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Israel bombardeou o sul de Beirute neste domingo, considerado um reduto do movimento xiita Hezbollah, poucas horas após três drones supostamente lançados pelo grupo atingirem o norte do Estado judeu, sem provocar vítimas, segundo o Exército israelense. De acordo com a agência de Defesa Civil do Líbano, o ataque matou pelo menos três pessoas.
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A ofensiva valeu uma resposta do Irã, que negocia um memorando que poria fim às hostilidades no Golfo e reabriria o Estreito de Ormuz. De acordo com a agência de notícias AFP, o principal negociador iraniano acusou os EUA de ‘não respeitar compromissos’.
O fim das hostilidades no Líbano é um dos entraves na tentativa do acordo entre Estados Unidos e Irã. A República Islâmica exige que Israel saia do Sul do Líbano e cesse os bombardeios ao país árabe. Uma autoridade americana afirmou, na sexta-feira, que isso ocorrerá, embora Washington tenha manifestado anteriormente a intenção de tratar essa questão separadamente.
Israel e o Hezbollah estão em guerra desde 2 de março, mas uma trégua entre as duas partes entrou em vigor em meados de abril. As hostilidades, no entanto, prosseguem com o Estado judeu ocupando o sul do Líbano. De acordo com o ministério da saúde libanês, os bombardeios isralenses mataram 3.700 pessoas.
Israel bombardeou o sul de Beirute neste domingo, considerado um reduto do movimento xiita Hezbollah, poucas horas após três drones supostamente lançados pelo grupo atingirem o norte do Estado judeu, sem provocar vítimas, segundo o Exército israelense.
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O Exército efetuou ataques “no bairro de Dahiyeh, em Beirute (…) em resposta aos disparos do Hezbollah contra território israelense”, declarou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em um comunicado conjunto com o ministro da Defesa, Israel Katz.
Israel e o Hezbollah estão em guerra desde 2 de março, e m meados de abril, uma trégua entre as duas partes entrou em vigor, mas as hostilidades prosseguem. Israel ocupou o sul do Líbano e, de acordo com o ministério da saúde libanês, os bombardeios do Estado judeu mataram 3.700 pessoas.
O fim das hostilidades no Líbano é um dos entraves na tentativa do acordo entre Estados Unidos e Irã. A República Islâmica exige que Israel saia do Sul do Líbano e cesse os bombardeios ao país árabe. Uma autoridade americana afirmou, na sexta-feira, que isso ocorrerá, embora Washington tenha manifestado anteriormente a intenção de tratar essa questão separadamente.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (13) para a cidade de Évian-les-Bains, na França, onde participará, como convidado, da Cúpula do G7, o fórum que reúne sete das maiores economias industrializadas do planeta.

É a 10ª vez que Lula participa deste encontro, ao longo de seus três mandatos. São membros plenos do grupo: Canadá, Estados Unidos (EUA), Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão. A União Europeia (UE) também participa como membro institucional.

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A ida de Lula acende a expectativa para possíveis interações com o presidente dos EUA, Donald Trump, em um momento de novo tensionamento entre os dois países, duas semanas após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) indicar a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras.

O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano pelo governo de Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA. Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o WhatsApp Pay.

Até o momento, não houve confirmação sobre uma possível reunião bilateral entre Lula e Trump. Se algum encontro entre os dois líderes ocorrer na França, será pouco mais de um mês da última reunião de ambos, na Casa Branca, em Washington, no início de maio.

Na ocasião, segundo Lula, equipes dos dois governos foram orientadas a apresentar uma proposta para resolver o impasse sobre tarifas de exportação e da investigação comercial do USTR, o que efetivamente ainda não aconteceu.

“Isso [encontro entre Lula e Trump] não está definido. Com os Estados Unidos os contatos seguem, por enquanto é o que eu posso dizer, e que estão em andamento de uma forma intensa, desde sempre, e isso continua acontecendo”, afirmou o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores (MRE), em entrevista a jornalistas nesta quarta-feira (10).

