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A prolongação da guerra no Oriente Médio impediu centenas de pessoas e, sobretudo, delegações de Israel, de participarem este ano da Marcha dos Vivos na Polônia, um evento que reúne a comunidade judaica global desde 1988 com o objetivo principal de manter viva a memória do Holocausto em dois lugares emblemáticos: Auschwitz e Birkenau, dois dos principais campos de concentração nazistas. Segundo guias que há mais de duas décadas participam da marcha junto a delegações internacionais, este ano o número de participantes não ultrapassou cinco mil pessoas, muito abaixo das 8.500 que estiveram presentes em 2025. Dificuldades logísticas, medo e, também, divisões dentro da comunidade judaica sobre como se posicionar sobre a guerra desencadeada pelo ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irã em 28 de fevereiro passado, reduziram de forma expressiva a dimensão da marcha este ano.
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Muitos sobreviventes do Holocausto não puderam chegar até a Polônia, confirmou ao GLOBO Irene Shashar, uma das poucas representantes de um grupo que diminui a cada ano que passa. Aos 88 anos e com uma força admirável, Irene subiu ao palco ao lado de dois ex-reféns do grupo terrorista Hamas, a soldado e violinista Agam Berger, libertada em janeiro do ano passado, e Omri Miran, que ficou 738 dias sequestrado na Faixa de Gaza após o ataque de 7 de outubro de 2023.
— Este é um ano especial, diferente. A guerra nos limitou — diz Irene, que conseguiu sair de Israel num voo fretado, durante uma janela de tempo em que foi possível viajar para o exterior, na semana passada.
A guerra no Oriente Médio esteve presente nos discursos e nas conversas informais durante a marcha. Mas não foi o tema dominante. O que mais se ouviu nos últimos dias entre judeus que vieram até a Polônia foi um alerta sobre o aumento do antissemitismo no mundo. Na marcha e em eventos paralelos na cidade de Cracóvia, esse temor foi onipresente.
Um dos que fizeram um alerta contundente foi Yehuda Kaploun, rabino israelense de Chabad-Lubavitch nomeado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como enviado Especial para Monitorar e Combater o Antissemitismo no Departamento de Estado.
— Estamos chegando a níveis só vistos durante o nazismo — declarou Kaploun, amigo de Trump há mais de 20 anos.
Segundo contou a participantes da marcha, o presidente dos EUA o escolheu para o posto por ser um amigo pessoal e um homem de sua confiança.
— Vamos vencer a batalha contra o ódio e o antissemitismo — disse o enviado de Trump aos participantes da marcha, em momentos em que a guerra no Oriente Médio está cercada de incertezas, com tentativas de diálogo que não prosperam.
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Na Polônia, jovens falaram em eventos em Cracóvia sobre como passaram a conviver com o medo após o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023, e representantes da diáspora judaica insistiram em discursos sobre o combate “ao mal”.
— Na marcha foram lembrados casos de antissemitismo na Austrália, EUA e Reino Unido. Há um mandato claro das autoridades [da comunidade judaica e de Israel] de não se calar, de não ter medo. Se os céus estivessem abertos, teríamos oito mil pessoas aqui — comenta o empresário argentino Gastón Taratuta, que levou um grupo de cerca de 40 pessoas ao evento.
Para ele, “a presença de representantes das forças policiais de dezenas de países mostrou que o mundo está preocupado com os ataques contra judeus e a Humanidade”.
Depois de ter participado de mais de dez marchas, o historiador Yoel Schvartz ficou impressionado com a redução das delegações este ano.
— Da Argentina, onde vive uma das maiores comunidades judaicas fora de Israel, vieram quatro delegações. Em 2025, foram mais de dez. Houve problemas logísticos, mas também medo e uma divisão no mundo judeu sobre a guerra — explica Schvartz.
Segundo ele, “algumas pessoas não vieram por temor a serem associadas a políticos e a uma guerra que não apoiam”.
— Acho que essa divisão deve ser acentuar nos próximos tempos — completou.
O político que mais divisões gera dentro do mundo judeu dentro e fora de Israel é o primeiro-ministro Benjamim Netanyahu. Ao ser perguntada sobre o premier israelense, a sobrevivente do Holocausto responde, sem rodeios, que mais da metade de Israel o quer fora do poder.
— Queremos eleições e queremos uma mudança no país — diz Irene Shashar de forma taxativa.
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Com uma vitalidade impactante e uma história de vida comovente, esta mulher que, junto à sua mãe, sobreviveu ao Holocausto fugindo do Gueto de Varsóvia pelo esgoto após encontrar seu pai morto no chão da casa da família, não escondeu sua posição política. Com a mesma força que defende a memória do Holocausto e o fim do antissemitismo no mundo, Irene afirma que mais da metade da população israelense quer uma guinada política no país.
— Eu sou contra Netanyahu e a favor de julgar quem estava no poder quando sofremos o ataque de 7 de outubro de 2023 — conclui ela.
* A repórter viajou a convite do Aleph Group

