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O governo de Israel afirmou nesta quarta-feira (8) que o Líbano não está incluído no cessar-fogo de duas semanas negociado entre Estados Unidos, Irã e Israel, contrariando declarações de mediadores internacionais e do presidente francês, Emmanuel Macron, que defendem a ampliação do acordo para o território libanês.
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Em comunicado, o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que apoia a iniciativa americana, mas condicionou sua adesão a medidas imediatas por parte de Teerã. “Israel apoia a decisão do presidente Trump de suspender os ataques contra o Irã por duas semanas, desde que o Irã abra imediatamente o estreito e cesse todos os ataques contra os EUA, Israel e países da região”, afirmou a nota. O texto reforça ainda que “o cessar-fogo de duas semanas não inclui o Líbano”.
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A manifestação marca o primeiro posicionamento oficial de Netanyahu desde o anúncio da trégua. A posição israelense contraria o entendimento de mediadores como Paquistão e Egito, além da França, que sustentam que o acordo deveria abranger também o conflito envolvendo o Líbano.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, chegou a afirmar que o país fazia parte do entendimento, enquanto o presidente americano, Donald Trump, não mencionou o território libanês em sua declaração.
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Do lado libanês, o presidente Joseph Aoun expressou esperança de que o cessar-fogo represente um avanço diplomático mais amplo. Segundo ele, o acordo pode ser um “primeiro passo” rumo a soluções definitivas para as crises regionais. Em comunicado, Aoun afirmou que o governo trabalha para garantir que “a paz regional inclua o Líbano de maneira sustentável, com base nos princípios acordados pelo povo libanês”.
O líder também defendeu a retirada das forças israelenses do território libanês e o desarmamento de grupos não estatais, incluindo o Hezbollah. “A soberania completa do Estado sobre todo o seu território, sua libertação de qualquer presença ocupante e o direito exclusivo de declarar guerra e paz e de usar a força legítima devem estar apenas nas mãos de suas instituições constitucionais”, declarou.
O presidente francês Emmanuel Macron reforçou a necessidade de inclusão do Líbano no cessar-fogo. Classificando a trégua como “uma coisa muito boa”, ele alertou que a medida precisa se estender para conter a escalada no Oriente Médio. “A situação é crítica” no Líbano, afirmou, acrescentando que “o que testemunhamos com os ataques de Israel e a ocupação do sul do Líbano não é a resposta correta”.
Israel tem intensificado ataques no território libanês desde um ataque realizado em março pelo Hezbollah, grupo aliado do Irã. Segundo autoridades libanesas, mais de 1.500 pessoas já morreram na ofensiva.
Macron, cujo país mantém laços históricos com o Líbano, tem condenado reiteradamente as ações militares israelenses e pressionado por negociações diretas entre os dois países. A França também acusou forças israelenses de tentar “intimidar” militares franceses que participam de uma missão de paz da ONU na região.
Apesar das pressões diplomáticas, permanece incerto se o cessar-fogo negociado com mediação do Paquistão será ampliado para incluir o Líbano, diante da rejeição explícita do governo israelense. Enquanto isso, o Irã anunciou que iniciará negociações com os Estados Unidos na sexta-feira (10), em Islamabad.
O anúncio de cessar-fogo entre forças envolvidas no conflito no Golfo Pérsico começou a produzir efeitos concretos nesta quarta-feira (8), com a retomada inicial do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o transporte global de petróleo e gás. Dados da plataforma de monitoramento marítimo MarineTraffic indicam que os primeiros deslocamentos foram registrados poucas horas após o acordo, que prevê a reabertura temporária da passagem para viabilizar negociações diplomáticas.
As primeiras travessias foram realizadas por dois navios mercantes. O graneleiro grego NJ Earth cruzou o estreito às 08h44 (horário local), enquanto o Daytona Beach, com bandeira da Libéria, transitou mais cedo, às 06h59, pouco depois de deixar o porto iraniano de Bandar Abbas, às 05h28. As informações foram divulgadas pela própria MarineTraffic e reproduzidas pelo Times of Israel.
