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Estados Unidos e Irã se preparam para iniciar conversas em Islamabad neste fim de semana, mas três questões centrais do acordo de cessar-fogo ameaçam dificultar o avanço das negociações: o controle do Estreito de Ormuz, o alívio de sanções e o programa de enriquecimento de urânio. A delegação americana será liderada pelo vice-presidente JD Vance, que se reunirá com autoridades iranianas ao lado de Steve Witkoff e Jared Kushner. Pelo lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o chanceler Abbas Araghchi participarão das negociações. Ambos os países terão como desafio fechar acordos limitados em um prazo de duas semanas, estabelecido pela trégua intermediada pelo Paquistão na terça-feira. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Ali Slim tem 26 anos e ainda está no início da carreira que sempre sonhou construir dentro da medicina de emergência. Karim Massoud, 40, é um artista plástico e marchand em ascensão, habituado a circular entre obras, colecionadores e projetos culturais. Em outro tempo, os dois estariam vivendo fases de consolidação profissional — um no auge da formação médica, o outro no auge criativo. Mas, no Líbano de agora, ambos atravessam dias em que sonhos precisam caber entre sirenes, apagões e o som contínuo de explosões. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Waldemir Barreto/Agência Senado
Presidente do Congresso, Davi Alcolumbre

O presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre, convocou para 30 de abril sessão do Congresso Nacional para análise do veto integral (VET 3/26) ao projeto da dosimetria (PL 2162/23), que trata da redução das penas dos condenados por envolvimento nos atos do 8 de janeiro de 2023 em Brasília.

Na quarta-feira (8), Alcolumbre já havia esclarecido que essa é uma prerrogativa do presidente do Congresso.

“Eu vou exercer essa prerrogativa conferida pela Constituição. O meu desejo é o mais rápido possível nós fazermos uma sessão do Congresso Nacional para deliberarmos um assunto relevantíssimo e que carece da deliberação do Congresso, que é o veto ao projeto de lei da dosimetria”, disse.

Lançada na quarta-feira, 1° de abril, a missão Artemis II fez a maior aproximação do satélite em pouco mais de cinco décadas. Durante o sobrevoo, os quatro astronautas a bordo da espaçonave Orion registraram imagens detalhadas da Lua e testemunharam fenômenos raros, como um eclipse solar visível apenas do espaço.
A previsão é que a tripulação retorne à Terra nesta sexta-feira, dia 10. O GLOBO convida os leitores a responderem: o que consideram mais marcante nessa viagem de retomada da exploração lunar?
As respostas serão selecionadas e publicadas pela Redação.
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Uma cerimônia fúnebre no estado de Veracruz, no México, terminou em confusão após duas mulheres descobrirem, durante o velório, que mantinham relacionamento com o mesmo homem. O episódio foi registrado em vídeo e ganhou repercussão nas redes sociais.
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Segundo relatos da imprensa internacional, o confronto começou quando uma das mulheres se aproximou do caixão e fez uma despedida emocional, o que despertou a desconfiança da outra presente na cerimônia.
A situação escalou rapidamente quando, ao ser questionada, a mulher confirmou que também tinha um envolvimento amoroso com o falecido. A partir daí, a discussão evoluiu para agressões físicas em cima do caixão, diante de familiares e amigos.
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Imagens mostram as duas trocando empurrões e se agarrando sobre o caixão, chegando a deslocar parcialmente a tampa durante a briga. Em meio ao tumulto, uma delas chegou a pegar um arranjo de flores, intensificando o confronto.
Pessoas que participavam do velório intervieram para separar as envolvidas, enquanto outros presentes reagiam com surpresa à cena.
O vídeo do episódio se espalhou rapidamente nas redes sociais, acumulando milhares de visualizações e comentários. Entre as reações, usuários alternaram entre humor e críticas à situação, considerada inusitada e constrangedora para o momento de despedida.
Soldados ucranianos utilizaram um drone para resgatar um gato e um cachorro presos na linha de frente da guerra na Ucrânia, em uma operação incomum que combinou logística militar e proteção animal. Os bichos de estimação foram transportados por cerca de 7,5 a 12 quilômetros até uma área segura, segundo relatos divulgados nesta semana.
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A missão foi realizada por integrantes da 14ª Brigada Mecanizada da Ucrânia, que aproveitaram o retorno de um drone usado para entrega de suprimentos para retirar os animais da zona de combate.
De acordo com a organização de proteção animal UAnimals, o gato pertencia a um soldado que foi ferido e precisou ser hospitalizado. Sem o tutor, colegas decidiram resgatá-lo — e incluíram também um cachorro que estava na mesma posição militar.
Imagens divulgadas mostram os dois animais sendo transportados em sacos presos ao drone e, posteriormente, já em segurança, recebendo cuidados de militares. Veja:
Soldados usam drone para resgatar gato e cachorro na linha de frente da guerra na Ucrânia
A operação ocorreu em meio ao avanço de tropas russas em áreas do leste ucraniano, onde posições militares estão sob constante risco de ataque.
O episódio ilustra o papel crescente dos drones no conflito, que vão além de funções ofensivas e de reconhecimento. As aeronaves não tripuladas têm sido amplamente utilizadas para transporte de suprimentos, evacuação e outras tarefas logísticas, reduzindo a exposição de soldados ao perigo.
Apesar do contexto de guerra, ações como essa têm sido destacadas por organizações e voluntários como exemplos de empatia em meio ao conflito, que já dura mais de quatro anos e afeta também milhares de animais abandonados em zonas de combate.

