No Senado, Vieira participa de audiência como convidado, em sessão interativa convocada pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores. O pedido foi apresentado após a escalada recente do conflito no Oriente Médio e cita preocupações com possíveis impactos econômicos e geopolíticos para o Brasil, incluindo efeitos sobre mercados de energia, fluxos comerciais e cadeias produtivas globais.
O requerimento também cobra do Itamaraty explicações sobre as medidas adotadas para assistência a brasileiros na região, em meio ao agravamento da crise. A avaliação dentro da comissão é que o cenário exige atualização constante do Congresso sobre a atuação diplomática e consular do governo, o que levou ao convite para que o chanceler detalhe as ações em curso.
Já na Câmara, a oitiva foi aprovada a partir de requerimentos de deputados como Rodrigo Valadares (União-SE), Gustavo Gayer (PL-GO) e Helio Lopes (PL-RJ), que querem que o ministro detalhe a posição do governo brasileiro diante de episódios recentes envolvendo o Irã e seus desdobramentos na região.
Os parlamentares também devem pressionar Vieira sobre três frentes que passaram a ser exploradas pela oposição: a reação do Itamaraty a ações militares atribuídas ao Irã; a divulgação, nos Estados Unidos, de um documento que menciona supostas estruturas chinesas no Brasil voltadas a lançamentos espaciais; e reportagens sobre comunicações diplomáticas atribuídas à embaixada brasileira em Burkina Faso envolvendo referências ao regime iraniano e a Israel.
A ida do chanceler às duas Casas ocorre em um momento de maior tensão entre Congresso e governo na área internacional. Entre parlamentares, há desconforto com o que classificam como falta de clareza do Itamaraty em temas sensíveis, especialmente na relação com países do Oriente Médio.
Integrantes do governo, por sua vez, afirmam que Vieira deve reforçar a linha de atuação baseada na defesa do direito internacional e na busca por uma posição de equilíbrio do Brasil no cenário externo.







