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As autoridades suíças anunciaram neste sábado a abertura de uma investigação criminal contra dois gerentes do bar incendiado na noite de Réveillon na estação de esqui de Crans-Montana, que deixou 40 mortos e 119 feridos.
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Os gerentes de nacionalidade francesa “são acusados de homicídio culposo, lesões corporais culposas e incêndio culposo”, informaram em comunicado a polícia e o gabinete da Procuradoria-Geral do cantão de Valais, sem mencionar prisão provisória.
Ao final dessa investigação, o Ministério Público decidirá se arquiva o caso ou se apresenta denúncia formal.
“A investigação foi aberta porque há suspeitas, mas enquanto não houver condenação, prevalece a presunção de inocência”, afirmou à imprensa a procuradora-geral do cantão do Valais, Béatrice Pilloud.
Quem são os suspeitos
Os proprietários do bar Le Constellation são um casal de franceses, Jacques Moretti e Jessica Moretti.
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Donos de quatro bares e restaurantes em Crans-Montana e arredores, eles foram interrogados no início da investigação “na condição de pessoas chamadas a prestar informações”, havia informado a promotora na sexta-feira.
Ela acrescentou que, segundo os primeiros elementos da apuração, o fogo teria começado “por velas acesas ou fogos de artifício tipo bengala colocados sobre garrafas de champanhe”, cujas chamas teriam incendiado o teto do porão do estabelecimento.
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Além do uso dessas velas, os investigadores analisam os acessos ao porão e a espuma — um isolante acústico — que reveste o espaço do bar, a qual parece ter pegado fogo rapidamente, segundo vídeos que circulam nas redes sociais.
“A investigação vai determinar se essa espuma está de acordo com as normas”, declarou Pilloud na sexta-feira.
A aeronave que transportou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, após a sua captura pelas forças militares dos Estados Unidos, teria feito um pouso forçado na base aérea de Ramey, em Porto Rico, por conta de uma questão médica. A informação é da rede americana de TV em língua espanhola Telemundo 47 e partiu de uma fonte anônima do governo americano.
Não está claro que tipo de problema de saúde teria motivado a parada, mas ela foi curta e “seguiram logo pela marcha em alto-mar”, novamente segundo o canal de notícias. O destino era o navio USS Iwo Jima, de onde foi realizado o translado do ditador latino-americano até Nova York, onde será julgado sob a acusação de envolvimento com o narcotráfico.
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Mais cedo, o presidente dos EUA, Donald Trump, havia dito que nenhum agente morreu durante a operação, apesar da resistência e de “muitos disparos” efetuados no abrigo de Maduro. Ele disse ainda que o presidente venezuelano tentou fugir para um “bunker” na casa, mas foi rendido antes que pudesse fechar a porta de aço.
Maduro teve a “fortaleza” invadida às duas horas da madrugada, no horário local, segundo o governo americano. As Forças Armadas do país foram surpreendidas por um comboio de caças, bombardeiros, drones e helicópteros que abriram caminho para a Delta Force, pelotão de elite, realizar a extração.
Trump publicou nas redes sociais uma foto de Maduro sob custódia no USS Iwo Jima. Ele anunciou que os Estados Unidos vão administrar o país durante a transição para um governo “justo e pacífico” e que lucrará com as reservas de petróleo como “compensação” a investimentos passados na infraestrutura.
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O governo da Venezuela denunciou o ataque como uma “agressão militar” e afirma que irá resistir ao controle externo, que para o chavismo teria motivação econômica. A diplomacia brasileira também condenou a ação, classificando-a como uma afronta à soberania do país.
Nicolás Maduro, presidente da Venezuela capturado na madrugada deste sábado na capital do país, Caracas, por forças militares dos Estados Unidos, foi surpreendido pela operação em uma instalação residencial no Forte Tiuna, tentou fugir para um “bunker” e foi rendido instantes antes de conseguir fechar a porta.
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A informação foi dada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que acompanhou a ação ao vivo em seu clube de Mar-a-Lago, na Flórida, e a classificou como “espetacular” em entrevista coletiva.
— Ele estava tentando entrar num abrigo, num bunker, mas não conseguiu chegar ao destino porque os nossos caras foram muito rápidos. As pessoas se perguntavam se íamos pegá-los de surpresa. De certa forma, ficaram surpresos, mas esperavam por algo. Houve muita resistência, muitos disparos — relatou o presidente americano.
