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Semanas antes da operação que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, autoridades dos EUA já haviam se decidido por uma candidata aceitável para substitui-lo após sua deposição — pelo menos temporariamente: a vice-presidente Delcy Rodríguez. A líder chavista, uma aliada de Maduro, impressionou funcionários do presidente americano, Donald Trump, com sua gestão da crucial indústria petrolífera venezuelana. Pessoas envolvidas nas discussões disseram que intermediários convenceram o governo de que ela protegeria e defenderia futuros investimentos americanos no setor de energia do país.
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— Venho acompanhando a carreira dela há muito tempo, então tenho uma noção de quem ela é e do que ela representa — disse um alto funcionário dos EUA, referindo-se a Delcy. — Não estou alegando que ela seja a solução permanente para os problemas do país, mas ela certamente é alguém com quem achamos que podemos trabalhar em um nível muito mais profissional do que conseguíamos com ele.
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As frequentes aparições públicas de Maduro, somada a outras demonstrações de indiferença, ajudaram a convencer integrantes da equipe de Trump de que o presidente venezuelano estava zombando deles, tentando pagar para ver o que ele acreditava ser um blefe, segundo duas das pessoas, que falaram sob condição de anonimato por não estarem autorizadas a discutir as conversas confidenciais. Na semana passada, Maduro desdenhou da então mais recente escalada dos EUA — um ataque a um cais que os EUA afirmaram ser usado para o tráfico de drogas —, dançando ao som de uma batida eletrônica na televisão estatal, enquanto sua voz gravada repetia em inglês: “No crazy war” (Sem guerras loucas). Antes, havia recusado uma proposta de exílio na Turquia.
Assim, a Casa Branca decidiu levar adiante suas ameaças militares.
A opção por permitir a posse de Delcy foi uma escolha fácil, disseram as fontes. Trump não simpatiza com a líder da oposição María Corina Machado, que organizou uma campanha presidencial vitoriosa em 2024, o que lhe rendeu o Prêmio Nobel da Paz no ano passado. No sábado, Trump disse que aceitaria Delcy, afirmando que a opositora carecia do “respeito” necessário para governar a Venezuela.
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Autoridades americanas afirmam que o relacionamento com o governo interino será baseado na capacidade dela de jogar conforme as regras deles, acrescentando que reservam-se ao direito de tomar medidas militares adicionais caso não respeite os interesses dos EUA. Em uma declaração neste domingo, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que Washington irá trabalhar com as atuais lideranças da Venezuela se elas tomarem “as decisões certas”.
— Vamos julgar tudo pelo que fizerem, e vamos ver o que fazem — disse Rubio no programa Face the Nation, da CBS News. — Eu sei o seguinte: se não tomarem as decisões certas, os EUA manterão diversas ferramentas de pressão.
Trump declarou no sábado que os EUA pretendem “administrar” a Venezuela por um período indeterminado e recuperar os interesses petrolíferos dos EUA, uma afirmação extraordinária de poder unilateral e expansionista após argumentos mais estreitos — e também contestados — sobre interromper o fluxo de drogas.
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Com Delcy, o governo Trump estaria se envolvendo com uma líder do governo que repetidamente rotulou como ilegítimo, ao mesmo tempo em que abandona María Corina — além de não estar claro, imediatamente, se Delcy sequer colaboraria. Em um pronunciamento na televisão, ela acusou os EUA de realizarem uma invasão ilegal e afirmou que Maduro continua sendo o líder legítimo da Venezuela.