Assista:
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Fluxo ainda lento e sob incerteza
Apesar do avanço, a movimentação segue cautelosa. Segundo a MarineTraffic, centenas de embarcações permanecem concentradas na região após dias de interrupção, incluindo 426 petroleiros, 34 navios de transporte de gás liquefeito de petróleo (GLP) e 19 de gás natural liquefeito (GNL). Muitos desses navios ficaram praticamente retidos durante a escalada das tensões, aguardando condições seguras para prosseguir viagem.
A reabertura parcial do estreito ocorre em meio a um cenário ainda instável. Embora o cessar-fogo represente um alívio imediato para o comércio internacional e para os mercados de energia, autoridades e analistas alertam que a normalização completa do fluxo marítimo dependerá da manutenção do acordo e da evolução das negociações entre as partes envolvidas.
Responsável por cerca de um quinto do petróleo transportado no mundo, o Estreito de Ormuz é considerado um ponto sensível em momentos de crise na região. A retomada, ainda que gradual, é vista como um primeiro sinal de distensão — mas longe de indicar uma resolução definitiva do conflito.
Uma refinaria de petróleo na ilha de Lavan, no sul do Irã, foi alvo de um ataque na manhã desta quarta-feira, poucas horas após o anúncio de um cessar-fogo no conflito entre Teerã e Washington, segundo informou a televisão estatal iraniana.
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De acordo com a reportagem, o ataque ocorreu por volta das 10h, e equipes de bombeiros foram mobilizadas para conter as chamas. As autoridades afirmaram que não houve feridos. Não foi informado quem teria realizado a ofensiva.
Mais cedo, meios de comunicação iranianos já haviam relatado explosões na refinaria localizada na ilha de Lavan, no Golfo. A agência Mehr News informou que várias detonações ocorreram no local, mas destacou que a causa das explosões permanece desconhecida. Também não há informações sobre danos materiais.
Na véspera, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo de duas semanas com o Irã, afirmando que Teerã apresentou uma proposta de negociação de 10 pontos considerada “viável”.
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O anúncio foi feito menos de duas horas antes do prazo final estipulado por Trump, que havia sido prorrogado diversas vezes para que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz e aceitasse um acordo, sob a ameaça de “a destruição de uma civilização inteira”.
O cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã ocorre em meio a questionamentos crescentes dentro do próprio governo americano sobre a condução e a comunicação da guerra. Reportagem do The Washington Post revela que o secretário de Defesa, Pete Hegseth, teria fornecido informações imprecisas ao presidente Donald Trump sobre o progresso das operações militares, o que levanta dúvidas sobre a narrativa oficial de sucesso absoluto do conflito.
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Mesmo após semanas de declarações públicas otimistas, episódios recentes expuseram fragilidades no cenário descrito por Washington. A derrubada de um caça F-15E por forças iranianas, seguida de uma complexa operação de resgate, evidenciou que Teerã ainda mantém capacidade de atingir ativos militares americanos, contrariando afirmações de “controle total” do espaço aéreo iraniano.
Narrativa otimista sob pressão
Segundo o Washington Post, integrantes do governo avaliam que a retórica adotada por Hegseth pode ter levado o próprio Trump a repetir informações enganosas. Em declarações públicas, o presidente descreveu a guerra como um sucesso “incrível”, enquanto o secretário afirmou que o Irã teria sido “humilhado” pelas forças americanas. Nos bastidores, porém, autoridades admitem que a situação é mais complexa.
Dados de inteligência indicam que mais da metade dos lançadores de mísseis iranianos segue intacta, além da manutenção de um amplo arsenal de drones. Ainda assim, o Pentágono sustenta que os objetivos estratégicos foram atingidos e classifica as críticas como “propaganda”, “notícia falsa” e “excessivamente otimistas” .
Mudança de estratégia e riscos persistentes
Analistas ouvidos pela reportagem apontam que o Irã vem ajustando sua atuação no conflito, abandonando ataques em grande volume para adotar ações mais precisas e estratégicas. Essa mudança teria aumentado a eficácia dos ataques, mesmo com a redução no número de lançamentos.