Trump declarou ainda que, mesmo se Maduro tivesse conseguido escapar para dentro da sala, os militares provavelmente derrubariam a porta.
— Ele tentava ir para um lugar seguro. Não era seguro de verdade porque nós o teríamos explodido em 47 segundos, é o que dura em média, não importa quão grosso seja o aço. Era uma porta muito pesada. Ele chegou até o bunker, mas não conseguiu fechar a porta.
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150 aeronaves
O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior, detalhou a operação. Ela foi executada à noite para possibilitar o “elemento surpresa” e consistiu no deslocamento de mais de 150 aeronaves. As tropas da Delta Force, que capturaram Maduro, estavam em helicópteros.
Eles foram escoltados por caças F-35 e F-22, bombardeiros B-1 e drones, que partiram de 20 bases militares diferentes dos EUA. O plano era dissuadir o sistema de defesa antiaéreo em Caracas e estabelecer uma “rota segura” para a extração. O comboio chegou ao destino às duas horas da madrugada, no horário local.
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A residência era uma instalação militar no Forte Tiuna, segundo noticiou o The Washington Post. A localização teria sido obtida por uma fonte infiltrada da CIA, agência de espionagem americana, e foi monitorada constantemente por uma frota de drones furtivos.
Caine disse que as aeronaves abriram fogo “com força esmagadora” ao serem interpeladas pelo Exército venezuelano. Um helicóptero foi atingido, mas conseguiu retornar à base. Maduro adentrou o navio US Destroyer Iwo Jima duas horas e meia depois, de onde fez o translado até solo americano.
De acordo com a rede americana CNN, os preparativos do ataque se deram a partir de meados de dezembro, mas a operação chegou a ser adiada por conta do clima. Para Trump, foi como assistir a “programa de televisão”, nas palavras do chefe de Estado.
“Eu a vi literalmente como se tivesse assistindo a um programa de televisão. Vimos em uma sala e acompanhamos todos os aspectos”, disse Trump em entrevista à emissora Fox. A operação foi “muito bem organizada” e nenhum americano perdeu a vida, acrescentou o mandatário republicano.
A ofensiva dos Estados Unidos para capturar o ditador venuzuelano Nicolás Maduro é uma ameaça ao bom momento da relação dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Diante da gravidade da ação americana e de seu histórico em defesa da soberania das nações, o brasileiro não tem alternativas a não ser se posicionar de forma dura contra a invasão do país vizinho, apesar de ainda estar em negociação para derrubar tarifas sobre produtos brasileiros e para reverter a revogação de vistos de entrada nos EUA de ministros do governo e do Supremo Tribunal Federal (STF).
O tom do posicionamento adotado pelo Brasil já foi dado por Lula em sua manifestação nas redes sociais na manhã deste sábado. O presidente brasileiro disse que a iniciativa ultrapassa “uma linha aceitável” e cobrou uma reação da comunidade internacional. Acrescentou que “atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”. Mas no comunicado de 153 palavras, Lula não citou diretamente nem Trump nem os Estados Unidos.
Em pronunciamento durante a tarde, o presidente americano deu margem aos que o acusam de promover uma ação imperialista ao afirmar que os Estados Unidos vão administrar a Venezuela provisoriamente e controlarão as reservas de petróleo do país.

Em tese, após a fala de Trump, uma nova manifestação de Lula exigiria agora um tom ainda mais duro, elevando o risco de desagradar o presidente americano e enterrar o período da boa convivência, que começou a ser construída após o encontro nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, em setembro.

A aproximação, que teve o seu auge na reunião entre os dois presidentes em outubro na Malásia, levou, em novembro, à revogação da tarifa de 40% sobre a exportação de parte dos produtos brasileiros, como carne bovina, tomate, café, banana e açaí, e, em dezembro, à retirada das sanções previstas na Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, e à sua mulher, Viviane Barci de Moraes. No cenário nacional, as duas decisões foram vendidas pelo governo brasileiro como uma vitória política do petista e uma derrota do bolsonarismo.
Depois dos Estados Unidos retirarem as sanções a Moraes, Lula contou que mandou uma mensagem de agradecimento para Trump. No texto, o brasileiro lembrou que “ainda tem mais coisas para acertar entre nós”.