Para manter o poder de pressão, altos funcionários americanos disseram que as restrições dos EUA às exportações de petróleo venezuelano permanecerão em vigor por enquanto. Outros envolvidos nas negociações expressaram esperança de que o governo pare de deter petroleiros e emita mais licenças para que empresas dos EUA trabalhem no país, a fim de reanimar a economia e dar a Delcy uma chance de sucesso político.
A vice-presidente de 56 anos chega ao posto de líder interina da Venezuela com as credenciais de uma solucionadora de problemas econômicos que orquestrou uma mudança no país: de um socialismo corrupto para um capitalismo laissez-faire igualmente corrupto.
Delcy Rodríguez ao lado de Maduro e da cúpula chavista, em foto de janeiro de 2019
Luis Robayo/AFP
Ela é filha de um guerrilheiro marxista que ganhou fama por sequestrar um empresário americano. Foi educada em parte na França, onde se especializou em direito trabalhista, e ocupou cargos de médio escalão no governo do predecessor de Maduro, Hugo Chávez, antes de ser promovida a cargos maiores com a ajuda de seu irmão mais velho, Jorge Rodríguez, que acabou se tornando o principal estrategista político de Maduro.
Delcy conseguiu estabilizar a economia venezuelana após anos de crise e aumentar, de forma lenta mas constante, a produção de petróleo do país em meio ao endurecimento das sanções dos EUA, um feito que lhe rendeu o respeito relutante até de algumas autoridades americanas.
À medida que Delcy consolidava o controle sobre a política econômica e eliminava rivais, ela construiu pontes com as elites econômicas da Venezuela, investidores estrangeiros e diplomatas, para quem se apresentava como uma tecnocrata de fala mansa, em contraste aos oficiais de segurança robustos que formavam a maior parte do círculo interno de Maduro.
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Essas alianças deram frutos nos últimos meses, rendendo-lhe defensores poderosos que ajudaram a consolidar sua ascensão ao poder. No sábado, sua assunção foi recebida com otimismo cauteloso por alguns líderes da indústria da Venezuela, que disseram em particular que ela tinha as habilidades para gerar crescimento, se conseguisse convencer os EUA a relaxar o sufocamento da economia do país.
Apesar de todas as suas inclinações tecnocráticas, Delcy nunca denunciou a repressão brutal e a corrupção que sustentaram o governo de Maduro, tendo certa vez chamado sua decisão de ingressar no governo de um ato de “vingança pessoal” pela morte de seu pai na prisão em 1976, após ser interrogado por agentes de inteligência de governos pró-EUA.
A capacidade da líder em negociar através do abismo ideológico da Venezuela pode ser útil para aliviar as tensões. Juan Francisco García, ex-parlamentar do partido governista que desde então rompeu com o governo, disse ter algumas apreensões sobre a capacidade dela de governar, mas deu a ela o benefício da dúvida.
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— A história está cheia de setores e figuras ligadas a ditadores que, em algum momento, serviram como ponte para estabilizar o país e fazer a transição para um cenário democrático — disse García.
As contradições que cercam Delcy ficaram evidentes no sábado, quando ela se dirigiu à nação. Embora Trump tenha dito que ela havia sido empossada como a nova presidente da Venezuela, ficou claro que os apoiadores de Maduro — incluindo a própria, se suas declarações forem levadas ao pé da letra — ainda a veem como a líder da Venezuela. Até mesmo o texto na televisão estatal venezuelana a rotulou como vice-presidente.
Pessoas próximas ao governo, porém, disseram que essas exibições de lealdade eram uma estratégia necessária de relações públicas para pacificar os apoiadores leais do partido governista, inclusive nas Forças Armadas e grupos paramilitares, que estavam atordoados com a humilhação militar infligida pelos EUA ao seu país e com a destruição e morte causadas pelo ataque. (Com AFP)

