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A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (10), o projeto de lei (PL nº 2942/2024) que permite à Justiça determinar o uso imediato tornozeleira eletrônica pelo agressor de mulheres em situação de violência doméstica e familiar, se for verificado o alto risco à vida delas. O objetivo é ampliar a proteção às vítimas.

De autoria dos deputados Fernanda Melchionna (PSol-RS) e Marcos Tavares (PDT-RJ, o projeto foi aprovado com substitutivo da relatora, deputada Delegada Ione (Avante-MG).

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A parlamentar afirma que, atualmente, apenas 6% das medidas protetivas contam com monitoramento eletrônico. Ela frisa que a ferramenta reduz os feminicídios assim como a taxa de reincidência dos agressores em outros crimes relacionados à violência doméstica.

“Não dá mais para a gente ver várias mulheres sob medidas protetivas sem medidas protetivas efetivas”, disse Fernanda Melchionna, em sua rede social.

A medida seguirá para apreciação do Senado.

Vira regra

Pelo projeto de lei, a imposição de uso da tornozeleira passa a ser regra em casos de alto risco de agressões graves às mulheres. O risco a ser avaliado deve ser atual ou iminente à vida ou à integridade física ou psicológica da mulher ou de seus dependentes.

A exigência da determinação da medida protetiva de urgência fortalece a proteção prevista na Lei Maria da Penha nº 11.340/2006, aplicável em conjunto com outras.

Além dos casos em que for verificado o risco iminente à integridade física ou psicológica da vítima, a imposição da tornozeleira será prioridade nos casos em que houver descumprimento de medidas protetivas anteriormente impostas.

Se um juiz decidir que a tornozeleira não deve ser mais usada, o magistrado deverá justificar expressamente os motivos que o levaram a tomar a decisão.

Cidades pequenas

Em municípios em que não existe uma comarca, portanto, localidades sem um juiz, o uso da tornozeleira poderá ser aplicado pelo delegado de polícia local.

Atualmente, o afastamento imediato do lar é a única medida protetiva que o delegado pode adotar nas localidades sem um representante do poder Judiciário.

Caso o projeto seja sancionado no Senado, quando a autoridade policial determinar a instalação imediata da tornozeleira eletrônica para proteger a vítima, deverá comunicar a medida ao Ministério Público e à Justiça em 24 horas. O juiz deverá decidir se mantém ou não a medida protetiva de urgência.

O levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que, em 2024, 50% dos feminicídios em 2024 ocorreram em cidades com até 100 mil habitantes, onde apenas 5% das cidades têm delegacias da mulher e somente 3% dos municípios têm uma casa abrigo.

Rastreamento pela vítima e pela polícia

O texto do projeto determina que, nas situações de uso da tornozeleira pelo agressor, deve ser entregue à mulher vítima um dispositivo de portátil de rastreamento que alerte sobre eventual aproximação do agressor.

O aparelho de segurança vai emitir um alerta automático e simultâneo para vítima e para polícia, logo que o agressor romper a área de trânsito proibido, fixada judicialmente.

A iniciativa tem o objetivo de permitir o monitoramento ativo do cumprimento das restrições impostas.

Aumento da pena

O texto aprovado aumenta – de um terço à metade – a pena de reclusão de 2 a 5 anos por descumprimento de medidas protetivas, caso estejam relacionadas à violação das áreas onde o agressor não pode ir ou, ainda, à remoção ou violação da tornozeleira sem autorização judicial.

Em sua rede social, o coautor do Projeto de Lei 2942/2024, o deputado Marcos Tavares (PDT-RJ), comemorou a aprovação pela Câmara.

“Quem agride precisa ser vigiado. E quem sofre violência precisa ser protegido.”

Mais dinheiro e campanhas

O projeto também aumenta de 5% para 6% a cota de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) que devem ser destinados a ações de enfrentamento da violência contra a mulher, incluindo explicitamente o custeio da compra e manutenção desses equipamentos.

O texto coloca como prioridade a compra e manutenção das tornozeleiras e de dispositivos de acompanhamento para as vítimas.

Segundo o projeto, as campanhas de enfrentamento da violência contra a mulher deverão contemplar informações sobre procedimentos e abordagens policiais, prevenção à revitimização, funcionamento das medidas protetivas de urgência e mecanismos de monitoração eletrônica.

Próximos passos

Com a aprovação pela Câmara, o projeto de lei será enviado ao Senado para ser analisado, discutido e votado pelos senadores.

Se for aprovada sem alterações, a proposta segue para a sanção do presidente da República.

Se os senadores fizerem mudanças (emendas), o projeto precisará voltar à Câmara dos Deputados para que as alterações sejam validadas.

Mas, se for rejeitado, o projeto será arquivado.

