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Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Hugo Motta: proteger as brasileiras é prioridade absoluta da Câmara

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), criou um grupo de trabalho para discutir o projeto de lei que criminaliza a misoginia (PL 896/23).

O colegiado será coordenado pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP) e terá o prazo de 45 dias para concluir seus trabalhos. O grupo será composto por um integrante de cada partido a ser indicado pelas respectivas lideranças.

A proposta
O projeto, já aprovado pelo Senado Federal, equipara a misoginia (ódio ou aversão a mulheres) ao crime de racismo, tornando-a inafiançável e imprescritível.

O texto prevê penas de 2 a 5 anos de reclusão e busca combater discursos de ódio e discriminação baseada na crença de supremacia masculina.

Prioridade
“Proteger as brasileiras é prioridade absoluta nesta Casa. Por isso, faço questão de dar celeridade a todas as propostas que tratam da segurança das nossas mulheres”, afirmou Motta, por meio de suas redes sociais.

“Avançamos com a autorização do uso de spray de pimenta para defesa pessoal das mulheres e a obrigatoriedade do uso de tornozeleiras eletrônicas para agressores. Também criminalizamos o vicaricídio [quando o agressor mata um dependente ou parente da mulher para lhe gerar sofrimento]. Com o projeto da misoginia, não será diferente”, acrescentou Motta.

O presidente disse que pretende promover um debate amplo e técnico sobre o PL 896/23, com menos burocracia e mais agilidade.

O instrumento do grupo de trabalho foi usado anteriormente, por exemplo, na discussão sobre o texto que originou o chamado ECA Digital (de proteção a crianças e adolescentes no ambiente virtual), aprovado em 2025.

 

 

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A princesa Leonor e o rei Felipe VI protagonizaram nesta sexta-feira um momento simbólico para a monarquia espanhola ao realizarem o primeiro voo de instrução conjunto desde que a herdeira iniciou sua formação militar. A atividade ocorreu na Academia Geral do Ar e do Espaço, em San Javier, na região de Múrcia, durante as comemorações dos 12 anos de reinado do monarca.
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Embora tenham participado da mesma missão, pai e filha voaram em aeronaves diferentes do modelo Pilatus PC-21. A decisão segue uma tradição não escrita adotada por casas reais para preservar a continuidade da linha sucessória, evitando que o soberano e o herdeiro direto compartilhem a mesma aeronave em operações aéreas.
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Antes da decolagem, Felipe VI e Leonor participaram juntos da preparação técnica do voo, revisando detalhes da operação. Em seguida, sobrevoaram a região de La Manga del Mar Menor em trajetos paralelos. A princesa foi acompanhada pela instrutora, capitã Elena Gutiérrez.
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O voo representa mais um marco na formação militar de Leonor, que está na etapa final de um programa iniciado há três anos. A herdeira já passou pela Academia Geral Militar do Exército de Terra e pela Escola Naval Militar da Marinha. Atualmente, conclui sua preparação na Academia Geral do Ar e do Espaço. Nos últimos meses, a princesa participou de preparações pré-voo, briefings operacionais, inspeção de aeronaves e voos de treinamento, além de treinamento em simulador de voo.
Nos próximos meses, a princesa receberá as patentes correspondentes aos três ramos das Forças Armadas espanholas. Recentemente, ela também concluiu um curso básico de paraquedismo na Base Aérea de Alcantarilla, tornando-se a primeira integrante da família real espanhola a obter essa qualificação.
Princesa Leonor celebra primeiro voo com colegas da Academia Geral de Aviação
Divulgação | Casa Real da Espanha
A princesa Leonor passa por uma longa preparação para assumir, no futuro, o trono espanhol. Felipe VI, que foi proclamado rei em 19 de junho de 2014, também teve formação militar completa e possui habilitação como piloto militar. Após a conclusão da carreira militar, Leonor cursará Ciências Políticas na Universidade Carlos III de Madrid.
Um vírus sem vacina, um território marcado pela atuação de grupos armados e uma população desconfiada: o Ebola voltou a surgir em meados de maio na região de fronteira entre a República Democrática do Congo (RDC), Uganda e Sudão do Sul. Desde então, as autoridades de saúde travam uma corrida contra o tempo para conter a epidemia.
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Em 15 de maio, a República Democrática do Congo declarou a 17ª epidemia de Ebola de sua história. No dia anterior, exames realizados em um laboratório da capital, Kinshasa, haviam confirmado a presença do vírus.