Este também vai ser o primeiro contato entre Lula e Trump após o governo norte-americano passar a designar formalmente as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês).

O governo brasileiro vinha tentando, nos últimos meses, evitar essa designação por avaliar que isso poderia abrir caminho para uma ação militar dos EUA no Brasil ou para a aplicação de sanções severas em setores econômicos e financeiros.

Veto à carne brasileira

Outro foco de atenção na viagem de Lula ao G7 passa pela relação com a União Europeia. Há uma semana, o bloco oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.

Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial do dia 5 de junho.

Também não há definição sobre um possível encontro de Lula com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

“Obviamente que eu acho que o recado principal que nós queremos passar aos europeus é que ficamos assim um pouco surpresos da maneira como foi. Nós estamos vendo algumas medidas da União Europeia que nos causam alguma preocupação. E o tom da discussão, se houver, ou em outros momentos, não necessariamente no G7, vai ser esse, com uma certa preocupação por esses últimos desdobramentos e ver o que a gente pode fazer para resolver as questões”, apontou o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, que acompanha diretamente as tratativas.

Brasil e Japão

Enquanto não se confirmam as reuniões bilaterais de Lula durante a cúpula do G7, um encontro que já está certo na agenda será com a primeira-ministra do Japão é Sanae Takaichi. Ela fez história ao se tornar a primeira mulher a assumir o principal cargo do Executivo no país asiático, tomando posse em outubro de 2025.

Este será o primeiro encontro oficial entre ambos e há uma expectativa de se abrir negociações em torno de um futuro acordo do Japão com o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai).

A cúpula do G7 deste ano, presidida pela França, ocorre de 15 a 17 de junho. Além do Brasil, o grupo convidou líderes de outros países importantes, como Índia, Quênia, Coreia do Sul e Egito. Outra provável reunião bilateral de Lula deverá ser com o anfitrião do evento, o presidente francês Emmanuel Macron.

Sessões deliberativas

O Itamaraty confirmou que Lula participará de três eventos durante o G7.

O primeiro, no dia 16, é uma sessão de líderes em que o presidente brasileiro discursará sobre parcerias internacionais para o desenvolvimento. A expectativa é que Lula cobre a ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD). A chamada AOD, que no inglês é Official Development Assistance (ODA), refere-se a repasses financeiros realizados pelos países mais industrializados do mundo para promover o bem-estar e o desenvolvimento econômico de países em situação de mais vulnerabilidade.

No dia 17, em outra sessão de líderes, Lula vai abordar o tema do crescimento econômico equilibrado, ocasião em que falará com ênfase sobre a necessidade de reforma da governança global, especialmente instituições como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a própria Organização das Nações Unidas (ONU).

Ainda no dia 17, a comitiva brasileira participará de um almoço que terá como tema central a Inteligência Artificial (IA).