Violência em números

O projeto frisa que o Brasil enfrenta, nos últimos anos, um crescimento alarmante no número de feminicídios, muitos deles cometidos por ex-companheiros ou cônjuges que já eram alvo de medidas protetivas previstas

Em 2025, foram 1.568 mulheres vítimas de feminicídio no Brasil, crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. Em relação a 2021, aumento é de 14,5%.

Os dados são do Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O relatório mostra que, em 2024, 13,1% das mulheres vítimas de feminicídio no Brasil foram assassinadas mesmo tendo uma medida protetiva de urgência em vigor.

Desde que a Lei do Feminicídio (nº 13.104/2015) tipificou o assassinato de mulheres por razões de gênero como crime hediondo, 13.703 mulheres foram vítimas do feminicídio, entre 2015 e 2025.

Ligue 180

Em caso de violência contra a mulher, ligue gratuitamente 180.

A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 oferece orientação, acolhimento e encaminhamento de denúncias. O atendimento também pode ser realizado pelo WhatsApp, no número (61) 99610-0180.

O serviço público e sigiloso funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, inclusive nos feriados e pode ser usado por mulheres em situação de violência ou qualquer pessoa que queira denunciar uma situação de violência contra a mulher.

A central também informa sobre direitos, garantias e serviços especializados.

Em casos de emergência, deve ser acionada a Polícia Militar do estado, por meio do telefone 190.

