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Segundo participantes do mercado, a China continua restringindo o fornecimento de elementos de terras-raras que os EUA precisam para produzir seus próprios ímãs permanentes e outros produtos, mesmo após o presidente Donald Trump ter chegado a um acordo com seu homólogo chinês em outubro para suspender as restrições ao fornecimento.
Mais de uma dúzia de consumidores, produtores, funcionários do governo dos EUA e especialistas em comércio afirmaram que, embora a China tenha aumentado as entregas de produtos acabados — principalmente ímãs permanentes —, a indústria americana continua sem conseguir adquirir os insumos necessários para fabricar esses itens por conta própria, uma prioridade fundamental para o governo. As pessoas pediram para não serem identificadas por estarem discutindo assuntos que não são públicos.
A redução do comércio evidencia as tensões persistentes na relação entre os EUA e a China nos meses que se seguiram ao acordo firmado entre Trump e Xi Jinping na Coreia do Sul, em 30 de outubro, no qual os EUA reduziram as tarifas e a China se comprometeu a restabelecer o fornecimento de terras-raras. Na ocasião, Trump afirmou que o acordo equivalia à “remoção de fato” de uma série de restrições impostas pela China.
Ao restringir o fornecimento de matérias-primas, a China está prejudicando os esforços dos EUA para construir sua própria indústria de processamento de terras-raras em ímãs usados ​​em tudo, desde bens de consumo até sistemas de orientação de mísseis. O governo Trump tornou o desenvolvimento da capacidade de produção nacional de ímãs permanentes e outros produtos de terras-raras uma prioridade fundamental, após a China ter passado anos construindo um monopólio global.
A Casa Branca não respondeu ao pedido de comentário para esta matéria. Autoridades do governo afirmaram nas últimas semanas que a China está cumprindo os termos do acordo sobre o fornecimento de terras-raras.
Dados oficiais chineses divulgados em 20 de dezembro mostraram que o fornecimento de ímãs para os EUA caiu 11% em novembro em relação ao mês anterior, mas permanece acima dos níveis mais baixos observados quando Pequim restringiu as importações em abril. No geral, as exportações chinesas de elementos e produtos de terras-raras — incluindo ímãs — aumentaram 13% em novembro em relação ao mês anterior, segundo cálculos da Bloomberg com base em dados alfandegários oficiais .
Um porta-voz do Ministério do Comércio da China afirmou na quinta-feira que a flutuação nos dados comerciais mensais é “normal”, acrescentando que o país está empenhado em manter a estabilidade das cadeias de suprimentos globais. Pequim já declarou ter aprovado alguns pedidos de exportação de terras-raras, mas continua restringindo o fornecimento a fornecedores militares.
Exportações chinesas de ímãs de terras-raras para os EUA se recuperam | Fornecimento de ímãs para os EUA se recuperou após limites impostos em abril de 2025
Representantes do setor e participantes do mercado afirmaram que a realidade é diferente para os players dos EUA.
“As pessoas não estão conseguindo materiais da China, você não consegue metal ou óxido de disprósio se for uma empresa americana”, disse Scott Dunn, CEO da Noveon Magnetics Inc., em entrevista, citando seus contatos com outras pessoas do setor. A Noveon é uma das poucas fabricantes americanas de ímãs permanentes. A empresa não compra insumos de terras-raras da China, mas Dunn disse que alguns de seus clientes compram.
“Fora da China, o mundo consegue produzir 50 mil toneladas de ímãs, mas não existe nem de perto o equivalente em minerais de terras-raras para sustentar essa produção fora da China”, disse Dunn. “A China restringe o uso de materiais muito além das restrições impostas aos ímãs para manter essa dinâmica.”
Sem dúvida, o relaxamento das restrições por Pequim a produtos como ímãs feitos de terras-raras eliminou, por ora, o risco de que indústrias consumidoras, como a automobilística e a de tecnologia, tivessem que interromper a produção, de acordo com Gracelin Baskaran, diretora do programa de segurança de minerais críticos do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington.
