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Guterres, “profundamente preocupado” com o anúncio das autoridades israelenses de suspender as operações de várias organizações internacionais que oferecem ajuda humanitária nos territórios palestinos ocupados, “apela para que essa medida seja revertida”, afirmou Dujarric. “Esta ação agravará ainda mais a crise humanitária enfrentada pelos palestinos”.
A proibição inclui Médicos Sem Fronteiras (MSF), que tem 1.200 funcionários nos territórios palestinos, a maioria em Gaza, além do Conselho Norueguês para Refugiados, a World Vision International, a CARE e a Oxfam.
Em outro documento, os ministros das Relações Exteriores de Catar, Egito, Jordânia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Turquia, Paquistão e Indonésia alertaram que as condições “deterioradas” em Gaza deixaram quase 1,9 milhão de palestinos deslocados particularmente vulneráveis. E pediram a Israel que permitisse entregas “imediatas, completas e desimpedidas” de ajuda humanitária ao enclave palestino, enquanto as tempestades de inverno assolam o território bombardeado.
“Acampamentos inundados, tendas danificadas, o colapso de edifícios danificados e a exposição a temperaturas frias, juntamente com a desnutrição, aumentaram significativamente os riscos à vida dos civis”, diz o comunicado.
O apelo, também feito pela organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) na quarta-feira, surge após Israel ter alertado que 37 ONGs humanitárias, incluindo MSF, seriam impedidas de entrar em Gaza a partir de ontem, 1º de janeiro de 2026, caso não fornecessem às autoridades os nomes dos seus funcionários palestinianos até a noite de 31 de dezembro.
As ONGs incluídas na proibição receberam ordens para cessar suas atividades até 1º de março. Várias delas afirmaram que as exigências violam o direito internacional humanitário ou colocam em risco sua independência.
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O Ministério da Diáspora afirmou previamente que as organizações que enfrentariam a suspensão teriam cometido supostas violações dos padrões de segurança e transparência exigidos por Israel para atuar na região ao não compartilharem informações sobre funcionários, financiamento e operações, sob a acusação de que membros de MSF e de outras ONGs estariam cooperando com o Hamas e outros grupos palestinos armados.
Por sua vez, Médicos Sem Fronteiras negou a afirmação e declarou que se recusava a cooperar com a política israelense porque a lei francesa a impedia de fornecer informações sobre seus funcionários.
Autoridades que representam as organizações humanitárias expressaram preocupação com o uso que Israel poderia fazer dos dados solicitados — para fins de auxiliar medidas de inteligência ou militares —, visto que Tel Aviv não se confirmou publicamente que não usaria as informações para estes objetivos.
(Com AFP)



