Promotores federais em Washington tentaram, sem sucesso, na terça-feira, indiciar seis parlamentares democratas que divulgaram, no outono passado, um vídeo lembrando militares da ativa e integrantes da comunidade de inteligência de que eles têm o dever de recusar ordens ilegais. A gravação provocou forte reação do presidente Donald Trump.
Washington: aliados de Trump se aproximam de ‘vitória total’ ao enfraquecer a regulação climática dos EUA
Caso Epstein: sob pressão, secretário de Comércio de Trump admite visita à ilha de Jeffrey Epstein, mas nega vínculos com financista
A investida partiu do gabinete do procurador dos Estados Unidos em Washington, chefiado por Jeanine Pirro, aliada de longa data de Trump. Os promotores levaram o caso a um grande júri no Tribunal Distrital Federal da capital, mas os cidadãos que compõem o colegiado rejeitaram a acusação.
A decisão foi considerada incomum e significativa. Antes do segundo mandato de Trump, era raro que grandes júris recusassem pedidos de indiciamento apresentados por promotores. Esse tipo de rejeição tem se tornado mais frequente à medida que indicados pelo presidente avançam com casos vistos por críticos como politicamente motivados.
Entre os alvos estavam o senador Mark Kelly, do Arizona, e a senadora Elissa Slotkin, de Michigan, além dos deputados Jason Crow (ex-ranger do Exército), Maggie Goodlander (ex-reservista da Marinha), Chrissy Houlahan (ex-oficial da Força Aérea) e Chris Deluzio (veterano da Marinha). Todos têm histórico de atuação militar ou em agências de segurança nacional.
Desaprovação: Republicanos temem que ataque de Trump a latinos e a show de Bad Bunny custe maioria no Congresso
Segundo uma pessoa a par do caso, os promotores argumentaram que os parlamentares violaram uma lei que proíbe interferir na lealdade, no moral ou na disciplina das Forças Armadas dos Estados Unidos.
O Departamento de Justiça não comentou.
Slotkin comemorou o resultado. “Independentemente do que o presidente Trump e Pirro façam a seguir, hoje marcamos um ponto em favor da Constituição, da liberdade de expressão e do Estado de Direito”, afirmou em nota.
Initial plugin text
Kelly classificou a iniciativa como perseguição política.
— Este é um abuso de poder escandaloso de Donald Trump e seus aliados — declarou. — Ele quer que os americanos tenham medo de se manifestar. A atitude mais patriótica é não recuar — acrescentou.
Críticos afirmam que, sob Trump, o Departamento de Justiça tem aberto processos questionáveis contra adversários políticos, entre eles o ex-diretor do FBI James B. Comey e a procuradora-geral de Nova York, Letitia James. Mesmo com casos considerados frágeis, a avaliação dentro do governo seria a de que é preferível perder na Justiça a contrariar o desejo de retaliação do presidente.
Caso Epstein: crises políticas e abertura de investigações mostram reações diversas de EUA e Europa
Fortalecido pelo controle sobre o Departamento de Justiça e o FBI, Trump intensificou o uso da máquina federal de segurança para avançar sua agenda política e confrontar opositores.
Recentemente, o governo abriu investigações contra autoridades democratas em Minnesota que se opuseram à sua política de repressão à imigração e prendeu o jornalista Don Lemon por sua presença em um protesto em uma igreja em Minneapolis. Na semana passada, o FBI fez buscas em um escritório eleitoral na região de Atlanta com base em alegações já desmentidas de fraude na eleição presidencial de 2020.
Em novembro, Jeanine Pirro também autorizou uma investigação criminal contra Jerome H. Powell, presidente do Federal Reserve, a quem Trump há anos tenta substituir.
Nova York: Democratas apresentam resolução na Câmara contra a Doutrina Monroe citando show de Bad Bunny
O caso contra os seis parlamentares teve origem em um vídeo organizado por Slotkin, ex-analista da CIA com várias missões no Iraque. A gravação não mencionava nenhuma ordem específica, mas foi divulgada no momento em que Trump autorizava ataques a embarcações suspeitas de tráfico de drogas no Caribe e avaliava enviar tropas da ativa para cidades americanas para conter protestos.
No vídeo, os parlamentares alertam que as “ameaças à Constituição não vêm apenas do exterior, mas também de dentro do país”.
“Nossas leis são claras. Você pode se recusar a cumprir ordens ilegais”, diz Kelly na gravação.
Trump reagiu de imediato nas redes sociais. Classificou a iniciativa como “COMPORTAMENTO SEDICIOSO, PUNÍVEL COM A MORTE!” e compartilhou uma publicação de outra pessoa que dizia: “ENFORQUEM-NOS, GEORGE WASHINGTON FARIA ISSO!!”
Medida incomum: EUA reabrem espaço aéreo de cidade no Texas horas após anunciar fechamento por 10 dias por ‘razões especiais de segurança’
Dias depois, os seis parlamentares informaram que o FBI havia procurado os sargentos de armas da Câmara e do Senado para solicitar entrevistas, indicando a abertura de investigação criminal.
“O presidente Trump está usando o FBI como ferramenta para intimidar e assediar membros do Congresso. Nenhuma intimidação nos impedirá de cumprir nosso dever e honrar a Constituição”, afirmaram os quatro deputados, em nota conjunta.
Além desse caso, Kelly também é alvo de uma investigação separada do Pentágono sobre o que autoridades militares chamaram de “graves alegações de má conduta”.
Trump 2.0: Pentágono rompe laços acadêmicos com Harvard em embate do governo contra universidades
Em novembro, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, classificou o vídeo como “desprezível, imprudente e falso” e chamou o grupo de “Seis Sediciosos”, acusando-os de incentivar militares a “ignorar ordens de seus comandantes”.