O exército israelense emitiu, no domingo, alertas de evacuação para moradores de 29 vilarejos no sul do Líbano, em antecipação a ataques planejados, apesar do cessar-fogo que visa interromper a guerra com o grupo militante libanês Hezbollah.
O porta-voz do exército em árabe, Coronel Avichay Adraee, emitiu dois alertas sucessivos – o primeiro para 13 vilarejos, o segundo para mais 16 e o ​​terceiro para comunidades ao norte do rio Zahrani.
Um borrifo de água à distância, um movimento diferente entre as ondas e a indicação de um guia apontando para um ponto do horizonte. Segundos depois, em meio aos olhares atentos dos turistas a bordo do barco, uma baleia de dezenas de toneladas salta alguns metros acima da água antes de desaparecer novamente sob a superfície. Cenas como essa são comuns durante as famosas temporadas de observação de baleias em diferentes partes do mundo, incluindo o litoral do Rio de Janeiro neste período do ano. A atividade movimenta o turismo e contribui para pesquisas científicas, mas também levanta debates sobre conservação, com pesquisadores e organismos internacionais alertando para os impactos causados aos animais quando ocorre de forma irresponsável. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Apesar de o termo feminicídio ter sido amplamente utilizado em políticas, legislações e ações de defesa de direitos em todo o mundo nas últimas décadas, o cenário europeu em relação a mortes de mulheres por parceiros, ex-parceiros ou familiares permanece ainda encoberto por lacunas de leis e dados. Por trás dos números que mostram estabilidade de casos — em média, 660 mulheres foram assassinadas por ano na última década, segundo o serviço de estatística oficial da União Europeia (Eurostat) —, há pouca proteção legal e o monitoramento é deficiente.
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Enquanto na América Latina, 18 dos 20 países criminalizaram o feminicídio nas duas últimas décadas, na Europa, só seis dos 27 Estados-membros da UE implementaram leis ou sistemas legais de proteção e punição do crime — e isso apenas nos últimos cinco anos.
Mapa sobre a posição legal dos países sobre o crime de feminicídio
Editoria de Arte
A dificuldade no bloco europeu começa pela definição oficial do termo: muitos países não fazem distinção de homicídios por gênero. O Instituto Europeu para a Igualdade de Gênero (EIGE) define feminicídio como “o assassinato de uma mulher ou menina por causa de seu gênero, em decorrência da violência por parceiro íntimo; a tortura e o assassinato misógino de mulheres; ou o assassinato de mulheres e meninas em nome da honra”. Mas os Estados-membros não são obrigados a adotá-la.
— Monitorar com base nessa definição é desafiador porque, em muitos países, o feminicídio não é uma categoria criminal separada na legislação e a coleta de dados é voluntária, não está prevista em regulamentação da UE. Muitos países não têm recursos suficientes para melhorar a qualidade dos dados — afirmou ao GLOBO Merle Paats, líder da equipe de estatísticas de criminalidade e violência baseada em gênero do Eurostat.
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O levantamento mais recente, divulgado em 2025, aponta que o número de feminicídios permaneceu praticamente inalterado ao longo da última década, considerando um grupo de 16 países que forneceram dados de forma consistente. Em 2015, foram registrados 679 casos. Dez anos depois, em 2024, foram 662 vítimas fatais. O próximo relatório está em preparação, e a coleta de dados está prevista para 2027-2028.
Contrastes regionais
As disparidades entre América Latina e Europa refletem como o debate jurídico e a urgência social se moldam de acordo com a realidade de cada região. Segundo dados do Observatório de Igualdade de Gênero da América Latina e Caribe (OIG) e da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), foram registrados 3.781 casos de feminicídio em 2025.
Só o Brasil foi responsável por mais da metade, com 2.149 casos reportados. A Lei Maria da Penha, criada em 2006, é reconhecida pela ONU como uma das três legislações mais avançadas do mundo no combate à violência doméstica contra a mulher.
