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Em 1976, no auge da ditadura militar brasileira, um prédio construído com verba pública para ser uma escola da rede municipal de ensino – a Escola Politécnica de Foz do Iguaçu, no Paraná – foi entregue à iniciativa privada dias antes da inauguração. O beneficiário foi o Colégio Anglo-Americano, contratado pela Itaipu Binacional para educar os filhos dos funcionários da hidrelétrica. O episódio marcou o nascimento de uma rede nacional de ensino particular sustentada, em grande parte, por recursos federais.

O edifício da escola Politécnica tinha sido construído para ajudar a reduzir o déficit escolar em Foz do Iguaçu, que, na época, segundo relato do governo estadual à imprensa local, tinha 3 mil pessoas em idade escolar fora das salas de aula. 

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O professor aposentado da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) José Kuiava era o inspetor de ensino do município na ocasião e recorda o momento em quem recebeu a ordem de entregar as chaves da recém-construída escola para o dono do Colégio Anglo Americano, Ney Suassuna. “A ordem veio de Curitiba, via telefone, do diretor-geral da SEC [Secretaria de Educação] professor Ernesto Penauer, determinando que eu entregasse as chaves do prédio ao senhor Ney Suassuna”, lembra Kuiava. 

Segundo ele, a situação gerou constrangimento: “eu já tinha dado na rádio, nas notícias dos jornais da inauguração do colégio, para que os alunos da região fossem atendidos lá. De repente tive que suspender tudo e dizer ‘olha, o colégio foi entregue nas mãos do Anglo-Americano, à disposição da Itaipu’”.

O contrato foi  assinado entre o Anglo-Americano, Itaipu e a Unicon, o consórcio de empreiteiras responsáveis pela construção da usina, em fevereiro de 1976. No acordo, as empreiteiras – remuneradas com recursos públicos de Itaipu – asseguravam o pagamento mínimo de 1.000 vagas. Mas no primeiro ano de funcionamento, o colégio tinha mais de 10 mil alunos matriculados. No auge das obras, chegou a ter mais de 14 mil estudantes. 

Esta reportagem faz parte do projeto Perdas e Danos, o podcast da Radioagência Nacional que investiga a ditadura militar e que está na segunda temporada.

Mais detalhes sobre a política da ditadura que beneficiou uma escola privada em detrimento da rede pública de ensino estão no episódio 3 da 2ª Temporada: Pedagogia do Privilégio.


FOTO DE ARQUIVO - Colégio Anglo-Americano, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Foto: Arquivo Nacional/Divulgação

Colégio Anglo-Americano, na zona sul do Rio de Janeiro – Foto: Arquivo Nacional/Divulgação

Galinha dos ovos de ouro

O contrato com o Anglo-Americano fixava os valores das mensalidades que variavam de CR$ 300 a CR$ 500 (cruzeiro, a moeda então adotada pelo Brasil) a serem pagas por Itaipu, além do reajuste anual das mensalidades. Como referência, em 1975, a creche Casa da Criança, para crianças de baixa renda no Rio de Janeiro, cobrava uma mensalidade de CR$ 70. Diferente de outras escolas privadas, o Anglo-Americano não corria o risco de inadimplência. 

Denise Sbardelotto, professora da Unioeste, estudou o projeto pedagógico de Itaipu e avaliou o contrato com o Anglo-Americano como desvantajoso para a administração pública.

“Itaipu e a Unicom constroem todos os prédios, toda a infraestrutura, desde carteiras, mobiliários, de coisas mais simples às mais complexas, como o material pedagógico, e entrega para o Anglo-Americano administrar, por muitos e muitos anos. E lucrar. Era uma galinha dos ovos de ouro”, conclui Denise.   

Crescimento de 2.800%

Até então, o Colégio Anglo-Americano era uma escola tradicional do Rio de Janeiro, com duas unidades na zona sul da capital fluminense. Depois de Itaipu, registrou um crescimento de 2.800%, considerado extraordinário pelo próprio dono da instituição, Ney Suassuna: “Eu fiquei pasmo de ver que era um mundo. O meu colégio no Rio tinha 500 alunos, o de lá tinha 14  mil”.

O Anglo-Americano foi comprado por Ney Suassuna cerca de um ano antes do contrato com Itaipu. Paraibano, o hoje suplente de senador e ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso, fincou raízes no Rio de Janeiro ao trabalhar no Ministério do Planejamento, um dos mais poderosos do período ditatorial. Ele era assessor de ministros da pasta, entre eles Roberto Campos, figura central do regime autoritário. 

Ação entre amigos

Segundo Ney Suassuna, o contrato foi firmado a partir de um encontro que ele solicitou com o então diretor-geral de Itaipu, general José Costa Cavalcanti. Os contatos políticos garantiram a reunião.

“Cheguei dizendo que era do Ministério do Planejamento, que tinha trabalhado com o ministro. Eu cheguei com o meu currículo na frente”, conta.

