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O sorriso de Augusto Pinochet voltou às ruas de Santiago no último domingo. Eleitores de José Antonio Kast exibiram retratos do ditador para comemorar a vitória do ultradireitista na eleição do Chile.
O novo presidente nunca disfarçou a admiração pelo velho general. Votou contra o retorno à democracia no plebiscito de 1988 e prometeu tirar da cadeia militares condenados por crimes contra a humanidade.
“Se estivesse vivo, Pinochet votaria em mim”, garantiu Kast, na primeira campanha ao Palácio de La Moneda. Na terceira tentativa, ele chegou lá. Foi eleito com 58% dos votos em disputa com a comunista Jeannette Jara, apoiada pelo atual presidente Gabriel Boric.
Desde o fim da ditadura, o Chile alternava entre governos de centro-esquerda e centro-direita. Agora terá o primeiro líder que defende e cultua o passado autoritário.
Ultraconservador e pai de nove filhos, Kast se apresenta como um católico fervoroso. Já prometeu proibir a pílula do dia seguinte e limitar as hipóteses de aborto permitidas por lei. Na economia, reza pela cartilha do mercado: privatizações, corte de gastos e flexibilização de leis trabalhistas e ambientais.
O presidente eleito é filho de um alemão que pertenceu ao Partido Nazista e lutou no Exército de Hitler. Seu irmão mais velho foi ministro e comandou o Banco Central na ditadura pinochetista.
Há seis anos, Kast fundou o Partido Republicano, com logotipo copiado da sigla de extrema direita francesa Reagrupamento Nacional, de Marine Le Pen. Depois adotou um novo símbolo inspirado no escudo do Capitão América.
Para vencer em 2025, o chileno suavizou a retórica conservadora e evitou temas como aborto e casamento homoafetivo. Preferiu apostar no discurso linha dura sobre imigração e segurança pública. Inspirado em Donald Trump e Nayib Bukele, prometeu militarizar as fronteiras, deportar estrangeiros sem documentos e endurecer regras nos presídios.
No segundo turno, recebeu a visita do ministro de Segurança Pública e Justiça de El Salvador, cujo governo é acusado de desrespeitar direitos humanos, perseguir opositores e fazer acordo com gangues para reduzir as taxas de homicídios.
A vitória de Kast era esperada, mas não deixou de ser má notícia para o governo brasileiro. O chileno já atacou Lula e mantém laços com a família Bolsonaro. Seu triunfo reforça a guinada da América do Sul à ultradireita, iniciada na Argentina, e amplia a influência de Trump na região.
Na primeira viagem após a eleição, Kast visitou a Casa Rosada e segurou a motosserra dourada de Javier Milei. Depois disse apoiar uma intervenção militar dos Estados Unidos no continente, a pretexto de derrubar o regime de Nicolás Maduro na Venezuela.
A semana indicou que o tom menos beligerante da campanha foi só estratégia de marketing. Mas quem comprou a tese do Kast moderado não deve se incomodar com a volta das fotos de Pinochet.
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O governo israelense anunciou neste domingo a aprovação de outros 19 assentamentos na Cisjordânia, com o objetivo declarado de impedir a criação de um “Estado palestino terrorista”, em um contexto de intensificação da colonização desde 7 de outubro de 2023.
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Com a medida, o total de assentamentos autorizados nos últimos três anos chegou a 69, segundo um comunicado publicado pelos serviços do ministro das Finanças, Bezalel Smotrich.
Há apenas alguns dias, as Nações Unidas alertaram que o crescimento das colônias israelenses na Cisjordânia — todas consideradas ilegais segundo o direito internacional — atingiu seu ritmo mais elevado desde pelo menos 2017.
“O gabinete aprovou a proposta do ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, e do ministro da Defesa, Israel Katz, de declarar e formalizar 19 novos assentamentos na Judeia e Samaria”, indicou o escritório de Smotrich em comunicado, usando a terminologia habitual em Israel para se referir à Cisjordânia, ocupada desde 1967.
Smotrich, ele próprio colono e um dos principais expoentes da direita nacionalista religiosa, afirmou que a iniciativa tem como objetivo sabotar a criação de um Estado palestino.
