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O Azerbaijão e a Rússia anunciaram, nesta quarta-feira, que chegaram a um acordo sobre o acidente fatal envolvendo um avião da Azerbaijan Airlines, que prevê o pagamento de indenizações e reconhece o papel das defesas aéreas russas.
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O anúncio representa um passo significativo na redução das tensões entre os dois países, após Baku acusar Moscou de responsabilidade pelo acidente.
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O avião Embraer 190 da AZAL caiu no Cazaquistão em dezembro de 2024, deixando 38 mortos entre as 67 pessoas a bordo.
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As relações entre Baku e Moscou se deterioraram depois que o presidente Ilham Aliyev exigiu que a Rússia assumisse a responsabilidade por ter disparado acidentalmente contra a aeronave, quando ela tentava pousar no Aeroporto de Grozny, no sul do país.
Nesta quarta-feira, os ministérios das Relações Exteriores dos dois países informaram, em um comunicado conjunto, que o acidente foi causado pela “ação não intencional” de um sistema de defesa aérea no espaço aéreo russo e confirmaram um acordo para o pagamento de indenizações, sem divulgar detalhes.
Segundo o comunicado, o acordo foi alcançado após rodadas anteriores de conversas entre Aliyev e o presidente russo, Vladimir Putin.
Uma filhote de elefante asiático, espécie ameaçada de extinção, fez sua primeira aparição para a imprensa antes de estrear oficialmente para o público no Smithsonian National Zoo, nos Estados Unidos. Batizada de Linh Mai, a elefanta de dois meses será apresentada aos visitantes a partir de 22 de abril, data em que se celebra o Dia da Terra.
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Nascida em 2 de fevereiro, Linh Mai é a primeira elefanta a nascer no zoológico em quase 25 anos e apenas a terceira em mais de um século de história da instituição. O nascimento é considerado um marco para programas de conservação da espécie, cuja reprodução em cativeiro é complexa e envolve gestação de até 22 meses.
Com cerca de 210 quilos ao nascer e atualmente pesando mais de 460 quilos, a filhote ganha entre 11 e 13 quilos por semana e já apresenta comportamento ativo e curioso.
Apesar da evolução, o início da vida de Linh Mai foi marcado por desafios. A mãe biológica, Nhi Linh, apresentou comportamento agressivo, o que impediu o vínculo inicial e a amamentação natural. Diante disso, a equipe do zoológico passou a alimentar a filhote manualmente e contou com a ajuda de outra elefanta do grupo, Swarna, que assumiu um papel de “mãe substituta”.
A jovem elefanta também enfrentou problemas de saúde, como episódios de diarreia, tratados com sucesso por meio de transplante de microbiota fecal — procedimento ainda pouco comum, mas considerado eficaz no caso.
Desde o nascimento, o espaço dos elefantes permaneceu fechado para garantir adaptação e fortalecimento dos laços sociais. A abertura ao público ocorre agora como parte de uma estratégia de educação ambiental e conscientização sobre a preservação da espécie.
Atualmente, o zoológico abriga sete elefantes e aposta no nascimento de Linh Mai como um avanço importante na diversidade genética e na sobrevivência dos elefantes asiáticos em risco crítico de extinção.
Após mais de um mês de guerra, um cessar-fogo de uma semana pode ser anunciado nesta quarta-feira no Líbano, cenário de uma ofensiva militar israelense que deixou mais de dois mil mortos e provocou o deslocamento de um milhão de pessoas. Segundo a TV al-Mayadeen, ligada ao grupo Hezbollah, a trégua seria resultado da pressão do Irã, mas representantes do governo israelense ainda analisam a proposta. Na véspera, diplomatas israelenses e libaneses se reuniram em Washington e concordaram em estabelecer um diálogo para um acordo de paz de longo prazo.
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Segundo uma fonte dos serviços de segurança do Irã (aliado do Hezbollah), citada pela al-Mayadeen, “diante da pressão do Irã, um cessar-fogo será declarado no Líbano a partir desta noite (de quarta-feira)”, acrescentando que a trégua “vai durar uma semana, e se estenderá até o fim do período de cessar-fogo entre Irã e EUA”. O iraniano se referia a uma trégua de duas semanas, anunciada na semana passada pelo presidente americano, Donald Trump, que permitiu o início de negociações diretas entre Washington e Teerã”.
Ouvidos pela agência Reuters, membros do governo libanês dizem que há conversas sobre a trégua em curso, e que os americanos pressionam Israel para que suspenda os bombardeios e a ofensiva por terra no sul do Líbano. Também citado pela Reuters, Ibrahim al-Moussawi, deputado do Hezbollah, estimou que um cessar-fogo poderia ser anunciado “em breve”, sem estimar prazos.
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O Gabinete de segurança israelense se reunirá nesta quarta-feira para discutir a suspensão nos combates, a pedido dos EUA, e a fonte no governo iraniano ouvida pela al-Mayadeen afirmou que o premier Benjamin Netanyahu tentará “sabotar o plano”.
— Mas nós lidaremos com Washington como o parceiro aliado da força de ocupação (Israel) e como o responsável por conter Netanyahu — disse o iraniano à TV libanesa.
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Iniciada em paralelo à guerra contra o Irã, a ofensiva israelense no Líbano tem como alvo declarado o Hezbollah, que lançou mísseis e foguetes contra Israel nas últimas semanas, como parte de sua aliança com Teerã. Em resposta, as Forças Armadas israelenses deram início a um intenso bombardeio centrado no sul libanês, onde o grupo tem forte presença, provocando o êxodo de centenas de milhares de pessoas rumo a áreas mais seguras. As bombas também atingiram subúrbios de Beirute, como Dahiyeh, “base” do Hezbollah, e provocaram estragos em áreas civis.