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O eclipse solar total mais longo do século XXI já tem data marcada e deve mobilizar observadores em diferentes partes do mundo. Previsto para ocorrer em 2 de agosto de 2027, o fenômeno terá duração máxima de cerca de seis minutos e 23 segundos, período em que o dia se transformará temporariamente em noite em regiões específicas do planeta.
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Segundo especialistas, o evento não deverá se repetir com características semelhantes por mais de um século. A expectativa é maior em países europeus, especialmente na Espanha, onde o eclipse será visível em condições privilegiadas e deve atrair grande público. Informações da agência EFE indicam que o País Basco, sobretudo a província de Álava, aparece entre os locais mais favoráveis para a observação.
Ao longo do fenômeno, a faixa de visibilidade será restrita. O eclipse poderá ser visto com maior intensidade no Norte da África, no Oriente Médio e em partes da Europa, incluindo regiões da Península Ibérica, além de áreas como Groenlândia e Islândia.
Fenômenos raros durante a escuridão
Durante a fase de totalidade, o céu deve escurecer a ponto de permitir a visualização de estrelas e até de alguns planetas. Entre os efeitos mais aguardados estão as chamadas “Pérolas de Baily”, pontos de luz que surgem quando os raios solares passam por irregularidades da superfície da Lua, e o chamado “Anel de Diamante”, quando resta apenas um feixe luminoso intenso antes da cobertura total do Sol.
Esses efeitos são breves, durando poucos segundos, mas considerados alguns dos momentos mais marcantes do eclipse. A combinação entre longa duração e condições específicas de alinhamento torna o evento de 2027 um dos mais relevantes do século para a astronomia observacional.
Para acompanhar o fenômeno com segurança, especialistas recomendam o uso de óculos próprios para eclipse durante todas as fases, exceto no curto período de totalidade. A observação direta sem proteção pode causar danos permanentes à visão.
Apesar da raridade do evento, o calendário astronômico seguirá com outros registros nos anos seguintes. Em 2028, por exemplo, está previsto um eclipse parcial, integrante de uma sequência menos frequente de fenômenos desse tipo.
Mais de quatro anos depois de um Boeing 737-800 da China Eastern despencar 29 mil pés e cair em uma montanha no sul da China, matando todas as 132 pessoas a bordo, novos dados de voo parecem indicar que alguém na cabine pode ter desligado intencionalmente o fornecimento de combustível para os motores.
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O desastre, ocorrido em março de 2022 na região remota de Guangxi, foi o mais letal da aviação chinesa em décadas. Até agora, porém, a Administração de Aviação Civil da China (CAAC, na sigla em inglês) não respondeu à principal pergunta sobre o caso: o que provocou o mergulho fatal do voo MU5735, da China Eastern Airlines.
Destroços do avião Boeing 737, que caiu na China Reprodução/CGTNOfficial
O Globo
Dados divulgados pelo Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB), em resposta a um pedido com base na Lei de Liberdade de Informação, mostram que as chaves de combustível dos dois motores foram desligadas simultaneamente antes de o Boeing 737-800 cair.
As informações foram extraídas do gravador de dados de voo, uma das duas “caixas-pretas” do avião, recuperada dos destroços e enviada ao laboratório do NTSB, em Washington, para análise. A participação da agência americana ocorreu porque a Boeing, fabricante da aeronave, é sediada nos Estados Unidos.