“Em todo o território, estamos bloqueando a criação de um Estado palestino terrorista. Seguiremos desenvolvendo, construindo e povoando a terra de nossa herança ancestral, com confiança na justiça de nosso caminho”, declarou o ministro no comunicado.
Além de Jerusalém Oriental — parte da cidade árabe ocupada e posteriormente anexada por Israel — mais de 500 mil israelenses vivem atualmente nas colônias da Cisjordânia, onde também residem cerca de três milhões de palestinos.
Violência em escalada
Das colônias anunciadas neste domingo, cinco correspondem a núcleos já existentes há anos, ou seja, assentamentos implantados em território palestino sem as autorizações necessárias das próprias autoridades israelenses.
Segundo os serviços do ministro Smotrich, os 19 assentamentos estão localizados em áreas de “alto valor estratégico”.
Dois deles, Ganim e Kadim, no norte da Cisjordânia, serão reinstalados após terem sido desmantelados há décadas.
Desde que Israel ocupou a Cisjordânia na Guerra dos Seis Dias, em 1967, a colonização avançou sob governos de esquerda e de direita. O processo, no entanto, se intensificou com o atual governo de Benjamin Netanyahu, especialmente desde o início da guerra em Gaza, desencadeada pelo ataque surpresa do grupo islamista Hamas em Israel, em 7 de outubro de 2023.
Um relatório do secretário-geral da ONU, consultado em meados de dezembro pela AFP, aponta que o crescimento das colônias israelenses alcançou em 2025 um nível recorde desde que as Nações Unidas passaram a monitorar o tema, em 2017.
“Condeno a expansão implacável da colonização israelense na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental (…), que ameaça a viabilidade de um Estado palestino plenamente independente, democrático, com continuidade territorial e soberania”, afirmou António Guterres no documento enviado aos membros do Conselho de Segurança.
Segundo o secretário-geral, o avanço da colonização foi acompanhado por um aumento “alarmante” da violência de colonos contra palestinos.
Guterres mencionou ainda que, em alguns casos, ataques ocorreram “na presença ou com o apoio das forças de segurança israelenses”.
A violência no território se intensificou desde 7 de outubro de 2023.
Mais de um milhão de palestinos — incluindo combatentes e numerosos civis — foram mortos desde então na Cisjordânia por soldados ou colonos israelenses, segundo um levantamento da AFP com base em dados da Autoridade Palestina.
Por outro lado, de acordo com números oficiais de Israel, pelo menos 44 israelenses, entre civis e militares, morreram na Cisjordânia em ataques palestinos ou durante incursões militares israelenses.
Os novos projetos de colonização costumam provocar condenações internacionais. A França afirma ver neles uma “ameaça existencial” à viabilidade de um Estado palestino.
No fim de setembro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu que não permitiria que Israel anexasse a Cisjordânia, apesar de seu firme apoio ao Estado israelense.
Uma ação coordenada das forças de segurança italianas resultou, nos últimos dias, na apreensão de cerca de 1,4 tonelada de drogas, no que as autoridades classificaram como uma das maiores operações recentes contra o narcotráfico no país. 384 suspeitos foram presos. Entre eles, 166 são estrangeiros, e seis são menores de idade. A operação foi realizada em diferentes regiões da Itália e envolveu centenas de fiscalizações — ao todo, 312.
Veja: Israel aprova 19 novos assentamentos na Cisjordânia para barrar criação de Estado palestino
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Além das prisões, a polícia está investigando 655 pessoas, incluindo 39 menores de idade. Durante a ofensiva, os agentes também apreenderam mais de 40 armas e cerca de 35 quilos de cocaína. As apreensões incluíram ainda 296 quilos de mercadorias derivadas de cannabis que, após testes iniciais, foram consideradas ilegais pelas autoridades, além de mais de 300 mil euros em dinheiro vivo.
Também foram aplicadas 565 penalidades a pessoas envolvidas em crimes como porte de drogas e consumo irregular de bebidas alcoólicas, com o objetivo de reduzir “comportamentos de risco”. Além disso, conteúdos de “caráter criminoso” identificados em redes sociais podem ser bloqueados.
