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O Irã ameaçou nesta quinta-feira com ataques “devastadores” aos Estados Unidos e a Israel, após o presidente americano Donald Trump anunciar que pretende bombardear a república islâmica por mais duas ou três semanas até que ela “volte à Idade da Pedra”.
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Trump afirmou que os Estados Unidos estão “muito perto” de alcançar seus objetivos, mas advertiu que intensificará os ataques caso o Irã não chegue a um acordo para encerrar a guerra.
“Nas próximas duas ou três semanas, vamos levá-los de volta à Idade da Pedra, onde pertencem”, declarou Trump em discurso na Casa Branca.
A guerra começou há mais de um mês, com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, e desde então se expandiu por todo o Oriente Médio, com impactos relevantes na economia global.
Os bombardeios continuam. Nesta quinta-feira, o Ministério da Saúde iraniano informou danos significativos no Instituto Pasteur, centro de saúde estratégico em Teerã.
A república islâmica perdeu altos cargos políticos e militares nos ataques, incluindo o líder supremo Ali Khamenei, substituído por seu filho Mojtaba, mas mantém a estrutura de poder, sem registro de deserções na cúpula.
A reação iraniana ao discurso de Trump foi imediata.
“Com a confiança em Deus Todo-Poderoso, esta guerra continuará até sua humilhação, desonra, arrependimento permanente e inevitável, e rendição”, afirmou o comando militar Khatam al Anbiya em comunicado divulgado pela televisão estatal.
“Aguardem nossas ações mais devastadoras, amplas e destrutivas”, acrescentou.
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O país voltou a lançar projéteis contra Israel, que registrou quatro feridos leves na região de Tel Aviv.
A escalada obrigou moradores a buscarem abrigo, e parte da população celebrou a Páscoa judaica em bunkers.
— Esta não é minha primeira opção — disse um escritor identificado como Jeffrey, em Tel Aviv: — Mas pelo menos aqui no abrigo podemos nos sentar e esperar que passe.
Irã descarta negociação, e EUA ampliam pressão
Trump voltou a mencionar a possibilidade de um acordo para encerrar o conflito, que elevou os preços dos combustíveis e afetou sua popularidade.
O presidente afirmou considerar viável dialogar com novos dirigentes iranianos, que seriam, segundo ele, “menos radicais e muito mais razoáveis”.
O governo iraniano, no entanto, rejeitou as propostas e classificou as exigências americanas como “maximalistas e irracionais”.
“Mensagens foram recebidas por meio de intermediários, entre eles o Paquistão, mas não há negociações diretas com os Estados Unidos”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baqai, citado pela agência ISNA.
Trump advertiu que, sem acordo, Washington tem “a mira em alvos-chave, incluindo as usinas elétricas do país”.
No Líbano, o Hezbollah afirmou ter lançado drones e foguetes contra o norte de Israel. Segundo autoridades libanesas, ataques israelenses deixaram mais de 1.300 mortos desde o início da guerra com o grupo, em 2 de março.
Países do Golfo, antes vistos como áreas de relativa estabilidade, também foram afetados pela escalada do conflito.
Trump afirmou que não abandonará aliados como Israel, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein.
O estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás mundial, tornou-se ponto central da crise, com os Estados Unidos exigindo sua reabertura como condição para um cessar-fogo.
Os Guardiões da Revolução prometeram manter o estreito fechado aos “inimigos” do Irã.
O Reino Unido lidera nesta quinta-feira uma cúpula com 35 países para discutir a liberdade de navegação na região.
A China afirmou que os ataques “ilegais” contra o Irã são a “causa primária” do bloqueio e pediu cessar-fogo imediato.
O discurso de Trump não acalmou os mercados: os preços do petróleo subiram mais de 6%, tanto no Brent quanto no West Texas Intermediate.
O diretor-gerente do Banco Mundial, Paschal Donohoe, disse estar “extremamente preocupado” com os impactos do conflito sobre inflação, emprego e segurança alimentar.
O debate sobre extraterrestres e objetos voadores não identificados (óvnis) voltou ao centro da política americana após declarações recentes de figuras como Donald Trump, JD Vance e Barack Obama. As falas, que vão de interpretações religiosas a promessas de transparência governamental, ajudaram a impulsionar o tema nos Estados Unidos — tradicionalmente associado à cultura popular — para o debate institucional.
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A repercussão ocorre em meio à promessa do governo americano de divulgar documentos sigilosos sobre fenômenos aéreos não identificados (UAPs, na sigla em inglês), além do registro de sites oficiais ligados ao tema, como “alien.gov”, o que aumentou especulações e interesse público.
Vance: “Acho que são demônios”
O vice-presidente JD Vance afirmou na última semana que acredita que os óvnis não sejam extraterrestres, mas entidades espirituais.
— Acho que são demônios. Existem coisas estranhas lá fora, difíceis de explicar — disse, ao relatar estar “obcecado” em investigar o assunto e disposto a acessar arquivos sigilosos do governo.
J.D. Vance acena durante Convenção Nacional Republicana
Brendan Smialowski/AFP
A declaração, feita em um podcast, mistura crença religiosa com uma pauta de segurança nacional — abordagem incomum para autoridades de alto escalão. Vance também afirmou que pretende aprofundar investigações oficiais sobre o tema durante seu mandato.
Obama: “São reais, mas eu não os vi”
O ex-presidente Barack Obama também voltou ao assunto em fevereiro, em tom mais irônico e cauteloso.
— Eles são reais, mas eu não os vi — disse, ao comentar a possibilidade de vida extraterrestre.
O ex-presidente Barack Obama durante comício na Geórgia
AFP
Posteriormente, Obama esclareceu que não teve acesso a provas de visitas alienígenas durante seu governo, afirmando que sua fala refletia apenas a probabilidade estatística de existência de vida no universo.
Trump: promessa de revelar arquivos
Já o presidente Donald Trump anunciou que pretende tornar públicos arquivos confidenciais sobre óvnis e vida extraterrestre. A medida inclui a ordem para que agências federais identifiquem e divulguem documentos relacionados ao tema, ampliando a política de transparência.
