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Em reunião neste domingo, a OPEP+ decidiu manter seus planos de pausar os aumentos de oferta de petróleo no primeiro trimestre do ano. Isso porque os mercados globais enfrentam excedente de suprimentos, e o grupo aguarda entender melhor os impactos no setor relativos à captura do líder venezuelano Nicolás Maduro pelo governo de Donald Trump.
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Membros-chave, liderados pela Arábia Saudita e Rússia, manterão os níveis coletivos de produção até o final de março, segundo delegados da OPEP+ que pediram anonimato, já que a decisão ainda não é pública. A OPEP+ é uma organização de países exportadores de petróleo.
Embora tenham acrescentado que seria prematuro ajustar o fornecimento em resposta à captura de Maduro, o panorama da produção venezuelana pode se tornar uma questão importante nos próximos meses para o grupo.
Os contratos futuros de petróleo caíram 18% no ano passado, a maior queda anual desde a pandemia de 2020, à medida que os suprimentos aumentaram entre os membros da OPEP+ e produtores importantes em outras regiões. Os analistas ainda preveem um excedente significativo e crescente em 2026.
A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo, mas atualmente bombeia menos de 1% da demanda global. Após a operação militar que resultou na captura de Maduro, o presidente Donald Trump afirmou que petrolíferas dos EUA investirão bilhões de dólares para reconstruir a infraestrutura energética em ruínas da Venezuela. Ela não foi afetada pelos ataques com bombas na capital venezuela no último sábado, garantem fontes.
No começo de dezembro, o presidente dos EUA, Donald Trump, surpreendeu muitos em Washington ao conceder perdão ao ex-líder de Honduras, Juan Orlando Hernández, condenado a 45 anos de prisão pela Justiça americana por comandar o que as autoridades chamaram de “uma das maiores e mais violentas conspirações para o tráfico de drogas do mundo”. Um mês depois, acusações similares contra um outro chefe de Estado, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, motivaram uma inédita ação militar dos EUA. Duas histórias semelhantes, mas cujos desfechos mostram a influência de Trump no sistema jurídico dos Estados Unidos, refletindo suas próprias visões e interesses.
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A investigação contra Hernández começou ainda no primeiro mandato de Trump, centrada em denúncias sobre o uso de recursos do Estado hondurenho para o transporte de drogas aos Estados Unidos. Embora tenha chegado ao poder com o discurso de combate à violência e ao narcotráfico, o inquérito revelou que ele mantinha laços com organizações criminosas desde 2004, e que cobrava milhões de dólares como “pedágio” para que elas pudessem atuar sem problemas.
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Os investigadores também descobriram que o dinheiro foi usado em campanhas eleitorais, e os promotores do Departamento de Justiça dos EUA descreveram o esquema não apenas como “uma das maiores e mais violentas conspirações para o tráfico de drogas do mundo”, mas também como um mecanismo para que Hernández se mantivesse no poder.
Ele foi preso em 2022, pouco depois de terminar seu segundo mandato, e extraditado para os Estados Unidos, onde foi condenado, em 2024, a 45 anos de prisão e pagamento de multa de US$ 8 milhões. Segundo os promotores, “ele pavimentou uma estrada de cocaína para os EUA, com o apoio de metralhadoras”. Gravações exibidas no tribunal mostraram diálogos explícitos com traficante: em um deles, disse que queria “enfiar drogas nos narizes dos gringos” nos EUA.
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Maduro, capturado no sábado, também enfrenta acusações ligadas ao tráfico: conspiração para o narcoterrorismo; conspiração para a importação de cocaína nos EUA; posse ilegar de metralhadoras e equipamentos explosivos e conspiração para a posse desses armamentos. O venezuelano também é acusado, em um processo aberto em 2020, de liderar uma organização criminosa, o Cartel de los Soles, que, de acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, é responsável por exportar toneladas de drogas para o país. O Departamento de Estado oferecia uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à sua prisão.
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Em boa parte do planeta, acusações semelhantes levariam a desfechos parecidos. Mas na Era Trump 2.0, interesses do presidente furam a fila.
Ainda em 2022, quando foi extraditado, Hernández acusava o então presidente dos EUA, Joe Biden, de perseguição política contra ele, ignorando que a investigação foi lançada pelo Departamento de Justiça ainda no primeiro mandato de Trump. Com o retorno do republicano à Casa Branca, a defesa viu a oportunidade perfeita para agir.
Em outubro, por intermédio de um velho conhecido de Washington, o conselheiro político Roger Stone, a defesa de Hernández enviou uma carta de quatro páginas a Trump, na qual apontava para uma suposta perseguição política, repetia argumentos caros ao presidente (“esquerda radical”, por exemplo) e citava Joe Biden. Dias antes de conceder o perdão, Trump já dava sinais de que a estratégia funcionou.
