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“Hoje testemunhamos uma redefinição da ordem energética mundial”, afirma Adriano Pires, sócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), que atua há mais de três décadas no setor, ao analisar o ataque dos Estados Unidos à Venezuela ocorrido neste sábado. Apesar de a justificativa americana para a ofensiva ser frequentemente associada ao combate ao narcotráfico, não há dúvida de que o petróleo é um fator central na escalada do conflito. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Em seu primeiro pronunciamento oficial após a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela que terminou com a captura do presidente Nicolás Maduro, a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, reivindicou que Edmundo González Urrutia, adversário de Maduro nas eleições de 2024, assuma o poder em Caracas “imediatamente”. A vencedora do Prêmio Nobel da Paz, publicou uma nota no início da tarde deste sábado, horas após o anúncio da ação americana pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
“Este é o momento dos cidadãos. Para aqueles de nós que arriscaram tudo pela democracia em 28 de julho. Para aqueles de nós que elegeram Edmundo González Urrutia como o legítimo Presidente da Venezuela, que deve assumir imediatamente seu mandato constitucional e ser reconhecido como Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Nacionais por todos os oficiais e soldados que as compõem”, escreveu em nota publicada em seu perfil no X.
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Nas últimas eleições presidenciais realizadas em julho do ano passado na Venezuela, María Corina, impedida de participar do pleito, se aliou a González Urrutia para se opor ao presidente chavista.
Demonstrando confiança numa possíve posse do parceiro de chapa, María Corina pediu aos venezuelanos que se preparem para “implementar” algo que prometeu comunicar “em breve” por meio de seus canais oficiais.
“Hoje, estamos preparados para exercer nosso mandato e tomar o poder. Permaneçamos vigilantes, ativos e organizados até que a Transição Democrática seja alcançada. Uma transição que precisa de todos nós”, afirmou a líder oposicionista. “Aos venezuelanos que estão dentro do nosso país, estejam preparados para implementar o que em breve comunicaremos a vocês por meio de nossos canais oficiais
* Matéria em atualização
Novos detalhes obtidos pelo canal americano CNN revelam que Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram surpreendidos e retirados à força de seus aposentos por tropas de elite dos Estados Unidos. Segundo fontes familiarizadas com o caso, o casal estava dormindo no momento em que a Delta Force, a unidade de contraterrorismo de maior prestígio do Exército americano, invadiu o dormitório na madrugada deste sábado. A incursão tática foi descrita como um sucesso absoluto por oficiais de Washington, sem o registro de quaisquer baixas entre os militares dos EUA.
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De acordo com a CNN, a administração Trump iniciou os preparativos para este ataque e para a captura de Maduro em meados de dezembro. O plano original previa que a execução ocorresse antes, mas fatores externos forçaram o adiamento. Entre os motivos citados por funcionários do governo estavam condições climáticas desfavoráveis e a decisão estratégica de Donald Trump de priorizar um ataque na Nigéria durante o dia de Natal.
O presidente dos EUA ainda afirmou neste sábado (3) que assistiu “ao vivo” a captura do mandatário venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, uma operação militar que foi “como um programa de televisão”.
“Eu a vi literalmente como se tivesse assistindo a um programa de televisão. Vimos em uma sala e acompanhamos todos os aspectos”, disse Trump em entrevista à emissora Fox. A operação foi “muito bem organizada” e nenhum americano perdeu a vida, acrescentou o mandatário republicano.
O objetivo central da Casa Branca, conforme apurado pela CNN com fontes oficiais, sempre foi a remoção de Maduro para estabelecer um governo de transição composto por lideranças venezuelanas, visando a convocação de novas eleições. Embora o governo Trump venha elaborando discretamente os planos para o “dia seguinte” há semanas, Washington ainda não se manifestou publicamente sobre a formação dessa nova estrutura de liderança após a queda do regime.
