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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos à Cuba e disse que está preocupado com a situação do país. Em meio a tensão entre Washington e Havana, a ilha enfrenta uma grave crise energética, com o petróleo escasso, apagões recorrentes e instabilidade política.
— Estou preocupado com Cuba, muito preocupado. Cuba tem problema, mas é um problema dos cubanos, não é problema do Lula, da Claudia (Sheinbaum, presidente do México) ou do Trump. É um problema do povo cubano. Pare com esse maldito bloqueio a Cuba e deixe os cubanos viverem a vida deles. Não é possível que nós fiquemos quietos diante disso — afirmou Lula em Barcelona, durante a 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum Democracia Sempre.
O chamado bloqueio dos Estados Unidos a Cuba é, na realidade, um conjunto de sanções econômicas impostas ao regime cubano a partir de 1962, em meio à Guerra Fria, e que, embora tenha sido flexibilizado durante o governo de Barack Obama, na década passada, ainda se mantém.
Em março, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, confirmou que funcionários do governo estavam em contato com representantes dos Estados Unidos. Díaz-Canel enfatizou que as conversas com os EUA buscam “em primeiro lugar identificar quais são os problemas bilaterais que precisam de uma solução a partir da gravidade que têm”.
Donald Trump não esconde o seu desejo de uma mudança de regime em Cuba, governada pelo Partido Comunista e localizada a apenas 150 quilômetros dos EUA. Para a Casa Branca comandada por Trump, o país representa uma “ameaça excepcional”, principalmente por suas estreitas relações com a Rússia, a China e o Irã, aliados de Havana.
A situação da ilha se agravou após a ofensiva do governo Trump contra a Venezuela. Washington prendeu o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, assumiu o controle da estatal petrolífera do país e bloqueou o envio de combustível para Cuba, que dependia de Caracas como principal fornecedora de petróleo.
A escassez de diesel já obrigou o governo cubano a reduzir serviços públicos, incluindo transporte coletivo e cirurgias eletivas em hospitais, segundo relatos divulgados pela imprensa americana.
O comando central militar do Irã anunciou este sábado que retomará a “gestão rigorosa” do Estreito de Ormuz, revertendo uma decisão anterior de desbloquear essa via estratégica como parte das negociações com os Estados Unidos. Em um comunicado divulgado pela televisão estatal, o quartel-general assinalou que Washington havia descumprido uma promessa ao manter seu bloqueio a navios que navegam de e para portos iranianos.
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Enquanto os Estados Unidos não restaurarem a liberdade de movimento para todas as embarcações que visitem o Irã, “a situação no Estreito de Ormuz continuará a ser estritamente controlada”, indicou o comando militar em seu comunicado.
A reabertura do estreito tranquilizou os mercados na sexta-feira, e impulsionou o otimismo em Washington. O Irã permitiu a retomada do trânsito pela passagem marítima após a confirmação da trégua entre Líbano e Israel.
Em uma conversa telefônica com a AFP nesta sexta-feira, o presidente Donald Trump assegurou que não havia “pontos conflitivos” para concluir um acordo de paz. Ademais, disse que o Irã havia concordado em entregar seu urânio enriquecido, uma questão-chave das negociações.
O Irã, no entanto, disse que o seu urânio enriquecido não será levado a lugar nenhum. Também advertiu que, se os navios de guerra americanos interceptarem embarcações procedentes de portos iranianos, poderia fechar novamente o Estreito de Ormuz, por onde transita um quinto da produção global de petróleo e gás natural liquefeito (GNL).
“Se o bloqueio continuar, o Estreito de Ormuz não vai permanecer aberto”, escreveu o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, na rede social X. Além disso, assinalou que o trânsito por essa via marítima dependeria de autorização da República Islâmica.
Trégua sob pressão
A guerra no Oriente Médio começou em 28 de fevereiro com os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, que respondeu com lançamentos de mísseis e drones no Golfo e o fechamento desse estreito estratégico para o transporte de hidrocarbonetos.
O cessar-fogo no Líbano e a reabertura do estreito tinham marcado um avanço claro no acordo que Washington busca para acabar com sua guerra contra o Irã, depois que Teerã insistiu que os enfrentamentos no Líbano fossem incluídos na negociação. Trump disse que Washington “proibiu” Israel de continuar com seus ataques. “É suficiente”, disse, e acrescentou que os Estados Unidos vão trabalhar com o Líbano “para lidar” com o Hezbollah.
Mesmo assim, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ressaltou que a ofensiva contra o Hezbollah não havia terminado. “Ainda há coisas que planejamos fazer a respeito das ameaças dos foguetes e drones” do movimento libanês, disse Netanyahu em uma mensagem gravada.
