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O governo do presidente americano, Donald Trump, fechou nesta sexta-feira a maior biblioteca de pesquisa da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, uma instalação que abriga dezenas de milhares de livros, documentos e periódicos — muitos deles não digitalizados ou disponíveis em nenhum outro lugar. O fechamento da biblioteca no Centro de Voos Espaciais Goddard da Nasa, em Greenbelt, Maryland, faz parte de uma reorganização mais ampla do governo Trump, que inclui o fechamento de 13 prédios e mais de 100 laboratórios de ciência e engenharia no campus de 514 hectares até março de 2026. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Água potável contaminada com esgoto foi apontada como causa da morte de pelo menos 10 pessoas em Indore, capital comercial do estado de Madhya Pradesh, classificada como a “cidade mais limpa” da Índia nos últimos oito anos. Segundo a imprensa local, moradores de um bairro de baixa renda alertavam as autoridades há meses sobre um cheiro ruim vindo da água da torneira. Apesar do bom histórico da cidade, elogiada pelo trabalho na segregação de resíduos e outras medidas de limpeza, as reclamações não foram atendidas. Os moradores começaram a dar entrada nos hospitais no início desta semana, reclamando de vômitos, diarreia e febre alta. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Quase uma semana depois do estouro dos protestos contra o derretimento da economia e das condições de vida no Irã, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou intervir se o regime “atirar e matar de forma violenta manifestantes pacíficos”, pouco mais de seis meses depois de bombardear instalações nucleares do país. O regime respondeu, afirmando que a segurança local era uma “linha vermelha”. Não se sabe até que ponto Trump está disposto a usar seu poderio militar — como quer um de seus maiores aliados , Israel — mas o resultado final pode não ser o esperado pela Casa Branca.
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A mensagem de Trump na rede Truth Social foi publicada nas primeiras horas de sexta-feira e, como de hábito, em tom enigmático: se o regime matasse manifestantes, “como é seu costume, os Estados Unidos da América virão em seu auxílio”, e que seu governo está “pronto para agir”. Ele não deu detalhes sobre o que poderia fazer, ou qual seria o limiar para uma ação. Desde o estouro dos protestos, na semana passada, oito pessoas morreram.
Em Teerã, o regime reagiu com declarações inflamadas e ameaças. Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, disse que Trump “deveria saber que a interferência americana nessa questão interna equivale ao caos em toda a região e à destruição dos interesses americanos”. Abbas Araghchi, chanceler, chamou o comportamento do americano de “inconsequente e perigoso”. Ali Shamkhani, conselheiro do líder supremo, Ali Khamenei, declarou que a segurança do Irã é uma “linha vermelha, e não é material para postagens aventureiras”, e que “qualquer tentativa de interferência na segurança do Irã sob pretextos será interrompida com uma resposta lamentável”.
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UGC / AFP
Maior movimento nas ruas desde 2022, quando milhares protestaram contra a morte da jovem Mahsa Amini — e quando mais de 500 pessoas foram massacradas pelas forças de segurança —, a onda de manifestações iniciada no final do ano passado tem como ponto central a crise econômica.
A moeda local, o rial, bateu recorde de desvalorização frente ao dólar e ao euro, a inflação gira em torno de 50% ao ano e itens básicos, como alimentos e medicamentos, dispararam de preço nos últimos meses. Os impactos das mudanças climáticas, como a seca que ameaça o suprimento de água de Teerã, e a corrupção endêmica também contribuíram para os protestos, que começaram com comerciantes e depois se espalharam. Em paralelo, gritos contra o regime — como o “morte ao ditador” — passaram a circular, além de menções ao filho do último monarca iraniano, Reza Pahlevi, que vive nos EUA, mas passa longe de ser unanimidade na República Islâmica.