Nos bastidores, o canal americano aponte que rascunhos desse planejamento focavam no apoio ao líder da oposição, Edmundo González, como peça-chave para preencher o vácuo de poder. No entanto, o Secretário de Estado, Marco Rubio, manteve o sigilo no último mês ao ser questionado sobre as garantias de estabilidade que os EUA ofereceriam à Venezuela em caso de deposição.
O ataque
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram helicópteros das Forças de Operações Especiais dos EUA sobrevoando Caracas durante a madrugada deste sábado, enquanto múltiplas explosões iluminam o céu da capital venezuelana. Segundo relatos não confirmados, as aeronaves seriam helicópteros CH-47G Chinook, projetados para operações secretas.
Ao menos sete explosões e ruídos semelhantes ao sobrevoo de aviões foram relatados na madrugada deste sábado, por volta das 2h, em Caracas. De acordo com fontes locais, um dos alvos teria sido a base militar de La Carlota, da Força Aérea venezuelana, e o Forte Tiuna.
Segundo uma equipe da rede americana CNN, algumas áreas da capital venezuelana ficaram sem energia elétrica. “Uma delas [explosões] foi tão forte que minha janela tremeu depois”, escreveu a correspondente da CNN em Caracas, Osmary Hernandez.
As explosões ocorrem depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, enviou uma frota de navios de guerra para o Caribe, mencionou a possibilidade de ataques em território venezuelano e afirmou que os dias do presidente Nicolás Maduro no poder estavam contados.
Imagens não verificadas compartilhadas nas redes sociais mostram grandes incêndios com colunas de fumaça, embora sem elementos que permitam identificar a localização exata das explosões, que parecem estar ocorrendo no sul e leste da cidade. Ainda, porém, não é possível verificar sua autenticidade.
Na última segunda-feira, Trump afirmou que os Estados Unidos destruíram uma área de atracação usada por embarcações acusadas de tráfico de drogas na Venezuela, o que seria o primeiro ataque terrestre dos EUA em solo venezuelano. Maduro, por sua vez, expressou confiança em uma entrevista transmitida na última quinta-feira.
— O sistema de defesa nacional garantiu e continua a garantir a integridade territorial, a paz do país e o uso e gozo de todos os nossos territórios — disse o líder venezuelano.
Desde setembro, as Forças Armadas dos EUA realizaram mais de 30 ataques contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas no Caribe e no Pacífico, resultando em pelo menos 115 mortes. Em paralelo, Washington mobilizou o maior destacamento militar no mar do Caribe desde a Crise dos Mísseis, em 1962, com o maior porta-aviões do mundo, mais de 15 mil militares e diversos navios de guerra.
Trump acusa Maduro de chefiar uma vasta rede de narcotráfico, acusação que Caracas nega, alegando que Washington quer derrubá-lo para se apoderar das reservas de petróleo do país, as maiores do mundo.
O presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal, Nelsinho Trad (PSD-MS), afirmou em nota que o colegiado acompanha com especial atenção a situação na Venezuela e demonstrou preocupação, em particular, com os brasileiros que se encontram no país e com os impactos imediatos nas regiões de fronteira com o Brasil.
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A manifestação ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a realização de um “ataque de grande escala” contra a Venezuela, que teria resultado na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Segundo o governo americano, ambos teriam sido retirados do país e serão julgados nos Estados Unidos por acusações que incluem narcoterrorismo.
Em nota oficial, emitida pelo presidente, a CRE destacou que a rapidez da ação militar em território venezuelano levanta questionamentos legítimos sobre possível conivência interna. O texto também fala que existe um histórico do regime de Nicolás Maduro, marcado por “destruição das instituições democráticas, repressão a opositores, prisões políticas e graves acusações de vínculos com o crime organizado”.
“A CRE está ciente de que os eventos estão em desenvolvimento e terão consequências de curto, médio e longo prazos”, pontuou.