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“Verificou-se que, enquanto a aeronave voava em cruzeiro a 29 mil pés, as chaves de combustível dos dois motores passaram da posição de funcionamento para a posição de corte. As rotações dos motores diminuíram após o movimento das chaves de combustível”, afirmou o relatório do NTSB.
As chaves de combustível em aviões comerciais são controles físicos que regulam o fluxo de combustível para os motores. No 737, um piloto precisa puxar a chave para cima antes de movê-la da posição de funcionamento para a de corte.
“Esses dados mostram claramente que as chaves de combustível foram colocadas manualmente na posição desligada pouco antes da queda”, disse David Soucie, analista de segurança aérea da CNN.
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“Não há indicação de que as chaves tenham sido recolocadas na posição ligada. Isso indica que não houve tentativa de religar os motores”, acrescentou. “Se as chaves tivessem sido desligadas por engano, os pilotos teriam feito uma tentativa de ligá-las novamente.”
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NOEL CELIS / AFP
O gravador de dados de voo parou de registrar informações quando os geradores do avião perderam energia, a 26 mil pés, e não capturou os momentos finais da queda, segundo o relatório. O gravador de voz da cabine — a outra “caixa-preta” da aeronave — continuou gravando com bateria reserva.
Investigadores americanos conseguiram obter quatro gravações de voz do gravador de cabine danificado e as enviaram à CAAC. O NTSB afirmou, no entanto, que não manteve cópia dos arquivos de áudio.
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A CNN informou que procurou a CAAC e a China Eastern Airlines para comentar o caso. A autoridade chinesa já havia negado anteriormente que a queda tivesse sido intencional.
O especialista em aviação Tony Stanton, da consultoria australiana Strategic Air, alertou que o documento do NTSB não deve ser tratado como um relatório final de acidente.
“O material divulgado não prova, por si só, motivo, intenção ou quem moveu as chaves”, afirmou Stanton.
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Ele acrescentou, porém, que a sequência de eventos é “muito difícil de conciliar com uma falha mecânica convencional dos dois motores e é muito mais consistente com o desligamento de combustível comandado por um ser humano”.
Ainda assim, segundo Stanton, qualquer movimento dos controles da cabine em “uma perda extrema de controle e uma descida em alta velocidade” precisa ser interpretado junto com “dados completos validados, evidências do CVR (gravador de voz da cabine), estado da aeronave e a análise final da autoridade investigadora”.
Relatos anteriores já haviam indicado a possibilidade de que alguém na cabine tenha provocado deliberadamente a queda do avião. Em maio de 2022, o Wall Street Journal informou que dados extraídos do gravador de voo danificado mostravam que comandos humanos enviados aos controles levaram o avião ao mergulho fatal, citando pessoas familiarizadas com a investigação.
“O avião fez o que foi instruído a fazer por alguém na cabine”, disse ao jornal uma pessoa a par da avaliação preliminar de autoridades americanas.
Segundo o Wall Street Journal, autoridades dos EUA envolvidas na investigação concentravam suas apurações nas ações de um piloto. O jornal também informou que havia a possibilidade de outra pessoa a bordo ter invadido a cabine e causado a queda deliberadamente.
A especulação sobre suicídio de piloto já havia levado a CAAC a emitir uma negativa. Em seu relatório preliminar, a autoridade chinesa afirmou que os tripulantes de voo e de cabine tinham licenças válidas, haviam descansado o suficiente e passado por exames de saúde no dia do voo.
A China não publica uma atualização da investigação desde 2024, quando a CAAC divulgou um comunicado no segundo aniversário do acidente reiterando conclusões anteriores de que não havia encontrado problemas com a aeronave, a tripulação ou as condições meteorológicas.