— Ele era o presidente do país, e basicamente disseram que ele era um traficante de drogas porque era o presidente do país — disse Trump a jornalistas, no final de novembro. — E disseram que foi uma armação do governo Biden. E eu analisei os fatos e concordei com eles.
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Apesar do perdão, Hernández não voltará tão cedo a Honduras. Dias depois da decisão de Trump, a Justiça local emitiu um mandado internacional de prisão contra ele, citando acusações de lavagem de dinheiro e fraude, ligadas à sua primeira eleição, em 2014.
“Fomos feridos pelos tentáculos da corrupção e pelas redes criminosas que marcaram profundamente a vida do nosso país”, disse o procurador-geral de Honduras, Johel Antonio, Zelaya ao anunciar o mandado de prisão, na rede social X.
Desde o início do ano, quando voltou à Presidência, Trump emitiu mais de 1,5 mil perdões a pessoas condenadas por crimes de diferentes tipos, incluindo a invasão ao Capitólio, em janeiro de 2021. Em praticamente todos os casos, os beneficiados eram seus apoiadores.
(Com The New York Times)
Semanas antes da operação que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, autoridades dos EUA já haviam se decidido por uma candidata aceitável para substitui-lo após sua deposição — pelo menos temporariamente: a vice-presidente Delcy Rodríguez. A líder chavista, uma aliada de Maduro, impressionou funcionários do presidente americano, Donald Trump, com sua gestão da crucial indústria petrolífera venezuelana. Pessoas envolvidas nas discussões disseram que intermediários convenceram o governo de que ela protegeria e defenderia futuros investimentos americanos no setor de energia do país.
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— Venho acompanhando a carreira dela há muito tempo, então tenho uma noção de quem ela é e do que ela representa — disse um alto funcionário dos EUA, referindo-se a Delcy. — Não estou alegando que ela seja a solução permanente para os problemas do país, mas ela certamente é alguém com quem achamos que podemos trabalhar em um nível muito mais profissional do que conseguíamos com ele.
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As frequentes aparições públicas de Maduro, somada a outras demonstrações de indiferença, ajudaram a convencer integrantes da equipe de Trump de que o presidente venezuelano estava zombando deles, tentando pagar para ver o que ele acreditava ser um blefe, segundo duas das pessoas, que falaram sob condição de anonimato por não estarem autorizadas a discutir as conversas confidenciais. Na semana passada, Maduro desdenhou da então mais recente escalada dos EUA — um ataque a um cais que os EUA afirmaram ser usado para o tráfico de drogas —, dançando ao som de uma batida eletrônica na televisão estatal, enquanto sua voz gravada repetia em inglês: “No crazy war” (Sem guerras loucas). Antes, havia recusado uma proposta de exílio na Turquia.
Assim, a Casa Branca decidiu levar adiante suas ameaças militares.
A opção por permitir a posse de Delcy foi uma escolha fácil, disseram as fontes. Trump não simpatiza com a líder da oposição María Corina Machado, que organizou uma campanha presidencial vitoriosa em 2024, o que lhe rendeu o Prêmio Nobel da Paz no ano passado. No sábado, Trump disse que aceitaria Delcy, afirmando que a opositora carecia do “respeito” necessário para governar a Venezuela.
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Autoridades americanas afirmam que o relacionamento com o governo interino será baseado na capacidade dela de jogar conforme as regras deles, acrescentando que reservam-se ao direito de tomar medidas militares adicionais caso não respeite os interesses dos EUA. Em uma declaração neste domingo, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que Washington irá trabalhar com as atuais lideranças da Venezuela se elas tomarem “as decisões certas”.
— Vamos julgar tudo pelo que fizerem, e vamos ver o que fazem — disse Rubio no programa Face the Nation, da CBS News. — Eu sei o seguinte: se não tomarem as decisões certas, os EUA manterão diversas ferramentas de pressão.
Trump declarou no sábado que os EUA pretendem “administrar” a Venezuela por um período indeterminado e recuperar os interesses petrolíferos dos EUA, uma afirmação extraordinária de poder unilateral e expansionista após argumentos mais estreitos — e também contestados — sobre interromper o fluxo de drogas.
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Com Delcy, o governo Trump estaria se envolvendo com uma líder do governo que repetidamente rotulou como ilegítimo, ao mesmo tempo em que abandona María Corina — além de não estar claro, imediatamente, se Delcy sequer colaboraria. Em um pronunciamento na televisão, ela acusou os EUA de realizarem uma invasão ilegal e afirmou que Maduro continua sendo o líder legítimo da Venezuela.