O contexto da operação ocorre após a adoção, em junho, de um novo decreto de segurança no país, que passou a criminalizar o comércio de cannabis light, ou cânhamo, substância que não provoca efeitos psicoativos como a maconha.
Para as autoridades italianas, os resultados da megaoperação comprovam o impacto consolidado no combate ao tráfico organizado.
Sem forças para se manter de pé, naquela manhã seu corpo cedeu e ele desabou na mata, ao lado de uma estrada secundária no condado de Jasper, na Geórgia, nos Estados Unidos. Imóvel, congelado pelo frio e pela chuva congelante, tudo o que ele podia fazer era observar os carros passarem.
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Aterrorizado e quase congelando, ele tentou se levantar ao ver alguém se aproximando. Era Kristy Stephens, vice-presidente da Whisker Warriors — organização dedicada a reduzir a superpopulação animal e a resgatar animais em perigo. Horas antes, a filha de Stephens havia visto o animal enquanto fazia compras na região e ligou para a mãe pedindo ajuda. O cachorro, desnutrido e frágil, não tinha energia para escapar e permaneceu sentado, tremendo.
“Ofereci-lhe um pouco de comida”, disse Stephens a um veículo de notícias local. “Após alguns instantes de hesitação, ele se aproximou lentamente. E, assim que chegou perto o suficiente, coloquei-lhe uma coleira com muito cuidado para garantir a sua segurança.”
Tentativa de resgate e mudança de plano
Stephens tentou conduzir o cachorro até o carro, mas o animal não se mexeu. Em seguida, ele se virou e tentou correr para o interior da mata. Preocupada com a saúde frágil do cão, Stephens pediu que a filha fosse para casa buscar cobertores, enquanto ela tentava ganhar a confiança do filhote.
“Sentei-me com ele, conversei e dei-lhe tempo para confiar em mim”, relatou. “Aos poucos, ele me deixou aproximar-me até que eu pudesse tocá-lo e abraçá-lo para que não desmaiasse.”
O plano inicial era colocar o cachorro em uma caixa de transporte e entregá-lo a Tracy Campbell, diretora da Sociedade Protetora dos Animais do Condado de Jasper. No entanto, assim que Stephens e a filha colocaram o animal no carro, enrolado em um cobertor, decidiram mudar de estratégia. “Percebemos a gravidade da situação”, disse Stephens. “Decidimos não colocá-lo na caixa de transporte e levá-lo ao veterinário o mais rápido possível.”
Hipotermia grave e atendimento emergencial
Eles chegaram a tempo. O cachorro, que recebeu o nome de Rhodey, estava com temperatura corporal de 35°C — quando o normal para um cão varia entre 38 e 39°C. O veterinário afirmou que, se ele tivesse permanecido mais uma hora exposto ao frio, o desfecho teria sido fatal.
“Quando um animal está com hipotermia, o melhor é colocá-lo em um local abrigado e sem correntes de ar, perto de um aquecedor, elevado do chão sobre um tapete ou carpete. Envolva-o em cobertores e coloque uma bolsa de água quente — sempre envolta em uma toalha para evitar queimaduras — em seu peito, atrás do cotovelo, de preferência do lado esquerdo, já que o coração está localizado desse lado”, explica Patricia Paredes, veterinária da equipe Natural Life (MP 7387). “Também é possível envolver os quatro membros ou pernas em papel-alumínio, como luvas, para reduzir a perda de calor e, em casos de hipotermia grave, recomenda-se a infusão intravenosa de soluções aquecidas”, acrescenta.
Na clínica veterinária, seguindo o protocolo para esses casos, a temperatura de Rhodey foi elevada gradualmente, foram realizados exames de sangue e ele recebeu fluidos. Nos dias seguintes, Stephens e Campbell passaram a conhecer melhor o cão, que permaneceu tímido e cauteloso em seu novo ambiente.