Durante mais de um século, a múmia de um menino egípcio de oito anos permaneceu como apenas mais uma peça dentro da coleção do Museu Arquidiocesano de Wrocław (Breslávia), na Polônia, sem revelar os segredos que guardava sob sua estrutura de linho. Após uma análise científica exaustiva iniciada em 2023 pela Universidade de Breslávia, sob a direção da professora Agata Kubala, e publicada em março deste ano, uma descoberta inédita chamou a atenção da comunidade arqueológica internacional: a presença de um objeto desconhecido oculto no tórax do corpo.
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A descoberta, obtida por meio de tomografias computadorizadas e radiografias de alta resolução, levanta um mistério sobre a identidade da criança e as práticas funerárias do período ptolomaico. A peça, que chegou à Polônia em 1914 após ser adquirida pelo cardeal Adolf Bertram, foi submetida ao seu primeiro exame radiológico sistemático em 2025. A equipe de especialistas, que publicou seus resultados na revista Digital Applications in Archaeology and Cultural Heritage, utilizou técnicas digitais para explorar o interior do corpo sem a necessidade de retirar as bandagens.
Essa intervenção não invasiva permitiu determinar que o menor morreu há aproximadamente 2.000 anos e que sua mumificação seguiu os procedimentos tradicionais, como a excerebração transnasal e a retirada de órgãos internos, embora com um nível de luxo moderado que sugere uma origem social intermediária. No entanto, a maior incerteza gira em torno do objeto encontrado sobre o peito, já que as imagens processadas com software especializado sugerem que pode se tratar de um papiro contendo o nome do menino ou uma fórmula ritual de proteção para sua travessia ao além.
Outra hipótese levantada pelo site Arkeonews indica que o elemento poderia ser um amuleto, colocado estrategicamente pelos embalsamadores. Apesar da precisão dos escaneamentos, o estado de extrema fragilidade do cartonagem que recobre a criança impede qualquer acesso físico direto. Tentar remover essa camada protetora, que já apresenta danos estruturais, implicaria risco de deterioração tanto para o objeto quanto para o restante do conjunto arqueológico.
O exame radiológico sistemático permitiu explorar o interior do corpo da múmia
La Nacion
O desafio técnico é absoluto, pois os pesquisadores estão em plena exploração de metodologias seguras para analisar a natureza do achado sem comprometer a integridade da múmia. A falta de registros históricos precisos, agravada pela perda de arquivos documentais durante a Segunda Guerra Mundial, torna ainda mais difícil a reconstrução da história biográfica do menino. Embora a análise estilística do cartonagem sugira que os restos possam ter origem na região de Kom Ombo ou Assuã, no Alto Egito, não há evidências conclusivas que vinculem a criança a uma linhagem específica.
Além do objeto misterioso, a pesquisa confirmou que o processo de mumificação incluiu a presença de substâncias de embalsamamento, principalmente na região do rosto e do pescoço. Apesar dos avanços tecnológicos, a causa exata da morte do menor ainda não foi esclarecida, já que não foram identificados traumas fatais nem evidências claras de doenças nos restos ósseos analisados.
Esse cenário coloca os especialistas diante de uma questão em aberto que vai além da simples catalogação arqueológica, transformando a múmia em um testemunho das crenças e também das limitações da ciência contemporânea para desvendar os enigmas do passado. Enquanto novos protocolos de estudo são desenvolvidos, o segredo no peito do menino continuará protegido pelas bandagens que, por enquanto, a tecnologia consegue apenas observar, mas ainda não revelar.
O deputado republicano Troy Nehls, do Texas, comparou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à “segunda vinda de Jesus”, em meio ao agravamento das tensões entre a Casa Branca e o Vaticano. A declaração foi dada nesta quinta-feira, ao comentar o embate público entre Trump e o Papa Leão XIV.
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— Eu acredito que Donald Trump é “o que há de melhor”. Acho que ele é quase uma segunda vinda, na minha humilde opinião — disse Nehls a jornalistas em Washington.
Na sequência, o congressista elogiou a atuação do presidente e minimizou o conflito com o pontífice.
— Ele fez um trabalho fantástico. Tem um trabalho muito difícil. O Papa também tem um trabalho duro, com problemas na Igreja, mas Donald Trump tem o trabalho mais difícil do mundo — afirmou.
A fala ocorreu dias depois de Trump ser alvo de críticas de aliados cristãos por publicar em sua rede Truth Social uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparecia representado como Cristo. A postagem acabou apagada.
O embate entre Trump e Leão XIV se intensificou após o Papa condenar ameaças americanas relacionadas ao Irã e defender a diplomacia como saída para os conflitos. Em resposta, o presidente acusou o pontífice de interferir em temas políticos e criticou sua atuação.