O impacto humano também reforça a gravidade do cenário: ao menos sete militares americanos morreram em contra-ataques iranianos, além de centenas de feridos, segundo dados oficiais. Paralelamente, cresce a preocupação com a atuação de grupos aliados ao Irã, como o Hezbollah e milícias no Iraque, ampliando o alcance regional da crise.
Apesar disso, autoridades americanas defendem que a ofensiva reduziu significativamente a capacidade militar iraniana, especialmente na produção de mísseis balísticos. Especialistas, no entanto, alertam que a produção de drones, mais simples e descentralizada, segue sendo um desafio difícil de conter.
O cessar-fogo, portanto, ocorre em um ambiente de incerteza: enquanto a Casa Branca mantém o discurso de vitória, avaliações internas e dados independentes indicam que o equilíbrio de forças permanece instável, e que a guerra pode ter sido mais equilibrada do que a narrativa oficial sugere .
Mesmo após o anúncio do cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã, nesta terça-feira (7), cenas de guerra continuam a emergir no Oriente Médio. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que um pequeno depósito de munições é atingido por um ataque na Rua Palestina, em Bagdá, provocando uma forte explosão seguida por correria de civis em pânico.
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As imagens, registradas durante a noite, mostram uma bola de fogo se formando rapidamente após o impacto, enquanto moradores deixam a área às pressas, em meio a gritos e fumaça. O episódio ocorre no mesmo período em que autoridades anunciam a suspensão temporária das hostilidades, evidenciando as dificuldades de implementação do acordo no terreno.
Assista:
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Trégua sob tensão no Iraque
Segundo a imprensa local e a rede Alhurra, o ataque na Rua Palestina atingiu uma residência onde foram encontrados armamentos e munições, levantando suspeitas de ligação com facções armadas. O proprietário do imóvel foi detido, e investigações seguem em curso para esclarecer as circunstâncias do bombardeio.
A explosão em Bagdá ocorreu em uma noite marcada por múltiplos ataques. De acordo com autoridades iraquianas, foguetes e bombardeios atingiram diferentes regiões da capital, incluindo áreas próximas ao Aeroporto Internacional e bairros residenciais, deixando mortos e feridos.
Imagens das explosões em Bagdá circulam nas redes sociais
Reprodução/Redes sociais/X
O episódio se soma à escalada de violência iniciada no sul do Iraque, onde um foguete atingiu uma residência na província de Basra, deixando mortos e feridos e desencadeando protestos. Manifestantes invadiram o consulado do Kuwait, arriaram sua bandeira e hastearam a iraquiana, em meio a acusações cruzadas sobre a autoria dos ataques.
Apesar da trégua anunciada por Washington e Teerã, caças continuaram a sobrevoar Bagdá durante a madrugada, sinalizando que o cessar-fogo ainda não se consolidou no terreno.
De acordo com a Reuters, o Kuwait afirmou ter enfrentado uma “intensa onda de ataques” atribuída ao Irã nas primeiras horas após o acordo, com estrondos ouvidos por testemunhas logo após o início da trégua.
Relatos semelhantes vieram dos Emirados Árabes Unidos, do Catar e do Bahrein, indicando que a ofensiva se expandiu pela região. A sequência de ataques, às vésperas do prazo estabelecido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforça as dúvidas sobre a efetividade do acordo e mantém elevada a tensão no Golfo.
Horas após o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã, autoridades iranianas passaram a tratar o acordo como uma vitória estratégica, em contraste com declarações semelhantes feitas por Washington. A disputa de narrativas ocorre enquanto a trégua ainda enfrenta incertezas no terreno.
As declarações foram reportadas pelo The New York Times e refletem o esforço de ambos os lados para consolidar ganhos políticos após mais de cinco semanas de conflito.
Irã fala em “vitória histórica”
O primeiro vice-presidente iraniano, Mohammad Reza Aref, afirmou nas redes sociais que “a era do Irã” havia começado, sugerindo um novo momento de força geopolítica para o país.
