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O escudo térmico da Artemis II, admite a Nasa, apresenta falhas. Esse item é a camada crítica na parte inferior de uma espaçonave que a protege — e aos astronautas dentro dela — das temperaturas extremas ao reentrar na atmosfera da Terra. Se o escudo falhar, a estrutura metálica subjacente pode derreter, romper e se desintegrar.
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E não há plano de contingência, nem forma de os astronautas escaparem.
Autoridades da Nasa, no entanto, dizem estar confiantes de que, apesar das falhas conhecidas no escudo térmico, os quatro astronautas da Artemis II permanecerão vivos e em segurança ao chegar à Terra na noite de sexta-feira, a uma velocidade de quase 38 mil km/h, concluindo uma viagem de 10 dias até a Lua e de volta.
Uma extensa análise e testes do material do escudo térmico — segundo a agência — “nos deixaram confortáveis de que podemos realizar essa missão com ampla margem de segurança”, afirmou Jared Isaacman, administrador da Nasa, em entrevista em janeiro.
No entanto, Charlie Camarda, ex-astronauta da Nasa e especialista em escudos térmicos, afirma que a agência jamais deveria ter lançado a Artemis II. Segundo ele, a Nasa não compreende suficientemente as chances de falha do escudo, e a missão, até agora bem-sucedida, pode terminar com a morte dos astronautas.
— Vou rezar para que nada aconteça — disse ele em entrevista poucos dias antes do lançamento da Artemis II.
A estimativa é de 95% de chance de retorno seguro dos astronautas. Mas isso ainda representa uma probabilidade de 1 em 20 de desastre. Compare isso com a chance de cerca de 1 em 9 milhões de morrer em um acidente de avião comercial, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo.
O ponto central da divergência está em quanta certeza é necessária quando uma resposta definitiva e perfeita é impossível. Durante a Artemis I, missão sem tripulação que orbitou a Lua em 2022, a cápsula Orion sobreviveu à reentrada. Se houvesse astronautas a bordo, eles não teriam percebido nada de anormal. Mas, quando a cápsula foi retirada do oceano, o escudo térmico — do mesmo modelo usado na Artemis II — estava inesperadamente marcado por danos, com pedaços consideráveis faltando.
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Seguiram-se alguns anos de investigações. Autoridades da Nasa afirmaram que suas análises consideraram cenários extremos. Esses resultados, junto com mudanças na trajetória de reentrada da Artemis II, proporcionariam uma margem significativa de segurança.
A tripulação da Artemis II está ciente dos riscos do voo e das medidas adotadas pela Nasa para mitigá-los.
— Estivemos presentes em cada etapa da construção da espaçonave — disse Reid Wiseman, comandante da missão, em setembro.
Camarda rebate dizendo que a NASA ainda não compreende a física básica do que ocorreu na Artemis I e, portanto, não pode afirmar com precisão qual seria o pior cenário possível.
Autoridades da NASA minimizaram as preocupações com o escudo térmico. Durante uma coletiva em janeiro de 2024, Amit Kshatriya, hoje administrador associado da NASA, afirmou que o escudo da Artemis I apresentou “fenômenos inesperados que precisamos entender perfeitamente”, mas destacou que ele teve “um desempenho muito bom do ponto de vista da proteção térmica”.
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Fotografias do escudo térmico da Artemis I permaneceram fora do alcance do público até serem divulgadas em um relatório do inspetor-geral da agência, um órgão independente, em maio de 2024.
Especificações técnicas do escudo
O escudo térmico é feito de um material chamado Avcoat, semelhante ao utilizado no programa Apollo há mais de 50 anos. Por projeto, ao absorver o calor da reentrada, o material carboniza e se desgasta gradualmente, impedindo que o calor atinja o restante da cápsula.
Na investigação da Artemis I, engenheiros concluíram que, em algumas partes do escudo, gases se acumularam internamente, gerando pressão que provocou rachaduras. Isso fez com que pedaços do Avcoat se soltassem de forma repentina, em vez de queimarem de maneira gradual e controlada.
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Para futuras missões, a fórmula do Avcoat foi modificada para torná-lo mais poroso, permitindo a saída dos gases. Isso criou um dilema sobre o que fazer com a Artemis II.
Para essa missão, o escudo térmico — ainda com a fórmula original — já estava pronto e acoplado à cápsula Orion. Substituí-lo, ou trocar toda a cápsula, atrasaria ainda mais o lançamento. Em vez disso, engenheiros da Nasa concluíram que uma trajetória de reentrada mais íngreme e curta reduziria o tempo de exposição a altas temperaturas, ajudando a manter os astronautas seguros.
Dan Rasky, engenheiro de escudos térmicos que se aposentou da Nasa em dezembro, compartilha das críticas de Camarda.