Nehls é um dos mais fiéis aliados de Trump no Congresso e já havia defendido alinhamento total do Partido Republicano ao presidente em outras ocasiões.
Uma vila inteira na Irlanda está à venda por 20 milhões de euros (cerca de R$ 110 milhões, na cotação atual). O amplo espaço, de aproximadamente 80.000 mil metros quadrados, tem infraestrutura completa, com direito a spa, restaurantes e infraestrutura de luxo. Localizada no condado de Kildare, a cerca de 30 minutos de Dublin, a chamada Village at Lyons é considerada uma oportunidade rara no mercado imobiliário internacional.
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Um detalhe é que a negociação inclui toda a vila em funcionamento. O espaço, atualmente operando como um hotel cinco estrelas, reúne dezenas de acomodações distribuídas entre edifícios históricos restaurados, apartamentos e chalés independentes, num total de 47 quartos, dos quais 32 individuais.
Entre os destaques da propriedade estão estruturas de lazer e convivência. A vila conta com spa, biblioteca, pub, restaurantes e diferentes espaços voltados para entretenimento e hospitalidade, todos incluídos no pacote anunciado.
Um salão de jantar, que acomoda 100 lugares sentados e até 250 ao estilo coquetel, tem tetos altíssimos, lareira antiga, bar privativo e terraço com vista para o histórico moinho de água. Outro espaço para refeições é uma estufa vitoriana de vidro inspirada na Orangerie dos Jardins de Kew, para jantares e encontros privados, com 45 lugares para jantar e 70 para recepção com coquetéis.
A propriedade também preserva elementos históricos que remontam ao século XVIII, quando a região se desenvolveu como uma vila ligada à atividade de moinhos às margens de um canal. Ao longo do tempo, o local passou por períodos de decadência até ser restaurado e transformado em um complexo de luxo.
Além da restauração do próprio moinho, no espaço ao ar livre há lagos ornamentais e jardins paisagísticos, pátios de pedra e jardins com pomares e trilhas para caminhadas ao longo do canal. A Capela de Lyons, feita de pedra, tem vista para um lago e jardins.
O conjunto inclui ainda comodidades como sala de bilhar e áreas de eventos, além de um ambiente planejado para combinar patrimônio histórico com conforto contemporâneo. A venda, considerada incomum, oferece a possibilidade de adquirir uma vila inteira já estruturada para uso residencial, turístico ou comercial.
Anunciada pela Sotheby’s International Realty, uma corretora de imóveis de luxo, a negociação é descrita como uma oportunidade singular de adquirir um patrimônio completo, reunindo história, arquitetura e infraestrutura moderna em um único investimento.
A baleia jubarte encalhada no Mar Báltico, no norte da Alemanha, entrou em fase terminal após semanas de tentativas de resgate e agora é acompanhada apenas com medidas paliativas. Embora novas tentativas de resgate estejam sendo feitas, segundo informações do jornal Frankfurter Rundschau, autoridades e especialistas já haviam decido interromper intervenções diretas e permitir que o animal “morra em paz”. Mas o que acontece depois da sua morte? Como fica este corpo de toneladas.
Veja vídeo: Autoridades mobilizam força-tarefa de escavadeiras para resgatar baleia-jubarte encalhada na Alemanha
Depois de 10 dias de tentativas, baleia jubarte na Alemanha volta a nadar, mas encalha novamente e preocupa autoridades
Quando uma baleia morre, encalhada ou em alto mar, ela corre o risco de explodir. Por isso, há recomendações para que não se aproxime do animal, que pode lançar suas vísceras a metros de distância. Sua decomposição ocorre pela ação de bactérias, que produzem diferentes gases, como metano, sulfeto de hidrogênio e dióxido de carbono. Neste processo, se ela estiver encalhada na faixa de areia, pode produzir odores bastante fortes e desagradáveis para a população daquele litoral
Outra característica que faz com que ela se torne esta bomba-relógio é o seu couro muito grosso e resistente, que aumenta a pressão interna. Depois da explosão, a sua decomposição continua ocorrendo enquanto o mamífero boia ou ainda está encalhado. Em geral, equipes que cuidam destes animais podem recolher o corpo, se considerarem uma operação viável. Veja abaixo vídeo do momento em que uma baleia explode, em 2021, na costa da Califórnia, quando navegadores se aproximavam dela.
De acordo com o ministro do Meio Ambiente de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Till Backhaus, a baleia na Alemanha apresenta sinais claros de agravamento nesta semana, incluindo respiração cada vez mais fraca e água nos pulmões. Especialistas apontam que o animal já não responde a estímulos e está em estado extremamente comprometido.