A autoridade afirmou que não foram detectadas falhas ou anormalidades nos sistemas, estruturas ou motores do avião antes da decolagem. Antes da queda, também não houve anormalidades nas comunicações por rádio e nos comandos de controle, nem relatos de condições meteorológicas perigosas no espaço aéreo da aeronave ou ao longo da rota, segundo a CAAC.
A China tem enfrentado críticas públicas por não divulgar um relatório final sobre a tragédia, com questionamentos sobre por que os investigadores ainda não tornaram públicas informações das “caixas-pretas”.
O Boeing 737 fazia a rota entre Kunming, no sudoeste da China, e Guangzhou em 21 de março de 2022, quando perdeu contato com o controle de tráfego aéreo sobre a cidade de Wuzhou. A bordo estavam 123 passageiros e nove tripulantes.
Gauri Devi, uma agricultora indiana, cozinha chapati, um tipo de pão achatado tradicional, em seu fogão a gás alimentado por biogás proveniente de esterco de vaca, animal venerado como a personificação das divindades hindus e símbolo da mãe nutridora. Desde que a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã bloqueou o vital Estreito de Ormuz, por onde passa 60% do gás liquefeito de petróleo (GLP) consumido pela Índia, seus habitantes têm lutado para obter botijões de gás.
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Mas, desde a década de 1980, o gigante asiático tem promovido a produção de biogás em áreas rurais e subsidiado mais de cinco milhões de biodigestores que transformam resíduos agrícolas em gás de cozinha e lodo rico em nitrogênio para fertilizante. No contexto atual, Gauri Devi, de 25 anos, está mais feliz do que nunca por ter um.
“Dá para cozinhar de tudo com ele”, desde chá a legumes, até lentilhas, enfatiza ela em sua cozinha em Nekpur, uma vila em Uttar Pradesh, a cerca de 30 km de Nova Delhi.
A Índia consome mais de 30 milhões de toneladas de GLP anualmente e importa mais da metade. O governo garante que não há escassez, mas, devido a atrasos no fornecimento, compras por pânico e o mercado negro, os moradores às vezes precisam esperar horas para conseguir um botijão.
“Ouro Negro”
Em seu estábulo, Devi mistura baldes de esterco com água e depois despeja a mistura em um tanque subterrâneo do tamanho de um carro, coberto com um balão inflável de armazenamento. Transportado por tubos, o metano permite que ela dispense os botijões de gás, exceto em casos de emergência ou grandes refeições. O sedimento residual é então usado como fertilizante.
“O esterco é excelente, de verdade”, diz Pramod Singh, um agricultor que possui uma unidade de biogás para seis pessoas desde 2025, abastecida diariamente com 30 a 45 quilos de esterco de quatro vacas.
Gauri Devi, uma agricultora indiana, cozinha um pão em seu fogão a gás alimentado por biogás proveniente de esterco de vaca, animal sagrado no país
Arun Sankar/AFP
Este fertilizante caseiro é ainda mais valioso agora que o comércio global desses suplementos foi severamente afetado pela guerra que eclodiu no Oriente Médio em 28 de fevereiro.
“Essa mistura é ouro negro”, afirma Pritam Singh, um líder agrícola.
A agricultura emprega mais de 45% da força de trabalho da Índia, e o país mais populoso do mundo, com 1,4 bilhão de habitantes, também possui um dos maiores rebanhos bovinos do planeta. O gigante asiático, que também é o terceiro maior poluidor do mundo depois da China e dos Estados Unidos, está promovendo a produção de biogás em larga escala após se comprometer a alcançar a neutralidade de carbono até 2070. Dezenas de enormes usinas de metanização estão sendo construídas em toda a Índia com investimentos de vários milhões de dólares.