Mas com o anúncio do cessar-fogo entre Irã e EUA, confirmado na segunda-feira passada após Trump ameaçar “matar a civilização” iraniana, a inclusão do Líbano foi alvo de discórdia. Teerã e o Paquistão (mediador do diálogo) afirmaram que a pausa nos combates no país árabe foi acertada com os americanos. Israel, amparado pelos EUA, disse que a guerra continuava, e horas depois lançou o mais violento ataque desde o começo de março. Cerca de 350 pessoas morreram, outras centenas ficaram feridas, e as bombas caíram em áreas onde não há presença do Hezbollah. O Irã reagiu fechando o Estreito de Ormuz, e disse que os ataques eram uma violação do cessar-fogo.
Os EUA pediram “moderação” a Israel, e pressionaram israelenses e libaneses a se sentarem à mesa para discutir um plano de longo prazo, sem o Hezbollah. O encontro, o primeiro desde 1993, aconteceu na terça-feira, em Washington, e os embaixadores dos dois países nos Estados Unidos concordaram em prosseguir com as conversas, visando um cessar-fogo e, em um ponto mais complexo, o desarmamento do grupo xiita, previsto no acordo que encerrou outra guerra, no final de 2024.
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As informações sobre o potencial cessar-fogo no Líbano surgem após a maratona de negociações entre EUA e Irã no Paquistão, no fim de semana, e em meio a discussões de bastidores sobre novas reuniões. Na terça-feira, Trump disse que “alguma coisa ocorreria nos próximos dois dias”, e o chefe do Exército paquistanês, Asif Munir, desembarcou em Teerã nesta quarta-feira para reuniões com autoridades locais — segundo a imprensa iraniana, ele levou uma mensagem dos americanos.
Como destacou o representante do Irã à al-Mayadeen e como afirmou al-Moussawi à rede al-Jazeera, Teerã exige que o conflito no país árabe seja incluído em qualquer tipo de plano.
— Os iranianos estão exercendo forte pressão sobre os americanos e impuseram como condição que os americanos incluam o Líbano no cessar-fogo. Caso contrário, continuarão o bloqueio de Ormuz. É a carta na manga econômica — disse o deputado. — Os iranianos se abriram para diversos atores regionais e internacionais para alcançar esse objetivo.
Enquanto a trégua não é declarada, Israel afirmou ter atacado mais de 200 alvos no Líbano em 24 horas, alegando ter destruído estruturas “terroristas, estruturas militares e cerca de 20 lançadores (de foguetes)”. Em reunião com o premier libanês, Nawaf Salam, o chefe da agência da ONU para refugiados (Acnur), Bahram Salih, fez um apelo à comunidade internacional para que ajudem os mais de um milhão de deslocados internos pela guerra.
— As consequências humanitárias desta guerra são imensas, e enfatizo a necessidade de poupar os civis e as infraestruturas civis dos estragos dos ataques. O Líbano não merece ficar preso num ciclo recorrente de violência; merece apoio e estabilidade — declarou à imprensa.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravou um pronunciamento em defesa ao Papa Leão XV após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, faz ataques ao pontífice que tem feito críticas a guerra dos Estados Unidos contra o Irã.
“Quero manifestar minha mais profunda solidariedade ao Papa Leão XV, ao longo da história da humanidade, defensores da paz e dos oprimidos, tem sido atacados pelos poderosos que se julgam divindades a serem adorados pelos simples mortais. A mesma história tem demonstrado que mais vale um coração repleto de amor ao próximo do que o poder das armas e do dinheiro”, disse Lula em vídeo publicado nas redes sociais.
No domingo, Trump foi à redes sociais responder aos apelos por paz do papa com críticas ao primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos. Na publicação, Trump reivindicar para si o mérito pela ascensão de Leão ao papado:
— Leão deveria ser grato porque, como todos sabem, ele foi uma surpresa chocante — escreveu Trump em uma longa publicação na noite de domingo. — Ele não estava em nenhuma lista para ser Papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era americano, e acharam que essa seria a melhor forma de lidar com o presidente Donald J. Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano.
As críticas do Papa à guerra com o Irã tornaram-se mais incisivas à medida que o conflito avançou e autoridades americanas passaram a invocar argumentos teológicos para justificar a ofensiva ordenada por Trump sem autorização do Congresso, apoio popular ou adesão de aliados. O presidente também acusou o pontífice de “agradar a esquerda radical” e aconselhou que ele se concentrasse em “ser um grande Papa, não um político”.
Lula também fez menção direta à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e destacou o papel na defesa da democracia e no enfrentamento à ditadura militar:
“Quero fazer uma saudação especial à CNBB, por ocasião de sua sexagésima segunda assembleia-geral. E reafirmar meu respeito e admiração por uma instituição que, nos momentos mais dolorosos da nossa história recente, esteve na linha de frente em defesa da democracia. A CNBB enfrentou a ditadura. Defendeu os perseguidos pelo regime militar. Apoiou as greves dos trabalhadores urbanos e a luta dos trabalhadores rurais pela posse da terra”, disse ainda Lula no vídeo de três minutos.
O presidente também afirmou que a Igreja Católica, ao longo de dois séculos, “vem atuando de forma extraordinária na sustentação aos mais necessitados, com a iniciativa que permanece como referência na construção de políticas públicas e de inclusão social. social. Hoje, a defesa intransigente da dignidade da vida renova e inspira a relação entre o governo do Brasil e a CNBB”, afirmou Lula.