O “discurso de ódio racista” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e de outros líderes políticos alimenta graves violações dos direitos humanos, afirmou um órgão da ONU nesta quarta-feira (11).
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O Comitê das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação Racial (Cerd) expressou sua profunda preocupação com o aumento do “discurso de ódio racista” nos Estados Unidos e com o uso de “linguagem depreciativa e desumanizante”, além de estereótipos prejudiciais direcionados a imigrantes, refugiados e solicitantes de asilo.
Estes grupos têm sido apresentados “como criminosos ou como um fardo, por parte de políticos e figuras públicas influentes nos mais altos níveis do Estado, em particular seu presidente”, destacou o comitê em um relatório urgente.
Isso “fomenta a intolerância e pode incitar à discriminação racial e aos crimes de ódio”, alertou.
O Cerd, composto por 18 especialistas independentes encarregados de supervisionar como os países aplicam a Convenção Internacional sobre a Eliminação da Discriminação Racial, também expressou profunda preocupação pelo “uso sistemático de perfis raciais” por parte do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) e de outros agentes mobilizados na ofensiva contra os migrantes de Trump.
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A seleção de “pessoas de origem hispânica/latina, africana ou asiática e os controles de identidade arbitrários (…) teriam dado lugar à detenção generalizada de refugiados, solicitantes de asilo, migrantes e pessoas percebidas como tais”, indicou.
Além disso, pelo menos 675 mil pessoas foram deportadas desde janeiro de 2025, quando Trump retornou ao poder.
Milhares de agentes federais, incluindo agentes do ICE, realizaram, no início deste ano, várias semanas de batidas e detenções em massa em Minnesota, o que o governo Trump afirmou serem missões seletivas contra criminosos.
A polêmica operação terminou no mês passado em meio a uma indignação crescente pelos assassinatos de dois cidadãos americanos, Renee Good e Alex Pretti, e a detenção de uma criança de cinco anos.
O Cerd insta Washington a “garantir a responsabilização, inclusive por meio de investigações eficazes, exaustivas e imparciais” sobre todas as supostas violações.
Também criticou o “drástico aumento” no número de detidos nos centros de detenção de imigrantes, que, segundo os relatórios, passou de 40 mil no final de 2024 para cerca de 73 mil no início deste ano.
Inundações provocadas por chuvas torrenciais na região de Gamo, no sul da Etiópia, deixaram pelo menos 48 mortos, informou a polícia nesta quarta-feira (11), atualizando o número de vítimas.
— O número de corpos recuperados após o desastre natural que atingiu três distritos na região de Gamo chegou a 48 — afirmou a policia regional em um comunicado publicado na rede social X. O número anterior de mortos era de 30.
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Noventa e cinco pessoas também foram reportadas desaparecidas, e as operações de resgate continuam, informou a polícia. Não está claro se esse número inclui os corpos já recuperados.
Grandes enchentes foram registradas em diversas partes da África Oriental nos últimos dias. Dezenas de pessoas morreram no Quênia após chuvas torrenciais atingirem a capital, Nairóbi, e outras áreas na sexta-feira. Diversos estudos indicam um aumento na frequência de períodos extremos de chuvas e secas no leste da África nos últimos 20 anos.
Cientistas alertam há tempos que as mudanças climáticas causadas pela atividade humana estão aumentando a probabilidade, a duração e a intensidade de eventos climáticos extremos, como chuvas torrenciais.
Em plena estação chuvosa, a África Oriental sofreu com tempestades que causaram graves inundações nos últimos dias. Gamo está localizada no sul da Etiópia, região densamente povoada conhecida pela produção de frutas, especialmente bananas.
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, fará uma visita de Estado ao Brasil na próxima segunda-feira, confirmaram fontes diplomáticas brasileiras e bolivianas à coluna. O governo do presidente Lula continua firme em sua intenção de manter boas relações com governos de direita e, no caso da Bolívia, de centro-direita da região. O objetivo é claro: não deixar o espaço livre para as candidaturas de direita na eleição presidencial brasileira.
No Chile, onde participa nesta quarta-feira da posse do novo presidente do país, José Antonio Kast, o chefe de Estado boliviano afirmou, perguntado por sua relação com o Brasil, que “é lógico que nos demos bem e juntos possamos crescer”. Paz minimizou a ausência de Lula na posse de Kast.
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Essa ausência alimentou rumores sobre a suposta incomodidade do presidente brasileiro com a presença na cerimônia de posse chilena de Flávio Bolsonaro. Fontes do Palácio do Planalto negaram essas versões e afirmaram que “Lula já esteve com Kast no Panamá em janeiro, e há muito a fazer no Brasil”.
A visita de Paz confirma que o governo brasileiro continuará apostando no que assessores de Lula chamam de “regionalismo possível”. Em outras palavras, relações pragmáticas com governos com os quais o Brasil de Lula tem expressivas diferenças políticas e ideológicas.
No caso da Bolívia, há enorme interesse por parte do governo de Paz em que a Petrobras retome investimentos no país. O assunto, disseram fontes diplomáticas, estará na pauta. “Energia, em geral, será um tema central da pauta”.
No Chile, o Brasil foi representando pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que levou ao novo presidente chileno uma carta de Lula convidando Kast para uma visita ao Brasil.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone na manhã desta quarta-feira com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro. Um dos pontos tratados, de acordo com interlocutores, foi a preocupação dos governos sul-americanos com a possibilidade de facções criminosas brasileiras serem classificadas como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
