Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Antes dos Estados Unidos e de Israel lançarem sua ofensiva coordenada, o Irã advertiu que, se atacado, infligiria o máximo de prejuízo econômico à região e ao mundo como forma de retaliação. Dito e feito. Desde o início da guerra, que entra na terceira semana, Teerã tem atacado navios dentro e ao redor do Estreito de Ormuz, rota marítima vital para o escoamento de cerca de 20% do petróleo comercializado mundialmente, praticamente paralisando o tráfego marítimo. O bloqueio fez com que os preços do petróleo e do gás natural disparassem em todo o mundo — e a disposição da República Islâmica em persistir com sua medida pegou de surpresa o presidente americano, Donald Trump, que exigiu ajuda de aliados para reabrir o Estreito.
Pressionada por Trump: Europa resiste em ampliar missão naval para ajudar a reabrir Estreito de Ormuz
Recuo: ‘Não precisamos da ajuda de ninguém’, diz Trump após aliados da Otan negarem envio de navios de guerra ao estreito de Ormuz
O Iraque, por sua vez, entrou em contato com o Irã para tentar garantir a passagem de alguns de seus petroleiros pelo Estreito de Ormuz, segundo informou o ministro do Petróleo iraquiano, Hayan Abdel Ghani, na terça-feira. Como membro fundador da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), as vendas de petróleo bruto representam 90% da receita orçamentária do Iraque, que exportava cerca de 3,5 milhões de barris por dia pelo Estreito.
Initial plugin text
— Estamos em contato com as autoridades competentes para autorizar a passagem de certos petroleiros pelo Estreito de Ormuz, para que possamos retomar nossas exportações — disse Ghani, em entrevista à emissora local Al Sharqiya, referindo-se aos navios iranianos. — Precisamos fornecer a eles a identidade desses navios.
Também na terça, um petroleiro ancorado ao largo de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos — palco de ataques retaliatórios iranianos contra bases americanas — foi atingido por destroços e, segundo o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido, a embarcação sofreu “pequenos danos estruturais”. Não há, até o momento, informações sobre feridos.
Crise previsível
Em 2011, um comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, o Exército ideológico do Irã, disse que bloquear o Estreito seria “mais fácil do que beber um copo de água”.
Entenda: Enquanto bloqueia o tráfego no Estreito de Ormuz, Irã mantém fluxo de petróleo e exporta mais do que antes da guerra
Há décadas, os estrategistas militares americanos e as companhias petrolíferas do Golfo têm se preocupado com esse cenário. O Estreito é vital — uma artéria crucial para um quinto do abastecimento mundial de petróleo — e extremamente vulnerável a ataques. Tem apenas 34 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito, obrigando todos os navios a passar bem próximos à fronteira sul do Irã.
Petroleiros trafegam por rotas estreitas, vulneráveis a ataques
Arte / O Globo
Desde o início da guerra, grande parte da Marinha iraniana foi afundada por ataques dos EUA e de Israel. Centenas de seus mísseis foram destruídos. Mas enquanto o Irã mantiver a capacidade de atacar navios em uma estreita faixa de água, terá uma ferramenta poderosa à sua disposição.
Esforço de Trump