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A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) aprovou, nessa terça-feira (26), projeto de lei da deputada Índia Armelau (PL) que prevê o uso, em ambientes públicos e privados, de banheiros e vestiários neutros para uso de pessoas trans, não binárias ou que não realizaram cirurgia de afirmação de gênero. A medida vale para hospitais, universidades, centros de convenções, terminais de transporte, espaços culturais, centros esportivos e shoppings do estado. 

O projeto segue agora para o governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, que terá até 15 dias úteis para sancionar ou vetar a medida.

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Durante a votação, a líder da bancada do PCdoB e primeira deputada trans da Casa, Dani Balbi, solicitou que a manifestação de cada parlamentar fosse nominal. A proposta foi aprovada por 29 votos favoráveis, 13 contrários e uma abstenção. Logo após a aprovação, Balbi encaminhou ofício ao governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, pedindo veto total à decisão.

Para a autora da proposta, deputada Índia Armelau, a criação de um terceiro banheiro busca proteger mulheres e crianças. A parlamentar afirma que pessoas trans devem ser respeitadas, mas argumenta que a proposta visa a garantir a segurança e o conforto nos banheiros femininos. “Eu aceito as pessoas trans, mas também preciso ser respeitada como mulher”, explicou.

De acordo com a iniciativa, os ambientes deverão contar com fraldário para crianças de até três anos, vaso sanitário infantil, lavatório adequado e acessibilidade para pessoas com deficiência (PCDs) ou com mobilidade reduzida. O texto também proíbe o acesso de crianças desacompanhadas e de pessoas cisgênero aos banheiros neutros. No entanto, instituições religiosas, como igrejas, seminários teológicos e unidades confessionais, ficam dispensadas da obrigação.

A medida determina ainda que os espaços tenham sinalização específica, inclusive em braille. O projeto define como banheiros e vestiários neutros aqueles destinados a pessoas cuja identidade de gênero não se enquadra nos espectros masculino e feminino ou que não tenham se submetido a procedimento cirúrgico de redesignação de gênero.

Multa

De acordo com o texto, a instalação e adequação dos banheiros deverão seguir requisitos técnicos, especialmente normas de acessibilidade e vigilância sanitária. Os estabelecimentos já em funcionamento terão prazo de 12 meses, após a publicação da lei, para fazer as adaptações necessárias.

O descumprimento poderá acarretar advertências, multas e até interdição do estabelecimento em caso de reincidência. As multas poderão começar em 1.100 UFIRs-RJ — cerca de R$ 5.456 — e dobrar em caso de nova infração.

Os recursos arrecadados serão destinados ao Fundo Estadual de Investimentos e Ações de Segurança Pública e Desenvolvimento Social (Fised), com aplicação em programas de conscientização sobre os direitos das pessoas trans não redesignadas e não binárias, além do atendimento a vítimas de violência motivada por identidade de gênero ou orientação sexual.

O texto também prevê a criação de um canal específico para recebimento de denúncias relacionadas ao descumprimento da norma e para prevenção de atos discriminatórios. Além disso, determina que o Poder Público promova campanhas educativas de combate à transfobia em espaços coletivos, incentivando a convivência respeitosa e inclusiva.

Na justificativa, Índia Armelau declara que o Brasil é um país conservador e sugeriu que o Estado possa auxiliar financeiramente na implementação da medida em grandes espaços públicos. Segundo ela, o estado do Rio estaria sendo pioneiro ao discutir o tema.

Contraponto

A deputada estadual Dani Balbi (PCdoB) criticou a aprovação do projeto que institui banheiros e vestiários “neutros” no estado, o que pode criar restrições relacionadas ao uso por pessoas trans. A parlamentar já encaminhou ofício ao governador Ricardo Couto pedindo veto integral à proposta.

Para Dani Balbi, a proposta é “claramente inconstitucional” e representa mais um capítulo na tentativa de institucionalizar a segregação e a transfobia no espaço público. A deputada propôs uma emenda que veta os estabelecimentos que têm banheiros e vestiários neutros de proibir que pessoas trans e não binárias se utilizem dos locais correspondentes à sua identidade de gênero.

Caso essa e outras adequações não sejam aceitas, ela afirmou que vai adotar todas as medidas jurídicas cabíveis para derrubar a lei. A parlamentar lembrou que já atua judicialmente contra legislações semelhantes aprovadas em municípios fluminenses, como Petrópolis e Campos dos Goytacazes.

No caso de Petrópolis, a norma municipal que restringia o uso de banheiros conforme o chamado “sexo biológico” teve seus efeitos suspensos por medida cautelar concedida pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, após ação apresentada pela parlamentar em conjunto com lideranças políticas locais.

Segundo Balbi, o projeto aprovado na Alerj viola princípios constitucionais básicos, como a dignidade da pessoa humana, a igualdade, a privacidade e o direito à identidade de gênero.

“A possibilidade de transformar banheiros e vestiários em instrumentos de segregação é cruel, inconstitucional e incompatível com a realidade. Pessoas trans existem, trabalham, estudam e circulam pela cidade todos os dias. O espaço público não pode ser organizado pelo ódio e pela exclusão”, afirmou.

Para a parlamentar, propostas desse tipo podem expor pessoas trans a situações de constrangimento, violência e adoecimento físico e psicológico, além de confrontarem entendimentos já consolidados pelo STF sobre identidade de gênero e combate à discriminação.

