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As praias de Punta del Este se transformaram em um cenário luminoso nas noites da última semana. Ao caminhar pela areia ou com o simples quebrar das ondas, o mar passou a brilhar em tons azulados, em um fenômeno conhecido como bioluminescência, provocado pela presença de Noctiluca scintillans.
Imagens e vídeos registrados por moradores e turistas rapidamente se espalharam pelas redes sociais, mostrando o efeito visual que surge quando a água é agitada pelo movimento das ondas, do vento ou pelo contato humano.
As noctilucas são organismos marinhos microscópicos pertencentes ao grupo dos dinoflagelados. Elas têm a capacidade de emitir luz quando sofrem algum tipo de estímulo mecânico. O brilho é resultado de uma reação química natural que funciona como mecanismo de defesa, já que a luz pode atrair predadores maiores, afastando aqueles que tentam se alimentar delas.
Especialistas explicam que esse tipo de fenômeno costuma ocorrer quando há temperaturas mais elevadas da água, mar relativamente calmo e alta concentração de microrganismos.
Segundo autoridades e especialistas, as noctilucas não representam perigo para a saúde humana. No início de outubro, a Divisão de Meio Ambiente da Intendência de Maldonado coletou amostras após o surgimento de uma mancha alaranjada no porto de Punta del Este, associada à presença desses organismos.
Na ocasião, a prefeitura explicou que a floração das noctilucas é mais comum em determinadas épocas do ano, especialmente no outono e na primavera, devido às condições sazonais. A baixa circulação da água em áreas como o porto favorece a concentração dos microrganismos, tornando o fenômeno mais visível.
A Intendência reforçou que as noctilucas não oferecem risco à saúde e que o brilho tende a se intensificar em locais onde a infraestrutura limita a dispersão natural pelas correntes marítimas, permitindo a observação clara das manchas luminosas na superfície do mar.
Sem ter lugares bons para construir telescópios gigantes (como o Chile) e sem orçamentos de ciência bilionários (como os EUA), o Brasil pode buscar um papel de destaque na astronomia adotando numa estratégia diferente: digitalizando o céu para estudá-lo em computadores. Essa é a aposta do astrônomo Luiz Nicolaci, pesquisador titular do Observatório Nacional e coordenador do Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (Linea). Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Nem é preciso recorrer à inteligência artificial para saber que em 2026 fará calor acima do que costumava ser a média histórica. Mas, bem além disso, prognósticos de instituições de referência, como o Serviço Meteorológico do Reino Unido, indicam que será um dos quatro anos mais quentes de temperatura média global, pouco atrás de 2024, que registrou 1,55°C acima da média pré-industrial (1850-1900). Sendo que 2024 foi o ano mais quente da História e 2025 deve ser confirmado em breve como o segundo mais tórrido.
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Calor extra implica diretamente a ocorrência e intensificação de extremos, um padrão que se agrava ano após ano nesta década. A questão para especialistas é quanto de calor e extremos se pode esperar. A Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera dos EUA (NOAA, na sigla em inglês) diz que a La Niña fraca configurada no segundo semestre deste ano deve seguir até fevereiro de 2026. A La Niña é a versão fria do El Niño, mas isso não quer dizer que haverá refresco. Apenas que o verão poderá não chegar ao nível de 2024.
Inundação recorde
Tanto o El Niño quanto a La Niña são decorrentes de anomalias na temperatura do Oceano Pacífico Equatorial e têm impacto no clima de todo o planeta. Ambos causam problemas mundo afora. Após a La Niña são esperados alguns meses de período neutro, com cerca de 50% de chance de um El Niño no segundo semestre de 2026. E isso preocupa. O meteorologista Marcelo Seluchi, coordenador de operação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), explica que essa previsão causa apreensão porque não deveria haver chance significativa alguma de El Niño.
— O que chama atenção é a mera possibilidade de El Niño porque não deveria haver risco algum. Isso acende uma luz amarela — observa Seluchi.
Tanto La Niña quanto El Niño têm impacto global. Mas no Brasil o Niño é o mais temido por trazer calor escorchante o ano todo, secas e inundações. O de 2024, forte e ainda agravado pelas mudanças climáticas, causou a inundação sem precedentes no Rio Grande do Sul e contribuiu para secar a níveis recordes a Amazônia e o Pantanal. O calor reinou Brasil afora, com sucessivas e inéditas ondas de calor em praticamente todo o país.