Além da confirmação do próprio Suassuna, não encontramos indícios de que houve um processo público para a contratação da empresa. Denise Sbardelotto também não achou nada que comprovasse um processo licitatório:

“Estive muitas vezes nos arquivos de Itaipu, busquei por todos os lugares, todas as fontes em Foz do Iguaçu, Câmara Municipal, e eu realmente não encontrei nenhum documento que garanta que foi licitação. Nós temos realmente um caso de escolha política arbitrária de um grupo educacional”, disse Sbardelotto.

Ramo lucrativo 

O contrato abriu as portas de outras estatais para Ney Suassuna, como o contrato com a hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, e com a Petrobras para atender famílias brasileiras no Iraque. O Anglo-Americano também ficou responsável por atender os filhos dos funcionários que trabalharam na construção de Itaipu no lado paraguaio. Os contratos turbinaram a empresa.

“De repente, eu tinha quase 50 mil alunos. Começou a crescer e eu comecei a fazer faculdades. Fiz nada mais, nada menos, do que faculdades desde o Rio Grande do Sul até a Paraíba. De tudo medicina, economia, direito, tudo”, lembra Suassuna.

Só seis anos depois do fim das obras de Itaipu, em 1988, o Anglo-Americano passou a receber alunos de fora da usina. Em 1990, repassou a escola mais simples para o Poder Municipal. E três anos depois começou a pagar o aluguel do prédio ocupado por quase 20 anos.

Chuta-barros

Reproduzindo uma lógica que permeou toda a obra de Itaipu, a estrutura educacional era diferente conforme a classe social. O Anglo-Americano era, na verdade, mais de um. Existiam duas unidades do colégio.

Existiam três vilas habitacionais para abrigar os funcionários de Itaipu e da Unicon, divididas conforme a posição dos trabalhadores na empresa. A vila A e B, onde viviam funcionários com melhores salários, eram atendidos por uma escola mais bem equipada. A unidade ficava em uma área arborizada da cidade e contava com biblioteca, laboratórios de química e física, hortas, fanfarra, área de exposições e auditório.

Já os filhos dos trabalhadores braçais moravam na Vila C e estudavam numa unidade feita de madeira pré-fabricada, 60 salas de aula, um ginásio e duas quadras descobertas.

Valdir Sessi estudou em ambas as escolas, pois a unidade melhor eventualmente recebia alunos da vila operária, e lembra que as desigualdades – e a diferença de tratamento – eram evidentes na sala de aula. 

“A violência simbólica já definia. A roupa, o cabelo, o tênis, já denunciavam a classe social dentro do colégio, então não precisava ser um vidente para dizer quem era rico e quem era pobre. A professora não tinha dificuldade na aula para dirigir a palavra dela, entendeu? Tinha colega que usava a botina que o pai dava para ele quando já não dava mais para usar no canteiro de obra”, disse. 

Em sua pesquisa, Denise Sbardelotto descobriu que havia um nome para os estudantes da escola mais simples, os chuta-barros. “Porque eles vinham com barro nas solas dos calçados”, explica. 

Diferente da Vila A, que foi asfaltada antes, a Vila C, onde moravam os trabalhadores braçais, não tinha asfalto e a lama marcava os estudantes. 

Denise conta que outra diferença mais profunda era o projeto pedagógico. Na ditadura, o ensino médio profissionalizante era obrigatório. No Anglo-Americano da Vila A, os cursos preparavam para o ensino superior. Já na Vila C, nem existia o segundo grau. 

“Aos filhos dos trabalhadores mais subalternos, era destinada uma educação de primeiro grau e na sequência eles eram encaminhados para cursos profissionalizantes, no Senai ou qualquer outro curso ofertado nos centros comunitários. Alguns poucos que queriam fazer o segundo grau tinham que ir para Vila A. Aceitava-se [como alunos], mas eram os famosos chuta-barros”, conta Denise.

Déficit educacional

Para os moradores de Foz de Iguaçu, os problemas educacionais aumentaram. Quando Itaipu começou a ser construída, o município tinha apenas duas unidades de ensino de segundo grau, sendo uma de educação agrícola. 

A partir da construção da hidrelétrica, a situação só se agravou. Para se ter uma ideia, em 10 anos, a população de  Foz de Iguaçu quadruplicou. Eram 34 mil habitantes em 1970, antes da construção da hidrelétrica. Saltou para 136 mil em 1980.

Para a construção da usina foram desapropriados 1,8 mil km², incluindo territórios indígenas, no Brasil e no Paraguai. Cerca de 40 mil pessoas foram retiradas de suas terras só no lado brasileiro. Nesse processo, Denise calcula que 95 escolas na região também foram por água abaixo.

Com o inchaço populacional, Foz do Iguaçu precisou reduzir a carga horária de todos os estudantes da rede pública para implantar um terceiro turno de aula no que seria o intervalo de almoço.

“Foi difícil, porque tinha um turno que era das 11h às 14h. Na hora do almoço”, lembra Kuiava.

Itaipu indenizou parte das escolas inundadas e investiu em projetos específicos para construir novas unidades, mas em número inferior às instituições fechadas. Denise Sbardelotto considera o investimento feito à época inexpressivo diante do montante direcionado ao Anglo-Americano.