Por que a baleia não foi salva
Relatórios técnicos elaborados por especialistas do Museu Oceanográfico Alemão e do Instituto de Pesquisa da Vida Selvagem Terrestre e Aquática (ITAW) concluíram que não havia possibilidade realista de resgate. Segundo esses estudos, qualquer tentativa adicional apenas aumentaria o sofrimento do animal, sem garantir sua sobrevivência.
A baleia, debilitada e presa em águas rasas, sofreu sucessivos encalhes, um indicativo de problemas graves de saúde. Além disso, o ambiente do Mar Báltico, com baixa salinidade e pouca profundidade, agravou seu estado físico. Tentativas como estímulos sonoros com cantos de baleias e propostas de escavação foram testadas ou avaliadas, mas sem sucesso.
Especialistas também descartaram transporte ou retirada do animal com vida, alertando que isso causaria dor extrema e alto risco de novo encalhe.
Após quase duas semanas, baleia jubarte segue encalhada e debilitada na Alemanha
Pressão pública e controvérsias
O caso gerou forte comoção na Alemanha e mobilizou protestos, ações judiciais e até tentativas individuais de resgate. Segundo o Frankfurter Rundschau, uma ativista chegou a nadar até a baleia, sendo posteriormente retirada do mar pela polícia.
Pedidos na Justiça para obrigar novas tentativas de salvamento foram apresentados, mas rejeitados por falta de base legal. Um dos grupos chegou a propor o uso de escavadeiras e até aplicação de antibióticos, mas as autoridades consideraram as medidas inviáveis e potencialmente prejudiciais.
A decisão de interromper o resgate também recebeu apoio de especialistas internacionais, incluindo o painel da Comissão Baleeira Internacional, que reforçou que novas intervenções apenas prolongariam o sofrimento do animal.
O que vai acontecer agora
Com o prognóstico considerado irreversível, o foco das autoridades passou a ser o monitoramento até os últimos momentos do animal. Segundo a NDR, a baleia segue respirando, mas com movimentos cada vez mais fracos.
Após a morte, a carcaça deverá ser retirada e levada para Stralsund, onde será submetida a autópsia por cientistas do Museu Oceanográfico Alemão. O objetivo é identificar causas do encalhe, possíveis doenças e os impactos ambientais envolvidos.
O esqueleto poderá ser preservado para fins científicos, contribuindo para pesquisas sobre encalhes e conservação de mamíferos marinhos.
Linha do tempo: do primeiro avistamento ao desfecho iminente
A baleia foi vista pela primeira vez no porto de Wismar no início de março e, desde então, percorreu diferentes pontos do litoral alemão. Em 23 de março, encalhou pela primeira vez em um banco de areia próximo a Niendorf, sendo posteriormente libertada após escavação de um canal.
Nos dias seguintes, voltou a encalhar em diferentes pontos da baía de Wismar, conseguindo se mover em alguns momentos, mas sem encontrar saída para o mar aberto. No fim de março, ficou presa definitivamente na região do lago Kirchsee, perto da ilha de Poel, onde permanece desde então.
O que se sabe até agora
Especialistas afirmam que a baleia não pertence ao Mar Báltico e provavelmente se perdeu ao seguir cardumes de peixes ou devido à desorientação causada por ruídos subaquáticos. O ambiente da região, com baixa salinidade e pouca profundidade, é considerado inadequado para a espécie.
Há indícios de que o animal tenha sofrido ferimentos por hélice de embarcação e também se envolvido com redes, o que pode ter agravado seu estado.
Apesar das tentativas iniciais de resgate, o quadro evoluiu para um estágio irreversível. A decisão de interromper as ações foi baseada em critérios científicos e no princípio de evitar sofrimento adicional.
Neste momento, segundo a cobertura da NDR e do Frankfurter Rundschau, resta apenas acompanhar os últimos momentos do animal, em um caso que se transformou em símbolo de comoção pública, e também dos limites do resgate de grandes mamíferos marinhos em condições extremas.
Teerã ameaçou, neste sábado (18), fechar o Estreito de Ormuz se os Estados Unidos mantiverem o bloqueio dos portos iranianos, horas depois que a passagem marítima foi reaberta.
A reabertura do estreito tranquilizou os mercados na sexta-feira, e impulsionou o otimismo em Washington. O Irã permitiu a retomada do trânsito pela passagem marítima após a confirmação da trégua entre Líbano e Israel.
Em uma conversa telefônica com a AFP nesta sexta-feira, o presidente Donald Trump assegurou que não havia “pontos conflitivos” para concluir um acordo de paz. Ademais, disse que o Irã havia concordado em entregar seu urânio enriquecido, uma questão-chave das negociações.