O presidente dos EUA, Donald Trump
Nathan Howard/AFP
A iniciativa ganhou força após o registro de domínios governamentais ligados a extraterrestres e faz parte de um movimento mais amplo de abertura de informações sobre UAPs. O governo Trump também registrou, em março, os domínios “alien.gov” e “aliens.gov”, segundo revelou um rastreador automatizado de novos sites federais. Até o momento, as páginas não estão ativas nem exibem conteúdo.
Por que o tema voltou ao debate
O interesse recente tem três principais motores, segundo análises publicadas na imprensa internacional:
1. Pressão por transparência: A promessa de Trump de divulgar arquivos e a criação de canais oficiais aumentaram a expectativa pública por revelações.
2. Segurança nacional: Autoridades americanas passaram a tratar UAPs como possível ameaça, especialmente após registros de objetos não identificados próximos a bases militares e espaço aéreo sensível.
3. Popularização do tema: Pesquisas indicam que a crença em vida extraterrestre é cada vez mais comum, o que pressiona políticos a abordar o assunto abertamente.
Apesar do aumento das discussões, relatórios oficiais dos Estados Unidos continuam sem comprovar a existência de vida extraterrestre. Especialistas apontam que muitos casos de UAPs podem ter explicações como fenômenos naturais, tecnologia humana ou limitações de dados.
Com a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio, o preço do petróleo tem variado em uma tendência de alta mundial. O valor do barril no mercado internacional vem oscilando e chegou a ultrapassar os US$ 100. Com o Estreito de Ormuz fechado pelos iranianos, o preço segue pressionado. Segundo a plataforma Global Petrol Prices, Israel tem a 13ª gasolina mais cara do mundo, com um valor médio de US$ 2,303 por litro de gasolina. Vários países europeus também aparecem entre os locais onde o combustível é mais caro. Já o Irã, que foi atacado com bombardeios, tem o segundo valor mais baixo, com US$ 0,029.
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A Global Petrol Prices divulgou o levantamento nesta semana. A campeã do preço baixo é a Líbia, com uma média de US$ 0,023 por litro. Já em terceiro lugar, outro alvo dos americanos, a Venezuela tem média de US$ 0,035 por litro, e é o país com as maiores reservas de petróleo conhecidas no mundo.
Onde a gasolina está barata?
O Brasil aparece em 65º lugar, com um valor de US$ 1,273 médio por litro de gasolina, ou R$ 6,56. Cuba, que vem sofrendo com desabastecimento de petróleo, depois de o presidente Nicolás Maduro ser capturado por forças militares americanas, está quatro posições abaixo do Brasil, com US$ 1,295 para o litro de gasolina. Nos Estados Unidos, o valor médio é de US$ 1,141. A própria plataforma trata os americanos como exceção na venda do combustível, já que afirma que, de modo geral, os países mais ricos têm preços mais altos de gasolina, considerando o preço praticado na América do Norte como baixo para o nível global. O levantamento afirma que a variação de preço pode ocorrer por conta da política de impostos sobre o item que cada administração adota ou se o país é um produtor relevante de petróleo, como é o caso dos americanos.
No final da lista, vem Hong Kong, com US$ 4,106 por litro de gasolina, com preço bem mais alto do que o penúltimo lugar, que é Malawi, com US$ 2,858. Outro destaque é a China, que é impactada pelo conflito, já que é uma grande consumidora de petróleo e compra do Irã. Ela vem em 76º lugar de preço mais baixo, com US$ 1,334 por litro.
Veja abaixo parte do ranking divulgado pela Global Petrol Prices:
Líbia – US$ 0,023
Irã – US$ 0,029
Venezuela – US$ 0,035
Angola – US$ 0,327
Kuwait – US$ 0,339
Argélia – US$ 0,353
Turcomenistão – US$ 0,428
Egito – US$ 0,440
Cazaquistão – US$ 0,514
Catar – US$ 0,563
Arábia Saudita – US$ 0,621
Bahrein – US$ 0,622
Omã – US$ 0,622
Iraque – US$ 0,649
Butão – US$ 0,676
Sudão – US$ 0,7
Indonésia – US$ 0,731
Equador – US$ 0,763
Rússia – US$ 0,828
Etiópia – US$ 0,842
Síria – US$ 0,855
Tunísia – US$ 0,862
Níger – US$ 0,875
Belarus – US$ 0,888
Emirados Árabes – US$ 0,893
Guiana – US$ 0,91
Nigéria – US$ 0,916
Quirguistão – US$ 0,926
Vietnã – US$ 0,94
Paraguai – US$ 0,949
Afeganistão – US$ 0,954
Malásia – US$ 0,956
Bangladesh – US$ 0,979
Bolívia – US$ 1,008
Maldivas – US$ 1,035
Gabão – US$ 1,040
Lesoto – US$ 1,052
Taiwan – US$ 1,061
República Democrática do Congo – US$ 1,068
Uzbequistão – US$ 1,078
Índia – US$ 1,083
Libéria – US$ 1,090
Colômbia – US$ 1,093
Tanzânia – US$ 1,107
Japão – US$ 1,125
Haiti – US$ 1,128
El Salvador – US$ 1,135
Suazilândia – US$ 1,139
Estados Unidos – US$ 1,141
Trinidad e Tobago – US$ 1,142
Panamá – US$ 1,145
Paquistão – US$ 1,15
Madagascar – US$ 1,173
África do Sul – US$ 1,175
Togo – US$ 1,192
Líbano – US$ 1,209
Curaçao – US$ 1,209
Porto Rico – US$ 1,209
Benin – US$ 1,218
Nepal – US$ 1,229
Granada – US$ 1,236
Aruba – US$ 1,240
Ilhas Maurício – US$ 1,240
Honduras – US$ 1,246
Brasil – US$ 1,273
Geórgia – US$ 1,286
Namíbia – US$ 1,293
Suriname – US$ 1,293
Cuba – US$ 1,295
Santa Lúcia – US$ 1,302
Gana – US$ 1,305
Moçambique – US$ 1,307
Fiji – US$ 1,310
Jamaica – US$ 1,32
Armênia – US$ 1,326
China – US$ 1,334
Nicarágua – US$ 1,334
República Dominicana – US$ 1,341
Burundi – US$ 1,350
Cabo Verde – US$ 1,351
Ruanda – US$ 1,362
Quênia – US$ 1,363
Costa Rica – US$ 1,363
Mongólia – US$ 1,372
Coreia do Sul – US$ 1,383
Guatemala – US$ 1,402
Turquia – US$ 1,408
Canadá – US$ 1,418
Zambia – US$ 1,421
Uganda – US$ 1,422
