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Diplomatas brasileiros ouvidos pelo GLOBO avaliam que o anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que Washington passará a governar a Venezuela “até segunda ordem” abre uma fase de profunda incerteza sobre o futuro político do país. Em declarações públicas, Trump deixou claro que o petróleo venezuelano é um dos interesses centrais de Washington, o que acrescenta um componente econômico à ofensiva e amplia as preocupações do governo brasileiro quanto aos desdobramentos da crise.
Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmam que ainda não está claro como será estruturada a administração transitória em Caracas, nem de que forma ela será operacionalizada ou quais mecanismos serão usados para exercer esse controle.
Trump também sinalizou que a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, deverá permanecer no comando do país, em coordenação com os americanos, até que seja definida uma “transição considerada adequada”. A indicação, segundo essa avaliação, reforça a percepção de que os Estados Unidos pretendem exercer influência direta sobre o processo político venezuelano no curto prazo, sem detalhar os mecanismos institucionais dessa condução.
Interlocutores com conhecimento do assunto chamaram atenção para o fato de Trump não ter citado a oposição como alternativa para o país — o que incluiria nomes como Edmundo González, candidato da oposição na última eleição presidencial, ou Maria Corina Machado, principal liderança opositora e figura central na articulação contra o chavismo.
Maria Corina foi mencionada de forma lateral como possível alternativa.
— É uma mulher legal, mas não tem o apoio e o respeito na Venezuela — afirmou Trump.
Esse vácuo político tende a abrir uma disputa interna intensa pelo comando do país. Nas palavras de um importante integrante do governo Lula, “agora começa a briga de foice no escuro pelo poder”, ao mencionar a possibilidade de embates entre diferentes grupos da oposição, incluindo aliados de Maria Corina, de Edmundo González e de outros atores que buscam espaço no novo arranjo. Segundo ele, trata-se de uma dinâmica recorrente na história recente da Venezuela, marcada por fragmentação e disputas internas.
Recado a Cuba e Colômbia
Trump e seu secretário de Estado, Marco Rubio, afirmaram que os presidentes de Cuba e da Colômbia, Miguel Díaz-Canel e Gustavo Petro, deixaram claro que ambos “devem se preocupar” com o que aconteceu com a Venezuela. Para interlocutores do Itamaraty, a declaração foi interpretada como um recado direto aos dois líderes. Uma ofensiva em Havana seria considerada mais provável, avalia um importante diplomata.
Interlocutores que acompanham o assunto em Brasília também fizeram comparações com intervenções militares anteriores conduzidas pelos Estados Unidos. Lembraram que, no caso do Iraque, foram necessários cerca de nove meses até a captura de Saddam Hussein, apesar da rápida derrubada do regime. Para essas fontes, o cenário atual guarda paralelos com o que ocorreu tanto no Iraque quanto no Afeganistão, onde a queda do governo central não resultou em estabilidade imediata e foi seguida por longos períodos de conflito, disputas internas e dificuldades para a consolidação de um novo poder político.
Na leitura de diplomatas, esse histórico amplia as incertezas em torno do desfecho venezuelano e reforça as preocupações regionais sobre os efeitos de uma intervenção externa direta em um país sul-americano, especialmente em um contexto de fragilidade institucional e elevada polarização política.
O governo brasileiro passou, ainda, a reavaliar os impactos da ação sobre a segurança regional e a política externa sul-americana, diante da percepção de que a iniciativa estabelece um precedente com potencial de alterar o equilíbrio diplomático no continente. Interlocutores afirmam que a ofensiva americana pode produzir efeitos políticos indiretos na América do Sul. A avaliação é de que, ao atuar dessa forma em relação à Venezuela, Washington amplia a percepção de que poderia adotar medidas semelhantes contra outros países da região, em contextos distintos.
Integrantes do governo Lula avaliam que esse cenário pode estimular movimentos políticos regionais. Segundo essas fontes, um bloco de governos de direita na América do Sul pode se sentir mais legitimado a adotar discursos ou práticas de viés intervencionista, o que tenderia a elevar o grau de instabilidade política e diplomática.
Para esses interlocutores, a decisão dos Estados Unidos de recorrer a uma ação militar direta fragiliza princípios como soberania e não intervenção, historicamente defendidos pelo Brasil e centrais na atuação diplomática do país. A leitura é de que esses fundamentos perdem força quando uma potência externa opta por intervir diretamente em um país sul-americano.