– Vamos conseguir isso (recuperar o ucrânio enriquecido) entrando no Irã, com muitas escavadeiras – disse Trump durante um discurso para apoiadores do movimento conservador Turning Point USA em Phoenix, Arizona.
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O Irã, no entanto, disse que o seu urânio enriquecido não será levado a lugar nenhum. Também advertiu que, se os navios de guerra americanos interceptarem embarcações procedentes de portos iranianos, poderia fechar novamente o Estreito de Ormuz, por onde transita um quinto da produção global de petróleo e gás natural liquefeito (GNL).
“Se o bloqueio continuar, o Estreito de Ormuz não vai permanecer aberto”, escreveu o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, na rede social X. Além disso, assinalou que o trânsito por essa via marítima dependeria de autorização da República Islâmica.
– O que eles chamam de bloqueio naval terá definitivamente a resposta apropriada do Irã. Um bloqueio naval é uma violação do cessar-fogo – disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei.
As notas conflitantes chegam em um dia classificado por Trump de “GRANDE E BRILHANTE”, com uma série de publicações nas redes sociais nas quais ele elogiou o Paquistão, mediador das negociações, e os aliados do Golfo.
Em sua entrevista telefônica com a AFP, Trump falou sobre o acordo, que “parece que vai ser algo muito bom para todos”. E, ao ser perguntado sobre quais questões espinhosas ainda estavam pendentes, respondeu:
– Não há pontos conflitantes, absolutamente nenhum.
A guerra no Oriente Médio começou em 28 de fevereiro com os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, que respondeu com lançamentos de mísseis e drones no Golfo e o fechamento desse estreito estratégico para o transporte de hidrocarbonetos.
Preços do petróleo caem
As cotações do petróleo já haviam cedido diante da esperança de uma solução negociada para o conflito, e a queda se acelerou nesta sexta. As ações, por outro lado, subiram, na medida em que os investidores se deixavam contagiar pelo otimismo.
Na noite desta sexta-feira, os Estados Unidos emitiram outra isenção que permite a venda de petróleo russo e produtos derivados que já estão carregados nos navios, uma medida que pressionará para baixo os preços do petróleo enquanto o abastecimento é retomado.
O cessar-fogo no Líbano e a reabertura do estreito marcaram um avanço claro no acordo que Washington busca para acabar com sua guerra contra o Irã, depois que Teerã insistiu que os enfrentamentos no Líbano fossem incluídos na negociação.
Nesse país árabe, famílias deslocadas buscam retornar a seus lares no bombardeado sul de Beirute nestes dez dias de trégua.
– Nossos sentimentos são indescritíveis, orgulho e vitória – disse à AFP Amani Atrash, de 37 anos, que espera que o cessar-fogo continue.
Trump, por sua vez, disse que Washington “proibiu” Israel de continuar com seus ataques. “É suficiente”, disse, e acrescentou que os Estados Unidos vão trabalhar com o Líbano “para lidar” com o Hezbollah.
Trégua sob pressão
Não obstante, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ressaltou que a ofensiva contra o Hezbollah não havia terminado. “Ainda há coisas que planejamos fazer a respeito das ameaças dos foguetes e drones” do movimento libanês, disse Netanyahu em uma mensagem gravada.
Já o Líbano assinalou que está trabalhando em “um acordo permanente” com Israel após o cessar-fogo, segundo o presidente Joseph Aoun. É “uma fase de transição (…) para trabalhar em um acordo permanente que proteja os direitos de nosso povo”, acrescentou.
Segundo os termos do cessar-fogo, Israel se reserva o direito de continuar apontando sua mira para o Hezbollah para evitar “ataques planejados, iminentes ou em curso”, e manterá uma zona de segurança de 10 km na fronteira entre os dois países.
Em contrapartida, o grupo islamista advertiu que está com o “dedo no gatilho” caso Israel viole a trégua.
Às 13h24m59s no horário padrão central dos EUA do dia 19 de dezembro de 1972, o módulo de comando da Apollo 17 amerissou no Oceano Pacífico, a cerca de 350 milhas náuticas a sudeste de Samoa, encerrando a última missão tripulada americana à Lua.
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Durante sua carreira, o comandante da Apollo 17, Eugene A. Cernan, registrou 566 horas e 15 minutos no espaço, das quais mais de 73 horas foram passadas na superfície da Lua. Cernan foi o segundo americano a caminhar no espaço e a última pessoa a deixar suas pegadas na superfície da Lua.