Confira:
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Na mesma linha, o chefe do Judiciário, Mohsen Ejei, declarou que o Irã “provou ser inflexível e invencível”.
Em comunicado oficial, o Conselho Supremo de Segurança Nacional foi ainda mais enfático, afirmando que o país infligiu ao inimigo uma “derrota inegável, histórica e esmagadora” em uma guerra descrita como “covarde, ilegal e criminosa”.
Trump também reivindica “vitória total”
Do lado americano, o presidente Donald Trump adotou tom semelhante. Em entrevista à AFP, afirmou que os Estados Unidos alcançaram uma “vitória total e completa”.
— Vitória total e completa, 100%. Não há dúvidas sobre isso — disse.
Trump também indicou que pontos centrais do conflito, como o programa nuclear iraniano, estariam sob controle.
— Isso estará perfeitamente controlado, ou eu não teria fechado um acordo — afirmou, sem detalhar os mecanismos de verificação.
O presidente ainda sugeriu que a China pode ter desempenhado papel nas negociações e indicou uma possível viagem a Pequim, onde pretende se reunir com Xi Jinping.
Trégua sob ataques e incerteza
Apesar do anúncio do cessar-fogo, relatos de novos ataques com mísseis e drones no Golfo Pérsico colocam em dúvida a efetividade imediata do acordo.
Na manhã seguinte ao anúncio, sirenes soaram em Israel diante da aproximação de mísseis iranianos, enquanto países como Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos relataram novos episódios de violência.
Analistas apontam que a estrutura descentralizada das forças iranianas, que permite decisões locais de ataque, pode dificultar a implementação uniforme da trégua.
Além disso, divergências políticas ampliam a instabilidade. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o cessar-fogo não se estende ao Líbano, onde os combates contra o Hezbollah continuam.
Impacto humano e percepção da população
Enquanto líderes disputam a narrativa de vitória, o custo humano do conflito segue elevado. Segundo dados citados por organizações de direitos humanos, ao menos 1.665 civis morreram no Irã, incluindo 244 crianças. No Líbano, mais de 1.500 pessoas morreram, além de vítimas em Israel, no Golfo e entre militares americanos.
Nas ruas de Teerã, o sentimento é mais complexo. Em relato ao The New York Times, um morador identificado como Nima disse que, pela primeira vez em cerca de 40 dias, acordou sem medo de novos ataques.
“A noite passada foi realmente assustadora”, afirmou, destacando o impacto psicológico da guerra e os danos econômicos sofridos pelo país.
Já a Al Jazeera descreve um “alívio cauteloso” entre os iranianos. Segundo o correspondente Ali Hashem, há esperança de retorno à normalidade, mas também forte desconfiança.
“As pessoas estão felizes por poderem retomar suas vidas normais, mas temem que isso possa se repetir a qualquer momento”, relatou.
Negociações e próximos passos
O cessar-fogo deve abrir espaço para negociações diplomáticas mais amplas. O governo do Paquistão convidou delegações dos dois países para conversas em Islamabad, enquanto autoridades americanas afirmam que negociações presenciais estão em discussão.
Mesmo assim, o histórico recente — com tentativas anteriores de trégua seguidas por novos ataques — reforça a percepção de que o acordo atual pode ser apenas temporário.
Entre declarações de vitória e sinais de fragilidade no terreno, o cessar-fogo expõe não apenas a disputa militar, mas também a batalha política e simbólica travada por Irã e Estados Unidos.
O líder da oposição israelense, Yair Lapid, classificou nesta quarta-feira o cessar-fogo com o Irã como um “desastre político” e acusou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de não ter alcançado os objetivos da guerra.
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“Nunca houve um desastre político como este em toda a nossa história. Israel nem sequer esteve perto da mesa quando foram tomadas decisões relativas ao núcleo de nossa segurança nacional”, escreveu Lapid na rede social X.
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“O Exército realizou tudo o que lhe foi pedido, e a população demonstrou uma resiliência notável, mas Netanyahu fracassou politicamente, fracassou estrategicamente e não alcançou nenhum dos objetivos que ele próprio havia estabelecido”, criticou.
