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Muitos sobreviventes do Holocausto não puderam chegar até a Polônia, confirmou ao GLOBO Irene Shashar, uma das poucas representantes de um grupo que diminui a cada ano que passa. Aos 88 anos e com uma força admirável, Irene subiu ao palco ao lado de dois ex-reféns do grupo terrorista Hamas, a soldado e violinista Agam Berger, libertada em janeiro do ano passado, e Omri Miran, que ficou 738 dias sequestrado na Faixa de Gaza após o ataque de 7 de outubro de 2023.
— Este é um ano especial, diferente. A guerra nos limitou — diz Irene, que conseguiu sair de Israel num voo fretado, durante uma janela de tempo em que foi possível viajar para o exterior, na semana passada.
A guerra no Oriente Médio esteve presente nos discursos e nas conversas informais durante a marcha. Mas não foi o tema dominante. O que mais se ouviu nos últimos dias entre judeus que vieram até a Polônia foi um alerta sobre o aumento do antissemitismo no mundo. Na marcha e em eventos paralelos na cidade de Cracóvia, esse temor foi onipresente.
Um dos que fizeram um alerta contundente foi Yehuda Kaploun, rabino israelense de Chabad-Lubavitch nomeado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como enviado Especial para Monitorar e Combater o Antissemitismo no Departamento de Estado.
— Estamos chegando a níveis só vistos durante o nazismo — declarou Kaploun, amigo de Trump há mais de 20 anos.
Segundo contou a participantes da marcha, o presidente dos EUA o escolheu para o posto por ser um amigo pessoal e um homem de sua confiança.
— Vamos vencer a batalha contra o ódio e o antissemitismo — disse o enviado de Trump aos participantes da marcha, em momentos em que a guerra no Oriente Médio está cercada de incertezas, com tentativas de diálogo que não prosperam.
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Na Polônia, jovens falaram em eventos em Cracóvia sobre como passaram a conviver com o medo após o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023, e representantes da diáspora judaica insistiram em discursos sobre o combate “ao mal”.
— Na marcha foram lembrados casos de antissemitismo na Austrália, EUA e Reino Unido. Há um mandato claro das autoridades [da comunidade judaica e de Israel] de não se calar, de não ter medo. Se os céus estivessem abertos, teríamos oito mil pessoas aqui — comenta o empresário argentino Gastón Taratuta, que levou um grupo de cerca de 40 pessoas ao evento.
Para ele, “a presença de representantes das forças policiais de dezenas de países mostrou que o mundo está preocupado com os ataques contra judeus e a Humanidade”.
Depois de ter participado de mais de dez marchas, o historiador Yoel Schvartz ficou impressionado com a redução das delegações este ano.
— Da Argentina, onde vive uma das maiores comunidades judaicas fora de Israel, vieram quatro delegações. Em 2025, foram mais de dez. Houve problemas logísticos, mas também medo e uma divisão no mundo judeu sobre a guerra — explica Schvartz.
Segundo ele, “algumas pessoas não vieram por temor a serem associadas a políticos e a uma guerra que não apoiam”.
— Acho que essa divisão deve ser acentuar nos próximos tempos — completou.
O político que mais divisões gera dentro do mundo judeu dentro e fora de Israel é o primeiro-ministro Benjamim Netanyahu. Ao ser perguntada sobre o premier israelense, a sobrevivente do Holocausto responde, sem rodeios, que mais da metade de Israel o quer fora do poder.
— Queremos eleições e queremos uma mudança no país — diz Irene Shashar de forma taxativa.
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Com uma vitalidade impactante e uma história de vida comovente, esta mulher que, junto à sua mãe, sobreviveu ao Holocausto fugindo do Gueto de Varsóvia pelo esgoto após encontrar seu pai morto no chão da casa da família, não escondeu sua posição política. Com a mesma força que defende a memória do Holocausto e o fim do antissemitismo no mundo, Irene afirma que mais da metade da população israelense quer uma guinada política no país.
— Eu sou contra Netanyahu e a favor de julgar quem estava no poder quando sofremos o ataque de 7 de outubro de 2023 — conclui ela.
* A repórter viajou a convite do Aleph Group