A conclusão da jornada da Apollo 17 marcou não apenas o fim de uma missão, mas o fim de uma era. Entre 1969 e 1972, 12 astronautas caminharam na Lua em seis pousos distintos. Meio século depois, a Nasa retorna à Lua com seu programa Artemis. Para a missão Artemis II, que foi lançada no dia 1º de abril de 2026, quatro astronautas fizeram um sobrevoo do lado oculto da Lua dentro de uma cápsula tripulada – a Órion.
Mais de 50 anos é um longo intervalo, e é natural perguntar: se os americanos conseguiam chegar à Lua rotineiramente no início da década de 1970, por que demoraram tanto para tentar voltar?
A resposta não é simples. Tem pouco a ver com tecnologia e muito mais com a forma como a política, o dinheiro e o apoio global funcionam. O ponto de partida é o próprio programa Apollo: seu modelo de exploração não foi construído para durar, e claramente não era sustentável.
Em 25 de maio de 1961, perante uma sessão conjunta do Congresso americano, o presidente John F. Kennedy comprometeu os EUA com a meta de levar um homem à Lua e trazê-lo de volta em segurança à Terra antes do fim daquela década.
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Após o assassinato de Kennedy em 1963, o presidente Lyndon B. Johnson garantiu que essa meta de pouso na Lua fosse cumprida. Mas os custos crescentes da Guerra do Vietnã e das reformas internas reduziram o interesse em novos investimentos espaciais.
Na verdade, o orçamento da Nasa atingiu seu pico em 1966 e começou a cair mesmo antes do sucesso do programa Apollo, prejudicando as perspectivas de uma exploração sustentável. O financiamento adicional foi rechaçado, missões planejadas foram canceladas e o programa Apollo chegou ao fim em 1972 – não porque tivesse fracassado, mas porque havia cumprido sua missão.
A exploração sustentável (tanto no espaço quanto na Terra) requer um compromisso político estável, financiamento previsível e um objetivo claro de longo prazo. Após o Apollo, os EUA tiveram dificuldades para manter esses três aspectos simultaneamente.
Os formuladores de políticas começaram a questionar qual direção a Nasa deveria tomar a seguir. Em 1972, o então presidente Richard Nixon instruiu a agência espacial a iniciar a construção do ônibus espacial. Isso levaria a Nasa a mudar seu foco da exploração do espaço profundo para operações na baixa órbita terrestre.
Divulgado como um “caminhão espacial” reutilizável, o ônibus espacial tinha como objetivo tornar o acesso à órbita da Terra algo rotineiro e relativamente barato. Mas ele acabaria se revelando um veículo de incrível complexidade, marcado por falhas técnicas e tragédias humanas – os acidentes com o Challenger e o Colúmbia, nos quais 14 astronautas perderam a vida.
Oito anos após o início do programa do ônibus espacial, alguns integrantes da comunidade aeroespacial acreditavam que era hora dos EUA voltarem a mirar a Lua – e a perspectiva tentadora de um pouso em Marte. Em 20 de julho de 1989, no 20º aniversário do primeiro pouso lunar da Apollo 11, o presidente George H.W. Bush anunciou a Iniciativa de Exploração Espacial (SEI).
O plano visava um compromisso de longo prazo para construir a Estação Espacial Freedom, levar astronautas de volta à Lua “para ficar” e, finalmente, enviar humanos ao planeta vermelho. Mas os altos custos estimados da SEI, que chegavam a centenas de bilhões de dólares, levaram ao seu fracasso. O fraco apoio no Congresso, juntamente com outros fatores, levou ao seu cancelamento durante o governo do presidente Bill Clinton.
Durante a década de 1990, o projeto da Estação Espacial Internacional (ISS) consolidou a baixa órbita terrestre como prioridade para a exploração humana. O ônibus espacial foi o meio utilizado pelos EUA para construir a estação e transportar tripulações de e para o posto avançado em órbita.
A ISS tornou-se um símbolo de cooperação científica internacional e de proeza técnica. As experiências realizadas na estação geraram insights valiosos em tudo, desde a pesquisa médica até a ciência de materiais. Mas também consumiram recursos que, de outra forma, poderiam ter apoiado a exploração do espaço profundo.
O desastre do Colúmbia em 2003 – no qual o ônibus espacial se desintegrou sobre o Texas, causando a morte de toda a tripulação – levou a uma nova reflexão sobre a direção da exploração espacial nos Estados Unidos. Como resultado, o presidente George W. Bush anunciou a Visão para a Exploração Espacial.
O objetivo dessa proposta, que daria origem ao que ficou conhecido como Programa Constellation, era reconstruir a capacidade da Nasa de chegar à Lua, tendo Marte como meta de longo prazo. Mas análises independentes alertaram que os custos e cronogramas eram irreais. O Congresso americano nunca deu apoio financeiro total ao Constellation, levando ao seu cancelamento em 2010, durante a Presidência de Barack Obama.