“Algumas iniciativas pontuais de reforma de algumas escolas de periferia, rurais, algumas escolas em outros municípios nos arredores, mas eram reformas e ampliações muito ínfimas, muito inexpressivas, comparadas ao montante de recursos canalizados ao Anglo-Americano por muitos anos”.

Outro lado

Procuramos a Itaipu Binacional e perguntamos se o contrato com o Anglo-Americano era um acordo razoável, se seguiu boas práticas do setor público e se existiam registros do motivo que levou Itaipu a optar pela educação privada ao invés de estruturar a rede pública de ensino.

A empresa não respondeu diretamente as dúvidas, mas afirmou que a chegada de milhares de trabalhadores a Foz do Iguaçu exigiu a criação de infraestrutura inexistente, como moradias, hospital e o Anglo-Americano. E afirmou que havia qualidade de ensino.

“No Anglo-Americano, os filhos dos chamados barrageiros tinham acesso a uma educação integral, gratuita e inovadora para o período, que incluía, além das disciplinas tradicionais, atividades artísticas, culturais e de campo, apresentações de dança e teatro e sessões de cinema. Relatos de ex-alunos e professores indicam que esse modelo educacional contribuiu significativamente para a formação dos estudantes”, disse Itaipu em nota.

A nota também cita ações atuais para afirmar que o “apoio à educação permaneceu ao longo dos anos”.

“Como evidenciado pela atuação da Itaipu na mobilização para a instalação da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em 2010″.

A íntegra da nota está na página do podcast.

Hoje, o Anglo-Americano de Foz do Iguaçu não pertence mais a Ney Suassuna. Entramos em contato com a instituição, mas não houve retorno. 

Questionado sobre a escolha de Itaipu em direcionar os recursos públicos de educação para sua empresa, Ney Suassuna disse que o poder público não teria condições de estruturar a rede pública de ensino. “A cidade de Itaipu tinha muito pouca gente e não tinha os prédios, não tinha nada, não tinha outra forma a não ser essa. Não tinha a menor chance. Nem no municipal e nem tampouco no estadual. Em nenhum lugar, não tinha nada. Nós éramos os desbravadores”.

Veja outras postagens

O ministro italiano das Relações Exteriores, Antonio Tajani, anunciou nesta sexta-feira, na rede X, que cancelou sua visita aos Estados Unidos, prevista para os dias 21 e 22 de junho, após as “declarações graves e ofensivas” do presidente americano, Donald Trump, contra a primeira-ministra Giorgia Meloni.
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Em uma entrevista por telefone concedida à emissora de televisão italiana La7, Trump afirmou que Meloni havia “suplicado” para tirar uma foto com ele durante a cúpula do G7 na França, segundo a transcrição da conversa publicada pela emissora, que não divulgou a gravação de áudio original.
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Em resposta a essa publicação, Giorgia Meloni divulgou nesta sexta-feira, no X, um vídeo no qual se declarou “consternada” com as declarações “totalmente inventadas” de Trump.
— Não entendo por que o presidente dos EUA se comporta assim com seus próprios aliados; não é, aliás, a primeira vez — declarou.
— Só posso lamentar que ele não demonstre a mesma determinação em relação aos inimigos do Ocidente, aos inimigos dos EUA, a dirigentes com os quais, ao contrário, mostra-se muito mais conciliador — acrescentou.
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Em abril, Trump já havia criticado Meloni por recusar envolver o seu país na guerra no Irã, e disse então que havia ficado “surpreso” e decepcionado com sua falta de “coragem”.
Meloni, eleita em outubro de 2022 à frente de um governo de coalizão ultraconservador, vinha sendo até então uma das aliadas mais próximas de Trump no Velho Continente, esforçando-se frequentemente para desempenhar um papel de mediadora entre as posições divergentes dos EUA e da Europa.
As autoridades da Turquia proibiram a transmissão ao ar livre da partida entre a seleção nacional e o Paraguai, válida pela segunda rodada da Copa do Mundo de 2026. A medida impede a instalação de telões e realização de eventos públicos para acompanhar o jogo, sob a justificativa de não prejudicar estudantes em período de exames de acesso ao ensino superior, o “Enem turco”.
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Sem área de torcedores nem telão para o confronto, o Ministério do Interior enviou uma circular aos governadores das 81 províncias do país determinando que a partida da seleção turca no Mundial não seja exibida em espaços públicos.
Segundo o documento, a decisão foi tomada para “não distrair os candidatos que estão realizando exames universitários”.
O jogo está programado para as 6h no horário local (00h do horário de Brasília).

Vale destacar que na estreia da Turquia na Copa do Mundo, disputada em 14 de junho às 7h no horário local, milhares de torcedores acompanharam a partida em parques e anfiteatros espalhados por todo o território.
Mesmo assim, o entusiasmo não foi suficiente para impulsionar a equipe à vitória. Em seu retorno a uma Copa do Mundo após 24 anos de ausência, a seleção turca foi derrotada por 2 a 0 pela Austrália.

