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Enquanto esperam pela reabertura do Estreito de Ormuz e por uma normalização da principal rota para exportações a partir do Oriente Médio, as monarquias do Golfo Pérsico observam com atenção as negociações entre EUA e Irã, com a expectativa de que as tratativas diplomáticas impeçam o retorno de um conflito que se alastrou por toda a região. Sob fogo iraniano que provocou mortes e destruição em seus territórios, os países da região optaram por não responder aos ataques e ampliar as tensões externas — um contraste com as medidas adotadas internamente, que intensificaram a censura e o controle à informação, com a prisão e intimidação de centenas de pessoas. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Na sexta-feira, o cessar-fogo de 10 dias acordado entre o Líbano e Israel parecia estar sendo respeitado, mas uma das duas partes em conflito estava ausente do acordo: o Hezbollah, a milícia libanesa apoiada pelo Irã e que estava sendo combatida pelas forças armadas israelenses. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O acesso cada vez mais facilitado e simplificado às ferramentas de inteligência artificial generativa tem provocado aumento da carga de trabalho de checadores de conteúdo ao redor do mundo. Dados coletados pela Agência Lupa — em análise de quase 1.300 checagens publicadas desde 2015 — mostram que mais de 80% dos casos de desinformação com IA surgiram nos últimos dois anos, o que comprova não apenas o avanço acelerado da tecnologia, mas o seu uso crescente e em ritmo veloz na criação de conteúdos de desinformação. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Mulheres e meninas foram mortas em um ritmo mais intenso do que o registrado em conflitos anteriores na Faixa de Gaza e já representam mais da metade das vítimas da guerra, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira pela ONU Mulheres. Ao longo do conflito, ao menos 47 morreram por dia, em média, de acordo com a agência. Mesmo após o cessar-fogo firmado em outubro do ano passado, as mortes continuaram, embora ainda faltem dados detalhados por gênero para dimensionar o impacto mais recente.
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O levantamento aponta que mais de 38 mil mulheres e meninas morreram entre outubro de 2023 e dezembro de 2025 — sendo mais de 22 mil mulheres e 16 mil meninas —, período que abrange a escalada mais recente do conflito. O total representa mais da metade das cerca de 71 mil mortes registradas nesse intervalo.
— Mulheres e meninas representaram uma proporção de mortes muito superior à observada em conflitos anteriores em Gaza — afirmou Sofia Calltorp, chefe de ação humanitária da agência, a jornalistas em Genebra. — Eram pessoas com vidas e sonhos.
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Segundo ela, o grupo continua mergulhado “em um sofrimento angustiante” mesmo após o cessar-fogo.
O acordo de cessar-fogo interrompeu dois anos de guerra em larga escala, mas não encerrou completamente a violência. Nos últimos seis meses, mais de 730 palestinos foram mortos e mais de 2 mil ficaram feridos, segundo médicos locais, enquanto militantes mataram quatro soldados israelenses. Israel e o Hamas trocam acusações sobre violações do acordo.
Atualmente, tropas israelenses mantêm o controle de uma zona despovoada que corresponde a mais da metade do território de Gaza, enquanto o Hamas permanece no poder na estreita faixa costeira restante. Israel afirma que suas operações têm como objetivo impedir ataques do grupo e de outras facções armadas.
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Além das mortes, “cerca de 11 mil mulheres e meninas sofreram ferimentos muito graves” e passaram a viver com deficiências permanentes, segundo Calltorp.
O impacto humanitário sobre o grupo também segue amplo. Cerca de 1 milhão estão deslocadas dentro do território, de acordo com a ONU Mulheres, e enfrentam dificuldades para acessar serviços básicos.
— Os danos extensos à infraestrutura tornaram quase impossível para mulheres e meninas em Gaza acessar necessidades básicas, como serviços de saúde — disse Calltorp.
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Segundo a agência, muitas delas foram deslocadas diversas vezes ao longo do conflito, e cerca de 790 mil enfrentam níveis críticos ou catastróficos de insegurança alimentar.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que mais de 500 mil mulheres não têm acesso a serviços essenciais, como cuidados pré-natais e pós-natais e tratamento de infecções sexualmente transmissíveis.
Diante desse cenário, a agência da ONU defende que mulheres e meninas estejam no centro das respostas humanitárias, em meio às dificuldades também de acesso a água, alimentos, assistência médica e ajuda internacional.
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Em paralelo, a situação das crianças também preocupa organismos internacionais. O Unicef informou que ao menos 214 crianças morreram nos últimos seis meses, mantendo um nível de violência considerado alarmante mesmo após o cessar-fogo.