— Vou dar uma analogia: se você está dirigindo na estrada e pedaços de um dos pneus começam a se soltar, você continua dirigindo e espera que dê tudo certo? Ou para e troca o pneu por medo de um estouro? — disse.
A decisão de seguir com a Artemis II sem alterar o escudo térmico “não foi prudente”, afirmou.
— Na verdade, foi imprudente.
Se o escudo térmico da Artemis II tiver desempenho semelhante ao da Artemis I, os astronautas deverão pousar no Oceano Pacífico sem problemas.
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Mas a situação traz lembranças desconfortáveis de dois dos piores dias da Nasa: 28 de janeiro de 1986, quando o ônibus espacial Challenger se desintegrou 73 segundos após o lançamento, e 1º de fevereiro de 2003, quando o Columbia se desintegrou ao retornar da órbita.
Em ambos os casos, sinais de alerta já haviam surgido em voos anteriores. No entanto, gestores interpretaram erroneamente esses sinais como aceitáveis, em vez de agir com urgência para corrigir problemas que mais tarde levariam à morte dos astronautas.
Agora, a principal questão para a Artemis II e seu escudo térmico com falhas é: rachaduras podem se formar e se espalhar a um ritmo catastrófico? Calcular essa possibilidade com precisão é extremamente difícil.
Simular o fluxo hipersônico de moléculas de ar ao redor da base de uma cápsula espacial exige enorme poder computacional. Para escudos térmicos, outros fenômenos complexos também entram em jogo: o calor gerado pela compressão do ar e o comportamento imprevisível das rachaduras no Avcoat.
— O que eu faria seria pausar — disse Camarda. — Reuniria uma equipe para desenvolver uma capacidade real de análise, incorporando toda a física envolvida.
Segundo Danny Olivas, também ex-astronauta da Nasa e especialista em materiais, isso não foi feito.
— Charlie está 100% correto — disse. — Não temos um modelo baseado em física para isso. É algo impraticável e quase impossível, devido à forma como esse material se comporta.
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Ainda assim, Olivas, que inicialmente tinha dúvidas sobre o lançamento da Artemis II, disse ter sido convencido pelas análises realizadas pela Nasa.
Diferentemente de Camarda, Olivas foi convidado pela agência para conduzir uma revisão técnica independente e recomendou a criação de um painel maior de especialistas externos — o que a Nasa fez. Segundo ele, as simulações da agência consideraram cenários conservadores, incluindo a possibilidade de rachaduras e desprendimento de camadas inteiras do material.
Mesmo nesses cenários, análises repetidas indicaram que parte suficiente do escudo térmico sobreviveria, assim como a cápsula. Uma análise adicional avaliou o que aconteceria caso um bloco inteiro de Avcoat se soltasse. A conclusão foi de que a estrutura abaixo do escudo, feita de fibra de carbono e titânio, manteria a cabine intacta.
Olivas afirmou que os engenheiros da NASA foram colaborativos.
— Posso dizer que, em todas as conversas, o desastre do Columbia estava na mente de todos — disse. — Eles foram gratos por eu pressioná-los, por duvidar e por exigir que comprovassem a segurança.
Ele afirmou também que se colocou à disposição para ouvir eventuais dissidentes, mas não recebeu manifestações. Segundo Olivas, isso contrasta com o ambiente após o desastre do Columbia.
Em janeiro, Isaacman convidou Olivas e Camarda para uma série de apresentações técnicas, nas quais engenheiros da NASA explicaram a decisão de utilizar o escudo térmico com falhas. Camarda não se convenceu.
— A NASA definitivamente não tem dados suficientes para provar que é seguro — afirmou. — Percebi que estavam usando o mesmo raciocínio falho e ferramentas rudimentares, como nos casos do Columbia e do Challenger.
Para Olivas, porém, o encontro dissipou suas preocupações restantes. Ele chegou a enviar uma mensagem a Wiseman afirmando confiar que a NASA fez um bom trabalho na mitigação dos riscos.
— Eu não diria isso a eles, por respeito à tripulação e às famílias, se não acreditasse nisso — disse. — Jamais aprovaria algo apenas para atender à NASA.
A primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, afirmou nesta quinta-feira que não tem qualquer relação com o financista Jeffrey Epstein e declarou não ser uma de suas vítimas, classificando como falsas as alegações que a vinculam ao caso.
Em um raro pronunciamento público, Melania disse que decidiu se manifestar para rebater o que chamou de “mentiras” envolvendo seu nome.