“Vamos reagir no campo político e jurídico. O Rio de Janeiro não pode retroceder para uma lógica de segregação que nega direitos fundamentais e coloca vidas em risco”, acrescentou Dani Balbi.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, consolidou seu poder sobre o Partido Republicano com a vitória de seu candidato, o procurador-geral do Texas, Ken Paxton, no segundo turno das primárias partidárias para o Senado. Paxton derrotou o senador John Cornyn com mais de 60% dos votos, informaram veículos americanos na noite de terça-feira.
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A vitória de Paxton, anunciada pela Fox News e pela CNN após o fechamento das urnas, evidenciou o poder de Trump de impulsionar e destruir carreiras de republicanos — mesmo em meio a sinais de rebelião de congressistas por causa da guerra contra o Irã, do projeto do salão de baile da Casa Branca e do fundo para recompensar seus aliados.
Cornyn, de 74 anos e senador desde 2002, era inicialmente o favorito, mas o apoio tardio de Trump a Paxton transformou a disputa. O resultado expôs mais uma vez a tensão entre os republicanos antes das eleições de meio de mandato de novembro: o apoio de Trump pode ser decisivo em uma primária, mas também pode deixar candidatos mais vulneráveis depois.
Paxton, de 63, enfrentou escândalos legais, éticos e pessoais, incluindo um processo de impeachment em 2023 na Câmara dos Representantes do Texas, acusações de suborno e um divórcio conturbado. O Senado estadual concluiu que ele era inocente no julgamento político. Durante uma festa após a eleição na noite de terça-feira, Paxton agradeceu a Trump:
— Quando todos em Washington disseram para ele me abandonar e abandonar o povo do Texas, ele não deu ouvidos — afirmou, classificando o apoio de Trump como “a força mais poderosa da política”.
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Cornyn representava a ala institucional do partido, mantendo vínculos com doadores e dirigentes republicanos em Washington. Trump, no entanto, elogiou Paxton na Truth Social e classificou Cornyn como desleal por não defender suas prioridades. Cornyn respondeu que o rival facilitaria ataques democratas na eleição geral.
O vencedor enfrentará o democrata James Talarico, deputado estadual e figura emergente em nível nacional, que afirma que ambos os republicanos representam um sistema político falido. A derrota de Cornyn amplia a lista de republicanos punidos após se afastarem de Trump, segundo precedentes recentes, incluindo legisladores federais e estaduais.
Em seu discurso de concessão da derrota, Cornyn citou as escrituras ao dizer que “combati o bom combate, terminei a corrida e mantive a fé”.
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Em uma publicação no X, Talarico agradeceu a Cornyn: “Não concordamos em tudo, mas ambos ainda acreditamos no serviço público”, disse. “Aos apoiadores do senador Cornyn: há lugar para vocês em nossa campanha.”
Embora os republicanos partam como favoritos no Texas — onde Trump venceu por quase 14 pontos em 2024 —, os democratas acreditam ter chances contra Paxton.
O movimento libanês Hezbollah afirmou nesta quarta-feira que combatentes entraram em confronto com soldados de Israel a norte do rio Litani, em uma zona além do limite estabelecido pelos próprios militares do Estado judeu como área operacional. O Exército israelense intensificou os ataques contra o Líbano em um momento em que negociadores de EUA e Irã discutem se a frente de guerra deve ser incluída em um acordo para encerrar o conflito regional que bloqueia o Estreito de Ormuz — algo que a liderança israelense rejeita, tentando desvincular as duas questões.
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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, instruiu na terça-feira que os militares expandissem as operações para além da zona-tampão estabelecida no sul do Líbano. Inicialmente, o Estado judeu anunciou como objetivo tornar toda a área entre a fronteira e o rio Litani (a cerca de 30 Km, em média) em zona livre do Hezbollah. O corpo d’água é um marco tradicional nos acordos envolvendo Líbano, Israel e Hezbollah, tendo sido usado, em acordos anteriores, para estabelecer zonas de atuação da ONU, áreas sem atividade militar e etc.
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A al-Manar TV, emissora pertencente ao movimento libanês, transmitiu um comunicado do grupo sobre confrontos “à queima-roupa” com as tropas israelenses na cidade de Zawtar al-Sharqiyah, a cerca de um quilômetro e meio ao norte do rio.