Costa do Marfim – US$ 1,437
Seychelles – US$ 1,441
Sri Lanka – US$ 1443
Bahamas – US$ 1,465
Camarões – US$ 1,468
Burkina Faso – US$ 1,49
Chile – US$ 1,527
Argentina – US$ 1,532
Dominica – US$ 1,532
Mali – US$ 1,534
Ilhas Cayman – US$ 1,535
Camboja – US$ 1,546
Malta – US$ 1,548
México – US$ 1,55
Birmânia – US$ 1,568
Macedônia – US$ 1,575
Bósnia – US$ 1,577
Austrália – US$ 1,587
Filipinas – US$ 1,588
Peru – US$ 1,595
Tailândia – US$ 1,6
Senegal – US$ 1,613
Serra Leoa – US$ 1,626
Bulgária – US$ 1,634
Marrocos – US$ 1,647
Ucrânia – US$ 1,673
Moldávia – US$ 1,691
Jordânia – US$ 1,693
Eslováquia – US$ 1,769
Laos – US$ 1,779
Espanha – US$ 1,786
Hungria – US$ 1,789
San Marino – US$ 1,797
Montenegro – US$ 1,802
Croácia – US$ 1,808
Belize – US$ 1,809
Andorra – US$ 1,812
Islândia – US$ 1,824
Chipre – US$ 1,83
República Centro-Africana – US$ 1,835
Sérvia – US$ 1,851
Wallis e Futuna – US$ 1,853
Eslovênia – US$ 1,867
Nova Zelândia – US$ 1,879
Barbados – US$ 1,884
Uruguai – US$ 1,892
Polônia – US$ 1,917
República Checa – US$ 1,922
Reino Unido – US$ 1,968
Lituânia – US$ 1,993
Itália – US$ 2,024
Luxemburgo – US$ 2,031
Suécia – US$ 2,033
Letônia – US$ 2,04
Estônia – US$ 2,125
Romênia – US$ 2,129
Zimbábue – US$ 2,170
Áustria – US$ 2,171
Irlanda – US$ 2,178
Mônaco – US$ 2,185
Bélgica – US$ 2,207
Portugal – US$ 2,215
Mayotte – US$ 2,276
França – US$ 2,277
Israel – US$ 2,303
Suíça – US$ 2,329
Finlândia – US$ 2,334
Noruega – US$ 2,361
Grécia – US$ 2,364
Albânia – US$ 2,39
Liechtenstein – US$ 2,414
Alemanha – US$ 2,422
Singapura – US$ 2,545
Dinamarca – US$ 2,663
Holanda – US$ 2,736
Malawi – US$ 2,858
Hong Kong – US$ 4,106
As Forças Armadas de Israel disseram que seus sistemas de defesa aérea estavam respondendo a um ataque de mísseis iranianos nesta quinta-feira (2), pouco depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fazer um pronunciamento ao público americano sobre a guerra no Oriente Médio.
Em comunicado, os militares israelenses informaram que “identificaram mísseis lançados do Irã em direção ao território do Estado de Israel” pela terceira vez em pouco mais de três horas, acrescentando que “os sistemas defensivos estão em operação para interceptar a ameaça”.
Sirenes de alerta aéreo soaram em todo o norte de Israel, segundo o Comando da Frente Interna das Forças Armadas, e não houve relatos imediatos de vítimas ou danos.
Pouco mais de um mês após o início da guerra no Oriente Médio, os Estados Unidos têm obstáculos claros para enfrentar antes de encerrar a operação militar contra o Irã no Golfo Pérsico. Uma das principais preocupações americanas é liberar a passagem no Estreito de Ormuz, bloqueado desde 2 por Teerã, o que tem impactado duramente a economia global. Além deste, Trump tem outro desafio fundamental: sair do conflito com prova de vitória. E em pouco tempo.
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O Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Estudos Marítimos (PPGEM) da Escola de Guerra Naval (EGN), André Beirão, explica que um elemento essencial de um conflito dessa escala é “neutralizar o poder”.
— Muito raramente em qualquer tipo de combate você ganha só com ações à distância — diz o especialista, referindo-se à ofensiva aérea lançado por EUA e Israel. — Em algum momento você tem que deixar claro que neutralizou o poder daquele lugar e que o assumiu.
Ele destaca que a ação militar dos EUA contra o regime de Nicolás Maduro na Venezuela, executada em 3 de janeiro, é “a exceção que comprova a regra”, uma vez que “apenas uma ação pontual com meia dúzia de infiltrados” foi suficiente para atingir o objetivo.
Um ponto decisivo para o sucesso dessa neutralização foi a postura colaborativa de Delcy Rodríguez, que assumiu o governo em Caracas sem confrontar os planos de Washington, fator determinante para que uma operação com tropas terrestres no país sul-americano fosse descartada por não ser necessária.
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Editoria de Arte/O Globo
Para diversos analistas, o sucesso estratégico-militar da operação em Caracas, que resultou na captura do líder chavista sem baixas entre as tropas americanas, inflou a confiança do governo Trump de que poderia executar uma ação semelhante, com mesmo grau de êxito, em Teerã.
Mas isso não tem acontecido na prática. Mesmo após a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e de diversas outras autoridades de alto escalão, o regime teocrático segue operando. Diante dessas diferenças, Trump agora tem de enfrentar outro fator agravante para conseguir declarar que neutralizou o poder no Irã: o tempo.
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Agenda cheia
Para o professor de Geopolítica e Oceanopolítica da EGN, Leonardo Mattos, Trump tem prazo apertado para finalizar esse conflito, visto que o governo americano tem muitos compromissos agendados para 2026. O primeiro deles, o encontro bilateral com o presidente chinês, Xi Jinping — inicialmente previsto para o início de abril e adiado para meados de maio por conta da guerra — não deve ser adiado novamente, analisa Mattos.
Em junho tem início a Copa do Mundo da Fifa, sediada nos EUA, Canadá e México, que terá Nova York como palco da final, em 19 de julho. Ainda neste período, em 4 de julho, os EUA vão celebrar os 250 anos de sua independência com vários eventos importantes, inclusive militares. Poucos meses depois, o país entra em período eleitoral, com eleições legislativas — e algumas estaduais — marcadas para novembro.