Lula também defendeu o estado laico e a garantia da “plena de liberdade religiosa”:
“Quero terminar reafirmando o nosso compromisso com o estado laico e a garantia plena de liberdade religiosa. Desejo todo sucesso essa Assembleia Geral e que a CNBB seja sempre aliada do povo brasileiro na construção de um país mais justo, mais fraterno e mais feliz. Que Deus ilumina o Brasil e o povo brasileiro”, disse o presidente.
As Forças Armadas do Irã ameaçaram nesta quarta-feira iniciar um bloqueio ao tráfego naval no Mar Vermelho, ao qual a nação persa não tem acesso territorial, caso os EUA persistam com um plano de impedir a entrada e saída de embarcações em portos iranianos e no Estreito de Ormuz. A ameaça por parte de Teerã foi endereçada horas após o anúncio do Comando Central dos EUA (Centcom) sobre a “plena aplicação” do bloqueio entre a noite de terça-feira e a madrugada desta quarta — o que é denunciado pela parte iraniana como uma violação ao cessar-fogo de duas semanas acordado entre os rivais para conversas diplomáticas mediadas pelo Paquistão.
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— As poderosas Forças Armadas da República Islâmica [do Irã] não permitirão qualquer exportação ou importação no Golfo Pérsico, no Mar de Omã ou no Mar Vermelho — afirmou o general Ali Abdollahi em um comunicado divulgado pela TV estatal, após acusar Washington de “criar insegurança para os navios comerciais do Irã e para os petroleiros”, no que se referiu como “prelúdio” de uma violação do cessar-fogo em vigor desde 8 de abril.
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A guerra entre a aliança formada por EUA e Israel contra o Irã provocou um grave choque na economia mundial com a instabilidade provocada no Estreito de Ormuz, rota por onde passava 20% do petróleo e do gás natural produzido no mundo antes do conflito. A reabertura da via marítima era o ponto central da frágil trégua obtida para interromper os conflitos por duas semanas, mas após a fracassada rodada de negociação entre os países em Islamabad, o presidente americano, Donald Trump, anunciou um bloqueio a todos os navios que tentassem entrar ou sair de Ormuz — medida apontada como uma forma de sufocar financeiramente o Irã e impor pressão sobre a China, uma grande importadora do petróleo bruto da região, que continuava tendo acesso a parte da produção.
Em uma publicação nas redes sociais, o almirante Brad Cooper, comandante do Centcom, afirmou que o bloqueio ordenado por Trump teria sido “totalmente implementado”, interrompendo a maior parte da atividade econômica de Teerã em apenas um dia e meio.
“Estima-se que 90% da economia do Irã seja impulsionada pelo comércio internacional por via marítima. Em menos de 36 horas desde a implementação do bloqueio, as forças dos EUA interromperam completamente todo o comércio econômico que entra e sai do Irã por mar”, disse Cooper.
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O bloqueio naval americano conta com uma Armada de mais de 10 navios de guerra, além do maior contingente militar deslocado para a região desde a invasão do Iraque, em 2003, incluindo forças de operações especiais e fuzileiros navais. O ex-capitão da Marinha dos EUA Carl Schuster explicou, em entrevista à rede americana CNN, que o bloqueio não era propriamente uma barreira física, e que os navios provavelmente sequer estão dentro de Ormuz neste momento. Contudo, os equipamentos que foram enviados para a região permitiriam perseguir e interceptar qualquer embarcação.
Mesmo com todo o poderio bélico destacado, há indícios de que o tráfego em Ormuz não parou inteiramente. Dados de rastreamento marítimo de terça‑feira — quando o bloqueio estava em curso, segundo o Centcom —, apontam que vários navios zarparam de portos iranianos e atravessaram Ormuz. Em uma publicação no X nesta quarta, o perfil oficial do Centcom afirmou que nenhum navio “saindo ou entrando de portos iranianos” conseguiu passar pelas forças dos EUA “durante as primeiras 48 horas” de bloqueio. Além disso, nove navios teriam cumprido instruções para dar meia-volta e retornar a um porto ou área costeira.
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Especialistas em inteligência marítima afirmam que cada vez mais navios em Ormuz e ao redor da rota parecem estar adotando táticas para evitar serem detectados pelo sistema global que monitora o tráfego marítimo. Entre as estratégias, os navios estariam desligando seus transponders — equipamentos de localização que grandes embarcações comerciais são obrigadas a utilizar, segundo o Direito Internacional — ou alterando dados abastecidos nos sistemas globais, a fim de manipular sua localização, origem ou destino.
Um relatório divulgado nesta terça-feira pela provedora de dados de inteligência marítima Windward apontou que navios iranianos “apagaram” seus sinais, enquanto embarcações sancionadas e com bandeiras falsas continuam ativas — o que torna uma leitura precisa do real tráfego por Ormuz muito difícil de ser checada de forma independente. (Com AFP e NYT)
O governo dos Estados Unidos designou John Barrett como o novo chefe da missão diplomática para a Venezuela, no âmbito da normalização das relações entre os dois países após a captura de Nicolás Maduro, anunciou nesta quarta-feira a embaixada americana no país. Laura Dogu, exonerada do cargo, ocupava a função desde janeiro deste ano e foi responsável pelo restabelecimento das relações entre Washington e Caracas após o ataque dos EUA.
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— Tenho o prazer de anunciar que John Barrett chegará em breve à Venezuela para atuar como o próximo encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos em Caracas — anunciou Laura Dogu em um comunicado oficial publicado no X.