Diagnóstico preocupante e recuperação lenta
O veterinário estimou que Rhodey tinha cerca de um ano de idade e pesava apenas 18 quilos — aproximadamente metade do peso considerado ideal para sua idade e porte. Os exames indicaram anemia e dirofilariose, conhecida como doença do verme do coração, mas o animal estava fraco demais para iniciar o tratamento naquele momento. Transmitido por mosquitos, esse parasita vive e se reproduz nos vasos sanguíneos próximos ao coração do cão e pode se alojar até mesmo nas câmaras cardíacas.
Segundo a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA), a gravidade da dirofilariose está relacionada ao número de parasitas presentes no animal, ao tempo de infecção e à reação do organismo do cão à presença dos vermes. Em estágios avançados, os sintomas incluem tosse persistente, letargia após atividades leves, dificuldade para respirar e insuficiência cardíaca.
Um novo começo
Com o passar do tempo, Rhodey começou a se adaptar às pessoas que cuidavam dele. Embora tímido com outros cães, tolerava novos companheiros e gostava de passear com Stephens. Aos poucos, passou a ganhar peso.
Algumas semanas após o resgate, Campbell recebeu o telefonema de uma senhora aposentada que estava de luto pela morte de seu cachorro. Ao ver o alerta sobre Rhodey, ela se comoveu e se ofereceu para acolhê-lo e cuidar dele.
“Quando o levei para a casa de acolhimento, juro que ele entrou ali como se aquele lugar fosse dele”, disse Campbell, admirada.
Rhodey viverá com a mãe adotiva enquanto se recupera. Ele vem se adaptando com entusiasmo à vida ao lado de alguém que o ama. Stephens afirma estar impressionada com o cão que Rhodey está se tornando. Com base nas condições em que o encontrou, ela estima que o animal tenha vivido ao relento por semanas. “Rhodey realmente lutou para sobreviver”, concluiu.
Os australianos acenderam velas e guardaram um minuto de silêncio neste domingo para homenagear as 15 vítimas do atentado em Bondi Beach, neste domingo (21), uma semana depois de dois homens dispararem contra uma multidão durante a festividade judaica de Janucá, em Sydney.
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Um pai e seu filho, Sajid e Naveed Akram, são acusados de terem aberto fogo no último domingo em Bondi Beach, um ponto turístico emblemático do estilo de vida australiano, frequentado por famílias em um dia ensolarado.
Sajid Akram, de 50 anos, foi morto pela polícia durante o ataque de 14 de dezembro. Naveed, de 24 anos, que sobreviveu e permanece hospitalizado sob custódia policial, enfrenta acusações que incluem terrorismo e 15 homicídios.
As autoridades afirmaram que o ataque, um dos mais mortais da história da Austrália, foi provavelmente “motivado pela ideologia” do grupo jihadista Estado Islâmico.
Exatamente uma semana após os primeiros relatos de disparos, às 18h47 (7h47 GMT), os australianos observaram um minuto de silêncio em um dia nacional de reflexão sob o lema “a luz sobre a escuridão”.
As bandeiras foram hasteadas a meio-mastro, e as autoridades pediram à população que colocasse uma vela nas janelas para homenagear as vítimas e demonstrar apoio à comunidade judaica.
“Estamos aqui juntos”, disse Roslyn Fishall, membro da comunidade judaica de Sydney. “Aproximem-se dos desconhecidos e abracem-nos. Vamos fazer a paz juntos”, afirmou à AFP, diante de um memorial improvisado na praia de Bondi.
“Trazer de volta a luz”
“São sessenta segundos arrancados do ruído da vida cotidiana, dedicados aos quinze australianos que deveriam estar hoje conosco”, declarou o primeiro-ministro Anthony Albanese, na véspera da homenagem.
“Será um momento de pausa para refletir e afirmar que o ódio e a violência nunca definirão o que é ser australiano”, acrescentou.
O premiê participou no domingo das homenagens em Bondi Beach, onde um hidroavião sobrevoou a área exibindo uma mensagem de amor à comunidade judaica.
Muitas pessoas também prestaram tributo às vítimas com atos simbólicos de lembrança.