As Forças Armadas do Estado judeu também promoveram novos bombardeios contra o sul de Israel, com um novo alerta de retirada sendo emitido para a população civil em Nabatieh, uma das maiores zonas urbanas do sul do país. A instrução foi para que os civis se deslocassem para norte do rio Zahrani. Um dia antes, os militares afirmaram ter atacado mais de 100 alvos do Hezbollah, incluindo centros de comando e depósitos de armas. O Ministério da Saúde libanês indicou que 31 pessoas morreram, incluindo quatro menores de idade.
Fontes militares israelenses ouvidas em condição de anonimato pelo New York Times afirmaram que as tropas estavam operando à frente da “linha de defesa avançada”, referindo-se a área ocupada por Israel desde a retomada do conflito neste ano. Ainda na terça, Netanyahu havia dito que um grande contingente havia sido mobilizado para capturar território adicional no país.
Questão iraniana
A frente de guerra no Líbano é encarada por Israel como uma extensão dos combates iniciados em 7 de outubro de 2023, quando o grupo terrorista Hamas atacou a partir da Faixa de Gaza. Em meio à resposta no enclave, que estimativas apontam ter matado cerca de 75 mil pessoas, deslocado quase toda a população e dizimado a infraestrutura do território, o governo Netanyahu prometeu acabar com a ameaça do “Eixo da Resistência”, uma aliança de movimentos armados sob influência do Irã, do qual o Hezbollah faz parte.
No atual momento do conflito, porém, o governo israelense tem atuado para desvincular as questões que envolvem as diferentes frentes de guerra. Em meio às negociações entre EUA e Irã para firmar um acordo decisivo de paz, que reabra o Estreito de Ormuz e encerre as hostilidades, o Estado judeu pediu a Washington que não aceitasse a exigência de Teerã de incluir o Líbano no cessar-fogo.
Fontes informadas sobre as negociações, ouvidas pelo jornal americano Wall Street Journal afirmaram que o governo israelense pressiona para que os EUA incluam no acordo a liberdade de operação no Líbano — o oposto da demanda iraniana, que pleiteia um cessar-fogo regional. (Com NYT e AFP)
O secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., viralizou nas redes sociais após publicar um vídeo em que aparece segurando duas cobras com as mãos nuas na Flórida. As imagens mostram Kennedy recolhendo os animais no quintal da casa de praia do médico Mehmet Oz, atualmente responsável pelos Centros de Serviços de Medicare e Medicaid, ligados ao departamento comandado por ele.
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Na gravação, publicada na terça-feira, Kennedy aparece descalço enquanto se aproxima dos répteis rastejando pelo chão. Em seguida, ele se agacha e segura as cobras diante da câmera, sorrindo, mesmo quando os animais parecem mordê-lo. Na legenda, o secretário escreveu: “Cheryl incentiva a remoção de um par de Black Racers do pátio do Dr. Oz”, em referência à esposa, a atriz Cheryl Hines. Durante o vídeo, é possível ouvir uma mulher dizendo: “Bobby, por favor”.
Assista:
Secretário de Saúde dos EUA, Kennedy Jr., publica vídeo capturando cobras
Autoridades fazem alerta após repercussão
Após a repercussão do caso, a Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida reforçou orientações para que moradores mantenham distância de serpentes, especialmente durante a primavera, período em que elas ficam mais ativas.
“Mantenha distância das cobras e admire-as de longe”, publicou a agência em uma rede social.
“Resista à tentação de pegá-la. Mesmo nossas cobras não venenosas podem dar uma mordida dolorosa”, acrescentou o órgão.
Segundo o Serviço Nacional de Parques dos EUA, as chamadas “black racers” não são venenosas e costumam ser inofensivas para humanos quando não são perturbadas.
O episódio soma-se a outros relatos envolvendo Kennedy e animais. Em abril, durante uma audiência no Capitólio, a deputada democrata Adelita Grijalva questionou o secretário sobre reportagens que afirmavam que ele teria mutilado um guaxinim atropelado para estudá-lo posteriormente.
— Eu estava lendo um artigo esta manhã que falava sobre sua inclinação para realizar suas próprias pesquisas médicas — afirmou a parlamentar durante a sessão.
Kennedy também já enfrentou críticas de ambientalistas após alegações de que teria decapitado uma baleia morta encontrada em uma praia usando uma motosserra, para transportar parte do animal no teto de seu veículo.