Por isso, o colegiado avalia que, neste momento, é necessário aguardar as manifestações oficiais do governo dos Estados Unidos, incluindo o pronunciamento ou a coletiva de imprensa do presidente norte-americano, prevista para as 13h no horário de Brasília.
No comunicado, a Comissão ressaltou que a defesa da democracia e o enfrentamento ao narcotráfico não autorizam a banalização do uso da força contra a soberania de um país e devem respeitar os marcos do Direito Internacional e os princípios da Organização das Nações Unidas.
Mais cedo, Trump anunciou em rede social que a operação militar americana foi realizada em conjunto com forças de aplicação da lei dos Estados Unidos. Segundo fontes venezuelanas, bases militares em Caracas e em ao menos outros três estados teriam sido bombardeadas. Até o momento, não há um balanço oficial de vítimas civis ou militares.
Com participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por videoconferência, a cúpula do governo brasileiro realizou na manhã deste sábado a primeira reunião para discutir a situação na Venezuela após o ataque dos Estados Unidos ao país. Após o encontro, o ministro da Defesa, José Múcio, afirmou que a fronteira está aberta e que há contingente suficiente para garantir segurança. Segundo ele, são 200 homens na fronteira, 2.300 em Roraima e um total 10 mil na Amazônia.
Ministros que não estavam em Brasília, como Mauro Vieira (Relações Exteriores), participaram de forma virtual da reunião. O chanceler relatou que não há brasileiros entre os feridos.
— O ministro das Relações Exteriores (Mauro Vieira) relatou o contato que teve com seus homólogos nas últimas horas e indicou não haver até o momento notícias de brasileiros entre as vítimas — afirmou a secretária-geral do Ministério das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha.
Às 17h, haverá uma nova reunião da cúpula do governo brasileiro para atualizar a situação com a participação de Lula, que está na Reestinga da Marambia, no litoral do Rio.
Após o encontro da manhã, Mucio contou que não há necessidade de reforço na fronteira.
— A fronteira está absolutamente tranquila. Nós temos um contingente suficiente lá, de homens e equipamentos. Estamos aguardando que as coisas aconteçam. Há muitas notícias desencontradas.
O ministro da Defesa ainda relatou que recebeu um telefonema às 7h do governador de Roraima, Antonio Denarium, para discutir a situação no estado.
Maria Laura da Rocha disse que os brasileiros que estão na Venezuela para fazer turismo não estão tendo problemas para deixar o país.
A reunião aconteceu após Lula condenar publicamente a ofensiva americana. Em nota divulgada mais cedo, o presidente afirmou que os bombardeios em território venezuelano “ultrapassam uma linha inaceitável” e representam “uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela”, além de estabelecerem “um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”. O presidente disse ainda que o ataque viola o direito internacional e ameaça o multilateralismo.
Segundo Lula, a ação “lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe” e coloca em risco a preservação da região como zona de paz. O presidente defendeu que a comunidade internacional responda de forma vigorosa ao episódio, por meio da Organização das Nações Unidas, e reiterou que o Brasil permanece à disposição para promover o diálogo e a cooperação.
O ataque foi anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por meio de uma rede social, em mensagem na qual afirmou que forças americanas realizaram um “ataque de grande escala” contra a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro, que teria sido retirado do país por via aérea. Washington não informou para onde Maduro foi levado nem sob qual base legal ocorreu a captura.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram helicópteros militares sobrevoando Caracas durante a madrugada, enquanto explosões iluminavam o céu da capital. Relatos de autoridades e de moradores indicam que ataques atingiram instalações militares e provocaram interrupções no fornecimento de energia elétrica em algumas áreas, embora parte das informações ainda não tenha sido confirmada de forma independente.
A crise entre Washington e Caracas vinha se agravando nos últimos meses, com o anúncio de um bloqueio naval a petroleiros ligados à Venezuela e o aumento da presença militar americana no Caribe. Antes da ofensiva, Lula havia tentado atuar como mediador e defendido, em declarações públicas, a necessidade de diálogo para evitar uma “guerra fratricida” na região.