Lula espera que os Estados Unidos revoguem agora as sobretaxas de exportação de outros produtos, principalmente manufaturados e máquinas. Também trabalha para que seja revista a decisão de revogar os vistos dos ministros de seu governo Alexandre Padilha (Saúde) e Ricardo Lewandowski (Justiça), além dos membros da Suprema Corte Edson Fachin, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Flavio Dino e Gilmar Mendes.
Em café da manhã com jornalistas no dia 18, Lula disse que tem mandado uma mensagem pessoal para Trump a cada 15 dias para tentar chegar a um acordo para acabar de vez com as tarifas. Na conversa de outubro na Malásia, os dois trocaram números de telefone para que pudessem ter um contato direto, sem intermediários. Como o brasileiro não tem celular, suas conversas com Trump são feitas por meio do aparelho do chefe do cerimonial da Presidência, Fernando Igreja. Resta saber se haverá clima para manter o diálogo caso o brasileiro escale nos posicionamentos contrários à intervenção americana na Venezuela e ataque as decisões tomadas pelo presidente dos EUA.

Uma fonte da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) infiltrada no governo venezuelano monitorou a localização do presidente Nicolás Maduro nos dias e momentos que antecederam sua captura pelas forças especiais americanas, segundo pessoas a par da operação. A agência de espionagem americana, disseram as fontes, produziu as informações que levaram à captura de Maduro, monitorando sua posição e movimentos com uma frota de drones furtivos que forneciam vigilância quase constante sobre a Venezuela, além das informações fornecidas por suas fontes venezuelanas.
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A CIA tinha um grupo de agentes em solo venezuelano trabalhando clandestinamente desde agosto, de acordo com uma pessoa familiarizada com o trabalho da agência. Os agentes coletaram informações sobre o “padrão de vida” e os movimentos de Maduro.
Não está claro como a CIA recrutou a fonte venezuelana que informou os americanos sobre a localização de Maduro. Mas ex-funcionários disseram que a agência foi claramente beneficiada pela recompensa de US$ 50 milhões (R$ 271 milhões) oferecida pelo governo americano por informações que levassem à captura de Maduro.
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Em sua audiência de confirmação no ano passado, John Ratcliffe, diretor da CIA, prometeu liderar uma agência mais agressiva, disposta a conduzir operações secretas tanto para coletar informações quanto para promover a política externa americana. O presidente dos EUA, Donald Trump, autorizou a agência a tomar medidas mais agressivas desde que a ofensiva militar americana foi iniciada e, em novembro, aprovou o planejamento e a preparação para uma série de operações na Venezuela.
No final de dezembro, a CIA usou um drone armado para atacar um cais que autoridades americanas acreditavam estar sendo usado por uma quadrilha venezuelana para carregar drogas em barcos.
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Uma das pessoas informadas sobre a captura de Maduro disse que ela foi fruto de uma profunda parceria entre a agência e as Forças Armadas e envolveu “meses de planejamento meticuloso”. Um alto funcionário americano afirmou que a CIA e analistas de operações especiais tinham Maduro “monitorado” — ou seja, com sua localização precisa — desde o início do planejamento da operação.
No entanto, embora a CIA tenha desempenhado um papel crucial no planejamento e na execução da missão, esta foi uma operação policial conduzida pelas forças de operações especiais das Forças Armadas dos EUA, e não uma operação realizada sob a autoridade da agência.
Durou pouco o teatro americano para justificar a intervenção militar na Venezuela.
Donald Trump iniciou o pronunciamento deste sábado repetindo acusações não comprovadas de que Nicolás Maduro estaria por trás de um cartel de “narcoterrorismo”.
Em poucos minutos, escancarou que o real interesse americano está no subsolo do país.
— Vamos tomar o petróleo de volta. Francamente, já deveríamos ter tomado há muito tempo — declarou, em seu resort na Flórida.
A Venezuela detém as maiores reservas de petróleo do mundo, estimadas em 303 bilhões de barris. Isso coloca o país à frente de petroestados como Arábia Saudita e Irã.
Por muitas décadas, os recursos venezuelanos foram explorados por petroleiras americanas. Isso começou a mudar em 1975, com a criação da estatal PDVSA, até a nacionalização total em 2009, no governo de Hugo Chávez.
Neste sábado, Trump anunciou que os americanos vão governar provisoriamente a Venezuela após a derrubada de Maduro. Ele não detalhou os planos, mas afirmou que os gastos públicos serão cobertos por petroleiras americanas.