— Em termos de legislação, o Brasil está numa posição de bastante vanguarda em relação à Europa e aos EUA. Além da Maria da Penha, temos uma série de outras leis que aprimoram o arcabouço legislativo contra diversos tipos de violência contra a mulher e variadas redes de atendimento e apoio às vítimas — aponta Silvia Chakian, promotora de Justiça do Ministério Público de São Paulo e integrante da Promotoria Especializada de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar.
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Ela pondera, no entanto, que o Direito Penal, como último recurso, reflete o nível de carência de valores éticos e morais de uma sociedade e, no caso do feminicídio, menos consciência e respeito aos direitos das mulheres
— Temos um Direito Penal muito forte porque temos índices altíssimos de violência. Isso tem sua importância, porque já vivemos impunidade no passado. Hoje o índice de condenação é bastante alto. Mas é apenas parte da solução. Os casos continuam acontecendo, os números não diminuíram. Precisamos aprimorar, avançar em prevenção, inclusive com uso de tecnologia para evitar mortes — afirma.
No caso da Europa, o estudo “Por trás dos números: uma análise dos dados da polícia e da Justiça sobre violência por parceiro íntimo e violência doméstica”, divulgado pelo EIGE em março, com dados de 2015 a 2022, mostra uma legislação específica para o tema apenas em Espanha, Itália, Bélgica, Chipre, Malta e Croácia. Nos demais países, os feminicídios ainda são classificados como homicídios, de forma genérica.
O órgão, inclusive, inspirou-se na experiência latino-americana para criar o primeiro relatório do instituto para definir e identificar o feminicídio na Europa.
— Fizemos isso porque a América Latina estava muito avançada em comparação com a UE na criminalização e na conceituação do feminicídio como uma infração penal, e também no desenvolvimento do modelo de protocolo para investigar e penalizar o crime — afirma Cristina Fabre Rosell, responsável pelos estudos sobre coleta de dados no EIGE.
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Em sua avaliação, o principal problema é que ainda não existe um sistema harmonizado de coleta de dados, sobre o entendimento comum de feminicídio e quais infrações penais são necessárias.
— Quando se reconhece o feminicídio como uma infração penal, tudo muda: a forma como olhamos para o crime, como o investigamos, como vemos o agressor e enxergamos as causas. Pode não reduzir os números drasticamente de imediato, mas aumenta a responsabilização e a sensibilização de quem trabalha na prevenção da violência de gênero — pondera Cristina.
Limbo legislativo
A Alemanha, mais populosa da União Europeia, figura entre os países com maior número absoluto de homicídios de mulheres no bloco de acordo com o Eurostat, com cerca de 200 casos anuais — o próprio órgão faz a ressalva de que as diferenças metodológicas dificultam uma comparação precisa. Sem tipificação penal para o feminicídio ou delegacias especializadas de atendimento à mulher, exceto por um projeto-piloto implementado em 2024, o país concentra esforços em medidas de prevenção, como o uso de tornozeleira eletrônica para agressores com medida protetiva, aprovadas em maio pelo Bundestag, o Parlamento alemão.
— As leis são tradicionalmente neutras em relação ao gênero, é um princípio do direito alemão. A lei de homicídio diz que, se você mata uma pessoa, o gênero não deveria importar, e o crime já é punido de forma severa. Esses são os principais argumentos dos juristas. Por ora, o movimento é de tentar melhorar as leis existentes em vez de fazer uma grande reforma — afirma Florian Rebmann, criminologista da Universidade de Turíngia, na Alemanha.
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Mais recentemente, o Parlamento Europeu pressionou os países-membros a adotarem medidas mais rígidas de proteção, por meio da resolução de novembro passado sobre a Estratégia para a Igualdade de Gênero. A medida instou a Comissão Europeia a reconhecer o feminicídio como crime autônomo e específico em todo o bloco e a melhorar a coleta e análise de dados nos países-membros, em cooperação com o EIGE e o Eurostat.
Na terça-feira, o Papa Leão XIV fez um apelo, em Madri, às sociedades para que enfrentem a violência contra a mulher, que classificou como uma “realidade dramática”.
