguida;
  • PL 705/25, da deputada Chris Tonietto (PL-RJ), que obriga maternidades a informar pacientes sobre a importância da amamentação exclusiva até o 6º mês do bebê. O texto foi aprovado pelo Plenário em seguida;
  • PL 3662/25, da deputada licenciada Nely Aquino (Pode-MG), que cria tipo penal específico para a lesão corporal praticada contra a mulher em razão do gênero e agrava a pena. O texto foi aprovado pelo Plenário em seguida;
  • PL 533/24, da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que cria a política nacional Mais Cultura nas Escolas para ampliar o acesso à cultura de estudantes, professores e comunidades a partir da parceria entre União, estados, Distrito Federal e municípios e a sociedade civil;
  • PL 6415/25, da deputada Soraya Santos (PL-RJ), que institui a Política Nacional de Assistência Jurídica Obrigatória às Vítimas em Situação de Vulnerabilidade para garantir atendimento jurídico integral, gratuito e efetivo a vítimas de violência, como mulheres, crianças e adolescentes, idosos e pessoas com deficiência;
  • PL 3946/21, do Senado, que regulamenta a profissão de doula, profissional que acompanha gestantes durante a gravidez, o parto e o pós-parto.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Gabriel Nunes, relator da proposta

A Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que transfere simbolicamente, todo dia 2 de julho de cada ano, a capital federal para Salvador (BA). De autoria do deputado Leo Prates (PDT-BA), o Projeto de Lei 5672/25 será enviado ao Senado.

A transferência simbólica tem por objetivo valorizar as comemorações da insurreição da Bahia contra os portugueses (Independência da Bahia) no âmbito do processo de emancipação do Brasil.

O projeto foi aprovado em Plenário nesta terça-feira (10), com parecer favorável do relator, deputado Gabriel Nunes (PSD-BA).

De acordo com o texto, a transferência ocorrerá sem prejuízo das atividades essenciais em Brasília, limitando-se aos atos oficiais e simbólicos que se fizerem necessários em Salvador em razão de coordenação do Executivo federal com autoridades da Bahia e do município de Salvador.

O decreto que regulamentar a transferência simbólica definirá a logística, a segurança e a infraestrutura necessárias para a realização de atos oficiais nessa data específica.

Iniciado em fevereiro de 1822, o movimento de emancipação de Portugal em Salvador passou por várias fases, concretizando-se na Bahia somente em 2 de julho de 1823 após a expulsão das tropas portuguesas que resistiam à separação do Brasil.

Reconhecimento histórico
O deputado Gabriel Nunes afirmou que a resistência armada na Bahia, pouco depois da declaração da Independência, teve papel “absolutamente central” no desfecho do processo emancipatório. “A celebração do 2 de Julho [de 1823] não diz respeito apenas à memória regional, mas à própria afirmação da unidade e da soberania do Brasil”, disse.

Segundo Nunes, a transferência simbólica a cada ano é um ato de justiça histórica. “A transferência simbólica da sede do governo federal para a Bahia, em todo 2 de julho, assume grande relevância ao reafirmar, ano após ano, a importância histórica dessa data para a formação da nossa identidade nacional e para o devido reconhecimento do papel preponderante da Bahia na construção do Brasil independente”, declarou.

Deputados da oposição criticaram a transferência que, segundo eles, não traria nenhum benefício prático.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

O Senado aprovou nesta terça-feira (10) um projeto de lei que reestrutura parte do serviço público federal e cria mais de 24 mil novos cargos efetivos, sendo 3,8 mil novos professores para o ensino superior e mais de 9,5 mil para os institutos federais de educação, ciência e tecnologia.

O texto prevê ainda a criação de uma nova carreira federal e do Instituto Federal do Sertão Paraibano (IFSertãoPB). O projeto vai para sanção presidencial.

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“Valorização do serviço público e valorização dos servidores é um compromisso a ser cumprido por um governo que é leal à democracia e que compreende a necessidade de fortalecimento do Estado brasileiro como instituição de todos os brasileiros. Só se valoriza o papel do Estado quando se valoriza os seus servidores”, afirmou.

A votação foi acompanhada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e pela ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck. 

Novos cargos

Veja como serão os 24 mil novos cargos:

– 200 cargos de especialista em regulação e vigilância sanitária e 25 de técnico em regulação e vigilância sanitária para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa);

– 3.800 cargos de professor do magistério superior e 2.200 de analista em educação para as universidades federais;

– 9.587 cargos de professor do ensino básico, técnico e tecnológico, 4.286 de técnico em educação e 2.490 de analista em educação para as instituições de ensino da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica;

– 750 cargos de analista técnico de desenvolvimento socioeconômico e 750 de analista técnico de Justiça e Defesa no Ministério da Gestão e da Inovação (MGI).