— Nossas gigantescas companhias petrolíferas americanas, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares e consertar a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado — afirmou.
Em outro momento, Trump reclamou que a indústria petrolífera da Venezuela é “uma bagunça”, e prometeu aumentar o volume de petróleo extraído no país.
Derrubado depois de 13 anos no poder, Maduro comandava um regime autoritário, que censurava a imprensa, reprimia a oposição e manipulava eleições.
Isso não justifica a intervenção militar americana, que violou o direito internacional e a Constiruição dos Estados Unidos.
A Carta das Nações Unidas só autoriza ataques em caso de legítima defesa ou sob autorização do Conselho de Segurança, que não foi sequer consultado sobre o bombardeio a Caracas.
E a Constituição dos EUA exige que o governo peça autorização ao Congresso antes de intervir militarmente em outros Estados soberanos.
Ao ser questionado sobre isso, Trump voltou a mostrar desprezo pelas instituições do país que governa.
— O Congresso ia vazar (a operação). E nós não queremos vazadores — disse.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado que a Nobel da Paz e líder da oposição da Venezuela, María Corina Machado, não conta “com o apoio nem o respeito” necessários para governar seu país. A declaração do líder republicano foi feita em primeiro pronunciamento oficial sobre a ação militar realizada horas antes no território venezuelano, que terminou com a captura do presidente Nicolás Maduro.
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— Acho que seria muito difícil para ela estar à frente do país. Ela não conta com apoio nem respeito dentro de seu país. É uma mulher muito gentil, mas não inspira respeito — declarou o presidente americano em uma coletiva de imprensa em sua residência na Flórida.
Questionado se tinha tido contato com a opositora, que há meses apoia a pressão militar dos Estados Unidos, Trump respondeu negativamente.
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Pouco antes, María Corina havia publicado uma nota em suas redes sociais reivindicando que seu aliado, Edmundo González Urrutia, assumisse “imediatamente” a Presidência do país.
“Este é o momento dos cidadãos. Para aqueles de nós que arriscaram tudo pela democracia em 28 de julho. Para aqueles de nós que elegeram Edmundo González Urrutia como o legítimo Presidente da Venezuela, que deve assumir imediatamente seu mandato constitucional e ser reconhecido como Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Nacionais por todos os oficiais e soldados que as compõem”, escreveu em nota publicada em seu perfil no X.
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Nas últimas eleições presidenciais realizadas em julho do ano passado na Venezuela, María Corina, impedida de participar do pleito por inelegibilidade decretada em 2023, se aliou a González Urrutia para se opor ao presidente chavista. Apesar da vitória de Maduro, reeleito para o terceiro mandato, ter sido confirmada pelas autoridades eleitorais venezuelanas, a oposição rejeitou o resultado do pleito, alegando que as eleições teriam sido fraudadas sob o regime ditatorial de Maduro.
Grande parte da comunidade internacional aderiu ao posicionamento dos adversários do líder venezuelano e diversos países reconheceram González Urrutia como presidente legítimo do país, incluindo os Estados Unidos. Diante das ameaças de prisão que recebeu do governo venezuelano após as eleições, o adversário de Maduro fugiu do país em setembro em direção à Espanha, onde vive asilado desde então
A ação militar realizada pelos EUA na Venezuela neste sábado, que terminou com a captura do presidente Nicolás Maduro, provocou um misto de sensações entre venezuelanos pelo mundo. Enquanto cidadãos que vivem no país sul-americano são tomados pelo medo e a incerteza sobre o futuro da Venezuela, venezuelanos refugiados em outros países comemoraram a captura do presidente Nicolás Maduro e atribuem a ação americana a um avanço da “liberdade” no país. Segundo o presidente americano, Donald Trump, tanto Maduro quanto sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e levados para os EUA.
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Um silêncio quase sepulcral e um forte cheiro de pólvora tomaram conta de Caracas no sábado, após os bombardeios americanos na madrugada, um “ataque em larga escala”, segundo anunciado pelo presidente americano, Donald Trump. As persianas cinzentas e fechadas das lojas pintam um quadro da paisagem deserta que se estende pela capital. Alguns carros trafegam pelas ruas vazias, e filas de compradores nervosos dão uma aparência de atividade à cidade de seis milhões de habitantes.