Segundo relatos de integrantes do governo brasileiro, o tema da segurança regional e os possíveis desdobramentos desse enquadramento estiveram no centro da conversa entre os dois presidentes. Em Brasília, há apreensão de que a eventual classificação de grupos como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas possa abrir caminho para novas medidas jurídicas e operacionais por parte de Washington.
O governo brasileiro tem acompanhado com cautela o debate em curso nos Estados Unidos e defende que o combate ao crime organizado seja intensificado por meio da cooperação internacional, mas preservando a soberania dos países da região. A preocupação em Brasília é que a classificação dessas organizações como terroristas produza efeitos jurídicos e políticos mais amplos nas relações entre os países e na agenda de segurança da América Latina.
Em nota, o Palácio do Planalto informou que a conversa foi voltada aos preparativos da próxima Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), marcada para 21 de março, em Bogotá. Segundo o governo brasileiro, os dois líderes trataram da integração latino-americana e caribenha.
Durante a conversa, Lula e Petro ainda confirmaram presença na quarta edição do evento Em Defesa da Democracia, organizado pelo governo da Espanha e programado para 18 de abril, em Barcelona.
Como forma de retaliação aos ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel, o Irã fechou o Estreito de Ormuz no segundo dia da guerra e ameaçou incendiar qualquer navio que tentasse passar pelo local, que é uma rota vital para o transporte mundial de petróleo e gás. Agora, enquanto os produtores de petróleo do Golfo, da Arábia Saudita ao Iraque, reduzem a produção e buscam novas rotas que contornem o Estreito, Teerã continua operando normalmente, inclusive com mais exportação do que antes da guerra, segundo a empresa de rastreamento de petroleiros Kpler.
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Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, sete navios carregaram petróleo na costa iraniana, segundo a Kpler. Desses, pelo menos dois eram do Golfo Pérsico. Nos últimos seis dias, ainda de acordo com a Kpler, os cargueiros levaram uma média diária de 2,1 milhões de barris de petróleo iraniano, número superior às exportações do Irã em fevereiro.
A ameaça da Guarda Revolucionária Islâmica de atacar qualquer navio que tentasse cruzar o Estreito afastou embarcações que transportavam petróleo e mercadorias entre o resto do mundo e o Golfo Pérsico, região responsável por cerca de um terço da produção mundial do óleo. A crise, então, gerou temores e caos na economia global, com milhões de barris de petróleo sendo retirados do mercado todos os dias.
Caso o Estreito permaneça bloqueado por duas semanas, o fornecimento de petróleo do Golfo poderá ser reduzido em cerca de 3,8 milhões de barris por dia, segundo o banco JPMorgan, um dos maiores dos EUA, o que representa mais de 3% da produção global.
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Segundo dados da Kpler, grande parte do petróleo iraniano que atravessa o Estreito ou se dirige para ele tem como destino a China, transportado por cargueiros que fazem parte da chamada frota paralela. Trata-se de antigos petroleiros utilizados pelo Irã e pela Rússia, frequentemente alvo de sanções dos EUA, para o transporte clandestino de petróleo bruto.
— Quase todos os navios que atravessam o Estreito estão ligados ao Irã ou à China — afirmou Christopher Long, chefe de inteligência da empresa britânica de segurança marítima Neptune P2P Group, em entrevista ao Wall Street Journal. — Estamos aconselhando todos a não atravessarem.
Homayoun Falakshahi, chefe de análise de petróleo bruto da Kpler, afirmou que somente escoltas militares, um cessar-fogo ou uma capitulação iraniana levariam os exportadores a retomar o trânsito no Estreito.
Na semana passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou planos para escoltar navios pelo Estreito de Ormuz, mas até agora não houve tal assistência. Na ocasião, Ali Reza Tangsiri, comandante da Marinha da Guarda Revolucionária, alertou contra essas escoltas. “Qualquer passagem da frota dos EUA e seus aliados será interrompida pela rede de mísseis iranianos e drones suicidas”, escreveu Tangsiri no X.
Navio de bandeira tailandesa Mayuree Naree em chamas após bombardeio na região do Golfo Pérsico
Marinha Real da Tailândia/AFP
As Forças Armadas do Irã intensificaram, nesta quarta-feira, os ataques contra navios-petroleiros e de transporte de carga no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz. Ao menos quatro navios foram atacados nesta quarta, um dia após Trump ameaçar com “consequências militares de uma magnitude sem precedentes” ameaçasse o comércio marítimo na região com a instalação de minas navais.
Na terça-feira, a rede americana CNN revelou que a Guarda Revolucionária começou a instalar minas navais na região do Estreito de Ormuz. De acordo com a CNN, dezenas de minas foram instaladas nos últimos dias, cobrindo uma área relativamente pequena da passagem que leva do Mar da Arábia ao Golfo Pérsico. O Exército ideológico do Irã possui capacidade considerável de ação naval na área, com lanchas de ataque rápido, mísseis em áreas costeiras e barcos para instalar novas minas. Teerã, por sua vez, não confirmou a informação.
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Já segundo a Lloyds List Intelligence, uma empresa de inteligência naval, cerca de 15 navios cruzaram o Estreito desde o início da guerra, sendo que a maioria das embarcações clandestinas estavam transportando petróleo iraniano para a China e a Índia. Muitos são pequenos petroleiros chineses que comunicam sua presença e origem à Guarda Revolucionária por meio de alto-falantes.
“Somos um navio chinês. Estamos passando; somos amigáveis”, transmitem os navios chineses para a Guarda Revolucionária, segundo o Wall Street Journal.
Aposta calculada
Na semana passada, segundo a Kpler, um navio-tanque chamado Skywave, com destino à China, carregou petróleo na ilha iraniana de Kharg, um pequeno enclave no extremo noroeste do Golfo Pérsico, para onde é exportada a maior parte do petróleo bruto do Irã. Na última terça-feira, o navio, sob uma bandeira falsa de Comores, estava perto de cruzar o Estreito de Ormuz, segundo o Marine Traffic.