O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), marcou para 30 de abril sessão do Congresso Nacional para analisar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Projeto de Lei da Dosimetria, que prevê redução de penas a condenados por atos antidemocráticos.

Alcolumbre divulgou a informação nesta quinta-feira (9), por meio de nota.

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“Está convocada sessão do Congresso Nacional para o dia 30 de abril, com um único item na pauta: o veto nº 3 de 2023, referente ao chamado PL da Dosimetria.”

O Projeto de Lei (PL) 2162/2023 foi vetado integralmente por Lula no começo de janeiro. O anúncio foi feito durante ato, no Palácio do Planalto, que marcou os três anos dos ataques perpetrados por manifestantes apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro que, inconformados com o resultado das eleições, invadiram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF).

“Todos eles tiveram amplo direito de defesa, foram julgados com transparência e imparcialidade. E, ao final do julgamento, condenados com base em provas robustas, e não com ilegalidades em série, meras convicções ou [apresentações de] Powerpoint fajutas”, disse Lula.

Aprovado em dezembro, o texto determina que os crimes de tentativa contra o Estado Democrático de Direito e de golpe de Estado, quando praticados no mesmo contexto, implicarão no uso da pena mais grave em vez da soma de ambas as penas.

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O foco do projeto é uma mudança no cálculo das penas, bem como a forma geral de cálculo das penas, reduzindo também o tempo para progressão do regime de prisão fechado para semiaberto ou aberto.

Além de Bolsonaro, tais mudanças poderão beneficiar réus como os militares Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil; e Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

O projeto de lei também reduziria o tempo de progressão de pena para alguns criminosos comuns, segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil.
 

A sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, para vaga de ministro no Supremo Tribunal Federal (STF), será no dia 29 de abril. 

A informação foi repassada nesta quinta-feira (9) pelo relator do processo de indicação de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no Senado, Weverton Rocha (PDT-MA).

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Segundo o relator, a previsão é que a sabatina ocorra pela manhã e que, no mesmo dia, o plenário do Senado vote a indicação de Messias à vaga no STF.

Em entrevista coletiva no Senado, após ter a indicação de relator oficializada, o senador afirmou que a apresentação do relatório no colegiado ocorrerá na próxima quarta-feira (15). 