“Até o momento, os distúrbios atuais se assemelham mais aos protestos econômicos de 2017, 2018 e de novembro de 2019: descentralizados, desencadeados por choques econômicos, estendendo-se para além dos principais centros urbanos e reprimidos com violência”, escreveu em artigo Sina Toossi, pesquisador do Centro para Política Internacional, baseado nos EUA. “A participação de comerciantes desde o início é notável, e uma simpatia pública mais ampla é evidente, mas uma mobilização sustentada entre as classes sociais — e quaisquer deserções dentro do Estado — ainda estão ausentes.”
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Apesar da repressão, com relatos de uso de armas de fogo pelas forças de segurança, o regime tenta passar a mensagem de que busca o diálogo. O presidente, Masoud Pezeshkian, afirmou que as demandas deveriam ser ouvidas, e os serviços de segurança creditam os atos de violência a “indivíduos externos aos manifestantes, sob ordens ou orientação de atores estrangeiros”. Mohammad Moyahedi-Azad, procurador-geral do Irã, além de atacar as falas de Trump, disse que raiz da crise, além de “deficiências de gestão”, são resultado das sanções econômicas impostas ao país, ligadas ao programa nuclear e às atividades de mísseis balísticos.
— As sanções unilaterais, cruéis e ilegais dos EUA são, sem dúvida, um claro exemplo de terrorismo econômico contra a nação iraniana — completou Moyahedi-Azad, em entrevista à agência estatal ISNA.
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Depois de bombardear instalações nucleares e se declarar o responsável por encerrar a guerra aérea de 12 dias entre Irã e Israel, em junho, Trump parecia ter colocado a República Islâmica em segundo plano em seu radar diplomático. O plano para encerrar a guerra em Gaza, que teve a primeira fase assinada em outubro, foi apresentado como uma vitória, embora o cessar-fogo esteja por um fio. Na Ucrânia, há meses afirma que um acordo está próximo, apenas para ser desmentido pela Rússia de Vladimir Putin, que não parece interessada em baixar as armas tão cedo.
O presidente dos EUA, Donald Trump, concede uma coletiva de imprensa com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em Mar-a-Lago
JOE RAEDLE / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
Mas na segunda-feira, após receber na Casa Branca o premier israelense Benjamin Netanyahu — que defende a mudança de regime em Teerã —, Trump voltou a mencionar, de maneira bélica, o Irã. Em entrevista coletiva, deixou no ar a possibilidade de um novo ataque, desta vez voltado ao arsenal de mísseis balísticos, e disse que seria “mais inteligente” se os iranianos concordassem com um novo acordo nuclear.
O texto anterior, de 2015, estabelecia limites às atividades de enriquecimento e apertava o sistema de monitoramento, em troca do levantamento de sanções. Trump rasgou o acordo, ampliou as sanções e agora quer um modelo ainda mais restritivo, o que não agrada os aiatolás. Dias depois da reunião com o premier de Israel, Trump soltou a publicação no Truth Social.
“Superficialmente, parece ser um apoio aos manifestantes; na prática, é mais provável que vise desestabilizar o atual momento do Irã — injetando ansiedade econômica e volatilidade política — do que sinalizar uma ação militar iminente”, escreveu Toossi.
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Para o pesquisador, é uma estratégia sem qualquer garantia de sucesso, e que pode ter efeitos indesejados para a Casa Branca. Ele lembra que, na História iraniana, ameaças estrangeiras ajudaram a fortalecer o discurso estatal, mesmo antes da República Islâmica, e a consolidar a elite que garante a sobrevivência do regime.
A sombra de intervenção, mesmo que não se concretize, pode servir para que o regime aperte o cerco à oposição, com mais mortes nas ruas. Caso decida agir, pode repetir enredos desastrosos produzidos por Washington nas últimas décadas, além de jogar por terra seu discurso de “presidente da paz”.
“Trump rejeitou publicamente campanhas de mudança de regime sem prazo definido, o que ajuda a explicar a abordagem atual: incentivar a agitação interna enquanto prepara o terreno retórico para uma intervenção militar mais restrita e ‘humanitária’, direcionada a instituições políticas e de segurança”, aponta Toossi. “O problema é que essa lógica interpreta erroneamente a dinâmica dos protestos iranianos e o histórico de tais intervenções — do Iraque e Afeganistão à Líbia e Síria.”
