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O presidente americano, Donald Trump, disse que um acordo para o fim da guerra na Ucrânia está muito perto de acontecer, após um encontro de cerca de duas horas com o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky neste domingo em Mar-a-Lago, na Flórida.
— Tivemos uma ótima conversa com os líderes europeus e e avançamos em 95%. Fizemos muitos avanços — disse Trump.
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Perspectivas 2026: Menores ucranianos são deixados em segundo plano pela diplomacia na guerra
Trump recebeu Zelensky para conversas sobre uma nova proposta de paz destinada a encerrar o conflito de quase quatro anos da Ucrânia com a Rússia. O ucraniano disse antes da reunião a portas fechadas que as conversas já avançaram “em 90% dos pontos” da proposta, e Trump garantiu que as negociações continuarão com o presidente da Rússia, Vladimir Putin.
— Temos que respeitar nosso povo e o território que controlamos. Temos posições diferentes quanto a isso — afirmou o líder ucraniano ao ser questionado sobre a cessão de territórios à Rússia.
O plano, de 20 pontos, foi articulado após semanas de negociações entre Washington e Kiev, mas ainda não recebeu o aval de Moscou e ganha peso após um ataque maciço de mísseis e drones russos contra Kiev na véspera. Elaborado por equipes dos dois países, o documento aborda desde mecanismos de segurança para prevenir novas agressões até impasses sensíveis — entre eles, o futuro da região estratégica de Donbass e o controle da usina nuclear atualmente sob ocupação russa.
— Muitas pessoas estão morrendo e queremos fechar um acordo de paz. Acredito que em breve teremos um acordo que seja bom para todos. Já consegui acabar com oito guerras e essa é a mais difícil de todas — disse Trump ao receber o ucraniano. — Zelensky trabalhou muito duro. Temos um encontro importante hoje. E após o encontro vamos continuar as negociações [com Putin]. Não tenho um prazo final, mas quero acabar com a guerra.
Trump também afirmou que a Ucrânia contará com “fortes” garantias de segurança no caso de prosperar um plano para acabar com a guerra, algo que Zelensky declarou, na véspera, ser o foco das negociações deste domingo.
— Haverá garantias de segurança. Elas serão fortes. E os países europeus estão muito envolvidos — disse o mandatário.
Entenda: Plano de paz de Trump congela fronteiras, entrega Donbass à Rússia e pressiona Zelensky
A reunião ocorre em sua residência em Mar-a-Lago, Palm Beach — o primeiro encontro entre os dois desde outubro, quando o republicano recusou o pedido de Zelensky por mísseis Tomahawk de longo alcance. A Ucrânia vinha pressionando por essa reunião há semanas, desde que os Estados Unidos retomaram seus esforços diplomáticos para intermediar um acordo.
Antes de Zelensky chegar, Trump disse em sua plataforma Truth Social que havia acabado de ter uma “conversa telefônica muito boa e produtiva com o presidente da Rússia”.
O principal assessor de política externa de Putin, Yuri Ushakov, confirmou a ligação e disse que os dois líderes concordaram que um acordo de paz de longo prazo “seria melhor do que o cessar-fogo temporário proposto pelos ucranianos e europeus”. Kiev, acrescentou, deve tomar uma “decisão política corajosa e responsável” em relação ao Donbass, região que Moscou quer que a Ucrânia ceda totalmente. Atualmente, a Rússia controla cerca de 75% de Donetsk e aproximadamente 99% da vizinha Luhansk; juntas, as duas regiões formam o Donbass.
— Dada a situação na linha de frente, Kiev não deve adiar essa decisão — disse Ushakov em entrevista coletiva. — Seria sensato tomar sem demora essa decisão sobre Donbass.
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Garantias de segurança
Zelensky disse durante uma escala no Canadá no sábado que esperava que as negociações fossem “muito construtivas”. Ao mesmo tempo, ele questionou repetidamente se Moscou estava realmente empenhada em buscar a paz ou simplesmente ganhando tempo. Os ataques da Rússia contra alvos civis, incluindo uma enorme barragem disparada contra a capital da Ucrânia no sábado, provaram, segundo Zelensky, que o Kremlin não tinha interesse real em acabar com a guerra.
“A Rússia continua atormentando nossas cidades e nosso povo. Moscou rejeitou até mesmo as propostas de um cessar-fogo no Natal e está intensificando a brutalidade de seus ataques com mísseis e drones”, disse ele nas redes sociais enquanto estava a caminho da Flórida. “Este é um sinal claro de como eles realmente encaram a diplomacia lá. Até agora, não com a seriedade necessária.”