“Vou ler o relatório na próxima semana e ficou combinado que a sabatina será dia 29 pela manhã, seguindo o mesmo rito: terminada a sabatina, traremos para o plenário para a análise dos senadores e senadoras o que ficou decidido na CCJ.”

Rito

O senador disse que as datas para apresentação do relatório e da sabatina foram definidas após conversas do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) com o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA).

Para tomar posse como ministro do STF, Messias precisará passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) e ter o nome aprovado em votação tanto no colegiado quanto no plenário da Casa.

Para ter seu nome aprovado, ele precisa de pelos menos 41 votos dos senadores em plenário.

Indicação

Na semana passada, a Presidência da República entregou a documentação de Jorge Messias, formalizando sua indicação à vaga de ministro do STF.

A escolha do indicado é uma prerrogativa constitucional exclusiva do presidente da República. A documentação era aguardada para dar sequência ao processo de análise do nome do advogado. A indicação oficial ocorre pouco mais de quatro meses após o anúncio do nome pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 20 de novembro do ano passado. 

O senador disse ainda que vai conversar ainda hoje com Messias para tratar do relatório e da sabatina. O parlamentar adiantou que seu relatório será favorável à aprovação de Messias.

Na avaliação do relator, o advogado-geral da União preenche todos os requisitos para o cargo, a exemplo do notável saber jurídico e da reputação ilibada. Ele disse ainda acreditar que o ambiente para a aprovação do nome de Messias é favorável.

“Já se passaram quatro meses [desde a indicação] e de lá para cá ele dialogou, fez visitas a diversos senadores e tem aberto mais portas. Arrisco dizer que ele já está mais ou menos com o caminho construído para ser aprovado no plenário do Senado Federal.”

Messias foi indicado para a vaga do ministro Luís Roberto Barroso, que anunciou aposentadoria antecipada da Corte e deixou o tribunal em outubro de 2025. 

Na semana passada, um dia antes de ter a documentação enviada, o chefe da AGU enviou uma declaração sobre o diálogo com os senadores para ter seu nome aprovado.

“Continuarei meu empenho pela pacificação e estabilidade. Como profissional do direito, sempre valorizei o diálogo e a conciliação como as melhores maneiras de resolver conflitos. Reafirmarei meu compromisso com essas credenciais”, afirmou.

Perfil

Messias tem 45 anos de idade e poderá ficar no Supremo pelos próximos 30 anos, quando completará 75 anos, idade para aposentadoria compulsória. 

Jorge Messias está no comando da AGU desde 1° de janeiro de 2023, início do terceiro mandato de Lula.

Nascido no Recife, o ele é procurador concursado da Fazenda Nacional desde 2007. É formado em Direito pela Faculdade de Direito do Recife (UFPE) e tem títulos de mestre e doutor pela Universidade de Brasília (UnB).

Durante o governo da presidente Dilma Rousseff, Messias foi subchefe para Assuntos Jurídicos da Presidência da República. O setor é responsável pelo assessoramento direto do presidente da República.