Além do impacto político, a ofensiva desperta preocupações relacionadas à segurança regional. Na avaliação interna do governo brasileiro, a ação rompe um longo período em que a América do Sul se manteve, ao menos formalmente, como uma zona de paz, sem intervenções militares diretas promovidas por atores externos.
Um dos principais focos de apreensão para o Brasil é a extensa fronteira terrestre com a Venezuela, que ultrapassa 2 mil quilômetros. A instabilidade no país vizinho, segundo essa avaliação, tende a intensificar pressões já existentes, como o aumento do fluxo migratório e o agravamento de riscos à segurança na faixa de fronteira, incluindo a atuação de grupos criminosos e o tráfico de drogas. Esse cenário pode exigir maior presença do Estado brasileiro, tanto na área militar quanto na assistência humanitária.
Questionados se a ofensiva do presidente Donald Trump representaria um recado direto à China, integrantes do governo brasileiro minimizaram essa interpretação. A visão predominante é de que a disputa entre Estados Unidos e China é estrutural, de longo prazo, e se desenvolve de forma gradual, em múltiplas frentes, configurando uma espécie de nova Guerra Fria. Nesse contexto, a crise na Venezuela não seria um movimento central dessa rivalidade.
Avaliações internas também indicam que não há elementos concretos que confirmem negociações mais amplas envolvendo outros pontos sensíveis da geopolítica global, como Taiwan. Outras leituras, de caráter mais especulativo, veem a ofensiva como parte de um processo mais amplo de pressão dos Estados Unidos sobre governos considerados adversários na região, com possíveis desdobramentos futuros. Essas interpretações, no entanto, não refletem uma posição oficial do governo brasileiro, que mantém cautela e prioriza o acompanhamento dos fatos por meio de canais diplomáticos.
Ao anunciar que os EUA vão permanecer na Venezuela e “essencialmente vão comandar o país” até que uma transição política ocorra após a captura neste sábado do líder Nicolás Maduro, o presidente dos EUA, Donald Trump, deixou claro o grande interesse de Washington: o petróleo venezuelano, que corresponde a 17% das reservas mundiais, as maiores do mundo.
— Nossas grandes petrolíferas, as maiores de qualquer lugar no mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar infraestrutura horrivelmente quebrada, a infraestrutura do petróleo, e começar a fazer dinheiro para o país — disse Trump em seu pronunciamento.
Ataques contra a Venezuela: Acompanhe a cobertura completa
Diplomata venezuelano: Ações dos EUA contra Venezuela são recado para a América Latina contra a China
A companhia petrolífera americana Chevron já opera atualmente na Venezuela graças a uma autorização especial.
O interesse dos EUA em relação ao petróleo já havia ficado claro no último dia 16, quando os EUA iniciaram um bloqueio naval contra petroleiros do país, tomando o controle de ao menos duas embarcações com o argumento de que seria uma forma de cortar a entrada de recursos que financiam organizações ligadas ao narcotráfico.
As autoridades americanas afirmam que a cúpula chavista, incluindo Nicolás Maduro, opera junto a esses grupos e lucram com o esquema. Mas, já naquele momento, o próprio Trump mencionou o interesse nos ativos do país ao anunciar o bloqueio.
— A Venezuela está completamente cercada pela maior Armada já reunida na História da América do Sul. E só vai ficar maior, e o impacto neles vai ser algo nunca antes visto, até que devolvam aos EUA todo o petróleo, terra e outros ativos que roubaram de nós anteriormente — disse o presidente em dezembro.
TV americana: Maduro e esposa foram retirados de dentro do quarto durante captura dos EUA
Nacionalização nos anos 2000
Por décadas, empresas americanas atuaram na extração e comercialização de petróleo venezuelano, até que o ex-presidente Hugo Chávez (1999-2013) realizou um processo de nacionalização do setor no começo dos anos 2000. Isso fez com que a maioria das empresas americanas se retirassem do país. Após a apreensão do primeiro petroleiro, outras autoridades americanas vincularam os dois cenários.
“O suor, a engenhosidade e o trabalho árduo dos americanos criaram a indústria petrolífera na Venezuela”, escreveu o vice-chefe de Gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, em um comentário nas redes sociais. “Essa expropriação tirânica foi o maior roubo de riqueza e propriedade americanas já registrado.”