Netanyahu havia definido como metas centrais a eliminação ou ao menos a forte deterioração do programa nuclear iraniano, considerado por ele uma “ameaça existencial” para Israel.
O premier também buscava neutralizar a capacidade de mísseis balísticos do Irã, enfraquecer ou até derrubar o regime em Teerã e conter sua influência regional por meio de ataques a grupos aliados.
“Levará anos para reparar o dano político e estratégico que Netanyahu causou devido à sua arrogância, negligência e falta de planejamento estratégico”, afirmou Lapid.
O cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã foi anunciado na terça-feira, horas antes do prazo estipulado pelo presidente Donald Trump para evitar uma escalada militar mais ampla.
Israel declarou apoiar a decisão de Washington de suspender os bombardeios contra o Irã, mas ressaltou que a trégua “não inclui o Líbano”.
O país segue em confronto com o Hezbollah, grupo armado libanês apoiado por Teerã, que passou a lançar foguetes contra território israelense em março, após o assassinato do líder supremo iraniano Ali Khamenei.
Após mais de cinco semanas de conflito e sob a ameaça explícita de escalada militar, o cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã começa a produzir seus primeiros efeitos, não apenas no campo diplomático, mas na vida cotidiana da população iraniana.
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Relatos ouvidos por veículos internacionais mostram uma sensação ambígua nas ruas de Teerã: alívio imediato após dias de bombardeios, mas também um receio persistente de que a trégua seja apenas temporária.
“Primeira vez sem medo em 40 dias”
Em entrevista ao The New York Times, um morador de Teerã identificado como Nima afirmou que a manhã desta quarta-feira marcou um momento raro desde o início da guerra.
Segundo ele, foi a primeira vez em cerca de 40 dias que não acordou preocupado com a possibilidade de colegas morrerem em um ataque aéreo.
“Foi uma sensação boa”, disse. Ainda assim, descreveu a noite anterior como “realmente assustadora” e pediu para não ter o nome completo divulgado, temendo represálias do governo.
O relato evidencia o impacto psicológico prolongado da guerra, que manteve a população sob tensão constante diante de ataques e ameaças, incluindo declarações do presidente Donald Trump sobre a possibilidade de destruição total do país.
Impacto econômico e desgaste interno
Além do medo, a guerra também deixou marcas profundas na economia iraniana. Segundo Nima, os danos à infraestrutura e aos principais setores econômicos agravaram ainda mais a situação do país.
“Do ponto de vista econômico, o país sofreu muitos danos. O país é realmente pobre”, afirmou ao jornal americano.
A avaliação reflete um sentimento mais amplo entre a população, que enfrenta dificuldades crescentes após semanas de conflito, sanções e instabilidade.
Alívio cauteloso e desconfiança
Já a emissora Al Jazeera descreve um cenário de “alívio cauteloso” em Teerã, à medida que diplomatas se preparam para novas negociações em Islamabad.
De acordo com o correspondente Ali Hashem, os iranianos demonstram satisfação com a possibilidade de retomar a rotina, mas mantêm uma forte desconfiança em relação à durabilidade do acordo.
Segundo ele, essa cautela está ligada à “falta de confiança entre os EUA e Israel, de um lado, e o Irã, do outro”, além do histórico recente: ao menos duas tentativas anteriores de negociação foram seguidas por novos confrontos.
“As pessoas estão felizes por poderem retomar suas vidas normais, mas, ao mesmo tempo, temem que isso possa se repetir a qualquer momento”, relatou Hashem.
Trégua ainda sob incerteza
O cessar-fogo, anunciado após semanas de confrontos intensos, prevê uma pausa de duas semanas nos ataques e busca abrir espaço para negociações diplomáticas.
No entanto, episódios recentes de violência e divergências entre os envolvidos reforçam a percepção de que a trégua ainda é frágil.