“O panfleto insensato deles semeia dúvida e confusão, o que só coloca nossos combatentes em perigo”, escreveu Hegseth.
Washington: aliados de Trump se aproximam de ‘vitória total’ ao enfraquecer a regulação climática dos EUA
Caso Epstein: sob pressão, secretário de Comércio de Trump admite visita à ilha de Jeffrey Epstein, mas nega vínculos com financista
A investida partiu do gabinete do procurador dos Estados Unidos em Washington, chefiado por Jeanine Pirro, aliada de longa data de Trump. Os promotores levaram o caso a um grande júri no Tribunal Distrital Federal da capital, mas os cidadãos que compõem o colegiado rejeitaram a acusação.
A decisão foi considerada incomum e significativa. Antes do segundo mandato de Trump, era raro que grandes júris recusassem pedidos de indiciamento apresentados por promotores. Esse tipo de rejeição tem se tornado mais frequente à medida que indicados pelo presidente avançam com casos vistos por críticos como politicamente motivados.
Entre os alvos estavam o senador Mark Kelly, do Arizona, e a senadora Elissa Slotkin, de Michigan, além dos deputados Jason Crow (ex-ranger do Exército), Maggie Goodlander (ex-reservista da Marinha), Chrissy Houlahan (ex-oficial da Força Aérea) e Chris Deluzio (veterano da Marinha). Todos têm histórico de atuação militar ou em agências de segurança nacional.
Desaprovação: Republicanos temem que ataque de Trump a latinos e a show de Bad Bunny custe maioria no Congresso
Segundo uma pessoa a par do caso, os promotores argumentaram que os parlamentares violaram uma lei que proíbe interferir na lealdade, no moral ou na disciplina das Forças Armadas dos Estados Unidos.
O Departamento de Justiça não comentou.
Slotkin comemorou o resultado. “Independentemente do que o presidente Trump e Pirro façam a seguir, hoje marcamos um ponto em favor da Constituição, da liberdade de expressão e do Estado de Direito”, afirmou em nota.
Initial plugin text
Kelly classificou a iniciativa como perseguição política.
— Este é um abuso de poder escandaloso de Donald Trump e seus aliados — declarou. — Ele quer que os americanos tenham medo de se manifestar. A atitude mais patriótica é não recuar — acrescentou.
Críticos afirmam que, sob Trump, o Departamento de Justiça tem aberto processos questionáveis contra adversários políticos, entre eles o ex-diretor do FBI James B. Comey e a procuradora-geral de Nova York, Letitia James. Mesmo com casos considerados frágeis, a avaliação dentro do governo seria a de que é preferível perder na Justiça a contrariar o desejo de retaliação do presidente.
Caso Epstein: crises políticas e abertura de investigações mostram reações diversas de EUA e Europa
Fortalecido pelo controle sobre o Departamento de Justiça e o FBI, Trump intensificou o uso da máquina federal de segurança para avançar sua agenda política e confrontar opositores.
Recentemente, o governo abriu investigações contra autoridades democratas em Minnesota que se opuseram à sua política de repressão à imigração e prendeu o jornalista Don Lemon por sua presença em um protesto em uma igreja em Minneapolis. Na semana passada, o FBI fez buscas em um escritório eleitoral na região de Atlanta com base em alegações já desmentidas de fraude na eleição presidencial de 2020.
Em novembro, Jeanine Pirro também autorizou uma investigação criminal contra Jerome H. Powell, presidente do Federal Reserve, a quem Trump há anos tenta substituir.
Nova York: Democratas apresentam resolução na Câmara contra a Doutrina Monroe citando show de Bad Bunny
O caso contra os seis parlamentares teve origem em um vídeo organizado por Slotkin, ex-analista da CIA com várias missões no Iraque. A gravação não mencionava nenhuma ordem específica, mas foi divulgada no momento em que Trump autorizava ataques a embarcações suspeitas de tráfico de drogas no Caribe e avaliava enviar tropas da ativa para cidades americanas para conter protestos.
No vídeo, os parlamentares alertam que as “ameaças à Constituição não vêm apenas do exterior, mas também de dentro do país”.
“Nossas leis são claras. Você pode se recusar a cumprir ordens ilegais”, diz Kelly na gravação.
Trump reagiu de imediato nas redes sociais. Classificou a iniciativa como “COMPORTAMENTO SEDICIOSO, PUNÍVEL COM A MORTE!” e compartilhou uma publicação de outra pessoa que dizia: “ENFORQUEM-NOS, GEORGE WASHINGTON FARIA ISSO!!”
Medida incomum: EUA reabrem espaço aéreo de cidade no Texas horas após anunciar fechamento por 10 dias por ‘razões especiais de segurança’
Dias depois, os seis parlamentares informaram que o FBI havia procurado os sargentos de armas da Câmara e do Senado para solicitar entrevistas, indicando a abertura de investigação criminal.
“O presidente Trump está usando o FBI como ferramenta para intimidar e assediar membros do Congresso. Nenhuma intimidação nos impedirá de cumprir nosso dever e honrar a Constituição”, afirmaram os quatro deputados, em nota conjunta.
Além desse caso, Kelly também é alvo de uma investigação separada do Pentágono sobre o que autoridades militares chamaram de “graves alegações de má conduta”.
Trump 2.0: Pentágono rompe laços acadêmicos com Harvard em embate do governo contra universidades
Em novembro, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, classificou o vídeo como “desprezível, imprudente e falso” e chamou o grupo de “Seis Sediciosos”, acusando-os de incentivar militares a “ignorar ordens de seus comandantes”.
“O panfleto insensato deles semeia dúvida e confusão, o que só coloca nossos combatentes em perigo”, escreveu Hegseth.