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Regina Rodrigues, professora de Oceanografia e Clima da Universidade Federal de Santa Catarina e integrante do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), concorda com Seluchi sobre a anomalia de períodos sem neutralidade — isto é, normalidade — entre fenômenos, como La Niñas e El Niños. Historicamente, esse intervalo costumava ser de quatro anos.
Rodrigues, que também é coordenadora do grupo que estuda o Atlântico e suas ondas de calor da Organização Meteorológica Mundial (OMM), acrescenta que o alento é que, se acontecer, o El Niño de 2026 não deverá ser tão poderoso quanto o de 2024.
— O oceano reage de forma lenta a mudanças. Já havia sinais em maio de 2022 para o El Niño de 2024. E até outubro não havia qualquer anomalia quente. Se o El Niño se configurar de fato, forte não será — frisa Rodrigues.
O verão em algumas partes do Brasil, sobretudo no Sudeste e no Centro-Oeste, poderá ter calor extra devido a outro sistema atmosférico. Neste caso o Anticiclone do Atlântico Sul ou Alta Subtropical do Atlântico Sul, mais conhecido pela sigla Asas.
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Este é um sistema de alta pressão atmosférica semiestacionário no Atlântico Sul, a oeste da costa da Namíbia e de Angola, e a leste do sul de Brasil, Uruguai e Argentina. Ele influencia fortemente o padrão do clima no Brasil e em parte da África. O problema do Asas é quando ele se aproxima do continente. E no verão de 2026 há chance de que fique mais próximo da costa brasileira.
Conjunção de ciclones
O efeito é o de um maçarico planetário ligado no talo. A alta pressão esquenta o ar por compressão. E funciona como um sugador de umidade, que não permite que as nuvens, quando conseguem se formar, façam chover. Dias de Asas são dias de calor intenso, até para o verão, e sem a chuva que costuma caracterizar a estação e amenizar a temperatura à noite. Com Asas, são 24 horas sem alívio.
Especialistas dizem que em 2026 o clima poderá não ter a fúria de 2024, mas poderá repetir o padrão de extremos bizarros como os registrados em 2025. No Brasil, o mais recente foi o vendaval com céu azul que cancelou centenas de voos, deixou dois milhões de pessoas sem luz e provocou transtornos em São Paulo no começo deste mês.
As rajadas chegaram ao recorde de 98 km/h. Mas Seluchi explica que muito mais destrutivo foi o vento sustentado por horas seguidas na faixa dos 50 km/h. É esse tipo de vento que afeta até mesmo árvores e estruturas que normalmente resistiriam. Por trás, estava um anticiclone. Esses fenômenos ocorrem praticamente todo o ano, mas no fim da primavera não costumam se deslocar nem para a terra nem tampouco tão ao norte.
— Nessa época eles ficam pela Patagônia. Mas este se estendeu do Rio da Prata, na Argentina, ao Rio de Janeiro, que sofreu os efeitos de borda, ainda que com menos intensidade do que São Paulo. Além da formação muito ao norte, era um anticiclone enorme, com aproximadamente dois mil quilômetros de diâmetro. É muito raro um anticiclone alcançar o Rio de Janeiro — sublinha Seluchi.
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O número de desastres climáticos em 2025 foi muito menor do que o de 2024. O Cemaden registrou este ano cerca de 2.200 alertas, mil a menos que em 2024. Ainda assim, o Brasil teve em 2025 fenômenos extremos inéditos como tornado que destruiu 90% de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, em 7 de novembro.
O Brasil sofreu, mas houve regiões do mundo ainda mais impactadas. Exemplo disso foi a conjunção inédita de três grandes ciclones (nome dado aos furacões em parte da Ásia) em países da orla do Oceano Índico, também na primeira semana de novembro. Os ciclones Senyar, Ditwah e Koto atingiram em cheio Sumatra, na Indonésia. Também foram afetados duramente Malásia, Filipinas, Sri Lanka, Vietnã, Tailândia, Ilhas Andamã e Nicobar (ambas da Índia).