“Como importamos mais adiante na cadeia de suprimentos, as empresas não sentem essa interrupção da mesma forma”, disse ela. “Como importamos mais ímãs, o impacto é muito menor.”
As exportações chinesas dessas matérias-primas aumentaram desde o ano passado, mas os EUA não registraram um crescimento semelhante, segundo dados do governo. A estagnação para as empresas americanas persiste mesmo após a União Europeia ter anunciado, em 15 de dezembro, que a China começou a conceder licenças com prazos mais longos para permitir que empresas europeias obtenham terras-raras.
Os Estados Unidos e a China ainda não chegaram a um acordo sobre detalhes cruciais de como Pequim irá liberalizar a venda de terras-raras, segundo uma pessoa familiarizada com as negociações. A Bloomberg News noticiou no mês passado que ambos os lados haviam dado às suas equipes até o final de novembro para concordarem com os termos das chamadas “licenças gerais” para exportação. Isso deixou os participantes do mercado preocupados com a possibilidade de o acordo ruir.
“Chegamos a vários acordos temporários em Londres, Genebra e Coreia do Sul, mas eles foram descumpridos”, disse Baskaran. “Portanto, nenhum acordo até agora se mostrou definitivo, o que gera um nível de apreensão justificado no setor.”
Leia mais: EUA adiam novas tarifas sobre chips chineses em meio à trégua entre Trump e Xi.
O iminente vencimento das licenças temporárias de exportação de seis meses, aprovadas pela China no início do verão, também significa que as empresas americanas buscarão renovações simultaneamente, o que pode criar um acúmulo de pedidos. Os compradores temem que a China, como fez em maio e junho, possa atrasar as aprovações — uma medida que os participantes do setor consideram uma forma de controle de exportação.
“Em conversas com advogados chineses, a recomendação é prosseguir com os pedidos de licença antes que a suspensão expire”, disse Mark Ludwikowski, presidente da área de comércio internacional da Clark Hill. “Eles podem desistir a qualquer momento se a situação piorar.”
A Promotoria da Coreia do Sul solicitou neste mês uma pena de 10 anos de prisão contra o ex-presidente Yoon Suk Yeol, em razão de atos relacionados à fracassada declaração de lei marcial decretada por ele no ano passado.
Em 3 de dezembro de 2024, Yoon suspendeu temporariamente o regime civil no país, uma medida inédita em mais de quatro décadas, o que desencadeou protestos em massa e um confronto político no Parlamento sul-coreano.
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Desde que foi destituído do cargo em abril, por decisão do Tribunal Constitucional, o ex-presidente passou a responder a diversos processos judiciais ligados à decretação da lei marcial.
Os promotores pedem a condenação por crimes que incluem obstrução à Justiça, alegando que Yoon teria excluído ministros do gabinete de uma reunião decisiva sobre a medida e, em janeiro, impedido o trabalho de investigadores responsáveis pelo caso.
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A expectativa é que um tribunal de Seul profira a sentença no próximo mês, segundo informou a agência de notícias Yonhap.
Yoon afirmou, à época, que a declaração da lei marcial era necessária para combater o que classificou como “atividades pró-China, pró-Coreia do Norte e traidoras”.
O governo da Venezuela libertou, na quinta-feira de Natal (25), 99 pessoas que haviam sido detidas durante os protestos contra a reeleição do presidente Nicolás Maduro, em 2024. A informação foi divulgada pelo Ministério do Serviço Penitenciário.
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Em comunicado, a pasta afirmou que a decisão foi tomada após uma análise individual de cada caso pelo governo nacional e pelo sistema de Justiça. Segundo o texto, foram concedidas medidas cautelares “conforme a lei”, o que possibilitou a libertação dos detidos.
Ainda de acordo com o ministério, a iniciativa é apresentada como uma demonstração do “compromisso do Estado com a paz, o diálogo e a justiça”, em meio às críticas e questionamentos que cercaram o processo eleitoral e a repressão às manifestações.