Laura Dogu, exonerada do cargo, ocupava a função desde janeiro deste ano
JUAN BARRETO
Dogu chegou em Caracas em 31 de janeiro de 2026, em meio a um processo de reaproximação diplomática entre os países. Pouco depois, os EUA e a Venezuela concordaram formalmente em restabelecer as relações diplomáticas, sendo um marco histórico nas relações bilaterais.
— Minha missão temporária em Caracas está chegando ao fim, e retornarei ao meu cargo anterior como Conselheiro de Política Externa do Chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos — disse Dogu no comunicado.
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O mandato de Dogu previa a execução de três etapas — estabilização, reconstrução e transição — definidas pelo secretário de Estado Marco Rubio para a condução da política dos Estados Unidos em relação à Venezuela. Nesse contexto, foram prorrogadas licenças que permitem a atuação de empresas americanas no país, além da flexibilização de restrições ao comércio de ouro e da retirada de sanções contra figuras ligadas ao chavismo. Mais recentemente, uma nova autorização do Tesouro dos EUA ampliou de forma significativa a capacidade de transações do país ao liberar operações com o Banco Central venezuelano.
No campo econômico, o Parlamento venezuelano aprovou mudanças nas legislações de hidrocarbonetos e mineração para facilitar a entrada de capital estrangeiro, incluindo a previsão de arbitragem internacional em disputas. Essas iniciativas fazem parte de uma estratégia mais ampla de reabertura do setor energético e atração de investimentos internacionais.
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No período houve a libertação de presos políticos, mas as alterações institucionais não foram suficientes para gerar confiança. Nomeações recentes, como as do novo procurador-geral e do defensor público, além da reorganização do gabinete, são vistas como ajustes internos do próprio chavismo. Mudanças mais estruturais, como na composição do Supremo Tribunal e do órgão eleitoral, ainda não ocorreram. Enquanto isso, os efeitos da reativação econômica seguem distantes da realidade da maioria da população venezuelana.
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Diplomata de carreira, John Barrett acumula mais de duas décadas de experiência no Serviço Exterior dos Estados Unidos. Entre suas funções recentes, esteve como vice-chefe de missão na embaixada americana no Panamá, entre 2023 e 2026, onde participou de iniciativas para retomar a influência sobre o Canal do Panamá. Também atuou como conselheiro econômico no Peru e em El Salvador e até passagem no Brasil, como cônsul-geral em Recife.
Seu histórico profissional é marcado por atuação em áreas como segurança, controle migratório e combate ao narcotráfico, alinhado à política internacional de Trump. Durante sua passagem pela Guatemala, entrou em atrito com o presidente Bernardo Arévalo, que criticou a suposta interferência da embaixada americana na escolha de magistrados para a Corte Constitucional, em meio a disputas institucionais no país.
Instabilidades na Venezuela
A Venezuela atravessa um período de forte instabilidade política e econômica intensificadas após a captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos há três meses. Maduro responde a acusações de narcotráfico em Nova York. Ademais, a oposição pediu, na última sexta-feira, a convocação de novas eleições presidenciais, alegando a existência de uma “ausência absoluta” do ex-presidente após o fim do prazo de 90 dias previsto na Constituição para substituições temporárias no comando do país.
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A economia também segue fragilizada, com inflação em níveis elevados, moeda desvalorizada e dificuldades estruturais na produção de petróleo, principal fonte de receita nacional. O Fundo Monetário Internacional classifica a situação como “bastante frágil”, em um cenário marcado por pobreza disseminada e desigualdade, após mais de uma década de crise que levou milhões de venezuelanos a deixar o país.
Pessoas realizam uma vigília exigindo a libertação de presos políticos venezuelanos em frente à prisão El Rodeo I em Guatire, estado de Miranda, Venezuela
Maryorin Mendez / AFP
Nos últimos meses, o país também tem registrado aumento da pressão social, com protestos por melhores salários e condições de vida, enquanto o governo promete medidas graduais para conter a crise sem agravar a inflação. Apesar de sinais pontuais de recuperação e articulações internacionais para reativar a economia, a melhora ainda não chegou de forma significativa à população.
Um novo padrão de atividade enganosa por parte de algumas embarcações nessa importante via marítima indica que o bloqueio imposto pelos Estados Unidos está alterando o comportamento de navios ligados ao Irã.
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Especialistas em inteligência marítima afirmam que, desde que o bloqueio dos EUA a embarcações que entram e saem de portos iranianos entrou em vigor na segunda-feira, mais navios no Estreito de Ormuz e em seus arredores passaram a adotar estratégias para evitar a detecção.
“Agora, estamos começando a ver embarcações desaparecendo ou usando identificação ‘zumbi’ ou aleatória”, disse Ami Daniel, diretor executivo da Windward, empresa de dados de inteligência marítima, em entrevista na terça-feira.
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Nas semanas após o ataque americano-israelense ao Irã no fim de fevereiro, as exportações iranianas continuaram “sem interrupções” e “quase não precisaram sair do radar”, afirmou Daniel. No entanto, nas últimas 24 horas, houve aumento na manipulação de sistemas globais de monitoramento marítimo, indicando que embarcações ligadas ao Irã estão sendo “um pouco mais cautelosas”.
Pelo direito marítimo internacional, a maioria dos grandes navios comerciais deve operar com um transponder que transmite automaticamente dados como nome, localização e rota. Esse sistema inclui um número de identificação de nove dígitos, que funciona como uma espécie de “impressão digital” da embarcação.
Segundo especialistas, navios no Oriente Médio que tentam ocultar sua localização ou falsificar informações vêm utilizando técnicas semelhantes às empregadas pela chamada “frota paralela” da Rússia para driblar sanções após a invasão da Ucrânia, em 2022.