“Minifábricas”
Da mesma forma, pequenas unidades continuam a ser construídas em áreas rurais, custando entre 25.000 e 30.000 rúpias (entre R$ 1.300 a R$ 1.550), muitas vezes subsidiadas pelo Estado. Neste país predominantemente hindu, onde esterco e urina de vaca são usados ​​para revestir paredes, como combustível e em rituais, convencer as pessoas a adotarem o biogás foi fácil, observa Pritam Singh.
Indianos cozinham com esterco sagrado de vaca devido à crise no Oriente Médio
Niharika Kulkarni/AFP
Depois de construir sua primeira unidade em 2007, o agricultor ajudou a instalar outras 15 em sua aldeia somente no ano passado, conta ele, observando um interesse ainda maior desde a ofensiva EUA-Israel contra o Irã. Até o momento, o biogás ainda representa apenas uma pequena parcela do combustível para cozinhar, já que o GLP é considerado mais prático.
“As unidades de biogás não são apenas equipamentos; são minifábricas”, explica A.R. Shukla, presidente da Associação Indiana de Biogás. “Elas exigem instalação, operação regular e manutenção”, acrescenta. Mesmo com subsídios, o custo inicial é uma barreira para muitos.
“Trabalhamos o dia todo em terras alheias; não temos terra para isso”, explica Ramesh Kumar Singh, um trabalhador braçal que espera com cerca de cem outras pessoas para conseguir um botijão de gás na aldeia vizinha de Madalpur.
“Estou aqui, no calor sufocante, com fome e sede”, lamenta Mahendri, de 77 anos, que espera desesperadamente há três dias para poder voltar para casa com um desses preciosos botijões.
São iridescentes, de um azul brilhante e com aparência gelatinosa, com tentáculos urticantes que pendem de seus corpos achatados e ovais. Com apenas 7 a 10 centímetros de comprimento, essas criaturas de aparência alienígena usam uma pequena membrana transparente para captar rajadas de vento, impulsionando-as pelo oceano.
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Essa aba, ou vela, é o que lhes rendeu o apelido de “Marinheiros ao Vento”, mas é menos útil quando essas criaturas ficam encalhadas aos milhares nas praias da Califórnia, nos Estados Unidos, como acontece agora.
Nos últimos dias, tanto entusiastas da natureza quanto pessoas comuns que passam pelo local relataram o fenômeno, publicando fotos da invasão nas redes sociais e em sites de observação da biodiversidade.
Esses carnívoros marinhos, cujo nome científico é Velella velella, não são exatamente águas-vivas, mas são parentes próximos. Eles aparecem todas as primaveras e fazem isso há “milhões de anos”, disse Steven Haddock, biólogo marinho do Instituto de Pesquisa do Aquário da Baía de Monterey (Monterey Bay Aquarium Research Institute). Mas a cada poucos anos (incluindo este), quando ventos particularmente fortes sopram na direção certa, milhões deles podem ser levados às praias em grande número, “desde a Baixa Califórnia até o Alasca”, disse ele.
Este ano, foram avistadas ao longo da costa de Washington e Oregon, embora a maioria dos avistamentos até agora tenha ocorrido na Califórnia.
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Apesar dos ferrões da velela, quem se deparar com elas não precisa se preocupar, disse Haddock. É improvável que elas piquem um humano que as pegue pela vela.
— Talvez as pessoas nunca tenham visto tantas coisas gelatinosas sendo trazidas pela correnteza para a praia, mas isso não é motivo para alarme — disse ele.
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Geralmente, vivem perto da superfície do oceano, onde podem se aglomerar aos milhares. Haddock disse que, às vezes, se acumulam de tal forma que, se você estiver em um barco e vir uma colônia, parecerá que você pode sair e caminhar sobre elas.