Duas pessoas morreram e dezenas de casas desabaram nesta sexta-feira em decorrência de um terremoto de magnitude 6,5, com epicentro no estado de Guerrero, no sudoeste do México. O tremor atingiu a turística região da costa do Pacífico e a capital do país, nas proximidades.
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O terremoto foi registrado pouco antes das 8h e teve magnitude 6,5, informou o Serviço Sismológico Nacional. As autoridades relataram inicialmente que não havia “danos graves”, mas horas depois foi confirmada a morte de uma pessoa na Cidade do México e de outra na localidade de San Marcos, a 15 quilômetros do epicentro.
Na capital, um homem de 60 anos morreu ao cair enquanto evacuava sua residência durante o tremor. “O homem saiu do apartamento no segundo andar, tropeçou e perdeu a consciência”, informou o governo da prefeitura local. Além disso, 12 pessoas ficaram feridas, segundo a prefeita da capital, Clara Brugada.
Em San Marcos, uma mulher de cerca de 50 anos “perdeu a vida em consequência do desabamento de sua casa” declarou a governadora de Guerrero, Evelyn Salgado. “Ela estava preparando o café, era cedo, e de repente tudo isso veio abaixo” contou à AFP Edith Gaspar, familiar da vítima, apontando os restos das paredes e do teto da casa que desabou.
Na localidade, cerca de 50 casas ruíram e “em todo o município, as residências estão rachadas” afirmou o prefeito Misael Lorenzo Castillo. Um dos moradores, Rogelio Moreno, mostrou à AFP as fissuras que atravessam sua casa e lamentou que “San Marcos está muito danificada, está devastada”.
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“O susto foi horrível”
O chão começou a tremer às 7h58, horário local (10h58 em Brasília), levando os moradores da capital a evacuarem suas casas.
“Eu ainda estava dormindo quando o alarme da rua começou a tocar”, disse à AFP Karen Gómez, de 47 anos, moradora do 13º andar de um prédio no bairro de Álvaro Obregón, na Cidade do México.
“O alarme do celular me assustou muito”, explicou Gómez, funcionária de uma empresa, referindo-se a um sistema de alerta por celular implementado recentemente pelo governo mexicano em 2025.
“O susto foi horrível; dava para sentir o prédio tremendo”, disse Norma Ortega, de 57 anos, moradora de um prédio próximo.
Em Acapulco, Ricardo, um turista que deixou seu hotel sem camisa, lamentou estar “começando o ano com este susto”, comentou nervoso.
O viajante do estado de Morelos, no centro do México, disse à AFP que sentiu uma réplica do lado de fora de sua hospedagem.
Até as 09h00 locais (12h00 em Brasília), haviam sido registradas 151 réplicas, de acordo com o Serviço Sismológico Nacional.
Outros terremotos
Parte da Cidade do México, principalmente a área central, foi construída sobre o subsolo lamacento do que antes era um lago, o que a torna particularmente vulnerável a terremotos. Os mais sentidos são aqueles que se originam na costa de Guerrero, a menos de 400 km.
Em 19 de setembro de 1985, um terremoto de magnitude 8,1 devastou uma grande área da Cidade do México. Com seu epicentro na costa do Pacífico, entre Guerrero e Michoacán, também abalou grande parte do centro e sul do México.
Durante anos, as estimativas oficiais do número de mortos no terremoto de 1985 variaram. De acordo com uma contagem de certidões de óbito oficiais publicada em 2015, foram 12.843 mortos.
Turista é assistida durante evacuação de hotel em terremoto no México
FRANCISCO ROBLES / AFP
Também em 19 de setembro de 2017, um sismo de magnitude 7,1 deixou 369 mortos, a maioria na Cidade do México.