Para manter o poder de pressão, altos funcionários americanos disseram que as restrições dos EUA às exportações de petróleo venezuelano permanecerão em vigor por enquanto. Outros envolvidos nas negociações expressaram esperança de que o governo pare de deter petroleiros e emita mais licenças para que empresas dos EUA trabalhem no país, a fim de reanimar a economia e dar a Delcy uma chance de sucesso político.
A vice-presidente de 56 anos chega ao posto de líder interina da Venezuela com as credenciais de uma solucionadora de problemas econômicos que orquestrou uma mudança no país: de um socialismo corrupto para um capitalismo laissez-faire igualmente corrupto.
Delcy Rodríguez ao lado de Maduro e da cúpula chavista, em foto de janeiro de 2019
Luis Robayo/AFP
Ela é filha de um guerrilheiro marxista que ganhou fama por sequestrar um empresário americano. Foi educada em parte na França, onde se especializou em direito trabalhista, e ocupou cargos de médio escalão no governo do predecessor de Maduro, Hugo Chávez, antes de ser promovida a cargos maiores com a ajuda de seu irmão mais velho, Jorge Rodríguez, que acabou se tornando o principal estrategista político de Maduro.
Delcy conseguiu estabilizar a economia venezuelana após anos de crise e aumentar, de forma lenta mas constante, a produção de petróleo do país em meio ao endurecimento das sanções dos EUA, um feito que lhe rendeu o respeito relutante até de algumas autoridades americanas.
À medida que Delcy consolidava o controle sobre a política econômica e eliminava rivais, ela construiu pontes com as elites econômicas da Venezuela, investidores estrangeiros e diplomatas, para quem se apresentava como uma tecnocrata de fala mansa, em contraste aos oficiais de segurança robustos que formavam a maior parte do círculo interno de Maduro.
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Essas alianças deram frutos nos últimos meses, rendendo-lhe defensores poderosos que ajudaram a consolidar sua ascensão ao poder. No sábado, sua assunção foi recebida com otimismo cauteloso por alguns líderes da indústria da Venezuela, que disseram em particular que ela tinha as habilidades para gerar crescimento, se conseguisse convencer os EUA a relaxar o sufocamento da economia do país.
Apesar de todas as suas inclinações tecnocráticas, Delcy nunca denunciou a repressão brutal e a corrupção que sustentaram o governo de Maduro, tendo certa vez chamado sua decisão de ingressar no governo de um ato de “vingança pessoal” pela morte de seu pai na prisão em 1976, após ser interrogado por agentes de inteligência de governos pró-EUA.
A capacidade da líder em negociar através do abismo ideológico da Venezuela pode ser útil para aliviar as tensões. Juan Francisco García, ex-parlamentar do partido governista que desde então rompeu com o governo, disse ter algumas apreensões sobre a capacidade dela de governar, mas deu a ela o benefício da dúvida.
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— A história está cheia de setores e figuras ligadas a ditadores que, em algum momento, serviram como ponte para estabilizar o país e fazer a transição para um cenário democrático — disse García.
As contradições que cercam Delcy ficaram evidentes no sábado, quando ela se dirigiu à nação. Embora Trump tenha dito que ela havia sido empossada como a nova presidente da Venezuela, ficou claro que os apoiadores de Maduro — incluindo a própria, se suas declarações forem levadas ao pé da letra — ainda a veem como a líder da Venezuela. Até mesmo o texto na televisão estatal venezuelana a rotulou como vice-presidente.
Pessoas próximas ao governo, porém, disseram que essas exibições de lealdade eram uma estratégia necessária de relações públicas para pacificar os apoiadores leais do partido governista, inclusive nas Forças Armadas e grupos paramilitares, que estavam atordoados com a humilhação militar infligida pelos EUA ao seu país e com a destruição e morte causadas pelo ataque. (Com AFP)
Morador de Santa Elena de Uiarén, cidade venezuelana na fronteira com o Brasil, o técnico de comércio exterior Antonio Cardenas afirma ter pouca esperança de que algo mude em seu país após os Estados Unidos atacar Caracas e levar o presidente Nicolás Maduro para uma prisão em Nova York. Para ele, a ação americana foi um “show”, apenas para tirar Maduro do poder, mas as mesmas pessoas que davam respaldo a seu governo seguem por lá.
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— O povo segue sofrendo, essa é a verdade. Nosso futuro é incerto. Não há um poder democratico na Venezuela. Os extremos, de direita e esquerda, são essa mentira. Quem está no meio sofre, o povo trabalhador e que quer uma economia que seja pujante. As pessoas estão decepcionadas e com muito medo, porque, afinal, não houve liberdade na Venezuela. Não acredito que os EUA vão solucionar nada. Eles não estão interessados na venezuela, estão interessados nos recursos da venezuela — disse ele.