Agentes vestidos inteiramente de preto, portando fuzis e usando óculos escuros, patrulham o centro de Caracas, onde estão localizadas sedes ministeriais como o Ministério do Interior e o Ministério Público, bem como os escritórios do Corpo de Investigações Científicas, Criminais e Forenses (CICPC). Eles também patrulham o Palácio de Miraflores, onde, poucos dias antes, o presidente Maduro havia realizado seus comícios musicais repletos de insultos contra o imperialismo.
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Quando as primeiras explosões foram ouvidas na capital venezuelana, por volta das 2h da manhã, os moradores se debruçaram em seus terraços e varandas para ver de onde vinham os sons dos aviões rasgando o céu. As janelas tremiam com as ondas de choque sentidas em várias partes da capital.
— Foi horrível, sentimos os aviões sobrevoando nossa casa — disse um morador do bairro de Coche, perto de Fuerte Tiuna, o maior complexo militar da cidade atingido, falando sob condição de anonimato.
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Jairo Chacin, 39 anos, que é mecânico e proprietário de oficina no centro de petróleo de Maracaibo, no noroeste do país, foi entrevistado pela Reuters enquanto esperava em uma longa fila para estocar mantimentos. Ele contou que saiu de casa para checar as condições de seu negócio porque tinha medo de saques e decidiu encher o tanque de gasolina e comprar comida por “não saber o que está por vir”.
— Honestamente, eu tenho uma mistura de medo e alegria — relatou Chacin, que tem uma irmã morando nos EUA, por quem foi acordado esta manhã com a notícia dos ataques e com quem “chorou junto de felicidade”.
Assim como ele, outros moradores relataram apreensão com o futuro do país. Noris Prada, que também mora na capital, disse à AP que muitos venezuelanos “acordaram assustados” e que “muitas famílias não conseguiram dormir”. Um dos apoiadores de Maduro, o eletricista Alfonso Valdez, rechaçou a ação americana, a quem classificou como “polícia do mundo”.
— [Os Estados Unidos] são os que impõem a lei. A polícia do mundo. Polícia assassina, porque são assassinos — afirmou.
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Cerca de 500 apoiadores estão reunidos nas ruas centrais de Caracas, onde um palco foi montado com alto-falantes tocando músicas típicas de comícios chavistas.
— Viva Nicolás Maduro! — gritam do palco. — Viva! — responde a multidão.
Katia Briceño, uma professora universitária de 54 anos, contou que está no local para “defender” seu país contra o que considera um “ultraje”. Para Franklin Jiménez, também morador de Caracas, a captura de maduro não deveria ter acontecido e “vai criar um conflito pior do que o que está acontecendo agora”.
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Outra militante, Pastora Vivas, de 65 anos, relatou que o ataque americano “não foi uma surpresa”, visto que a expectativa de que uma ação militar dos EUA fosse acontecer já havia sido criada por conta da mobilização militar de Washington no Caribe desde agosto.
— Como um governo estrangeiro pode vir e interferir no país e depor o presidente? É um absurdo — reclama.
Na zona leste abastada de Caracas, longas filas se formaram em frente a lojas de alimentos, que vendiam seus produtos a portas fechadas. Pessoas de todas as idades entravam e saíam nervosamente. A ardência da pólvora ainda irritava seus olhos. O gás lacrimogêneo criou uma névoa antes do amanhecer, e poucos carros e motocicletas trafegavam pela principal rodovia de Caracas, que liga a cidade de leste a oeste.
Trump compartilha imagem que diz mostrar Maduro a bordo do Iwo Jima
Reprodução | Truth Social
Venezuelanos em diáspora
Enquanto a incerteza toma conta do país sul-americano, venezuelanos que vivem no exterior expressam alegria e euforia pelas ruas diante dos acontecimentos desta madrugada. Refugiados e migrantes no exterior somam cerca de 28% da população do país.
— Finalmente, teremos um país livre e vamos poder voltar para casa — disse Yurimar Rojas, uma vendedora ambulante, à AFP. Ela é uma das milhares de venezuelanas que foram às ruas de Santiago neste sábado para comemorar a captura de Maduro pelos Estados Unidos.
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Os venezuelanos chegaram vestindo camisetas de seu país, agitando bandeiras e tocando trombetas. Daymar Cuicas, que mora no Chile há oito anos, admite que, ao ouvir a notícia, foi tomada por “uma emoção tão grande” que ficou sem palavras.