No cenário internacional, a África do Sul move uma ação contra Israel na Corte Internacional de Justiça, acusando o país de cometer genocídio em Gaza. Em decisão preliminar de janeiro de 2024, o tribunal pediu que Israel adotasse medidas para evitar atos que possam ser enquadrados como genocídio, citando risco “real e iminente” de danos irreparáveis aos palestinos.
(Com AFP)
O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta sexta-feira que seu estoque de urânio enriquecido não será transferido “para lugar nenhum”, apesar da alegação feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um dia antes de que Teerã havia concordado em entregá-lo.
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“O urânio enriquecido do Irã não será transferido para lugar nenhum”, disse o porta-voz do ministério, Esmail Baqai, à televisão estatal.
— Eles concordaram em nos devolver o pó nuclear — disse o presidente americano na quinta-feira a repórteres na Casa Branca, usando seu termo para se referir aos estoques de urânio enriquecido, acrescentando: — Há uma grande chance de chegarmos a um acordo.
Trump tem usado essa expressão para descrever o estoque de urânio enriquecido próximo ao grau necessário para bombas nucleares que o Irã acumulou nos últimos anos, estimado pela Agência Internacional de Energia Atômica em cerca de 440 quilos. Esse estoque tem sido um ponto crucial nas negociações pelo fim do conflito no Oriente Médio.
Os Estados Unidos querem que o Irã transfira o material para fora do país, mas autoridades do regime iraniano não concordaram publicamente em fazê-lo. Também não está claro qual será o destino de toneladas adicionais de urânio enriquecido a níveis mais baixos que também fazem parte do estoque iraniano.
*Em atualização
O Papa Leão XIV criticou nesta sexta-feira o uso da inteligência artificial (IA) para fomentar “a polarização, os conflitos, os medos e a violência”, durante visita a Camarões marcada por discursos de forte teor social, críticas à exploração econômica e apelos à paz. No mesmo dia, o Pontífice celebrou uma missa para mais de 120 mil fiéis em Duala, onde também condenou a atuação de “tiranos que devastam o mundo”.
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A declaração sobre a IA foi feita durante um discurso na Universidade Católica da África Central, em Yaoundé, capital do país. Segundo o Papa, os impactos dessas tecnologias vão além da inovação e levantam questões profundas sobre a própria percepção da realidade.
— O desafio imposto por esses sistemas é mais profundo do que parece; não se trata apenas do uso de novas tecnologias, mas da substituição progressiva da realidade pela sua simulação — afirmou.
Estudantes universitários, empunhando bandeiras dos Camarões e do Vaticano, aplaudem antes da chegada do Papa Leão XIV à Universidade Católica da África Central, em Yaoundé, no quinto dia de uma viagem apostólica de 11 dias a África, em 17 de abril de 2026
Alberto PIZZOLI / AFP
O Pontífice alertou ainda para os efeitos sociais dessa transformação, com a disseminação de conteúdos simulados.
— Quando a simulação se torna norma, vivemos como dentro de bolhas impermeáveis umas às outras, e passamos a nos sentir ameaçados por qualquer pessoa que seja diferente — afirmou. — É assim que se espalham a polarização, os conflitos, os medos e a violência. Não está em jogo apenas o risco de erro, mas uma transformação da própria relação com a verdade.
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As falas ocorrem em meio a críticas ao uso político de conteúdos gerados por IA. Após o Papa se manifestar sobre a guerra no Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou uma imagem em que aparece retratado como um santo, inspirada na iconografia cristã, posteriormente apagada.
Trump publica imagem de si mesmo como uma figura semelhante a Jesus
Reprodução
Em Yaoundé, o Pontífice também incentivou estudantes a priorizarem “a alteridade das pessoas de carne e osso” em vez das “respostas funcionais” de chatbots, cujo uso tem se popularizado entre os jovens.
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Além disso, Leão XIV relacionou o avanço tecnológico a impactos ambientais e sociais, criticando a “busca frenética” por terras raras, essenciais para a produção de equipamentos e servidores, que, segundo ele, têm provocado “devastações ambientais e sociais”.
A inteligência artificial depende, por exemplo, da extração de minerais como o cobalto, usados em servidores que consomem grande quantidade de energia. Segundo o Papa, essa atividade impõe um alto custo à África, tanto do ponto de vista ambiental quanto social e humano.