O acordo-quadro firmado nesta semana entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio não aborda de forma suficiente a situação dos direitos humanos na República Islâmica, afirmaram nesta sexta-feira especialistas da ONU.
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O memorando de entendimento assinado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e por seu homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, tem como objetivo pôr fim ao conflito desencadeado em 28 de fevereiro pelos ataques americanos e israelenses que mataram o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.
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Um grupo de 18 especialistas independentes da ONU em direitos humanos afirmou receber positivamente o acordo, mas advertiu em comunicado que “qualquer acordo que não aborde a situação dos direitos humanos no Irã será fundamentalmente incompleto”.
— O memorando se concentra quase exclusivamente na retirada militar, na reabertura do Estreito de Ormuz, nos compromissos nucleares, no levantamento das sanções e em um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões (cerca de R$ 1,5 trilhão) — afirmaram. — O povo iraniano, que sofreu enormemente tanto com a agressão militar externa quanto com a repressão interna, quase não aparece nesse acordo.
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Os especialistas, que possuem mandato do Conselho de Direitos Humanos da ONU, mas não falam em nome da organização, afirmaram que a guerra teve um impacto devastador no Irã e em toda a região, com milhares de civis mortos em bombardeios e milhões de pessoas forçadas a deixar suas casas.
Paralelamente, “as autoridades iranianas têm atuado com grande agressividade contra a dissidência”, destacaram.
Segundo os especialistas, pelo menos 156 pessoas foram executadas no Irã desde o início da guerra.
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Desse total, ao menos 42 foram executadas por acusações relacionadas à espionagem e à segurança nacional.
Outros milhares de iranianos “foram detidos e, segundo relatos, torturados, vítimas de desaparecimentos forçados, submetidos a falsas execuções ou obrigados a fazer confissões diante das câmeras”, acrescentaram.
— Um acordo que atende a interesses geopolíticos enquanto deixa de lado o povo iraniano não é um acordo de paz digno desse nome — insistiram os especialistas.
A princesa Leonor e o rei Felipe VI protagonizaram nesta sexta-feira um momento simbólico para a monarquia espanhola ao realizarem o primeiro voo de instrução conjunto desde que a herdeira iniciou sua formação militar. A atividade ocorreu na Academia Geral do Ar e do Espaço, em San Javier, na região de Múrcia, durante as comemorações dos 12 anos de reinado do monarca.
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Embora tenham participado da mesma missão, pai e filha voaram em aeronaves diferentes do modelo Pilatus PC-21. A decisão segue uma tradição não escrita adotada por casas reais para preservar a continuidade da linha sucessória, evitando que o soberano e o herdeiro direto compartilhem a mesma aeronave em operações aéreas.
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Antes da decolagem, Felipe VI e Leonor participaram juntos da preparação técnica do voo, revisando detalhes da operação. Em seguida, sobrevoaram a região de La Manga del Mar Menor em trajetos paralelos. A princesa foi acompanhada pela instrutora, capitã Elena Gutiérrez.
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O voo representa mais um marco na formação militar de Leonor, que está na etapa final de um programa iniciado há três anos. A herdeira já passou pela Academia Geral Militar do Exército de Terra e pela Escola Naval Militar da Marinha. Atualmente, conclui sua preparação na Academia Geral do Ar e do Espaço. Nos últimos meses, a princesa participou de preparações pré-voo, briefings operacionais, inspeção de aeronaves e voos de treinamento, além de treinamento em simulador de voo.
Nos próximos meses, a princesa receberá as patentes correspondentes aos três ramos das Forças Armadas espanholas. Recentemente, ela também concluiu um curso básico de paraquedismo na Base Aérea de Alcantarilla, tornando-se a primeira integrante da família real espanhola a obter essa qualificação.
Princesa Leonor celebra primeiro voo com colegas da Academia Geral de Aviação
Divulgação | Casa Real da Espanha
A princesa Leonor passa por uma longa preparação para assumir, no futuro, o trono espanhol. Felipe VI, que foi proclamado rei em 19 de junho de 2014, também teve formação militar completa e possui habilitação como piloto militar. Após a conclusão da carreira militar, Leonor cursará Ciências Políticas na Universidade Carlos III de Madrid.
Um vírus sem vacina, um território marcado pela atuação de grupos armados e uma população desconfiada: o Ebola voltou a surgir em meados de maio na região de fronteira entre a República Democrática do Congo (RDC), Uganda e Sudão do Sul. Desde então, as autoridades de saúde travam uma corrida contra o tempo para conter a epidemia.
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Em 15 de maio, a República Democrática do Congo declarou a 17ª epidemia de Ebola de sua história. No dia anterior, exames realizados em um laboratório da capital, Kinshasa, haviam confirmado a presença do vírus.