Esse ciclo repetido de projetos espaciais cancelados expõe algumas limitações inerentes ao sistema de financiamento da exploração lunar. Um programa lunar sustentável precisa de um forte compromisso multissetorial e de mecanismos para garantir financiamento por várias décadas. Mas programas de tal magnitude precisam competir anualmente com gastos com defesa, saúde e assistência social. A rotatividade eleitoral e as mudanças na liderança das comissões nos EUA enfraquecem ainda mais a perspectiva de continuidade.
A exploração lunar também tem sofrido com uma questão estratégica não resolvida: por que voltar, afinal? O objetivo do programa Apollo era em grande parte geopolítico e, após a Guerra Fria, nenhuma justificativa igualmente convincente realmente surgiu.
Os retornos científicos das missões espaciais tripuladas são limitados em comparação com a exploração robótica. As perspectivas comerciais permanecem incertas, e o prestígio por si só raramente sustenta ou garante grandes orçamentos.
Talvez uma pergunta mais adequada seja: por que o Artemis parece ter escapado desse padrão? Bem, a Nasa argumenta que enviar astronautas de volta à superfície lunar – e, em particular, estabelecer uma presença sustentada lá – ajudará os pesquisadores a aprender “como viver e trabalhar em outro mundo enquanto nos preparamos para missões tripuladas a Marte”. Isso é verdade, até certo ponto.
A Nasa também enfatiza que o Artemis é construído por meio de parcerias comerciais e cooperação internacional, criando a primeira presença humana de longo prazo na Lua.
O programa parece situar-se numa interseção cuidadosamente elaborada entre a liderança do governo dos EUA, as capacidades de lançamento comercial e uma ampla coalizão de parceiros internacionais reunidos sob os Acordos Artemis. Os acordos são um conjunto de princípios comuns relativos ao uso da Lua e de outros alvos no espaço sideral, acertados entre os EUA e outros países.
A principal diferença em relação às promessas anteriores de retornar à Lua é que isso, pelo menos em teoria, distribui o risco e amplia a base de apoio político. Na prática, porém, o Artemis continua sendo caro e está exposto a mudanças nos orçamentos e nas prioridades.
Há também uma dimensão cultural nessa questão. O programa Apollo criou um mito poderoso – embora frágil – de avanço tecnológico rápido e heroico. O Artemis está construindo sua ampla base tecnológica em sociedades e contextos democráticos onde investimentos e compromissos tendem a evoluir lentamente, moldados por negociações, acordos e interesses concorrentes.
Uma tentativa incomum de contato direto com Donald Trump partiu do entorno do ex-presidente cubano Raúl Castro, cujo neto recorreu a um empresário de Havana para entregar pessoalmente uma carta à Casa Branca fora dos canais diplomáticos tradicionais, mas o mensageiro foi detido ao chegar aos Estados Unidos e a operação foi interrompida, segundo informações publicadas pelo Wall Street Journal (WSJ), com base em um funcionário atual e um ex-funcionário do governo americano. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
No mesmo dia em que anunciou a reabertura do Estreito de Ormuz, ainda longe da liberdade de navegação vista antes do início da guerra, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que um acordo com o Irã está muito perto, e que Teerã concordou com todas suas demandas sobre o programa nuclear. Termos amplos, ousados e que, caso implementados, seriam uma derrota colossal e existencial para a República Islâmica.
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Em entrevista à rede News Nation, o presidente disse que os iranianos “concordaram com tudo”, se referindo ao enriquecimento de urânio, e que não estava surpreso com a concessão. Ele repetiu a alegação à agência Bloomberg, acrescentando que a suspensão das atividades nucleares seria por prazo indeterminado. Esse é um dos objetivos apresentados por ele e seus aliados para a guerra.
No Truth Social, sua rede social que também serve como Diário Oficial, disse que iria “recuperar a poeira nuclear”, uma referência confusa aos 440 kg de urânio enriquecido a graus mais elevados, como 60%, em instalações iranianas. À agência Reuters, afirmou que a retirada ocorreria “em parceria com o Irã”, e que o material seria levado aos EUA. Para completar a “volta olímpica”, garantiu que não haverá qualquer tipo de contrapartida aos iranianos, negando uma informação divulgada nesta sexta-feira pelo portal Axios sobre um pagamento de US$ 20 bilhões para facilitar um consenso.
“ESSE É UM DIA GRANDIOSO E BRILHANTE PARA O MUNDO!”, bradou no Truth Social, acrescentando que novas conversas podem acontecer “em um ou dois dias” no Paquistão, país que atua como mediador.