Centenas de banhistas e surfistas entraram nas águas da praia de Bondi na sexta-feira para formar um grande círculo.
“Pessoas inocentes foram massacradas e hoje eu volto a nadar aqui, fazendo parte da minha comunidade novamente, para trazer de volta a luz”, declarou à AFP o consultor de segurança Jason Carr.
No sábado, socorristas surfistas se alinharam na orla da praia e guardaram três minutos de silêncio, alguns gritando palavras de apoio ou se abraçando.
Luta contra o ódio
O ataque provocou uma reflexão nacional sobre o antissemitismo, a indignação com a incapacidade de proteger os judeus australianos e as promessas de endurecer as leis e sanções contra o ódio, o extremismo e a posse de armas.
Albanese ordenou no domingo uma revisão dos serviços de polícia e inteligência para determinar se existiam condições adequadas “para garantir a segurança dos australianos” após o ataque em Bondi Beach.
Paralelamente à tragédia, surgiram relatos de bravura e altruísmo: banhistas desarmados que enfrentaram os agressores fortemente armados, protegendo familiares, amigos e desconhecidos, ou se expondo aos disparos para socorrer feridos.
O comerciante Ahmed al Ahmed, pai de filhos que se mudaram para a Austrália vindos da Síria há quase uma década, foi elogiado após a divulgação de um vídeo nas redes sociais que o mostrava agachado entre carros antes de tentar desarmar um dos atacantes.
Ele foi atingido por vários disparos.
O governo australiano anunciou uma série de medidas rigorosas contra a posse de armas e o discurso de ódio, prometendo leis federais mais duras e sanções mais severas.
Muitos judeus australianos criticaram as autoridades por não terem oferecido proteção suficiente antes do ataque.
“Nós nos sentimos seguros? A resposta é ‘não realmente’, para ser sincero”, disse o rabino Yossi Friedman à AFP, em um memorial floral em homenagem às vítimas.
As famílias realizaram funerais para seus entes queridos. Um dos mais comoventes foi o de Matilda, de 10 anos, a mais jovem entre as vítimas fatais, descrita durante a cerimônia como “nosso pequeno raio de sol”.
O Kremlin negou neste domingo a preparação de uma reunião do Kremlin com Kiev e Washington, em um momento em que acontecem conversações em Miami sobre a maneira de acabar com o conflito na Ucrânia.
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“Por enquanto, ninguém falou seriamente sobre essa iniciativa e, que eu saiba, não está sendo preparada”, declarou à imprensa o assessor diplomático da presidência russa, Yuri Ushakov, citado pelas agências de notícias russas.
Zelensky: apenas pressão dos EUA pode convencer Rússia a parar guerra
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou neste sábado que acredita que apenas os Estados Unidos podem persuadir a Rússia a pôr fim à guerra na Ucrânia. A declaração foi feita enquanto diplomatas se reuniam em Miami, nos Estados Unidos, para realizar novas rodadas de conversações entre Kiev e Moscou.

— Creio que essa força existe nos Estados Unidos e no presidente [Donald] Trump. E acho que não devemos buscar alternativas aos Estados Unidos. A questão que se coloca sobre todas as alternativas é se elas seriam capazes de fazer isso — declarou Zelensky à imprensa.
O dirigente ucraniano considerou que Washington deveria “exercer um pouco mais de pressão sobre a Rússia” com o objetivo de deter o conflito, iniciado com a invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022.
— Os Estados Unidos devem deixar claro que, se não houver uma via diplomática, haverá pressão total — afirmou Zelenski, citando, por exemplo, a possibilidade de fornecer mais armas à Ucrânia e ampliar as sanções para toda a economia russa.
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O presidente havia declarado anteriormente, no sábado, que Washington propôs as primeiras negociações diretas entre a Ucrânia e a Rússia em meio ano.
Por sua vez, o enviado russo Kirill Dmitriev anunciou que estava a caminho de Miami, onde já se encontram representantes ucranianos e europeus, além do enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, e do genro do presidente Trump, Jared Kushner, que atuam como mediadores.