O epicentro da crise está localizado em Ituri, uma província instável do nordeste congolês, caracterizada pela intensa circulação de pessoas ligada à atividade mineradora. Naquele momento, já haviam sido registrados 246 casos suspeitos, incluindo 80 mortes.
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Na mesma noite, a vizinha Uganda anunciou uma morte causada pelo vírus em seu território. A vítima era um congolês que estava de passagem pela capital, Kampala. O governo ugandês enfatizou que se tratava de um caso “importado”. O país, que atualmente contabiliza 19 casos confirmados e duas mortes, fechou sua fronteira com a RDC.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública de interesse internacional e alertou para a “amplitude e rapidez” da epidemia, que provavelmente durará meses. Já o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), agência sanitária da União Africana, estima que dez países africanos da região estejam ameaçados.
— No início, pensávamos que se tratava de uma epidemia fora do comum — afirmou à AFP o virologista congolês Jean-Jacques Muyembe, um dos descobridores do vírus Ebola.
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O Ebola, que provoca febre hemorrágica e é transmitido pelo contato com fluidos corporais, matou mais de 15 mil pessoas na África nos últimos 50 anos. A epidemia mais letal registrada na RDC ocorreu entre 2018 e 2020, causando cerca de 2.300 mortes entre 3.500 casos identificados.
‘Bundibugyo’
Durante uma entrevista coletiva, o ministro da Saúde da RDC, Samuel Roger Kamba, alertou:
— Bundibugyo não tem vacina nem tratamento específico.
As vacinas atualmente disponíveis são eficazes apenas contra a cepa Zaire do vírus, responsável pelas maiores epidemias de Ebola no passado. Por isso, a resposta sanitária depende principalmente do isolamento dos pacientes e do rastreamento de pessoas que tiveram contato com eles.
Ebola: diretor-geral da OMS visita epicentro da epidemia na República Democrática do Congo
O anúncio gerou preocupação além das fronteiras africanas. Os Estados Unidos passaram a restringir a concessão de vistos para estrangeiros que viajaram por áreas consideradas de risco.
Em uma mensagem publicada na rede X, o presidente congolês, Félix Tshisekedi, pediu “calma” à população e garantiu ter determinado a adoção de “todas as medidas necessárias para reforçar a resposta sanitária”.
Uma semana após a declaração da epidemia, o número de mortes provavelmente causadas pelo vírus havia chegado a 204, entre 867 casos suspeitos.
As autoridades congolesas suspenderam temporariamente os voos de e para Bunia, capital de Ituri. O aeroporto da cidade, no entanto, é fundamental para o transporte de equipamentos e profissionais humanitários até a área afetada.
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O diretor do Africa CDC, Jean Kaseya, prometeu uma vacina contra a cepa Bundibugyo até o fim do ano. Estudos clínicos estão sendo avaliados.
Com a Copa do Mundo de 2026 em andamento nos EUA, Canadá e México, Washington solicitou que países europeus com ligações aéreas com nações africanas em risco — como França, Bélgica e Itália — também suspendessem a emissão de vistos. Os governos europeus recusaram o pedido.
Canadá, Bahamas, Bahrein, Jordânia e Maurício adotaram restrições de entrada.
‘Médicos confundidos’
O vírus se espalha rapidamente, enquanto a capacidade de testagem da RDC permanece limitada. Duas semanas após o anúncio oficial da epidemia, já haviam sido registrados quase 1.140 casos suspeitos, incluindo 246 mortes provavelmente relacionadas à doença.
Em Bunia, jornalistas da AFP testemunharam cenas alarmantes. Pacientes com hemorragias chegavam às pressas aos centros de saúde na garupa de mototáxis. Na maioria dos casos, nem os passageiros nem os motoristas utilizavam qualquer tipo de proteção.
Em Ituri, a resposta sanitária demorou a se organizar, embora moradores entrevistados pela AFP relatassem uma sequência de mortes inexplicáveis desde março. Entre as comunidades, espalhou-se o rumor de que uma “doença mística” estaria causando os óbitos.
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Profissionais humanitários e cientistas afirmam que as autoridades demoraram para detectar o vírus e manifestam preocupação com a lentidão das medidas de combate.
Os sinais hemorrágicos da variante Bundibugyo costumam aparecer tardiamente. Inicialmente, a doença apresenta sintomas semelhantes aos da malária.
— Os médicos ficaram confundidos — explica o professor Muyembe.
A OMS, porém, já havia recebido um alerta em 5 de maio sobre uma doença desconhecida e altamente letal surgida em Mongbwalu, cidade mineradora de cerca de 130 mil habitantes, onde quatro profissionais de saúde morreram em apenas quatro dias.
Entretanto, exames realizados em Bunia deram resultado negativo para Ebola. Segundo explicou mais tarde o ministro Samuel Roger Kamba, o laboratório local possuía reagentes para detectar a cepa Zaire, mas não a variante Bundibugyo.
‘Parar essa coisa’
Em Ituri, onde parte da população vive abandonada à violência de grupos armados responsáveis por frequentes massacres, o Estado congolês está ausente há anos, e os profissionais de saúde enfrentam a desconfiança das comunidades.