Missa em Duala
O Papa Leão XIV (ao centro) acena à multidão a partir do Papamóvel ao chegar para presidir à Santa Missa na zona em frente ao Estádio Japoma, em Duala, no quinto dia de uma viagem apostólica de 11 dias a África, em 17 de abril de 2026
Alberto PIZZOLI / AFP
Mais cedo, em Duala, capital econômica de Camarões, o Pontífice foi recebido por uma multidão na esplanada do estádio de Japoma, no terceiro dia de sua viagem ao país. Segundo o Vaticano, mais de 120 mil pessoas participaram da celebração, número inferior à estimativa do governo local, que esperava até um milhão de fiéis.
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Sob temperaturas de cerca de 32°C, milhares aguardaram por horas para ver o líder da Igreja Católica. Muitos vestiam roupas estampadas com sua imagem, agitavam bandeiras do Vaticano e carregavam “ramos da paz”, enquanto gritavam “Viva o Papa” durante a chegada do papamóvel.
Entre os presentes, a fiel Marguerite Tedga, de 72 anos, passou a noite no local ao lado de amigas para garantir um bom lugar.
— É o auge de toda uma vida cristã. Quando eu era pequena, pensava que não poderíamos ver o Papa com nossos próprios olhos — relatou.
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Na homilia, proferida em francês, Leão XIV reforçou sua mensagem contra a violência e convocou os camaroneses a assumirem protagonismo na construção do futuro.
— Sejam atores do futuro e rejeitem toda forma de abuso e violência — declarou.
Troca de críticas
Ao longo da viagem, o Papa tem adotado um tom mais firme do que o habitual, especialmente em meio a críticas recentes feitas por Trump, que o atacou por defender o fim da guerra no Oriente Médio. O republicano afirmou que o Pontífice “pode dizer o que quiser”, mas deveria compreender as realidades de um “mundo cruel”.
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Sem citar diretamente o presidente americano, Leão XIV tem respondido com discursos contundentes em defesa da paz. Em Bamenda, no noroeste anglófono do país, região marcada por um violento conflito separatista, ele criticou lideranças globais que alimentam instabilidade.
— O mundo está sendo devastado por um punhado de tiranos, mas se mantém unido por uma multidão de irmãos e irmãs solidários — afirmou.
O Pontífice também denunciou a exploração de recursos naturais no continente africano. Segundo ele, atores externos e elites locais se apropriam das riquezas da região, enquanto parte significativa dos lucros é direcionada à compra de armamentos.
— Aqueles que roubam os recursos de sua terra geralmente investem grande parte do lucro em armas, perpetuando assim um ciclo interminável de desestabilização e morte — disse.
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Na véspera, o Papa já havia criticado “o mal causado a partir do exterior, por aqueles que, em nome do lucro, continuam apoderando-se do continente africano para explorá-lo e saqueá-lo”.
Camarões possui abundantes recursos naturais, como petróleo, madeira, cacau, café e algodão, além de vastas reservas minerais que há décadas atraem interesses estrangeiros e elites locais. Cerca de 37% dos quase 30 milhões de habitantes do país são católicos, e a Igreja mantém uma ampla rede de hospitais, escolas e obras sociais.
Desde sua chegada, na quarta-feira, Leão XIV tem sido recebido com entusiasmo popular, com milhares de pessoas reunidas ao longo das estradas para saudá-lo com cânticos e danças.
Fiéis assistem à Santa Missa presidida pelo Papa Leão XIV na zona em frente ao Estádio Japoma, em Duala, no quinto dia de uma viagem apostólica de 11 dias a África, em 17 de abril de 2026
Patrick MEINHARDT / AFP
Após a missa em Duala, o Pontífice seguiu para visitar o hospital católico Saint Paul. A viagem ao país será encerrada neste sábado, com uma nova celebração.
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Camarões é a primeira etapa de uma agenda mais ampla do Papa na África. Após deixar o país, ele seguirá para Angola e Guiné Equatorial, onde permanecerá até o dia 23 de abril.
Alejandrina Guasorna só descobriu já adulta que ao nascer tinha sido submetida a uma mutilação genital, prática pouco conhecida na Colômbia que persiste em algumas comunidades indígenas e que provocou a morte de muitas bebês por hemorragia ou infecções.
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Nas montanhas cafeeiras do departamento de Risaralda (oeste), território ancestral dos povos Embera Chamí e Katío, a ablação do clitóris afeta centenas de meninas.
Embora a origem do costume não seja conhecida com certeza, acredita-se que esteja ligado a crenças enraizadas na África e transmitidas para algumas comunidades indígenas durante o colonialismo.