Com o apoio do Serviço Sismológico Nacional, foram desenvolvidos sistemas de alerta, incluindo aplicativos para smartphones, que avisam sobre terremotos fortes e dão aos moradores da capital até um minuto para ficarem em segurança.
O governo da cidade instalou alto-falantes em postes de iluminação pública que transmitem o “alerta sísmico”.
O México está situado entre cinco placas tectônicas, cujos movimentos fazem do país um dos que registra maior atividade sísmica no mundo, particularmente na costa do Pacífico, da fronteira com a Guatemala até o estado de Jalisco (oeste).
“Não perco a esperança”, disse nesta sexta-feira a mãe de um adolescente suíço que desapareceu em um incêndio que deixou 40 mortos em um bar na estação de Crans-Montana, onde o jovem celebrava o Ano Novo.
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A última mensagem que Laetitia Brodard, moradora de Lausanne, recebeu de Arthur, a 0h03, dizia: “Mãe, feliz Ano Novo, eu te amo.”
“A 0h06, respondi: ‘Te amo, querido'”, contou Laetitia. A 1h28, ela assistiu a um vídeo que o filho havia enviado aos amigos, em que “estavam todos juntos à mesa, comemorando”.
A 1h30, foi feita a primeira ligação para a polícia sobre o incêndio. “Foi a mesa do meu filho que pegou fogo? Não sei. Quarenta horas se passaram. Quarenta horas que nossos filhos estão desaparecidos. Precisamos saber”, insistiu Laetitia, em frente a um memorial improvisado a poucos metros do bar Le Constellation.
“Se nossos meninos morreram, tudo bem, mas não podem nos informar em três ou quatro dias. Imagina se meu Arthur estiver agora em um hospital, sozinho ou sob cuidados intensivos, porque não foi identificado. Se estiver intubado e em coma. Como vamos saber que se trata de Arthur Brodard?”, disse a suíça.
Laetitia divulgou amplamente o retrato de seu filho, nascido em fevereiro de 2009. Um dos amigos que estavam com ele conseguiu sair do bar. “Ele está com 45% do corpo queimado. Está sob cuidados intensivos, em Zurique”, contou.
Segundo autoridades suíças, o processo de identificação será longo. “Fornecemos o DNA. Pediram que descrevêssemos as roupas, mas, como os últimos vídeos mostram, não há roupas [nos corpos carbonizados]. Então, só resta o DNA, e entendemos que isso leva tempo. Mas existem outras formas: uma foto de um dedo do pé, poderiam comparar as fotos das extremidades das pessoas vivas e saberíamos quem é”, sugeriu.
‘Quero estar ao lado dele’
“Tivemos uma consulta às 10h de hoje” na célula de emergência montada pelas autoridades”, contou Laetitia. “Recebemos muito pouca informação. São muito cuidadosos com as informações que dão aos pais, para não gerar falsas esperanças”, observou.
“Falaram sobre quatro pessoas não identificadas, mas vivas. Na entrevista coletiva das 15h, esse número mudou, eram seis”, comentou a suíça, que decidiu tentar obter informações de outras formas e contou que trabalha em parceria com outros pais de desaparecidos.
Por meio das redes sociais, Laetitia soube que “haveria civis de Crans-Montana, que foram os primeiros a intervir, que retiraram os nossos jovens”.
“Fui ao CHUV [centro hospitalar de Lausanne]”, contou a suíça, após alguém lhe dizer que havia visto seu filho na UTI. Mas a informação era falsa.
“O pai do Arthur esteve em Berna ontem à noite, até às 2h, para verificar o polegar. Eles nos mostraram o dedo de um pé. Recebi a foto do dedo de um pé. Perguntaram se era do meu filho”, relatou Laetitia.
“Não critico as autoridades, estão fazendo o que podem. Mas temos que saber onde nossos filhos estão (…) Se tivermos que encontrá-los por conta própria, iremos a todos os hospitais onde nos disserem que talvez um dos nossos filhos possa estar”, disse a suíça.