Cinco das sete pessoas que estavam presas há uma semana em uma caverna na província de Xaysomboun, na região central do Laos, foram encontradas com vida. Ainda há dois desaparecidos. Até agora, não se sabia se o grupo havia sobrevivido à inundação repentina que bloqueou a saída da gruta.
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O momento em que os sobreviventes foram localizados foi registrado em vídeo e compartilhado nas redes sociais por um dos mergulhadores envolvidos nas buscas. O grupo havia entrado na caverna na quarta-feira da semana passada para procurar ouro e caçar animais selvagens, segundo relatos, mas acabou encurralado depois que fortes chuvas provocaram inundações e deslizamentos de terra na região.
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A operação de resgate mobilizou equipes locais, mergulhadores e especialistas estrangeiros. Entre eles, estavam 15 profissionais que participaram do resgate da equipe juvenil de futebol que ficou presa por 17 dias em uma caverna na Tailândia, em 2018. Moradores também se juntaram aos trabalhos: mais de cem pessoas atuaram na retirada de água da gruta.
A caverna fica em uma área remota e se estende por passagens profundas e estreitas. Imagens divulgadas por grupos de resgate voluntários tailandeses mostraram equipes rastejando e escalando por túneis escuros, em trechos quase totalmente tomados por água barrenta. Socorristas afirmaram que uma das passagens tinha apenas 60 centímetros de altura.
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Antes de os cinco sobreviventes serem encontrados, as autoridades trabalhavam com a possibilidade de que o grupo estivesse vivo em uma área mais profunda da caverna, acima do nível da água. A informação havia sido dada por uma pessoa que conseguiu escapar com vida.
Imagens mostram operações de resgate dentro de caverna no Laos
Reprodução/Thailand Rescue Diver
— Ainda não sabemos se continuam vivos — declarou à AFP Bounkham Luanglat, responsável por uma associação local de resgate, enquanto cerca de 100 pessoas participavam das operações.
Do lado de fora, especialistas se concentraram em bombear a água das passagens. Dentro da caverna, equipes instalaram cordas para orientar os socorristas no deslocamento. Segundo Kengkard Bongkawong, chefe de operações da Metta Tham Rescue, um grupo tailandês de resgate, o principal obstáculo era o espaço reduzido.
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— O percurso não é complicado, mas o problema é o espaço. É tão estreito que temos de rastejar e inclinar-nos para passar; além disso, as rochas são muito afiadas — disse Kengkard.
Ele também havia afirmado, antes da localização dos sobreviventes, que acreditava que o grupo ainda estivesse vivo por causa da existência de ar na caverna.
— Estou confiante de que eles ainda estão vivos porque ainda há ar na caverna — disse Kengkard, que integrou a equipe de mergulho no resgate de Tham Luang, na Tailândia, quando 12 jovens jogadores de futebol e seu treinador foram retirados após mais de duas semanas presos em uma caverna inundada na província de Chiang Rai.
As equipes chegaram a avançar até um ponto a 40 metros da área onde acreditavam que o grupo pudesse estar abrigado, mas precisaram interromper a operação na noite de domingo por causa das chuvas persistentes, que levaram sedimentos para dentro das passagens e bloquearam o acesso. De acordo com Kengkard, uma das aberturas tinha apenas 50 centímetros de largura.
Mikko Paasi, mergulhador finlandês que também participou do resgate em Tham Luang, e Norrased Palasing, mergulhador tailandês, juntaram-se às equipes no Laos na segunda-feira. Socorristas passaram a noite no local, já que o acesso ao complexo de cavernas exigia uma caminhada de cinco quilômetros por terreno montanhoso.
— A dificuldade desta operação depende da chuva… Tivemos que recuar mais cedo porque o nível da água subiu na caverna — disse Jakkrit Taengtang, técnico de resgate tailandês da Fundação Saithan Saphanboon, em uma atualização no Facebook.
Ainda não está claro se o grupo buscava minério de ouro em uma atividade artesanal de pequena escala ou se trabalhava para uma empresa de mineração. As buscas continuam pelos dois desaparecidos.
Um homem de 79 anos foi preso na Flórida, nos Estados Unidos, acusado de se expor repetidamente e fazer gestos obscenos em um condomínio residencial. Tyrone James Causey, morador de Hollywood, foi detido em 22 de maio e indiciado por cinco acusações de exposição indecente, depois que vizinhos acionaram a polícia dizendo estar “cada vez mais preocupados e frustrados com seu comportamento contínuo”, segundo a emissora Local 10 News.