Durante o fim de semana, Trump pressionou outros países para que enviassem seus próprios navios de guerra ao Estreito. Mas, por ora, poucos parecem dispostos a cooperar. China, Coreia do Sul, França e Reino Unido não responderam diretamente à exigência de Trump. Japão, Austrália e Alemanha a descartaram explicitamente. A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, foi categórica: “Esta não é uma guerra da Europa”.
Presidente dos EUA, Donald Trump, em entrevista coletiva reunião no Centro Kennedy, na Casa Branca
Doug Mills/The New York Times
Na terça, após a recusa dos países, o republicano criticou, em sua plataforma Truth Social, a Otan, dizendo que a aliança é uma “via de mão única”. E afirmou que os EUA não precisam “da ajuda de ninguém”.
No entanto, em meio a pressão do líder republicano — que criticou na última segunda-feira a falta de “entusiasmo” de aliados ao seu apelo para proteger a navegação no Estreito —, ministros das Relações Exteriores da UE reuniram-se para discutir a possibilidade de ampliar a missão naval do bloco no Mar Vermelho. A ideia é encontrar formas de ajudar a reabrir a estratégica passagem.
Initial plugin text
Ao mesmo tempo, autoridades reagiram ao alerta de Trump, classificando-a como “muito ruim” para o futuro da Otan, se os países europeus não se juntarem a Washington em seu esforço para reabrir a rota.
Embora as pressões econômicas sobre autoridades europeias sejam reais, há também um sentimento de déjà vu. Líderes na Europa e em outras partes do mundo lembram bem da última vez em que um presidente americano pediu a aliados que reunissem forças no Oriente Médio: em muitas partes do continente europeu, a invasão do Iraque em 2003 é vista como um erro custoso, impulsionado por informações falhas sob insistência do então presidente George W. Bush.
Desafio para reabertura
Trump parece frustrado. Na semana passada, ele perguntou ao general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, por que os EUA não conseguiam reabrir o estreito. A resposta é simples, disseram-lhe: um único soldado iraniano ou membro de uma milícia, atravessando o estreito em uma lancha, pode disparar um míssil contra um petroleiro em baixa velocidade ou plantar uma mina magnética em seu casco.
CNN: Irã começa a instalar minas navais no Estreito de Ormuz; Trump ameaça impor resposta ‘sem precedentes’
Segundo a rede americana CNN, a Guarda Revolucionária do Irã começou a instalar dezenas de minas navais na região do Estreito de Ormuz, cobrindo uma área relativamente pequena da passagem que leva do Mar da Arábia ao Golfo Pérsico. A Guarda Revolucionária possui capacidade considerável de ação naval na área, com lanchas de ataque rápido, mísseis em áreas costeiras e barcos para instalar novas minas. Teerã não confirmou a informação.
Navio militar transita pelo Estreito de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico
Sahar AL ATTAR / AFP
Trump estimulou os proprietários de navios-tanque a “mostrarem coragem”. Além disso, Washington sondou a possibilidade da Marinha dos EUA escoltar navios no Estreito. Na década de 1980, durante a guerra Irã-Iraque, a Marinha dos EUA garantiu com sucesso a passagem de petroleiros pelo Estreito.
Mas hoje, com a evolução da tecnologia, essa manobra seria cara e arriscada. Formar uma escolta desse tipo poderia levar semanas e exigiria a destruição dos inúmeros mísseis iranianos ao longo do estreito. E provavelmente mobilizaria ainda mais navios de guerra no Oriente Médio.
Em entrevista à agência de notícias Reuters, Tom Sharpe, comandante aposentado da Marinha Real Britânica, afirmou que a escolta de três ou quatro navios por dia no Estreito seria viável a curto prazo, utilizando sete ou oito destróieres para cobertura aérea. Para ele, fazer a escolta durante meses exigiria mais recursos.