— Tantas crônicas policiais refletem ainda hoje um clima tóxico de abusos e opressão nas relações familiares e, principalmente, de violência contra as mulheres, que, infelizmente, muitas vezes resulta em feminicídios.
Quatro dias antes de completar 80 anos, o presidente dos EUA, Donald Trump, revelou a jornalistas o que gostaria de ganhar de aniversário, celebrado neste domingo: “Paz para todo o mundo”. Uma fala panglossiana que não esconde seu inferno astral. Ele ostenta índices históricos de desaprovação, tem uma lista cada vez menor de aliados, e segue distante de uma saída para a guerra que criou no Irã. Nem seus planos hiperbólicos para o apagar das velinhas (dele e do país) passaram ilesos: as obras em Washington estão na mira da Justiça, a série de shows prevista para as próximas semanas foi cancelada e o evento do UFC na Casa Branca deu margem a comparações inglórias.
— Não é que o Trump mudou do primeiro para o segundo mandato, o que mudou foi o entorno dele. ele está mais cercado de indivíduos cujo principal objetivo é prestar lealdade a Trump, pessoas cuja função é apenas dizer “sim, senhor” — disse Carlos Gustavo Poggio, professor do Departamento de Ciência Política do Berea College, ao GLOBO.— Isso tornou esse estilo caótico de tomar decisões por impulso mais evidente. Se no primeiro mandato ele falava algo absurdo, era, de alguma forma, sabotado em seu entorno.
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Desde janeiro de 2025, quando retornou à Casa Branca, Trump acumulou poderes, com o aval do Congresso afável e de um Departamento de Justiça disposto a fazer cumprir a agenda de perseguição de rivais, especialmente democratas. Analistas afirmaram que essa era uma “Presidência imperial”, e o republicano falou em tom de seriedade sobre um terceiro mandato, proibido pela Constituição.
Aliados externos se viram perdidos diante de críticas nada diplomáticas ou, no caso do líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, humilhações. O tarifaço global, que confundiu retaliações comerciais com punições políticas, minou a credibilidade dos EUA, e a retomada do papel de “xerife do mundo”, especialmente na América Latina e Oriente Médio, não lhe rendeu novos amigos. Mas na novilíngua trumpista, era o caminho da “Era Dourada” dos EUA.
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Fora do núcleo duro do trumpismo, as coisas não são tão douradas após 510 dias de mandato. Suas taxas de aprovação estão perto das mínimas históricas — na última terça-feira, uma pesquisa da Reuters/Ipsos lhe deu apenas 35% —, e até seus eleitores em 2024 se mostram descontentes. O governo não apresentou medidas concretas para o custo de vida, e agravou o cenário ao provocar um dos maiores choques no setor de energia da História com a guerra contra o Irã. Segundo a Associação Automobilística Americana, encher o tanque ficou, em média, 39,2% mais caro desde 28 de fevereiro.
As variações de humor, decisões intempestivas, sintomas como as manchas nas mãos e as constantes visitas ao médico levantam questões sobre a aptidão para o cargo. Em abril, 51% dos entrevistados disseram à Reuters/Ipsos que as capacidades cognitivas do presidente se deterioraram no último ano, e só 26% o veem como uma pessoa equilibrada. Na última semana, uma deputada democrata classificou os cochilos de Trump em reuniões ministeriais de “risco à segurança nacional”.
Presidente dos EUA, Donald Trump, com os olhos fechados durante reunião de Gabinete
Doug Mills/The New York Times
A cinco meses das eleições de novembro, quando a Câmara e um terço do Senado serão renovados, esse é um cenário nada animador para o Partido Republicano. As projeções mostram que há chances consideráveis dos democratas assumirem o controle de ao menos uma das Casas, tornando os dois anos finais de Trump um potencial calvário — ou, no jargão político, um presidente “pato manco”, sem muito poder de fato para governar.
Publicamente, ele não parece incomodado. Em maio, ao ser questionado se tinha pressa para chegar a um acordo com o Irã, pensando nas urnas, disse que “não liga para as eleições de meio de mandato”. Na quarta-feira, em tom jocoso, afirmou que “ama a inflação” após divulgação de uma nova alta na taxa medida pelo governo. E a retomada dos bombardeios, na terça, revelou um presidente frustrado com uma guerra que não tomou os rumos que gostaria, e da qual não sabe como sair.