No Tribunal de Crimes de Guerra de Nuremberg, em outubro de 1946, Albert Speer adotou uma estratégia distinta da maioria dos líderes do regime derrotado. Em vez de alegar obediência cega a ordens, procurou se distanciar de Adolf Hitler, aceitando desde o início uma responsabilidade coletiva pelos crimes cometidos pelo nazismo. A postura ajudou a diferenciá-lo no julgamento que levou à condenação de 21 réus por atrocidades que incluíam o recém-definido crime de genocídio.
Naquele 16 de outubro de 1946, dez dirigentes nazistas foram executados. Outros nomes centrais do regime, como Hermann Göring, enfrentaram o tribunal sem demonstrar arrependimento. Já figuras como Heinrich Himmler e Joseph Goebbels haviam se suicidado. Speer, arquiteto pessoal de Hitler e depois ministro do Armamento, saiu condenado a 20 anos de prisão — pena que cumpriu integralmente.
Após deixar a prisão de Spandau, em 1966, Speer iniciou uma cuidadosa reconstrução de sua imagem. Tornou-se presença frequente na imprensa internacional e lançou o best-seller Inside the Third Reich, no qual se apresentou como um tecnocrata alheio às decisões políticas mais brutais do regime. A narrativa lhe rendeu o rótulo de “bom nazista”, amplamente difundido no debate público do pós-guerra.
Em entrevista à BBC em 1970, Speer classificou Hitler como “uma das pessoas mais perversas da história”, mas insistiu que o ditador também tinha “lados humanos”, argumento que, segundo ele, serviria de alerta para o futuro. Para o ex-ministro, o perigo estaria em imaginar que líderes autoritários só se apresentam de forma caricata.
Historiadores, no entanto, questionam essa versão. Speer afirmou em Nuremberg que só tomou conhecimento do extermínio em massa de judeus durante o julgamento. Documentos e depoimentos posteriores indicam que ele participou — direta ou indiretamente — de reuniões em que o tema foi tratado de forma explícita. Para a historiadora Heike Görtemaker, o caso de Speer revela um padrão: “Uma nova entrevista, um novo livro, uma nova história”.
Como ministro do Armamento a partir de 1942, Speer comandou um setor vital para o esforço de guerra alemão e utilizou mão de obra forçada em larga escala. Milhões de trabalhadores compulsórios foram empregados em fábricas, minas e pedreiras sob sua supervisão. No tribunal, ele atribuiu a responsabilidade direta a subordinados, estratégia que ajudou a reduzir sua pena e contribuiu para a execução de Fritz Sauckel, então encarregado oficial do recrutamento de trabalhadores.
Speer morreu em 1981, aos 76 anos, em Londres, após sofrer um derrame, pouco depois de lançar mais um livro sobre o regime nazista. Àquela altura, novas revelações sobre sua vida pessoal e profissional reforçavam a percepção de duplicidade. Grande parte de sua arquitetura monumental, projetada para um Reich de “mil anos”, havia sido destruída. Restaram ruínas e museus que hoje funcionam como alerta histórico.
“Os russos foram à nossa escola, pegaram crianças de 5 a 17 anos e nos levaram a um lugar desconhecido, que mais tarde descobrimos ser um campo para órfãos”, afirmou Artem, um jovem morador de Kharkiv, de 16 anos, descrevendo o local onde foi mantido por em condições precárias e sob ameaça constante.
— Toda vez que falava em ucraniano, me mandavam falar em russo — disse em depoimento à ONG Bring Kids Back, que trabalha pelo retorno dos menores ucranianos ao país. — Todas as manhãs, nos davam a letra do hino russo para cantar, mas eu rasgava o papel. Eles ainda ameaçavam me mandar para uma família adotiva na Rússia.
Artem, liberado seis meses depois, foi um dos cerca de 20 mil menores ucranianos retirados dos braços de suas famílias pelas forças russas e enviados para escolas, acampamentos e outras instituições desde o início da invasão ordenada por Vladimir Putin, em fevereiro de 2022. Desses, menos de 2 mil retornaram para casa.