Analistas afirmam que Putin, encorajado pelos avanços lentos, mas constantes, de suas forças no campo de batalha, provavelmente não aceitará a proposta de paz e, em vez disso, manterá suas exigências maiores. Entre elas, a cessão de uma parte significativa do território ucraniano e a redução das Forças Armadas da Ucrânia.
‘Meios militares’
A Rússia acusa a Ucrânia e seus aliados europeus de tentarem “sabotar” um plano anterior mediado pelos EUA para interromper os combates. Aumentando a pressão no campo de batalha, o Kremlin anunciou no sábado que havia tomado mais duas cidades no leste do país vizinho, Myrnograd e Guliaipole.
— Se as autoridades em Kiev não quiserem resolver este assunto pacificamente, resolveremos todos os problemas que temos pela frente por meios militares — disse Putin no sábado.
Ele também foi citado pela agência de notícias estatal Tass dizendo que “os líderes do regime de Kiev não têm pressa em resolver este conflito pacificamente”.
Os líderes da União Europeia, Ursula von der Leyen e António Costa, que participaram de uma reunião virtual com Zelensky, garantiram que o apoio da União Europeia à Ucrânia nunca vacilará e prometeram manter a pressão sobre o Kremlin para que chegue a um acordo.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, rejeitou no domingo a ideia de enviar forças de paz europeias para a Ucrânia, uma possibilidade levantada anteriormente por alguns apoiadores ucranianos. Tropas da UE na Ucrânia seriam um “alvo legítimo” para as Forças Armadas russas, disse Lavrov em entrevista à Tass. Ele insistiu que “não havia motivo para temer” que a Rússia atacasse a Europa.
— Após a mudança de governo nos EUA, a Europa e a União Europeia se tornaram o principal obstáculo à paz — acusou Lavrov no sábado à agência. — Eles não escondem seus planos de se preparar para a guerra com a Rússia, as ambições dos políticos europeus estão literalmente cegando-os. Não só não se importam com os ucranianos, como também parecem não se importar com sua própria população.
Zelensky flexível
As negociações abordarão um plano que interromperia a guerra ao longo das linhas de frente atuais e poderia exigir que a Ucrânia retirasse suas tropas do leste, permitindo a criação de zonas tampão desmilitarizadas. Como tal, contém o reconhecimento mais explícito de Kiev até agora de possíveis concessões territoriais. No entanto, não prevê a retirada da Ucrânia dos 20% da região oriental de Donetsk que ainda controla — a principal exigência territorial da Rússia.
Trump fez do fim das guerras na Ucrânia e em Gaza o ponto central de seu segundo mandato como autoproclamado “presidente da paz”. Mas a guerra na Ucrânia, segundo ele mesmo admitiu, provou ser muito mais difícil do que ele esperava.
Zelensky tem se empenhado em mostrar que está totalmente comprometido com a iniciativa de paz de Trump, sendo flexível e disposto a fazer concessões. Nos últimos dias, ele também pareceu, em alguns momentos, estar tentando desafiar o blefe do Kremlin.
Ele disse aos repórteres na terça-feira que estava disposto a retirar as tropas ucranianas das áreas da região de Donbass ainda sob controle de Kiev e transformar essas áreas em uma zona desmilitarizada — desde que a Rússia retire suas forças de uma área equivalente. A Rússia tem insistido em manter todas as terras que conquistou desde sua invasão em grande escala há quase quatro anos e também exigiu as partes de Donbass que a Ucrânia ainda controla.
Zelensky também se mostrou aberto a realizar as primeiras eleições gerais de seu país desde 2019 — uma exigência russa que Trump abraçou — desde que a segurança possa ser garantida. Isso transferiu a responsabilidade dele de volta para a Casa Branca e a Rússia.
Enquanto isso, o Kremlin parece ter tomado cuidado para não rejeitar abertamente a proposta de paz, talvez para evitar irritar Trump. Em vez disso, as autoridades russas pediram mais discussões e diálogo.
Financiamento
A Ucrânia insiste que precisa de mais financiamento e armas da Europa e dos Estados Unidos, especialmente drones.
O primeiro-ministro canadense Mark Carney, que se reuniu com Zelensky no sábado, anunciou US$ 1,82 bilhão (cerca de R$ 10 bilhões, na cotação atual) em nova assistência econômica para ajudar a Ucrânia a se reconstruir após o fim da guerra.
O último ataque russo, no qual 500 drones e 40 mísseis bombardearam Kiev, deixou centenas de milhares de residentes sem energia elétrica e aquecimento durante temperaturas congelantes. Desde então, a energia foi restaurada “em todas as casas da capital”, disse a DTEK, o maior investidor privado do setor de energia da Ucrânia, no domingo.
A administração militar da cidade de Kherson, ao sul de Kiev, disse que a Rússia lançou um ataque durante a noite que também deixou parte da cidade sem eletricidade.
Com AFP e New York Times.