A polícia venezuelana dispersou com gás lacrimogêneo, nesta quinta-feira, manifestantes que protestam por aumento salarial em uma marcha que tentava chegar ao palácio presidencial de Miraflores, em Caracas. As manifestações com multidões têm sido raras na Venezuela em quase dois anos, devido à onda de repressão que se seguiu aos protestos da oposição contra a questionada reeleição do então presidente Nicolás Maduro, em 2024.
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Nesta quinta-feira, cerca de 2 mil trabalhadores foram às ruas para rejeitar uma promessa de aumento salarial feita na véspera pela presidente interina, Delcy Rodríguez, que não detalhou os percentuais da alta, nem se incidirá em auxílios ou outros benefícios.
“Têm medo de que o povo vá até Miraflores!”, “Vamos até Miraflores!”, gritavam os manifestantes às forças de segurança.
Um opositor do governo da presidente interina venezuelana Delcy Rodríguez entra em confronto com a polícia durante uma manifestação em Caracas
JUAN BARRETO / AFP
Dezenas de agentes da tropa de choque da polícia os contiveram com gás lacrimogêneo e escudos no centro de Caracas, a poucos quilômetros do Palácio de Miraflores. “O fardado também é mal pago!”, repetiam em coro os manifestantes, já em retirada, dirigindo-se aos policiais.
O salário mínimo na Venezuela é de 130 bolívares (R$ 1,37 na cotação atual) diante de uma inflação anual que passa dos 600%. E embora a renda possa chegar a 150 dólares (R$ 762) com bônus estatais sem incidência em auxílios ou outros benefícios, é insuficiente frente aos 645 dólares (R$ 3.277) que, segundo estimativas privadas, custa a cesta básica familiar.
— Já chega de engano sobre o aumento dos salários. Querem pôr como salário um aumento dos bônus que o governo dá. Isso é totalmente inédito — disse à AFP Mauricio Ramos, um aposentado de 71 anos.
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‘Salário digno já’
Delcy Rodríguez assumiu o poder interinamente, após a captura de Maduro em uma operação militar americana, em 3 de janeiro. Ela governa sob forte pressão de Washington, que afirma estar a cargo do país e da venda de petróleo. Desde então, impulsionou uma reforma petroleira e prepara outra na área de mineração, que abrem as portas para empresas estrangeiras, assim como uma lei de anistia que antecipa a libertação de centenas de presos políticos.
Opositores ao governo da presidente interina venezuelana Delcy Rodríguez protestam com uma placa onde se lê “Salário”
JUAN BARRETO / AFP
A presidente interina prometeu, na quarta-feira, um “aumento responsável” dos salários, corroídos por uma inflação crônica e pela dramática retração da economia na última década. Enquanto “a Venezuela tiver mais recursos que permitam a sustentabilidade da melhoria salarial e a renda dos trabalhadores, seguiremos avançando por esse caminho”, assegurou, sem detalhar de quanto será o aumento previsto para 1º de maio.
Sindicatos e trabalhadores se queixam constantemente de salários “de fome”, congelados há quatro anos. O último ajuste foi decretado por Maduro em 2022 e estabeleceu, então, uma renda básica de 28 dólares (aproximadamente R$ 146, na cotação da época).
— Estamos pedindo um salário digno já, porque é um deboche o que Delcy Rodríguez disse ontem à noite — comentou Mariela Díaz, aposentada de 65 anos. — Alcançamos um objetivo de chegar aqui no centro, pelo menos nos fizemos sentir internacionalmente.
O escudo térmico da Artemis II, admite a Nasa, apresenta falhas. Esse item é a camada crítica na parte inferior de uma espaçonave que a protege — e aos astronautas dentro dela — das temperaturas extremas ao reentrar na atmosfera da Terra. Se o escudo falhar, a estrutura metálica subjacente pode derreter, romper e se desintegrar.
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E não há plano de contingência, nem forma de os astronautas escaparem.
Autoridades da Nasa, no entanto, dizem estar confiantes de que, apesar das falhas conhecidas no escudo térmico, os quatro astronautas da Artemis II permanecerão vivos e em segurança ao chegar à Terra na noite de sexta-feira, a uma velocidade de quase 38 mil km/h, concluindo uma viagem de 10 dias até a Lua e de volta.