Os ciclones produziram um período praticamente ininterrupto de mais de uma semana de ventos sustentados superiores a 120 km/hora, chuvas torrenciais, inundações e deslizamentos de terra. Mais de mil pessoas morreram, um número até agora incerto ficou ferido, e milhares de casas, prédios, estradas e pontes foram destruídos.
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A perda de infraestrutura e casas em Banda Aceh, em Sumatra, foi próxima à das tsunamis do Índico de 2004, mas o mundo em grande parte ignorou essa emergência. Segundo a revista Nature, a chuva foi tão intensa que criou “um mar furioso em terra firme” em certas partes de Sumatra. Uma semana de chuva ininterrupta gerou uma poderosa corrente pluvial semelhante a uma tsunami que arrastou tudo em seu caminho.
Outras partes do mundo enfrentaram secas históricas. O caso que mais chamou atenção foi Teerã, uma seca tão severa que fez o governo iraniano cogitar retirar moradores da capital. As chuvas em 2025 estão 85% abaixo da média. Teerã recebeu apenas 1 milímetro de chuva este ano, com as barragens reduzidas a 5% de sua capacidade.
Atmosfera instável
O governo anunciou a semeadura de nuvens, técnica de eficácia altamente duvidosa para fazer chover. Lançar sementes de chuva, a grosso modo, partículas para as moléculas de água das nuvens se grudarem e se precipitarem, é uma medida desesperada e inútil se não houver umidade suficiente para formar as ditas nuvens.
E, característico de secas, como a iraniana, o céu azul, estéril de nuvens, não tem água para fazer chover.
Especialistas como Seluchi advertem que, mesmo que não seja tão quente quanto 2025, 2026 poderá ter novos extremos, já que as mudanças climáticas seguem deixando a atmosfera altamente instável.
— Cortar emissões de gases-estufa e promover adaptação são urgências — enfatiza.
O impacto do crime organizado na região; as mortes de dois políticos, um após uma longa vida que moldou a história de seu país, o outro, muito jovem, assassinado a tiros; a fé de um povo e uma eleição que marca uma virada na liderança política estão entre os marcos capturados pelos fotógrafos dos 12 jornais do Grupo de Diários América, do qual O GLOBO faz parte.
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‘Antes que ela veja’
Uma mulher cobre o rosto de uma criança enquanto policiais armados passam carregando o corpo de um suspeito morto em uma operação na Ladeira dos Tabajaras, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A imagem da fotógrafa do GLOBO simboliza a violência urbana da cidade.
Operação policial na Ladeira dos Tabajaras, Zona Sul do Rio
Márcia Foletto/Agência O Globo
Adeus a um líder
O velório do ex-presidente do Uruguai José “Pepe” Mujica ocorreu em uma atmosfera de solenidade e respeito público. O caixão, coberto com a bandeira nacional, foi acompanhado durante dois dias pelas mais altas autoridades do país em uma homenagem austera, carregada de simbolismo.
Fim do velório do ex-presidente uruguaio José Mujica na esplanada do Palácio Legislativo, em Montevidéu, com a presença do presidente Yamandú Orsi e autoridades
Ignacio Sanchez / Archivo El País
Manobras militares
Membros da 22ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais dos EUA realizam manobras na praia El Faro, em Arroyo, como parte de exercícios militares na costa sudeste de Porto Rico. Os exercícios ocorreram em um contexto de aumento da presença militar dos EUA e tensão no Caribe.
Fuzileiros navais dos EUA realizam manobras na praia El Faro, em Arroyo, Porto Rico, durante exercícios militares em meio ao reforço da presença no Caribe
Xavier J. Araújo/El Nuevo Día/GDA
Três estados submersos
Milhares de famílias foram afetadas por enchentes nos estados de Veracruz, Puebla e Hidalgo, no México, que deixaram pelo menos 83 mortos em outubro, segundo dados oficiais. O governo destinou cerca de US$ 543 milhões (R$ 3 bilhõs) em auxílio financeiro aos atingidos.