Segundo interlocutores do governo brasileiro, a reunião de emergência teve como objetivo reunir informações mais precisas sobre a operação e seus desdobramentos, especialmente diante de possíveis impactos humanitários e de segurança na fronteira entre Brasil e Venezuela.
O ataque militar dos EUA a Caracas e outras cidades venezuelanas contém uma mensagem clara ao mundo: “Podemos fazer qualquer coisa, a qualquer momento e em qualquer lugar. Nos respeitem”. Essa é a avaliação de um veterano e experiente diplomata americano, que comparou o ataque ao efetuado pelas Forças Armadas americanas ao Irã, em 2025.
Ainda é cedo para saber — e mais com Trump, um presidente imprevisível —, mas o diplomata acredita que os EUA podem “parar por aí”. Isso implicaria que o ataque teria como consequência uma mudança de liderança na Venezuela, mas não uma mudança de regime. “Trump não podia retirar todas as tropas que enviou ao Caribe sem fazer nada. E fez uma operação militar bem sucedida. Até agora, isso é o que temos, e pode ser só isso mesmo”.
A situação na Venezuela, acrescentou a fonte diplomática americana, era uma questão pendente para o presidente republicano. Em seu primeiro mandato, Trump apostou na pressão do chamado Grupo de Lima, integrado por vários governos da região, entre eles o Brasil durante os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, e no governo paralelo do opositor Juan Guaidó. “Nada deu certo, nem mesmo a estratégia de máxima pressão de 2025. Trump fez a última cosida que podia fazer”, apontou o diplomata.
Na avaliação da fonte em Washington, as declarações do secretário de Estado Marco Rubio indicariam que não há mais ações militares previstas por enquanto. Paralelamente, o silêncio de lideranças opositoras venezuelanos como María Corina Machado confirmam, concluiu o diplomata, “que elas não sabia de nada e não participaram disso”.
De acordo com oficiais do exército ouvidos pela emissora americana CBS News, equipes da Delta Force, uma espécie de “tropa de elite” das Forças Armadas dos Estados Unidos, foram responsáveis pelo ataque à Venezuela na madrugada deste sábado, que capturou o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores.
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Contexto: Mesmo com captura de Maduro, futuro da Venezuela ainda é incerto
A Delta Force, chamada oficialmente de 1º Destacamento Operacional de Forças Especiais do Exército dos EUA – Delta (1SFOD-D), é a principal unidade de missões especiais do Exército americano e foi também a responsável pela missão de 2019 que matou o ex-líder do Estado Islâmico Abu Bakr al-Baghdadi.
As missões da unidade envolvem principalmente contraterrorismo, resgate de reféns, ações diretas e reconhecimento especial, muitas vezes contra alvos de alto valor para o governo americano. As informações sobre suas atividades, porém, são consideradas classificadas, e a própria existência da Delta Force não era conhecida por um tempo.
Alvos americanos: Além de ataque à base da Força Aérea e forte militar em Caracas, outros três estados foram alvos das explosões, diz Venezuela
A unidade foi criada em novembro de 1977 pelo coronel do Exército dos EUA que atuou na Guerra do Vietnã Charles Beckwith como resposta direta a uma série de atentados terroristas que ocorreram ao longo da década de 1970. A ideia já havia sido proposta por Beckwith há uma década, mas estava engavetada até o aumento da ameaça de terrorismo internacional.
A primeira missão da unidade foi chamada de Operação Eagle Claw, em 1980, destinada a resgatar cerca de 50 reféns americanos da Embaixada dos Estados Unidos no Irã, liderada por Beckwith. A ação, no entanto, fracassou, o que levou posteriormente à criação do Comando Conjunto de Operações Especiais (JSOC), que controla hoje a Delta Force.