“Não nos deixem tanto tempo assim sem saber e sem estar com nosso filho. Se ele estiver no necrotério, quero estar ao lado dele. Se ele estiver na UTI (…) meu lugar é ao lado dele. Meu lugar não é aqui”, insistiu Laetitia.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu nesta sexta-feira que Israel reverta sua decisão de proibir a entrada de 37 organizações humanitárias internacionais na Faixa de Gaza, segundo um comunicado de seu porta-voz, Stéphane Dujarric. Vários países do Oriente Médio e da Ásia também emitiram um comunicado pedindo à comunidade internacional que pressione Israel para voltar atrás em medida.
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Guterres, “profundamente preocupado” com o anúncio das autoridades israelenses de suspender as operações de várias organizações internacionais que oferecem ajuda humanitária nos territórios palestinos ocupados, “apela para que essa medida seja revertida”, afirmou Dujarric. “Esta ação agravará ainda mais a crise humanitária enfrentada pelos palestinos”.
A proibição inclui Médicos Sem Fronteiras (MSF), que tem 1.200 funcionários nos territórios palestinos, a maioria em Gaza, além do Conselho Norueguês para Refugiados, a World Vision International, a CARE e a Oxfam.
Em outro documento, os ministros das Relações Exteriores de Catar, Egito, Jordânia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Turquia, Paquistão e Indonésia alertaram que as condições “deterioradas” em Gaza deixaram quase 1,9 milhão de palestinos deslocados particularmente vulneráveis. E pediram a Israel que permitisse entregas “imediatas, completas e desimpedidas” de ajuda humanitária ao enclave palestino, enquanto as tempestades de inverno assolam o território bombardeado.
“Acampamentos inundados, tendas danificadas, o colapso de edifícios danificados e a exposição a temperaturas frias, juntamente com a desnutrição, aumentaram significativamente os riscos à vida dos civis”, diz o comunicado.
O apelo, também feito pela organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) na quarta-feira, surge após Israel ter alertado que 37 ONGs humanitárias, incluindo MSF, seriam impedidas de entrar em Gaza a partir de ontem, 1º de janeiro de 2026, caso não fornecessem às autoridades os nomes dos seus funcionários palestinianos até a noite de 31 de dezembro.
As ONGs incluídas na proibição receberam ordens para cessar suas atividades até 1º de março. Várias delas afirmaram que as exigências violam o direito internacional humanitário ou colocam em risco sua independência.
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O Ministério da Diáspora afirmou previamente que as organizações que enfrentariam a suspensão teriam cometido supostas violações dos padrões de segurança e transparência exigidos por Israel para atuar na região ao não compartilharem informações sobre funcionários, financiamento e operações, sob a acusação de que membros de MSF e de outras ONGs estariam cooperando com o Hamas e outros grupos palestinos armados.
Por sua vez, Médicos Sem Fronteiras negou a afirmação e declarou que se recusava a cooperar com a política israelense porque a lei francesa a impedia de fornecer informações sobre seus funcionários.
Autoridades que representam as organizações humanitárias expressaram preocupação com o uso que Israel poderia fazer dos dados solicitados — para fins de auxiliar medidas de inteligência ou militares —, visto que Tel Aviv não se confirmou publicamente que não usaria as informações para estes objetivos.
(Com AFP)
O proprietário do bar suíço devastado por um incêndio mortal durante as celebrações de Ano Novo afirmou nesta sexta-feira à imprensa que todas as normas de segurança foram respeitadas.
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O cumprimento das normas de segurança está sob escrutínio desde o incêndio devastador que ocorreu na madrugada de 1º de janeiro no bar Le Constellation, localizado na prestigiada estação de esqui suíça de Crans-Montana.
O incêndio deixou 40 mortos e 119 feridos, em sua maioria jovens, segundo o balanço mais recente. Jacques Moretti, francês proprietário do bar junto com sua esposa Jessica, declarou ao jornal Tribune de Genève que o estabelecimento havia sido submetido a “três inspeções em dez anos”.