Possível reabertura
A questão de como manter o estreito aberto não é nova. Na década de 2000, o Pentágono pediu a um de seus principais estrategistas no Oriente Médio que avaliasse uma situação semelhante.
O tenente-general Samuel Clinton Hinote, aposentado da Força Aérea americana, disse que, embora os EUA pudessem usar sensores avançados e ataques de precisão para mitigar os ataques iranianos, não conseguiriam impedi-los completamente. As rotas marítimas, segundo ele, são muito estreitas e as embarcações muito vulneráveis ​​a foguetes, mísseis e enxames de pequenas embarcações.
— O Estreito de Ormuz é um problema difícil, quase impossível, de ser resolvido apenas por meios militares — disse Hinote.
Para ele, manter a hidrovia aberta por meios militares significaria tomar e manter o território iraniano que margeia o Estreito. Em outras palavras: tropas terrestres.
Ofensivas: Ataques do Irã deixam oito marinheiros mortos e 20 mil presos no Estreito de Ormuz desde o início do conflito
— Seria necessário um grande número de tropas terrestres para tomar o controle da costa. Na falta disso, a única solução duradoura para o Estreito é diplomática — acrescentou.
Os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita têm procurado maneiras de contornar o Estreito construindo mais oleodutos. Mas eles não estão atualmente operacionais e um ataque a um oleoduto saudita que liga o leste ao oeste, realizado pela milícia Houthi em 2019, mostrou que essas alternativas também são vulneráveis.
O que diz o Irã
Há muito, analistas consideram o fechamento do Estreito como uma medida de último recurso, pois a ação tem potencial de gerar represálias contra o próprio setor energético iraniano. O assassinato do aiatolá Ali Khamenei, porém, mudou essa equação.
Na semana passada, os EUA bombardearam a Ilha de Kharg, terminal estratégico responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do Irã, e Trump ameaçou atacar instalações petrolíferas na região caso Teerã não reabrisse o Estreito.
No Telegram, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o Estreito “está aberto a todos, exceto aos navios americanos e de seus aliados”. Na prática, porém, o petróleo transportado pela passagem vem do Irã ou de aliados dos Estados Unidos, como a Arábia Saudita e o Kuwait.
Em primeiro pronunciamento: Estreito de Ormuz certamente seguirá bloqueado, diz novo líder supremo do Irã
Após o apelo de Trump para nações protegerem o Estreito, o chanceler iraniano advertiu a outros países de que, se intervierem, haverá “uma escalada” na guerra no Oriente Médio. O ministro pediu aos países a “se absterem de qualquer ação que possa levar a uma escalada” e afirmou que dispõe de “muitas provas” de que bases americanas no Oriente Médio foram utilizadas para atacar seu país, citando os Emirados Árabes Unidos.
Na televisão americana, Mike Waltz, embaixador dos EUA na ONU, reforçou o apelo de Trump. Na CNN, durante entrevista no último domingo, Waltz foi questionado se Trump estava preparado para atacar instalações petrolíferas na ilha de Kharg e, em caso afirmativo, se ele temia que isso pudesse acarretar uma escalada ainda maior na guerra.
— O presidente Trump não vai descartar nenhuma opção — disse Waltz. — Certamente acredito que ele manterá essa possibilidade em aberto, se quiser desmantelar a infraestrutura energética deles.
(Com New York Times)