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“Os navios-tanque da frota paralela têm feito experiências com números de identificação apátridas”, disse John CK Daly, pesquisador não residente do Instituto Ásia Central-Cáucaso, em Washington. “O que os russos têm feito é alterar os números.”
Navios petroleiros na região do Estreito de Ormuz
Giuseppe Cacace/AFP
Quando uma embarcação pratica “spoofing” — ou falsificação de sinal —, seu capitão pode inserir dados falsos sobre origem e destino ou até simular a identidade de outro navio. Também é comum desligar temporariamente o transponder, fazendo com que a embarcação “desapareça” de um ponto e reapareça em outro com informações alteradas.
Essa estratégia permitiu à Rússia manter exportações de energia e financiar sua guerra, gerando até 100 bilhões de dólares por ano.
Agora, segundo especialistas, embarcações ligadas ao Irã parecem adotar métodos semelhantes. Alguns navios simplesmente desaparecem dos sistemas, enquanto outros operam sob bandeiras falsas ou mesmo estando sob sanções, de acordo com relatório da Windward divulgado na terça-feira.
“Nos mecanismos de fiscalização anteriores, incluindo o bloqueio da Venezuela em dezembro, os petroleiros sancionados e apátridas eram os principais alvos de interdição”, afirma o relatório. “A movimentação contínua de embarcações com perfis semelhantes indica que os operadores estão testando os limites práticos da fiscalização em tempo real.”
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Ao manipular os sistemas globais de rastreamento, esses chamados “navios fantasmas” podem aumentar a incerteza sobre o que ocorre no Estreito de Ormuz — mesmo que, na prática, não consigam romper o bloqueio.
“Neste momento, o estreito é um ambiente de informação contestado”, disse Erik Bethel, sócio da Mare Liberum, fundo de investimento em tecnologia marítima.
O uso dessas técnicas pode dificultar o trabalho de identificação e interceptação por forças navais. “Um bloqueio só é eficaz se a inteligência por trás das interdições for sólida”, afirmou Bethel.
O sistema marítimo global, no entanto, é complexo. Uma embarcação pode pertencer a um país, ser operada por outro e navegar sob a bandeira de um terceiro — o que torna “muito difícil” identificar os responsáveis reais por cada operação, segundo o especialista.
Empresas de inteligência marítima e forças armadas recorrem a diversas fontes para monitorar navios, como satélites ópticos, radares e sinais de rádio. Também utilizam dados gerados, às vezes sem intenção, por tripulantes por meio de dispositivos pessoais, como celulares e relógios inteligentes.
Ainda assim, apesar das tentativas de driblar a vigilância, especialistas avaliam que o espaço de manobra é limitado. O Estreito de Ormuz é uma via estreita e estratégica, o que dificulta a passagem sem detecção.
Um oficial americano afirmou que mais de 12 navios militares dos EUA estão posicionados em águas internacionais no Golfo de Omã. Na terça-feira, o Comando Central dos Estados Unidos informou que seis navios mercantes obedeceram ordens transmitidas por rádio e retornaram a portos iranianos.
“Minha expectativa é que a Marinha dos EUA consiga manter sua posição no Golfo de Omã”, disse Ami Daniel. “Não acredito que haja uma maneira de romper o bloqueio.”
Em meio à elevada tensão entre Estados Unidos e Irã, em guerra há mais de um mês, uma nova tática vem sendo adotada por embaixadas iranianas. Nas redes sociais, os corpos diplomáticos da República Islâmica intensificaram uma ofensiva midiática contra o presidente americano, Donald Trump, combinando memes, vídeos gerados por inteligência artificial (IA) e outros conteúdos apelativos que frequentemente viralizam, enquanto autoridades iranianas utilizam linguagem provocativa para responder às ameaças.
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A ofensiva digital ganhou força após Trump publicar, na segunda-feira, uma imagem gerada por IA que o retrata como uma figura semelhante a Jesus Cristo. Publicada na Truth Social, a imagem mostrava o republicano vestido de branco e vermelho, com suas mãos, que emitiam luzes brilhantes, tocando a testa de um homem aparentemente enfermo. A ilustração, que evocava a arte religiosa que retrata Jesus curando os doentes, foi apagada horas depois, e Trump disse acreditar que a imagem o mostrava como um médico da Cruz Vermelha.
Após a má repercussão da imagem — com cristãos de diversas tradições, incluindo muitos do universo MAGA, condenando a representação como “blasfêmia” —, a embaixada do Irã no Tajiquistão compartilhou um vídeo ecoando o caso, também gerado por IA. Nele, uma figura semelhante a Cristo desce do céu, desfere socos contra a figura de Trump representada como Jesus, fazendo o sangue jorrar, enquanto o presidente cai de um penhasco em um poço de lava. Ao fundo, uma voz masculina diz: “Chegou a sua prestação de contas”.
No Zimbábue, a embaixada iraniana publicou uma imagem claramente gerada por IA que lembra o cartaz da popular franquia de filmes Piratas do Caribe. Nela, helicópteros voam sobre navios em chamas no mar, e o rosto de Trump aparece sobreposto ao protagonista. Ao fundo, o título do filme é substituído por “Piratas de Ormuz”.
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Em 5 de abril, Trump fez uma ameaça carregada de insultos ao Irã nas redes sociais: “terça-feira será o Dia das Usinas e o Dia das Pontes, tudo junto, no Irã. Não haverá nada igual. Abram a p*** do Estreito, seus malucos do c***, ou vocês vão viver no inferno. É só assistir! Louvado seja Alá”, escreveu ele, que, no mesmo dia, havia ameaçado enviar o Irã de volta à “Idade da Pedra” caso o país não aceitasse um acordo para encerrar a guerra. A República Islâmica, por sua vez, evitou responder no mesmo tom.