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O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, elogiou a resistência de Cuba à pressão dos EUA durante uma reunião com seu homólogo, Bruno Rodríguez Parrilla, em Nova York, informou seu gabinete na quinta-feira.
Cuba, sob embargo dos EUA desde 1962, tem enfrentado pressão adicional do governo Trump nos últimos meses.
Washington impôs um embargo total ao petróleo em janeiro e, em 1º de maio, o presidente republicano assinou uma ordem executiva endurecendo as sanções contra a ilha caribenha, que ele alega representar “uma ameaça extraordinária” à segurança dos EUA.
O Departamento de Justiça dos EUA também indiciou o ex-presidente Raúl Castro, irmão mais novo do falecido Fidel Castro, em maio, pelo assassinato de americanos em 1996, quando dois aviões pertencentes a um grupo anticastrista foram abatidos, resultando na morte de quatro cidadãos americanos.
O povo cubano “conquistou o respeito da comunidade internacional ao demonstrar uma vontade inabalável de resistir ao bloqueio e à interferência externa”, disse Wang a seu homólogo nas Nações Unidas na quarta-feira. Ele reafirmou o compromisso da China com um sistema internacional centrado na ONU e sua oposição a “qualquer forma de política de poder e intimidação”.
O gigante asiático demonstra frequentemente seu apoio à ilha latino-americana. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, anunciou no fim de semana o recebimento de um carregamento inicial de 15 mil toneladas de arroz enviado por Pequim, que, segundo ele, prometeu um total de 60 mil toneladas.
“A China continuará a defender a justiça e a se manifestar em favor de Cuba, apoiando a justa causa do povo cubano e contribuindo para o desenvolvimento da economia cubana, bem como para a melhoria das condições de vida de seu povo”, acrescentou Wang.
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou, na quarta-feira (27), sanções contra a agência recém-criada pelo Irã para controlar o fluxo pelo Estreito de Ormuz.
“A mais recente tentativa das forças armadas iranianas de extorquir o comércio marítimo global é prova de que [a operação] Fúria Econômica deixou o regime desesperado por dinheiro em espécie”, disse em comunicado o secretário do Tesouro, Scott Bessent.
Teerã criou a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico para cobrar taxas pela passagem por esse estratégico corredor marítimo. O comunicado estendeu a ameaça de sanções a qualquer um que pagar, porque “poderia estar oferecendo apoio e recebendo serviços” da Guarda Revolucionária do Irã.
Na televisão, em murais de rua, em cartazes de obras em andamento e até em brinquedos distribuídos em bairros pobres. O rosto de Nicolás Maduro reinou na Venezuela por anos. Mas agora, meses depois de sua queda, o novo governo o apaga pouco a pouco. “O início de uma nova etapa” foi o sugestivo slogan escolhido pela máquina de propaganda da presidente interina, Delcy Rodríguez, para celebrar, em abril, seus primeiros 100 dias de gestão. Ficaram para trás os apelos pela libertação de Maduro lançados imediatamente depois de ser capturado, em 3 de janeiro, por forças americanas junto com sua esposa, Cilia Flores. Ambos foram transferidos para uma prisão em Nova York, acusados de narcotráfico. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