Veja outras postagens

Os ministérios da Defesa do Kuwait e dos Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram neste domingo (10) que suas defesas aéreas abateram diversos drones, sem feridos. Os EAU afirmaram ainda que o Irã é o responsável pelo ataque em seu território. Já o Kuwait informou que “drones hostis” foram detectados no espaço aéreo do país. Na costa do Catar, um navio cargueiro britânico sofreu um “pequeno incêndio” após ser atingido por drones de origem desconhecida, em ataque que Londres classificou como “escalada perigosa e inaceitável que ameaça a segurança das rotas marítimas”.
Fim da guerra e segurança no Golfo: Irã envia resposta à proposta de paz dos EUA e almeja ‘paz regional’
Entenda: Irã recebe componentes para drones da Rússia pelo Mar Cáspio, driblando bloqueio naval dos EUA e acelerando sua capacidade de recuperação bélica
Neste sábado (9), o Reino Unido anunciou que deslocará para o Oriente Médio o destróier HMS Dragon, atualmente no Mediterrâneo, em preparação para uma “futura missão internacional de proteção ao transporte marítimo no Estreito de Ormuz”, uma das rotas comerciais mais estratégicas do planeta. De acordo com o o ministério britânico da Defesa, a decisão faz parte de um esforço de “planejamento rigoroso” para “garantir a segurança do estreito, quando as condições permitirem”, em uma coalizão internacional co-liderada com a França.
Horas antes do incidente com o cargueiro próximo a Doha, em conversa telefônica com o chanceler iraniano, o primeiro-ministro do Catar, xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, falou sobre os esforços “destinados a alcançar a paz e a reforçar a segurança e a estabilidade na região”.
Em comunicado, reproduzido pela rede catari AlJazeera, o premier enfatizou “que a liberdade de navegação é um princípio bem estabelecido que não admite concessões, e fechar o Estreito de Ormuz ou usá-lo como moeda de troca só levará ao agravamento da crise e a uma maior exposição dos interesses vitais dos países da região a mais perigo”.
Após o ataque, ainda de origem desconhecida, o Catar condenou o que chamou de “violação flagrante do princípio da liberdade de navegação e das disposições do direito internacional”.
Mesmo ferido e isolado: líder supremo do Irã influencia estratégia da guerra e negociações com EUA, diz CNN
No Kuwait, o porta-voz do Ministério da Defesa, coronel Saud Abdulaziz Al-Atwan, afirmou que suas defesas aéreas responderam de acordo com os procedimentos estabelecidos após ter “lidado com drones hostis”.
Em meio aos relatos de ataques, uma explosão foi ouvida na cidade portuária iraniana de Chabahar, que, segundo a agência semioficial iraniana Mehr, teria sido causada por uma “operação planejada de destruição de munições não detonadas”.
Irã responde à proposta de paz
O Irã enviou sua resposta à mais recente proposta apresentada pelos Estados Unidos com o objetivo de encerrar o conflito iniciado no fim de fevereiro, quando Washington e Tel Aviv atacaram Teerã, informou neste domingo a imprensa estatal iraniana. A comunicação, também de acordo com a Irna, foi feita através do Paquistão, país que vem atuando como principal canal diplomático entre os países nas negociações indiretas.
Initial plugin text
A agência afirmou que a resposta de Teerã se concentra em “acabar com a guerra na região e garantir a segurança marítima” no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz.
Antes do envio, segundo a TV estatal, o chefe do comando militar central do Irã, Ali Abdollahi, reuniu-se com o líder supremo Mojtaba Khamenei para abordar “novas diretrizes e orientações para a continuação das operações para enfrentar o inimigo”.
Homem enrolado em bandeira do Irã segura a imagem do novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, em ato em Teerã
AFP
Segundo a rede americana CNN, o líder supremo desempenha papel crucial na estratégia da guerra e na condução das negociações com os Estados Unidos, apesar de seu isolamento desde o início da guerra e de seus ferimentos no joelho e nas costas. O Wall Street Journal, que ouviu uma fonte sob condição de anonimato, afirmou que Khamenei também sofreu queimaduras graves que atingiram rosto, braço, tronco e perna.
Altos funcionários da Guarda Revolucionária Islâmica têm comandado as operações diárias no teatro de guerra, juntamente com o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf. No início da semana, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou à mídia estatal que teve uma reunião de duas horas e meia com Khamenei, no primeiro encontro presencial relatado entre uma alta autoridade iraniana e o líder supremo.
(Com AFP)