Diante do calendário cheio e da falta de avanço nas negociações com o Irã, uma das opções que se apresentam é a possibilidade de uma incursão terrestre em território iraniano.
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Alternativas arriscadas na mesa
Especialistas têm destacado com ênfase que uma tomada de poder por uma ação militar terrestre em Teerã, como aconteceu no Iraque em 2003, seria quase impossível. Fatores como a geografia diferenciada do terreno, de relevo montanhoso, e a preparação intensa que o regime dos aiatolás tem executado para lidar com tal cenário diminuem substancialmente as chances de sucesso americano.
Outras opções, considerando as tropas e recursos disponíveis na região, seriam a tomada da ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo iranianas e reiteradamente ameaçada por Trump, ou a invasão de outras ilhas menores, localizadas perto do Estreito de Ormuz.
Com a baixa do USS Gerald Ford, maior porta-aviões do mundo, que teve de ser enviado para reparos após enfrentar uma série de problemas, o Pentágono enviou um terceiro porta-aviões para a região e dois grupos de assalto anfíbio. Um deles, liderado pelo navio USS Tripoli, foi deslocado do Japão. Esse movimento específico, avalia Mattos, diz muito sobre a necessidade americana a esta altura do conflito.
— Esses cerca de 2.200 fuzileiros navais a bordo desse grupo são feitos para estar de prontidão contra qualquer ação da China. Então, tirá-los do Japão e mandá-los para o Oriente Médio é um sinal de que estão precisando — ressalta.
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Somando esse reforço ao do outro grupo anfíbio, comandado pelo navio USS Boxer — deslocado desde San Diego e previsto para chegar ao Oriente Médio neste mês com mais 2.500 fuzileiros — e a 82ª Brigada, uma unidade do Exército americano especializada em ações de ataque rápido em territórios hostis, os EUA contam com cerca de 50 mil soldados na região, 10 mil a mais do que o normal.
Com a possibilidade de realizar uma invasão tradicional no território iraniano descartada, e mesmo com um contingente maior na região, os planos de tomar a ilha de Kharg ou qualquer outro terreno próximo ao estreito seriam altamente arriscados para as tropas americanas. No caso das ilhas que cercam a entrada do Golfo, como Qeshm e Kish, o risco se concentra na proximidade delas com o continente, o que deixaria os soldados muito expostos e vulneráveis a ataques iranianos.
Ilha de Kharg
Agência Espacial Europeia via AFP
A tomada da ilha de Kharg, por outro lado, garantiria uma blindagem adicional aos americanos, uma vez que Teerã não realizaria ataques descontrolados contra o local, pelo risco de destruir ou danificar a infraestrutura petrolífera da ilha.
Neste cenário, os navios americanos não entrariam no Golfo Pérsico, dada a impossibilidade de cruzar o estreito em segurança. Diante de mais esse fator limitante, Mattos explica que as tropas americanas teriam que se movimentar de helicóptero e isso também colocaria os fuzileiros em mais uma situação de vulnerabilidade.
— Se os EUA posicionarem os navios anfíbios ali no Mar da Arábia, que é mais próximo de Omã, há uma distância de cem quilômetros, mais ou menos, até o Estreito de Ormuz. Mas de lá para Kharg são de 600 a 800 quilômetros, dependendo da posição em que o navio esteja. Isso representa um tempo de voo muito grande para esses militares ficarem expostos nos helicópteros — detalha o especialista.
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Custo político elevado
A perda de vidas americanas, sem garantia de que os EUA consigam neutralizar o poder do regime iraniano, representa um dos principais riscos dessas abordagens, tendo impacto político para o presidente. Esse cenário prejudicaria consideravelmente a percepção do eleitorado dos EUA sobre o governo Trump — que foi eleito sob promessa de centrar-se nos problemas internos do país — e consequentemente sobre os aliados republicanos. A decisão de realizar ou não uma incursão terrestre no Irã, destaca Beirão, envolverá danos colaterais independente da escolha que a Casa Branca faça.
— Em minutos as pessoas verão soldado americano morrendo e criança iraniana morrendo. Isso tem um custo político. E existe também o custo político de ir até lá, usar todo o poder bélico da força que se diz superior e não conseguir neutralizar o poder — diz o professor.
Para Mattos, entre os recursos conhecidamente apresentados pelos EUA, uma ação mais segura e precisa provavelmente seria conduzida pela 82ª Brigada, partindo de bases como a da Otan na Turquia ou de complexos americanos na Arábia Saudita.
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É diante desta teia de entraves que Washington tenta tocar negociações com Teerã por meio de mensagens repassadas via autoridades paquistanesas. Segundo o especialista, esta se apresenta como uma alternativa aos revezes políticos de colocar tropas no terreno e não conseguir neutralizar o poder local, ao mesmo tempo em que exerce pressão com o reforço da presença militar na região. Beirão ressalta que o histórico de decisões do presidente americano demonstra que “Trump não costuma blefar”.
— No instante em que ele já fez a opção de atacar o Irã eu acho pouco provável que ele recue diante de um eventual dano colateral de colocar tropas em terreno. Eu acho que ele prefere arcar com esse custo, que é alto, mas continuar garantindo a credibilidade de, que quando ele ameaça, ele vai até o fim até conseguir — pontua.
Na segunda-feira, Trump disse ao Financial Times que as forças americanas atingiram 13 mil alvos no Irã desde o começo da guerra, e ainda têm 3 mil em vista para atacar. As forças israelenses anunciaram que destruíram mais de 80% dos sistemas de defesa aérea do Irã, e o premier israelense, Benjamin Netanyahu declarou em entrevista que Israel já alcançou “mais da metade de seus objetivos” no conflito. Apesar das declarações, Beirão chama a atenção para o grau de mobilização das forças terrestres iranianas, outro ponto central desta dinâmica.
— A capacidade de defesa terrestre num país tão mobilizado para o combate corpo a corpo ainda não foi testada. E ao colocar tropas no terreno, Trump vai lidar com um ser humano que teve suas capacidades muito pouco afetadas até agora no tipo de combate que foi feito — frisa o especialista. — O combate vai ser muito mais intenso, muito mais de igual para igual. Ainda que a superioridade tecnológica americana apareça até no combate de terra, 100 formigas comem um rato, por maior que ele seja.