O epicentro da crise está localizado em Ituri, uma província instável do nordeste congolês, caracterizada pela intensa circulação de pessoas ligada à atividade mineradora. Naquele momento, já haviam sido registrados 246 casos suspeitos, incluindo 80 mortes.
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Na mesma noite, a vizinha Uganda anunciou uma morte causada pelo vírus em seu território. A vítima era um congolês que estava de passagem pela capital, Kampala. O governo ugandês enfatizou que se tratava de um caso “importado”. O país, que atualmente contabiliza 19 casos confirmados e duas mortes, fechou sua fronteira com a RDC.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública de interesse internacional e alertou para a “amplitude e rapidez” da epidemia, que provavelmente durará meses. Já o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), agência sanitária da União Africana, estima que dez países africanos da região estejam ameaçados.
— No início, pensávamos que se tratava de uma epidemia fora do comum — afirmou à AFP o virologista congolês Jean-Jacques Muyembe, um dos descobridores do vírus Ebola.
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O Ebola, que provoca febre hemorrágica e é transmitido pelo contato com fluidos corporais, matou mais de 15 mil pessoas na África nos últimos 50 anos. A epidemia mais letal registrada na RDC ocorreu entre 2018 e 2020, causando cerca de 2.300 mortes entre 3.500 casos identificados.
‘Bundibugyo’
Durante uma entrevista coletiva, o ministro da Saúde da RDC, Samuel Roger Kamba, alertou:
— Bundibugyo não tem vacina nem tratamento específico.
As vacinas atualmente disponíveis são eficazes apenas contra a cepa Zaire do vírus, responsável pelas maiores epidemias de Ebola no passado. Por isso, a resposta sanitária depende principalmente do isolamento dos pacientes e do rastreamento de pessoas que tiveram contato com eles.
Ebola: diretor-geral da OMS visita epicentro da epidemia na República Democrática do Congo
O anúncio gerou preocupação além das fronteiras africanas. Os Estados Unidos passaram a restringir a concessão de vistos para estrangeiros que viajaram por áreas consideradas de risco.
Em uma mensagem publicada na rede X, o presidente congolês, Félix Tshisekedi, pediu “calma” à população e garantiu ter determinado a adoção de “todas as medidas necessárias para reforçar a resposta sanitária”.
Uma semana após a declaração da epidemia, o número de mortes provavelmente causadas pelo vírus havia chegado a 204, entre 867 casos suspeitos.
As autoridades congolesas suspenderam temporariamente os voos de e para Bunia, capital de Ituri. O aeroporto da cidade, no entanto, é fundamental para o transporte de equipamentos e profissionais humanitários até a área afetada.
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O diretor do Africa CDC, Jean Kaseya, prometeu uma vacina contra a cepa Bundibugyo até o fim do ano. Estudos clínicos estão sendo avaliados.
Com a Copa do Mundo de 2026 em andamento nos EUA, Canadá e México, Washington solicitou que países europeus com ligações aéreas com nações africanas em risco — como França, Bélgica e Itália — também suspendessem a emissão de vistos. Os governos europeus recusaram o pedido.
Canadá, Bahamas, Bahrein, Jordânia e Maurício adotaram restrições de entrada.
‘Médicos confundidos’
O vírus se espalha rapidamente, enquanto a capacidade de testagem da RDC permanece limitada. Duas semanas após o anúncio oficial da epidemia, já haviam sido registrados quase 1.140 casos suspeitos, incluindo 246 mortes provavelmente relacionadas à doença.
Em Bunia, jornalistas da AFP testemunharam cenas alarmantes. Pacientes com hemorragias chegavam às pressas aos centros de saúde na garupa de mototáxis. Na maioria dos casos, nem os passageiros nem os motoristas utilizavam qualquer tipo de proteção.
Em Ituri, a resposta sanitária demorou a se organizar, embora moradores entrevistados pela AFP relatassem uma sequência de mortes inexplicáveis desde março. Entre as comunidades, espalhou-se o rumor de que uma “doença mística” estaria causando os óbitos.
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Profissionais humanitários e cientistas afirmam que as autoridades demoraram para detectar o vírus e manifestam preocupação com a lentidão das medidas de combate.
Os sinais hemorrágicos da variante Bundibugyo costumam aparecer tardiamente. Inicialmente, a doença apresenta sintomas semelhantes aos da malária.
— Os médicos ficaram confundidos — explica o professor Muyembe.
A OMS, porém, já havia recebido um alerta em 5 de maio sobre uma doença desconhecida e altamente letal surgida em Mongbwalu, cidade mineradora de cerca de 130 mil habitantes, onde quatro profissionais de saúde morreram em apenas quatro dias.
