Entenda: Venezuela anuncia retomada de contatos diplomáticos diretos com EUA, criando base para normalizar relação após captura de Maduro
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O influente cardeal teria implorado aos americanos por mais paciência até que ele conseguisse convencer Maduro a aceitar oferta russa, segundo documentos governamentais analisados pelo jornal. Isso tudo depois de dias tentando acessar o secretário de Estado Marco Rubio, preocupado com a escalada militar na Venezuela. Parolin admitia que Maduro tinha que deixar o poder, mas clamava para que os EUA lhe oferecessem uma saída.
“O que foi proposto a [Maduro] foi que ele fosse embora e pudesse desfrutar do seu dinheiro”, disse ao Post uma pessoa familiarizada com a oferta russa. “Parte desse pedido era que [o presidente Vladimir] Putin garantisse a sua segurança.”
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Mantido em sigilo até então, o encontro no Vaticano integrou uma longa sequência de articulações que acabaram fracassando. Americanos e mediadores internacionais — entre eles representantes da Rússia, do Catar e da Turquia, além da Igreja Católica — tentaram, sem sucesso, conter a escalada da crise diplomática e viabilizar uma saída segura para Maduro antes da operação lançada pelos Estados Unidos no sábado, com o objetivo de capturá-lo.
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“É lamentável que partes de uma conversa confidencial tenham sido divulgadas sem refletir com precisão o conteúdo da conversa em si, que ocorreu durante o período natalino”, disse a assessoria de imprensa do Vaticano em um comunicado ao Post.
Enquanto isso, o porta-voz de Burch encaminhou as perguntas ao Departamento de Estado, que se recusou a comentar. E o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, não respondeu ao pedido de comentário.
Ao sustentar que a Rússia estaria disposta a receber Nicolás Maduro, Parolin compartilhou o que os registros descrevem como um “rumor”: o de que a Venezuela teria se tornado uma moeda de troca nas negociações entre Moscou e Kiev — e que o Kremlin estaria disposto a “abrir mão” de Maduro caso obtivesse concessões satisfatórias no dossiê da Ucrânia.
A aparente oferta russa de asilo ao presidente venezuelano ocorreu em meio a um esforço mais amplo de Moscou para redefinir sua relação com os Estados Unidos e garantir um acordo favorável sobre a guerra na Ucrânia.
Os documentos indicam ainda que o cardeal avaliava que Maduro teria cogitado deixar o poder após a eleição de julho de 2024 — amplamente considerada fraudulenta pela comunidade internacional. A desistência, porém, teria sido abortada após o líder chavista ser convencido por seu ministro do Interior e aliado linha-dura, Diosdado Cabello, de que uma renúncia colocaria sua vida em risco. Segundo o cardeal, Maduro passou a demonstrar resistência em sair do país sem o respaldo de seu círculo mais próximo e relutava em abandonar figuras-chave do regime, como Cabello e o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez.
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Uma fonte a par da oferta russa, no entanto, afirmou que Moscou também estaria disposta a conceder asilo aos principais dirigentes do chavismo, e que a inflexibilidade do chavista teria decorrido da convicção de que Washington não avançaria contra ele. “Acho que foi soberba [de Maduro]”, resumiu.
Outro elemento também pesou nas avaliações em Washington. Segundo interlocutores do governo Trump, Maduro dificilmente aceitaria se exilar na Rússia, considerada excessivamente restritiva, além de dificultar seu acesso a recursos oriundos do comércio de ouro venezuelano que ele supostamente mantém no exterior.
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Diante do impasse, Parolin sugeriu que os Estados Unidos estabelecessem um prazo para a saída de Maduro do país e oferecessem garantias à sua família. O cardeal demonstrou, segundo os documentos, estar “muito, muito, muito perplexo” com a falta de clareza sobre os objetivos finais da estratégia americana para a Venezuela, e fez um apelo por paciência, cautela e contenção.
A Casa Branca, porém, já não estava disposta a esperar.
Intermediador de longa data
Ao longo dos anos, o Vaticano tem atuado como um dos canais recorrentes, embora pouco eficazes, nas tentativas internacionais de diálogo com o governo então isolado da Venezuela. Há cerca de uma década, a Santa Sé tentou, sem sucesso, costurar um acordo entre Maduro e uma oposição fragmentada. Mais recentemente, voltou a buscar interlocução por meio de seus principais representantes no país, enquanto o Papa Leão XIV alertava os Estados Unidos contra o uso da força.
— Acredito que a violência nunca leva à vitória — afirmou o Pontífice em novembro, ao comentar relatos sobre a movimentação de navios de guerra americanos em direção à Venezuela. — O caminho é o diálogo.
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À frente dessas iniciativas esteve o secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, ex-núncio apostólico — equivalente a embaixador — em Caracas, que mantém envolvimento direto com o dossiê venezuelano. Segundo uma fonte a par das negociações, Parolin já havia atuado anteriormente como intermediário junto ao governo de Donald Trump em tratativas relacionadas à Ucrânia e à Rússia.
Na sexta-feira, no Vaticano, Leão XIII expressou preocupação com o fato de que “uma diplomacia que promove o diálogo” estivesse sendo substituída por “uma diplomacia baseada na força”.
— A guerra voltou à moda, e um entusiasmo pela guerra está se espalhando — alertou ele.
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