De acordo com o relato policial, Causey abriu a porta para os agentes vestindo apenas um “fio-dental tipo G-string” e afirmou que tinha “direito de andar nu” com base no Estatuto 800.001 da Flórida, desde que não estivesse em um “parque”. A policial Savannah Hutcheson, do Departamento de Polícia de Hollywood, explicou ao idoso que “andar em público se expondo” era ilegal. Ele, porém, insistiu que era “permitido” e disse que não sabia que estava sendo filmado, informou a emissora.
A abordagem ficou ainda mais incomum quando, segundo Hutcheson, o idoso passou batom diante dela, “começou a tocar o próprio pênis” e pediu à policial: “Pule corda para mim, boneca”. Ele foi preso e levado para a cadeia do condado de Broward, mas acabou liberado ainda em 22 de maio.
Ao menos cinco vizinhos disseram à polícia que Causey havia se exposto pelo prédio e costumava circular por áreas comuns fazendo “gestos obscenos”. Ele também foi acusado de “empurrar o pênis” em direção à câmera da campainha de uma mulher.
As cinco acusações foram inicialmente registradas como crimes graves por causa de uma prisão anterior por exposição indecente, em 1987, o que caracterizaria reincidência. A medida veio após uma citação emitida em relação a outro chamado policial, em 14 de maio. No entanto, um juiz do condado de Broward considerou haver causa provável apenas para acusações padrão de contravenção, e os crimes graves foram rebaixados.
Além do caso de exposição indecente, Causey também havia sido detido após uma perseguição em alta velocidade em Florida Keys, em março de 2026, de acordo com o gabinete do xerife do condado de Monroe. Segundo as autoridades, o idoso dirigia um Toyota em alta velocidade por uma zona de obras e, ao receber ordem de parada, continuou de forma errática, ultrapassando 160 km/h, colando em outros veículos e “cometendo outras infrações de trânsito”. Ele acabou parando, foi preso e acusado de direção imprudente e excesso de velocidade.
O caso ocorre em meio a outro episódio de comportamento vulgar atribuído a um morador em um prédio residencial nos EUA. No início deste mês, residentes de um edifício no Bronx, em Nova York, disseram que um “inquilino do inferno” os vinha assediando ao exibir armas, se masturbar em um corredor e quase causar uma tragédia ao ligar todos os queimadores de gás do apartamento.
Um vídeo obtido pelo “New York Post”, gravado pelo olho mágico de uma porta, mostra Anthony Orozco batendo em uma porta com uma machadinha enquanto usava um vestido preto justo. Outras imagens, segundo o jornal, mostram o homem se tocando no corredor e circulando por áreas comuns apenas de cueca. Orozco, de 28 anos, foi preso posteriormente e acusado de ameaça.
Uma briga entre dois rinocerontes-de-um-chifre interrompeu a rotina de turistas e moradores de Sauraha, cidade turística próxima ao Parque Nacional de Chitwan, no Nepal, nesta quarta-feira. Os animais foram flagrados se enfrentando violentamente a poucos metros de uma rua movimentada da região.
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Vídeos que circularam nas redes sociais mostram os rinocerontes correndo em alta velocidade, avançando um contra o outro e se empurrando enquanto pessoas observavam a cena à distância, escondidas em sacadas, calçadas e estabelecimentos próximos.
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Sauraha é conhecida pelos safáris e pela proximidade com a fauna selvagem do Parque Nacional de Chitwan, uma das principais reservas de rinocerontes-indianos do mundo. A presença de animais próximos a áreas urbanas é frequente, mas confrontos desse porte em vias públicas são considerados incomuns.
Segundo autoridades locais, os animais aparentavam disputar território, comportamento comum entre machos adultos da espécie, especialmente em períodos ligados à dominância e reprodução. Rinocerontes-de-um-chifre podem ultrapassar duas toneladas e atingir altas velocidades em curtas distâncias.
Apesar da intensidade da briga e da proximidade com turistas, ninguém ficou ferido. Após a repercussão das imagens, autoridades reforçaram orientações para que visitantes mantenham distância de animais selvagens e evitem aproximações para fotos e vídeos.
Uma mulher morreu após ser atingida por um guarda-sol arrancado pela força do vento durante uma tempestade na Carolina do Sul, nos Estados Unidos. A vítima foi identificada como Dana Winger, de 56 anos, segundo o legista do Condado de Clarendon.