— Nunca fui amiga de Epstein. Donald e eu fomos convidados para as mesmas festas que ele de vez em quando, já que a sobreposição de círculos sociais é comum em Nova York e Palm Beach. Para deixar claro, nunca tive qualquer relação com Epstein ou com sua cúmplice, Ghislaine Maxwell — disse a primeira-dama a repórteres.
Melania Trump aproveitou a ocasião para pedir ao Congresso um espaço para que as vítimas de Epstein possam depor no Capitólio.
— Peço ao Congresso que proporcione às mulheres que foram vitimadas por Epstein uma audiência pública especificamente centrada nas sobreviventes, dando a essas vítimas a oportunidade de testemunhar sob juramento diante do Congresso, com o peso de um depoimento formal — afirmou.
A declaração ocorre em meio à repercussão contínua da divulgação de documentos relacionados ao caso Epstein, que têm citado diversas figuras públicas e alimentado teorias e acusações nas redes sociais. Parte dessas alegações já foi contestada anteriormente por autoridades e pela própria defesa de envolvidos.
Nos últimos meses, Melania também adotou medidas legais contra conteúdos que a associavam ao financista. Em 2025, veículos e comentaristas chegaram a recuar de publicações que sugeriam ligação entre ela e Epstein, após pressão jurídica e pedidos de retratação.
Cuba acusou nesta quinta-feira os Estados Unidos de “extorquir” países da América Latina e do Caribe para cancelarem seus acordos de cooperação médica com Havana com o objetivo de “asfixiar” a economia da ilha. O envio de brigadas médicas ao exterior constitui a principal fonte de entrada de divisas (atividades, setores ou produtos que geram entrada de moeda estrangeira em um país), aumentando as reservas cambiais do governo de Cuba, com 7 bilhões de dólares (R$35,5 bilhões na cotação atual) em 2025, segundo números oficiais.
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Só no ano passado, cerca de 24 mil médicos e outros profissionais cubanos de saúde trabalhavam em 56 países. Mas, nos últimos meses, Guatemala, Honduras, Jamaica e Guiana encerraram esses acordos que, em alguns casos, permitiram o envio de pessoal de saúde cubano por mais de 25 anos.
— O governo dos EUA persegue, pressiona e extorque outros governos para pôr fim à presença das Brigadas Médicas Cubanas em diversos países, sob pretextos enganosos — afirmou o chanceler cubano Bruno Rodríguez na rede X.
O chefe da diplomacia cubana destacou: “os objetivos do governo americano e da campanha diplomático-midiática que conduz são continuar cercando a economia cubana e cortar fontes de renda legítimas para asfixiar o povo de Cuba”.
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O governo do presidente Donald Trump aplica uma política de “pressão máxima” contra Cuba, que impede as exportações de petróleo para a ilha depois que forças americanas derrubaram, no início de janeiro, o presidente Nicolás Maduro, até então o maior aliado de Havana, e ameaça com sanções os países que enviem petróleo a Cuba. Essa medida aprofundou a crise econômica e energética em Cuba, que sofre frequentes e prolongados apagões.
Na semana passada, Trump abriu uma exceção ao permitir que um petroleiro russo entregasse 730 mil barris de petróleo à ilha, o primeiro carregamento que chegou ao país em três meses. O presidente republicano não esconde seu desejo de uma mudança de regime em Cuba, localizada a apenas 150 km dos Estados Unidos. Segundo Washington, a ilha representa uma “ameaça excepcional” por suas estreitas relações com Rússia, China e Irã.
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‘Trabalho forçado’
Rodríguez se manifestou depois que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) publicou na terça-feira um relatório que denuncia graves violações de direitos humanos nas missões médicas internacionais de Cuba, como retenção de salários dos participantes, ameaças de penas de prisão de até oito anos para quem as abandone ou confisco de passaportes.
Em entrevista à AFP, o presidente da CIDH, Edgar Stuardo Ralón, afirmou que existem elementos para classificar como “trabalho forçado” e “tráfico de pessoas” várias práticas realizadas nesse programa.
— É uma situação de desproteção dramática que ignora o conceito de trabalho e tratamento dignos, como se (os participantes) fossem tratados de maneira totalmente abusiva, obrigados a seguir regras, transformados em entidades que não têm o mínimo inerente a toda pessoa — acrescentou Ralón.
De acordo com estatísticas oficiais cubanas citadas no relatório da CIDH, os profissionais da ilha recebem apenas entre 2,5% e 25% do que os países receptores pagam a Cuba pelos serviços médicos. Como consequência, o pessoal envolvido “não disporia de uma remuneração que lhes permita subsistir dignamente” nem “cobrir os custos básicos de vida”, assinala a Comissão.
O chanceler cubano insistiu que as brigadas médicas de seu país “realizam trabalhos solidários em locais de difícil acesso; ajudam no desenvolvimento de sistemas de saúde com recursos humanos experientes; e seu pessoal é contratado de forma voluntária, legal e soberana”, sob normas internacionais.
