Legalidade é questionada: Derrubada de Maduro pelos EUA é divisor de águas da política externa americana e marco da erosão do multilateralismo
Mudança de líderes, mas não de regime político na Venezuela: Chavistas mantêm o poder, e oposição radical é escanteada
Segundo a imprensa americana, a ofensiva começou com uma combinação de ações cibernéticas destinadas a desorganizar as defesas venezuelanas. Moradores de Caracas relataram apagões em vários bairros no exato momento da incursão, o que o próprio presidente Donald Trump confirmou depois, ao afirmar que as luzes da capital “foram em grande parte desligadas” graças à “expertise” americana.
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O EA-18G Growler é uma versão modificada do caça F/A-18 Super Hornet, projetada especificamente para missões de interferência eletrônica. Em vez de priorizar o combate aéreo tradicional, o Growler é equipado com sensores avançados e sistemas capazes de detectar, bloquear e enganar radares inimigos, redes de comunicação e sistemas de defesa aérea. Seu papel principal é abrir caminho para outras aeronaves, neutralizando ameaças antes mesmo que o inimigo perceba que está sob ataque.
Aviões EA-18G Growler foram projetados para ataques eletrônicos e cibernéticos
Reprodução / Força Aérea Real Australiana
De acordo com o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, a missão aérea teve também como objetivo neutralizar os sistemas de defesa aérea da Venezuela, garantindo a passagem segura dos helicópteros que transportaram forças especiais até os pontos-chave da operação, incluindo o Forte Tiuna, onde Maduro foi encontrado com sua esposa, Cilia Flores.
Para isso, segundo o jornal americano Wall Street Journal, os Growler atuaram em conjunto com caças F-18, F-22 e F-35, aeronaves de comando e controle E-2 Hawkeye, bombardeiros B-1 — cada um capaz de lançar até 24 mísseis de cruzeiro — e drones pilotados remotamente.
Mais de 150 aeronaves, navio de guerra e meses de planejamento: saiba como foi a operação militar dos EUA para a captura de Maduro
Um dos alvos do ataque americano foi o Cerro El Volcán, um dos pontos mais altos nos arredores de Caracas e considerado estratégico para as comunicações do país. Segundo David Smolansky, porta-voz da líder da oposição venezuelana María Corina Machado, o local abriga a principal antena de transmissão de sinais da capital, além de infraestrutura de comunicações via satélite.
A ofensiva envolveu mais de 150 aeronaves militares, que decolaram de cerca de 20 bases e navios da Marinha dos EUA espalhados pelo Caribe e outras regiões. À medida que os aviões avançavam em direção a Caracas, o fator surpresa, segundo Caine, havia sido mantido.
Ainda de acordo com Caine, a operação foi resultado de meses de planejamento meticuloso e de décadas de experiência na integração de operações conjuntas marítimas, terrestres, aéreas e espaciais.
Em seu balanço final, o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA classificou a missão como “uma demonstração poderosa da força conjunta dos Estados Unidos” e afirmou que as forças americanas permanecem mobilizadas na região em alto estado de alerta.
— Pensamos, treinamos, ensaiamos e voltamos a ensaiar não para fazer as coisas darem certo, mas para garantir que nada possa dar errado. Quando recebemos a ordem, podemos agir com força esmagadora no momento e no local que escolhermos, contra qualquer adversário — declarou.