Veja a repercussão: Presidentes de Cuba e Colômbia condenam ataque dos EUA à Venezuela, e Milei comemora
O que se sabe sobre os bombardeios dos EUA à Venezuela
Os EUA lançaram uma série de ataques aéreos contra a Venezuela na madrugada de sábado, e o presidente americano, Donald Trump, afirmou que as forças de seu país capturaram e retiraram do país o presidente venezuelano, Nicolás Maduro.
Quando os ataques foram lançados?
As primeiras explosões fortes foram ouvidas pouco antes das 2h (3h no horário de Brasília) em Caracas e arredores, e continuaram até as 3h15 (4h15 no horário de Brasília), segundo a AFP.
Imagens que circulam nas redes sociais mostram mísseis cruzando o céu e depois atingindo alvos. Também foram vistos helicópteros sobrevoando Caracas. Pouco antes das 7h no horário local (8h em Brasília), um senador americano declarou que Washington havia concluído sua operação militar.
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Quais foram os alvos dos bombardeios?
Explosões seguidas de colunas de fumaça e incêndios atingiram o Forte Tiuna, o maior complexo militar da Venezuela, sede do Ministério da Defesa e da Academia Militar. De grandes dimensões, o local abriga não apenas instalações militares, mas também áreas residenciais destinadas às tropas, onde vivem milhares de famílias.
Em uma das entradas, ainda vigiada, um pequeno veículo blindado e um caminhão apresentavam marcas de tiros, observaram jornalistas da AFP. Moradores fugiram da região nas primeiras horas da manhã com malas e bolsas. “Quase nos mataram”, disse uma mulher durante a fuga.
Outras explosões foram ouvidas perto do complexo aeronáutico de La Carlota, um aeroporto militar e privado, no leste de Caracas. Um pequeno veículo blindado em chamas e um ônibus carbonizado puderam ser vistos, segundo jornalistas da AFP.
Outras explosões foram registradas no oeste do país, em La Guaira (aeroporto internacional e porto de Caracas), em Maracay, capital do estado de Aragua (a 100 km ao sudoeste de Caracas), e em Higuerote (a 100 km a leste de Caracas), no estado de Miranda, na costa do Caribe.
EUA atacam Venezuela, capturam Maduro e retiram líder chavista do país
Qual é o número de vítimas?
O ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, acusou o Exército dos Estados Unidos de atacar “com mísseis e foguetes disparados de helicópteros de ataque contra áreas residenciais habitadas por civis”. A vice-presidente venezuelana disse que houve mortes, entre elas de autoridades, militares e civis em todo o país.
Não há, no entanto, números disponíveis de vítimas ainda. Padrino afirmou estar “reunindo informações sobre os feridos e os mortos”.
O presidente Maduro foi preso e retirado do país?
Sim, o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e retirados do país, afirmou Trump em sua rede social Truth Social. Não está claro como o presidente Maduro teria sido capturado. Helicópteros americanos foram vistos sobrevoando Caracas.
Não se sabia com exatidão onde o presidente venezuelano estava hospedado, já que circulavam rumores de que ele vinha mudando de residência com frequência nos últimos meses.
Na quinta-feira, a televisão transmitiu uma entrevista na qual ele aparecia dirigindo por Caracas.
A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, exigiu uma “prova de vida” de ambos por parte do governo americano, enquanto a Rússia pediu um “esclarecimento imediato” a respeito.
Quais foram as reações internacionais?
A Rússia, principal aliada da Venezuela, condenou “um ato de agressão armada”, rejeitou “os pretextos utilizados para justificar tais ações” e lamentou que “a hostilidade ideológica tenha prevalecido sobre o pragmatismo comum”.
Outro aliado da Venezuela, o Irã, apontou uma “flagrante violação da soberania nacional e da integridade territorial do país”, condenando a “agressão ilegal dos Estados Unidos”, inimigo da República Islâmica.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, falou em uma “afronta gravíssima à soberania da Venezuela”.
Na Europa, a chefe da União Europeia para Relações Exteriores e Política de Segurança, Kaja Kallas, pediu “moderação” e respeito aos “princípios do direito internacional e da Carta das Nações Unidas”.