Famílias afetadas por enchentes em Álamo, Veracruz; desastre deixou mortos no estado e atingiu também Puebla e Hidalgo, segundo o governo mexicano
Diego Simón Sánchez / El Universal / GDA
Vítimas de assassinos de aluguel
O aumento da criminalidade no Peru tem afetado principalmente os motoristas de transporte público. A fotografia, que mostra profissionais forenses em um homicídio ocorrido no bairro de Los Olivos, em Lima, resume a violência diária que os motoristas enfrentam.
Cena no distrito de Los Olivos, em Lima, mostra motorista assassinado em meio à onda de extorsão e sicariato que atinge o transporte público no Peru
Fernando Sangama/El Comercio/GDA
Violência política
Três tiros na cabeça mergulharam o pré-candidato presidencial Miguel Uribe Turbay, de 39 anos, em uma agonia que durou vários meses. Em agosto, após diversas cirurgias, o jovem político morreu e foi sepultado com uma missa na Catedral Primacial da Colômbia, em Bogotá.
Honras fúnebres do pré-candidato presidencial Miguel Uribe Turbay na Catedral Primada da Colômbia, em Bogotá, após morrer em atentado a tiros
Mauricio Moreno / El Tiempo / CEET
Triunfo de Kast
O líder e fundador do Partido Republicano, José Antonio Kast, foi eleito presidente com 58% dos votos no segundo turno das eleições do Chile, prometendo um “governo de emergência” para lidar com os problemas mais urgentes do país, segundo ele: segurança, imigração e economia.
José Antonio Kast, líder do Partido Republicano, é eleito presidente do Chile com 58% no segundo turno e promete “governo de emergência” focado em segurança, migração e economia.
Cristian Carvallo/El Mercurio/GDA
Inundações sem precedentes
Homem contempla suas roupas flutuando na água após enchentes em Bahia Blanca, na Argentina, que deixaram ao menos 16 mortos. As manchas úmidas, a lama e os móveis destruídos mostram que a água subiu aproximadamente 1,40 metro em algumas casas.
Enchente sem precedentes atinge o bairro Ingeniero White, em Bahía Blanca; morador observa roupas boiando após água chegar a cerca de 1,4 metro em casas
Santiago Filipuzzi/La Nación/GDA
Impacto ambiental
Imagem capturada por drone revela aparente pista de pouso clandestina construída dentro de uma zona úmida protegida. O Ministério Público Ambiental da Costa Rica investiga o caso. Por razões de segurança, a identidade do fotógrafo foi mantida em sigilo.
Imagem de drone mostra destruição de florestas e áreas úmidas em Gandoca-Manzanillo, na Costa Rica, para construção de uma aparente pista clandestina
La Nación Costa Rica/GDA
Ordem de despejo
Em novembro, a vida dos moradores do setor Cuba, no Distrito Nacional, na República Dominicana, sofreu uma reviravolta dramática. Naquele dia, um despejo forçado foi realizado para dar lugar à construção de uma nova estrada ligando a zona norte de Santo Domingo à capital.
Moradores do setor Cuba, no Distrito Nacional, são despejados à força em 14 de novembro de 2025 para dar lugar à construção de nova via em Santo Domingo
Víctor Ramírez / Listín Diario / GDA
Projeto emblemático
A construção do Aeroporto do Pacífico, projeto do presidente Nayib Bukele, de El Salvador, está em andamento há 10 meses, com um investimento de US$ 4,4 bilhões (R$ 24 bilhões). Detalhes como o estudo de viabilidade e contrato com a construtora foram declarados confidenciais.
Obras de terraplenagem do Aeroporto do Pacífico chegam a 50% de avanço em El Condadillo, em La Unión, segundo autoridades de El Salvador
Luis Martínez/La Prensa Gráfica/GDA
A fé de um povo
Centenas de venezuelanos acompanharam em Caracas a proclamação de José Gregorio Hernández como santo. Desde cedo, os fiéis se reuniram em vigília para homenagear o médico venezuelano, cuja devoção popular atravessa gerações. A freira Carmen Rendiles também foi canonizada.
Fiéis se reúnem em vigília nas ruas de Caracas no dia em que o Vaticano canonizou José Gregorio Hernández, médico venezuelano venerado há gerações
Ezequiel Carías / El Nacional / GDA
O líder da junta militar de Mianmar, Min Aung Hlaing, afirmou neste domingo que as eleições realizadas no país são “livres e justas”, apesar de o processo estar sendo organizado pelos próprios militares que tomaram o poder em um golpe de Estado há cinco anos.