Em meio ao aumento das tensões entre Cuba e Estados Unidos, os dois países mantêm um diálogo que está em um estado “muito preliminar”, segundo disse na segunda-feira à AFP a vice-chanceler cubana Josefina Vidal, figura-chave no restabelecimento das relações bilaterais em 2015.
A Força de Defesa de Israel (IDF) anunciou o assassinato de Maher Qassem Hamdan, que era o comandante das Brigadas de Resistência Libanesa; segundo o exército israelense, uma organização terrorista. Ele seria responsável pelo recrutamento de membros, fornecimento de armas e financiamento da brigada, ligado ao grupo Hezbollah em Chebaa, região que fica no sul do Líbano.
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Ainda segundo o comunicado, outros oito membros do mesmo grupo também foram mortos na operação, que ocorreu nesta quinta (9). Eles estariam fugindo de Chebaa para a região de Sidon, cidade libanesa mais próxima da capital Beirute e no litoral do país.
Segundo a IDF, os alvos já haviam participado de ações contra os próprios agentes. Na nota, as forças de Israel afirmam que continuarão determinadas em eliminar qualquer ameaça a seu país.
Israel anuncia o assassinato de Maher Qassem Hamdan, comandante das Brigadas de Resistência Libanesa
Reprodução/IDF
Desde que o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã foi anunciado, na noite da última terça-feira (7), os ataques ao Líbano se intensificaram e teriam deixado cerca de 300 mortos apenas na quarta-feira (8), segundo o Ministério da Saúde do país. O recrudescimento das ações israelenses no sul do Líbano abalou até o próprio acordo. Enquanto os iranianos afirmam que a trégua precisa incluir o Líbano, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que o país não estava no acordo.
Isso fez com que o Irã voltasse a fechar o Estreito de Ormuz, tendo voltado atrás horas depois, quando sugeriu as rotas que os navios deveriam fazer por lá. Israel teria ordenado negociações com o Líbano, depois de um pedido de Trump, para que o cessar-fogo não fosse prejudicado.
Durante todo o conflito, o Líbano vem demonstrando interesse em negociar com Israel, que está fazendo incursões por terra e pedido para a população evacuar áreas inteiras do sul do país. No domingo (5), o próprio presidente libanês, que já foi comandante do exército, falou sobre o interesse na negociação de paz, em rede nacional.
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que uma menina de 13 anos é surpreendida por ataques israelenses em Beirute, no Líbano. Na gravação, é possível ouvir diversas explosões e a adolescente correndo com o pai para se proteger em um local coberto. A ofensiva de Israel na última quarta-feira matou mais de 300 pessoas e feriu pelo menos 1.150, segundo o Ministério da Saúde do Líbano. O ataque fragilizou o cessar-fogo entre EUA e Irã acertado na última terça. O acordo prevê uma trégua de duas semanas e negociações para acabar com a guerra, que já vitimou milhares de pessoas no Oriente Médio e impactou a economia do mundo.
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Israel afirmou que o Líbano não está incluído na trégua alcançada entre os Estados Unidos e o Irã. A informação é reiterada pelo vice-presidente americano, JD Vance, que liderará as negociações com Teerã no Paquistão, agendadas para sexta-feira ou sábado. Mas o Irã e o Paquistão, mediador do acordo, dizem que o cessar-fogo inclui o Líbano.
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— Se o Irã quer que esta negociação fracasse por um conflito no qual está sendo travado no Líbano, que não tem nada a ver com eles e que os Estados Unidos nunca disseram que faria parte do cessar-fogo, é escolha deles — afirmou Vance.
O primeiro-ministro, israelense Benjamin Netanyahu, ordenou nesta quinta-feira negociações com o Líbano sobre o desarmamento do Hezbollah depois de afirmar que seu país continuará atacando o Hezbollah, se necessário.
“Nossa mensagem é clara: qualquer um que agir contra civis israelenses será atingido. Continuaremos atacando o Hezbollah onde for necessário, até que restauremos a segurança dos moradores do norte de Israel”, a região mais exposta aos projéteis disparados pelo movimento pró-Irã, disse ele em sua conta no X.
O Gabinete do primeiro-ministro libanês anunciou que quinta-feira seria “um dia nacional de luto pelos mártires e feridos dos ataques israelenses que alvejaram centenas de civis inocentes e indefesos”. Os escritórios do governo foram fechados e as bandeiras foram hasteadas a meio mastro. Horas depois, o Hezbollah afirmou ter lançado foguetes contra Israel, acusando o país de violar o cessar-fogo.