Entretanto, exames realizados em Bunia deram resultado negativo para Ebola. Segundo explicou mais tarde o ministro Samuel Roger Kamba, o laboratório local possuía reagentes para detectar a cepa Zaire, mas não a variante Bundibugyo.
‘Parar essa coisa’
Em Ituri, onde parte da população vive abandonada à violência de grupos armados responsáveis por frequentes massacres, o Estado congolês está ausente há anos, e os profissionais de saúde enfrentam a desconfiança das comunidades.
Incidentes foram registrados em alguns hospitais, provocados por moradores revoltados que exigiam a entrega dos corpos de parentes mortos em decorrência do vírus.
No fim de maio, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, visitou Kinshasa e Bunia.
— Mesmo que a situação seja complexa, acredito que podemos parar essa coisa — afirmou.
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O governo congolês criticou o que chamou de “alarmismo”, sustentando que a situação não é “como está sendo percebida internacionalmente”.
A organização Médicos Sem Fronteiras, presente na região, afirmou que os números oficiais “provavelmente refletem apenas parte da realidade”. Outras ONGs atuando no local também demonstraram preocupação com falhas graves na organização da resposta à epidemia.
Cientistas, trabalhadores humanitários e autoridades internacionais de saúde avaliam que a dimensão real da crise, que já se espalhou por três províncias da RDC e também por Uganda, ainda é desconhecida.
Segundo o balanço oficial mais recente, a epidemia já infectou 875 pessoas e provocou 202 mortes até o momento.
Israel e o Hezbollah concordaram com um cessar-fogo previsto para entrar em vigor na tarde desta sexta-feira (10h em Brasília), segundo relato de uma autoridade americana à agência Reuters. O acordo ocorre após uma escalada de combates no sul do Líbano, que deixou ao menos 21 libaneses mortos e quatro militares israelenses e provocou o adiamento de conversas entre Estados Unidos e Irã, previstas inicialmente para esta sexta na Suíça.
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A trégua foi anunciada depois de negociações conduzidas por Estados Unidos e Catar com ajuda do Irã. Segundo a autoridade americana, representantes dos dois países trabalharam para estabelecer o acordo entre Israel e o grupo apoiado pelo Irã. Até o momento do anúncio, Israel e Hezbollah não haviam divulgado declarações oficiais confirmando os termos da trégua.
— Entendemos que, após a troca de tiros ocorrida mais cedo hoje, Israel e Hezbollah estão agora em um cessar-fogo — disse a autoridade.
Cessar-fogos anteriores entre os dois lados, firmados em diferentes momentos durante a guerra, não foram mantidos. O novo acordo ocorre em meio a uma tentativa mais ampla de interromper as hostilidades na região, após um entendimento provisório entre Estados Unidos e Irã que previa o fim dos combates “em todas as frentes”, incluindo o Líbano.
Antes do anúncio da trégua, Israel havia realizado ataques contra áreas do sul e do leste do Líbano durante a madrugada. O Exército israelense afirmou ter atingido locais de infraestrutura do Hezbollah e matado “dezenas de terroristas” do grupo. Autoridades libanesas, porém, informaram que mulheres e crianças estavam entre os mortos.
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O Exército israelense afirmou que quatro soldados, incluindo um tenente-coronel, morreram após um ataque contra um tanque em uma aldeia próxima à cidade de Nabatieh, no sul do Líbano. Segundo as forças israelenses, um ataque com drone explosivo também deixou outros cinco militares feridos.
Trocas de acusação
Após o ataque, Israel lançou novos bombardeios contra áreas de Nabatieh e outras regiões, acusando o Hezbollah de cometer “violações flagrantes do cessar-fogo”. Mais tarde, o Exército informou ter atingido alvos no Vale do Bekaa, no leste do Líbano. A imprensa libanesa relatou que a aldeia de Douris foi atingida.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que Israel não aceitaria ataques contra seus soldados ou território, escrevendo, em comunicado: “Israel não tolerará ataques contra nossos soldados ou contra nosso território e cobrará um preço muito alto do Hezbollah por esses ataques”.
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O Hezbollah afirmou ter atacado tanques israelenses em resposta ao que classificou como violações do cessar-fogo por Israel. O grupo disse que as ações ocorreram depois que forças israelenses tentaram avançar para o lado norte do monte Ali al-Taher, uma posição estratégica com vista para Nabatieh e que Israel tenta capturar. No sul do Líbano, moradores deixaram suas aldeias em meio aos combates.
— A situação está sem lei, não podíamos ficar — afirmou Mustafa Zain, que fugiu em uma caminhonete acompanhado das seis filhas.