Os ministérios da Defesa do Kuwait e dos Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram neste domingo que suas defesas aéreas abateram diversos drones, que não resultaram em feridos. Os EAU, por sua vez, afirmaram que o Irã é responsável pelo ataque em seu território. Já o Kuwait informou que “drones hostis” foram detectados no espaço aéreo do país. Na costa do Catar, um navio cargueiro britânico sofreu um “pequeno incêndio” após ser atingido por drones de origem desconhecida, em um ataque que o ministério das Relações Exteriores do país classificou como “uma escalada perigosa e inaceitável que ameaça a segurança das rotas marítimas”.
Fim da guerra e segurança no Golfo: Irã envia resposta à proposta de paz dos EUA e almeja ‘paz regional’
Entenda: Irã recebe componentes para drones da Rússia pelo Mar Cáspio, driblando bloqueio naval dos EUA e acelerando sua capacidade de recuperação bélica
Horas antes do incidente com o cargueiro próximo a Doha, em conversa telefônica com o chanceler iraniano, o primeiro-ministro do Catar, xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, falou sobre os esforços “destinados a alcançar a paz e a reforçar a segurança e a estabilidade na região”.
Em comunicado, segundo a rede catari AlJazeera, o premier afirmou que “enfatizou que a liberdade de navegação é um princípio bem estabelecido que não admite concessões, e que fechar o Estreito de Ormuz ou usá-lo como moeda de troca só levaria ao agravamento da crise e exporia os interesses vitais dos países da região ao perigo”. Ele ainda alertou para as “potenciais repercussões negativas que isso poderia ter no fornecimento global de energia e alimentos, bem como na estabilidade dos mercados e das cadeias de abastecimento”.
Após o ataque, ainda de origem desconhecida, o Catar condenou o que chamou de “violação flagrante do princípio da liberdade de navegação e das disposições do direito internacional”. O Ministério das Relações Exteriores do país, que solicitou uma investigação, classificou o incidente como uma “escalada perigosa e inaceitável que ameaça a segurança das rotas marítimas comerciais e o abastecimento vital da região”.
Os ministérios da Defesa do Kuwait e dos Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram neste domingo que suas defesas aéreas abateram diversos drones, que não resultaram em feridos. Os EAU, por sua vez, afirmaram que o Irã é responsável pelo ataque em seu território. Já o Kuwait informou que “drones hostis” foram detectados no espaço aéreo do país. Na costa do Catar, um navio cargueiro britânico pegou fogo após ser atingido por drones de origem desconhecida, em um ataque que o ministério das Relações Exteriores do país classificou como “uma escalada perigosa e inaceitável que ameaça a segurança das rotas marítimas”.
Em atualização
Irã enviou resposta à proposta dos EUA por meio do Paquistão, segundo mídia estatal
Pelo menos 15 policiais morreram e outros três ficaram feridos após um grupo de militantes detonar um carro-bomba contra um posto de controle e, em seguida, abrir fogo contra agentes no noroeste do Paquistão, informaram autoridades neste domingo.
Flotilha: Israel deporta brasileiro Thiago Ávila e ativista espanhol detidos em em águas internacionais rumo a Gaza
Excursionistas mortos: Resgate encontra últimos corpos das última vítimas em erupção de vulcão na Indonésia
O ataque ocorreu durante a noite na área de Fateh Khel, em Bannu, na província de Khyber Pakhtunkhwa, região fronteiriça com o Afeganistão marcada por uma escalada recente de violência.
— Na noite passada, na área de Fateh Khel, em Bannu, um homem-bomba lançou um veículo carregado de explosivos contra um posto de controle policial, após o que vários militantes entraram no posto — disse à AFP Muhammad Sajjad Khan, funcionário da polícia de Bannu.
Segundo ele, 15 mortes foram confirmadas no ataque.
As autoridades afirmam que, após a explosão, homens armados invadiram o posto policial, abriram fogo e também usaram pequenos drones durante a ofensiva.
— Durante a ofensiva, os militantes usaram quadricópteros junto com armamento pesado — afirmou à AFP um alto funcionário administrativo de Bannu, sob condição de anonimato.
Segundo esse funcionário, mais de 100 militantes participaram da ação.
— Além disso, ao recuarem, os atacantes levaram agentes policiais e armas da delegacia — acrescentou.
O ataque é o mais recente episódio de uma série de ofensivas militantes em Khyber Pakhtunkhwa, que elevaram a tensão entre Islamabad e Cabul.
O governo talibã no Afeganistão nega acusações do Paquistão de que seu território sirva de abrigo para grupos armados. Ainda assim, nos últimos meses, a deterioração nas relações entre os dois países avançou para confrontos armados, incluindo bombardeios aéreos paquistaneses sobre cidades afegãs.