— Quando as crianças são repatriadas para a Ucrânia, elas ficam em estado de choque. Elas não conseguem entender as circunstâncias ao seu redor. Disseram a elas que a Ucrânia não se importa com elas. Que o país está destruído, que não existe mais. E, de repente, elas voltam para Kiev e veem que é uma cidade perfeitamente funcional — disse ao GLOBO Hratche Koundarjian, chefe de comunicações da ONG War Child, que presta apoio a crianças e adolescentes em áreas de conflito.
Repetindo um enredo de guerras passadas, os menores são as maiores vítimas das armas, e no caso ucraniano o impacto consegue ir além da violência que deixou quase 600 crianças e adolescentes mortos e dezenas de milhares feridos. A própria Rússia alega que “abrigou” até 700 mil menores, mas que o fez para garantir a segurança deles. Em 2023, o Tribunal Penal Internacional emitiu uma ordem de prisão contra Putin e Maria Lvova-Belova, comissária para os Direitos da Criança da Federação Russa. A medida apenas fez com que o líder russo reduzisse suas viagens ao exterior, escolhendo países onde não seria preso, como a China e os Estados Unidos.
O governo ucraniano trata o tema como existencial. O presidente Volodymyr Zelensky, em paralelo aos seus apelos por armas e verbas, tenta extrair de líderes aliados gestos de apoio e promessas de pressão sobre Moscou. Em reunião recente com o Papa Leão XIV, no Vaticano, agradeceu o apoio da Santa Sé na questão. Dias antes, uma resolução patrocinada por Kiev e outros 27 países foi aprovada pela Assembleia Geral da ONU, na qual exigia o retorno imediato e incondicional das crianças. O texto passou com o apoio de 91 países, com 12 votando contra e 57 abstenções, incluindo a do Brasil.
— O que estamos testemunhando, portanto, não é apenas uma tragédia envolvendo algumas crianças, mas uma violação do direito internacional — disse a presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, citando o Artigo 49 da Quarta Convenção de Genebra, que veta a transferência forçada de civis de áreas ocupadas em tempos de guerra.
Na versão inicial de um plano de paz apresentado pela Casa Branca, no mês passado, a “reunificação familiar” seria relegada a uma comissão que discutirá o tema posteriormente. Termos similares aos de uma proposta alternativa apresentada pelos europeus.
— Precisamos de um mecanismo verificável, que não dependa apenas da Rússia, mas que conte com outros governos e organismos internacionais autorizados a entrar na Ucrânia ocupada, ou na própria Rússia, para contatar diretamente essas crianças de forma contínua para garantir seu bem-estar e segurança. No momento, não temos isso — diz Koundarjian.
A Rússia já sinalizou que não aceitará ultimatos.
— Embora a Europa expresse a vontade de que essas crianças voltem para casa, para seus pais, ela não está disposta a assumir riscos de uma escalada do conflito com a Rússia. Mas para a Ucrânia não há escalada, ela já está em uma guerra pela própria existência — disse ao GLOBO Kai Lehmann, professor de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP).
Kira, com 11 anos quando a invasão começou, por pouco não se tornou mais uma criança levada a um outro país contra sua vontade. Durante um bombardeio em Mariupol, viu o pai morrer na sua frente, e acabou em um hospital militar russo, sozinha.
— Eles (russos) me disseram que se ninguém viesse me buscar, me mandariam para um lugar remoto, um orfanato, na Rússia — revelou a jovem, de 14 anos, à Bring Kids Back.
No depoimento, se disse tão abalada que esqueceu, por mais de uma semana, que tinha um telefone celular. Quando conseguiu recarregá-lo, ligou para seu avô — que cuidava dela após a morte de sua mãe, quando ainda era bebê — e ele a buscou em um hospital de Donetsk, de fato sob poder russo desde 2014. Em um desabafo, afirmou que os russos tiraram dela “sua infância, sua cidade e seu pai”.
— O risco de impunidade é elevado, e quanto mais tempo levar para recuperar essas crianças que foram levadas ilegalmente para a Rússia, mais difícil será devolvê-las para seus pais e para a Ucrânia — afirma Lehmann. — Elas estão indo para a escola, sendo “russificadas” a cada dia, e isso faz com que uma repatriação seja mais complicada.