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— Garantimos que será uma eleição livre e justa — declarou Min Aung Hlaing a jornalistas após votar na capital, Naipidau. Segundo ele, o pleito “não terá sua reputação prejudicada pelo fato de estar sendo conduzido pelos militares”.
A afirmação contrasta com críticas recorrentes da comunidade internacional, que questiona a legitimidade e a transparência do processo eleitoral sob o regime militar.
A junta militar de Mianmar preside as eleições que começam neste domingo, anunciando a votação como um retorno à normalidade democrática cinco anos depois de ter realizado um golpe de Estado que desencadeou uma guerra civil. A votação foi amplamente considerada uma farsa para reformular o regime militar, que anulou os resultados das últimas eleições em 2020, alegando fraude eleitoral em massa.
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Quem está concorrendo?
O Partido da União, Solidariedade e Desenvolvimento (USDP), pró-militar, é de longe o maior participante, fornecendo mais de um quinto de todos os candidatos, de acordo com a Rede Asiática para Eleições Livres (ANFREL). A ex-líder democrática Aung San Suu Kyi e seu partido, a Liga Nacional para a Democracia, extremamente popular e que obteve uma vitória esmagadora na última eleição, não participarão.
Após o golpe de 2021, Suu Kyi foi presa sob acusações que, segundo grupos de direitos humanos, tinham motivação política. Segundo a Associação de Assistência aos Presos Políticos (AAPP, sigla em inglês), um grupo de defesa dos direitos humanos, cerca de 22 mil presos políticos estão definhando em prisões da junta militar.
Funcionária da Comissão Eleitoral da União supervisiona local de votação; responsável pela supervisão da votação é órgão das forças armadas de Mianmar, e não uma entidade independente
Nhac Nguyen/AFP
A Liga Nacional para a Democracia e a maioria dos partidos que participaram das eleições de 2020 foram dissolvidos. A ANFREL afirma que as organizações que conquistaram 90% das cadeiras naquela ocasião não estarão presentes no pleito deste domingo. A votação está sendo realizada em três fases, distribuídas ao longo de um mês, utilizando novas máquinas de votação eletrônicas que não permitem a inscrição de candidatos por escrito nem votos nulos.
Quem pode e quem não pode votar?
A guerra civil em Mianmar fez com que os militares perdessem vastas áreas do país para as forças rebeldes – uma mistura de guerrilheiros pró-democracia e exércitos de minorias étnicas que há muito resistem ao governo central –, e a votação não ocorrerá nas áreas que eles controlam. Um censo realizado pelos militares no ano passado admitiu que não conseguiu coletar dados de cerca de 19 milhões dos mais de 50 milhões de habitantes do país, alegando “restrições de segurança”.
Em meio ao conflito, as autoridades cancelaram a votação em 65 das 330 cadeiras eletivas da câmara baixa – quase uma em cada cinco do total. Mais de um milhão de refugiados rohingya apátridas, que fugiram de uma repressão militar iniciada em 2017 e agora vivem exilados em Bangladesh, também não terão voz.
Como se decide o vencedor?
As cadeiras no parlamento serão alocadas por meio de um sistema combinado de maioria simples e representação proporcional, que, segundo a ANFREL, favorece amplamente os partidos maiores. Os critérios para se registrar como um partido nacional capaz de concorrer a vagas em várias áreas foram endurecidos, de acordo com a organização de monitoramento eleitoral asiática, e apenas seis dos 57 partidos candidatos se qualificaram.
Manifestantes protestam contra o golpe militar em Sagaing Township, na Divisão sagaing de Mianmar
AFP
Os resultados são esperados para o final de janeiro. Independentemente do resultado da votação, uma constituição elaborada pelos militares determina que um quarto das cadeiras parlamentares seja reservado para as forças armadas. A câmara baixa, a câmara alta e os membros das forças armadas elegem cada um um vice-presidente dentre seus membros, e o parlamento conjunto vota em qual dos três será elevado à presidência.
O que aconteceu nos dias que antecederam o evento?