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Elas servem de presa para animais maiores, como tartarugas marinhas e peixes-lua, disse ele. A velella, cujo nome deriva de uma palavra latina que significa “pequena vela”, geralmente se alimenta de plâncton, usando seus ferrões pendentes para capturá-los.
E para aqueles que possam se sentir compelidos a ajudá-los a retornar ao seu lar no oceano, realmente não faz sentido, disse Haddock. Quando as criaturas chegam às praias, normalmente já estão perto do fim de seu ciclo de vida.
Baldes transbordando de flores enfeitam a barraca de Yuvita Anggi Prinanda em Bali, mas sua fragrância não consegue mascarar o mau cheiro do lixo que se acumula em algumas áreas desta ilha na Indonésia, famosa por sua beleza natural. O maior aterro sanitário de Bali foi declarado zona proibida para resíduos orgânicos no início de abril, como parte do esforço do governo para fazer cumprir uma proibição de longa data sobre lixões a céu aberto. Sem alternativas imediatas, o lixo está se acumulando nas ruas, atraindo ratos ou sendo queimado por moradores frustrados, criando uma fumaça acre que gera preocupações com a saúde.
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“Como dono de um negócio, isso é um verdadeiro incômodo”, disse Yuvita à AFP. O empresário de 34 anos tem usado seus parcos ganhos para pagar uma empresa privada para remover o lixo ao redor de sua barraca. “Alguns clientes, talvez incomodados pelo cheiro, acabaram não comprando nada”, lamentou.
Só o negócio dele gera cerca de quatro grandes sacos pretos cheios de lixo por dia, principalmente folhas e restos de flores, que se somam às cerca de 3.400 toneladas de lixo produzidas diariamente na ilha. Em teoria, a Indonésia proibiu os lixões a céu aberto em 2013, mas só agora está tentando implementar a medida integralmente.
“Muitos ratos aqui”
Na praia de Kuta, um destino turístico popular que é frequentemente inundado por lixo plástico trazido pelas ondas, sacos de lixo se acumulam até a altura da cintura em um estacionamento.
“Há muitos ratos aqui à noite. O cheiro não é nada agradável”, disse o turista australiano Justin Butcher.
Maior aterro sanitário de Bali foi declarado zona proibida para resíduos orgânicos em abril, como parte do esforço do governo para cumprir proibição de lixões a céu aberto
Sonny Tumbelaka/AFP
Cerca de 7 milhões de turistas visitaram esta ilha no ano passado, que tem uma população nativa de 4,4 milhões, e contribuíram para a sua produção de lixo. Pessoas flagradas descartando ou queimando lixo podem pegar até três meses de prisão e pagar uma multa de 50 milhões de rúpias (mais de R$ 14 mil), segundo I Dewa Nyoman Rai Dharmadi, chefe da agência de segurança pública da ilha, embora muitos sintam que não têm outra escolha.
Em 16 de abril, centenas de trabalhadores da limpeza urbana levaram caminhões cheios de lixo até o gabinete do governador em protesto.
“Se não coletarmos o lixo dos nossos clientes, estamos fazendo algo errado; se coletarmos, onde vamos jogá-lo?”, questionou o manifestante I Wayan Tedi Brahmanca.
Em resposta, o governo local anunciou que permitiria o descarte limitado de lixo no aterro sanitário de Suwung como medida temporária até o final de julho. Mas, a partir de agosto, o governo prometeu fechar os lixões a céu aberto em todo o país, embora não esteja claro quais alternativas estarão disponíveis até lá.
Transformando Resíduos em Composto
Nur Azizah, especialista em gestão de resíduos da Universidade Gadjah Mada, na Indonésia, disse à AFP que o aterro sanitário de Suwung recebe cerca de mil toneladas de lixo por dia e opera acima da sua capacidade há anos. Até 70% desse lixo é orgânico, o que “é perigoso porque, com o tempo, gera metano, que pode causar explosões e deslizamentos de terra”.
Cerca de 7 milhões de turistas visitaram Bali em 2025 e contribuíram para a produção de lixo na região