Um dia após os ataques dos Estados Unidos contra a Venezuela, a fronteira com o Brasil amanheceu reaberta, com um fluxo intenso de carros e pessoas em direção a Pacaraima, em Roraima, a primeira cidade do lado brasileiro. Venezuelanos que deixavam seu país de origem relatavam tensão com os bombardeios registrados na madrugada de sábado e incertezas sobre o que irá acontecer daqui para a frente.
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O engenheiro mecânico Maikeel Contrera, que deixou a família no estado de Mérida, na Venezuela, para tentar uma vida melhor no Brasil, diz que a sensação é de insegurança com o que chamou de “vazio de poder”.
— Há que evitar sair às ruas porque na Venezuela não há governo, há um vazio de poder e está cada um por um lado. As pessoas inocentes correm os risco de os grupos armados se enfrentarem. O risco é que não há lei. Há grupos armados em cada estado mandados por coronéis — disse ele ao cruzar a fronteira na manhã deste domingo.
Após os ataques, a fronteira com o Brasil chegou a ser fechada no sábado pelo lado venezuelano, mas segundo relataram integrantes do governo brasileiro, foi reaberta no fim do dia. O fluxo maior é de venezuelanos deixando o país.
Militares brasileiros fazem barreira na fronteira com a Venezuela, em Pacaraima (RR)
Patrik Camporez/ Agência O Globo
Do lado brasileiro, militares montaram uma blitz, como revista minuciosa de todos os carros que entram e identificação de seus ocupantes.
O trabalhador ambulante David Andrés, de 56 anos, e o operário Robert Rodrigues, de 25 anos, também chegaram ao Brasil em busca de oportunidade. Ao cruzar a fronteira neste domingo, eles dizem temer por quem ficou para trás.
— Minha família está toda lá. Está muito complicado. Estamos com medo por quem ficou — diz David.
Ao GLOBO, o governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), disse temer que a crise na Venezuela gere uma nova onda de refugiados no estado e sugeriu ao governo federal o fechamento temporário da fronteira com o país. O pedido foi feito aos ministros da Defesa, José Múcio, da Casa Civil, Rui Costa, e de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, com quem o governador conversou neste sábado.
Em entrevista na noite de ontem, após uma reunião no Itamaraty, o ministro da Defesa afirmou que a situação na fronteira era “tranquila”, mas que haveria um “plantão” para o caso de novos acontecimentos.
Como mostrou o GLOBO, uma das principais preocupações do governo brasileiro diante dos ataques dos Estados Unidos à Venezuela é a extensa fronteira terrestre compartilhada pelos dois países, com mais de 2 mil quilômetros de extensão. Avaliações feitas no Palácio do Planalto e em áreas da segurança indicam que a instabilidade no território venezuelano pode gerar impactos diretos sobre a região norte do Brasil.
A apreensão não se limita a um eventual aumento do fluxo de imigrantes venezuelanos em direção ao Brasil, movimento que já ocorre há anos em função da crise econômica e social no país vizinho. Autoridades brasileiras também veem risco de que a intensificação do conflito facilite a entrada, pela fronteira, de pessoas ligadas a organizações criminosas, especialmente ao narcotráfico.
Desde que começou a crise migratória venezuelana, em 2013, ano em que Maduro foi eleito presidente pela primeira vez — já com denúncias de fraude por parte da oposição —, o Observatório da Diáspora Venezolana estima que 9,1 milhões de pessoas deixaram o país. De acordo com a Agência das Nações Unidas para os Refugiados, a Acnur, a Venezuela tem hoje o maior número de refugiados do mundo (6,3 milhões), superando países como a Síria.
Os Estados Unidos trabalharão com os atuais líderes da Venezuela se eles tomarem “as decisões certas”, disse o secretário de Estado Marco Rubio neste domingo (4), após a operação americana que atacou o país e capturou o presidente Nicolás Maduro, levando-o para os EUA junto à esposa, Cilia Flores, no sábado.
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— Vamos julgar tudo pelo que eles fizerem, e vamos ver o que eles farão — disse Rubio no programa “Face the Nation” da CBS News.
— Eu sei o seguinte: se eles não tomarem as decisões certas, os Estados Unidos manterão múltiplas ferramentas de pressão para garantir a proteção de nossos interesses — acrescentou.
Questionado sobre a vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez, o secretário de Estado americano reiterou os “objetivos” dos Estados Unidos e garantiu que Washington “verá o que acontece”.