No final de fevereiro, quando anunciou o início da “Operação Fúria Épica” e lançou, ao lado de Israel, toneladas de bombas sobre o Irã, o presidente dos EUA, Donald Trump, garantia que seria um conflito rápido, e que deixaria a República Islâmica de joelhos. Três meses depois, e em meio a um tenso cessar-fogo anunciado em abril, a “vitória completa” não se concretizou. O regime, embora ferido, segue em pé, pode conseguir um acordo favorável. O Estreito de Ormuz está praticamente fechado, e o status de outras passagens marítimas é reavaliado. E o Oriente Médio, que Trump prometeu remodelar, traça caminhos não necessariamente benéficos aos americanos.
— Trump se colocou em uma situação de xeque porque ele chamou para jogar xadrez um adversário, o Irã, que tem menos a perder. E eles aprenderam a gostar do conflito — explica ao GLOBO Gustavo Macedo, professor de Economia do Insper. — Depois dos primeiros dias, com a perda das lideranças políticas, os iranianos entenderam que a extensão de um conflito controlado joga a favor deles.
Diálogo em curso: Trump reúne gabinete em Washington em meio a negociações com o Irã e disputa sobre Ormuz
Retórica bélica: Líder supremo do Irã afirma que países do Golfo não serão mais ‘escudo’ para os EUA enquanto ataques pressionam negociações
Nos primeiros atos da guerra, as perdas nos altos escalões em Teerã foram elevadas, a começar pelo líder supremo, Ali Khamenei. Mas um dos objetivos velados do republicano, a mudança de regime, sequer soou como uma possibilidade real. Como o próprio Trump reconheceu em seu discurso no dia 28 de fevereiro, essa era uma guerra para a qual Teerã se preparava desde 1979, quando a Revolução Islâmica afastou o governo pró-Washington do xá Reza Pahlevi.
A tática descentralizada de comando foi eficaz para superar as baixas nos altos escalões, e o uso de foguetes e drones de baixo custo foi crucial para manter o Estreito de Ormuz praticamente fechado. A passagem que dá acesso ao Golfo Pérsico se tornou arma estratégica contra a maior potência militar do planeta. As ameaças de “obliteração civilizacional” até hoje não passaram de retórica.
— Para os iranianos, o poder de dissuasão dos EUA e de Israel acabou. O regime sobreviveu aos ataques, e isso torna a liderança iraniana que emerge desse conflito muito mais radical, e muito mais disposta a assumir riscos — afirmou ao GLOBO o professor de Ciências Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme) Sandro Teixeira Moita.
Irã aperta controle sobre Estreito de Ormuz e impõe vitória estratégica no conflito contra os EUA e Israel
Editoria de Arte/O Globo
Nas negociações com os EUA, a reabertura do estreito, por onde passavam 25% das exportações globais de petróleo e gás, é a principal meta. Mas o retorno a algo parecido ao status quo pré-conflito não virá de graça: os iranianos querem mais tempo para discutir o futuro do programa nuclear, não aceitam falar sobre seus mísseis ou milícias aliadas na região — o Eixo da Resistência — e exigem o fim do bloqueio econômico e o desbloqueio dos fundos congelados no exterior.
Com uma economia dilacerada, o dinheiro ajudaria na reconstrução e, em um ponto criticado por Israel, a reerguer as capacidades militares. Como demonstrado em alto-mar, os americanos não conseguiram reabrir Ormuz, e outros países — em especial os da Otan — tampouco querem assumir o risco.