Sonny Tumbelaka/AFP
Isso já aconteceu diversas vezes. Em março, um desabamento no maior aterro sanitário da Indonésia, nos arredores de Jacarta, deixou sete mortos após soterrar caminhões e barracas de comida. Nur afirmou que a única solução a longo prazo é uma campanha educativa em larga escala, focada principalmente na compostagem.
A chefe da agência de meio ambiente e florestas de Denpasar, capital de Bali, Ida Bagus Wirabawa, disse à AFP que o governo vem realizando oficinas de conscientização e distribuindo composteiras desde o ano passado.
Os 284 milhões de habitantes da Indonésia produzem mais de 40 milhões de toneladas de resíduos anualmente, dos quais quase 40% são restos de comida e quase um quinto é plástico, segundo o Ministério do Meio Ambiente. Apenas cerca de um terço é “gerenciado” — ou seja, reciclado ou processado — de acordo com Nur. O restante acaba na natureza.
“Não gerenciamos os resíduos adequadamente, o que levou a uma situação de emergência em todas as cidades e regiões”, admitiu recentemente o então Ministro do Meio Ambiente, Hanif Faisol Nurofiq, a repórteres. Ele foi posteriormente substituído.
O governo indonésio estabeleceu a meta de iniciar vários projetos de conversão de resíduos em energia em junho, incluindo um em Bali que poderia processar cerca de 1.200 toneladas por dia, mas esses projetos podem levar anos para entrar em operação.
Ruas arrasadas, casas e lojas demolidas, incluindo um café popular. Isso é o que restou da cidade de Bint Jbeil, a poucos quilômetros da fronteira israelense, quase dois meses depois de Israel ter relançado sua ofensiva terrestre no sul do Líbano. A destruição desta cidade, um reduto do Hezbollah, se repete inúmeras vezes no sul do Líbano, uma região exuberante de paisagens onduladas, onde Israel arrasou vilarejos na fronteira como parte de um esforço para preparar o terreno para uma ocupação maior. A abordagem, segundo o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, foi inspirada nas táticas usadas pelos militares em Gaza, onde as forças israelenses reduziram bairros, prédios e ruas inteiras a escombros. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, viaja a Pequim nesta terça-feira para uma rodada de reuniões com autoridades chinesas, em meio ao aumento das tensões com os Estados Unidos. A visita ocorre a poucos dias da ida do presidente americano, Donald Trump, à China, onde ele deve se reunir com o líder Xi Jinping nos dias 14 e 15 de maio. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Em um desafio sem precedentes, a China intensificou sua disputa com os Estados Unidos sobre o petróleo do Irã ao ordenar que as empresas do país ignorem as sanções americanas, segundo a agência Bloomberg e o Wall Street Journal. A medida eleva a tensão entre as duas maiores economias do mundo e ameaça colocar um vasto setor bancário no meio do fogo cruzado, às vésperas de um encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, previsto para os dias 14 e 15 de maio. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Um terço dos americanos afirma já ter rompido relações com amigos ou familiares por razões políticas. É o que indica pesquisa divulgada nesta semana por uma dupla de psicólogos da Universidade da Califórnia. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Reunião desta terça-feira do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (5), após mais de nove horas de reunião, a suspensão dos mandatos dos deputados Marcos Pollon (PL-MS), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC) por 60 dias. Os parlamentares ainda podem recorrer à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). A decisão final será do Plenário por maioria absoluta (257 deputados).