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Assunto estratégico
Trump definiu como principal linha de política externa e de segurança a retomada da hegemonia dos EUA no Hemisfério Ocidental, afirmando textualmente uma volta da Doutrina Monroe na estratégia de segurança nacional, divulgada no fim do ano passado. Entre os objetivos listados no documento, estão a contenção de potências extrarregionais no continente americano, seja por meio de cooperação civil ou militar, bem como por meio de exploração de ativos importantes.
Estratégia de Segurança Nacional dos EUA 2025: O que diz o documento sobre cada região do mundo
Em participação no podcast The Daily, o jornalista do New York Times Anatoly Kurmanaev, que atualmente cobre a crise entre EUA e Venezuela, apontou como o controle das maiores reservas de petróleo conhecidas no mundo tem uma importância estratégica.
— Em parte, significa que os EUA poderiam controlar a oferta de petróleo, controlar os preços globais [da commodity] e recompensar seus aliados e punir seus adversários por meio da manipulação desse mercado — explicou Kurmanaev, acrescentando os benefícios geopolíticos. — Controlar essas reservas permitiria aos EUA seguir seu plano de se tornar o ator dominante nas Américas, expulsando adversários como China, Rússia e Irã da região, e dominar o ambiente político e econômico do país.
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Atualmente, a China é a principal compradora do petróleo venezuelano — o que, além do fornecimento da matéria-prima, é visto como estratégico por Pequim, ao criar um laço de dependência econômica e abrir espaço para possíveis investimentos partindo de uma posição de vantagem. Na estratégia de segurança nacional, a contenção da China é um elemento que permeia todo o racional da política americana.
Impacto para Caracas
Mesmo sob embargos americanos e longe de seu ápice, a indústria petrolífera ainda é o coração da economia venezuelana. Por causa do bloqueio imposto em dezembro, a PDVSA anunciou o fechamento de poços de petróleo na Faixa do Orinoco, por falta de espaço de armazenamento e disparada dos estoques dispararam, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg.
Contexto: Petróleo da Venezuela é um dos focos da campanha de Trump contra Maduro
O objetivo seria diminuir a produção em ao menos 25%, representando um corte de 15% sobre a produção total da Venezuela, que gira em torno de 1,1 milhão de barris por dia. A decisão representou um choque de realidade para Maduro, que vinha tentando manter as exportações. O fechamento de poços foi considerado um último recurso devido aos desafios operacionais e aos altos custos envolvidos para reativá-los. (Com Bloomberg)
Em entrevista à rede de TV americana Fox News, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, estão a bordo do USS Iwo Jima — um dos navios de guerra que estavam posicionados no mar do Caribe desde o fim do ano passado — rumo a Nova York, onde o líder venezuelano será julgado por quatro crimes, incluindo narcoterrorismo.
Acompanhe ao vivo: Trump confirma ataque à Venezuela e diz que Maduro foi capturado e retirado do país
Contexto: Mesmo com captura de Maduro, futuro da Venezuela ainda é incerto
O USS Iwo Jima (LHD-7) é um navio de assalto anfíbio que foi o segundo a receber o nome Iwo Jima nos EUA, batizado em homenagem à batalha que aconteceu na ilha japonesa de mesmo nome entre as forças americanas e o Japão durante a Segunda Guerra Mundial, em 1945.
Com um comprimento total de 256 metros, o USS Iwo Jima (LHD-7) possui um convés de voo com largura de 42,6 metros, uma boca de 32,3 metros e um calado – a altura em que um navio pode permanecer na água – de 8,1 metros. Ele chega a um deslocamento de aproximadamente 40,5 mil toneladas em carga total.
Captura de Maduro: Trump diz que EUA irão ‘permanecer na Venezuela’ até ‘transição adequada’ em pronunciamento
Marinheiros e fuzileiros partem a bordo do navio USS Iwo Jima para operação de combate a cartéis na América Latina
Marinha dos EUA
A embarcação atinge uma velocidade de 23 nós e conta com uma tripulação de cerca de 1,2 mil pessoas, além da capacidade para embarcar aproximadamente 1.894 fuzileiros navais. Ele consegue operar mais de 30 aeronaves, incluindo helicópteros e aeronaves de decolagem vertical/curta, e conta com dois elevadores dedicados para a movimentação de aeronaves. Atualmente, seu porto de origem é em Norfolk, Virgínia.