A presença militar israelense em áreas do sul do Líbano também permanece como um dos principais pontos de divergência. O Irã exige a retirada das forças israelenses, enquanto Netanyahu afirmou que tropas permanecerão em uma “zona de segurança” enquanto “as necessidades de segurança de Israel exigirem”.
‘Responsabilidade direta’
O conflito entre Israel e o Hezbollah é considerado uma das partes mais delicadas do acordo envolvendo o Irã. Nem Israel nem o grupo libanês assinaram o entendimento, mas o acordo prevê o fim dos combates entre ambos.
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O Irã afirmou que um cessar-fogo no Líbano é necessário para a continuidade das negociações. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, condenou os ataques israelenses contra o Líbano e disse que os Estados Unidos tinham “responsabilidade direta” pela situação.
Segundo Baghaei, a interrupção da guerra no Líbano era uma parte integrante do acordo para encerrar as hostilidades em todas as frentes. O porta-voz afirmou ainda que o Irã tomaria todas as medidas necessárias para proteger seus interesses, sua segurança e seus aliados.
As conversas entre Estados Unidos e Irã, previstas para ocorrer na Suíça, foram adiadas após os combates no Líbano, segundo autoridades. Representantes iranianos não viajaram como planejado, insistindo que os ataques no país precisavam cessar antes do início das negociações. O vice-presidente americano, JD Vance, também adiou sua viagem.
O entendimento provisório entre Washington e Teerã havia interrompido hostilidades no Irã e no Golfo e permitido a reabertura do Estreito de Ormuz, depois que ataques e ameaças iranianas haviam afetado o fluxo de petróleo e gás pela passagem marítima.
As futuras negociações devem abordar um acordo permanente para o conflito e restrições ao programa nuclear iraniano, tema central da guerra iniciada em 28 de fevereiro entre Israel e os Estados Unidos contra o Irã, segundo o material. O acordo provisório estabelece um prazo de 60 dias para que negociadores busquem um novo entendimento, com possibilidade de extensão.
Em atualização.
O veterano político trabalhista Andy Burnham venceu nesta sexta-feira uma eleição suplementar considerada crucial no Reino Unido, garantindo uma cadeira no Parlamento britânico e abrindo caminho para uma possível disputa pela liderança do Partido Trabalhista contra o primeiro-ministro Keir Starmer. Burnham, prefeito da Grande Manchester e figura de destaque dentro da legenda, derrotou com folga o candidato do partido de extrema direita Reform UK no distrito eleitoral de Makerfield, no noroeste da Inglaterra.
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Ex-ministro da Saúde, o político de 56 anos havia afirmado que pretendia desafiar Starmer pelo comando do partido e precisava vencer a votação para poder iniciar essa movimentação. Segundo as regras trabalhistas, candidatos à liderança precisam ocupar uma cadeira na Câmara dos Comuns. Em discurso após a vitória, Burnham afirmou que o resultado representa uma oportunidade para mudanças dentro da legenda.
— Digo ao meu próprio partido: esta é a última chance de mudar — declarou após conquistar quase 55% dos votos e superar Robert Kenyon, do Reform UK, por mais de 9 mil votos. — Foi isso que as pessoas me disseram diretamente nas centenas de portas em que bati. Precisamos ouvi-las, agir de acordo com o que dizem e fazer isso da maneira certa. Não haverá uma segunda chance. Mas agora existe uma oportunidade.
Starmer parabenizou Burnham pela vitória em uma publicação no X: “Os eleitores votaram na campanha trabalhista em favor da esperança e do otimismo, em vez da divisão e do ódio”, escreveu o premier. No cargo desde julho de 2024, Starmer enfrenta crescente pressão após o Partido Trabalhista sofrer uma derrota expressiva em eleições realizadas na Inglaterra, Escócia e País de Gales no mês passado.
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O líder britânico também foi alvo de críticas após sucessivas mudanças de posição em políticas de governo e por causa da nomeação de Peter Mandelson, ex-sócio do falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein, para o cargo de embaixador em Washington. Dezenas de parlamentares trabalhistas pediram sua renúncia e vários ministros deixaram seus cargos. Starmer insiste que pretende permanecer no cargo, afirmando que a vitória eleitoral de 2024 lhe garantiu um mandato de cinco anos.
‘Rei do Norte’
A candidatura de Burnham foi viabilizada após o deputado trabalhista Josh Simons renunciar ao assento de Makerfield para permitir o retorno do prefeito ao Parlamento. A medida chamou atenção para o distrito eleitoral, que possui cerca de 77 mil eleitores.