A ANFREL afirma que a Comissão Eleitoral da União, responsável pela supervisão da votação, é um órgão das forças armadas de Mianmar, e não uma entidade independente. O chefe da comissão, Than Soe, foi nomeado após a queda do governo de Suu Kyi e está sujeito a uma proibição de viagens e sanções da UE por “minar a democracia” em Mianmar.
As redes sociais, incluindo Facebook, Instagram e X, foram bloqueadas desde o golpe, restringindo a disseminação de informações. A junta militar introduziu legislação severa que pune protestos públicos ou críticas às eleições com até dez anos de prisão, processando mais de 200 pessoas com base na nova lei. Foram instaurados processos judiciais relacionados a mensagens privadas no Facebook, protestos relâmpago com distribuição de panfletos antieleitorais e vandalismo contra cartazes de candidatos.
Mianmar convidou observadores internacionais para acompanhar a votação, mas poucos países responderam. Nesta sexta-feira, a mídia estatal informou que uma delegação de monitoramento havia chegado da Bielorrússia — um país governado desde 1994 pelo presidente autoritário Alexander Lukashenko, que reprimiu protestos pró-democracia há seis anos.
O caso da morte de um adolescente de 15 anos, cujo corpo foi encontrado em estado de decomposição na última segunda-feira em um galpão no bairro Chalet, próximo ao estádio Colón, em Santa Fé, na Argentina, teve uma reviravolta inesperada. Uma jovem de 16 anos, que supostamente aliciou a vítima pelas redes sociais, foi presa nas últimas horas e, com base nas provas reunidas, o tribunal provincial a indiciará pelo homicídio de Jeremías Monzón.
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O caso chocou a cidade, pois outros dois menores haviam sido detidos. Um deles foi entregue às autoridades pela própria mãe. Segundo os investigadores, o menor teria gravado um vídeo do momento em que Monzón foi assassinado. O conteúdo dessa gravação comprovaria o envolvimento do menor, confirmaram fontes consultadas pelo jornal La Nacion.
Segundo informações divulgadas neste sábado, na noite passada, a polícia cumpriu uma ordem judicial e prendeu a menor, que seria a jovem que tinha um relacionamento com o adolescente assassinado, como foi noticiado inicialmente. A audiência de instrução e julgamento ocorrerá na próxima segunda-feira).
Além disso, foi confirmado que buscas foram realizadas na cidade de Santa Fé nas últimas horas, onde os investigadores coletaram provas relevantes para o caso, que permanece aberto e agora se concentra em reconstituir as últimas horas do adolescente e determinar a responsabilidade pelo crime, enquanto as medidas judiciais e periciais determinadas pelo Ministério Público estão em andamento.
Descoberta do corpo
O assassinato de Jeremías Monzón foi descoberto na segunda-feira, dia 22, quando policiais, alertados por moradores, foram até um galpão no acesso sul da cidade, próximo à ponte rodoviária que liga Santa Fé à cidade vizinha de Santo Tomé, em frente ao estádio do clube Colón.
Segundo a autópsia subsequente, o corpo apresentava entre 20 e 23 ferimentos de faca e a morte teria ocorrido na quinta-feira anterior, data em que sua família começou a procurá-lo, embora a queixa tenha sido registrada no dia seguinte. Os relatos iniciais apontavam para uma menina de 16 anos, que Monzón conheceu pelas redes sociais e que morava em um dos prédios de apartamentos no bairro Centenario, próximo ao estádio Colón.
Embora tenha sido inicialmente afirmado que a vítima tinha um relacionamento com essa jovem, a família do assassinado a conhecia pelas redes sociais, e o primeiro contato pessoal ocorreu no dia em que ele foi morto. O adolescente, cujo desaparecimento foi relatado pela família no mesmo dia em que o corpo foi encontrado, apareceu surpreendentemente no dia seguinte em um orfanato da capital, acompanhada por um parente.
Até então, acreditava-se que tal comportamento decorria de uma resposta preventiva à magnitude do ocorrido. Mesmo assim, o caso foi associado a um acerto de contas entre grupos de adolescentes, por diversos motivos, e o envolvimento de substâncias ilícitas não foi descartado. Além disso, o barracão onde o corpo de Monzón foi encontrado era supostamente usado por jovens da região para o consumo de drogas, conforme revelado por denúncias de familiares de usuários.