Ataques de Israel causam destruição no sul de Beirute
Piores ataques desde 1982
Os ataques foram os piores que o país já viu desde a invasão das Forças de Armadas de Israel (IDF, na sigla em inglês) em 1982, disseram moradores a veículos de mídia libaneses. Segundo relatos no Líbano, a série de ataques israelenses que atingiu Beirute levou ao caos nas ruas e nos hospitais, resultando em vítimas e danos materiais. Ataques israelenses também foram registrados nas províncias de Tiro, Sidon e Nabatieh, no sul do Líbano, além do vale do Bekaa, no leste do país.
De acordo com o Ministério da Saúde do Líbano, os ataques israelenses na quarta-feira mataram 203 pessoas, feriram 1.078 e deixaram 33 desaparecidos sob os escombros. Segundo o serviço de Defesa Civil libanês, o número de vítimas é maior, com 254 mortos e mais de 1.100 feridos.
Os serviços de emergência afirmaram que continuam as buscas por sobreviventes presos sob os escombros nos subúrbios ao sul de Beirute, também conhecidos como Dahiyeh, e na cidade de Abbasiyeh, na província de Tiro.
Israel mata assessor do chefe do Hezbollah
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, apontou os ataques ao Líbano, a entrada de um drone no espaço aéreo iraniano e a negação do direito do Irã de enriquecer urânio como três pontos que põem em xeque o cessar-fogo, enquanto um funcionário de alto escalão americano afirmou que o plano de 10 pontos apresentado publicamente pelo Irã na quarta-feira não inclui as mesmas condições que a Casa Branca aceitou para cessar a guerra.
No Líbano, os bombardeios, que atingiram várias partes da capital, Beirute, sem aviso prévio, provocaram cenas de pânico na quarta-feira. “As pessoas começaram a correr para todos os lados”, relatou Ali Younes, que esperava sua esposa perto de Corniche al-Masraa, uma das áreas atingidas. Segundo as autoridades locais, mais de 1.700 pessoas morreram no Líbano desde que Israel iniciou ataques aéreos e uma invasão terrestre no mês passado.
O secretário particular e sobrinho de Naim Qassem, líder do Hezbollah, foi morto em um dos bombardeios, anunciou o Exército israelense nesta quinta-feira. A Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, advertiu que “cumprirá seu dever e responderá” caso Israel não cesse seus ataques no Líbano.
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Negociações de alto nível
Diversos países condenaram os ataques de quarta-feira no Líbano. A França os classificou como “intoleráveis”, e o Reino Unido pediu que o cessar-fogo seja estendido ao Líbano. A União Europeia declarou que esses bombardeios israelenses ameaçam a trégua com o Irã. O Paquistão sediará negociações de alto nível esta semana, após a entrada em vigor do cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã.
Aguardando essas negociações, o ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, Faisal bin Farhan, conversou por telefone nesta quinta-feira com seu homólogo iraniano, Abbas Araghchi. Este é o primeiro contato oficial entre os dois países desde o início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro.
Um ponto crucial de discórdia continua sendo o Estreito de Ormuz, por onde, em tempos de paz, passa um quinto do petróleo mundial, além de grandes quantidades de gás natural e fertilizantes.
O Irã anunciou rotas alternativas para navios que transitam pelo estreito nesta quinta-feira, alegando o risco de minas marítimas. No entanto, permanece incerto se Teerã está permitindo a passagem de navios pela via.
Durante uma ligação na noite de quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que reduzisse os ataques no Líbano para ajuda a garantir o processo do acordo de cessar-fogo, que parece ter trazido uma relativa calma ao Golfo Pérsico nas últimas 24 horas. Embora tanto Washington quanto Tel Aviv tenham afirmado que o Líbano não está incluído no cessar-fogo, o Estado judeu, segundo uma autoridade israelense, concordou em “ser um parceiro cooperativo”.
Horas depois de afirmar que seu governo prosseguirá com operações militares contra o Hezbollah, grupo militante aliado do Irã, “sempre que for necessário”, Netanyahu afirmou, nesta quinta-feira, que instruiu o gabinete a iniciar negociações diretas com o Líbano “o mais rápido possível”, após repetidos pedidos de Beirute.
— As negociações se concentrarão no desarmamento do Hezbollah e no estabelecimento de relações pacíficas entre Israel e o Líbano — disse Netanyahu, acrescentando que Israel “acolhe com satisfação o apelo feito hoje pelo primeiro-ministro libanês à calma em Beirute”.
Os vizinhos do Irã no Golfo não relataram nenhum ataque com mísseis ou drones por parte de Teerã nas últimas 24 horas, o que indica que o cessar-fogo está se consolidando. Na quarta-feira, primeiro dia após o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas, ocorreram várias tentativas de ataque por parte do Irã contra o Kuwait, os Emirados Árabes Unidos, o Bahrein, a Arábia Saudita e outros países.