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Neste cenário, a discussão sobre o futuro dos estreitos marítimos — que inclui a cobrança de pedágio, tal como quer o Irã — se pôs à mesa. Em abril, o ministro das Finanças da Indonésia levantou a ideia de cobrar pelo trânsito de navios pelo Estreito de Malaca, principal rota entre os oceanos Pacífico e Índico, sob críticas de outras duas nações da área, Malásia e Cingapura. A Somália e os houthis no Iêmen não raro ameaçam e barram embarcações que transitam pelo Estreito de Bab el-Mandeb, na entrada do Mar Vermelho. Um comentarista britânico afirmou recentemente que se cada navio que passar pelo Canal da Mancha pagar £ 1 milhão, geraria £ 288 bilhões anuais a Londres.
— Ficou evidente que os países continuam sendo reféns da geografia. É uma expressão clássica das relações internacionais, em um mundo hiperconectado e com uma cadeia de valor que depende da ligação entre os países. E essa cadeia de produção é mais sensível e vulnerável do que alguns atores econômicos gostariam de reconhecer — opina Macedo.
O caos em Ormuz não estava entre os desfechos apresentados pelo premier de Israel, Benjamin Netanyahu, quando tentou convencer Trump a atacar o Irã. Ele alegou que o regime estava em seu estado mais frágil desde 1979, e que era hora de agir. As mortes das lideranças nos primeiros dias pareciam confirmar os argumentos, mas a resiliência iraniana e as retaliações regionais soaram como surpresa. Especialmente para as monarquias árabes do Golfo, que desde o início tentam evitar confusão.
— Esse conflito trouxe uma insegurança estrutural na região, envolvendo países relativamente seguros e protegidos, e que recebiam um elevado fluxo de investimento de empresas estrangeiras, especialmente dos EUA — afirma Macedo.
O desmantelamento da imagem de ilhas de prosperidade impôs a países como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos um custo difícil de estimar em termos econômicos e políticos. Segundo Moita, as monarquias começam a questionar se valia a pena abrigar bases americanas em troca de uma suposta segurança prometida por Washington — durante os 40 dias de conflito aberto, alvos como instalações civis e de energia sofreram danos.
— O que fica para alguns é que talvez a aliança não seja a melhor situação. Talvez seja hora de trabalhar em outros acordos de segurança e em outros arranjos — explica Moita.
Os Emirados Árabes Unidos ampliaram sua parceria com Israel, e foram o primeiro país a receber baterias do sistema de defesa aérea Domo de Ferro. Os sauditas, embora restritos por compromissos duradouros com Washington, dão passos consistentes rumo à China, país que, em 2023, mediou o processo de reaproximação entre Riad e Teerã. Catar e Omã, ambos atingidos durante a guerra, abrem conversas com os iranianos — nos últimos dias, os catarianos assumiram o papel de mediação nas conversas para o desbloqueio de fundos pelos EUA. E outros atores, como Ucrânia e Coreia do Sul, querem aproveitar o mal-estar local com os americanos para ampliar a venda de armamentos a uma região que deve ampliar os gastos com Defesa no futuro próximo.
— Esse conflito vai gerar uma reconfiguração de toda a arquitetura de poder da região — afirma Moita.
Na segunda-feira, Trump disse que qualquer acerto diplomático deveria prever a adesão de países como Jordânia, Paquistão e Catar aos Acordos de Abraão, destinados à normalização dos laços com o Estado israelense. No Oriente Médio e regiões próximas, apenas os Emirados e o Bahrein aderiram — os demais alegam já terem acordos próprios ou condicionam a assinatura à criação de um Estado palestino. A menção foi um aceno a Israel, no momento em que Netanyahu está insatisfeito com um potencial acordo com Teerã para cuja elaboração não foi chamado.
