A Casa Branca afirmou nesta sexta-feira que rejeita a proposta da Organização das Nações Unidas de criar um mecanismo internacional de governança para a inteligência artificial (IA), iniciativa apresentada durante a Cúpula sobre o Impacto da IA, na Índia.
CEO da OpenAI: Mundo precisa regulamentar a IA ‘urgentemente’
Marcelo Ninio: Na Índia, Lula faz coro com Modi e Macron em defesa da regulação da IA
O conselheiro de tecnologia da Casa Branca, Michael Kratsios, afirmou que os Estados Unidos rejeitam “totalmente” uma governança global da IA. Chefe da delegação americana no encontro, ele se manifestou antes da divulgação da declaração final dos líderes.
“Como o governo (do presidente Donald) Trump já disse em muitas ocasiões: rejeitamos totalmente a governança global da IA”, declarou. “Acreditamos que a adoção da IA não pode levar a um futuro mais promissor se estiver submetida a burocracias e ao controle centralizado”, completou.
Mais cedo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, anunciou a criação de uma nova comissão voltada ao “controle humano” da IA. Segundo ele, a Assembleia Geral designou 40 especialistas para compor o Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial.
“Estamos entrando no desconhecido”, afirmou Guterres na abertura do encontro, que termina nesta sexta-feira. “A mensagem é simples: menos exagero, menos medo. Mais fatos e evidências”.
Criado em agosto, o órgão consultivo pretende atuar de forma semelhante ao Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), responsável por avaliações científicas sobre o aquecimento global.
“A governança baseada na ciência não é um freio ao progresso, e sim pode torná-lo mais seguro, mais justo e mais amplamente compartilhado”, defendeu Guterres. “Quando compreendermos o que os sistemas podem fazer, e o que não podem fazer, poderemos passar de medidas aproximadas para barreiras de proteção mais inteligentes e baseadas no risco”, acrescentou.
A expansão acelerada da IA generativa impulsionou os lucros das empresas de tecnologia, mas também intensificou preocupações quanto a seus efeitos sobre a sociedade, o mercado de trabalho e o meio ambiente.
Esta é a quarta reunião anual dedicada à política de IA. O próximo encontro está previsto para Genebra, no primeiro semestre de 2027.
A cúpula de Nova Délhi é a primeira realizada em um país em desenvolvimento. A Índia busca aproveitar a visibilidade internacional para reforçar sua posição no setor e reduzir a distância em relação a Estados Unidos e China. O governo indiano projeta atrair mais de US$ 200 bilhões em investimentos nos próximos dois anos. Empresas americanas de tecnologia anunciaram, nos últimos dias, novos acordos e projetos de infraestrutura.
À frente da OpenAI, Sam Altman defendeu na quinta-feira a adoção de regras para o uso da IA. “A democratização da IA é a melhor maneira de garantir que a humanidade prospere”, afirmou. “Isso não quer dizer que não precisamos de nenhuma regulamentação ou medida de segurança. É óbvio que precisamos delas, com urgência”.
‘Sem ação coletiva, IA aprofundará desigualdades’, diz Lula
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, alertou que, “sem uma ação coletiva, a inteligência artificial aprofundará desigualdades históricas”.
“Os algoritmos não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital. São parte de uma complexa estrutura de poder”, disse. “Quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação”, completou.
Os debates em Nova Délhi reuniram milhares de participantes e abordaram temas como proteção de crianças, impacto no emprego e acesso equitativo às ferramentas de IA. Observadores avaliam, no entanto, que o escopo amplo e as declarações genéricas registradas em encontros anteriores — realizados na França, na Coreia do Sul e no Reino Unido — podem dificultar compromissos concretos.
Anfitrião do encontro, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, afirmou que o mundo vive uma transição estrutural na relação entre humanos e máquinas.
“Estamos entrando em uma era na qual os seres humanos e os sistemas de inteligência criam, trabalham e evoluem juntos”, declarou. “Devemos decidir que a IA seja utilizada para o bem comum mundial”, disse.
CEO da OpenAI: Mundo precisa regulamentar a IA ‘urgentemente’
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O conselheiro de tecnologia da Casa Branca, Michael Kratsios, afirmou que os Estados Unidos rejeitam “totalmente” uma governança global da IA. Chefe da delegação americana no encontro, ele se manifestou antes da divulgação da declaração final dos líderes.
“Como o governo (do presidente Donald) Trump já disse em muitas ocasiões: rejeitamos totalmente a governança global da IA”, declarou. “Acreditamos que a adoção da IA não pode levar a um futuro mais promissor se estiver submetida a burocracias e ao controle centralizado”, completou.
Mais cedo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, anunciou a criação de uma nova comissão voltada ao “controle humano” da IA. Segundo ele, a Assembleia Geral designou 40 especialistas para compor o Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial.
“Estamos entrando no desconhecido”, afirmou Guterres na abertura do encontro, que termina nesta sexta-feira. “A mensagem é simples: menos exagero, menos medo. Mais fatos e evidências”.
Criado em agosto, o órgão consultivo pretende atuar de forma semelhante ao Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), responsável por avaliações científicas sobre o aquecimento global.
“A governança baseada na ciência não é um freio ao progresso, e sim pode torná-lo mais seguro, mais justo e mais amplamente compartilhado”, defendeu Guterres. “Quando compreendermos o que os sistemas podem fazer, e o que não podem fazer, poderemos passar de medidas aproximadas para barreiras de proteção mais inteligentes e baseadas no risco”, acrescentou.
A expansão acelerada da IA generativa impulsionou os lucros das empresas de tecnologia, mas também intensificou preocupações quanto a seus efeitos sobre a sociedade, o mercado de trabalho e o meio ambiente.
Esta é a quarta reunião anual dedicada à política de IA. O próximo encontro está previsto para Genebra, no primeiro semestre de 2027.
A cúpula de Nova Délhi é a primeira realizada em um país em desenvolvimento. A Índia busca aproveitar a visibilidade internacional para reforçar sua posição no setor e reduzir a distância em relação a Estados Unidos e China. O governo indiano projeta atrair mais de US$ 200 bilhões em investimentos nos próximos dois anos. Empresas americanas de tecnologia anunciaram, nos últimos dias, novos acordos e projetos de infraestrutura.
À frente da OpenAI, Sam Altman defendeu na quinta-feira a adoção de regras para o uso da IA. “A democratização da IA é a melhor maneira de garantir que a humanidade prospere”, afirmou. “Isso não quer dizer que não precisamos de nenhuma regulamentação ou medida de segurança. É óbvio que precisamos delas, com urgência”.
‘Sem ação coletiva, IA aprofundará desigualdades’, diz Lula
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, alertou que, “sem uma ação coletiva, a inteligência artificial aprofundará desigualdades históricas”.
“Os algoritmos não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital. São parte de uma complexa estrutura de poder”, disse. “Quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação”, completou.
Os debates em Nova Délhi reuniram milhares de participantes e abordaram temas como proteção de crianças, impacto no emprego e acesso equitativo às ferramentas de IA. Observadores avaliam, no entanto, que o escopo amplo e as declarações genéricas registradas em encontros anteriores — realizados na França, na Coreia do Sul e no Reino Unido — podem dificultar compromissos concretos.
Anfitrião do encontro, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, afirmou que o mundo vive uma transição estrutural na relação entre humanos e máquinas.
“Estamos entrando em uma era na qual os seres humanos e os sistemas de inteligência criam, trabalham e evoluem juntos”, declarou. “Devemos decidir que a IA seja utilizada para o bem comum mundial”, disse.