A Espanha se ofereceu como intermediária, afirmando estar “disposta a oferecer seus bons ofícios para alcançar uma solução pacífica e negociada para a crise atual”.
A Venezuela solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança no sábado.
O Exército reforçou a equipe de pessoal que atua na Operação Acolhida, na fronteira com a Venezuela, para o atendimento de refugiados após o ataque anunciado pelos Estados Unidos ao país vizinho. Segundo um oficial de alta patente, não houve envio de novas tropas para a região fronteiriça, mas os destacamentos militares permanecem em estado de alerta, com a orientação de cumprir o papel institucional de preservação da área.
A medida ocorre em meio ao agravamento da crise regional após o presidente americano, Donald Trump, afirmar que forças dos Estados Unidos realizaram uma ofensiva militar em território venezuelano e capturaram o presidente Nicolás Maduro, que teria sido retirado do país por via aérea. Washington não informou, até o momento, o destino de Maduro nem a base legal da operação, o que elevou a tensão diplomática na América do Sul.
Diante do acirramento do conflito, as Forças Armadas devem manter postura de neutralidade em relação à ofensiva anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, segundo relatos de integrantes do setor militar. A diretriz ganhou força após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenar publicamente a ação e defender uma resposta da comunidade internacional, sem envolvimento militar brasileiro.
A orientação entre os comandantes das Forças e no Ministério da Defesa é deixar que o Ministério das Relações Exteriores conduza a questão diplomática. Avaliações internas apontam que manifestações, favoráveis ou contrárias ao governo americano, poderiam trazer consequências institucionais às Forças Armadas, que mantêm cooperação e contratos com os Estados Unidos, além de tensionar a relação com o Palácio do Planalto.
Embora o Brasil não faça fronteira marítima com a Venezuela, a Marinha segue com o patrulhamento regular da área costeira conhecida como Amazônia Azul. A Força Aérea, por sua vez, mantém as atividades de vigilância e defesa do espaço aéreo, sem alteração de protocolos, segundo fontes militares.
O foco na fronteira terrestre com a Venezuela vinha sendo reforçado desde que as ameaças de Trump ao governo de Nicolás Maduro se tornaram mais explícitas, com o envio de armamentos e o aumento da presença militar americana na região do Caribe. De acordo com um oficial ouvido pela reportagem, o ataque “não surpreendeu”, mas foi descrito como “um começo de ano que ninguém queria”, diante dos riscos humanitários e de instabilidade regional.
Nos bastidores, a avaliação é de que a prioridade permanece sendo o atendimento humanitário e a preservação da estabilidade na faixa de fronteira, enquanto o governo brasileiro acompanha os desdobramentos diplomáticos antes de qualquer nova medida.
A data da volta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Brasília segue indefinida, apesar do ataque dos Estados Unidos à Venezuela na madrugada deste sábado.
Lula está no Rio no Rio de Janeiro desde o dia 26 e permanece hospedado na Restinga de Marambaia, base da Marinha localizada na Costa Verde do estado, de onde acompanhou as informações sobre a ofensiva contra Nicolas Maduro.
De acordo com um auxiliar do presidente, até a manhã deste sábado, a decisão sobre o retorno não havia sido tomada.
Nas redes sociais, Lula disse que o ataque “ultrapassa uma linha inaceitável”. Afirmou ainda que representa “uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”.
Lula e a primeira-dama Janja passaram a virada do ano no Forte de Copacabana, de onde assistiram ao espetáculo de queima de fogos da praia acompanhados do cantor Gilberto Gil. O momento foi compartilhado nas redes sociais pelo artista e pela sobrinha do presidente.
Trump confirma ataque à Venezuela e diz que Maduro foi capturado e retirado do país Além de ataque à base da Força Aérea e forte militar em Caracas, outros três estados foram alvos das explosões, segundo o governo venezuelano

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