A embarcação pertence a uma empresa de fachada indiana que foi sancionada pelos EUA no ano passado como parte de uma rede que, segundo Washington, financiava diretamente as Forças Armadas iranianas por meio de bilhões de dólares em alocações de petróleo bruto.
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Outro navio com destino à China, o Cume, pertence a uma entidade de Dubai sancionada pelos EUA e ostenta uma bandeira falsa da Guiana, segundo o banco de dados Equasis da União Europeia. Ele carregou 2 milhões de barris de petróleo bruto iraniano em 19 de fevereiro, cruzou o Estreito de Ormuz na semana passada e está atualmente no Golfo de Omã, de acordo com Kpler.
A decisão dos petroleiros da frota paralela de atravessar o Estreito de Ormuz continua sendo uma aposta calculada, mesmo que transportem petróleo iraniano. Pelo menos dois petroleiros dessa frota paralela já foram atingidos pelo Irã.
As Forças Armadas do Irã afirmaram nesta quarta-feira que não permitirão que “nem um único litro de petróleo” transite pelo Estreito de Ormuz, rota vital para o escoamento de 20% do petróleo produzido no mundo, reiterando o já anunciado fechamento da via navegável, que o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica ordenou após o início da guerra com EUA e Israel. O controle da passagem tem importância estratégica tanto na tática de resistência iraniana quanto nos planos israelense e americano, com seu impacto sendo sentido ao redor do globo.
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O Estreito de Ormuz é o acidente geográfico que divide o Golfo Pérsico do Golfo de Omã. A costa norte é controlada em sua totalidade pelo Irã, enquanto o sultanato de Omã controla a margem sul, quase na fronteira com os Emirados Árabes Unidos. As águas por onde navegam os petroleiros e cargueiros que costumam transitar pela rota — antes do conflito, a média diária era de 129 navios (ver gráfico abaixo) — são consideradas internacionais pelo Direito Internacional e pela ONU. O status confere uma série de proteções à livre navegação e vedações a ações unilaterais — que têm sido violadas.
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A Guarda Revolucionária iraniana confirmou nesta quarta-feira o bombardeio a duas embarcações — um navio-graneleiro de bandeira da Tailândia e um navio de bandeira da Libéria, que acusaram ser de propriedade de Israel. Há relatos de ao menos quatro navios atingidos por projéteis nesta quarta. As forças iranianas afirmaram que qualquer embarcação que pretenda passar pela via marítima deve pedir autorização, sob risco de afundamento.
A agência britânica UK Maritime Trade Operations (UKMTO) apresentou um balanço nesta quarta-feira, em que contabiliza 14 incidentes contra navios na região desde o início do conflito, em 28 de fevereiro.
Trânsito diário de navios pelo Estreito de Ormuz
Arte/O GLOBO
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Um corredor ainda mais curto
Embora tenha mais de 30 quilômetros de largura no ponto mais próximo entre as margens norte e sul, a parte transitável para os gigantescos petroleiros e navios de carga que cruzam diariamente Ormuz é consideravelmente menor. As embarcações percorrem dois corredores marítimos definidos, chamados de canais de tráfego, estabelecidos internacionalmente para organizar o fluxo e evitar acidentes.
Cada um dos canais tem apenas três quilômetros de largura, com uma faixa de separação de outros três quilômetros entre eles. Um corredor é usado para entrada e outro para saída do Golfo Pérsico, em um sistema de mão dupla semelhante a uma estrada. Ou seja, todo o tráfego comercial global fica ali, naquele trecho, comprimido em seis quilômetros.
A área reduzida e a previsibilidade sobre o trânsito das embarcações torna toda a região vulnerável às ações iranianas, cujos mísseis e drones são capazes de cortar toda a extensão do Golfo, e que tem a capacidade de instalar minas navais, capazes de avariar severamente e afundar embarcações de uso militar e civil.
Mapa mostra onder fica o Estreito de Ormuz
Arte O Globo
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Como o Irã bloqueia a rota naval?
Há décadas o regime iraniano se prepara para uma eventual guerra com seus adversários regionais. O país investiu em um extenso programa de mísseis balísticos ao fim da guerra com o Iraque (1980-88), e evoluiu nos últimos anos a produção de drones de baixo custo, usados sobretudo para ataques nos chamados “enxames”. Teerã também conta com um volumoso arsenal de minas navais, que poderiam transformar a região em um campo minado.
O Irã conta com um estoque de minas navais que varia de 2 mil a 6 mil unidades, segundo avaliação do Soufan Center, uma organização sediada em Nova York especializada em questões de segurança. Os apetrechos são considerados pequenos, silenciosos e difíceis de detectar, e podem ser posicionadas por meio de submarinos, navios ou até helicópteros. O Pentágono afirmou ter afundado 16 navios da Marinha iraniana especializados na instalação das minas, na terça-feira.
O regime iraniano não parece ter recorrido à tática — o que significaria uma escalada de difícil reversão — até o momento. Uma fonte militar ouvida pelo jornal americano Wall Street Journal afirmou que as estimativas são de que apenas cerca de 10 dispositivos tenham sido instalados.
Imagens divulgadas pelo Comando Central dos EUA mostra disparo de mísseis Tomahawk contra navios lançadores de mina do Irã
Reprodução/CENTCOM/X
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A indicação da Guarda Revolucionária nesta quarta-feira também parece ser a de uma estratégia de “controle reversível” — uma vez que ao menos sinaliza que, com autorização, o trânsito poderia ser liberado. A medida pode indicar uma tentativa de controlar a tensão já elevada com países produtores de petróleo Golfo, alvos de ataques constantes nos últimos 12 dias.