As informações de contexto indicam que Jeremías viajou de Santo Tomé para Santa Fé para se encontrar com a jovem, um encontro que foi registrado por câmeras de segurança. Posteriormente, seu corpo foi encontrado sem vida no prédio abandonado, e determinou-se que sua morte ocorreu entre 72 e 96 horas antes da descoberta.
Entretanto, na noite de sexta-feira, convocadas por amigos e familiares da vítima, cerca de cem pessoas se reuniram na área conhecida como “Las cinco esquinas”, em Santo Tomé, para exigir avanços na investigação, o que aconteceu horas depois.
Após a prisão da jovem, os promotores, que já haviam reunido provas relevantes para o caso em diversas operações, incluindo uma no lago do Parque Sul da cidade, agendaram uma audiência para a próxima segunda-feira nos tribunais da cidade. Nessa audiência, a jovem presa será formalmente acusada de homicídio qualificado. Os outros detidos também deverão responder por acusações relacionadas ao assassinato.
A Agência Nacional Anticorrupção (NABU) da Ucrânia acusou neste sábado vários deputados de aceitarem subornos em troca de votos em projetos e tentou entrar em gabinetes do Parlamento em Kiev, um novo escândalo que abala o país invadido pela Rússia. O anúncio da operação aconteceu após a viagem do presidente Volodymyr Zelensky para os Estados Unidos, onde se reunirá com Donald Trump no domingo.
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A NABU informou no Telegram que “descobriu um grupo criminoso organizado formado por deputados, que recebiam sistematicamente benefícios ilegais para votar no Parlamento”. Os investigadores tentaram entrar nos gabinetes dos comitês parlamentares em Kiev, mas as forças de segurança impediram a operação de busca, informou a NABU.
“Obstruir as ações de investigação constitui uma violação direta da lei”, advertiu a agência.
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A NABU não informou se foram efetuadas detenções relacionadas ao caso, que representa um novo escândalo de corrupção no Estado ucraniano. Zelensky viajou para a Flórida, onde se reunirá com seu homólogo americano no âmbito das negociações sobre o plano para tentar encerrar a guerra com a Rússia.
A presidência ucraniana foi desestabilizada por um grande escândalo de corrupção sobre o desvio de quase 100 milhões de dólares no setor energético, que envolveu um amigo íntimo de Zelensky, atualmente foragido no exterior. O caso provocou a renúncia de dois ministros e do até então poderoso chefe de gabinete da presidência, Andri Yermak, que era um negociador privilegiado com Washington.
A corrupção é um problema endêmico na Ucrânia há muitos anos. Desde o início da invasão russa em 2022, vários casos foram revelados, inclusive no exército e no setor da defesa. Apesar da agência anticorrupção, NABU, e de uma procuradoria especializada, a SAP, os casos revelados raramente resultam em condenações judiciais.
O presidente da Argentina, Javier Milei, comemorou na noite de sexta-feira a aprovação do orçamento nacional para 2026, uma iniciativa do governo que representou um importante êxito político para o partido do governo. A proposta em geral foi aprovada por 46 votos a favor, 25 contra e a abstenção da senadora cordobesa Alejandra Vigo, do partido Provincias Unidas.
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O mandatário postou na sua conta no X após conhecer o resultado da votação, e acompanhou a mensagem com uma foto do painel de votação.
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Minutos depois, o mandatário voltou a fazer uma publicação na qual, por meio de uma mensagem mais extensa, comentou a votação e afirmou que a aprovação do projeto é “um fato histórico”. “Não há registro da aprovação de um orçamento com equilíbrio fiscal por um espaço não peronista com esses números. O único comparável foi o orçamento de 2017, mas, infelizmente, tinha déficit fiscal”, destacou.
Em seguida, agradeceu à chefe da bancada libertária no Senado, Patricia Bullrich, ao ministro do Interior, Diego Santilli, e a todos os que votaram a favor do projeto, sobre os quais afirmou que deram um “exemplo de patriotismo e responsabilidade”.