Nova carreira federal

O texto prevê a criação da carreira de analista técnico do Poder Executivo Federal (ATE), composta por 6,9 mil cargos vagos de especialidades administrativas distribuídas por diferentes órgãos.

Servidores com formação em áreas como administração, contabilidade, biblioteconomia e arquivologia passarão a integrar essa carreira única, com lotação no MGI. 

A remuneração desses servidores será composta por vencimento básico e Gratificação de Desempenho de Atividades Executivas (GDATE). A gratificação poderá chegar a 100 pontos, cada um no valor de R$ 61,20, distribuídos entre avaliação individual (até 20 pontos) e resultados institucionais (até 80 pontos).

Vantagens pessoais atualmente recebidas pelos servidores serão preservadas, e se houver redução de remuneração após a migração, será criada uma vantagem pessoal nominalmente identificada (VPNI) para compensar a diferença. Com o reenquadramento previsto para abril de 2026, o topo da carreira poderá alcançar cerca de R$ 15,8 mil.

O texto aprovado também estabelece regras para o desenvolvimento nessa carreira. A progressão dependerá de 12 meses em cada padrão e de pontuação mínima em avaliação de desempenho. A promoção entre classes exigirá pontuação adicional vinculada à experiência profissional, capacitação e qualificação acadêmica.

* Com informações da Agência Senado. 

O Ministério de Relações Exteriores anunciou na noite desta terça-feira que o primeiro voo com brasileiros partindo do Catar desde o início da guerra no Oriente Médio deverá ser realizado na quarta-feira. A aeronave partirá de Doha com destino a São Paulo.
“Após gestões do Ministro Mauro Vieira junto ao Primeiro-Ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, foi anunciado que, em 12/3, partirá o primeiro voo Doha-São Paulo desde o início das hostilidades, ampliando as opções de retorno seguro a brasileiros e sul-americanos”, diz a nota divulgada pelo Itamaraty.
O anúncio ocorre em meio à escalada militar no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro após ataques militares conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra alvos no Irã que mataram o líder supremo do país, Ali Khamenei, e desencadearam uma guerra.
Desde então, Teerã tem respondido com ataques a bases militares e infraestruturas ligadas a aliados de Washington na região, entre eles Israel, Iraque, Arábia Saudita, Catar e Omã.
A troca de ataques entre Israel e Irã entrou em sua segunda semana, com bombardeios e lançamentos de mísseis em diferentes pontos do Oriente Médio.
A escalada já provocou impactos diretos no tráfego aéreo internacional. Diversos países fecharam temporariamente seus espaços aéreos e companhias aéreas suspenderam rotas na região, o que deixou milhares de passageiros retidos em aeroportos do Golfo.
As autoridades argentinas anunciaram nesta terça-feira a identificação dos restos mortais de doze vítimas da última ditadura militar (1976-1983), localizados no terreno do antigo centro de detenção clandestino “La Perla”, na província de Córdoba (região central da Argentina). As descobertas foram feitas durante escavações conduzidas pela Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF), uma organização de renome internacional dedicada à identificação de indivíduos por meio de análises de DNA e restos mortais.
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Essas identificações são resultado de “análises antropológicas e genéticas realizadas pela EAAF nos restos mortais recuperados na Guarnição Militar de La Calera”, onde La Perla funcionava, segundo um comunicado da organização.
O tribunal responsável pelo caso deve informar as famílias das vítimas sobre as descobertas. Somente então, e se as famílias assim o desejarem, as identidades dos indivíduos serão reveladas ao público. A identificação dos restos mortais, encontrados em 2025, coincide com o 50º aniversário do golpe de Estado de 24 de março de 1976.
Organizações de direitos humanos estimam que cerca de 30 mil pessoas foram detidas e desapareceram durante a ditadura, e todos os anos, em 24 de março, centenas de milhares de pessoas em todo o país saem às ruas para exigir justiça para as vítimas e saber seu paradeiro, informação que centenas de ex-militares se recusam sistematicamente a revelar.
“La Perla”, localizada a poucos quilômetros da cidade de Córdoba, operava sob o controle do Exército e foi palco de assassinatos em massa. Centenas de outros centros de detenção como este existiram em todo o país.
Entre 2.500 e 3.000 pessoas passaram por La Perla, que funcionou entre 1976 e 1978, segundo estimativas do Arquivo Provincial da Memória de Córdoba.

A Comissão Nacional de Refugiados (Conare) da Argentina concedeu refúgio permanente ao brasileiro Joel Borges Corrêa, condenado a 13 anos e seis meses de prisão por envolvimento nos ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.