Para os ataques direcionados, Teerã dispõe de um amplo arsenal de mísseis e drones, que desde a guerra de 12 dias, em junho do ano passado, mostraram ter capacidade de alcance para atingir os mais variados alvos na região. O Irã mantém ao longo da costa baterias móveis de mísseis antinavio — incluindo modelos como o Noor e o Khalij Fars, com capacidade de atingir alvos durante a navegação. Com uma topografia costeira montanhosa, essas plataformas podem ser deslocadas e escondidas com facilidade, dificultando a neutralização
Forças americanas e israelenses afirmam ter explodido grande parte do arsenal de mísseis e drones iranianos desde o início da guerra, mas os ataques mais recentes mostram que Teerã ainda dispõe de formas de provocar dano. Analistas apontam uma estratégia de disparos “com parcimônia”, a fim de fazer durarem os estoques em um ritmo que mantenha os movimentos ofensivos.
Relação entre preço do petróleo e dos alimentos
Arte/ O GLOBO
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Outras táticas também são possíveis. Embora os EUA tenham declarado como um objetivo central de sua ofensiva a destruição da Marinha iraniana, com o afundamento confirmado de embarcações de importância estratégica na Armada persa, a Guarda Revolucionária é famosa por sua frota de lanchas rápidas, que têm capacidade de cercar embarcações maiores, intimidar e até executar ataques em coordenação com drones.
A tática é sobretudo preocupante quando os alvos são navios comerciais, com capacidades restritas para resistir a ataques com equipamentos militares.
Foto de arquivo mostra navio da Marinha iraniana em exercício naval na região do Estreito de Ormuz
EBRA​HIM NOROOZI /JAMEJAMONLINE/ AFP PHOTO
Ainda sob repressão do regime: Iranianos veem esperança de mudança se despedaçar sob bombardeios de EUA e Israel
Gargalo estratégico
A importância econômica da passagem estratégica é um aspecto central na tática de resistência do Irã. Ciente da incapacidade prática de vencer uma guerra convencional contra uma sociedade militar formada por EUA e Israel, a coerção econômica por meio da perturbação do mercado internacional de hidrocarbonetos é a melhor chance que o regime iraniano vislumbra de impor pressão sobre os governos rivais e forçar um fim das hostilidades contra o seu território.
Parte dos maiores produtores de petróleo e gás natural liquefeito do mundo, incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Iraque, Kuwait e o próprio Irã. Em menos de duas semanas de conflito, a instabilidade já afetou o preço do petróleo, com o barril de petróleo chegando a ser negociado em um patamar próximo a US$ 120 em alguns mercados asiáticos na segunda-feira. O preço registrou queda, mas o patamar segue elevado nas principais bolsas do mundo.
Estreito de Ormuz é uma região entre Irã e Omã
Reprodução/Nasa
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— A estratégia do Irã é pressionar Washington provocando a ira dos Estados do Golfo e elevando os preços do petróleo, gás e outras matérias-primas — explicou Burcu Özçelik, especialista em segurança do centro britânico RUSI.
A comunidade internacional está mobilizada e discute formas de diminuir o impacto das ações militares no comércio global de petróleo. Alemanha e Japão anunciaram que liberariam reservas estratégicas para aumentar a demanda e controlar os preços, enquanto os países do G7 discutem fazer o mesmo. Trump anunciou que estaria disposto a “escoltar” com navios da Marinha americana os navios mercantes na região — uma solução que do ponto de vista militar e de custos é alvo de questionamentos. (Com AFP e NYT)
Um levantamento feito pela Organização Não Governamental (ONG) Justiça 11J, elaborado entre janeiro de 2025 e os primeiros dias de março deste ano, revelou que 46 pessoas detidas nos protestos cubanos ocorridos em julho de 2021 — contra o regime revolucionário do país — morreram por falta de atendimento médico. O relatório foi entregue em forma de denúncia na última audiência da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), realizada na última terça-feira.
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Segundo a diretora da organização, Camila Rodríguez, as pessoas presas estavam falecendo nas prisões ou em hospitais, após serem transferidas às unidades já em “condições irreversíveis”. Ainda de acordo com Rodríguez, os dados utilizados no levantamento foram retirados de monitoramentos de grupos da sociedade civil. O documento divulgado dava conta de um total de 294 casos de pessoas detidas, entre elas, as 46 pessoas que faleceram
— Até o momento, não temos conhecimento de investigações independentes, nem de agentes penitenciários que tenham sido responsabilizados por estas mortes sob custódia estatal — disse Rodríguez.
Cristian Jiménez, representante da Anistia Internacional (AI), afirmou que a privação de liberdade em Cuba segue sendo uma política de punição à liberdade daqueles que protestam de forma pacífica por melhorias no país.
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— Esta é uma ferramenta sistemática de castigo contra aqueles que exercem direitos humanos como a liberdade de expressão, de reunião pacífica, de associação e de protesto — pontuou Jiménez.
Protestos em Cuba
Em 11 de julho de 2021, milhares de cubanos foram às ruas com gritos de “temos fome” e “abaixo a ditadura”. Este era um protesto inédito, que não ocorria desde a revolução de 1959. Na época, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel pediu que seus apoiadores tomassem as ruas, em resposta às manifestações feitas por opositores. Canel também chegou a atribuir a crise enfrentada pela ilha — que segue presente até hoje — ao embargo promovido pelos Estados Unidos.
— A ordem de combate está dada: os revolucionários devem ir para as ruas — disse o presidente em julho de 2021.
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Em contexto de pandemia do coronavírus, ainda predominante em todo o mundo naquele ano, os cubanos se revoltaram pelas más condições de controle da doença, com subida elevada dos casos e colapsos em centros de saúde. Outros fatores, como a grave crise econômica e a falta de acesso à internet, foram apontados, à época, como motivadores das manifestações do povo de Cuba.