Em vez disso, classificou as ameaças como “estúpidas”, enquanto missões diplomáticas ao redor do mundo intensificavam as provocações. Embaixadas iranianas de Londres a Pretória, e de Nova Délhi a Moscou, lançaram uma campanha sarcástica nas redes sociais, atacando a lucidez mental de Trump. A ofensiva mais viral ocorreu após a exigência direta do americano para “abrir o Estreito”. A embaixada iraniana no Zimbábue respondeu com ironia no X: “Perdemos as chaves”, escreveu, desencadeando uma série de respostas entre as missões.
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“A chave está embaixo do vaso de flores. Só abra para amigos”, escreveu a embaixada do Irã na África do Sul, enquanto a representação na Bulgária acrescentou: “Portas abertas para amigos. Amigos de Epstein precisam de chaves”, escreveu, citando o pedófilo condenado Jeffrey Epstein, morto na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual. Rivais políticos de Trump acusam o presidente de iniciar a guerra contra o Irã para desviar a atenção da divulgação de milhões de documentos relacionados ao magnata condenado.
A primeira veiculação dos arquivos, no fim de 2025, expôs ligações entre bilionários, acadêmicos e políticos com Epstein. Embora Trump também tenha sido mencionado diversas vezes, ele negou irregularidades, afirmando que havia rompido contato com Epstein décadas antes. Ainda assim, a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, que lidou com os arquivos, foi removida do cargo em 2 de abril. Segundo analistas, a condução do caso tornou-se um problema político crescente para o governo do presidente americano.
A 25ª Emenda
Uma parte significativa da campanha online focou em retratar Trump, de 79 anos, como mentalmente incapaz e desequilibrado. Também na África do Sul, a embaixada do Irã instou autoridades dos EUA a “pensarem seriamente na 25ª Emenda, Seção 4”, referindo-se ao dispositivo constitucional que prevê a remoção de um presidente considerado inapto. A missão acrescentou: “A Humanidade precisa saber que tipo de criaturas estão liderando o povo americano”, compartilhando uma postagem sugerindo que Trump “perdeu o juízo”.
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Em Londres, a embaixada iraniana adotou uma abordagem literária, publicando um poema persa de Rumi sobre os perigos de colocar uma espada nas mãos de um louco, acompanhando uma citação atribuída ao escritor Mark Twain: “É melhor manter a boca fechada e deixar que as pessoas pensem que você é um tolo do que abri-la e eliminar qualquer dúvida”.
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Ao mesmo tempo, diversas missões diplomáticas criticaram o uso de palavrões por Trump. A embaixada iraniana na Índia escreveu: “Xingar e insultar é comportamento de pirralhos maus perdedores. Controle-se, velho!”, enquanto a representação na Áustria colocou um grande aviso “+18” sobre uma captura da postagem de Trump. “O presidente dos EUA desceu a um nível sem precedentes de súplica, misturada com grosseria amarga e ameaças”, publicou, alertando que atacar a infraestrutura civil é “crime de guerra”.
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As embaixadas iranianas na África se destacaram pela frequência e alcance das publicações. Uma postagem da missão em Pretória afirmou: “Diga olá à nova superpotência mundial”, no dia em que entrou em vigor um cessar-fogo envolvendo EUA, Irã e Israel. Outra publicação contrapôs um desenho de uma pomba à sombra de um caça militar, em referência às falas de Trump de que seria um pacificador. Analistas apontam que o Irã escolhe países onde acredita não enfrentar repercussões negativas e onde pode encontrar simpatia pública.
O tom provocativo, porém, vai além das embaixadas. O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, publicou no X uma mensagem dirigida a Trump sobre os planos americanos de bloquear o Estreito de Ormuz: “Aproveite os atuais preços na bomba. Com o chamado ‘bloqueio’, em breve você sentirá saudades da gasolina a US$ 4–US$ 5”, escreveu, em postagem acompanhada por um mapa com preços de combustível na região de Washington. Em declaração anterior, ele afirmou que o Irã não se renderá “sob ameaças”.
‘Slopaganda’
A estratégia também inclui o uso intensivo de vídeos gerados por inteligência artificial. Em publicação separada, a embaixada na África do Sul compartilhou uma postagem que retratava Trump em um vídeo musical, no qual ele aparece pedindo para que navios possam atravessar o bloqueio. Ele diz em tom lírico: “Se você me bloquear, então eu bloqueio você”. A postagem trazia a legenda: “E a música popular de hoje: ‘blockade’, de Trump”. A tática tornou-se tão frequente que ganhou até nome: “Slopaganda” (termo que combina a expressão “desleixo/porcaria” com propaganda, referindo-se a materiais gerados por IA).
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— [No entanto, o termo] Slopaganda é fraco demais para capturar o quão poderoso é esse conteúdo, que é altamente sofisticado — disse a especialista em propaganda Emma Briant à rede britânica BBC.
Conteúdos produzidos pela conta Explosive Media, inspirados em estética semelhante à de brinquedos Lego, mostram cenas com crianças, aviões militares e líderes políticos, apresentando o Irã como um país que resiste a um opressor global. Estima-se que os vídeos já tenham acumulado centenas de milhões de visualizações desde o início da guerra.
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Em alguns deles, Trump aparece em meio a documentos associados a Epstein, enquanto outros fazem referência a episódios como a morte de George Floyd. O criador dos conteúdos admitiu à BBC que o governo iraniano é um “cliente” da operação, embora tenha afirmado anteriormente que o projeto era independente. Analistas dizem que a produção busca atingir públicos ocidentais com linguagem culturalmente familiar e reforçar a narrativa iraniana.