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Pouco depois da maratona midiática trumpista, representantes de Teerã disse que não era bem assim. À agência Reuters, um membro do governo disse que “nenhum acordo foi obtido quanto aos detalhes de questões nucleares”. Ao mesmo tempo, expressou otimismo quanto a um acerto preliminar, de forma a “criar espaço para mais negociações sobre o levantamento das sanções contra o Irã e a garantia de indenização por danos de guerra”.
— Em troca, o Irã fornecerá garantias à comunidade internacional sobre a natureza pacífica de seu programa nuclear — declarou o representante iraniano à Reuters. — [Qualquer outra] narrativa sobre as negociações em curso é uma deturpação da situação.
Esmail Baghaei, porta-voz da Chancelaria iraniana, negou a transferência do urânio enriquecido.
— Transferir urânio para os Estados Unidos não é uma opção. Assim como o solo iraniano é sagrado, o urânio enriquecido também o é — disse à agência Tasnim.
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No livro que define seu ethos empresarial e político, “A Arte da Negociação”, de 1987, Trump diz que “almeja muito alto e continua insistindo, insistindo e insistindo até conseguir o que quer”. Ele já aplicou essa norma em seus dois mandatos,com alguns sucessos , mas ao anunciar a total submissão iraniana pode ter dado um passo ousado demais.
Desde o começo do século, quando surgiram evidências sobre planos para uma possível militarização do programa nuclear iraniano — que antecede a República Islâmica —, Teerã jamais cogitou abrir mão de seu direito a atividades atômicas. Uma fatwa (decreto religioso) emitida pelo antigo líder supremo, Ali Khamenei, vetava o uso e desenvolvimento de armas de destruição em massa. Mesmo quando o Irã se sentou à mesa e aceitou controles externos, como no acordo de 2015, o desmantelamento de centrífugas, reatores e instalações análogas nunca esteve em pauta.
— Na minha opinião, o programa nuclear do Irã é um meio para um fim: o país quer ser reconhecido como uma potência regional, acredita que o conhecimento nuclear traz prestígio e poder — disse, em 2003, o então chefe da Agência Internacional de Energia Atômica Mohamed el-Baradei.
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Dez anos depois, Hassan Rouhani, presidente que firmou o acordo de 2015, rasgado por Trump, escreveu no jornal Washington Post que o domínio do ciclo nuclear significava a diversificação “de nossos recursos energéticos” e a definição “de quem somos como nação iraniana”. Em 2022, Ebrahim Raisi, sucessor de Rouhani, disse que não recuaria “nem um iota nos direitos nucleares do povo iraniano”, ao mesmo tempo em que acelerava o enriquecimento de urânio. Em comum, os dois — assim como o establishment político — garantiam que o país não busca uma arma nuclear.
— O líder religioso de uma sociedade não pode mentir — disse o atual presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, se referindo à fatwa de Khamenei, dois dias antes do início da guerra. — Quando ele anuncia que não teremos armas nucleares, significa que não as teremos. Mesmo que eu quisesse, não posso, por causa das minhas crenças.
Antes da guerra, protestos ligados às condições de vida da população evoluíram para atos contra a República Islâmica, e a repressão deixou dezenas de milhares de mortos. No final de fevereiro, a ofensiva de americanos e israelenses impôs duros golpes às Forças Armadas e causou estragos bilionários à infraestrutura e à economia. A transição na cúpula do poder, motivada pelas mortes de lideranças como Ali Khamenei, tampouco afastou o ódio de boa parte dos iranianos ao sistema moldado pela Revolução Islâmica de 1979.
Neste cenário, abrir mão do programa nuclear, atendendo a todas as demandas de Trump, soaria como uma derrota existencial para o regime, colocando ganhos estratégicos, como o fechamento do Estreito de Ormuz, em xeque, e fortalecendo uma percepção de fragilidade. Afinal, como explicar que, quase cinco décadas depois da queda da monarquia pró-Ocidente, o “Grande Satã” venceu?
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No passado, muitas das alegações de Trump não se confirmaram. Seus recuos, ironizados na sigla Taco (algo como “Trump sempre amarela”) se acumularam na atual guerra, como na ameaça que fez contra toda a civilização iraniana, na semana passada. Pelas declarações de diplomatas envolvidos nas negociações, um acordo final mencionará o programa nuclear iraniano, mas em termos menos maximalistas do que desejam a Casa Branca, Israel ou o lobby anti-Irã em Washington. Um potencial desfecho já previsto na “Arte da Negociação” do republicano.
“Às vezes, me contento com menos do que buscava, mas, na maioria dos casos, acabo conseguindo o que quero.”

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