Incidentes foram registrados em alguns hospitais, provocados por moradores revoltados que exigiam a entrega dos corpos de parentes mortos em decorrência do vírus.
No fim de maio, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, visitou Kinshasa e Bunia.
— Mesmo que a situação seja complexa, acredito que podemos parar essa coisa — afirmou.
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O governo congolês criticou o que chamou de “alarmismo”, sustentando que a situação não é “como está sendo percebida internacionalmente”.
A organização Médicos Sem Fronteiras, presente na região, afirmou que os números oficiais “provavelmente refletem apenas parte da realidade”. Outras ONGs atuando no local também demonstraram preocupação com falhas graves na organização da resposta à epidemia.
Cientistas, trabalhadores humanitários e autoridades internacionais de saúde avaliam que a dimensão real da crise, que já se espalhou por três províncias da RDC e também por Uganda, ainda é desconhecida.
Segundo o balanço oficial mais recente, a epidemia já infectou 875 pessoas e provocou 202 mortes até o momento.
Israel e o Hezbollah concordaram com um cessar-fogo previsto para entrar em vigor na tarde desta sexta-feira (10h em Brasília), segundo relato de uma autoridade americana à agência Reuters. O acordo ocorre após uma escalada de combates no sul do Líbano, que deixou ao menos 21 libaneses mortos e quatro militares israelenses e provocou o adiamento de conversas entre Estados Unidos e Irã, previstas inicialmente para esta sexta na Suíça.
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A trégua foi anunciada depois de negociações conduzidas por Estados Unidos e Catar com ajuda do Irã. Segundo a autoridade americana, representantes dos dois países trabalharam para estabelecer o acordo entre Israel e o grupo apoiado pelo Irã. Até o momento do anúncio, Israel e Hezbollah não haviam divulgado declarações oficiais confirmando os termos da trégua.
— Entendemos que, após a troca de tiros ocorrida mais cedo hoje, Israel e Hezbollah estão agora em um cessar-fogo — disse a autoridade.
Cessar-fogos anteriores entre os dois lados, firmados em diferentes momentos durante a guerra, não foram mantidos. O novo acordo ocorre em meio a uma tentativa mais ampla de interromper as hostilidades na região, após um entendimento provisório entre Estados Unidos e Irã que previa o fim dos combates “em todas as frentes”, incluindo o Líbano.
Antes do anúncio da trégua, Israel havia realizado ataques contra áreas do sul e do leste do Líbano durante a madrugada. O Exército israelense afirmou ter atingido locais de infraestrutura do Hezbollah e matado “dezenas de terroristas” do grupo. Autoridades libanesas, porém, informaram que mulheres e crianças estavam entre os mortos.
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O Exército israelense afirmou que quatro soldados, incluindo um tenente-coronel, morreram após um ataque contra um tanque em uma aldeia próxima à cidade de Nabatieh, no sul do Líbano. Segundo as forças israelenses, um ataque com drone explosivo também deixou outros cinco militares feridos.
Trocas de acusação
Após o ataque, Israel lançou novos bombardeios contra áreas de Nabatieh e outras regiões, acusando o Hezbollah de cometer “violações flagrantes do cessar-fogo”. Mais tarde, o Exército informou ter atingido alvos no Vale do Bekaa, no leste do Líbano. A imprensa libanesa relatou que a aldeia de Douris foi atingida.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que Israel não aceitaria ataques contra seus soldados ou território, escrevendo, em comunicado: “Israel não tolerará ataques contra nossos soldados ou contra nosso território e cobrará um preço muito alto do Hezbollah por esses ataques”.
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O Hezbollah afirmou ter atacado tanques israelenses em resposta ao que classificou como violações do cessar-fogo por Israel. O grupo disse que as ações ocorreram depois que forças israelenses tentaram avançar para o lado norte do monte Ali al-Taher, uma posição estratégica com vista para Nabatieh e que Israel tenta capturar. No sul do Líbano, moradores deixaram suas aldeias em meio aos combates.
— A situação está sem lei, não podíamos ficar — afirmou Mustafa Zain, que fugiu em uma caminhonete acompanhado das seis filhas.
A presença militar israelense em áreas do sul do Líbano também permanece como um dos principais pontos de divergência. O Irã exige a retirada das forças israelenses, enquanto Netanyahu afirmou que tropas permanecerão em uma “zona de segurança” enquanto “as necessidades de segurança de Israel exigirem”.
‘Responsabilidade direta’
O conflito entre Israel e o Hezbollah é considerado uma das partes mais delicadas do acordo envolvendo o Irã. Nem Israel nem o grupo libanês assinaram o entendimento, mas o acordo prevê o fim dos combates entre ambos.
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O Irã afirmou que um cessar-fogo no Líbano é necessário para a continuidade das negociações. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, condenou os ataques israelenses contra o Líbano e disse que os Estados Unidos tinham “responsabilidade direta” pela situação.