— Além da frustração, há o componente da pressão: ele percebeu que o relógio correu contra ele em uma guerra que os americanos não queriam, que causou impactos econômicos severos — afirmou ao GLOBO Paulo Velasco, professor de Relações Internacionais da Uerj. — Sob pressão, ele pode tomar decisões mais radicais, e ele precisa dar uma resposta e sair da maneira mais honrosa da guerra.
Mesmo com a ojeriza da maioria dos americanos ao governo e à guerra no Golfo — 63% reprovam a forma como conduz o conflito, apontou o YouGov na terça-feira — Trump não perdeu as rédeas do Partido Republicano. Em sua campanha de vendetas pessoais, priorizou candidatos leais e escanteou veteranos que não rezam por sua cartilha. No Texas, Ken Paxton, o polêmico procurador apoiado pelo presidente, venceu as primárias para a disputa a uma vaga no Senado, derrotando o veterano John Cornyn. Thomas Massie, que votou pela liberação dos arquivos de Jeffrey Epstein, foi derrotado por um trumpista nas primárias para uma vaga na Câmara pelo Kentucky.
— É uma situação muito sui generis: um presidente que é muito popular dentro de seu partido, que usa isso para selecionar seus candidatos, mas cuja impopularidade no país tende a causar problemas para eles nas eleições — destaca Poggio. — E o caso do Texas (um estado de maioria republicana) pode ser o mais simbólico. Se os democratas levarem, seria muito relevante e ilustraria o problema dessa estratégia.
Guindastes na Casa Branca em meio a obras de salão de baile e arena de MMA
Kent NISHIMURA / AFP
Mas há algo a se considerar: até em seus piores momentos, o republicano deu demonstrações de força. A foto tirada em 2023, quando se entregou às autoridades da Geórgia em um processo sobre fraude nas eleições de 2020, viralizou dentro do movimento Maga e foi parar nas paredes da Casa Branca quando retornou ao cargo. A tentativa de homicídio em 2024 foi instrumentalizada pelo Partido Republicano, e se tornou crucial para sua vitória naquele ano.
— Ele sempre quer cantar vitória. É da personalidade dele. Por mais que as coisas estejam caóticas, ele tentará impor uma outra narrativa — explicou Velasco.
Agora, ele usa a celebração dos 250 anos da independência dos EUA para sair das cordas e aplicar algumas ideias.
— É uma oportunidade estupenda para para tentar se impor como líder, ou até para ser entrar, na marra, na lista dos grandes presidentes americanos — acrescenta Velasco. — Ele quer colher visibilidade, e isso é importante. E também tem muito da personalidade dele, da vaidade.
Ele demoliu parte da Casa Branca para construir um salão de baile, cujo valor supera os US$ 400 milhões. Perto do Memorial a Lincoln, um dos principais pontos turísticos de Washington, quer erguer um arco do triunfo de mais de 80 metros de altura, repleto de detalhes em dourado. As duas obras estão na mira da Justiça. No começo de junho, Trump cancelou shows previstos para Washington como parte dos festejos após uma série de desistências. Ao invés disso, anunciou que fará um discurso aos americanos.
Arena de MMA montada nos jardins da Casa Branca
SAUL LOEB / AFP
Neste domingo, dia do aniversário, Trump apadrinhará um evento do UFC nos jardins da Casa Branca, com uma arena para quase 5 mil pessoas. A paixão pelas lutas, o tom agressivo e as celebridades extravagantes ao seu lado evocaram um infame presidente ficcional, Dwayne Camacho, do distópico filme “Idiocracia”, um atleta de luta-livre interpretado por Terry Crews. Ao contrário de Trump, que se autointitula “um gênio muito estável”, comentaristas lembram que Camacho buscou pessoas de fora de seu círculo para resolver os problemas nacionais, e não ouviu apenas aqueles que só lhe dizem “sim, senhor”.
O sábado foi de protestos contra e a favor da imigração em Roma, com políticos de extrema direita defendendo a aprovação de uma lei para apertar a repressão contra estrangeiros e facilitar deportações. Os atos ocorrem um dia depois da entrada em vigor de um novo pacto migratório na União Europeia (UE), já alvo de críticas de organizações humanitárias.