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Apesar do tom humorístico, parte do conteúdo também aborda temas mais sensíveis. Uma embaixada iraniana usou IA para reanimar crianças que teriam morrido em um bombardeio, mostrando-as falando sobre sonhos para o futuro. Para especialistas, a estratégia visa suavizar a imagem do Irã e influenciar públicos jovens, ao mesmo tempo em que contorna a diplomacia tradicional e se comunica diretamente com usuários nas redes sociais.
Alguns analistas classificam a campanha como uma forma de “guerra memética defensiva”, voltada a responder à retórica americana, ao mesmo tempo em que a maioria dos iranianos não consegue usar a internet devido a um bloqueio nacional. Segundo eles, a produção de conteúdo em tempo quase real, logo após eventos militares ou políticos, amplia o impacto das mensagens e dificulta a verificação imediata das informações, aumentando o risco de interpretações equivocadas e de escalada nas tensões.
— A diplomacia tradicional não existe aqui. E isso embaralha nossa compreensão do que está acontecendo. Mas também aumenta o risco de interpretações equivocadas e de escalada — disse a especialista em guerra cibernética Tine Munk à BBC. — Estamos em uma espécie de limbo. (Com New York Times)
As Forças Armadas iranianas utilizaram um satélite de fabricação chinesa para espionar e planejar ataques contra bases americanas e alvos estratégicos em países do Golfo Pérsico durante a guerra com EUA e Israel em março, apontou uma investigação publicada pelo jornal britânico Financial Times nesta quarta-feira, indicando um papel muito mais decisivo de Pequim enquanto fornecedor de capacidades com potencial uso militar a Teerã. A investigação vem a público em um momento em que fontes de inteligência em Washington citam uma possível disposição chinesa de enviar armas ao Irã durante o cessar-fogo de duas semanas — o que chegou a motivar o presidente americano, Donald Trump, a ameaçar uma sobretaxa de 50% a produtos chineses em caso de fomento bélico ao rival. Pequim rejeitou alegações sobre o envio de armas ao Irã.
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O satélite chinês TEE-01B, fabricado e lançado pela empresa chinesa Earth Eye Co, foi adquirido pelas Forças Aeroespaciais da Guarda Revolucionária do Irã — responsável pelos programas de mísseis, de drones e espacial do país — em 2024, pelo valor de 250 milhões de Renminbi (cerca de R$ 182 milhões no câmbio atual), segundo documentos iranianos revisados pelo FT. O acordo incluiria também o acesso por parte de oficiais do Irã a instalações físicas e a softwares de outra empresa chinesa, a Emposat, para operar o equipamento em órbita, capaz de enviar imagens, dados de telemetria e outras informações.
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Com base em dados públicos de rastreamento da Força Espacial dos EUA, documentos vazados aos quais tiveram acesso e imagens de satélites da Agência Espacial Europeia, a investigação britânica concluiu que o satélite chinês monitorou pontos específicos em março que, dias antes ou depois da passagem em órbita, foram bombardeados — indicando possíveis operações de preparação de ataques ou monitoramento de danos causados por bombardeios. Entre a lista de posições que tiveram dados coletados estariam a base Príncipe Sultan, na Arábia Saudita, onde aviões americanos foram atingidos, a base aérea Muwaffaq Salti, na Jordânia e outras áreas militares, além de infraestrutura civil crucial de países como Bahrein e Emirados Árabes Unidos.
Embora não tome parte no conflito no Oriente Médio, a China passou a ser implicada em uma série de temas envolvendo a escalada de tensões na região, sobretudo nas últimas semanas, após o alerta por parte de fontes da comunidade de inteligência dos EUA sobre um possível envio de carregamento de mísseis portáteis chineses ao Irã — incluindo o modelo usado recentemente para abater um caça F-15 americano.
Embora as informações de inteligência não são conclusivas e ainda estejam sob revisão, o discurso foi incorporado à retórica política. Em um anúncio no fim de semana, Trump prometeu impor tarifas “assombrosas” à China, caso os relatos se provassem verdadeiros. Oficialmente, Pequim rejeitou as informações “categoricamente”.
Videográfico: como minas marítimas do Irã podem bloquear o Estreito de Ormuz
De tanques a tecnologias de uso duplo
Pequim mantém um equilíbrio delicado em sua relação bélica com o Irã. Empresas do complexo industrial-militar chinês foram um importante fornecedor do arsenal iraniano na década de 1980, incluindo mísseis, caças, tanques, blindados e fuzis utilizados na guerra Irã-Iraque — na qual os chineses também forneceram armas a Bagdá. Sob pressão internacional, incluindo dos EUA, o governo chinês prometeu controlar o comércio, mas a tecnologia produzida em Pequim foi fundamental para os avanços dos programas iranianos.
— A China desempenhou um papel importante no apoio à modernização militar do Irã por décadas, especialmente no desenvolvimento de suas capacidades de mísseis — disse Brian Hart, pesquisador do China Power Project no Center for Strategic and International Studies, em entrevista ao New York Times.
Mapa do alcance estimado dos mísseis balísticos do Irã
Arte O Globo
Especialistas creditam grande parte dos avanços da indústria bélica nacional iraniana à colaboração com a China, incluindo participações diretas e outras práticas, como engenharia reversa — o míssil antinavio Noor, marco no desenvolvimento armamentista iraniano, foi produzido a partir da compra de mísseis chineses C-802.