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A Suprema Corte da Venezuela determinou que Rodríguez assumisse a presidência após a captura de Maduro.
— Queremos que o narcotráfico acabe. Não queremos ver mais gangues entrando em nosso território… Queremos que a indústria petrolífera beneficie o povo, não piratas e adversários dos Estados Unidos — insistiu Rubio.
“A diferença” em relação ao governo de Nicolás Maduro é que “a pessoa no comando… era alguém com quem não se podia trabalhar”, acrescentou Marco Rubio.
— (Ele é) Alguém que nunca respeitou nenhum dos acordos que firmou. (E a quem) Oferecemos, em diversas ocasiões, a possibilidade de renúncia — continuou.
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Questionado sobre o envio de tropas americanas para solo venezuelano, o secretário de Estado descreveu a situação como uma “obsessão pública”, mas, ao mesmo tempo, uma “opção que ele (Donald Trump) não pode descartar publicamente”.
O governo Trump mantém atualmente um embargo ao petróleo “que nos permite exercer considerável influência sobre o curso dos acontecimentos”, afirmou o chefe da diplomacia americana.
A Venezuela não é “Líbia”, “Iraque” ou “Afeganistão”, disse.
— Nossa missão aqui é muito diferente — insistiu ele.
— Não estamos apenas confrontando o regime, estamos confrontando o que constitui uma ameaça aos interesses dos EUA — acrescentou.
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No começo dos anos 2000, grandes petrolíferas descobriram que havia muito dinheiro a ser ganho, mas também muito a perder na Venezuela. Duas ondas de nacionalização comandadas pelo governo de Hugo Cháves fizeram estrangeiras se dividirem entre permanecer ou sair do país. Entre os que seguem operando por lá estão ativos da Espanha, Itália e França — e até uma norte-americana, com autorização especial.
Seduzidas pelas riquezas subterrâneas, permaneceram na Venezuela a espanhola Repsol, a italiana Eni e a francesa Maurel & Prom. Elas são parceiras em empreendimentos com a estatal Petroleos de Venezuela SA. Por sua vez, a Chevron, dos EUA, negociou uma série de acordos para continuar no país sob Cháves e operou com permissão norte-americana tanto em administrações republicanas quanto democratas da última década.
A Chevron atualmente bombeia cerca de 140 mil barris por dia da Venezuela e os envia para refinarias na Costa do Golfo. Com a produção de cerca de 20% do petróleo do país, a empresa está em posição de destaque para ajudar a destravar mais produção de petróleo venezuelano. E alimenta uma dúvida sobre as chances de estrangeiras que deixaram o país retornarem, após a deposição de Nicolás Maduro em um ataque coordenado por Donald Trump neste sábado.
Até agora, o foco da Chevron tem sido principalmente obter o reembolso de suas próprias dívidas, em vez de injetar novos dólares no crescimento da produção. Procurada diante do novo cenário, a empresa afirmou que continua a “operar em plena conformidade com todas as leis e regulamentos relevantes”, focada na segurança de seus funcionários e na integridade de seus ativos.
Para especialistas no setor, não está claro quão dispostas grandes petroleiras estrangeiras estão a investir somas substanciais de dinheiro em um país administrado por um governo temporário apoiado pelos EUA, sem regras legais e fiscais estabelecidas.
Empresas saíram do país, mas podem voltar
As ondas de nacionalização deixaram um gosto amargo em empresas como Shell, Exxon e ConocoPhillips, com estas duas últimas ainda tendo bilhões de dólares em compensação pendentes após seus ativos terem sido apreendidos.
A ExxonMobil, maior empresa petrolífera dos EUA, esteve entre vários grupos ocidentais cujos ativos foram expropriados em 2007. Sete anos depois, recebeu US$ 1,6 bilhão de um painel internacional de arbitragem pela nacionalização de seu projeto Cerro Negro, na faixa petrolífera do Orinoco. Em novembro de 2025, Darren Woods, CEO da empresa, disse que consideraria investir na Venezuela, mas apenas sob as condições econômicas certas: “Eu não colocaria isso na lista nem tiraria da lista.”
Também no ano passado, um tribunal arbitral do Banco Mundial rejeitou o pedido da Venezuela para anular uma indenização arbitral de US$ 8,37 bilhões concedida à ConocoPhillips pela expropriação de seus projetos Hamaca, Petrozuata e Corocoro. Por isso, Francisco Monaldi, diretor de política energética para a América Latina da Universidade Rice, em Houston, considera que a empresa tem “incentivos significativos para retornar” e recuperar o que lhe é devido — embora o movimento seja “altamente improvável” no momento de instabilidade política.