A decisão do órgão, que é vinculado ao Ministério de Segurança Nacional do país vizinho, foi tomada no dia 4 de março, mas tornada pública nesta terça-feira (10), segundo o advogado Luciano Cunha, que representa Corrêa no caso.


Brasília (DF), 10/03/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Condenado pelos atos golpistas de 2023 e foragido do Brasil, Joel Borges Corrêa. Foto: Joel Borges Corrêa/Arquivo Pessoal

FOTO DE ARQUIVO – Condenado pelos atos golpistas de 2023 e foragido do Brasil, Joel Borges Corrêa. Foto: Joel Borges Corrêa/Arquivo Pessoal

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O brasileiro estava preso no país desde o fim de 2024 e chegou a ter o pedido de extradição autorizado pela justiça da Argentina em dezembro do ano passado. Desde de janeiro, no entanto, sua prisão preventiva estava convertida em prisão domiciliar. 

O pedido de extradição foi feito pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), que condenou Corrêa pelos crimes de abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, deterioração do patrimônio tombado, dano qualificado e associação criminosa armada.

De acordo com a defesa de brasileiro, o processo administrativo no Conare reconheceu que Joel Corrêa “deixou seu país de origem diante de fundado temor de perseguição relacionado à atribuição de opinião política, bem como diante de riscos concretos de violação a garantias fundamentais, circunstâncias que justificam a concessão da proteção internacional pelo Estado argentino”.

Ainda segundo o advogado Luciano Cunha, com o reconhecimento formal da condição de refugiado, passam a incidir as garantias internacionais de proteção humanitária, em especial o princípio do non-refoulement (não devolução), que impede a entrega ou expulsão do refugiado para país onde possa sofrer perseguição ou violação de direitos fundamentais.

Além de Corrêa, outros quatro brasileiros ainda aguardam análise do pedido de refúgio: Joelton Gusmão de Oliveira, Rodrigo de Freitas Moro Ramalho, Wellington Luiz Firmino e Ana Paula de Souza e também podem ter o status de refugiados concedido.

A concessão do refúgio a Joel Corrêa também foi divulgada e celebrada pela Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de janeiro (Asfav). Até o momento, não houve manifestação do STF ou do governo brasileiro sobre a decisão da comissão argentina.