O navio carrega o lema “Uncommon Valor” (Valor Incomum), baseado nas palavras do ex-almirante da Frota Chester W. Nimitz ao falar dos marinheiros e fuzileiros navais que lutaram na Batalha de Iwo Jima: “Entre os americanos que lutaram em Iwo Jima, a bravura incomum foi uma virtude comum.”
EUA atacam Venezuela, capturam Maduro e retiram líder chavista do país
Primeira imagem: Trump divulga foto de Maduro a bordo de navio americano
O primeiro Iwo Jima, o USS Iwo Jima (LPH-2), foi lançado em 17 de setembro de 1960 e realizou seu primeiro deslocamento para o Pacífico Ocidental, uma das seis missões que o navio faria à região, em 1963. Em abril de 1970, o navio entrou para a história ao atuar como o principal na recuperação da missão Apollo 13, o pouso lunar, após o retorno à Terra.
A embarcação foi usada em diversas outras missões, como na evacuação de civis de Beirute, no Líbano, em 1976, e como parte da coalizão que expulsou as forças iraquianas do Kuwait, em 1990. Após 32 anos, o primeiro Iwa Jima foi desativado e, em 1993, os trabalhos de fabricação do USS Iwo Jima (LHD-7) começaram, em setembro de 1996.
O novo navio foi lançado em 4 de fevereiro de 2000 e fez sua primeira viagem em 2001, acompanhada por mais de dois mil veteranos da Segunda Guerra Mundial, muitos sobreviventes da Batalha de Iwo Jima.
Maduro capturado: Escolhido por Chávez e por Cuba, líder venezuelano termina derrotado pelo poder bélico dos EUA
Desde então, fez parte de missões importantes para os EUA, como a invasão do Iraque liderada pelos EUA em março de 2003 e a ajuda humanitária no Golfo do México após a passagem do furacão Katrina.
Durante esse período, o navio chegou a servir como o único campo de aviação totalmente funcional da região para operações com helicópteros, realizando mais de mil operações, além de fornecer alojamento a milhares de integrantes da Guarda Nacional e trabalhadores de socorro.
Após captura de Maduro, Trump diz que EUA vão administrar Venezuela até transição segura; acompanhe ao vivo Além de ataque à base da Força Aérea e forte militar em Caracas, outros três estados foram alvos das explosões, segundo o governo venezuelano
Em seu pronunciamento sobre o ataque à Venezuela, Donald Trump disse que os Estados Unidos vão administrar o país diretamente. Ele afirmou que não podem correr o risco de deixar o país ser dirigido por grupo que não mereça. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
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O presidente dos EUA, Donald Trump, revelou detalhes sobre a captura do líder chavista, Nicolás Maduro, durante uma entrevista coletiva em sua residência privada em Mar-a-Lago, na Flórida, no primeiro pronunciamento oficial aberto à imprensa.
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Primeira imagem: Trump divulga foto de Maduro a bordo de navio americano
Embora seja o primeiro pronunciamento aberto a todos os veículos de imprensa, Trump deu breves entrevistas exclusivas pouco antes do pronunciamento oficial. Em declarações à emissora Fox News, o republicano antecipou que Maduro e a esposa, Cilia Flores, foram retirados de dentro de seu quarto durante a operação, que afirmou ter assistido ao vivo. Ele se recusou a confirmar qual força militar esteve diretamente implicada na missão, mas fontes americanas falaram anteriormente que a Delta Force, divisão de elite do Exército, teria realizado a prisão.
— Eu assisti [a operação] literalmente como quem assiste a um programa de televisão — disse Trump. — Foi uma coisa incrível.
Assista à entrevista coletiva de Donald Trump sobre a captura de Maduro:
Ainda de acordo com as declarações anteriores do presidente, Maduro e Cilia já estariam a bordo de navio militar americano, em direção a Nova York. procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, disse que ambos serão processados por denúncias que incluem narcotráfico. Em um trecho da acusação apresentada pelo Departamento de Justiça, obtido pela rede americana CNN, Maduro, a esposa e o filho são acusados de transformar as instituições venezuelanas em focos de corrupção, beneficiar narcoterroristas violentos e ajudar a produzir e transportar toneladas de cocaína para os EUA.
Bases militares em Caracas e ao menos outros três estados foram bombardeadas durante a madrugada, enquanto a divisão de elite realizava a infiltração para captura de Maduro. Líderes chavistas afirmaram que houve baixas civis, mas não se referiram a nenhum número em particular. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram helicópteros das Forças de Operações Especiais dos EUA sobrevoando Caracas durante a madrugada de sábado, enquanto múltiplas explosões iluminam o céu da capital venezuelana. Segundo relatos não confirmados, as aeronaves seriam helicópteros CH-47G Chinook, projetados para operações secretas, e teriam atuado durante os ataques.