O chamado Projeto de Lei da Misoginia se transformou em alvo de uma ofensiva de desinformação nas redes sociais, coordenada por políticos de direita, segundo levantamento do Observatório Lupa. O estudo identificou narrativas falsas, teorias conspiratórias e conteúdos produzidos com inteligência artificial para atacar o PL aprovado pelo Senado em março deste ano.

Entre os dias 24 de março e 30 de abril de 2026, os pesquisadores coletaram mais de 289 mil publicações no X sobre o tema. Também foram analisados 6,3 mil posts no Facebook, 2,9 mil no Instagram e mil no Threads.

Notícias relacionadas:

A partir desse conjunto de dados, o observatório identificou “picos de desinformação, tendências narrativas e padrões de comportamento” nas plataformas digitais. O projeto em discussão no Congresso é o PL 896/2023, que define misoginia como “a conduta que exterioriza ódio ou aversão às mulheres”.

Caso seja aprovado pela Câmara sem alterações, o texto passará a incluir a “condição de mulher” na Lei do Racismo (Lei 7.716/1989), prevendo pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa, para práticas enquadradas como misóginas.

Segundo a Lupa, o principal pico de engajamento da campanha de desinformação ocorreu em 25 de março, um dia após a aprovação da proposta no Senado, impulsionado por um vídeo publicado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

O parlamentar associou ao PL da Misoginia trechos de outro projeto de lei, o PL 4224/2024, da senadora Ana Paula Lobato, que tratava da Política Nacional de Combate à Misoginia, mas que não fazia parte do texto aprovado no Senado.

De acordo com o levantamento, a publicação alcançou ao menos 751 mil visualizações em apenas 24 horas. Posteriormente, o vídeo foi apagado e republicado sem o trecho relacionado ao outro projeto.

O estudo também aponta que uma das principais narrativas disseminadas nas redes foi a de que o projeto restringiria a liberdade de expressão e poderia ser utilizado para “perseguir a direita”.

Outra linha recorrente de desinformação afirmava que perguntar a uma mulher se ela estava com TPM poderia levar alguém à prisão.

“As publicações mais virais sobre o PL da Misoginia têm explorado, sobretudo, o medo como motor de engajamento”, afirma o relatório.

 Segundo os pesquisadores, conteúdos falsos sugeriam ainda que a proposta provocaria “demissões em massa” de mulheres ou criminalizaria trechos da Bíblia. A pesquisa identificou o uso de inteligência artificial para criar vídeos falsos sobre supostas consequências da proposta. Um dos exemplos citados envolve publicações alegando que empresários teriam começado a demitir mulheres para evitar processos relacionados à futura legislação.

Entre os atores mais influentes na circulação desses conteúdos aparecem, além de Nikolas Ferreira, o senador Flávio Bolsonaro (PL), o vereador paulistano Lucas Pavanato (PL), o comentarista político Caio Coppola e a influenciadora Babi Mendes. O relatório destaca o crescimento de termos associados à cultura misógina “redpill”, que retrata o projeto como uma ameaça aos homens.

Também foram identificadas menções recorrentes a aplicativos de transporte, em tom irônico, sugerindo medo de acusações falsas em interações cotidianas.

Para os pesquisadores, as postagens ignoram um ponto central do projeto: a misoginia, no escopo da proposta, está relacionada a práticas discriminatórias que gerem “constrangimento, humilhação, medo ou exposição indevida” em razão do gênero.

“Ao ignorar esse contexto, as postagens distorcem o debate e ampliam a desinformação”, conclui o estudo.