Mais de um mês depois de lançar, ao lado de Israel, a guerra contra o Irã, o presidente dos EUA, Donald Trump, se vê sem respaldo ao exigir o apoio dos países da Otan, a principal aliança militar do Ocidente, nos bombardeios contra Teerã e em uma força-tarefa para reabrir o Estreito de Ormuz. Em uma série de queixas públicas, chamou seus aliados de “covardes”, os mandou “buscarem o próprio petróleo” e, reciclando uma velha ameaça, disse que considera sair da organização, liderada pelos próprios EUA.
— Nunca me deixei influenciar pela Otan. Sempre soube que eles eram um tigre de papel, e [o presidente da Rússia, Vladimir] Putin também sabe disso — afirmou Trump, em entrevista ao jornal britânico The Telegraph, publicada nesta quarta-feira.
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Apesar de poucos países criticarem abertamente a ofensiva no Oriente Médio — a Espanha foi uma rara exceção — e de todos atacarem as retaliações iranianas, ninguém se voluntariou para bombardear Teerã. Nações como a Itália negaram o acesso de aeronaves envolvidas na “Operação Fúria Épica” às suas bases, e a proposta de uma força-tarefa naval para Ormuz, como quer Trump, segue no campo das ideias. Revoltado, o republicano disse, na terça-feira, que os britânicos “deveriam buscar o próprio petróleo” no Golfo Pérsico.
— Eles não foram nossos amigos quando precisamos deles — disse Trump, em entrevista à agência Reuters, nesta quarta-feira. — Nunca pedimos muito a eles, é uma via de mão única.
Sede da Otan em Bruxelas
Simon Wohlfahrt / AFP
O desdém de Trump à Otan não é novo. Em 2018, em seu primeiro mandato, dizia não ver mais sentido na organização, e se queixava do que considerava ser um desequilíbrio nos gastos militares, no qual os EUA seriam os maiores prejudicados. Na ocasião, membros do governo o demoveram da ideia.
“Os países da Otan devem pagar MAIS, os Estados Unidos devem pagar MENOS. Muito injusto!”, escreveu Trump em 2018 na rede social X, então Twitter, chamando seus aliados de “inadimplentes” e a aliança de “obsoleta”.
Medida ‘temporária’: Otan afirma que sua missão no Iraque foi transferida para a Europa enquanto a guerra com o Irã se intensifica
Em seu retorno à Casa Branca, em 2025, mencionou os bilhões gastos pelos EUA para apoiar a Ucrânia contra a Rússia como pretexto para exigir maiores compromissos financeiros. Empoderado pela vitória nas urnas e diante de uma Europa fragilizada, obteve o compromisso quase unânime dos membros de elevar de 2% para 5% do PIB os investimentos em Defesa. Em uma reunião de cúpula, no ano passado, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, defensor do republicano, o chamou de “papai”. Trump não se incomodou.
— [Rutte] gosta de mim. Acho que ele gosta de mim. Se não gostar, eu te aviso. Volto e bato nele com força, tá bom? Ele disse isso de um jeito bem carinhoso: “Papai, você é meu papai” — afirmou o republicano em entrevista coletiva, ao ser perguntado se considerava os demais países da aliança como seus filhos.
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Mas ao contrário da ameaça de saída de 2018, baseada no dinheiro, hoje o republicano parece guiado pela visão de que está sendo injustiçado. Ele com frequência cita o apoio dado à Ucrânia (que sofreu mudanças desde sua posse), a presença americana em solo europeu, incluindo os mísseis nucleares no continente, e os investimentos militares na região. Em janeiro, em meio às ameaças de anexar a Groenlândia, disse que “fez mais pela Otan do que qualquer outra pessoa desde a sua fundação, e a Otan deveria fazer algo pelos Estados Unidos”. A guerra contra o Irã, quando seus apelos por apoio militar não foram atendidos, foi uma nova gota d’água.
— Se a Otan se resume a defendermos a Europa de ataques, mas eles nos negam o direito de usar nossas bases quando precisamos delas, então não é um bom acordo — afirmou, em entrevista à rede al-Jazeera, o secretário de Estado, Marco Rubio. — Tudo isso terá que ser reexaminado.
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Nos seus dois caóticos mandatos, Trump retirou os EUA de acordos cruciais — como o JCPOA, que estabelecia regras para o programa nuclear iraniano —, organizações internacionais — como a Organização Mundial da Saúde (OMS) — e promoveu mudanças controversas na máquina federal, especialmente ligadas à educação e a programas de ajuda externa. Mas afastar os EUA de uma organização criada na Guerra Fria e que é principal pilar defensivo da Europa e América do Norte é mais complexo e certamente envolverá batalhas políticas e judiciais.
Em julho de 2023, o senador democrata Tim Kaine e o então senador republicano Marco Rubio apresentaram um projeto exigindo que uma decisão presidencial de deixar a aliança fosse respaldada por dois terços do Senado, ou por um ato do Congresso, para ser válida. O texto está em vigor desde 2024, mas analistas afirmam que Trump pode passar por cima do Legislativo, alegando ter a palavra final sobre política externa.
— Não se trata de uma questão simples, o Congresso está dizendo que eles não podem fazer isso, e se ignorarem o Congresso, terão que enfrentar os tribunais — afirmou ao portal Politico, em novembro de 2024, Scott Anderson, pesquisador do centro de estudo Brookings, acrescentando que, em sua opinião, a legislação tem algumas brechas. — Mas é um terreno jurídico muito controverso e não está 100% claro.
Congresso dos EUA, em Washington
Kevin Dietsch/Getty Images/AFP
Jamais o Congresso acionou a Justiça para contestar a decisão de um presidente de abandonar uma organização internacional ou um tratado, e não está claro como isso aconteceria.
— Para que a questão seja levada à Justiça, seria necessário que alguém tivesse legitimidade para processar — disse o professor Curtis Bradley, da Faculdade de Direito da Universidade de Chicago, ao Politico — A única parte que consigo imaginar que teria legitimidade seria o próprio Congresso, mas não está claro se os republicanos apoiariam tal ação.