No entanto, é improvável que Dmitriev converse diretamente com os negociadores ucranianos e europeus, dada a distância que ainda existe entre as partes.
EUA dizem ter avançado em negociações sobre guerra na Ucrânia, mas admitem que impasses centrais ainda persistem
Os Estados Unidos afirmaram nesta sexta-feira ter alcançado “progressos significativos” nas negociações diplomáticas para encerrar a guerra na Ucrânia, mas reconheceram que os impasses mais delicados ainda permanecem. Em conversa com jornalistas, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que a Casa Branca tem dedicado “uma quantidade enorme de tempo e energia” para mapear até onde Kiev e Moscou estariam dispostos a ceder, pontuando que “as questões mais difíceis costumam ficar para o final”.
Segundo ele, um eventual acordo exigirá concessões de ambos os lados e a decisão final caberá exclusivamente à Ucrânia. As declarações ocorrem no momento em que delegações ucranianas, americanas e europeias iniciavam uma nova rodada de consultas em Miami, em busca de pontos de convergência para pôr fim ao conflito.
— [Queremos] identificar as posições de ambos os lados e ver se conseguimos conduzi-los a um acordo — disse ele. — Um acordo negociado exige duas coisas: que ambos os lados obtenham algo em troca e que ambos os lados cedam algo. E estamos tentando descobrir o que a Rússia pode oferecer e o que espera receber? O que a Ucrânia pode oferecer e o que espera receber? No fim, a decisão caberá à Ucrânia, e não à Rússia, e não aos Estados Unidos.
Ele acrescentou que “não se trata de impor um acordo a ninguém”, mas sim de tentar encontrar pontos de convergência de interesses.
— Acho que fizemos progressos, mas ainda temos um longo caminho a percorrer, e obviamente as questões mais difíceis são sempre as últimas.

A América do Sul vive neste fim de ano a tensão de uma situação militar de desdobramentos imprevisíveis. Os Estados Unidos instalaram seu maior porta-aviões, submarino nuclear, dez navios e tropas perto da região. Caças americanos sobrevoam áreas a 100 quilômetros de Caracas. O governo Donald Trump nem chega a alegar que está fazendo isso para defender a democracia, lembra o embaixador Roberto Abdenur. “Ele diz claramente que quer retomar os poços de petróleo que foram desapropriados de empresas americanas em tempos anteriores”. Abdenur acha que foi importante o Brasil se oferecer como mediador, ainda que não haja qualquer possibilidade de o governo americano aceitar. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Em entrevista ao GLOBO por conta do lançamento no Brasil de seu mais recente documentário, “Seymour Hersh: em busca da verdade”, a partir desta sexta-feira (26) na Netflix, a diretora americana Laura Poitras interrompeu a conversa para elogiar o trabalho de uma de suas concorrentes diretas ao Oscar de melhor documentário: Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Dean Braxton, um homem de 68 anos do estado de Washington, nos Estados Unidos, relatou uma experiência incomum após ter ficado clinicamente morto por 105 minutos e, em seguida, retornar à vida. Em depoimento ao Daily Mail, ele afirmou que um procedimento hospitalar de rotina para a retirada de cálculos renais, realizado em 2006, evoluiu para uma grave complicação. Segundo o relato, uma infecção severa desencadeou uma parada cardíaca.
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De acordo com Braxton, as tentativas de reanimação feitas pela equipe médica não tiveram sucesso inicial. O hospital já havia iniciado os trâmites para encaminhar seu corpo ao necrotério quando, de forma inesperada, ele despertou. Após exames e laudos médicos, os profissionais confirmaram que não houve danos cerebrais e que a recuperação foi completa, apesar de o corpo ter permanecido inativo por cerca de uma hora e 45 minutos. O caso foi considerado “notável”, uma vez que, em geral, o cérebro humano sofre danos irreversíveis após cinco a dez minutos sem oxigênio. A equipe passou a chamá-lo de “Homem Milagre”.