Uma extensa análise e testes do material do escudo térmico — segundo a agência — “nos deixaram confortáveis de que podemos realizar essa missão com ampla margem de segurança”, afirmou Jared Isaacman, administrador da Nasa, em entrevista em janeiro.
No entanto, Charlie Camarda, ex-astronauta da Nasa e especialista em escudos térmicos, afirma que a agência jamais deveria ter lançado a Artemis II. Segundo ele, a Nasa não compreende suficientemente as chances de falha do escudo, e a missão, até agora bem-sucedida, pode terminar com a morte dos astronautas.
— Vou rezar para que nada aconteça — disse ele em entrevista poucos dias antes do lançamento da Artemis II.
A estimativa é de 95% de chance de retorno seguro dos astronautas. Mas isso ainda representa uma probabilidade de 1 em 20 de desastre. Compare isso com a chance de cerca de 1 em 9 milhões de morrer em um acidente de avião comercial, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo.
O ponto central da divergência está em quanta certeza é necessária quando uma resposta definitiva e perfeita é impossível. Durante a Artemis I, missão sem tripulação que orbitou a Lua em 2022, a cápsula Orion sobreviveu à reentrada. Se houvesse astronautas a bordo, eles não teriam percebido nada de anormal. Mas, quando a cápsula foi retirada do oceano, o escudo térmico — do mesmo modelo usado na Artemis II — estava inesperadamente marcado por danos, com pedaços consideráveis faltando.
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Seguiram-se alguns anos de investigações. Autoridades da Nasa afirmaram que suas análises consideraram cenários extremos. Esses resultados, junto com mudanças na trajetória de reentrada da Artemis II, proporcionariam uma margem significativa de segurança.
A tripulação da Artemis II está ciente dos riscos do voo e das medidas adotadas pela Nasa para mitigá-los.
— Estivemos presentes em cada etapa da construção da espaçonave — disse Reid Wiseman, comandante da missão, em setembro.
Camarda rebate dizendo que a NASA ainda não compreende a física básica do que ocorreu na Artemis I e, portanto, não pode afirmar com precisão qual seria o pior cenário possível.
Autoridades da NASA minimizaram as preocupações com o escudo térmico. Durante uma coletiva em janeiro de 2024, Amit Kshatriya, hoje administrador associado da NASA, afirmou que o escudo da Artemis I apresentou “fenômenos inesperados que precisamos entender perfeitamente”, mas destacou que ele teve “um desempenho muito bom do ponto de vista da proteção térmica”.
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Fotografias do escudo térmico da Artemis I permaneceram fora do alcance do público até serem divulgadas em um relatório do inspetor-geral da agência, um órgão independente, em maio de 2024.
Especificações técnicas do escudo
O escudo térmico é feito de um material chamado Avcoat, semelhante ao utilizado no programa Apollo há mais de 50 anos. Por projeto, ao absorver o calor da reentrada, o material carboniza e se desgasta gradualmente, impedindo que o calor atinja o restante da cápsula.
Na investigação da Artemis I, engenheiros concluíram que, em algumas partes do escudo, gases se acumularam internamente, gerando pressão que provocou rachaduras. Isso fez com que pedaços do Avcoat se soltassem de forma repentina, em vez de queimarem de maneira gradual e controlada.
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Para futuras missões, a fórmula do Avcoat foi modificada para torná-lo mais poroso, permitindo a saída dos gases. Isso criou um dilema sobre o que fazer com a Artemis II.
Para essa missão, o escudo térmico — ainda com a fórmula original — já estava pronto e acoplado à cápsula Orion. Substituí-lo, ou trocar toda a cápsula, atrasaria ainda mais o lançamento. Em vez disso, engenheiros da Nasa concluíram que uma trajetória de reentrada mais íngreme e curta reduziria o tempo de exposição a altas temperaturas, ajudando a manter os astronautas seguros.
Dan Rasky, engenheiro de escudos térmicos que se aposentou da Nasa em dezembro, compartilha das críticas de Camarda.