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Por outro lado, Milei também comemorou a aprovação do projeto denominado “Inocência Fiscal”:
“Esta lei é revolucionária. Estamos blindando as economias dos argentinos para sempre. Nenhum governo que venha depois de nós poderá roubar as economias dos argentinos de bem”, postou o presidente.
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E acrescentou:
“Ela vem reparar o golpe que o Estado aplicou aos argentinos durante 40 anos, devolvendo-lhes a liberdade de usar suas economias e protegendo-as para que nenhum político do futuro possa tirá-las deles”.
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“Estamos modificando os limites a partir dos quais o Estado podia perseguir os argentinos diante de uma eventual evasão de impostos. Até hoje, na Argentina, alguém podia ser investigado como evasor simples por diferenças de 1,5 milhão de pesos. O limite de evasão simples sobe para 100 milhões de pesos, e o de evasão agravada para 1 bilhão”, afirmou.
As reações
Este é o primeiro orçamento redigido de próprio punho pela governo de Milei. Nos dois últimos exercícios, a administração nacional governou com orçamentos reconduzidos, sem a aprovação do Congresso.
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Rapidamente, outros funcionários também comemoraram a vitória do governo e se manifestaram nas redes sociais.
Uma delas foi a agora senadora Patricia Bullrich, que escreveu:
“Felizes pela conquista de um Orçamento histórico. E muito contentes com os senadores que votaram a favor da Argentina e com a equipe que trabalhou para alcançar o objetivo”.
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O presidente da Câmara dos Deputados, Martín Menem, publicou uma foto com sua equipe após conhecer o resultado favorável ao governo e afirmou:
“Com Milei, ordem e equilíbrio fiscal”.
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Por sua vez, o chefe de Gabinete, Manuel Adorni, escreveu no X:
“Senhores, temos Orçamento 2026. Além disso, como deve ser: temos um sem déficit fiscal. Que Deus abençoe a República Argentina”.
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Também Luis Petri, ex-ministro da Defesa e recém-empossado deputado, manifestou-se no X:
“Vamos!!! A Argentina tem Orçamento 2026 e, sobretudo, tem futuro!!! Em 2025 nos atacaram com tudo, tentaram quebrar o plano econômico e derrubar o governo, e não conseguiram! Agora, com outro Congresso, graças a milhões de argentinos que não afrouxam, não querem voltar atrás e se animam com o futuro, com a liderança do presidente Javier Milei, estamos tornando a Argentina grande novamente!”.
O ministro do Interior, Diego Santilli, um dos responsáveis pelas negociações com governadores e parlamentares, destacou a aprovação do orçamento “com equilíbrio fiscal e aumentos de verbas acima da inflação em áreas prioritárias” e o definiu como “um passo transcendental”.
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—Quero ressaltar a responsabilidade e a coragem dos deputados, senadores e governadores que entenderam que o país mudou. Não há mais espaço para o desperdício nem para a mentira do ‘Estado presente’, que só gerou pobreza e informalidade. Lamentamos que ainda exista uma minoria kirchnerista que sente falta do gasto público para se enriquecer às custas dos trabalhadores. A Argentina vai voltar a ser grande! — expressou.
O projeto de orçamento enviado pelo Poder Executivo reuniu apoio em geral de quase todas as forças políticas com representação na Câmara Alta, com exceção da maioria kirchnerista do interbloco Popular, um conglomerado que reúne diferentes expressões do peronismo.
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Um terremoto atingiu Taiwan e ilhas do sudoeste do Japão na noite de sexta-feira (27). As autoridades taiwanesas informaram inicialmente que o abalo teve magnitude 7,0, enquanto agências do governo japonês registraram o tremor como magnitude 6,7.
O terremoto ocorreu às 23h05 no horário local e teve como epicentro uma área no mar, ao largo da costa nordeste de Taiwan, nas proximidades da Ilha Turtle, uma formação vulcânica considerada dormente. Segundo a Administração Central de Meteorologia de Taiwan, o foco do tremor estava a pouco mais de 70 quilômetros de profundidade.
Os abalos foram sentidos em toda a ilha. Regiões do norte do país, incluindo a capital Taipé, registraram intensidade 4 na escala local, de acordo com relatos oficiais.
Até o momento, não há informações sobre vítimas ou danos graves, e as autoridades seguem monitorando a situação.

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