As equipes de resgate da Indonésia recuperaram neste domingo os dois últimos corpos dos três excursionistas que morreram durante a erupção do vulcão Dukono, no leste do país, encerrando oficialmente as buscas na região.
O monte Dukono, localizado na ilha de Halmahera, nas Molucas, entrou em erupção na sexta-feira, provocando a morte de dois cidadãos de Singapura e de uma indonésia.
As vítimas faziam parte de um grupo de 20 pessoas acompanhado por um guia. Os outros 17 alpinistas, entre eles sete singapurenses, conseguiram ser evacuados sãos e salvos.
Os corpos dos dois excursionistas de Singapura foram localizados neste domingo perto da área onde, no sábado, os socorristas haviam recuperado os restos mortais da terceira vítima, informou Abdul Muhari, porta-voz da Agência Nacional de Gestão de Desastres.
Segundo ele, as operações de busca foram oficialmente encerradas.
Initial plugin text
A retirada dos corpos exigiu uma operação complexa. Eles estavam “sepultados sob materiais vulcânicos de espessura considerável”, explicou Muhari.
No sábado, socorristas já haviam informado que os dois corpos estavam entre 20 e 30 metros da borda da cratera.
O Dukono é um dos vulcões mais ativos da Indonésia e permanece no nível dois do sistema nacional de alerta vulcânico, que tem quatro níveis, desde 2008.
Desde dezembro de 2024, as autoridades mantêm uma zona de exclusão de quatro quilômetros ao redor da cratera.
Segundo a polícia, os excursionistas ignoraram avisos divulgados nas redes sociais e placas de advertência instaladas na entrada da trilha para mantê-los afastados da área de risco.
Pelo menos quatro trabalhadores ficaram presos após uma explosão em uma mina de carvão no centro da Colômbia, em mais um acidente grave em uma região marcada por recorrentes tragédias na atividade mineradora.
A explosão ocorreu no fim da tarde de sábado na mina Las Quintas, localizada no povoado de Pueblo Viejo, no município de Cucunubá, no departamento de Cundinamarca, cuja capital é Bogotá.
“Por enquanto, há o registro de quatro trabalhadores presos”, informou Jorge Emilio Rey, governador de Cundinamarca, na rede social X, por volta da meia-noite de sábado para domingo.
O escritório de Gestão de Risco de Cundinamarca também confirmou a emergência.
“Estamos atendendo a emergência”, informou o órgão, acrescentando que “preliminarmente há o registro de quatro pessoas presas”.
Segundo a imprensa local, os trabalhadores estariam a cerca de 500 metros de profundidade.
Região acumula tragédias em minas
Acidentes em minas são frequentes nessa área da Colômbia, muitas vezes associados à má ventilação nos túneis subterrâneos — problema comum sobretudo em explorações ilegais ou artesanais.
Há apenas uma semana, uma explosão em outra mina subterrânea de carvão, no município de Sutatausa, também em Cundinamarca, deixou nove mortos e seis sobreviventes resgatados.
Em fevereiro, outro acidente em uma mina ilegal de carvão em Guachetá, no mesmo município, matou seis trabalhadores.
Além das operações regularizadas, Cundinamarca também concentra minas sem licença, frequentemente alvo de denúncias por descumprimento de normas básicas de segurança.
Pallegama Hemarathana Thero, descrito como um dos monges budistas de mais alta hierarquia do Sri Lanka e uma das figuras religiosas mais reverenciadas do país, foi preso e colocado em prisão preventiva sob acusação de estupro e abuso sexual contra uma adolescente de 15 anos.
Guardião de oito locais sagrados no Sri Lanka, Hemarathana ocupa uma das posições de maior prestígio no budismo do país. Sua prisão representa um episódio raro e de grande repercussão em uma sociedade onde monges budistas exercem influência religiosa, social e política significativa.
A detenção ocorreu após uma representação da autoridade de proteção à criança do Sri Lanka, que criticou a polícia por não ter prendido anteriormente o religioso, apesar de ele já ter sido citado como suspeito no caso.