Questionada sobre a situação, a ConocoPhillips afirmou que está monitorando os desenvolvimentos na Venezuela e suas potenciais implicações para o fornecimento e estabilidade energética global, acrescentando que seria “prematuro especular sobre quaisquer futuras atividades ou investimentos comerciais”.
Retomada rápida é difícil
Na prática, analistas veem dificuldades para uma retomada rápida da produção petrolífera por empresas dos EUA na Venezuela e citam o aumento do risco geopolítico — com a posição da China sendo importante nesta equação — como uma grande fonte de incerteza para o mercado global de petróleo após a ação militar inédita de Trump.
As empresas americanas terão que aderir à estratégia de Trump em um país instável, sob intervenção militar estrangeira e convulsionado socialmente. E as tensões com a China tendem a se acirrar, trazendo instabilidade para toda a América Latina, inclusive o Brasil, país que é grande destino de investimentos chineses em energia e agricultura, alerta o professor do Instituto de Energia da PUC-Rio, Edmar Almeida.
— Trump não manda nas empresas americanas. Quem vai decidir colocar dinheiro num país sob intervenção militar estrangeira, convulsionado? Elas vão querer se posicionar de forma concreta e massiva no país? É tudo muito instável.
O embaixador da Dinamarca nos Estados Unidos pediu neste domingo (4) “respeito total” à integridade territorial da Groenlândia, depois de a esposa de um assessor de Donald Trump compartilhar uma imagem da ilha ártica dinamarquesa com as cores da bandeira dos EUA. A postagem foi feita horas depois de o país atacar a Venezuela e capturar o presidente Nicolás Maduro, que foi levado à força para Nova York, onde deve ser julgado.
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Katie Miller, esposa do chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, publicou a foto do sábado (3) em seu perfil na rede social X, acompanhada de uma breve legenda em letras maiúscula: “SOON” (“em breve”, em tradução).
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Desde o seu regresso à Casa Branca em janeiro, Trump afirmou em repetidas ocasiões que os Estados Unidos “necessitam” deste território autônomo da Dinamarca, rico em recursos, por razões de segurança, e negou-se a descartar o uso da força para controlá-lo.
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A publicação de Miller em X também foi produzida depois que o exército dos Estados Unidos capturou o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, durante uma incursão militar surpreendente que incluiu bombardeios sobre a capital, Caracas, e outras regiões do país.
“Um pequeno lembrete amigável sobre os Estados Unidos e o Reino da Dinamarca: somos aliados próximos e devemos continuar a trabalhar juntos como tal”, disse Jesper Møller Sørensen, embaixador da Dinamarca nos Estados Unidos, em resposta à mensagem de Katie Miller.
“E sim, esperamos o respeito total da integridade territorial do Reino da Dinamarca”, escreveu.
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Especialistas consideraram que a operação na Venezuela é uma advertência aos aliados dos Estados Unidos preocupados com as ameaças de Trump de apoderar-se de recursos estratégicos, começando por sua declaração voluntária de anexação da Groenlândia. O presidente deixou claro o interesse no petróleo venezuelano e, na coletiva que concedeu em sua residência na Flórida ainda no sábado, garantiu que empresas petrolíferas americanas vão assumir a produção e a exploração do recurso em solo venezuelano. Nos últimos meses, o governo dos EUA roubou barcos carregados com petróleo que deixavam o país latino-americano.
— Nossas grandes petrolíferas, as maiores de qualquer lugar no mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar infraestrutura horrivelmente quebrada, a infraestrutura do petróleo, e começar a fazer dinheiro para o país — disse Trump no pronunciamento inicial à imprensa, durante entrevista coletiva em Mar-a-Lago.
Katie Miller foi durante um tempo assessora e porta-voz da comissão para a eficácia governamental Doge, então dirigida por Elon Musk, antes de ser contratada pelo multimilionário no setor privado.
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A Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) realiza neste domingo uma reunião ministerial virtual para discutir a operação dos Estados Unidos à Venezuela. O encontro foi convocado pelo Brasil e ocorre um dia após o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ser preso e levado para os Estados Unidos. 
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participa do encontro, marcado para 14h (horário de Brasília), e deve reforçar a posição do governo brasileiro, que condenou o ataque americano ao país vizinho na madrugada de sábado. Na véspera, Vieira conversou com o chanceler venezuelano, Yvan Gil. Segundo Gil escreveu em redes sociais, Vieira se solidarizou com a Venezuela. 
A expectativa é que os países da Celac produzam uma declaração de repúdio à ação militar dos EUA, ferindo a soberania do país vizinho. Há dúvidas se haverá apoio explícito a Maduro.
Em uma avaliação interna, interlocutores do governo brasileiro afirmam que a ação americana em território venezuelano elevou o nível de tensão política e diplomática na América Latina e no Caribe.