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Mesmo que consiga o apoio do Legislativo ou dos tribunais, o processo não é imediato. Pelo Artigo 13 do Tratado do Atlântico Norte, que rege a organização, o interessado em deixar a aliança deve enviar uma comunicação legal aos Estados Unidos — Estado depositário do acordo — e esperar um ano até a confirmação. Mesmo que não se concretize, a insistência do presidente é um sinal de que o modelo de compromisso mútuo de defesa, cravado no Artigo 5, já não é mais o mesmo.
— O presidente dos Estados Unidos não pode se retirar da Otan. Dito isso, o presidente pode envenenar a aliança. O presidente pode torná-la funcionalmente inoperante se quiser — disse à rede ABC o senador republicano Thom Tillis, em fevereiro. — Seria difícil encontrar um motivo, porque isso acarreta um risco enorme. Vidas americanas foram salvas pela aliança da Otan, e muitas vidas americanas serão perdidas sem ela.
Em um pronunciamento na noite de quarta-feira, o primeiro desde o início da guerra contra o Irã, o presidente dos EUA, Donald Trump, esperava vender aos americanos a sua lógica para o conflito, e talvez aumentar seus níveis de aprovação, afetados pela alta dos preços dos combustíveis e pela pouca disposição do país para uma nova aventura militar. O resultado não poderia ser pior: o republicano reciclou argumentos, deu prazos estimados para o fim dos bombardeios e falou em vitórias no campo de batalha, sem explicar a motivação da guerra, tampouco o que espera dela.
— Nossas Forças Armadas obtiveram vitórias rápidas, decisivas e esmagadoras no campo de batalha […] Nunca na história da guerra um inimigo sofreu perdas tão claras e devastadoras em larga escala em questão de semanas — declarou. — Vamos atacá-los com extrema força nas próximas duas ou três semanas.
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Desde o início da “Operação Fúria Épica” Trump aposta em declarações hiperbólicas, sem muitos detalhes e na maior parte dos casos divulgadas em suas redes sociais, indo na contramão da comunicação de lideranças em tempos de guerra. Não raro, suas falas (e a de seus subordinados) soam como propaganda e nem sempre dialogam com a realidade
Alegações de que o regime em Teerã estaria devastado após a morte de lideranças, como o aiatolá Ali Khamenei, deparam-se com um sistema abalado, mas ainda funcional. Os anúncios, por vezes em letras garrafais, de que o país não tem mais a mesma capacidade de lançar mísseis são confrontados por ataques violentos contra as monarquias do Golfo e Israel (parceiro nos bombardeios ao Irã). As declarações de que venceu a guerra se assemelham ao discurso do presidente George W. Bush do dia 1º de maio de 2003, quando afirmou que a missão no Iraque “estava cumprida”. O conflito se estendeu até 2011, deixando centenas de milhares de mortos e uma nação à beira do colapso.
Presidente dos EUA, George W. Bush, anuncia o fim das operações militares de grande porte no Iraque, em maio de 2003
Stephen JAFFE/AFP
Não se sabe exatamente os argumentos que convenceram o presidente a optar pela guerra. Talvez sejam conhecidos em alguns anos, quando seus ex-funcionários firmarem acordos milionários para livros sobre os bastidores do governo. Mas os impactos da “Operação Fúria Épica” são difíceis de esconder. O apoio dos americanos é baixo: na última pesquisa Ipsos/Reuters, de 27 a 29/3, só 35% queriam a guerra, e mesmo entre os republicanos, os índices caíram para 74%. No Congresso, a base governista promete retaliar caso ele decida por uma invasão terrestre (o que parece iminente). Nos postos de gasolina, as bombas foram reajustadas algumas vezes, elevando a inflação a poucos meses de uma eleição que tem no custo de vida um tema central.
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A doutrina maximalista não é seguida só por Trump. O Pentágono, comandado pelo ex-apresentador da Fox News Pete Hegseth, aposta em falas confusas, ameaças aos críticos e em um ideário religioso. Na Casa Branca, a porta-voz de Trump, Karoline Leavitt, não economiza nos adjetivos pomposos ao chefe. Não raro, evoca em alguns jornalistas veteranos a lembrança de outro notório porta-voz, Mohammad Said al-Sahhaf, representante do regime de Saddam Hussein no Iraque, que repetia frases que só encontravam respaldo dentro dos muros de Bagdá.
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O mito dos 90%
No dia 5 de março, o chefe do Comando Central dos EUA, Brad Cooper, afirmou que o número de ataques com mísseis iranianos caíra 90% desde o início da guerra, e que o de drones fora 83% menor. A contagem foi repetida por Trump no dia 13 de março e acompanhada por outra fala recorrente: a de que a ofensiva “avançava mais rapidamente do que o previsto”. No dia 19 de março, 14 dias depois da primeira estimativa, Hegseth citou, mais uma vez, os 90%, e Trump escreveu na rede Truth Social que “o Irã foi, essencialmente, dizimado”. Embora reflita a escala dos danos à capacidade ofensiva do Irã, a estatística esconde uma mudança de estratégia em Teerã. Em vez de ataques com centenas de projéteis de uma só vez, os militares passaram a escolher melhor seus alvos, com mísseis menos numerosos, mas com maior poder de destruição. Segundo a agência Reuters, os EUA só conseguem confirmar a destruição de um terço do arsenal balístico iraniano, citando fontes da Inteligência local. Nas recentes declarações à imprensa, o percentual de 90% não foi atualizado.
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‘Nós temos estoques ilimitados’
No quarto dia da guerra, em 3 de março, Trump disse que o Irã estava ficando sem lançadores de mísseis, citando o Pentágono, e declarou que os Estados Unidos “têm estoques ilimitados”. Quase um mês depois, analistas apontam para uma redução crítica nos arsenais de bombas de precisão e, especialmente, mísseis de interceptação, usados em sistemas antiaéreos. Os Patriots, usados por aliados na região, foram empregados à exaustão, e a escassa disponibilidade global pode afetar outras guerras, como na Ucrânia, onde Kiev depende do sistema. Há duas semanas, a Casa Branca pediu ao Congresso mais US$ 200 bilhões em verbas para o setor militar, especialmente para recuperar os estoques de munições, mísseis e bombas.