Os Emirados Árabes Unidos interceptaram 17 mísseis balísticos e 35 drones lançados do Irã na quarta-feira, de acordo com uma publicação do Ministério da Defesa do país, elevando o total desde o início do conflito para 537 mísseis balísticos e 2.256 drones. Às 7h da manhã (horário da costa leste dos EUA) desta quinta-feira, no entanto, já fazia 21 horas desde que os Emirados Árabes Unidos anunciaram qualquer ataque, e o Ministério da Defesa dos Emirados confirmou posteriormente que não houve ataques hoje.
Além disso, às 7h da manhã, o governo saudita já estava há cerca de 19 horas sem relatar nenhum ataque. Não havia relatos de mísseis ou drones a caminho do Kuwait ou do Bahrein há mais de 20 horas. No Catar, um alerta sobre um ataque com projéteis havia sido emitido cerca de 18 horas antes.
Além disso, as forças armadas israelenses não registraram nenhum míssil ou drone lançado pelo Irã contra Israel desde as 3h da manhã, horário local, do dia 8 de abril, embora Teerã esteja ameaçando se retirar das negociações com os EUA previstas para este fim de semana devido à ofensiva em curso de Israel contra o Hezbollah no Líbano. Israel afirmou que apoia o cessar-fogo dos EUA em relação aos ataques contra o Irã.
A missão Artemis II, primeiro voo tripulado rumo à Lua em mais de 50 anos, registrou falhas no sistema de banheiro da nave Orion logo nos primeiros dias de viagem, expondo um desafio pouco visível — mas crítico — da exploração espacial.
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O equipamento, considerado um avanço em relação às missões Apollo por oferecer privacidade e tecnologia de sucção para resíduos, apresentou uma série de problemas técnicos ainda no primeiro dia após o lançamento. Entre as falhas relatadas, estão defeitos no sistema de coleta de urina, mau funcionamento de ventilação e até bloqueios causados por congelamento.
Plano B ativado
Diante das falhas, os astronautas precisaram recorrer a soluções improvisadas, como o uso de sacos especiais para coleta de urina a partir desta terça-feira, enquanto engenheiros da Nasa trabalhavam para identificar a origem do problema. O sistema para fezes apresenta funcionamento adequado.
— O sanitário continua funcionando. O problema que estamos resolvendo é o esvaziamento do tanque de águas residuais — explicou o diretor de voo, Rick Henfling, nesta terça.
Além disso, a tripulação relatou odores incomuns dentro da cápsula, o que levantou suspeitas de acúmulo de resíduos ou superaquecimento de componentes do sistema sanitário. Em um dos episódios, engenheiros acreditam que o congelamento da urina em uma saída externa tenha bloqueado o funcionamento adequado do equipamento. A astronauta Christina Koch afirmou que o chamado Sistema Universal de Gerenciamento de Resíduos estava emitindo “um cheiro de aquecedor queimando”.
O Reino Unido monitorou três submarinos russos durante um mês, acusando-os de realizar uma suposta “operação secreta” no Atlântico Norte, perto de cabos submarinos e gasodutos, anunciou o secretário de Defesa britânico, John Healey, nesta quinta-feira.
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— Deslocamos nossas forças armadas para monitorar e impedir qualquer atividade maliciosa desses submarinos — disse Healey em uma coletiva de imprensa.
Secretário de Defesa do Reino Unido, John Healey, faz um pronunciamento sobre a recente atividade operacional britânica em 9 de abril de 2026
Foto por YUI MOK / POOL / AFP
O ministro especificou que outros países aliados participaram da operação, que ocorreu “em águas britânicas e seus arredores”. A Marinha britânica detectou um submarino de ataque e dois submarinos espiões perto de cabos submarinos, afirmou o ministro.
— Nossas forças armadas deixaram claro para eles que estavam sendo monitorados, que seus movimentos não eram secretos, como o presidente Vladimir Putin havia planejado, e que sua tentativa de operação secreta havia sido descoberta — disse Healey.
Relações tensas
O ministro também advertiu na coletiva de imprensa que “qualquer tentativa de danificar cabos submarinos não será tolerada e terá sérias consequências”. Os submarinos russos deixaram a área. “Não temos evidências de que qualquer dano tenha ocorrido”, explicou o ministro.
Nas últimas semanas, “enquanto a atenção de muitas pessoas estava voltada para o Oriente Médio, o Reino Unido, em colaboração com a Noruega e outros aliados, respondeu ao aumento da atividade russa no Atlântico Norte”, disse Healey.