Pesquisas citadas durante a campanha apontam Burnham, apelidado de “rei do norte” após conquistar três mandatos consecutivos como prefeito, como o político trabalhista mais popular do país e indicam que ele venceria uma disputa direta contra Starmer. A eleição suplementar também foi vista como um teste para medir a capacidade de Burnham de derrotar o Reform UK de Nigel Farage. A região de Makerfield é predominantemente branca e de classe trabalhadora, perfil considerado favorável à legenda de extrema direita.
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A campanha de Robert Kenyon foi prejudicada por comentários ofensivos feitos por ele nas redes sociais sobre mulheres. Além disso, o pequeno partido de extrema direita Restore Britain acabou dividindo votos com o Reform UK. A participação eleitoral foi de 59%, a mais alta registrada em uma eleição suplementar nos últimos sete anos, com mais de 45 mil votos contabilizados.
Burnham, deputado entre 2001 e 2017, integra a ala moderadamente à esquerda do Partido Trabalhista e é um crítico frequente da orientação mais centrista adotada por Starmer. Ele tomará posse como parlamentar na segunda-feira. Para iniciar formalmente uma disputa pela liderança do partido, precisará reunir o apoio de pelo menos 81 dos mais de 400 deputados trabalhistas, número considerado alcançável por seus aliados.
Na quarta, Starmer afirmou estar disposto a oferecer a Burnham um “papel importante” no governo para evitar uma disputa interna. Segundo a imprensa britânica, a proposta foi rejeitada pela equipe do então prefeito. Horas após a vitória de Burnham, Starmer voltou a afirmar que pretende enfrentar qualquer tentativa de destituí-lo da liderança.
— Se houver uma disputa, então sim, eu concorrerei, eu permanecerei na disputa. Já disse repetidamente que não vou simplesmente me afastar disso — declarou a jornalistas em Londres.
(Com AFP)
Uma mulher viveu por mais de um ano com o corpo da mãe dentro de casa antes de tirar a própria vida na cidade da Trofa, ao norte de Portugal. Os corpos de Adelaide Sousa, de 80 anos, e da filha, Ângela Pinho, de 60, foram encontrados em avançado estado de decomposição durante buscas realizadas na manhã desta quinta-feira.
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De acordo com as autoridades, Adelaide Sousa morreu em 2024. A filha, que apresentava transtornos mentais, manteve o corpo da mãe na residência até tirar a própria vida em 2025. As duas moravam sozinhas no imóvel.
Os corpos foram localizados pela Polícia Judiciária do Porto.
Segundo o Jornal de Notícias, a Polícia Judiciária acionou os Bombeiros Voluntários da Trofa por volta das 10h30 para abrir a porta da residência. Durante a entrada no imóvel, os bombeiros encontraram os dois corpos já sem vida.
Ainda conforme o jornal, havia indícios de que as mortes haviam ocorrido havia bastante tempo.
Vizinhos não viam mãe e filha desde 2025
O portal Notícias da Trofa informou que Adelaide Sousa estava acamada e era cuidada pela filha. Ainda de acordo com o veículo, mãe e filha não eram vistas pelos vizinhos desde outubro do ano passado.
A descoberta provocou perplexidade entre moradores da região.
— Isto é macabro — afirmou Isabel Araújo, sobrinha de uma vizinha de Adelaide Sousa e Ângela Pinho.
Maria das Dores Silva, que mora ao lado da residência localizada na Avenida de Mosteirô, no centro da Trofa, disse ter ficado em choque ao saber da morte das vizinhas, encontradas após cerca de nove meses sem serem vistas em público.
— Nem quero acreditar. Passei tantos meses aqui ao lado de duas pessoas mortas — declarou.
O bombardeio de Israel ao sul do Líbano foi o fator que provocou o revés nas negociações entre Estados Unidos e Irã, levando ao cancelamento da reunião desta sexta-feira, na Suíça, na qual se discutiria detalhes dos termos do acordo entre os dois países. Um dos pontos centrais da negociação era justamente a interrupção dos ataques ao Líbano. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Um caderno de composição de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) — um manuscrito que inclui sete peças para harpa e flauta — foi encontrado por um curador da Biblioteca Nacional da França (BnF), em Paris, conforme anunciou a instituição nesta sexta-feira (19).
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“É uma grande descoberta, reconhecida pelos especialistas”, afirmou Gilles Pécout, diretor da BnF, acrescentando que a peça revela informações “sobre o jovem professor Mozart” e documenta “a última estadia parisiense” do músico em 1778.