‘Essa guerra já foi vencida’
No dia 11 de março, em um comício no Kentucky, Trump cantou vitória pela primeira vez: “Deixem-me dizer, nós vencemos”. Em 20 de março, afirmou nos jardins da Casa Branca que “acha que vencemos”. Quatro dias depois, quando declarou que o Irã “foi varrido militarmente”, voltou a dizer que “essa guerra foi vencida”. Hoje, nenhum dos lados envolvidos — Irã, Israel e, especialmente, EUA — considera que o conflito está encerrado, ainda em meio a bombardeios, retaliações e do fechamento do Estreito de Ormuz, que estrangulou a oferta global de petróleo e gás. O presidente americano não ofereceu um caminho claro para o cessar-fogo e deu sinais de que poderá aprovar uma ofensiva terrestre. Ao mesmo tempo, tenta obter um acordo com Teerã (o que não deve ser simples) e se mostra inquieto com a extensão das hostilidades e seus impactos dentro dos EUA.
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Editoria de Arte/O Globo
‘COVARDES, e nós nos LEMBRAREMOS!’
Se Trump não conseguiu apoio para a guerra em casa, a adesão foi ainda menor entre os aliados da Otan, a principal aliança militar do Ocidente. Ninguém atendeu aos apelos para se juntar aos bombardeios ou à coalizão para liberar Ormuz, que estava aberto antes da “Operação Fúria Épica”. Alguns dizem que a guerra é ilegal e negaram às forças americanas o acesso às suas bases. Se os arroubos trumpistas, como o do dia 20 de março, quando chamou seus aliados de “covardes”, refletem sua conhecida aversão à Otan, a resistência europeia (e de outras nações) demonstra a fragilidade dos argumentos dos EUA e faz com que alguns repensem as próprias políticas de Defesa.
‘Eles estão implorando por um acordo’
Dias antes da guerra, Trump esteve perto de obter um acordo do Irã com concessões ainda mais amplas do que o plano de 2015, rasgado por ele tem 2018. Depois das bombas, o republicano insiste em uma plano maximalista, de 15 pontos, já rejeitado pelos iranianos. No dia 26 de março, sem dar detalhes, disse que Teerã estava “implorando por um acordo” e que as conversas estavam bem encaminhadas, mesmo que de forma indireta. Além de adiar um ultimato para que Ormuz fosse reaberto, sob ameaça de ataques contra instalações de energia, ele declarou que a permissão para que dez navios paquistaneses cruzassem o estreito era “um presente a Washington”, quando na verdade foi uma concessão a Islamabad, que atua como mediador.
O presidente dos EUA, Donald Trump: em busca de saída para guerra contra o Irã
Nathan Howard/AFP
‘Nós já conseguimos a mudança do regime’
Derrubar a República Islâmica era uma das metas de Trump, mas a falta de sinais de que o governo rival está prestes a ruir fez com que redefinisse a expressão “mudança de regime”. Ao contrário de uma quebra brusca, como a queda de Saddam Hussein no Iraque, em 2003, ou do xá Reza Pahlevi no Irã, em 1979, o republicano declarou no domingo que, uma vez que as principais lideranças foram eliminadas, ele considera que há um novo regime em Teerã. Na terça-feira, Hegseth usou o mesmo conceito em entrevista coletiva. Apesar das mortes na cúpula do poder, os principais cargos estão ocupados por nomes leais à cartilha da Revolução Islâmica, inclusive o de líder supremo — à Fox News, no dia 27 de março, Trump disse ter sido informado pela inteligência americana que Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, é homossexual, sem dizer como isso influencia na estratégia de guerra.
‘O Irã acaba de pedir um CESSAR-FOGO’
Horas antes do pronunciamento na TV, Trump foi às redes sociais dizer que “o novo presidente do regime iraniano, menos radicalizado e mais inteligentes do que seus antecessores”, havia pedido aos EUA um cessar-fogo. O republicano acrescentou que só aceitaria a proposta caso Ormuz fosse reaberto — caso contrário, seguiria bombardeando o Irã “até que voltem à Idade da Pedra”. As declarações foram prontamente rejeitadas pelos iranianos, e não se sabe exatamente de quem Trump estava falando. O atual presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, no poder desde 2024, não mencionou a demanda em uma publicação na rede social X, mas perguntou se “os interesses do povo americano estão sendo verdadeiramente atendidos por esta guerra”.
‘Estamos fazendo isso em nome no mundo livre’
Na terça-feira, Hegseth disse que uma das melhores formas de obter um acordo era atingir repetidamente quem está do outro lado da mesa, e que os EUA atacaram o Irã “em nome do mundo livre”, reciclando um conceito dos tempos da Guerra Fria. Tal como Trump, queixou-se que nenhum governo o parabenizou pelo conflito que lançou todo o planeta em uma crise energética, acrescentando que, “quando pedimos ajuda adicional recebemos perguntas, encontramos obstáculos ou hesitações”. Os lamentos não mudaram opiniões entre aliados.
O presidente dos EUA, Donald Trump, faz em instantes seu primeiro pronunciamento na TV desde o início da guerra contra o Irã, no dia 28 de fevereiro, no momento em que a Casa Branca alterna ameaças de “obliteração” com mensagens positivas sobre negociações de um cessar-fogo. De acordo com a imprensa americana, citando fontes do governo, o presidente deve reiterar que o conflito vai acabar em até três semanas (como sinalizou nos últimos dias), criticar a Otan, a principal aliança militar do Ocidente, e fazer alguns autoelogios.
— Hoje (quarta-feira) à noite, farei um pequeno discurso às nove horas, e basicamente direi a todos o quão ótimo eu sou, o ótimo trabalho que fiz, o trabalho fenomenal que fiz — disse Trump durante um almoço na Casa Branca. — Mas falando sério, se vocês não tivessem a mim, se tivessem um presidente diferente, vocês não teriam Israel.
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Uma marca da “Operação Fúria Épica” é a confusão sobre o que exatamente quer Donald Trump com uma guerra que incendiou o Oriente Médio e envolveu direta e indiretamente todo o mundo.
Em público, Trump insiste que há negociações em curso com os iranianos, e chegou a dizer que “a nova presidência do regime” havia pedido um cessar-fogo, sem dizer exatamente a quem se referia, condicionando o fim dos bombardeios à reabertura do Estreito de Ormuz, fechado desde o começo do mês passado — hoje, há cerca de 400 navios aguardando para fazer a travessia. O Irã nega que haja conversas diretas e diz que não fez qualquer comunicação sobre a suspensão dos combates. Segundo fontes ouvidas pela rede CNN, o vice-presidente, JD Vance, relatou aos países que servem como intermediários entre Teerã e Washington que Trump está “impaciente” por um acordo .