O premier usa a ofensiva no Líbano para atacar o Hezbollah, aliado de Teerã, e manter uma frente de guerra ativa, em paralelo a ataques na Faixa de Gaza e ao incentivo à violência de colonos na Cisjordânia. A retomada unilateral dos bombardeios contra o Irã não foi descartada, nem pela oposição, e é tratada sob uma das óticas favoritas de Netanyahu: a da ameaça existencial. Mesmo sem o aval da Casa Branca.
— Netanyahu tentará de diversas maneiras manter um estado de inimizade com o Irã, porque há uma percepção de que o momento do confronto é agora, quando o tabu de um ataque direto ao Irã foi rompido — aponta Moita. — Para Israel, o Irã é um problema que tem que ser resolvido logo. Senão, avaliam que poderá chegar o momento em que os iranianos conseguirão uma certa paridade em capacidades militares.
O próximo domingo será palco de um fenômeno astronômico raro e cercado de curiosidade popular: a chamada “Lua Azul”. O evento poderá ser observado a olho nu em diversas partes do mundo, desde que as condições climáticas sejam favoráveis, incluindo no Brasil.
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Apesar do nome, a Lua não ficará azul. Trata-se, na verdade, da segunda lua cheia registrada dentro de um mesmo mês do calendário — algo incomum, mas perfeitamente explicado pelo ciclo lunar.
Uma vez a cada Lua Azul
Isso acontece porque a Lua leva cerca de 29,5 dias para completar um ciclo completo de fases. Quando uma lua cheia ocorre logo nos primeiros dias do mês, sobra tempo suficiente para que outra aconteça antes do encerramento daquele mesmo período. É exatamente o que ocorrerá em maio.
O fenômeno costuma chamar atenção justamente pelo caráter raro. Em média, a chamada Lua Azul aparece a cada dois ou três anos, o que ajudou a popularizar expressões como “uma vez a cada Lua Azul”, usada em inglês para se referir a acontecimentos incomuns.
Segundo especialistas, o evento poderá ser observado sem necessidade de telescópios ou equipamentos específicos. O ideal é procurar locais com pouca poluição luminosa, céu limpo e baixa nebulosidade, especialmente fora dos grandes centros urbanos.
O fenômeno encerra um mês movimentado para os observadores do céu. No início de maio, astrônomos e curiosos já haviam acompanhado a chuva de meteoros Eta Aquáridas, associada aos fragmentos deixados pelo famoso Cometa Halley.
Enquanto a Rússia não consegue avançar na guerra na Ucrânia, o presidente Vladimir Putin parece estar buscando um conflito mais amplo na Europa, visando cada vez mais infraestruturas críticas e cadeias de suprimentos, afirmou uma das mais altas autoridades de inteligência britânicas em um discurso preparado. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
As forças iranianas dispararam contra quatro navios que tentavam cruzar o Estreito de Ormuz, informou a emissora estatal IRIB, mesmo dia em que os Estados Unidos realizaram novos ataques aéreos no sul da República Islâmica.
“Quatro embarcações tentaram cruzar o Estreito de Ormuz e entrar no Golfo Pérsico sem coordenação com as forças de segurança”, publicou a IRIB na plataforma de mensagens Telegram, indicando que o incidente ocorreu por volta das 00h35, horário local, mas sem fornecer detalhes sobre a condição dos navios.
“Eles foram avisados, mas como ignoraram o aviso, tiros de advertência foram disparados, forçando-os a retornar”, acrescentou.