Em setembro, um relatório do Laboratório de Pesquisa Humanitária da Universidade Yale apontou para 210 instalações na Rússia e nos territórios ocupados para onde as crianças ucranianas foram levadas. Mais da metade dos menores — 62% — passou por atividades de “reeducação”, e 18% foram incluídos em programas militares. Em depoimento ao Congresso dos EUA, uma representante de Kiev disse que há pelo menos dois casos de menores enviados a um campo de doutrinação na Coreia do Norte, aliada de Moscou.
O ataque à juventude ucraniana não vem apenas através das deportações. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 340 estabelecimentos educacionais foram destruídos em 2025, e mais de 2,8 mil desde fevereiro de 2022. Ao todo, 4,6 milhões de menores em idade escolar enfrentam barreiras educacionais, desde a interrupção de aulas por ataques aéreos até a mudança de currículos em áreas ocupadas: como parte da estratégia de Moscou, regiões anexadas assam a seguir seus sistemas legal, político e educacional, o que inclui a adoção obrigatória do idioma russo. Um processo traumático e que visa borrar a identidade nacional ucraniana.
— Essas crianças enfrentam um conjunto único de fatores que impactam seu bem-estar e sua saúde mental. E vimos exemplos de tortura, de violência sexual, muitos exemplos de crianças que receberam treinamento militar — afirma Koundarjian. — O que estamos vendo é uma geração de crianças sob controle russo, particularmente os jovens, os meninos, que temem ter que lutar contra seu próprio país. E essa é uma questão extremamente grave que viola diversas leis internacionais.
Mas como disse Munir Mamazadze, representante do Unicef no país, as crianças ucranianas ainda “têm esperança em um futuro onde possam realizar seus sonhos”. É o caso de Sofia, de 17 anos, moradora de Kharkiv que desde pequena queria se tornar médica. Em 2023, ela ingressou em um programa do Unicef que ajudava alunos com dificuldades, e mais tarde se juntou a amigos para lançar uma iniciativa semelhante e voluntária para beneficiar outras crianças. Sofia foi aprovada em uma faculdade de Medicina em Vinnytsia, e não pretende deixar a Ucrânia depois de formada.
— Às vezes, é preciso esquecer-se de si mesmo para salvar alguém. Os médicos ucranianos são os heróis do nosso tempo. E agora, esse é o meu sonho. Quero me tornar uma médica de valor — afirmou, em depoimento ao Unicef.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira que as Forças Armadas americanas realizaram “numerosos” ataques mortais contra o Estado Islâmico (EI) no noroeste da Nigéria e prometeu que haverá mais ataques se a organização continuar matando cristãos naquele país.
“Eu já havia avisado esses terroristas que, se não parassem de matar cristãos, pagariam caro, e foi exatamente o que aconteceu esta noite”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social. O republicano acrescentou que o “Departamento de Guerra realizou inúmeros ataques perfeitos”.
“Que Deus abençoe nossos militares”, disse ele, acrescentando de forma provocativa: “FELIZ NATAL a todos, incluindo os terroristas mortos, que serão muitos mais se o massacre de cristãos continuar.”
O Comando dos EUA para a África afirmou em uma publicação no LinkedIn que realizou um ataque “a pedido das autoridades nigerianas… matando vários terroristas do Estado Islâmico”.
O chefe do Pentágono, Pete Hegseth, usou o X para elogiar a prontidão de seu departamento para agir na Nigéria e disse estar “grato pelo apoio e cooperação do governo nigeriano”.
Os ataques marcam a primeira atuação das forças americanas na Nigéria sob o governo Trump e ocorrem depois que o republicano criticou inesperadamente a nação da África Ocidental em outubro e novembro, afirmando que os cristãos enfrentavam uma “ameaça existencial” que equivalia a “genocídio” em meio aos inúmeros conflitos armados da Nigéria.
A ofensiva diplomática foi bem recebida por alguns, mas interpretada por outros como uma forma de inflamar as tensões religiosas no país mais populoso da África, que já presenciou episódios de violência sectária no passado.
O governo da Nigéria e analistas independentes rejeitam enquadrar a violência no país em termos de perseguição religiosa, uma narrativa há muito utilizada pela direita cristã nos Estados Unidos e na Europa.