A Guarda Revolucionária do Irã começou a instalar minas navais na região do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% da produção global de petróleo e gás natural, e que está virtualmente fechado desde a semana passada, em meio à guerra lançada por EUA e Israel. A informação, revelada pela rede CNN, é mais um sinal de como os iranianos tentam elevar os custos do conflito por meios não convencionais, e põe em alerta países produtores e consumidores de todo o planeta.
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De acordo com a CNN, citando fontes dos serviços de inteligência dos EUA, dezenas de minas foram instaladas nos últimos dias, cobrindo uma área relativamente pequena da passagem que leva do Mar da Arábia ao Golfo Pérsico. A Guarda Revolucionária possui capacidade considerável de ação naval na área, com lanchas de ataque rápido, mísseis em áreas costeiras e barcos para instalar novas minas. Teerã não confirmou a informação.
Na semana passada, autoridades iranianas afirmaram que qualquer embarcação que tentasse passar por Ormuz seria atacada — desde o início da guerra, 10 navios sofreram danos e sete tripulantes morreram. A consultoria Kpler afirmou que o tráfego na área caiu 90%, seguradoras deixaram de aprovar apólices e gigantes do setor suspenderam viagens.
— Enquanto a situação permanecer insegura, acredito que todos os petroleiros, toda a navegação marítima, devem ser muito cautelosos — disse o porta-voz da diplomacia em Teerã, Esmail Baghaei, na segunda-feira, à rede CNBC.
Explosões em depósitos de petróleo escurecem céu de Teerã e vídeo do fenômeno viraliza
Há décadas o Irã usa o Estreito de Ormuz como ferramenta diplomática ou, como hoje, de guerra. O xá Reza Pahlevi, aliado dos EUA, o descrevia como “veia jugular” do país, e estabeleceu uma considerável força naval ali. Na Guerra Irã-Iraque, quando centenas de petroleiros foram atacados pelos dois lados, a República Islâmica tentou bloquear a passagem em mais de uma ocasião. Hoje, com o Golfo diante do maior conflito em duas décadas, os iranianos efetivamente interromperam o tráfego de navios, mesmo sob bombardeios que devastaram boa parte de suas capacidades.
— Haveria consequências catastróficas para os mercados mundiais de petróleo e, quanto mais tempo durar a interrupção, mais drásticas serão as consequências para a economia global — afirmou Amin Nasser, CEO da Aramco, a gigante saudita do petróleo, citado pela agência Reuters. — Embora já tenhamos enfrentado interrupções no passado, esta é de longe a maior crise que a indústria de petróleo e gás da região já enfrentou.
Mapa mostra onde fica localizado o Estreito de Ormuz
Arte O GLOBO
Com o ultimato da Guarda Revolucionária, o barril do petróleo superou a marca dos US$ 100, e seguia em alta consistente até as declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, na segunda-feira, de que a guerra está perto do fim (algo que seus comandantes não parecem concordar). Pode ser um alívio temporário. Caso o bloqueio continue, a região teria meios restritos para escoar a produção, já afetada pela suspensão das operações em refinarias após ataques de drones.
— Infelizmente, para os mercados globais, a maior parte da capacidade ociosa [de exportação de petróleo] está nesta região — disse Nasser. — Mesmo com nossa capacidade de exportar pela costa oeste, estamos falando de cerca de 350 milhões de barris que deixarão o mercado por causa das interrupções.
Enquanto os iranianos demonstram resiliência no Golfo, nos EUA a impressão é a de que todos foram pegos de surpresa. O secretário de Energia, Chris Wright, afirmou nesta terça-feira que a Marinha havia escoltado um petroleiro por Ormuz, informação negada pela Casa Branca e pelo Pentágono horas depois. A possibilidade foi levantada algumas vezes por Trump nos últimos dias, mas o chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine, revelou não ter recebido qualquer ordem do presidente.
— Se formos incumbidos de escoltar, sabe, vamos analisar a gama de opções para criar as condições militares necessárias para isso — disse Caine em entrevista coletiva, ao lado do secretário de Defesa, Pete Hegseth.
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No começo da tarde, Trump disse ter destruído 10 navios responsáveis pela instalação de minas navais no Estreito de Ormuz, e que está usando a mesma estratégia aplicada no Caribe, onde forças americanas destruíram barcos supostamente ligados aos cartéis do narcotráfico na região. O presidente ainda reservou uma ameaça a Teerã.
“Se, por qualquer motivo, minas foram colocadas e não forem removidas imediatamente, as consequências militares para o Irã serão de uma magnitude sem precedentes. Se, por outro lado, removerem o que quer que tenha sido colocado, será um grande passo na direção certa!”, escreveu em sua rede social, o Truth Social. “CUIDADO.”
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Ao comentar os desencontros dos EUA, o chanceler do Irã, Abbas Araghchi, disse que “as autoridades americanas estão divulgando notícias falsas para manipular os mercados”.
“Isso não as protegerá do tsunami inflacionário que impuseram aos americanos”, escreveu na rede social X. “Os mercados enfrentam a maior crise da HISTÓRIA: maior do que o embargo de petróleo árabe, a Revolução Islâmica do Irã e a invasão do Kuwait JUNTOS.”
O fechamento (ou ameaça) é a mais recente arma da estratégia de resistência à guerra. Com milhares de alvos atingidos, entre bases, instalações do governo e áreas estratégicas, o regime busca elevar ao máximo e compartilhar os custos da guerra, como forma de pressionar um cessar-fogo que não signifique o fim da República Islâmica.
— Os iranianos já sofreram a maior parte dos danos que iriam sofrer — disse Jeffrey Lewis, pesquisador do Centro James Martin para Estudos de Não-Proliferação, à agência Bloomberg. — Não resta muito para os EUA e Israel destruírem. Mas o regime não desmoronou e agora está mirando a economia global.
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Nesta terça-feira, os EUA realizaram a mais intensa série de ataques contra o Irã, atingindo alvos ligados ao desenvolvimento e construção de armas. Foram ouvidas explosões nos arredores de Teerã e perto do aeroporto de Kerman — um morador da capital iraniana disse que a cidade “é a última parada antes do inferno”. A Organização Mundial da Saúde alertou para os riscos à saúde da “chuva negra”, causada por ataques a refinarias e instalações de armazenamento de combustíveis, e recomendou à população que permaneça em casa.
Na Casa Branca, a porta-voz Karoline Leavitt reiterou que o presidente Trump não afastou a possibilidade de enviar tropas ao Irã, hipótese mencionada com cada vez mais frequência.
— O presidente já falou sobre isso repetidamente. Sabiamente, ele não descarta nenhuma opção como comandante-em-chefe. Portanto, repito, eu hesitaria em confirmar qualquer coisa que um democrata no Capitólio diga neste momento sobre o pensamento do presidente — disse Leavitt aos jornalistas, se referindo ao deputado democrata Richard Blumenthal, que mais cedo afirmou que o governo Trump se encaminha para uma etapa terrestre da guerra.

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