As relações entre a Rússia e o Reino Unido, já tensas antes do conflito na Ucrânia, pioraram em fevereiro de 2022 com o início da ofensiva lançada pelo governo de Vladimir Putin contra seu vizinho. Expulsões recíprocas de diplomatas tornaram-se frequentes nos últimos anos entre a Rússia e o Reino Unido.
O Estreito de Ormuz está aberto, mas petroleiros e outras embarcações só podem atravessar a via com consentimento do Exército do Irã, afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores do país, Saeed Khatibzadeh, em entrevista à ITV News. Ele destacou que qualquer embarcação que se comunique com as autoridades iranianas pode receber autorização, desde que não haja comportamento hostil. Apesar das garantias de Teerã, a navegação pelo estreito continua lenta: o Irã permitirá a travessia de no máximo 15 navios por dia, disse uma fonte iraniana sênior à agência TASS, sob condição de anonimato.
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— O Estreito de Ormuz está aberto, mas todos os navios que desejam passar precisam se comunicar com o Exército e com os pontos de contato militares iranianos, devido às limitações do estreito — disse Khatibzadeh. — Há restrições técnicas por ser uma zona de guerra e por causa de várias medidas que o Irã adotou durante o conflito, durante essa agressão contra o país.
O estreito, um canal de apenas 34 km de largura entre Irã e Omã, dá acesso do Golfo ao Oceano Índico e é a principal rota para cerca de um quinto do suprimento mundial de petróleo, além de outros produtos essenciais, incluindo fertilizantes. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, a via tem estado em grande parte fechada pelo Irã, provocando alta nos preços globais do petróleo.
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Segundo o ministro, a passagem pelo estreito exige cuidado com a segurança dos petroleiros, das embarcações e das tripulações.
— As restrições estão diretamente ligadas às condições de guerra e levam tempo para serem removidas, mas a passagem segura é garantida — afirmou.
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Embora o presidente americano, Donald Trump, tenha dito na terça-feira que o cessar-fogo de 14 dias entre os EUA e o Irã depende da reabertura de Ormuz, e Teerã tenha concordado que o trânsito é possível, a navegação por essa rota estratégica segue em grande parte paralisada. Os contratos futuros do petróleo voltaram a subir acima de US$ 98 (cerca de R$ 503, na cotação atual) o barril em Londres na quinta-feira, após despencarem mais de 13% na quarta.
Khatibzadeh também ressaltou que medidas como a presença de minas e outras restrições adotadas durante o conflito ainda estão em vigor. Por este motivo, todas as “embarcações devem tomar as medidas necessárias com as autoridades iranianas para atravessar com segurança”.
— É preciso garantir que a travessia segura de petroleiros e embarcações, assim como o bem-estar das tripulações, sejam assegurados durante o percurso — afirmou. — Qualquer embarcação que se comunique com as autoridades iranianas pode receber autorização, independentemente da nacionalidade, desde que não haja comportamento hostil.
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Khatibzadeh também disse à emissora que “espera que possamos nos reunir em breve no Paquistão” para negociações programadas com uma delegação americana. Ele ressaltou ainda que o Líbano fazia parte do acordo de cessar-fogo e criticou os ataques israelenses no país, afirmando que o Irã esperava que os Estados Unidos pudessem “controlar seu aliado” e “honrar suas palavras”.
As declarações de Khatibzadeh estão em linha com transmissões de rádio feitas pelo país ao tráfego marítimo na quarta-feira, nas quais insistiu na necessidade de obter permissão para atravessar o corredor marítimo.
Ainda assim, se implementado, esse modelo pode enfrentar dificuldades práticas, já que cerca de 130 embarcações cruzavam o estreito diariamente antes do conflito e teriam de solicitar aprovação ao Irã.
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Na quarta-feira, o tráfego de navios pelo estreito foi o menor desde o final de março, segundo dados da empresa global de monitoramento Kpler.
— Para ser claro: o Estreito de Ormuz não está totalmente aberto — afirmou Sultan Ahmed Al Jaber, executivo-chefe da empresa estatal de petróleo de Abu Dhabi. — O acesso está sendo restrito, condicionado e controlado.
Teerã tem cobrado de algumas transportadoras uma taxa de até US$ 2 milhões (aproximadamente R$ 10,2 milhões) para a travessia.
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Dois petroleiros chineses totalmente carregados aguardavam próximo ao estreito na quinta-feira, com um terceiro a caminho, o que os coloca em posição de se tornarem as primeiras embarcações desse tipo a deixar o Golfo Pérsico desde o início do cessar-fogo.
UE e França rejeitam “pedágio”
A União Europeia (UE) afirmou que a passagem pelo estratégico Estreito de Ormuz deve ser garantida sem “pagamento ou pedágio” algum, após o Irã insinuar que poderia cobrar pela travessia de navios.