A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira (27), em dois turnos, a proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19 que acaba com a escala de trabalho 6×1. Foram 461 votos favoráveis e 19 contrários, no segundo turno.

O texto segue para o Senado onde serão necessários os votos de no mínimo 49 senadores.

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O texto da PEC determina a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem perda salarial. Pela proposta, o fim da escala 6×1, com garantia de ao menos duas folgas semanais, das quais uma preferencialmente aos domingos, entrará em vigor 60 dias após a promulgação do texto.

Após o fim do primeiro turno de votação, o presidente da Câmara, Hugo Motta, disse que Casa deu um passo importante para “uma mudança fundamental para os trabalhadores e trabalhadoras do país desde a Constituição de 1988”.

“Assumi esta condução com todo o equilíbrio, responsabilidade e, principalmente, compromisso com os brasileiros. Por isso, já no início do debate, tratei três pilares como inegociáveis para esta Casa e para o governo federal: a redução da jornada para 40 horas semanais, dois dias de descanso e a manutenção dos salários dos trabalhadores”, disse Motta. 

“Essa aprovação ficará registrada na história desta legislatura e na trajetória de cada parlamentar, que compreendeu que desenvolvimento econômico e dignidade humana precisam caminhar juntos”, completou.

Transição

De acordo com o texto aprovado, após 60 dias, a jornada será reduzida de 42 horas semanais para 40 horas. Doze meses após a entrada em vigor da mudança para 42 horas, a duração do trabalho será reduzida para 40 horas semanais, com o máximo de 8 horas diárias de trabalho.

A transição foi incluída após um acordo do governo com o presidente da Câmara dos Deputados.

Após o prazo de 60 dias e dentro do período de redução da jornada, o texto prevê a possibilidade de ampliar a duração diária do trabalho normal. Essa ampliação deverá ser feita por negociação em convenção ou acordo coletivo de trabalho.

>> Veja as regras de transição da PEC que acaba com a escala 6×1:

– escala de 5 dias de trabalho com 2 dias de descanso (após 60 dias); 
– redução da jornada de 44 horas para 42 horas semanais (após 60 dias)
– jornada de 42 horas para 40 horas semanais, mantida a escala 5×2 (em 14 meses). 

Antes da votação em plenário, o texto foi aprovado na comissão especial que analisou a matéria. Pela manhã, Motta realizou uma sessão protocolar de oito minutos para que fosse liberada a votação do texto na comissão especial. Dos 38 membros da comissão, 34 votaram a favor e 4, contra. Na sequência, a PEC foi incluída na ordem do dia da Casa.

A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira (27), em primeiro turno, a proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19 que a acaba com a escala de trabalho 6×1. Foram 472 votos favoráveis e 22 contrários.

Os deputados federais precisam votar a proposta em segundo turno da proposta, em que são necessários no mínimo 308 votos dos 513 deputados. Após a aprovação, o texto segue para o Senado onde serão necessários os votos de no mínimo 49 senadores.

O texto da PEC determina a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e sem redução salarial. Pela proposta, o fim da escala 6×1, com garantia de ao menos duas folgas semanais, das quais uma preferencialmente aos domingos, entrará em vigor 60 dias após a promulgação do texto.

 

O Senado aprovou nesta quarta-feira (27) o projeto de Lei (PL) 1049/2026 que institui a Política Nacional para Estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação (AH/SD), para dar atendimento especializado e desenvolver esses alunos. O projeto  passará por análise presidencial para sanção.

A AH/SD é uma condição do neurodesenvolvimento que inclui potencial intelectual e capacidade de aprendizagem elevados. 

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Pelas regras aprovadas, esses estudantes deverão receber atendimento especializado que pode incluir aceleração de estudos, agrupamentos de estudantes pares ou grupos de interesse, e acesso a programas de enriquecimento, diferenciação ou aprofundamento curricular.

O texto prevê ainda a criação de centros de referência em altas habilidades ou superdotação em colaboração com estados e municípios. Os recursos devem vir do Fundo Social do Pré-sal, de loterias por quota fixa (bets), do salário-educação direcionado ao Fundeb,  e d recursos públicos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

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Subnotificação

Dados do Censo Escolar de 2025 registraram cerca de 56 mil estudantes formalmente identificados com AH/SD. Os números, entretanto podem ser maiores, segundo entidades como a Associação Mensa Internacional.

Para tratar a subidentificação nos censos escolares, o projeto cria um mecanismo de triagem anual de estudantes com instrumentos pedagógicos como o estudo de caso, de caráter exclusivamente pedagógico e indicativo. Ou seja, a triagem não poderá ser usada como laudo, parecer clínico ou comprovação diagnóstica.

Os resultados da triagem educacional terão caráter confidencial para subsidiar o planejamento pedagógico e encaminhamentos subsequentes.

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