Foi aprovado o parecer do relator, deputado Moses Rodrigues (União-CE). O texto do relator conclui que os três parlamentares adotaram condutas incompatíveis com o decoro parlamentar durante a ocupação da Mesa Diretora da Casa na sessão do Plenário de 5 de agosto de 2025.

Durante a ocupação, os deputados cobravam a inclusão na pauta do projeto de anistia (PL 216/23) aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), só conseguiu reocupar a cadeira da Presidência no dia 6 de agosto.

Rodrigues recomendou punição severa para sinalizar que a Câmara não tolera esse tipo de comportamento, aumentando para 60 dias de suspensão a pena inicialmente sugerida pela Mesa Diretora, que era de 30 dias.

Pollon respondeu por se sentar na cadeira da Presidência da Câmara, impedindo o retorno do presidente Hugo Motta; Van Hattem por ter ocupado outra cadeira da Mesa; e Zé Trovão por ter usado o corpo para barrar fisicamente o acesso do presidente à Mesa.

As condutas foram objeto das representações 24, 25 e 27, todas de 2025, e votadas separadamente. No caso de Pollon, foram 13 votos pela suspensão e 4 contrários, o mesmo placar de Van Hattem. Zé Trovão teve 15 votos pela suspensão e 4 contrários.

Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Apreciação de pareceres. Dep. Zé Trovão (PL - SC)
Deputado Zé Trovão

Defesa de Zé Trovão
Em sua defesa, Zé Trovão fez um desabafo emocionado logo no início da reunião, afirmando que a suspensão afeta diretamente seus assessores, “deixando cerca de 20 famílias sem sustento” por dois meses. “O que mais está me doendo hoje é olhar nos olhos dos meus funcionários e não saber o que falar.”

Em sua defesa, citou passagens bíblicas e fatos históricos, e classificou o momento político como de perseguição e inversão de valores. “Se for preciso tomar a Mesa novamente em algum momento da história para defender quem me elegeu, assim o farei”, disse Zé Trovão.

O advogado Eduardo Moura, na defesa técnica, argumentou que vídeos da sessão não revelam irregularidades do deputado e destacou que testemunhas o descreveram como “alguém que tentava impedir conflitos físicos no Plenário”.

Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Apreciação de pareceres. Dep. Marcel van Hattem (NOVO - RS)
Deputado Marcel van Hattem

Defesa de Marcel van Hattem
Fazendo coro ao colega, Van Hattem chamou o processo de “perseguição política” e comparou sua situação à dos presos pelos atos de 8 de janeiro. O deputado também afirmou que, havendo necessidade, faria novamente. E acrescentou: “se essa injustiça vier, vamos enquadrar e colocar na parede como medalha de honra”.

Pela defesa do deputado, o advogado Jeffrey Chiquini definiu o julgamento como uma “punição política”.

Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Colecionadores, Atiradores Desportivos e CACs. Dep. Marcos Pollon (PL-MS)
Deputado Marcos Pollon

Defesa de Marcos Pollon
Pollon criticou duramente a recusa da Presidência da Câmara em pautar o projeto de anistia aos envolvidos no 8 de janeiro e classificou as prisões como “ilegais” e o cenário jurídico atual do Brasil como um “estado de exceção”. “Não carregaremos a vergonha de termos nos acovardado ou omitido”, disse.

Na defesa técnica, o advogado Mariano lamentou a negativa de ouvir testemunhas sugerias pela defesa e também disse que as questões técnicas foram deixadas de lado em favor de um julgamento político.

Debate
O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) lamentou as ofensas dirigidas ao relator e à Mesa Diretora durante o debate no Conselho de Ética e relacionou a ocupação física do Plenário a um processo histórico de golpismo. Para ele, o relatório do conselho separa “os golpistas dos democratas”.

Em defesa dos acusados, o deputado Sargento Gonçalves (PL-RN) comparou o processo a uma tentativa de criminalizar a direita por atos que a esquerda já teria praticado no passado. Gonçalves questionou a escolha de apenas três deputados como “bode expiatório” em meio à participação de mais de 100 deputados nos atos de ocupação.

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