A Rússia fez uma oferta à França em relação a um pesquisador preso que enfrenta acusações de espionagem que podem resultar em uma pena de até 20 anos de prisão, informou o Kremlin nesta quinta-feira. A inesperada manifestação pública gerou esperanças na família de Laurent Vinatier de que ele pudesse ser libertado em breve. Isso ocorreu no mesmo momento em que a Rússia e a França expressaram interesse em possíveis conversas entre os presidentes Vladimir Putin e Emmanuel Macron.
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Macron está “totalmente mobilizado” para obter a libertação de Vinatier “o mais rápido possível”, afirmou seu gabinete, insistindo que o pesquisador está sendo detido “arbitrariamente”. Vinatier, de 49 anos, que trabalha para uma ONG suíça de mediação de conflitos, foi preso em junho de 2024 e cumpre pena de três anos por não se registrar como “agente estrangeiro”. Ele agora enfrenta novas acusações de espionagem. Vinatier está entre vários cidadãos ocidentais que, segundo seus governos, estão sendo mantidos como reféns.
“Houve contatos apropriados entre o nosso lado e os franceses. De fato, uma proposta foi feita aos franceses a respeito de Vinatier”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a repórteres, incluindo a AFP. Ele não deu detalhes, mas acrescentou que “a bola agora está com a França”.
A família de Vinatier afirma que ele é vítima das tensões entre Moscou e Paris devido à guerra na Ucrânia. Frederic Belot, advogado da família, disse que esperava que Vinatier pudesse ser libertado até o Natal Ortodoxo, em 7 de janeiro. Ele afirmou que uma troca de prisioneiros era possível, mas que queria ser “extremamente prudente”. A mãe do pesquisador, Brigitte Vinatier, disse à emissora BFMTV que seu filho estava bem e era “resiliente”.
Os países ocidentais acusam há muito tempo a Rússia de prender seus cidadãos para usá-los como moeda de troca para garantir a libertação de supostos espiões e cibercriminosos russos presos na Europa e nos Estados Unidos. Putin disse na semana passada que analisaria o caso de Vinatier depois que um jornalista francês o questionou sobre o assunto durante uma coletiva de imprensa. Ele disse que não sabia nada sobre Vinatier, mas prometeu investigar o caso.
“E se houver a menor chance de resolver essa questão favoravelmente, se a lei russa permitir, faremos todo o possível”, disse Putin.
‘Pronto’ para o diálogo
O Kremlin afirmou no fim de semana que Putin estava “pronto” para dialogar com o líder francês. Isso aconteceu depois que Macron levantou a possibilidade de conversar em breve com Putin, em meio a uma série de negociações diplomáticas sobre a guerra na Ucrânia. Macron pediu à Rússia que liberte Vinatier, afirmando que ele está sendo detido injustamente e que a “propaganda” contra ele “não corresponde à realidade”.
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Ele é apenas um dos ocidentais presos na Rússia depois que Putin lançou uma ofensiva total contra a Ucrânia em fevereiro de 2022. Diversos cidadãos americanos foram presos e posteriormente libertados em negociações intermediadas tanto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quanto por seu antecessor, Joe Biden.
No caso original, os promotores acusaram Vinatier de coletar informações militares sem se registrar junto às autoridades russas – algo pelo qual ele se desculpou e disse desconhecer que era obrigado a fazer. Ao falar em russo durante o julgamento, ele disse que em seu trabalho sempre tentou “representar os interesses da Rússia nas relações internacionais”.
Em breves declarações enquanto era conduzido pela polícia para fora de uma audiência judicial na capital russa este ano, Vinatier disse estar “cansado” e que se sentia como se estivesse sendo tratado como moeda de troca. Moscou tem usado supostas violações da lei de “agentes estrangeiros” para prender pessoas antes de aplicar acusações mais graves — como aconteceu com Vinatier.