— Vou dar uma analogia: se você está dirigindo na estrada e pedaços de um dos pneus começam a se soltar, você continua dirigindo e espera que dê tudo certo? Ou para e troca o pneu por medo de um estouro? — disse.
A decisão de seguir com a Artemis II sem alterar o escudo térmico “não foi prudente”, afirmou.
— Na verdade, foi imprudente.
Se o escudo térmico da Artemis II tiver desempenho semelhante ao da Artemis I, os astronautas deverão pousar no Oceano Pacífico sem problemas.
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Mas a situação traz lembranças desconfortáveis de dois dos piores dias da Nasa: 28 de janeiro de 1986, quando o ônibus espacial Challenger se desintegrou 73 segundos após o lançamento, e 1º de fevereiro de 2003, quando o Columbia se desintegrou ao retornar da órbita.
Em ambos os casos, sinais de alerta já haviam surgido em voos anteriores. No entanto, gestores interpretaram erroneamente esses sinais como aceitáveis, em vez de agir com urgência para corrigir problemas que mais tarde levariam à morte dos astronautas.
Agora, a principal questão para a Artemis II e seu escudo térmico com falhas é: rachaduras podem se formar e se espalhar a um ritmo catastrófico? Calcular essa possibilidade com precisão é extremamente difícil.
Simular o fluxo hipersônico de moléculas de ar ao redor da base de uma cápsula espacial exige enorme poder computacional. Para escudos térmicos, outros fenômenos complexos também entram em jogo: o calor gerado pela compressão do ar e o comportamento imprevisível das rachaduras no Avcoat.
— O que eu faria seria pausar — disse Camarda. — Reuniria uma equipe para desenvolver uma capacidade real de análise, incorporando toda a física envolvida.
Segundo Danny Olivas, também ex-astronauta da Nasa e especialista em materiais, isso não foi feito.
— Charlie está 100% correto — disse. — Não temos um modelo baseado em física para isso. É algo impraticável e quase impossível, devido à forma como esse material se comporta.
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Ainda assim, Olivas, que inicialmente tinha dúvidas sobre o lançamento da Artemis II, disse ter sido convencido pelas análises realizadas pela Nasa.
Diferentemente de Camarda, Olivas foi convidado pela agência para conduzir uma revisão técnica independente e recomendou a criação de um painel maior de especialistas externos — o que a Nasa fez. Segundo ele, as simulações da agência consideraram cenários conservadores, incluindo a possibilidade de rachaduras e desprendimento de camadas inteiras do material.
Mesmo nesses cenários, análises repetidas indicaram que parte suficiente do escudo térmico sobreviveria, assim como a cápsula. Uma análise adicional avaliou o que aconteceria caso um bloco inteiro de Avcoat se soltasse. A conclusão foi de que a estrutura abaixo do escudo, feita de fibra de carbono e titânio, manteria a cabine intacta.
Olivas afirmou que os engenheiros da NASA foram colaborativos.
— Posso dizer que, em todas as conversas, o desastre do Columbia estava na mente de todos — disse. — Eles foram gratos por eu pressioná-los, por duvidar e por exigir que comprovassem a segurança.
Ele afirmou também que se colocou à disposição para ouvir eventuais dissidentes, mas não recebeu manifestações. Segundo Olivas, isso contrasta com o ambiente após o desastre do Columbia.
Em janeiro, Isaacman convidou Olivas e Camarda para uma série de apresentações técnicas, nas quais engenheiros da NASA explicaram a decisão de utilizar o escudo térmico com falhas. Camarda não se convenceu.
— A NASA definitivamente não tem dados suficientes para provar que é seguro — afirmou. — Percebi que estavam usando o mesmo raciocínio falho e ferramentas rudimentares, como nos casos do Columbia e do Challenger.
Para Olivas, porém, o encontro dissipou suas preocupações restantes. Ele chegou a enviar uma mensagem a Wiseman afirmando confiar que a NASA fez um bom trabalho na mitigação dos riscos.
— Eu não diria isso a eles, por respeito à tripulação e às famílias, se não acreditasse nisso — disse. — Jamais aprovaria algo apenas para atender à NASA.

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