O encontro ocorre depois de o presidente Donald Trump anunciar a prisão de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Segundo autoridades americanas, o casal será julgado sob acusações relacionadas a narcotráfico e outros crimes.
Neste sábado, Lula repudiou publicamente o ataque dos Estados Unidos à Venezuela. Em publicação nas redes sociais, o presidente afirmou que os bombardeios e a captura do chefe de Estado venezuelano representam uma “afronta gravíssima” e ultrapassam uma “linha inaceitável”.
“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, escreveu.
Segundo o presidente, “atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”.
Para Lula, a ação comandada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe”.
“A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”, concluiu.
Um dia após os ataques dos Estados Unidos contra a Venezuela, a fronteira com o Brasil amanheceu reaberta, com um fluxo intenso de carros e pessoas em direção a Pacaraima, em Roraima, a primeira cidade do lado brasileiro. Venezuelanos que deixavam seu país de origem relatavam tensão com os bombardeios registrados na madrugada de sábado e incertezas sobre o que irá acontecer daqui para a frente.
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Além de lançar bombas em postos militares e outros pontos na região de Caracas, no norte venezuelano, o governo de Donald Trump levou o presidente Nicolás Maduro para uma prisão em Nova York, sob acusação de narcoterrorismo.
Entre os que cruzaram a fronteira na manhã deste domingo, o engenheiro mecânico Maikeel Contrera diz que a sensação é de insegurança com o que chamou de “vazio de poder”.
— Há que evitar sair às ruas porque na Venezuela não há governo, há um vazio de poder e está cada um por um lado. As pessoas inocentes correm os risco de os grupos armados se enfrentarem. O risco é que não há lei. Há grupos armados em cada estado mandados por coronéis — disse ele, que deixou uma filha de 9 anos e um filho de 14 no estado de Mérida, região andina da Venezuela, para buscar oportunidades no Brasil.
O engenheiro diz ainda que não sabe o que esperar do futuro da Venezuela, mas espera poder voltar um dia para o seu país.
— Não há estabilidade. Não sabemos se haverá novas eleições, nem se haverá democracia. Espero que o Trump leve para lá as empresas internacionais, que haja infraestrutura e emprego e um dia eu possa voltar. Temos tudo na Venezuela, minerais, agricultura, mas o governo fechou todas as oportunidades a quem não estava com eles — completa.
O trabalhador ambulante David Andrés, de 56 anos, e o operário Robert Rodrigues, de 25 anos, também chegaram ao Brasil em busca de oportunidade. Ao cruzar a fronteira neste domingo, eles dizem temer por quem ficou para trás.
— Minha família está toda lá. Está muito complicado. Estamos com medo por quem ficou — diz David.
O trabalhador ambulante David Andrés (à esq.) e o operário Robert Rodrigues, cruzam a fronteira em direção ao Brasil
Patrik Camporez/Agência O Globo
Após os ataques, a fronteira com o Brasil chegou a ser fechada no sábado pelo lado venezuelano, mas segundo relataram integrantes do governo brasileiro, foi reaberta no fim do dia. O fluxo maior é de venezuelanos deixando o país.
Do lado brasileiro, militares montaram uma blitz, como revista minuciosa de todos os carros que entram e identificação de seus ocupantes.
Ao GLOBO, o governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), disse temer que a crise na Venezuela gere uma nova onda de refugiados no estado e sugeriu ao governo federal o fechamento temporário da fronteira com o país. O pedido foi feito aos ministros da Defesa, José Múcio, da Casa Civil, Rui Costa, e de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, com quem o governador conversou neste sábado.
Em entrevista na noite de ontem, após uma reunião no Itamaraty, o ministro da Defesa afirmou que a situação na fronteira era “tranquila”, mas que haveria um “plantão” para o caso de novos acontecimentos.
Como mostrou o GLOBO, uma das principais preocupações do governo brasileiro diante dos ataques dos Estados Unidos à Venezuela é a extensa fronteira terrestre compartilhada pelos dois países, com mais de 2 mil quilômetros de extensão. Avaliações feitas no Palácio do Planalto e em áreas da segurança indicam que a instabilidade no território venezuelano pode gerar impactos diretos sobre a região norte do Brasil.
A apreensão não se limita a um eventual aumento do fluxo de imigrantes venezuelanos em direção ao Brasil, movimento que já ocorre há anos em função da crise econômica e social no país vizinho. Autoridades brasileiras também veem risco de que a intensificação do conflito facilite a entrada, pela fronteira, de pessoas ligadas a organizações criminosas, especialmente ao narcotráfico.