O Le Constellation, situado no térreo de um edifício residencial, tem capacidade para 300 pessoas, além de outras 40 em sua varanda, segundo o site da estação de esqui. Várias testemunhas afirmaram que o espaço de eventos no subsolo, onde o fogo começou, estava ligado ao térreo apenas por uma escada, descrita por alguns como “estreita”.
A promotora do cantão suíço de Valais (sudoeste), Béatrice Pilloud, indicou que o respeito às normas de segurança no estabelecimento é um dos eixos da investigação sobre a tragédia.
Segundo afirmou a promotora em uma entrevista coletiva, tudo indica que “o fogo teve origem em sinalizadores ou velas tipo sinalizadores colocadas sobre garrafas de champagne”. Pilloud informou que os proprietários do bar saíram ilesos e foram interrogados como testemunhas, sem que, até o momento, tenha sido estabelecida qualquer responsabilidade penal.
As declarações deles permitiram esclarecer a disposição do local, os detalhes das reformas recentes e a capacidade do estabelecimento, além de fornecer informações para a elaboração da lista de pessoas presentes no momento do incêndio, explicou a promotora.
De acordo com informações da imprensa, Jacques Moretti não se encontrava no bar quando o incêndio começou, mas sim no outro dos dois estabelecimentos do casal. Jessica Moretti estava presente no local no momento do desastre e sofreu ferimentos leves, mas pôde retornar para casa.
Uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira mostrou que a maioria dos ucranianos é contra a cessão de territórios no leste do país à Rússia, e rejeita qualquer limite ao tamanho das Forças Armadas. Os dois pontos são demandas centrais de Moscou nas negociações sobre um acordo de paz para o conflito iniciado há quase quatro anos, mas cujo desfecho ainda parece incerto a curto prazo.
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Segundo os números do Instituto Internacional de Sociologia de Kiev, 74% dos entrevistados não aceitam ceder o leste do país, na região conhecida como Donbass, aos russos, incluindo áreas ainda controladas por Kiev, assim como limitar a quantidade de tropas em tempos de paz e sem garantias de segurança confiáveis contra novas invasões. Foram entrevistadas mil pessoas entre novembro e dezembro do ano passado.
Os dois pontos estavam presentes em uma versão inicial do plano de paz apresentado pela Casa Branca, e que foi criticado pelos aliados da Ucrânia e por Kiev: na ocasião, o presidente Volodymyr Zelensky afirmou que estava diante de uma escolha difícil, “perder a dignidade ou perder um aliado”. A pesquisa comprova que, para a maioria da população, aceitar os termos do Kremlin seria o equivalente a uma capitulação.
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A Rússia ocupa hoje cerca de 20% do território ucraniano, incluindo a Crimeia, anexada unilateralmente em 2014, e áreas das regiões de Donetsk, Luhansk, Zaporíjia e Kherson, que também passaram a ser consideradas pelos russos como parte de seu território. Nenhuma das anexações foi reconhecida pela comunidade internacional, mas o líder russo, Vladimir Putin, exige a validação como uma das condições para baixar as armas. O Kremlin ainda quer um limite de 600 mil homens e mulheres nas Forças Armadas ucranianas, mas Kiev aceitaria um patamar de 800 mil.
Ao mesmo tempo, 69% dos entrevistados apoiam — sem muito entusiasmo, como ressaltou o instituto — o plano alternativo elaborado por Europa e Ucrânia, que prevê garantias de segurança com respaldo ocidental, o congelamento da linha de frente (sem o reconhecimento dos territórios russos) e um caminho para a adesão à União Europeia.
“Talvez não seja óbvio para representantes da mídia estrangeira e especialistas, mas mesmo o congelamento da linha de frente atual significa que milhões de ucranianos serão forçados a viver sob a dura realidade da ocupação, e milhões de deslocados internos e refugiados não terão a oportunidade de retornar para casa”, escreveu o diretor-executivo do instituto, Anton Hrushetsky, em comunicado. “Este já é um compromisso enorme e muito difícil para os ucranianos.”