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O caderno contém uma dúzia de “lições de composição” do músico austríaco (1756-1791). O compositor deu aulas diariamente em Paris, de maio a julho de 1778, “a Marie-Louise-Philippine de Bonnières de Guînes, filha do duque de Guînes, excelente harpista”, como explica François-Pierre Goy, curador do departamento de música da BnF e responsável pela descoberta extraordinária.
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O caderno foi encontrado em 2 de fevereiro na BnF, quando Goy examinava um pacote de quase 20 manuscritos anônimos, que o especialista pretendia analisar antes da aposentadoria.
Manuscrito com composições inéditas de Mozart é encontrado na França
Kenzo Tribouillard/AFP
“Nem de longe poderia imaginar o que encontraria”, confessou Goy. Ao observar as notas e os pentagramas, alguns elementos “característicos” da escrita chamaram sua atenção, como “as claves de sol bastante arredondadas, levemente inclinadas para a frente” ou “a clave de fá” traçada no sentido inverso à maneira que é representada na França.
Ao compará-lo com outros manuscritos digitalizados, o papel utilizado, francês, e o fato de o caderno ter os mesmos selos que uma cópia francesa do “Concerto para flauta e harpa” de Mozart, encomendada pelo duque de Guînes, reforçaram a ideia de que se tratava do compositor austríaco.
O documento foi submetido a uma perícia e sua atribuição foi validada no fim de abril pela Biblioteca Mozartiana da fundação Mozarteum de Salzburgo, cidade natal do músico.
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As 44 páginas incluem também “sete peças para flauta e harpa”, das quais a última está inacabada, como afirma Goy ao apresentar o caderno, muito bem conservado. As peças “partem sempre de uma ideia proposta por Mozart”, segundo a BnF. Ao final, “as mãos do mestre e da aluna” se misturam nelas “em proporções variáveis”.
Por exemplo, “ele escreve a parte da harpa” e pede à duquesa “que escreva a parte da flauta”. Depois, eles trocam”, disse Goy. No próximo domingo (21), dia da Festa da Música na França, as sete peças inéditas, com duração total de 20 minutos, serão interpretadas, pela primeira vez, pela Orquestra Filarmônica da ‘Radio France’.
Pelo menos 16 pessoas foram mortas no sul do Líbano após uma série de ataques realizados por Israel na madrugada desta sexta-feira. Forças Armadas israelenses disseram ter atingido integrantes e infraestrutura do Hezbollah em várias áreas do país e justificaram as operações como uma resposta a repetidas violações do cessar-fogo pelo grupo. As ofensivas fizeram com que a delegação iraniana adiasse sua chegada à Suíça para discutir a implementação do acordo firmado nesta semana entre Washington e Teerã para encerrar a guerra.
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Segundo uma fonte diplomática ouvida pelo jornal israelense Haaretz, o cancelamento das negociações não foi uma surpresa. O Irã, disse, tentou “impor” às demais partes negociadoras sua interpretação do memorando de entendimento, que, uma vez assinado, determina o fim imediato e permanente da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano.
Na madrugada, a Suíça confirmou o adiamento das conversas, sem apresentar uma nova data. Horas antes, a Casa Branca já havia antecipado que o vice-presidente americano, JD Vance, havia cancelado a viagem que faria ao país para participar do início das negociações. Um porta-voz afirmou que a logística das conversas “nunca foi simples nem previsível”, mas que espera iniciar as discussões “o quanto antes”.
Citando “violações de cessar-fogo”, Israel afirmou ter atacado mais de 80 alvos do Hezbollah durante a noite, incluindo centros de comando, posições de lançamento e outras estruturas que classificaram como “terroristas”. Em nota, militares disseram que dezenas de integrantes do grupo foram mortos nos ataques. Quatro soldados israelenses também morreram em combate no sul do Líbano, nas primeiras baixas registradas desde a assinatura do acordo entre Estados Unidos e Irã.
“Para cada lágrima de uma mãe israelense, mil mães libanesas devem chorar. Todo o Líbano deve arder em chamas”, disse o ministro israelense da Segurança Nacional, o ultradireitista Itamar Ben Gvir, no X, acrescentando: “Com todo o respeito aos americanos, Israel deve deixar claro para o mundo inteiro que o sangue de nossos filhos e a segurança de nossos cidadãos não estão à mercê. No Oriente Médio, não se vence com respostas comedidas e contenção”.
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A escalada levou a França a pedir que Israel respeite os termos do entendimento firmado entre Washington e Teerã. O ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, afirmou que o acordo prevê a cessação das hostilidades e defendeu que os EUA exerçam pressão sobre o governo israelense para garantir seu cumprimento.