Desde que começou a crise migratória venezuelana, em 2013, ano em que Maduro foi eleito presidente pela primeira vez — já com denúncias de fraude por parte da oposição —, o Observatório da Diáspora Venezolana estima que 9,1 milhões de pessoas deixaram o país. De acordo com a Agência das Nações Unidas para os Refugiados, a Acnur, a Venezuela tem hoje o maior número de refugiados do mundo (6,3 milhões), superando países como a Síria.
Pouco antes das primeiras bombas americanas caírem sobre Caracas, e do presidente Nicolás Maduro, ser capturado e levado para os EUA, mercados de previsões — que apostam na probabilidade de eventos — registraram um salto nos palpites sobre a queda do líder venezuelano. Um único operador teve lucro de mais de US$ 400 mil, deixando no ar a suspeita de que pessoas com acesso aos planos de ataque podem ter se beneficiado.
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Um dos principais sites do mercado de previsões, o Polymarket, registrou alta considerável nas apostas de que Maduro estaria fora do poder antes de 31 de janeiro no final de sexta-feira, horas antes do anúncio da operação, feito por Donald Trump. Até ali, não havia qualquer indicativo que que um ataque estava a caminho: o primeiro sinal ocorreu por volta da meia-noite, pelo horário da Costa Leste americana, quando aeronaves na região da Venezuela foram ordenadas a não passar por ali.
Como apontou o portal Axios, uma conta recém-criada no Polymarket investiu US$ 30 mil na queda de Maduro, no final de sexta-feira. No dia seguinte, sacou US$ 436,7 mil. A empresa não se pronunciou sobre um possível uso de informações privilegiadas.
Desde as eleições nos EUA do ano passado, os mercados de previsão ganharam protagonismo nos meios político e econômico. Plataformas como o Polymarket e o Kalshi, que tem a bilionária brasileira Luana Lopes Lara entre seus fundadores, permitem que os usuários façam previsões sobre eventos mundiais, como a queda de Maduro ou uma nova guerra no Oriente Médio, e recebam incentivos financeiros para tal.
Apesar das empresas se apresentarem como uma plataforma para que especialistas e pessoas com conhecimento sobre determinado assunto deem suas opiniões, e até sejam recompensadas por tal, muitos consideram suas atividades como uma forma velada de atuação no mercado de apostas, as famosas bets. No Brasil, esse tipo de mercado não é regulamentado, mas tampouco proibido, afirmam especialistas.
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O ataque na Venezuela e o salto nas apostas contra Maduro levantou algumas questões importantes. No mercado financeiro e mesmo nas bets, há penalidades para pessoas que se aproveitem de seus cargos (um jogador de futebol que força um cartão, por exemplo) ou que usem informações privilegiadas para lucrar com investimentos. O mesmo não se pode dizer dos mercados de previsão: não há restrições explícitas a apostas feitas por membros do governo, inclusive em eventos sobre os quais eles têm influência ou conhecimento.
Para fechar essa lacuna, um deputado democrata promete apresentar um projeto de lei que veta a participação de uma gama de funcionários públicos — eleitos ou não — no mercado de previsões, O projeto não tem data para ser votado.
Imprensa como aliada
A captura de Maduro também jogou luz sobre outra prática antiga dos EUA, mas que não envolve apostas ou informações privilegiadas. De acordo com o portal investigativo Semafor, os jornais New York Times e Washington Post foram informados com antecedência sobre o início da operação na Venezuela, mas escolheram não publicar a notícia para proteger as tropas envolvidas no ataque.
Ouvidas pelo Semafor, fontes no governo disseram que os detalhes foram repassados aos veículos horas antes dos aviões decolarem, com o alerta para que não fossem publicados imediatamente para garantir a segurança dos militares que estavam em terra. A determinação foi obedecida sem questionamentos, diz o portal. Os envolvidos não quiseram se pronunciar.
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Apesar das rusgas com o governo Trump e das restrições impostas pelo Pentágono no segundo mandato do republicano, os veículos seguiram um antigo código de conduta relacionado a ações que possam colocar vidas de americanos em perigo. Em 1961, o New York Times segurou detalhes sobre a invasão fracassada da Baía dos Porcos, que tinha como alvo o regime de Fidel Castro em Cuba. Recentemente, vários veículos preferiram não publicar detalhes das negociações entre EUA e Rússia para a libertação do jornalista Evan Gershkovich e do ex-militar Paul Whelan, até que ambos fossem soltos.
A operação militar na Venezuela não deixou americanos mortos, mas 40 pessoas morreram no ataque em Caracas, de acordo com fontes do governo local, incluindo uma mulher de 80 anos, cuja casa foi atingida por um míssil na madrugada de sábado.

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