Em quartos fechados, as parteiras usam uma navalha ou um prego em água fervente. Assim, realizam a mutilação genital em recém-nascidas, contam à AFP mulheres do território indígena Embera Chamí de Pueblo Rico, território sob jurisdição indígena.
Guasorna soube que havia sido vítima da mutilação quando começou a ouvir rumores. Falar sobre o assunto é um tabu, embora tenha crescido rodeada de mulheres ligadas a esta prática.
“Traziam meninas mortas a todo momento”. Pensávamos “que era normal”, conta esta agricultora de 74 anos que atuava como parteira, principalmente para mulheres de sua família, mas que não realizava mutilações genitais.
Para erradicar a prática, algumas líderes Embera e parlamentares apresentaram pela primeira vez um projeto de lei que está sendo discutido atualmente no Congresso.
Seu objetivo é proibir a mutilação, embora sem penas de prisão para as parteiras, que são consideradas vítimas da “falta de informação”.
Indígenas colombianos fazem mutilação nas meninas recém nascidas
Diana Sanchez / AFP
A iniciativa contempla especialmente planos de prevenção. Não enfrenta oposição, mas corre contra o relógio: precisa passar por seu último debate no Senado antes de 20 de junho, quando termina o período legislativo.
Apenas entre 2020 e 2025 foram realizadas 204 mutilações genitais na Colômbia, único país da América Latina onde são praticadas, segundo a ONG Equality Now. Oficialmente, não existem dados consolidados.
Enterradas sem registro
Nas comunidades onde são realizadas, ainda se acredita que as meninas sem mutilação serão “fáceis” com os homens ou que o clitóris crescerá até se transformar em um pênis, explicam as Embera.
Sem este órgão, cuja função é o prazer, as relações sexuais são, às vezes, associadas ao sofrimento.
Etelbina Queragama tem o rosto adornado com desenhos tradicionais. Esta dona de casa de 63 anos conta que “nunca sentiu nada” durante as relações sexuais, apenas dores. Um de seus sete filhos traduz suas palavras do embera para o espanhol.
A remoção total ou parcial do clitóris provoca graves danos à saúde, pode causar a morte e viola os direitos fundamentais das meninas, segundo a OMS.
A distância das comunidades e o sigilo que envolve a mutilação genital dificultam a contagem dos casos na Colômbia.
“Há uma subnotificação incrível”, explica Sarita Patiño, médica de um dos hospitais que recebe mais casos de ablação, em Pueblo Rico. Este ano, o total já chega a seis.
Ela atendeu a última em fevereiro: uma bebê de seis meses que chegou com febre.
“A menina tinha uma mutilação no clitóris, parecia pequena, como se fosse uma queimadura”, relata.
Francia Giraldo, líder Embera, diz que muitas meninas morrem sem sequer chegar ao hospital, sem registro de nascimento, nem de óbito.
Elas “sangram até morrer” e “algumas (mães) não as levam ao hospital, as enterram”, disse.
Indígenas colombianos fazem mutilação nas meninas recém nascidas
Diana Sanchez / AFP
Giraldo foi a primeira mulher governadora de sua comunidade e é um dos rostos mais visíveis do projeto de lei.
Seu desejo é que “mulheres que defendem os direitos das mulheres” cheguem aos territórios mais remotos para sensibilizar contra a mutilação.
Silêncio sobre o assunto
Ao abordar o tema, muitas desviam o olhar ou se calam, visivelmente desconfortáveis.
Sob a jurisdição indígena, a mutilação é punida com o cepo (um instrumento de tortura física), mas os casos são mantidos em sigilo.
Para Carolina Giraldo, congressista criadora do projeto de lei e historiadora, a teoria mais sólida sustenta que a prática veio da África, onde, segundo a ONU, ocorre em 33 países.
O órgão calculou, em 2024, que haviam 230 milhões de mulheres submetidas à mutilação.
Estas características culturais “ficaram aqui primeiro na população afro, mas depois também foram transmitidas à população indígena”, afirma.
Francia Giraldo alega que as parteiras apenas seguem um costume e defende um plano estatal de formação pedagógica nas comunidades indígenas.
“Me dói muito quando somos rotuladas como assassinas, como ignorantes”, afirma.
Horas após o início de um cessar-fogo de 10 dias no Líbano, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira que Israel não voltará a atacar o território libanês por ordem de Washington, em um tom imperativo poucas vezes usado para se dirigir em público ao principal aliado na região e sócio na guerra contra o Irã. A declaração de Trump ocorre enquanto milhares de pessoas deslocadas pelo conflito retornam para o sul do Líbano, contrariando as recomendações das Forças Armadas israelenses e libanesas e do movimento Hezbollah, que mantêm desconfianças mútuas sobre um acordo definitivo.