Ao menos sete explosões e ruídos semelhantes ao sobrevoo de aviões foram relatados por volta das 02h (03h em Brasília), em Caracas. De acordo com fontes locais ouvidas pelo GLOBO, alguns dos alvos seriam a base militar de La Carlota, da Força Aérea venezuelana, e o Forte Tiuna, maior complexo militar do país. Outro alvo do ataque foi o Quartel da Montanha, mausoléu onde está enterrado o ex-presidente Hugo Chávez.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio — apontado como o principal defensor da atuação americana na América Latina —, limitou-se a republicar uma mensagem escrita nas redes sociais em julho do ano passado, em que afirmava que Maduro não era o presidente legítimo da da Venezuela e que seu governo também não era legítimo. A sinalização foi apontada por observadores como um possível sinal para dirimir futuros questionamentos quanto a legalidade do ataque.
O senador republicano Mike Lee, de Utah, disse à rede americana CNN ter conversado com Rubio após o ataque. O secretário teria garantido ao parlamentar que o objetivo da missão era a captura de Maduro, que a ação cinética — bombardeio e emprego de meios militares — teria sido empregada para defender os agentes que realizavam a captura e que não estariam previstas novas ações militares contra Caracas.
— Essa ação provavelmente se enquadra na autoridade inerente do presidente, conforme o Artigo II da Constituição, para proteger o pessoal dos EUA de um ataque real ou iminente — afirmou Lee.
Pedidos de calma e de mobilização
Em Caracas, as autoridades alternaram mensagens de condenação aos EUA, pedidos de calma e convocações à mobilização popular. Delcy, que classificou a ação americana como um “ataque brutal” e uma “agressão imperial”, anunciou a ativação dos planos integrais de defesa, que segundo ela teriam sido ordenados por Maduro.
— Povo na rua, ativação da milícia [Nacional Bolivariana] e de todos os planos de defesa integral da nação — disse a vice-presidente.
Em declarações televisionadas, o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, considerado um dos principais aliados de Maduro, pediu calma e instou o povo a confiar na liderança chavista.
— Que ninguém se desespere. Que ninguém facilite as coisas para o inimigo invasor — disse Cabello, acrescentando, sem apresentar provas, que bombas atingiram prédios civis.
O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, também falou ao vivo na televisão, condenando os ataques dos EUA.
— Vítimas inocentes foram gravemente feridas e outras mortas por este ataque terrorista criminoso — disse ele, repetindo os pedidos de prova de vida e para que as pessoas fossem às ruas “com calma e vigilância”.
*Matéria em atualização
O presidente americano Donald Trump compartilhou, neste sábado, uma nova imagem na rede Truth Social que, segundo ele, mostra “Nicolás Maduro a bordo do USS Iwo Jima”, navio que ele afirmou anteriormente à Fox News estar trazendo o líder venezuelano para os Estados Unidos.
A imagem mostra o que parece ser Maduro, usando uma máscara para os olhos e fones de ouvido, vestindo um agasalho cinza.
Trump compartilha imagem que diz mostrar Maduro a bordo do Iwo Jima
Reprodução | Truth Social
Trump informou que líder venezuelano segue rumo a Nova York, onde será julgado por quatro crimes, incluindo narcoterrorismo. Além disso, o presidente americano afirmou que ainda está decidindo sobre o futuro da Venezuela, mas assegurou que ninguém do regime Maduro tomará o poder do país sul-americano. Mais detalhes serão apresentados em uma coletiva de imprensa marcada para às 11h (13h em Brasília), em Mar-a-Lago, na Flórida.
— Não podemos correr o risco de deixar outra pessoa governar e simplesmente assumir o que [Maduro] deixou para trás. Portanto, estamos tomando essa decisão agora. Estaremos muito envolvidos nisso — afirmou Trump.
Segundo Trump, Maduro e sua esposa foram capturados em Caracas pelos agentes que participavam do ataque. Ambos foram, então, levados por um helicóptero das Forças Armadas até o Iwo Jima.
O presidente também revelou que o ataque dos EUA à Venezuela estava previsto para ocorrer quatro dias atrás, mas foi adiado por conta de condições climáticas.