O Papa Leão XIV celebrou o acordo de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã como um “sinal de esperança viva”, durante a audiência semanal realizada na Praça São Pedro, na manhã desta quarta-feira, e afirmou que “apenas voltando à mesa de negociações será possível pôr fim à guerra”.
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“Depois destas últimas horas de grande tensão para o Oriente Médio e o mundo inteiro, recebo com satisfação, e como um sinal de esperança viva, o anúncio de uma trégua imediata de duas semanas”, declarou o Papa americano.
Na noite desta terça-feira, o Pontífice, que tem se posicionado contra a guerra no Oriente Médio, criticou as ameaças feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre ‘uma civilização inteira morrer esta noite’ caso o Irã não chegasse a um acordo.
A República Islâmica foi atacada pela primeira vez em 28 de fevereiro pelos EUA e por Israel. Desde então, os três países estavam em um confronto que havia se expandido para os países vizinhos do Oriente Médio.
Apelo em Domingo de Páscoa
Em sua primeira missa de Páscoa, o Papa Leão XIV fez um apelo direto “àqueles que têm o poder” de desencadear guerras para que “escolham a paz”, ao mesmo tempo em que denunciou a “indiferença” diante dos conflitos, disse no último domingo.
Diante de milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro, no Vaticano, o Pontífice conduziu a celebração sob clima festivo, com flores, cantos litúrgicos e sinos, mas com o pano de fundo da guerra no Oriente Médio, que marcou toda a Semana Santa.
Durante a tradicional bênção “urbi et orbi”, Leão XIV criticou a naturalização da violência.
— Estamos nos acostumando à violência, nos resignando a ela e nos tornando indiferentes. Indiferentes à morte de milhares de pessoas. Indiferentes às sequelas do ódio e divisão que semeiam os conflitos — afirmou, mencionando também os impactos econômicos e sociais das guerras.
Sem citar diretamente países ou regiões — rompendo com uma prática comum de seus antecessores —, o Papa reforçou o apelo por responsabilidade das lideranças globais.
O Iraque anunciou, nesta quarta-feira, a reabertura de seu espaço aéreo e de todos os aeroportos do país após o cessar-fogo firmado entre Estados Unidos e Irã, em meio a sinais de estabilização na região. A decisão ocorre após semanas de tensão no Golfo e interrupções no tráfego aéreo, provocadas pela escalada militar.
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As informações foram divulgadas pela emissora Al Jazeera, com base em comunicado oficial da Autoridade de Aviação Civil do Iraque.
Espaço aéreo reaberto “com efeito imediato”
Segundo a Autoridade de Aviação Civil, a reabertura passa a valer imediatamente. Em nota divulgada pela Agência de Notícias Iraquiana (INA), o órgão afirmou que a decisão foi tomada após a “estabilização da situação e o retorno à normalidade”.
“Foi decidido reabrir o espaço aéreo iraquiano ao tráfego aéreo a partir de hoje”, informou a autoridade no comunicado.
Com a medida, todos os voos civis estão autorizados a operar novamente no país. Isso inclui sobrevoos, decolagens e pousos em aeroportos iraquianos, desde que respeitadas as normas vigentes.
De acordo com a autoridade, a retomada segue “em conformidade com os regulamentos e instruções estabelecidos”, indicando um retorno gradual das operações aéreas após o período de restrições.
Segurança aérea e coordenação internacional
O órgão também destacou que continuará adotando medidas rigorosas de segurança. Em nota, reafirmou seu “compromisso total com a implementação dos mais altos padrões de segurança aérea”.
Além disso, a autoridade informou que manterá coordenação contínua com organizações internacionais relevantes, com o objetivo de garantir o funcionamento “tranquilo e eficiente” do tráfego aéreo no país.
Contexto regional
A reabertura ocorre após o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã, que tenta conter a escalada militar registrada nas últimas semanas no Oriente Médio.
O conflito provocou impactos diretos na aviação e no transporte internacional, com o fechamento de espaços aéreos estratégicos e aumento dos riscos para companhias aéreas na região. A decisão do Iraque sinaliza uma tentativa de retomada da normalidade, embora o cenário ainda seja considerado instável.

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