Pelo menos 60 pessoas detidas após as eleições presidenciais de 2024 na Venezuela foram libertadas neste Natal, informou nesta quinta-feira uma ONG composta por ativistas de direitos humanos e familiares de presos políticos. Os libertados foram presos em meio à crise política desencadeada pela reeleição do presidente Nicolás Maduro em julho de 2024 para um terceiro mandato, em meio a denúncias de fraude por parte da oposição.
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A proclamação de Maduro provocou protestos que resultaram na prisão de cerca de 2.400 pessoas, que o próprio presidente classificou como “terroristas”. Mais de 2.000 já foram libertadas, segundo dados oficiais.
As libertações começaram na madrugada desta quinta-feira, 25 de dezembro, informou o Comitê para a Liberdade dos Presos Políticos (Clippve).
“Comemoramos a libertação de mais de 60 venezuelanos, que jamais deveriam ter sido detidos arbitrariamente. Embora não estejam completamente livres, continuaremos trabalhando por sua plena liberdade e pela de todos os presos políticos”, declarou Andreína Baduel, responsável da Clippve, à AFP.
“Devemos lembrar que existem mais de mil famílias com presos políticos”, acrescentou Baduel, filha do falecido general Raúl Isaías Baduel, ex-colaborador do ex-presidente Hugo Chávez. O general morreu na prisão em 2021.
As condições dessas libertações não estão claras. A AFP solicitou detalhes sobre as solturas ao Ministério Público, mas ainda não recebeu resposta.
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Segundo familiares, os detidos estavam sendo mantidos na prisão de segurança máxima de Tocorón, localizada no estado de Aragua, a cerca de 134 quilômetros de Caracas. Essa prisão foi designada para abrigar presos após as eleições.
Libertações também estão sendo relatadas em outras prisões.
Além disso, seu irmão, Josnars Adolfo Baduel, está detido há cinco anos, acusado de terrorismo.
Na Venezuela, existem pelo menos 902 “presos políticos”, de acordo com a contagem mais recente da ONG Foro Penal.
As autoridades sírias anunciaram nesta quinta-feira que mataram um comandante sênior do grupo Estado Islâmico (ISIS), em coordenação com a coalizão liderada pelos Estados Unidos, poucas horas após a prisão de outro líder perto de Damasco. As forças de segurança e inteligência sírias realizaram o que o Ministério do Interior descreveu como uma “operação de segurança precisa”.
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“A operação resultou na neutralização do terrorista Mohammad Shahada, conhecido como ‘Abu Omar Shaddad’, considerado uma das principais figuras do Estado Islâmico na Síria”, acrescentou. “Esta operação confirma a eficácia da coordenação conjunta entre as agências de segurança nacional e os parceiros internacionais”, continuou o ministério.
Horas antes, as autoridades anunciaram que, nesta quarta-feira, capturaram Taha al-Zubi, também conhecido como Abu Omar Tabiya, um líder do ISIS em Damasco, juntamente com vários de seus homens.
O ISIS foi recentemente acusado de atacar um grupo de americanos em Palmira, no centro da Síria. O ataque, em 13 de dezembro, matou dois soldados e um intérprete. Em retaliação, as forças americanas realizaram ataques contra dezenas de alvos do Estado Islâmico na Síria.
Pelo menos oito pessoas morreram e 19 ficaram feridas em um acidente de ônibus no estado de Veracruz, no leste do México, na tarde de quarta-feira, véspera de Natal, informaram as autoridades locais. O ônibus caiu perto de um barranco na cidade de Zontecomatlán, informou a Defesa Civil do estado na noite de quarta-feira.
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“Infelizmente, a promotoria confirmou oito mortes”, disse a agência em um comunicado. “Dezenove feridos estão recebendo atendimento e foram transferidos para hospitais em Chicontepec e Huayacocotla”, acrescentou.
Segundo a imprensa mexicana, o ônibus viajava da Cidade do México para Chicontepec.
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Acidentes rodoviários, que geralmente envolvem ônibus de passageiros ou caminhões de carga, são comuns no México. Eles costumam ser causados ​​por excesso de velocidade ou falhas mecânicas.
No final de novembro, 10 pessoas morreram e outras 20 ficaram feridas em um acidente de ônibus no estado de Michoacán.

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