Sensação de paz e alegria
Braxton descreveu a experiência de quase morte não como algo assustador, mas como um estado marcado por intensa alegria, paz e conforto. Segundo ele, essa vivência transformou profundamente sua forma de enxergar a vida, oferecendo-lhe uma perspectiva que definiu como “eterna”. O pastor afirmou ainda que teria sido levado a um lugar que identificou como o céu, onde disse ter encontrado parentes falecidos, anjos, Jesus e Deus.
Nesse contexto, Braxton relatou que tudo o que encontrou — a que se referiu como “criações” — transmitia uma sensação de acolhimento, incluindo árvores e animais. “Senti que tudo estava vivo, nada estava morto. Não me refiro apenas à grama do meu jardim, mas a algo vivo com inteligência”, afirmou. Ele acrescentou que o ambiente parecia ter uma atitude positiva. “Parecia que tudo tinha uma atitude — boa, não ruim — e estavam felizes por eu ter vindo”, disse.
O pastor afirmou ter sido recebido por parentes falecidos, liderados por sua avó, Mary. Segundo ele, a recepção incluiu gerações de ancestrais que nunca conheceu em vida. Braxton disse que esse encontro mudou sua percepção sobre a importância da família para Deus, mostrando-lhe que as famílias individuais têm um significado tão relevante quanto a chamada “família de Deus” como um todo. “Eu não sabia o quão importante isso era até chegar lá. Isso realmente mudou minha perspectiva sobre minha própria família”, declarou.
Uma das revelações que Braxton classificou como mais singulares foi a forma de comunicação descrita na vida após a morte. Embora houvesse fala verbal, ele afirmou que a principal interação ocorria de “pensamento a pensamento”, por meio de “imagens instantâneas”, e não de palavras. Em entrevista ao Daily Mail, explicou que, ao pensar em um objeto, como uma mesa, a imagem completa seria transmitida diretamente à mente. Para ele, esse método tornava a comunicação mais completa, imediata e sem margem para mal-entendidos.
A “borda do céu” e a ordem para voltar
Segundo o relato, Braxton disse ter se aproximado do que chamou de “borda do céu”, um lugar que não conseguiu descrever fisicamente, mas que representaria, em sua visão, o rompimento definitivo com a realidade terrena. Nesse momento, afirmou que Jesus se comunicou com ele com poucas palavras: “Ainda não é sua hora, volte”. Assim como ocorre em outros relatos de experiências de quase morte, Braxton contou que não desejava deixar aquele lugar, mas a instrução teria sido repetida três vezes.
O pastor afirmou que, antes de retornar à vida, teve a impressão de ver seu próprio corpo sem vida, cercado por familiares e enfermeiras no hospital. “Eu só me lembro do meu coração começando a bater novamente, e dos médicos vindo correndo e fazendo tudo o que precisavam. Eles não esperavam que eu sobrevivesse mesmo depois da minha volta”, recordou.
Mudança de perspectiva e ministério
Embora diga que seu corpo físico não tenha sido alterado, Braxton afirmou que a experiência transformou completamente sua visão de mundo e a mensagem de seu ministério. “Voltei uma pessoa diferente, e minha esposa teve que se adaptar porque tinha um marido completamente diferente”, relatou. Antes, segundo ele, suas decisões eram baseadas no que parecia prático ou correto. Hoje, afirma se perguntar como cada escolha impacta a eternidade. Para o pastor, quase tudo na Terra é transitório, e por isso ele diz investir seu tempo em relacionamentos pessoais e em ajudar outras pessoas a se conectarem com Deus. “Desejo desesperadamente que as pessoas conheçam Jesus por meio do meu encontro com Ele. Minhas palavras não as trazem para dentro; Jesus sim”, concluiu.
O Gran Hotel Viena, em Miramar — cidade litorânea da província de Córdoba — foi inaugurado em 1942 com 84 quartos luxuosos; um spa termal com médico, enfermeira e massagista; um salão de jantar para 200 pessoas, mobiliado com porcelana inglesa, copos de cristal e talheres de prata; além de biblioteca, sistema de aquecimento, quartos com pisos de granito e mármore, lustres de cristal, elevadores, telefone, correios, agência bancária e usina própria de energia. Hoje, após atravessar diferentes fases de abandono e uso público, funciona como museu municipal. Uma decisão judicial recente, no entanto, determinou que o imóvel seja devolvido ao seu proprietário, a empresa Wandorf, reacendendo questionamentos sobre seu destino.