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“Israel não vai mais bombardear o Líbano. Eles estão PROIBIDOS pelos EUA de fazer isso. Já basta é já basta!!!”, escreveu o presidente americano em uma publicação na rede social Truth Social, um dia após anunciar o cessar-fogo pelo mesmo canal.
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A interrupção dos combates no Líbano repercutiu de forma divergente nos EUA e em Israel, mostrando uma inconsistência na unidade entre os aliados. Enquanto Trump comemorou publicamente o acordo, afirmando que seria a 10ª guerra que solucionaria, as declarações partindo do governo israelense não acompanharam o tom otimista sobre uma paz duradoura — com autoridades precisando explicar o porquê de parar uma operação militar vista pela maioria dos eleitores israelenses, segundo pesquisas, como necessária para manter a segurança no norte do país, alvo prioritário de ataques do Hezbollah.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta sexta daria uma chance para avançar com uma “solução diplomática e militar” com o governo libanês a pedido de Trump, com a ressalva de que a ameaça às comunidades no norte do país não foi eliminada e que ” trabalho não terminou”. Em uma declaração em separado, antes da declaração de Trump, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que a desmilitarização do sul do Líbano teria que ser feito “por via diplomática ou pela retomada das atividades militares”, e indicou que as forças do país, que seguem em território libanês, continuarão a demolir estruturas ligadas ao Hezbollah. As declarações não calaram as críticas.
Blindados de Israel trafegam por vila destruída após bombardeios israelenses no Sul do Líbano
Jack Guez/AFP
Avichai Stern, prefeito de Kiryat Shmona, cidade no extremo norte de Israel, anunciou que as escolas e os serviços municipais ficartão fechados no domingo — dia útil no Estado judeu — em protesto contra o acordo de cessar-fogo com o Líbano. O prefeito é uma das vozes que exige o desmantelamento do Hezbollah como organização militar e civil, o estabelecimento de linhas defensivas eficazes ao longo da fronteira libanesa e a proteção integral para moradores e instituições públicas.
Embora o acordo tenha destravado outra frente de guerra no Oriente Médio — o Irã concordou com a reabertura total do Estreito de Ormuz após o cessar-fogo ser alcançado no Líbano, abrindo caminho para uma possível solução duradoura para a guerra com os EUA —, o impacto interno para o governo Netanyahu, ao menos de forma imediata, foi negativo. Críticos e mesmo aliados à direita, aproveitaram o momento para acusar a aparente incapacidade do premier de resistir à pressão de Trump, que já tinha forçado a pausa dos ataques ao Irã.
— Um cessar-fogo deve vir de uma posição de força e ser uma decisão israelense, refletindo uma vantagem que sirva às negociações — disse Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior cujo novo partido de oposição centrista, Yashar, está ganhando nas pesquisas. — Tem surgido um padrão no qual tréguas estão sendo impostas a nós: em Gaza, no Irã e agora no Líbano.
Volta para casa
Mesmo sem um acordo definitivo, milhares de famílias libanesas contrariam recomendações feitas por autoridades do país e de Israel e começaram a retornar a suas cidades a sul do rio Litani e em bairros de Beirute considerados redutos do Hezbollah. Mais de 1,2 milhão de pessoas foram deslocadas pelo conflito — com estimativas menos conservadoras falando em mais de 2 milhões de afetados.
Um fluxo de pessoas tomou a principal rodovia rumo ao sul do Líbano na sexta-feira, após a entrada em vigor do cessar-fogo. Motoristas esperaram durante horas em engarrafamentos que se formaram na ponte Qasmiyeh, única que ainda permite atravessar o rio Litani. Escavadeiras trabalharam para reabrir estrutura, bombardeada por Israel horas antes do início da trégua. Assim que a passagem foi liberada, motocicletas e depois carros começaram a atravessar em fila, com alguns buzinando em comemoração e acenando bandeiras amarelas do Hezbollah.
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— Saímos uma hora antes de o cessar-fogo entrar em vigor para podermos chegar à ponte assim que ela abrisse, permitindo que retornássemos à nossa cidade — disse Amani Atrash, de 37 anos, que fugiu para o norte no início da guerra e aguardava em uma fila que se estendia por quilômetros a nordeste de Tiro. — A espera é muito difícil porque queremos chegar lá o mais rápido possível.