— Esse acordo prevê a cessação das hostilidades. O governo israelense deve respeitá-lo, e os Estados Unidos, em particular, devem exercer toda a pressão necessária sobre o governo israelense para garantir que isso aconteça — declarou o ministro à rádio FranceInfo.
Implementação do acordo
As conversas previstas para esta sexta tinham como objetivo iniciar a fase de implementação do acordo assinado na quarta pelos presidentes americano, Donald Trump, e iraniano, Masoud Pezeshkian. Segundo informações divulgadas pelos dois governos, o memorando estabelece um prazo de 60 dias para negociações mais detalhadas e prevê a diluição dos estoques iranianos de urânio altamente enriquecido, além da suspensão de sanções apoiadas por Washington, permitindo ao Irã retomar livremente as exportações de petróleo.
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O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou na rede X que Teerã responderá a qualquer descumprimento do acordo. Em caso de “má-fé, quebra de acordo ou exigências excessivas” por parte dos EUA, escreveu, o Irã “não hesitará em impor uma resposta esmagadora ao inimigo”. Em outro post, disse que as negociações com Washington continuarão limitadas pelas “linhas vermelhas” de Teerã.
— Como demonstramos em negociações anteriores, somos firmes no cumprimento das condições e das linhas vermelhas estabelecidas, assim como na defesa dos interesses da nação iraniana — disse, citado pela agência IRNA. — Se o inimigo busca ser excessivo, nós demonstramos que nossos dedos estão no gatilho e não hesitamos em dar uma resposta.
Já o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, declarou na quinta-feira que, apesar de ter aprovado o acordo, tem divergências em relação ao documento. Ele afirmou que futuras negociações presenciais com os Estados Unidos não significam aceitar a posição americana e disse que autorizou o entendimento com base no compromisso assumido por autoridades iranianas de proteger os interesses do país.
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No mesmo dia, o premier de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que “a luta não terminou”. Ele, que não comentou diretamente o acordo, pediu para preservar a “relação vital” com os EUA, mas, ao mesmo tempo, reafirmou que as forças israelenses permanecerão no sul do Líbano “enquanto as necessidades de segurança exigirem”. O vice americano, por sua vez, fez um apelo para que o governo israelense “tome consciência da realidade”.
— Se eu estivesse no governo israelense, talvez não atacasse o único aliado poderoso que me resta no planeta — disse Vance.
Enquanto isso, o tráfego começou a ser retomado no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo que foi afetada durante o conflito. Segundo JD Vance, as forças americanas permitiram a passagem de mais de uma dezena de embarcações. Trump celebrou a queda dos preços internacionais do petróleo e classificou o movimento como um resultado positivo do acordo alcançado.
— A única forma de eu me mostrar mais duro seria se eu entrasse lá por mais duas ou três semanas e continuasse os bombardeando sem piedade. Certo? Mas o que ganhamos com isso? O Estreito de Ormuz não seria reaberto — disse o presidente.
(Com AFP)
Os advogados de Luigi Mangione desistiram de apresentar uma defesa baseada em questões psiquiátricas no julgamento estadual em que ele responde por homicídio pela morte de Brian Thompson, diretor-presidente da UnitedHealthcare. A mudança de estratégia ocorreu um dia após a equipe informar ao juiz que pretendia sustentar que o réu sofria de “extrema perturbação emocional no momento dos fatos”.
Julgamento de Luigi Mangione, acusado de matar CEO nos EUA, terá início em junho
Acusado de matar CEO, Luigi Mangione não será condenado à pena de morte, decreta juiz
Segundo o processo, a estratégia foi abandonada antes do prazo estabelecido para esta quinta-feira, data em que a defesa deveria entregar aos promotores do gabinete do promotor distrital de Manhattan as informações que fundamentariam a alegação psiquiátrica.
Mangione, de 28 anos, declarou-se inocente tanto no processo estadual quanto no processo federal. Ambos os casos estão relacionados ao assassinato de Brian Thompson, ocorrido no fim de 2024, no centro de Manhattan.
O gabinete do promotor distrital de Manhattan recusou-se a comentar o caso, segundo a BBC.
Defesa poderia reduzir eventual condenação
Caso a estratégia fosse mantida e aceita pelo júri, Mangione poderia receber uma pena menor, com condenação por homicídio culposo em vez de homicídio doloso.
Em entrevista à CBS, o especialista jurídico Richard Schoenstein afirmou que uma defesa baseada em questões psiquiátricas representaria, na prática, uma admissão de que Mangione matou Brian Thompson, acompanhada da alegação de circunstâncias atenuantes.