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Em decisão unânime, o Tribunal de Apelações de São Francisco, em Córdoba, anulou a sentença do tribunal inferior e priorizou os direitos de registro imobiliário sobre o uso municipal. Com isso, o Município de Miramar deverá devolver imediatamente o imóvel à Wandorf Company, empresa do setor imobiliário. A medida encerra uma disputa judicial que teve início em 2010.
Origem do empreendimento
A história do hotel começou em 1936, quando Máximo Pahlke, executivo da empresa alemã Mannesmann — fabricante de tubos sem costura —, chegou à região em busca de tratamento para a psoríase do filho e a asma da filha. Com a melhora dos problemas de saúde das crianças, decidiu investir cerca de US$ 25 milhões na construção de um hotel, inicialmente em sociedade com o proprietário de um estabelecimento de hospedagem e, posteriormente, por conta própria.
Assim nasceu o Viena, nome escolhido pela esposa de Pahlke em homenagem à sua cidade natal. Em 1941, ainda em fase de construção, o hotel já recebia hóspedes. Eles chegavam de trem até Balnearia, a 12 quilômetros de Miramar, e eram levados de perua até o local. Como o veículo não possuía janelas traseiras, os passageiros recebiam capas de chuva para proteger as roupas da poeira das estradas.
O hotel contava com uma adega de 10 mil garrafas de vinho, padaria própria e depósito de conservas. As garagens tinham bombas de combustível para uso exclusivo dos hóspedes. Em frente ao edifício, havia uma grande piscina, dividida em áreas de água doce e água salgada.
No café da manhã, cada hóspede recebia um exemplar da edição do dia do jornal La Nación. Para quem desejava ir à lagoa — cuja lama era comparada à do Mar Morto —, o hotel fornecia chapéus e sapatos. A lagoa ficava a cerca de 80 metros do prédio.
Abandono e rumores
Dois anos após a inauguração, a família Pahlke deixou o hotel. O local passou então a ser cuidado pelo chefe de segurança, Martin Krugger, que mais tarde foi encontrado morto em circunstâncias consideradas misteriosas. A partir daí, surgiram diversos rumores: de que o hotel teria sido usado para lavagem de dinheiro nazista, funcionado como hospital para soldados durante a guerra ou servido de refúgio para criminosos. Há ainda relatos de que Adolf Hitler e Juan Domingo Perón teriam se hospedado no local — versões nunca comprovadas e que compõem apenas parte das muitas histórias associadas ao Viena.
Fechado por anos e administrado em dois períodos por famílias argentinas, o hotel sofreu grandes danos em 1977, quando uma enchente destruiu parte significativa de sua estrutura. À época, o imóvel já pertencia havia 13 anos à empresa Wandorf, que realizava inspeções regulares e mantinha o pagamento de impostos e taxas, embora não utilizasse o edifício.
Em 1988, o município firmou um contrato de empréstimo para evitar ocupações ilegais. Em parceria com a Associação Amigos do Gran Hotel Viena, assumiu a manutenção do prédio e passou a organizar visitas guiadas. Em 2005, o hotel foi declarado patrimônio cultural local.
Em 2010, a empresa proprietária, após constatar a existência de uma “operação turística” sem autorização, solicitou à Prefeitura o despejo dos ocupantes. De acordo com a decisão judicial, a administração municipal “nunca deixou de reconhecer a propriedade e a posse do hotel” pela empresa Wandorf.
Os juízes destacaram que “ninguém pode mudar, por si só ou com o passar do tempo, a base de sua posse” e acrescentaram que as benfeitorias realizadas no local “não demonstram posse exclusiva”. Com isso, a sentença determinou que o município desocupe o imóvel “juntamente com tudo o que foi construído, pregado, plantado e fixado ao solo ali”.
O município informou que está analisando a decisão para avaliar se existem alternativas possíveis diante da determinação judicial.

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