A rodovia que liga as cidades de Sidon e Tiro, no sul, estava congestionada por quilômetros por volta das 09h (03h em Brasília), com dezenas de milhares de carros seguindo para o sul, muitos carregados com colchões, utensílios de cozinha e cobertores. Muitas das pessoas deslocadas não tinham ideia do que havia acontecido com suas casas ao longo das últimas seis semanas de guerra.
— Quando fugimos, levamos 16 horas na estrada, e hoje é a mesma coisa — disse Ghufran Hamzeh, que aguardava na ponte de Qasmiyeh com seu filho, após viajar de Beirute, em entrevista à AFP. — Mas isso não importa. O importante é que estamos voltando para nossa aldeia e nossa terra. Não sei se minha casa foi destruída ou não. Se foi destruída, isso não muda nada: vou montar uma tenda na frente dela e ficar lá.
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Incertezas
As comemorações pelo cessar-fogo e o retorno apressado para casa ocorrem sob desconfiança no cessar-fogo. Muitos dos que voltavam para o sul demonstravam cautela e sinais de esgotamento com as idas e vindas da guerra, que começou em 2023, foi interrompida em 2024 e retomada em março deste ano.
Ayman Sojod, de 55 anos, que morava nos subúrbios do sul de Beirute antes de fugir para a cidade portuária de Biblos, ao norte da capital libanesa, onde aluga uma casa desde os ataques israelenses contra o Líbano em 2024, voltou aos arredores da cidade para avaliar a situação nesta sexta. Ele disse que planejava levar a família em dois ou três dias.
Meninos acenam com bandeiras do Líbano e do Hezbollah enquanto passam por prédio danificado em meio a retorno de deslocados no sul de Beirute
Fadel Itani/AFP
— Continuarei pagando o aluguel porque não se pode confiar no inimigo — disse Sojod sobre a casa em Biblos. — Ainda estamos preocupados que algo possa acontecer, então esses 10 dias não serão fáceis.
A perspectiva de retorno do conflito foi apontada por Israa Jaber, de 54 anos, como uma possibilidade “devastadora”. Ela deixou sua casa na cidade de Srifa durante os bombardeios no mês passado às pressas. Sua filha, Lamis, de 9 anos, ainda sente falta do ursinho de pelúcia e do estojo de maquiagem que teve de deixar para trás.
— Se tivermos que partir novamente, eu não posso descrever o quão frustrante seria. Seria devastador — afirmou Israa (Com NYT e AFP)
França e Alemanha divergem sobre o papel da Europa na segurança do Estreito de Ormuz, enquanto mais de uma dezena de países manifestaram nesta sexta-feira disposição para lançar uma missão multinacional na região. A iniciativa avança em meio a um cessar-fogo ainda instável no Oriente Médio, com divergências sobre a participação dos Estados Unidos e após o Irã anunciar a reabertura da rota sob condição de manutenção da trégua.
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Reunidos em Paris, o presidente Emmanuel Macron, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, o chanceler alemão Friedrich Merz e a premiê italiana Giorgia Meloni defenderam a “reabertura total, imediata e incondicional” da via marítima, essencial para o comércio global de petróleo. Cerca de 50 países participaram das discussões, presencialmente ou por videoconferência, incluindo nações europeias, asiáticas, do Oriente Médio e da América Latina.
A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni (4ª à esquerda), o primeiro-ministro britânico Keir Starmer (ao centro), o presidente francês Emmanuel Macron (ao centro) e o chanceler alemão Friedrich Merz (6º à direita) participam de uma cúpula internacional sobre os esforços para reabrir o Estreito de Ormuz no Palácio do Eliseu, em Paris
Michel Euler / AFP
A iniciativa, articulada por Paris e Londres, prevê garantir a liberdade de navegação e apoiar operações de desminagem na região, após o Irã anunciar que o estreito voltou a ser navegável durante a trégua. Ainda não está claro, no entanto, se o anúncio se refere ao cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã — previsto para durar até 22 de abril — ou à trégua de 10 dias entre Israel e o Hezbollah no Líbano.
Missão avança, mas impasse político persiste
Apesar do consenso sobre a necessidade de atuação, o papel de Washington segue sendo o principal ponto de divergência. Enquanto a Alemanha defende a inclusão dos EUA, a França insiste que apenas países “não beligerantes” integrem a missão.
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Os Estados Unidos, assim como Irã e Israel, não foram convidados para o encontro por serem partes diretamente envolvidas no conflito. Ainda assim, Macron afirmou que uma eventual operação contará com “coordenação” com Washington e Tel Aviv, além de diálogo com armadores e seguradoras. O presidente francês também tem mantido contato com autoridades americanas e levou essa posição ao governo iraniano.