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Hrushetsky destaca que o otimismo presente em declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, e até certo ponto por Zelensky não encontra respaldo popular. Apenas 10% dos entrevistados acreditam que a guerra terminará no início do ano e para 29% o fim será apenas em 2027. Para 33% dos ucranianos ouvidos, a resposta foi “não sei”. 62% dos entrevistados se disseram prontos para enfrentar a guerra “pelo tempo que for necessário”.
“Vemos que a maioria está consistentemente disposta a suportar a guerra pelo tempo que for necessário para uma conclusão aceitável”, declarou Hrushetsky. “Não estamos falando de uma vitória completa e, de fato, a maioria dos ucranianos avalia a situação com sobriedade. Mas a paz não pode ser capitulação, e os ucranianos estão prontos para continuar a resistência.”
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Andriy Andriyenko / 65ª Brigada Mecanizada das Forças Armadas da Ucrânia / AFP
Enquanto versões de acordos de paz circulam entre capitais, o conflito prossegue em solo ucraniano. Nesta sexta-feira, Kiev ordenou a retirada de 3 mil crianças e seus responsáveis de 44 localidades próximas à linha de frente em Zaporíjia e Kherson, onde as forças russas avançaram nas últimas semanas. Há uma ordem semelhante para Chernihiv, próximo à fronteira com a Bielorrússia, país aliado de Moscou e usado na invasão.
“No total, 150 mil pessoas foram evacuadas das zonas de linha de frente para regiões mais seguras desde 1º de junho. Entre elas, quase 18 mil crianças e mais de 5 mil pessoas com mobilidade reduzida”, disse o ministro da Reconstrução, Oleksiy Kuleba, no Telegram.
O presidente argentino, Javier Milei, decretou uma reestruturação da Secretaria de Inteligência do Estado (SIDE), redefinindo seus poderes e concedendo-lhe autoridade para deter indivíduos. A Side afirmou em um comunicado à imprensa que a reforma visa “limitar, definir e esclarecer” tanto a estrutura da agência quanto seus poderes.
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O decreto, publicado nesta sexta-feira no Diário Oficial, estipula, entre outros pontos, que “o pessoal de inteligência pode proceder à apreensão de indivíduos no âmbito do desenvolvimento de atividades de inteligência, assistência ou injunção judicial e/ou prática de crimes em flagrante e deve notificar imediatamente as forças policiais e de segurança competentes”. E estabelece também que as atividades de inteligência devem ser “secretas”.
O governo justificou a iniciativa em um comunicado que afirma que “os desafios globais e o novo papel central da Argentina no cenário mundial exigem um sistema de inteligência moderno, profissional e eficiente, alinhado com os mais altos padrões democráticos e republicanos”. Além disso, afirmou que as modificações foram feitas por decreto, sem passar pelo Congresso, porque “esperar a cadência habitual do processo legislativo causaria um atraso significativo, o que dificultaria a ação em tempo hábil e dificultaria o cumprimento efetivo dos objetivos da medida”.
Ainda assim, a decisão de Milei foi criticada pela oposição, que criticou o processo e o conteúdo da reforma. Uma coalizão de deputados denunciou que os serviços de inteligência “não podem ser transformados em uma polícia secreta”, segundo um comunicado. Para eles, as modificações estruturais terão como consequência um “Estado policial” que perseguirá os opositores.
Parlamentares dos partidos Províncias Unidas, Coalizão Cívica e Encontro Federal (centro e centro-direita) consideraram que a medida “abre as portas para práticas de vigilância que visam áreas e trabalhadores que nada têm a ver com tarefas sensíveis”.
Por sua vez, o deputado peronista Agustín Rossi (centro-esquerda, oposição) afirmou que a medida autoriza as Forças Armadas a realizar operações de inteligência interna e alertou que seu bloco trabalhará no Congresso para derrubar o decreto, o que exigiria sua rejeição por ambas as casas.