Nenhum americano foi morto, mas alguns ficaram feridos durante a tentativa de capturar Maduro em um local que Trump descreveu como “fortemente fortificado”. O presidente acrescentou que um helicóptero foi atingido durante a operação, mas nenhuma aeronave foi perdida.
— Era muito complexo, extremamente complexo — disse.
O ataque
Trump anunciou neste sábado que forças americanas realizaram um “ataque de grande escala” contra a Venezuela e capturaram Maduro e a esposa dele, Cilia Flores, no ápice da escalada militar americana contra o país sul-americano desde o início da campanha de pressão iniciada em setembro do ano passado. Bases militares em Caracas e ao menos outros três estados foram bombardeadas, segundo fontes venezuelanas, sem que haja um balanço inicial de vítimas civis e militares. O republicano afirmou que Maduro e Cilia foram retirados do país, enquanto a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, antecipou que ambos serão julgados em território americano por denúncias que incluem narcoterrorismo.
“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi, juntamente com sua esposa, capturado e retirado do país. Esta operação foi realizada em conjunto com as forças de aplicação da lei americanas. Mais detalhes em breve. Haverá uma coletiva de imprensa hoje, às 11h [13h em Brasília], em Mar-a-Lago. Agradeço a sua atenção!”, escreveu Trump em uma publicação em seu perfil na Truth Social.
Em uma breve entrevista ao New York Times, minutos após a publicação da rede social, Trump comemorou o “muito bom planejamento” para a missão e as “tropas e pessoas excelentes” que estiveram na linha de frente, classificando como uma “operação brilhante”. Por telefone — em uma chamada que durou 50 segundos, de acordo com a reportagem —, o presidente se negou a dizer se recebeu autorização do Congresso para agir, e disse que novos detalhes seriam divulgados apenas na coletiva de imprensa.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram helicópteros das Forças de Operações Especiais dos EUA sobrevoando Caracas durante a madrugada de sábado, enquanto múltiplas explosões iluminam o céu da capital venezuelana. Segundo relatos não confirmados, as aeronaves seriam helicópteros CH-47G Chinook, projetados para operações secretas, e teriam atuado durante ataques que, segundo o governo venezuelano, atingiram os estados Miranda, Aragua e La Guaira, além de Caracas.
Ao menos sete explosões e ruídos semelhantes ao sobrevoo de aviões foram relatados por volta das 02h (03h em Brasília), em Caracas. De acordo com fontes locais ouvidas pelo GLOBO, alguns dos alvos seriam a base militar de La Carlota, da Força Aérea venezuelana, e o Forte Tiuna, maior complexo militar do país. Outro alvo do ataque foi o Quartel da Montanha, mausoléu onde está enterrado o ex-presidente Hugo Chávez.
Durante reunião com a cúpula do governo na manhã deste sábado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou de seus auxiliares mais informações sobre a situação na Venezuela após o ataque dos Estados Unidos para capturar Nicolás Maduro.
Lula quer que no novo encontro, marcado para as 17h, ministros e assessores tragam novos detalhes sobre a ofensiva americana e o cenário político no país vizinho.
O presidente não deu indicativo de que retornará neste sábado da Reestinga da Marambaia, no litoral do Rio, onde está desde o dia 26, nem que pretende procurar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O governo brasilero também aguarda o pronunciamento de Trump na tarde deste sábado.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, contou na reunião da manhã que já teve conversa com o seu homólogo da Venezuela, Yván Gil Pinto. Também relatou que fez contatos com os chanceleres da Espanha, do Uruguai e da Colômbia para discutir a situação venezuelana.
Após a reunião da manhã, o ministro da Defesa, José Múcio, afirmou que a fronteira com o país sul-americano está aberta e que há contingente suficiente para garantir segurança. Segundo ele, são 200 homens na fronteira, 2.300 em Roraima e um total 10 mil na Amazônia.
Já a secretária-geral do Ministério das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, afirmou que não há brasileiros entre os feridos após a ação dos Estados Unidos na Venezuela.
“Hoje testemunhamos uma redefinição da ordem energética mundial”, afirma Adriano Pires, sócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), que atua há mais de três décadas no setor, ao analisar o ataque dos Estados Unidos à Venezuela ocorrido neste sábado. Apesar de a justificativa americana para a ofensiva ser frequentemente associada ao combate ao narcotráfico, não há dúvida de que o petróleo é um fator central na escalada do conflito. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.

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