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No ato da extrema direita, que reuniu cerca de 3 mil pessoas, o protagonista era o projeto que quer instituir o conceito da “remigração” no conjunto nacional de leis: pelo projeto, que não tem o apoio do governo da premier Giorgia Meloni ou de partidos de esquerda, as autoridades ganhariam poderes para ampliar a repressão aos imigrantes e para deportar mais rapidamente pessoas vistas como “indesejáveis”, incluindo aquelas com status legal.
— Queremos expulsar os imigrantes ilegais, expulsá-los, porque eles não deveriam estar aqui — acrescentou Luca Marsella, porta-voz do grupo neofascista Casapound, à AFP.
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Durante a marcha por ruas do centro de Roma, foram ouvidos gritos de “Duce, Duce”, apelido mais conhecido do ditador Benito Mussolini, um dos fundadores do fascismo. Em relato, o jornal Il Sole 24 Ore afirma que uma mulher fez, de sua janela, a saudação fascista, e foi recebida com aplausos pelos manifestantes. Comerciantes fecharam suas portas enquanto a multidão passava, e houve protestos de alguns transeuntes e moradores.
— Os imigrantes podem ficar se aceitarem as nossas regras de convivência; caso contrário, devem retornar aos seus países de origem — disse Susanna Rubei, dona de casa, à AFP.
Perto dali, o eurodeputado Roberto Vannacci, ex-membro da Liga (extrema direita) lançava seu novo partido, o Força Nacional, também com um discurso anti-imigração.
— Ou vocês estão conosco, os defensores da cidadania e da soberania, ou estão com Ursula von der Leyen (presidente da Comissão Europeia), Mario Draghi (ex-presidente do Conselho Europeu) e a globalização — declarou Vannacci, em um evento fechado à imprensa mas transmitido pela internet. — Na minha opinião, neste momento, ninguém deveria entrar na Itália.
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Em outra área de Roma, grupos de esquerda realizaram um ato em repúdio à ideia da “remigração”. Entre os cartazes, pedidos para a saída de Meloni do cargo e pelo fim de despejos, remoções forçadas e retomadas de posse de estrangeiros. Entre as bandeiras de sindicatos e partidos de esquerda, havia uma profusão de símbolos palestinos. Não houve relatos de confrontos entre os dois grupos de manifestantes.
Os protestos ocorreram um dia depois da entrada em vigor de um novo pacto migratório na União Europeia, que aperta as regras para a concessão de asilo, em meio a um debate crescente sobre a forma como pessoas de fora do bloco são admitidas, uma das principais bandeiras da extrema direita e que permeia o meio político em todos os países europeus. Para grupos de defesa dos direitos humanos, o plano na prática fecha as portas da UE a imigrantes que fogem de regiões em crise e que merecem ser tratados com dignidade.
Uma banhista de 35 anos ficou gravemente ferida após ser atacada por um tubarão na manhã deste sábado (13) na praia de Coogee Beach, em Sydney, na Austrália. Antes do incidente, o animal já havia sido avistado por imagens aéreas captadas por um drone, que registrou o tubarão nadando em águas rasas da baía por cerca de 25 a 30 minutos, segundo informações do site News.au e de outros veículos de imprensa locais.
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O ataque ocorreu por volta das 11h15, enquanto a mulher fazia voltas de natação próximo à faixa de areia, acompanhada de outras duas pessoas. Segundo testemunhas, um salva-vidas que estava em uma prancha correu para prestar socorro após ouvir gritos vindos da água.
— Vi as barbatanas do tubarão. A nadadora estava fazendo voltas não muito longe da praia. O salva-vidas fez um sinal de X com os braços e o alarme de tubarão foi acionado — relatou uma testemunha ao portal.
De acordo com relatos, havia muito sangue na água após o ataque. Testemunhas disseram ter ouvido alguém gritar “tubarão” momentos antes dos pedidos de socorro. Algumas estimativas apontam que o animal media até 3,5 metros de comprimento, sendo descrito como “do tamanho de um carro”.
O morador Stephen Denneny afirmou que seu drone registrou o tubarão circulando pela baía durante vários minutos antes de seguir em direção ao local do ataque. As imagens reforçam que o animal já estava próximo dos banhistas antes do ataque acontecer.