Segundo Baghaei, a interrupção da guerra no Líbano era uma parte integrante do acordo para encerrar as hostilidades em todas as frentes. O porta-voz afirmou ainda que o Irã tomaria todas as medidas necessárias para proteger seus interesses, sua segurança e seus aliados.
As conversas entre Estados Unidos e Irã, previstas para ocorrer na Suíça, foram adiadas após os combates no Líbano, segundo autoridades. Representantes iranianos não viajaram como planejado, insistindo que os ataques no país precisavam cessar antes do início das negociações. O vice-presidente americano, JD Vance, também adiou sua viagem.
O entendimento provisório entre Washington e Teerã havia interrompido hostilidades no Irã e no Golfo e permitido a reabertura do Estreito de Ormuz, depois que ataques e ameaças iranianas haviam afetado o fluxo de petróleo e gás pela passagem marítima.
As futuras negociações devem abordar um acordo permanente para o conflito e restrições ao programa nuclear iraniano, tema central da guerra iniciada em 28 de fevereiro entre Israel e os Estados Unidos contra o Irã, segundo o material. O acordo provisório estabelece um prazo de 60 dias para que negociadores busquem um novo entendimento, com possibilidade de extensão.
Em atualização.
O veterano político trabalhista Andy Burnham venceu nesta sexta-feira uma eleição suplementar considerada crucial no Reino Unido, garantindo uma cadeira no Parlamento britânico e abrindo caminho para uma possível disputa pela liderança do Partido Trabalhista contra o primeiro-ministro Keir Starmer. Burnham, prefeito da Grande Manchester e figura de destaque dentro da legenda, derrotou com folga o candidato do partido de extrema direita Reform UK no distrito eleitoral de Makerfield, no noroeste da Inglaterra.
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Ex-ministro da Saúde, o político de 56 anos havia afirmado que pretendia desafiar Starmer pelo comando do partido e precisava vencer a votação para poder iniciar essa movimentação. Segundo as regras trabalhistas, candidatos à liderança precisam ocupar uma cadeira na Câmara dos Comuns. Em discurso após a vitória, Burnham afirmou que o resultado representa uma oportunidade para mudanças dentro da legenda.
— Digo ao meu próprio partido: esta é a última chance de mudar — declarou após conquistar quase 55% dos votos e superar Robert Kenyon, do Reform UK, por mais de 9 mil votos. — Foi isso que as pessoas me disseram diretamente nas centenas de portas em que bati. Precisamos ouvi-las, agir de acordo com o que dizem e fazer isso da maneira certa. Não haverá uma segunda chance. Mas agora existe uma oportunidade.
Starmer parabenizou Burnham pela vitória em uma publicação no X: “Os eleitores votaram na campanha trabalhista em favor da esperança e do otimismo, em vez da divisão e do ódio”, escreveu o premier. No cargo desde julho de 2024, Starmer enfrenta crescente pressão após o Partido Trabalhista sofrer uma derrota expressiva em eleições realizadas na Inglaterra, Escócia e País de Gales no mês passado.
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O líder britânico também foi alvo de críticas após sucessivas mudanças de posição em políticas de governo e por causa da nomeação de Peter Mandelson, ex-sócio do falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein, para o cargo de embaixador em Washington. Dezenas de parlamentares trabalhistas pediram sua renúncia e vários ministros deixaram seus cargos. Starmer insiste que pretende permanecer no cargo, afirmando que a vitória eleitoral de 2024 lhe garantiu um mandato de cinco anos.
‘Rei do Norte’
A candidatura de Burnham foi viabilizada após o deputado trabalhista Josh Simons renunciar ao assento de Makerfield para permitir o retorno do prefeito ao Parlamento. A medida chamou atenção para o distrito eleitoral, que possui cerca de 77 mil eleitores.
Pesquisas citadas durante a campanha apontam Burnham, apelidado de “rei do norte” após conquistar três mandatos consecutivos como prefeito, como o político trabalhista mais popular do país e indicam que ele venceria uma disputa direta contra Starmer. A eleição suplementar também foi vista como um teste para medir a capacidade de Burnham de derrotar o Reform UK de Nigel Farage. A região de Makerfield é predominantemente branca e de classe trabalhadora, perfil considerado favorável à legenda de extrema direita.
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A campanha de Robert Kenyon foi prejudicada por comentários ofensivos feitos por ele nas redes sociais sobre mulheres. Além disso, o pequeno partido de extrema direita Restore Britain acabou dividindo votos com o Reform UK. A participação eleitoral foi de 59%, a mais alta registrada em uma eleição suplementar nos últimos sete anos, com mais de 45 mil votos contabilizados.
Burnham, deputado entre 2001 e 2017, integra a ala moderadamente à esquerda do Partido Trabalhista e é um crítico frequente da orientação mais centrista adotada por Starmer. Ele tomará posse como parlamentar na segunda-feira. Para iniciar formalmente uma disputa pela liderança do partido, precisará reunir o apoio de pelo menos 81 dos mais de 400 deputados trabalhistas, número considerado alcançável por seus aliados.
Na quarta, Starmer afirmou estar disposto a oferecer a Burnham um “papel importante” no governo para evitar uma disputa interna. Segundo a imprensa britânica, a proposta foi rejeitada pela equipe do então prefeito. Horas após a vitória de Burnham, Starmer voltou a afirmar que pretende enfrentar qualquer tentativa de destituí-lo da liderança.