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O acidente aconteceu na noite de sábado (23), no restaurante Driftwood Grill, localizado às margens do Lago Marion, cerca de 110 quilômetros a noroeste de Charleston. Dana jantava com o marido quando os fortes ventos provocados pela tempestade fizeram com que o objeto se soltasse e atingisse sua cabeça e pescoço por volta das 19h40, diante de outros clientes.
De acordo com a legista Jacqueline Blackwell, Dana foi encontrada inconsciente e com ferimentos graves na cabeça e no pescoço. As equipes de emergência tentaram reanimá-la, mas ela foi declarada morta cerca de uma hora depois. O caso é investigado como acidente, e uma autópsia será realizada na Universidade Médica da Carolina do Sul, em Charleston.
Comoção nas redes sociais
A morte provocou uma onda de homenagens de amigos e familiares nas redes sociais. Em uma publicação no Facebook, a amiga Heather Iosa relembrou a convivência próxima com Dana e a relação dela com seus filhos.
“Dana esteve comigo em todos os momentos, bons e ruins. Ela ajudou a criar meus filhos. Nunca perdia um jogo ou um momento importante da vida deles. Vou sentir muita saudade dela”, escreveu.
Em outra mensagem, Heather afirmou: “Ela não era apenas uma amiga. Era da família. Uma segunda mãe para os meus filhos”.
Cameron Winger, apontado por veículos locais como enteado de Dana, também publicou uma homenagem.
“Prometo que vou cuidar do papai e da nossa família. Só porque você não está mais aqui não significa que deixará de viver através de nós”, escreveu.
O Driftwood Grill havia sido inaugurado um dia antes da tragédia, segundo informações divulgadas pelo próprio restaurante nas redes sociais. Em comunicado, o estabelecimento lamentou o ocorrido e prestou solidariedade à família.
“Nossos corações estão com a família, amigos e todos os afetados por este trágico incidente durante o severo evento climático da noite passada no Lago Marion”, informou o restaurante.
Enquanto a Terra e a maioria dos planetas do Sistema Solar têm um padrão de rotação semelhante, girando no sentido anti-horário de oeste para leste, o segundo planeta mais próximo do Sol, o gigante Vênus, gira na direção oposta, com uma rotação retrógrada.
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Vênus possui uma rotação lenta e extremamente retrógrada devido à influência de sua atmosfera. Esse fenômeno a torna uma exceção no Sistema Solar, fazendo com que gire na direção oposta à dos outros planetas que a circundam.
Anomalias que podem ser a causa de sua rotação reversa
Ao contrário dos gigantes gasosos ou do nosso próprio planeta Terra, a atmosfera de Vênus é extremamente densa, e isso faz com que essa anomalia ocorra no planeta mais brilhante e quente visível da Terra, de acordo com um estudo publicado na revista Nature Astronomy.
Planeta Vênus
Pexels
Segundo o Jornal da USP, a atração gravitacional do Sol atua sobre essas massas atmosféricas deformadas, criando um efeito de fricção ou torque que mudou sua direção ao longo do tempo.
Existe uma teoria, pouco aceita pela comunidade científica, que fala de um impacto gigante, sugerindo que o planeta foi atingido por outro que alterou sua trajetória original, o que perde força por ser muito improvável.
Fatos interessantes sobre Vênus
Graças à sua lenta rotação leste-oeste, um dia em Vênus equivale a 243 dias terrestres. Em contraste, sua órbita ao redor do Sol leva 225 dias terrestres , de acordo com a Nasa Science.
Visto do Polo Norte, é o único planeta com movimento inverso, girando no sentido horário.
“Estar na superfície de Vênus seria como estar no fundo de um oceano muito, muito quente”, explicou o pesquisador Kane à revista Nature, “chegando a temperaturas de até 475 °C”.
Israel anunciou na quarta-feira que matou o novo chefe do braço armado do movimento islâmico palestino Hamas, que havia sido alvo de um atentado a bomba em Gaza no dia anterior, apesar do cessar-fogo que deveria estar em vigor desde outubro.
“O comandante do braço armado da organização terrorista Hamas em Gaza foi eliminado ontem”, escreveu o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, na plataforma de mídia social X.
Katz e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, haviam anunciado na terça-feira que o exército realizou “um ataque em Gaza contra Mohamed Odeh”, comandante das Brigadas Ezzedine al-Qassam, o braço armado do Hamas. O grupo não se pronunciou.

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