O fundador e ex-presidente da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, negou que a gestora de fundos financeiros esteve associada à lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). O empresário compareceu à sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado, nesta quarta-feira (11).

“Não temos nenhuma ligação [com o PCC], como o nosso advogado acabou de colocar. No procedimento da Carbono Oculto [da Polícia Federal (PF)], em 15 mil páginas, não existe nenhuma menção à associação com o PCC ou com o crime organizado”, comentou Mansur.

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O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), questionou então porque a empresa foi alvo das operações da PF. Mansur preferiu não opinar. “Aí é uma opinião pessoal, eu acho que vou permanecer calado”, respondeu.

Além da Carbono Oculto, a empresa de gestão de ativos Reag é investigada na Compliance Zero, que apura as fraudes do Banco Master, e na operação Quasar, que investiga lavagem de dinheiro para facções criminosas. 

Em janeiro deste ano, a Reag Investimentos foi liquidada pelo Banco Central (BC) por supostos vínculos com as fraudes do Banco Master estimadas em até R$ 50 bilhões. 

A Reag, que administrava 700 fundos que somavam R$ 300 bilhões, teria contribuído com o esquema do banqueiro Daniel Vorcaro, sendo suspeita de criar empresas de fachada.

Inicialmente, o empresário fundador da Reag, João Carlos Mansur, informou que ficaria em silêncio, direito garantido a investigados para não se autoincriminar. Porém, ele resolveu fazer pequenos comentários após apelos do presidente da CPI.

Segundo Mansur, a Reag sempre foi auditada por empresas internacionais. O ex-presidente da companhia disse ainda que ela mantinha todas as estruturas de governança de uma empresa de capital aberto, que precisa ter os dados divulgados ao público.

“Acho que a gente acabou sendo penalizado por ser grande e independente. Nosso mercado penaliza o independente”, disse o investigado, que admitiu que o Banco Master era um dos clientes da companhia.  

“Não éramos, nunca fomos empresa de fachada, não temos investidores ocultos. É um partnership, ou seja, vários sócios, várias pessoas”, completou o empresário do mercado financeiro.

Ainda nesta quarta-feira, a CPI aprovou mais de 20 requerimentos com quebras de sigilos, pedidos de informações e convocações mirando o braço financeiro do PCC na Faria Lima e “A Turma” do Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. 

Carbono Oculto

A oitiva do fundador e ex-presidente da Reag Investimentos foi fruto do requerimento de convocação apresentado pelo presidente da Comissão, Fabiano Contarato.

“Dos 350 alvos da operação [Carbono Oculto], 42 têm escritórios na Avenida Faria Lima, o que demonstra que o crime organizado possui verdadeira indústria de lavagem de dinheiro no coração do sistema financeiro nacional”, justificou o senador capixaba.

Contarato acrescentou que os fundos da Reag teriam sido utilizados para movimentar cerca de R$ 250 milhões do PCC, e que o BC informou que a companhia teria ocultado os beneficiários de R$ 11 bilhões desviados do mercado financeiro nacional.

“O depoimento de Mansur é indispensável para esclarecer os mecanismos de controle e conformidade adotados pela gestora diante do crescimento exponencial de seus ativos sob gestão, que saltaram de R$ 25 bilhões para R$ 341 bilhões em cinco anos”, escreveu o parlamentar.

Relator da CPI

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), lamentou que o investigado se recusou a responder perguntas da comissão, se limitando a fazer pequenos comentários sobre a Reag como empresa.

“São vários questionamentos que não são, a priori, autoincriminatórios, a não ser que a gente compreenda que absolutamente toda a atividade exercida por vossa excelência, ao longo da carreira, seja criminosa”, provocou o relator.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o Crime Organizado no Senado aprovou, nesta quarta-feira (11), mais de 20 requerimentos com quebras de sigilos, pedidos de informações e convocações mirando o braço financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Faria Lima e “A Turma” do Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

“A Turma” é o nome do grupo de comunicação de Vorcaro usado para monitorar e intimidar adversários do banqueiro, e que esteve no centro da decisão de prisão do dono do Master.