As divergências refletem ainda críticas anteriores do presidente dos EUA, Donald Trump, aos europeus, que ele acusou de não ajudar Washington no confronto com o Irã. O republicano também já propôs a cobrança de pedágios para navios no estreito, medida rejeitada pela França.
Trump celebrou o anúncio iraniano em publicação na Truth Social, mas indicou que manterá o bloqueio aos portos do país e rejeitou o apoio da Otan para garantir a segurança na região. “Agora que a situação no Estreito de Ormuz foi resolvida, recebi uma ligação da Otan perguntando se precisaríamos de ajuda. Eu disse que ficassem de fora, a menos que queiram apenas carregar seus navios de petróleo”, afirmou.
A proposta europeia foi descrita por Londres como “estritamente de natureza defensiva” e deve ser implementada “assim que as condições permitirem”, segundo comunicado do governo britânico. Mais de dez países já se ofereceram para “contribuir” com a missão, que será liderada por França e Reino Unido assim que houver condições no terreno.
A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, o presidente francês Emmanuel Macron e o chanceler alemão Friedrich Merz divulgaram uma declaração conjunta após uma cúpula internacional sobre os esforços para reabrir o Estreito de Ormuz no Palácio do Eliseu, em Paris
AFP
A Itália também indicou que está pronta para participar, mas ressaltou que a operação depende de “um cessar das hostilidades, em coordenação com todos os atores regionais e internacionais”.
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Merz, por sua vez, afirmou a jornalistas em Berlim que qualquer participação alemã dependerá de um mandato internacional, preferencialmente da ONU, além de aprovação do governo e do Parlamento. — Ainda estamos longe de um cenário assim — disse. Antes da reunião, ele também reconheceu divergências entre os países sobre o papel dos EUA e afirmou que o tema ainda será discutido.
Segurança energética e riscos globais
O bloqueio do estreito — imposto após a escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel — gerou preocupação entre europeus, diante do risco de alta nos preços de energia, inflação, escassez de alimentos e impactos no transporte aéreo.
A reabertura anunciada por Teerã ajudou a aliviar os mercados de petróleo, mas permanece condicionada à manutenção do cessar-fogo. Segundo Trump, o Irã já iniciou a remoção de minas no estreito “com a ajuda dos Estados Unidos”.
A França já deslocou meios militares para a região, incluindo fragatas, um porta-aviões, aeronaves e sistemas de defesa aérea. A Alemanha avalia contribuir com embarcações de desminagem ou reconhecimento, mas dificilmente enviará fragatas, devido a compromissos com a Otan em outras regiões.
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O Palácio do Eliseu definiu como prioridades da missão a desminagem do estreito, a garantia de que não haja cobrança de pedágios para a passagem de navios e a proteção das regras internacionais de liberdade de navegação.
Uma nova reunião para tratar do planejamento militar está prevista para a próxima semana, em Londres, quando devem ser apresentados mais detalhes sobre a composição da missão. O formato da iniciativa lembra a chamada “coalizão dos dispostos”, utilizada para coordenar ações militares em outros conflitos recentes.
Em meio às negociações com o Irã, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira que o Estreito de Ormuz estava “completamente aberto e pronto para negócios e livre tráfego”, um mês e meio depois de ter sido bloqueado por Teerã. Como de hábito, suas declarações não refletem o cenário real: a passagem, por onde transitam 20% das exportações globais de petróleo, ainda tem restrições, conta com áreas vetadas à navegação, e as empresas de transporte naval seguem incertas quanto a enviar seus navios para a área.
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O primeiro choque de realidade, ou ajuste de expectativas, veio do chanceler iraniano, Abbas Araghchi. Na rede social X (proibida no Irã), ele declarou que o tráfego de navios estará aberto durante o período do cessar-fogo firmado com os americanos (que expira na quarta-feira que vem), mas que a navegação deve ocorrer “na rota coordenada, conforme já anunciado pela Organização de Portos e Assuntos Marítimos da República Islâmica do Irã.”
— Do ponto de vista do transporte marítimo, é certamente promissor [o anúncio sobre Ormuz], mas não oferece, de imediato, clareza suficiente para que alguém tome decisões definitivas — disse Richard Meade, editor-chefe da Lloyd’s List, jornal britânico especializado no setor naval, ao Wall Street Journal.