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Em uma carta ao povo americano, publicada nesta quarta-feira, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, perguntou se os seus interesses estavam sendo atendidos com a ofensiva de Trump, citando os ataques a hospitais, escolas e infraestruturas vitais e as ameaças do presidente dos EUA.
“Além de constituírem um crime de guerra, tais ações acarretam consequências que se estendem muito além das fronteiras do Irã”, afirmou Pezeshkian. “Elas geram instabilidade, aumentam os custos humanos e econômicos e perpetuam ciclos de tensão, semeando ressentimentos que perdurarão por anos. Isso não é uma demonstração de força; é um sinal de perplexidade estratégica e de incapacidade de alcançar uma solução sustentável.”
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Na terça-feira, a China, maior compradora de petróleo do Golfo Pérsico, e o Paquistão, principal mediador entre os beligerantes, lançaram uma proposta de cessar-fogo de cinco pontos, a começar pela suspensão imediata das hostilidades e medidas para que o conflito não se espalhe ainda mais. Além do Golfo, Israel abriu uma frente de batalha no Líbano, centrada no grupo Hezbollah, mas que se encaminha para uma ocupação de parte do território do país árabe.
A proposta estabelece o início de negociações de paz assim que possível, focadas na “soberania, integridade territorial, independência nacional e segurança” do Irã e dos países da região; a proteção a alvos não militares; a garantia de segurança às vias de transporte naval, especialmente o Estreito de Ormuz;. e a primazia da Carta das Nações Unidas.
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Em outra frente, Trump voltou a ameaçar deixar a Otan, diante da recusa dos demais membros em se juntarem à guerra contra o Irã e a uma força-tarefa naval para desbloquear Ormuz. Nesta quarta-feira, ele chamou a organização de “tigre de papel”, e seu secretário de Estado, Marco Rubio, dissera na véspera que a relação com a aliança seria reavaliada após o fim do conflito.
— Tivemos alguns aliados muito bons por lá. Tivemos alguns aliados muito ruins na Otan. Fizemos alguns pedidos, e você sabe, gastamos trilhões de dólares na Otan… para ser honesto, eu estava perguntando porque queria ver o que eles fariam — disse Trump no almoço na Casa Branca.
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Na segunda-feira, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, vai a Washington conversar com Trump, mas poucos acreditam que a maior potência militar do planeta buscará a porta de saída. O Congresso afirma que tal decisão depende do apoio da maioria absoluta do Senado, o que é improvável hoje, e se o presidente decidir seguir em frente, uma batalha judicial inédita no país estaria prestes a começar. Ao ser ouvido pela rede CNN, um diplomata europeu citou ameaças anteriores, mencionando o filme “Feitiço do Tempo”, quando o personagem de Bill Murray vive o mesmo dia indefinidamente.
Um forte terremoto de magnitude 7,4 atingiu o leste da Indonésia na quinta-feira (ainda noite de quarta-fira no Brasil), informou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), com um centro de monitoramento americano emitindo um alerta de possíveis “ondas de tsunami perigosas” em um raio de 1.000 quilômetros (621 milhas) do epicentro.
O terremoto, inicialmente registrado com magnitude 7,8, ocorreu às 6h48 (horário local, 22h48 GMT) no Mar das Molucas, informou o USGS.
O Centro de Alerta de Tsunamis do Pacífico, com sede no Havaí, afirmou que ondas de tsunami perigosas eram possíveis “em um raio de 1.000 km do epicentro” ao longo das costas da Indonésia, Filipinas e Malásia.
A Nasa lançou nesta quarta-feira a missão Artemis II, enviando a primeira tripulação em direção à Lua num intervalo de mais de cinco décadas. A espaçonave Orion deve realizar um sobrevoo ao redor do satélite natural da Terra, com quatro tripulantes, em uma missão de cerca de dez dias.
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Sob a espaçonave, chamas intensas marcaram a decolagem, acompanhadas por um estrondo potente enquanto o foguete ganhava o céu, deixando um rastro de fumaça para trás. No local, o público reagiu com aplausos e comemorações à medida que a nave subia rapidamente.
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O lançamento ocorreu após o abastecimento do foguete com hidrogênio e oxigênio líquidos, elevando o peso total do conjunto a mais de 2.600 toneladas. Na última hora antes da decolagem, a Nasa precisou lidar com dois problemas técnicos: um na bateria do sistema de aborto de lançamento e outro em um mecanismo de segurança a bordo, ambos resolvidos a tempo.
Os tripulantes não vão, desta vez, pousar na Lua, mas a viagem é uma etapa de preparação para finalmente astronautas botarem os pés em solo lunar de novo, em missões subsequentes. O GLOBO preparou uma animação interativa mostrando como será a viagem, que pode ser um feito histórico.
Confira abaixo:
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Se tiver sucesso, a Artemis II pode não apenas reaproximar o programa espacial dos EUA do feito que mais lhe deu notoriedade, mas também fazer frente ao avanço do programa espacial da China, que promete tentar um pouso tripulado na Lua em 2030. A Artemis II vai fazer essencialmente o que a missão Apollo VIII da Nasa fez em 1968, dando a volta na Lua e voltando em uma trajetória de “retorno livre”, auxiliada pela própria gravidade lunar.
Como a trajetória planejada prevê uma passagem em grande altitude em torno do satélite natural da Terra, diferentemente do que era feito no programa Apollo, há uma chance de que esta seja a viagem tripulada mais distante da história. A tecnologia usada será a de veículos espaciais em diferentes estágios, com um se desacoplando após o outro, de modo muito similar ao que se fazia nas missões Apollo, mas com tecnologia aprimorada.
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A Orion foi lançada a bordo do foguete Space Launch System (um conjunto que possui 98 metros de altura), que se desprende por total em órbita. No espaço, os astronautas devem fazer testes de manobrabilidade da espaçonave, validar seus sistemas de suporte à vida e realizar ainda alguns experimentos científicos que lhes foram encomendados.
Clique no menu da animação acima para entender quem são os integrantes da tripulação, como é montado o veículo que os levará à Lua e qual será sua trajetória.

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