— Isso é maravilhoso para nós — celebrou Yasmery Gallardo, de 61 anos, que está prestes a completar oito anos no Chile. — Já estou planejando minha viagem. Já avisei meus filhos que vou embora em março. Mal posso esperar para voltar ao meu país.
Milhares de venezuelanos também se reuniram na Estação Central, área onde milhares de migrantes se estabeleceram no Chile, que se tornou um importante destino para migrantes, principalmente da Venezuela. A população migrante dobrou em sete anos, atingindo 8,8% do total em 2024 neste país de 20 milhões de habitantes, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). A Venezuela é o principal país de origem dos imigrantes no Chile (41,6%), seguida pelo Peru (14,5%) e pela Colômbia (12,3%).
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O Chile é o quinto país que mais recebeu imigrantes da Venezuela desde que o chavismo assumiu o poder. Atualmente, cerca de 669,4 mil venezuelanos vivem no país. A maioria dos migrantes que deixaram o país fugindo da fome, da escassez de recursos e da repressão do regime, cerca de 2,8 milhões de pessoas, vive na Colômbia, seguidos por 1,6 milhão no Peru, 1,1 milhão nos EUA e 732,2 mil no Brasil.
Assim como em Santiago, venezuelanos se reuniram na Flórida entoando “este governo já caiu”, com bandeiras e símbolos nacionais em clima de Copa do Mundo, com destaque para agradecimentos a Trump e menção a uma parceria com María Corina Machado, líder oposicionista de Maduro, para “alcançar a liberdade” no país.
Uma delas, Kirvin Suarez, contou à Reuters que vive há 10 anos nos Estados Unidos e deixou a Venezuela porque tinha um irmão “que foi morto pela tirania do governo venezuelano” aos 22 anos.
— Arrancaram de nós um irmão, um filho, um tio. E assim como o sangue dele e a quantidade de sangue derramado por muitos compatriotas, hoje está sendo feita justiça pela quantidade de venezuelanos que deixamos o país para demonstrar quem somos — relatou Suarez, que agradeceu aos EUA por “ter lhe aberto as portas”. — Somos lutadores, empreendedores, pessoas boas, mas queremos voltar ao nosso país para reconstruí-lo, para seguir em frente e continuar sendo essa potência que a Venezuela sempre foi.
Na Espanha, onde vivem mais de 400 mil venezuelanos, Carmela Osorio relatou emocionada que sua família “está muito feliz” e que o sentimento é de que “finalmente escaparam da ditadura”.
(Com AFP)
O ataque dos Estados Unidos à Venezuela elevou o grau de incerteza no mercado internacional de petróleo e pode pressionar os preços da commodity nos próximos dias, avalia o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Ardenghy. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Diplomatas brasileiros ouvidos pelo GLOBO avaliam que o anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que Washington passará a governar a Venezuela “até segunda ordem” abre uma fase de profunda incerteza sobre o futuro político do país. Em declarações públicas, Trump deixou claro que o petróleo venezuelano é um dos interesses centrais de Washington, o que acrescenta um componente econômico à ofensiva e amplia as preocupações do governo brasileiro quanto aos desdobramentos da crise.
Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmam que ainda não está claro como será estruturada a administração transitória em Caracas, nem de que forma ela será operacionalizada ou quais mecanismos serão usados para exercer esse controle.
Trump também sinalizou que a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, deverá permanecer no comando do país, em coordenação com os americanos, até que seja definida uma “transição considerada adequada”. A indicação, segundo essa avaliação, reforça a percepção de que os Estados Unidos pretendem exercer influência direta sobre o processo político venezuelano no curto prazo, sem detalhar os mecanismos institucionais dessa condução.
Interlocutores com conhecimento do assunto chamaram atenção para o fato de Trump não ter citado a oposição como alternativa para o país — o que incluiria nomes como Edmundo González, candidato da oposição na última eleição presidencial, ou Maria Corina Machado, principal liderança opositora e figura central na articulação contra o chavismo.
Maria Corina foi mencionada de forma lateral como possível alternativa.
— É uma mulher legal, mas não tem o apoio e o respeito na Venezuela — afirmou Trump.
Esse vácuo político tende a abrir uma disputa interna intensa pelo comando do país. Nas palavras de um importante integrante do governo Lula, “agora começa a briga de foice no escuro pelo poder”, ao mencionar a possibilidade de embates entre diferentes grupos da oposição, incluindo aliados de Maria Corina, de Edmundo González e de outros atores que buscam espaço no novo arranjo. Segundo ele, trata-se de uma dinâmica recorrente na história recente da Venezuela, marcada por fragmentação e disputas internas.