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Um salva-vidas que estava de folga também entrou na água para ajudar a vítima. Segundo relatos, o tubarão chegou a agarrar a mulher e arrastá-la antes que ela fosse resgatada. Com apoio de outros socorristas e banhistas, a nadadora foi levada até a areia, onde recebeu os primeiros atendimentos.
Um médico que estava em momento de lazer na praia ajudou a estabilizar a vítima até a chegada das equipes de emergência. Ela foi encaminhada ao Hospital St. Vincent’s em estado crítico, com ferimentos graves nos braços e nas pernas.
A polícia de Nova Gales do Sul informou que a mulher foi retirada da água por populares, que iniciaram os primeiros socorros antes da chegada dos agentes e paramédicos. Um helicóptero de resgate também foi mobilizado para o atendimento, segundo o site.
Após o ataque, todas as praias administradas pelo Conselho de Waverley foram fechadas por precaução. As autoridades orientaram nadadores e surfistas a permanecerem fora da água até novo aviso.
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Chris Pepin-Neff, especialista em políticas de proteção contra tubarões da Universidade de Sydney ouvido pelo site, afirmou que o ataque foi “muito, muito estranho” por diversos motivos.
Com base na temperatura da água relativamente fria, de 18 graus, nos recentes movimentos e avistamentos de tubarões e na natureza do ataque, Pepin-Neff disse que sua hipótese fundamentada é que o tubarão envolvido era um tubarão-branco.
Nesta praia, são instaladas redes de proteção contra tubarões em parte do verão e outono, até o fim de abril. Nos meses do meio do ano, no entanto, a praia conta com linhas de pesca com isca smart, tecnologia de monitoramento que rastreia e alerta sobre a presença de tubarões em tempo real.
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Milhares de pessoas se reuniram neste sábado em Belfast para afirmar que “o ódio é a única ameaça nas ruas” e denunciar os distúrbios anti-imigração ocorridos após um ataque com faca pelo qual um sudanês foi formalmente acusado, constatou a AFP.
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— Estou chocada, realmente chocada — declarou à AFP Hilary Hunter, de 63 anos, durante o protesto realizado em frente à prefeitura da capital norte-irlandesa e convocado pela organização Unite Against Racism.
Os acontecimentos dos últimos dias “nos fazem voltar aos tempos sombrios”, afirmou ela, referindo-se aos episódios de violência entre republicanos, em sua maioria católicos, e unionistas protestantes que marcaram a Irlanda do Norte até 1998.
Para criar conflito e divisões: grupos de extrema direita usam episódios de violência para incitar ódio contra imigrantes na internet
Na noite de terça-feira, distúrbios eclodiram em bairros predominantemente unionistas após a divulgação de um vídeo mostrando um ataque com faca contra um homem ocorrido na segunda-feira em Belfast.
Os tumultos foram seguidos por confrontos com a polícia na quarta-feira, quando manifestantes violentos, frequentemente jovens mascarados, atacaram principalmente residências de pessoas pertencentes a minorias étnicas.
Milhares se reúnem em protesto contra xenofobia a racismo em Belfast
HENRY NICHOLLS / AFP
Suspeito detido
Durante a manifestação deste sábado, aplausos e gritos de apoio foram ouvidos quando um orador prestou homenagem à vítima do ataque, Stephen Ogilvy, que perdeu um dos olhos.
A família dele, que pediu respeito à sua privacidade, informou na quarta-feira que seu estado de saúde era estável.
“Belfast é contra o racismo”, “Combatamos o racismo, construamos solidariedade” e “o ódio é a única ameaça às nossas ruas” eram algumas das mensagens exibidas em cartazes.
— Vocês são a Belfast que eu represento — declarou a prefeita, Róis-Máire Donnelly, que também afirmou ter recebido ameaças de morte.
O vereador Seamas de Faoite, do Social Democratic and Labour Party, partido nacionalista, disse estar “consternado” tanto com o ataque quanto com a violência que se seguiu.
O suspeito do ataque, Hadi Alodid, um sudanês de 30 anos, foi acusado na quarta-feira de tentativa de homicídio e compareceu perante um juiz. Ele permanecerá detido até sua próxima audiência, marcada para 8 de julho.
A Irlanda do Norte já foi palco de manifestações anti-imigração em 2024 e 2025, assim como outras regiões do Reino Unido.

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