— A liberdade de navegação é um bem público e deve ser garantida — destacou o porta-voz da Comissão Europeia, Anouar El Anouni, em entrevista em Bruxelas.
O ministro francês Jean-Noël Barrot classificou como “inaceitável” a ideia de criar um mecanismo de pedágio na região. Na quarta-feira, o presidente americano Donald Trump mencionou a criação de uma empresa conjunta para gerenciar a navegação no estreito em troca de pagamento.
(Com Bloomberg, New York Times e AFP)
A baleia jubarte encalhada no Mar Báltico, no norte da Alemanha, desde o dia 23 de março, entrou em fase terminal e já não pode mais ser salva, segundo avaliação de especialistas ouvidos pela emissora alemã NDR. O animal permanece preso em águas rasas no lago Kirchsee, próximo à ilha de Poel, sem responder a estímulos e com quadro considerado irreversível, nesta quinta-feira (9).
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De acordo com a especialista em bem-estar animal Bianca König, da organização Whale and Dolphin Conservation (WDC), a ausência de reação a embarcações é um dos sinais de que a baleia está morrendo. O processo pode levar horas ou até alguns dias, dependendo das condições do animal.
Assista:
ONG diz que esperanças para baleia jubarte encalhada na costa alemã estão diminuindo
Por que a baleia não pode mais ser salva
Especialistas apontam que o próprio peso do animal, estimado em cerca de 12 toneladas, passou a atuar contra sua sobrevivência. Presa em um banco de lama em águas muito rasas, a baleia sofre compressão dos órgãos internos, o que pode levar a colapso circulatório.
Além disso, as condições do local tornam qualquer tentativa de resgate inviável. Para voltar a nadar, seria necessário um aumento de cerca de 60 centímetros no nível da água, algo que não deve ocorrer nos próximos dias. Atualmente, a baleia está em uma cavidade com apenas 30 centímetros de profundidade, com grande parte do corpo exposta.
O estado físico também impede qualquer transporte. Segundo especialistas do Instituto de Pesquisa da Vida Selvagem Terrestre e Aquática (ITAW), a pele está gravemente danificada, com bolhas e lesões, e há suspeita de danos internos. Uma tentativa de içamento poderia causar sofrimento extremo e, ainda assim, não garantiria a sobrevivência do animal.
Por que a eutanásia foi descartada
Autoridades alemãs também descartaram a possibilidade de abreviar o sofrimento do animal. Segundo o ministro do Meio Ambiente de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Till Backhaus, métodos como arpoamento, envenenamento ou uso de explosivos são considerados inaceitáveis e, em alguns casos, condenados internacionalmente.
Especialistas reforçam que, embora existam técnicas que podem levar a uma morte mais rápida, há risco elevado de dor intensa e falhas no procedimento. Por isso, a decisão foi deixar o animal seguir seu curso natural, sob monitoramento.
O que será feito após a morte
Com o prognóstico considerado desfavorável, autoridades já se preparam para a remoção da carcaça. Segundo a NDR, o corpo deverá ser levado para Stralsund, onde será submetido a autópsia por cientistas do Museu Oceanográfico Alemão.
O objetivo é identificar possíveis doenças, avaliar os danos sofridos e entender as causas do encalhe. Amostras serão coletadas, e o corpo passará por medições detalhadas. O esqueleto poderá ser preservado pela Universidade de Rostock para fins científicos e educativos.
O que se sabe até agora
A baleia jubarte foi vista pela primeira vez na região no início de março e, desde então, passou por uma sequência de deslocamentos e encalhes no Mar Báltico. Após conseguir nadar livremente em alguns momentos, acabou presa definitivamente em uma área rasa próxima à ilha de Poel.
Especialistas indicam que o animal não pertence a esse ambiente. A baixa salinidade, a menor disponibilidade de alimento e a ausência de outros indivíduos da espécie tornam o Mar Báltico um local hostil para baleias jubarte.
Há indícios de que o animal tenha sofrido ferimentos por hélice de embarcação e também tenha se envolvido com redes de pesca, o que pode ter agravado seu estado. Além disso, o longo período em águas rasas contribuiu para o desgaste físico extremo.
Mesmo com tentativas iniciais de resgate, incluindo escavação de canais e estímulos com embarcações —, especialistas concluíram que as chances de sucesso eram mínimas. A decisão final foi suspender as operações para evitar sofrimento adicional.
Neste momento, segundo a cobertura da NDR, resta apenas acompanhar a evolução do quadro. A expectativa é de um desfecho iminente, enquanto o caso segue mobilizando autoridades, cientistas e a população local.

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