Recentemente, ao liberar a passagem de embarcações por Ormuz, mediante autorização da Guarda Revolucionária e potencial pagamento de um pedágio de até US$ 2 milhões, os iranianos estabeleceram uma rota que passava ao largo da Ilha Larak, próxima à costa, e que lhes dá poder sobre quem por ali transita. Antes da guerra ordenada por Trump, respondida com o fechamento do estreito por Teerã, os navios que entravam ou saíam do Golfo Pérsico usavam duas rotas em águas territoriais de Omã e Irã.
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Em comunicado, a Guarda Revolucionária disse que apenas embarcações civis terão a passagem liberada, mediante autorização militar prévia, e excluindo o trânsito de embarcações militares, termos similares aos que estavam em vigor nos últimos dias. Não há detalhes sobre a cobrança do pedágio, mas segundo um membro da equipe de negociadores, ouvido pela agência Isna, haverá algum tipo de cobrança. Mais cedo, um artigo na agência Tasnim, ligada à Guarda, criticou a maneira como a forma como Araghchi anunciou a reabertura, acusando-o de gerar “diversas ambiguidades sobre as condições de passagem, os detalhes e os mecanismos envolvidos”
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Ao mesmo tempo em que declarou Ormuz aberto, Trump reiterou que um bloqueio a navios iranianos, ou que tenham o país como origem ou destino, segue em vigor. O Comando Central dos EUA declarou que 19 navios receberam a ordem de retornar aos portos iranianos, e 10 tiveram as jornadas rumo ao Irã interrompidas desde a segunda-feira.
De acordo com o funcionário do governo ouvido pela Tasnim, a manutenção do bloqueio pode ser considerada uma quebra do acordo de cessar-fogo, sob ameaça de nova interrupção do tráfego em Ormuz. As mesmas informações foram dadas por uma fonte do Conselho de Segurança Nacional à agência Fars. Mais cedo, Trump havia dito no Truth Social que o Irã “concordou em nunca mais fechar o Estreito de Ormuz”.
Mesmo sem a ameaça dos mísseis e drones, especialistas apontam para o risco das minas navais. Segundo o governo americano, o Irã as instalou de maneira errática, muitas vezes sem marcar suas posições, e hoje não sabe exatamente onde estão — aos navegadores, a Guarda Revolucionária cita áreas próximas à costa de Omã como “potencialmente perigosas”, sugerindo a presença dos armamentos. Trump declarou que estava removendo, ao lado de Teerã, os explosivos, mas os militares dos dois países não têm meios para retirá-los e desativá-los em um curto intervalo de tempo, como deseja o republicano.
“O status da ameaça representada pelas minas no EST (Esquema de Separação de Tráfego, modelo usado em rotas navais congestionadas, como Ormuz) não foi totalmente compreendido. Considere evitar essa área”, diz um alerta enviado aos navegadores pela Agência de Cooperação e Orientação Naval para Navegação da Marinha dos EUA, obtido pela agência Reuters.
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Desde março, o tráfego no estreito, por onde passam cerca de 100 navios diariamente em tempos de paz, caiu mais de 90%, e poucos foram convencidos, neste primeiro momento, pelas garantias de segurança vindas de Washington e Teerã.
“A segurança de nossa tripulação, embarcações e da carga de nossos clientes continua sendo nossa prioridade. Desde o início do conflito, temos seguido as orientações de nossos parceiros de segurança na região, e a recomendação até o momento tem sido evitar a travessia do Estreito de Ormuz”, afirmou a Maersk em comunicado à rede CNN.
Segundo estimativas, há cerca de dois mil navios, com 20 mil tripulantes e 21 bilhões de litros de petróleo nos arredores de Ormuz. Mesmo se o tráfego fosse retomado sem restrições, levaria meses para normalizar todo o sistema.
“Estamos começando a avaliar a nova situação e os riscos envolvidos”, disse um porta-voz da gigante alemã Hapag-Lloyd,em um comunicado à Reuters. “Por enquanto, portanto, ainda estamos evitando atravessar o estreito.”
Companhias de seguros, que chegaram a suspender apólices em vigor e rejeitar novos pedidos, tampouco parecem apressadas para aceitar novos contratos ou reduzir os valores cobrados.
— O anúncio incentivou brevemente as seguradoras a retornarem ao mercado, particularmente para cotações de seguros contra riscos de guerra para embarcações que transitam por áreas de alto risco, como o Estreito de Ormuz — disse, em entrevista ao portal Argus Media, George Grishin, presidente da corretora Oakeshott Insurance Group. — O que realmente está acontecendo é que as seguradoras estão reavaliando o risco em tempo real e, em alguns casos, simplesmente não podem aceitá-lo.

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