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A Comissão ainda quebrou os sigilos fiscal, bancário e telefônico do “Sicário”, o Luiz Phillipi Mourão, aliado de Vorcaro que teria se suicidado após ser preso pela Polícia Federal (PF) na semana passada. A CPI ainda pediu informações sobre o caso do Sicário ao Supremo Tribunal Federal (STF). 

O cunhado do dono do Banco Master, o Fabiano Campos Zettel, foi convocado pela CPI após aprovação de requerimentos apresentados por senadores.

“Investigações no âmbito da Operação Carbono Oculto apontam que Fabiano Zettel possui conexões financeiras diretas com a Reag Investimentos e o Banco Master, instituições identificadas como braços financeiros do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Faria Lima”, justificou o senador Humberto Costa (PT-PE).

Banco Central

A CPI aprovou a convocação do ex-diretor de fiscalização do Banco Central (BC), Paulo Sérgio Neves de Souza, e do ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, Bellini Santana, ambos afastados dos cargos.

Ao pedir a convocação dos funcionários do BC, o senador Humberto Costa disse que relatório da PF indica que eles teriam atuado como consultores informais de Daniel Vorcaro.

“Facilitando a operação de compra do então Banco Máxima (posteriormente renomeado como Banco Master) e divulgando informações sigilosas para o banqueiro, a fim de municiá-lo a respeito das operações realizadas pelo Banco Central”, justificou Costa.

A Comissão ainda quebrou os sigilos da empresa Varajo Consultoria, ligado à Vorcaro, e que teria sigo responsável por proposta de pagamento a servidor do BC. O chefe da companhia, Leonardo Augusto Furtado Palhares, foi ainda convocado pela CPI.

Faria Lima

Foram alvos de quebras de sigilos bancários, fiscal e telefônico empresários e investigados por associação com a lavagem de dinheiro do PCC na Faria Lima, onde se concentra as empresas do mercado financeiro na capital paulista.

Uma série de requerimentos foram aprovados com quebra de sigilos de investigados apontados pela operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, que desvendou esquema de lavagem de dinheiro do PCC.

Um dos que teve os sigilos quebrados foi o “Beto Louco”, o Roberto Augusto Leme da Silva, considerado responsável pela gestão de distribuidoras de combustíveis que lavariam dinheiro para a organização criminosa paulista.

“O esquema, que movimentou R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, utilizava uma vasta rede de postos de combustíveis e fundos de investimento para ocultar a origem ilícita dos recursos, demonstrando uma atuação sofisticada no mercado financeiro, com epicentro na Avenida Faria Lima, em São Paulo”, argumentou o senador Humberto Costa.

Outro investigado que teve os sigilos quebrados foi o Mohamad Hussein Mourad, considerado um dos principais operadores do esquema de lavagem de dinheiro do PCC, e que teria conexões com o Banco Master.

Outro empresário ligado ao esquema desvendado pela Carbono Oculto, e que teve os sigilos quebrados pela CPI, é o Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, e Danilo Berndt Trent, tido como “sócio oculto” da Precisa. A empresa já figurou em investigação de esquema de corrupção de compra de vacinas no período da pandemia.

“As empresas de Francisco Maximiano foram utilizadas como veículos para a lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) e para a realização de fraudes bilionárias contra o sistema financeiro e o patrimônio público”, completou Humberto.

“A turma”

Outro foco da CPI nesta quarta-feira foram os envolvidos no grupo “A Turma”, usado para monitorar e intimidar adversários do banqueiro Daniel Vorcaro, que teria liderado um esquema de fraudes no mercado financeiro que podem chegar a cerca de R$ 50 bilhões.

O grupo chegou a discutir simular um assalto para “quebrar todos os dentes” do jornalista do O Globo, Lauro Jardim, que teria publicado notícias que desagradaram ao Vorcaro. 

A CPI aprovou a convocação da Ana Cláudia Queiroz de Paiva que participaria dos pagamentos para custear as atividades do grupo “A Turma”.

A comissão ainda aprovou as quebras dos sigilos do Marilson Roseno da Silva, escrivão aposentado da PF que foi preso preventivamente como um dos principais operadores do grupo “A Turma”.

A CPI quebrou os sigilos de outras empresas ligadas ao Master, como a King Participações Imobiliárias, e a King Motors Locação de veículo, além da quebra de sigilo de empresas dono de avião usada para dar carona a aliados do Vorcaro. A comissão ainda pediu a lista dos passageiros beneficiários.

“Informações divulgadas pela imprensa e indícios colhidos no âmbito da Operação Compliance Zero sugerem que altas autoridades da República teriam se utilizado de aeronaves particulares”, justificou o relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE).

A comissão ainda convidou para depoimento o empresário Vladimir Timerman, que vinha denunciando, por ano, as fraudes no Master.

 

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