— Se houver uma disputa, então sim, eu concorrerei, eu permanecerei na disputa. Já disse repetidamente que não vou simplesmente me afastar disso — declarou a jornalistas em Londres.
(Com AFP)
Uma mulher viveu por mais de um ano com o corpo da mãe dentro de casa antes de tirar a própria vida na cidade da Trofa, ao norte de Portugal. Os corpos de Adelaide Sousa, de 80 anos, e da filha, Ângela Pinho, de 60, foram encontrados em avançado estado de decomposição durante buscas realizadas na manhã desta quinta-feira.
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De acordo com as autoridades, Adelaide Sousa morreu em 2024. A filha, que apresentava transtornos mentais, manteve o corpo da mãe na residência até tirar a própria vida em 2025. As duas moravam sozinhas no imóvel.
Os corpos foram localizados pela Polícia Judiciária do Porto.
Segundo o Jornal de Notícias, a Polícia Judiciária acionou os Bombeiros Voluntários da Trofa por volta das 10h30 para abrir a porta da residência. Durante a entrada no imóvel, os bombeiros encontraram os dois corpos já sem vida.
Ainda conforme o jornal, havia indícios de que as mortes haviam ocorrido havia bastante tempo.
Vizinhos não viam mãe e filha desde 2025
O portal Notícias da Trofa informou que Adelaide Sousa estava acamada e era cuidada pela filha. Ainda de acordo com o veículo, mãe e filha não eram vistas pelos vizinhos desde outubro do ano passado.
A descoberta provocou perplexidade entre moradores da região.
— Isto é macabro — afirmou Isabel Araújo, sobrinha de uma vizinha de Adelaide Sousa e Ângela Pinho.
Maria das Dores Silva, que mora ao lado da residência localizada na Avenida de Mosteirô, no centro da Trofa, disse ter ficado em choque ao saber da morte das vizinhas, encontradas após cerca de nove meses sem serem vistas em público.
— Nem quero acreditar. Passei tantos meses aqui ao lado de duas pessoas mortas — declarou.
O bombardeio de Israel ao sul do Líbano foi o fator que provocou o revés nas negociações entre Estados Unidos e Irã, levando ao cancelamento da reunião desta sexta-feira, na Suíça, na qual se discutiria detalhes dos termos do acordo entre os dois países. Um dos pontos centrais da negociação era justamente a interrupção dos ataques ao Líbano. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Um caderno de composição de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) — um manuscrito que inclui sete peças para harpa e flauta — foi encontrado por um curador da Biblioteca Nacional da França (BnF), em Paris, conforme anunciou a instituição nesta sexta-feira (19).
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“É uma grande descoberta, reconhecida pelos especialistas”, afirmou Gilles Pécout, diretor da BnF, acrescentando que a peça revela informações “sobre o jovem professor Mozart” e documenta “a última estadia parisiense” do músico em 1778.
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O caderno contém uma dúzia de “lições de composição” do músico austríaco (1756-1791). O compositor deu aulas diariamente em Paris, de maio a julho de 1778, “a Marie-Louise-Philippine de Bonnières de Guînes, filha do duque de Guînes, excelente harpista”, como explica François-Pierre Goy, curador do departamento de música da BnF e responsável pela descoberta extraordinária.
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O caderno foi encontrado em 2 de fevereiro na BnF, quando Goy examinava um pacote de quase 20 manuscritos anônimos, que o especialista pretendia analisar antes da aposentadoria.
Manuscrito com composições inéditas de Mozart é encontrado na França
Kenzo Tribouillard/AFP
“Nem de longe poderia imaginar o que encontraria”, confessou Goy. Ao observar as notas e os pentagramas, alguns elementos “característicos” da escrita chamaram sua atenção, como “as claves de sol bastante arredondadas, levemente inclinadas para a frente” ou “a clave de fá” traçada no sentido inverso à maneira que é representada na França.
Ao compará-lo com outros manuscritos digitalizados, o papel utilizado, francês, e o fato de o caderno ter os mesmos selos que uma cópia francesa do “Concerto para flauta e harpa” de Mozart, encomendada pelo duque de Guînes, reforçaram a ideia de que se tratava do compositor austríaco.
O documento foi submetido a uma perícia e sua atribuição foi validada no fim de abril pela Biblioteca Mozartiana da fundação Mozarteum de Salzburgo, cidade natal do músico.
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As 44 páginas incluem também “sete peças para flauta e harpa”, das quais a última está inacabada, como afirma Goy ao apresentar o caderno, muito bem conservado. As peças “partem sempre de uma ideia proposta por Mozart”, segundo a BnF. Ao final, “as mãos do mestre e da aluna” se misturam nelas “em proporções variáveis”.
Por exemplo, “ele escreve a parte da harpa” e pede à duquesa “que escreva a parte da flauta”. Depois, eles trocam”, disse Goy. No próximo domingo (21), dia da Festa da Música na França, as sete peças inéditas, com duração total de 20 minutos, serão interpretadas, pela primeira vez, pela Orquestra Filarmônica da ‘Radio France’.

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