Recado a Cuba e Colômbia
Trump e seu secretário de Estado, Marco Rubio, afirmaram que os presidentes de Cuba e da Colômbia, Miguel Díaz-Canel e Gustavo Petro, deixaram claro que ambos “devem se preocupar” com o que aconteceu com a Venezuela. Para interlocutores do Itamaraty, a declaração foi interpretada como um recado direto aos dois líderes. Uma ofensiva em Havana seria considerada mais provável, avalia um importante diplomata.
Interlocutores que acompanham o assunto em Brasília também fizeram comparações com intervenções militares anteriores conduzidas pelos Estados Unidos. Lembraram que, no caso do Iraque, foram necessários cerca de nove meses até a captura de Saddam Hussein, apesar da rápida derrubada do regime. Para essas fontes, o cenário atual guarda paralelos com o que ocorreu tanto no Iraque quanto no Afeganistão, onde a queda do governo central não resultou em estabilidade imediata e foi seguida por longos períodos de conflito, disputas internas e dificuldades para a consolidação de um novo poder político.
Na leitura de diplomatas, esse histórico amplia as incertezas em torno do desfecho venezuelano e reforça as preocupações regionais sobre os efeitos de uma intervenção externa direta em um país sul-americano, especialmente em um contexto de fragilidade institucional e elevada polarização política.
O governo brasileiro passou, ainda, a reavaliar os impactos da ação sobre a segurança regional e a política externa sul-americana, diante da percepção de que a iniciativa estabelece um precedente com potencial de alterar o equilíbrio diplomático no continente. Interlocutores afirmam que a ofensiva americana pode produzir efeitos políticos indiretos na América do Sul. A avaliação é de que, ao atuar dessa forma em relação à Venezuela, Washington amplia a percepção de que poderia adotar medidas semelhantes contra outros países da região, em contextos distintos.
Integrantes do governo Lula avaliam que esse cenário pode estimular movimentos políticos regionais. Segundo essas fontes, um bloco de governos de direita na América do Sul pode se sentir mais legitimado a adotar discursos ou práticas de viés intervencionista, o que tenderia a elevar o grau de instabilidade política e diplomática.
Para esses interlocutores, a decisão dos Estados Unidos de recorrer a uma ação militar direta fragiliza princípios como soberania e não intervenção, historicamente defendidos pelo Brasil e centrais na atuação diplomática do país. A leitura é de que esses fundamentos perdem força quando uma potência externa opta por intervir diretamente em um país sul-americano.
Além do impacto político, a ofensiva desperta preocupações relacionadas à segurança regional. Na avaliação interna do governo brasileiro, a ação rompe um longo período em que a América do Sul se manteve, ao menos formalmente, como uma zona de paz, sem intervenções militares diretas promovidas por atores externos.
Um dos principais focos de apreensão para o Brasil é a extensa fronteira terrestre com a Venezuela, que ultrapassa 2 mil quilômetros. A instabilidade no país vizinho, segundo essa avaliação, tende a intensificar pressões já existentes, como o aumento do fluxo migratório e o agravamento de riscos à segurança na faixa de fronteira, incluindo a atuação de grupos criminosos e o tráfico de drogas. Esse cenário pode exigir maior presença do Estado brasileiro, tanto na área militar quanto na assistência humanitária.
Questionados se a ofensiva do presidente Donald Trump representaria um recado direto à China, integrantes do governo brasileiro minimizaram essa interpretação. A visão predominante é de que a disputa entre Estados Unidos e China é estrutural, de longo prazo, e se desenvolve de forma gradual, em múltiplas frentes, configurando uma espécie de nova Guerra Fria. Nesse contexto, a crise na Venezuela não seria um movimento central dessa rivalidade.
Avaliações internas também indicam que não há elementos concretos que confirmem negociações mais amplas envolvendo outros pontos sensíveis da geopolítica global, como Taiwan. Outras leituras, de caráter mais especulativo, veem a ofensiva como parte de um processo mais amplo de pressão dos Estados Unidos sobre governos considerados adversários na região, com possíveis desdobramentos futuros. Essas interpretações, no entanto, não refletem uma posição oficial do governo brasileiro, que mantém cautela e prioriza o acompanhamento dos fatos por meio de canais diplomáticos.

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