Uma importante mudança de perfil na colaboração acontece a partir de 2006, quando a ONU impõe sanções aos programas nuclear e de mísseis balísticos do Irã. A China votou a favor da resolução e, em grande medida, se afastou de novos contratos formais de armas com Teerã — uma decisão estratégica visando o aprofundamento das relações com países do Golfo rivais do Irã. Contudo, o país continuou a fornecer tecnologias e materiais de uso duplo, incluindo químicos usados para produzir combustível de mísseis balísticos e componentes para drones, como conectores de radiofrequência e pás de turbina.
No caso do satélite adquirido pela Guarda Revolucionária do Irã, a empresa Earth Eye Co aponta em seu website que ele foi projetado para ser usado em “agricultura, monitoramento oceânico, gestão de emergências, supervisão de recursos naturais e transporte municipal”.
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Desafios estratégicos
O governo chinês rejeitou reiteradamente as acusações de fomento militar ao Irã durante a atual guerra no Oriente Médio. Publicamente, Pequim tem se posicionado abertamente pela desescalada entre as partes e o fim definitivo dos confrontos, cujo prolongamento é uma preocupação estratégica para um ator central da política global.
Um vínculo direto com as atividades militares do Irã provavelmente representariam um dano sério aos interesses chineses perante os ricos países do Golfo atacados durante a retaliação de Teerã — com quem Pequim tem se esforçado para estreitar laços políticos e econômicos há mais de uma década. O próprio prolongamento do conflito tem implicações imediatas, principalmente com as instabilidades no Estreito de Ormuz, rota naval por onde passa 20% do petróleo e gás natural produzidos no mundo.
Lancha se aproxima de navio no Estreito de Ormuz
Giuseppe CACACE / AFP
Um terço das importações totais de petróleo bruto da China chega do Golfo Pérsico. Em meio à guerra, o país foi um vocal defensor da preservação da abertura da rota naval e da desescalada entre os lados envolvidos. Por semanas, alguns navios chineses conseguiram escapar do bloqueio imposto pelo Irã — contudo, desde o início do cessar-fogo temporário e do insucesso da primeira negociação mediada pelo Paquistão, Trump anunciou que a Marinha dos EUA bloquearia 100% dos navios em Ormuz, já que o tráfego se vê prejudicado pelas ações iranianas.
Especialistas apontaram que o racional por trás da decisão de Trump observou diretamente Pequim. Com o fechamento de Ormuz elevando o preço do barril de petróleo nos mercados internacionais e a demanda por combustível pressionada pela instabilidade regional, o bloqueio apenas iraniano ainda oferecia tanto a Pequim quanto a Teerã uma forma de diminuir o impacto. A decisão foi fechar para todos e forçar uma asfixia.
Caminho por Moscou
Em meio às disputas no Oriente Médio, outro ator global se apresentou como solução para a crise do petróleo. Se com o início da guerra e as instabilidades em Ormuz fizeram os EUA aliviarem sanções à Rússia, Moscou se colocou como alternativa para “compensar” o déficit energético da China com o início do conflito, durante visita do ministro das Relações Exteriores Serguei Lavrov a Pequim
— A Rússia certamente pode compensar a escassez de recursos que surgiu [na China e em] outros países interessados ​​em trabalhar conosco — afirmou o chanceler em uma coletiva de imprensa, no mesmo dia em que se reuniu com o líder chinês, Xi Jinping, de quem ouviu que as relações China-Rússia são “especialmente preciosas”.
Com uma produção média que gira acima dos 10 milhões de barris por dia, o que a coloca como um dos maiores produtores de petróleo do mundo, a Rússia estreita relações políticas e econômicas com a China desde 2022, quando o líder russo, Vladimir Putin, e Xi celebraram uma “parceria sem limites”. Em meio à guerra com a Ucrânia, Moscou também estreitou laços bélicos com a Coreia do Norte e com o Irã, incluindo compartilhamento de tecnologia. (Com NYT e AFP)
Uma tecnologia desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP) foi utilizada pela Nasa para monitorar astronautas da missão Artemis II, marcando a presença da pesquisa brasileira em uma das principais iniciativas atuais de exploração espacial.
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O dispositivo, chamado actígrafo, foi desenvolvido na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, sob coordenação do professor Mario Pedrazzoli, especialista em cronobiologia e estudos do sono. O equipamento é utilizado no pulso e permite o monitoramento contínuo de variáveis biológicas.
Entre os dados registrados estão padrões de sono, nível de atividade e exposição à luz, além de medições de movimento corporal, intensidade luminosa e composição espectral da luz. Um dos destaques é a capacidade de monitorar a luz azul, diretamente relacionada à regulação do ciclo sono-vigília.
Actígrafo
Universidade de São Paulo (USP)
A tecnologia surgiu a partir de pesquisas acadêmicas financiadas inicialmente pelo programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São (Fapesp), voltado ao incentivo à inovação em pequenas empresas.
Posteriormente, o dispositivo foi aprimorado e passou a ser produzido pela empresa Condor Instruments, se consolidando como uma ferramenta de alta precisão com alcance internacional.
Diferentemente de dispositivos comerciais, o actígrafo tem foco científico e é amplamente utilizado em áreas como cronobiologia, neurociências e saúde pública.
Aplicação no espaço e na Terra
No contexto espacial, o equipamento é fundamental para acompanhar os ritmos circadianos dos astronautas, contribuindo para a saúde, o desempenho e a segurança durante as missões.
A adoção da tecnologia no programa Artemis representa reconhecimento internacional da pesquisa desenvolvida na USP e evidencia o impacto global da produção científica brasileira.
Além do uso em missões espaciais, o actígrafo também é aplicado em estudos sobre distúrbios do sono e pode orientar políticas públicas relacionadas à qualidade de vida.

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