Segundo a BBC, essa estratégia é diferente da alegação de inimputabilidade por insanidade, que normalmente busca a absolvição ou a aplicação de uma medida de internação em instituição psiquiátrica em substituição à prisão.
Mangione compareceu ao tribunal na quarta-feira, quando o juiz tratou da defesa psiquiátrica que, naquele momento, ainda fazia parte da estratégia da equipe jurídica.
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A próxima audiência do processo estadual está marcada para 11 de agosto, e o julgamento está previsto para começar em 8 de setembro.
Mangione responde a processos estadual e federal
Além da ação estadual, Mangione também responde a acusações federais de perseguição. Segundo o processo, esses crimes podem resultar em prisão perpétua.
De acordo com a acusação, Mangione foi preso poucos dias após a morte de Brian Thompson, de 50 anos, pai de dois filhos e diretor-presidente da UnitedHealthcare.
Segundo os promotores, Thompson foi morto em 4 de dezembro de 2024, após ser atingido por tiros nas costas disparados por um homem mascarado. O executivo caminhava em direção a um hotel em Manhattan, onde participaria de uma conferência anual de investidores.
Os pais do adolescente responsável pelo ataque que matou dez pessoas em uma escola de Belgrado, na Sérvia, em 2023, foram condenados à prisão em um novo julgamento. Vladimir Kecmanović recebeu pena de 14 anos e seis meses de prisão, enquanto Miljana Kecmanović foi condenada a dois anos e 11 meses. Segundo o tribunal, tanto a defesa quanto a acusação recorreram das sentenças.
O ataque ocorreu na escola de ensino fundamental Vladislav Ribnikar. O autor dos disparos tinha 13 anos na época do crime e matou sete meninas, um menino e um segurança da escola. Outra menina morreu posteriormente no hospital. Além das mortes, cinco crianças e uma professora de história ficaram feridas.
Como tinha menos da idade de responsabilização criminal, o adolescente foi internado em uma instituição psiquiátrica.
Vladimir Kecmanović foi condenado por negligência, maus-tratos contra um menor e grave crime contra a segurança pública. Miljana Kecmanović respondeu por negligência e maus-tratos contra um menor.
A advogada Zora Dobričanin, que representa famílias das vítimas, afirmou que a decisão marca apenas o início de “uma longa batalha”. Segundo ela, o caso continuará sendo discutido no tribunal de apelação.
Ataque levou a mudanças na legislação
Segundo a investigação, o adolescente retirou duas pistolas do cofre do pai, colocou as armas na mochila e foi até a escola. Ele abriu fogo no saguão e, em seguida, entrou em uma sala de aula, onde continuou os disparos.
Ao detalhar o crime, o juiz afirmou que o adolescente efetuou 66 disparos em dois minutos e um segundo. Segundo a imprensa sérvia citada no processo, muitos dos tiros atingiram as vítimas.
Dois dias após o ataque à escola, um homem armado matou nove pessoas nos arredores de Belgrado. Segundo o processo, os disparos foram feitos de dentro de um veículo.
Os dois episódios provocaram protestos que reuniram dezenas de milhares de pessoas. Em resposta, o governo sérvio lançou uma campanha de anistia para entrega de armas e endureceu a legislação sobre armamentos.
Primeiro julgamento havia sido anulado
O primeiro julgamento dos pais teve início em 2024. Na ocasião, o tribunal ouviu o filho do casal em sessão fechada.
Na primeira sentença, Vladimir Kecmanović foi condenado por ensinar o filho a manusear armas de fogo e por não armazená-las de forma segura. Miljana Kecmanović foi absolvida da acusação de posse ilegal de armas, mas condenada por negligência. Um instrutor do clube de tiro frequentado pelo adolescente foi considerado culpado por prestar falso testemunho.
Em novembro de 2025, o Tribunal de Apelação de Belgrado anulou a decisão e determinou a realização de um novo julgamento, ao considerar que as justificativas da sentença eram pouco claras e contraditórias.
Após a anulação, Vladimir Kecmanović permaneceu preso, enquanto Miljana Kecmanović respondeu ao processo em liberdade até o novo julgamento, iniciado em janeiro.
Segundo a BBC, o procurador-geral sustentou que uma condenação dos pais ajudaria a responder como a sociedade sérvia deveria reagir a um dos acontecimentos mais trágicos da história do país em tempos de paz.
Durante o novo julgamento, os advogados do casal afirmaram que a condenação por negligência não diferia da sentença inicial, posteriormente anulada. A defesa também sustentou que as acusações não foram comprovadas e que não foi apresentado laudo pericial demonstrando que o adolescente havia sido vítima de negligência.

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