O decreto determina ainda a criação de um novo escritório no âmbito da Chefia de Gabinete de Manuel Adorni que se chamará Centro Nacional de Cibersegurança e será um órgão descentralizado da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, em substituição à antiga Agência Federal de Cibersegurança da Side. Adorni atua como um recurso importante da secretária geral da Presidência e irmã do presidente, Karina Milei. Com a mudança, pela primeira vez desde que assumiu o cargo, Karina terá influência e controle sobre a inteligência argentina.
Na prática, o departamento será responsável pela matéria de segurança cibernética destinada a “proteger o ciberespaço de interesse nacional, infraestruturas críticas de informação, ativos digitais estratégicos do Estado nacional e sistemas tecnológicos empregados na prestação de serviços públicos essenciais e atividades do setor público nacional”.
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Outra alteração que gerou controvérsia é a dissolução da Direção Nacional de Inteligência Estratégica Militar do Ministério da Defesa e transferência de bens, compromissos, direitos e obrigações para a Direção Geral de Inteligência do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas. A oposição alega que, com a nova composição, as Forças Armadas autonomizam a inteligência, em detrimento do controle civil que fazia o Ministério da Defesa.
Em comunicado, a Side afirmou que as tarefas de contraespionagem descritas no decreto visam “proteger o Estado argentino contra ações de inteligência, espionagem ou interferência de agentes estrangeiros”.
A Argentina sofreu dois graves atentados terroristas na década de 1990. Em 18 de julho de 1994, um carro-bomba destruiu o centro comunitário judaico Amia em Buenos Aires, matando 85 pessoas e ferindo mais de 300. Dois anos antes, outra bomba havia explodido na embaixada de Israel, deixando 29 mortos e mais de 200 feridos.
(Com AFP)
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, revelou nesta sexta-feira a suposta localização de sobreviventes de embarcações que teriam sido “bombardeadas” no Pacífico, onde os Estados Unidos atacam supostas lanchas do narcotráfico.
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O chefe de Estado colombiano não especificou a que episódio se referia. Em uma imagem de um mapa publicada no X, ele marcou um ponto ao sul do estado mexicano de Oaxaca e a oeste da Costa Rica.
Petro afirmou que “essa parece ser a zona exata onde caíram os [integrantes das lanchas] que se lançaram” das embarcações bombardeadas. Ele também sustenta que no ataque morreram “três pessoas”.
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Os Estados Unidos afirmaram na quarta-feira que três integrantes do narcotráfico a bordo de uma embarcação que viajava em “comboio” morreram durante uma operação militar contra o tráfico de drogas.
Washington acrescentou que os “outros integrantes do grupo abandonaram” as demais embarcações “saltando ao mar”, sem detalhar naquele momento a localização.
Petro acrescentou que a força naval da Colômbia está “disposta a colaborar” na localização dos supostos sobreviventes e fez um apelo a “todos os governos da região” para que se unam.
O presidente colombiano é um dos maiores críticos na região do deslocamento militar dos Estados Unidos no Caribe e no Pacífico para supostamente combater o narcotráfico. Ele defende que as pessoas atacadas nas lanchas são vítimas dos chefes do tráfico de cocaína e que, em várias ocasiões, nem sequer estavam transportando drogas.
Pelo menos 110 pessoas morreram nesse tipo de ataque desde setembro, segundo números fornecidos pelos Estados Unidos. Donald Trump anunciou recentemente a destruição de um píer utilizado pelo narcotráfico na Venezuela.
Em seguida, Petro afirmou que tinha conhecimento de um ataque no estado venezuelano de Maracaibo. No entanto, ao que tudo indica, essas suspeitas derivam de especulações nas redes sociais após um incêndio em uma fábrica de produtos químicos chamada Primazol.
O chefe da empresa refutou as afirmações de Petro, que costuma compartilhar em sua conta no X notícias não verificadas. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, evitou na quinta-feira comentar, em entrevista, o ataque anunciado por Trump.

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