Segundo reportagem da BBC, Pallegama Hemarathana não comentou publicamente as acusações.
No momento da prisão, realizada no sábado, o monge recebia tratamento em um hospital privado em Colombo. Após audiência inicial, um magistrado determinou sua transferência para o hospital da prisão de Colombo e expediu uma ordem às autoridades de imigração para impedir qualquer tentativa de saída do país.
A mãe da suposta vítima também foi presa e colocada em custódia preventiva. Segundo o conteúdo, ela é acusada de auxiliar e facilitar o abuso.
Pallegama Hemarathana deverá comparecer ao tribunal em 12 de maio.
O caso provoca forte comoção no Sri Lanka não apenas pela gravidade das acusações, mas pelo peso simbólico da queda de uma autoridade religiosa de altíssima hierarquia em um país onde o budismo ocupa lugar central na vida pública.
Israel deportou neste domingo dois ativistas estrangeiros — o brasileiro Thiago Ávila e o espanhol Saif Abu Keshek — que haviam sido detidos ao tentar chegar à Faixa de Gaza a bordo de uma flotilha humanitária com o objetivo de romper o bloqueio israelense ao território palestino.
Aliança em desgaste: Arábia Saudita barra operação de Trump no Estreito de Ormuz ao negar uso de bases e espaço aéreo
‘Conta’ de US$ 270 bilhões: demandas do Irã por reparações de guerra são impasse em negociações com os EUA
Thiago Ávila e Saif Abu Keshek, ativista de origem palestina com nacionalidade espanhola, estavam entre dezenas de participantes da chamada Flotilha Global Sumud, interceptada pelo Exército israelense em 30 de abril, em águas internacionais diante da costa da Grécia.
Os dois foram detidos pelas forças israelenses e levados a Israel para interrogatório. Os demais ativistas foram conduzidos à ilha grega de Creta, onde acabaram libertados.
“Saif Abu Keshek e Thiago Ávila, da flotilha da provocação, foram deportados hoje de Israel” após investigação, informou o Ministério das Relações Exteriores de Israel na rede X.
Israel “não permitirá nenhuma violação” do bloqueio sobre Gaza, acrescentou a chancelaria israelense.
Críticas à detenção
A prisão dos ativistas provocou reação internacional. Espanha, Brasil e Nações Unidas haviam pedido a libertação rápida da dupla.
Na quarta-feira, no entanto, um tribunal israelense rejeitou um recurso apresentado contra a detenção.
Após a deportação, a ONG israelense Adalah, que representou legalmente os dois ativistas, acusou Israel de agir de forma arbitrária.
“Desde seu sequestro em águas internacionais até sua detenção ilegal em completo isolamento e os maus-tratos aos quais foram submetidos, as ações das autoridades israelenses foram um ataque punitivo contra uma missão puramente civil”, afirmou a organização.
“O uso da detenção e do interrogatório contra ativistas e defensores dos direitos humanos é uma tentativa inaceitável de suprimir a solidariedade global com os palestinos em Gaza”, acrescentou.
Missão buscava romper bloqueio
A flotilha havia partido da França, da Espanha e da Itália com a proposta de levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza e desafiar o bloqueio imposto por Israel ao enclave palestino.
Não foi a primeira tentativa.
No ano passado, a primeira viagem da Flotilha Global Sumud também foi interceptada por forças israelenses diante das costas do Egito e de Gaza.
Israel controla todos os pontos de entrada em Gaza, território submetido a bloqueio desde 2007.
Desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023, a crise humanitária se agravou fortemente, com escassez severa de alimentos, medicamentos e combustíveis. Em alguns momentos do conflito, Israel interrompeu completamente a entrada de ajuda humanitária no território.

Assine nossa newsletter

e seja avisado quando surgirem novos artigos

Copyright ® 2025 - Todos os Direitos Reservados

Este site é protegido pelo reCAPTCHA e está sujeito à Política de Privacidade e aos Termos de Uso do Google.

plugins premium WordPress