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Um tribunal da Holanda condenou nesta segunda-feira (5) Khaled al Najjar, de 53 anos, a 30 anos de prisão pelo assassinato da própria filha, Ryan, de 18 anos, em um crime classificado pela Promotoria como “crime de honra”. Foragido desde maio de 2024, o pai foi julgado à revelia. Os dois filhos dele, Mohamed, de 23 anos, e Muhanad, de 25, também foram considerados culpados e sentenciados a 20 anos de prisão cada um.
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Ryan foi dada como desaparecida em 22 de maio de 2024 e teve o corpo encontrado seis dias depois por um pedestre em um pântano da reserva natural de Oostvaardersplassen, em Lelystad, cerca de 40 quilômetros a nordeste de Amsterdã. A jovem estava amordaçada, com mãos e tornozelos amarrados, submersa na água. Exames periciais identificaram DNA de Khaled sob as unhas da vítima, indicando que ela tentou se defender.
Julgamento e participação dos irmãos
Segundo o resumo oficial da sentença, Khaled amarrou a filha, a estrangulou e abandonou o corpo no local isolado. O tribunal concluiu que os irmãos tiveram participação relevante no crime ao buscarem Ryan em Rotterdam e levá-la até a reserva natural, cientes do que aconteceria. Embora não tenha sido possível determinar o papel específico de cada um, a juíza afirmou que isso era “irrelevante para a atribuição de culpa”.
De acordo com a imprensa local, Muhanad foi o único a comparecer à audiência, vestindo um moletom com capuz, e declarou após a leitura da sentença que pretendia “limpar seu nome”. Mohamed optou por permanecer na prisão. O advogado de Muhanad, John Muhren, informou que irá recorrer, alegando ausência de provas diretas contra seu cliente, tese rejeitada pelos promotores.
Ryan al Najjar foi assassinada em maio de 2024 por seu pai e dois irmãos
Divulgação/Polícia holandesa
Motivações e contexto do crime
De acordo com a acusação, o assassinato foi motivado pelo fato de Ryan ter desafiado regras rígidas impostas pela família. Ela se relacionava com rapazes, usava redes sociais, recusava-se a usar véu e teria “humilhado” os parentes, segundo mensagens analisadas pela investigação. Um vídeo publicado no TikTok, no qual aparecia sem lenço e usando maquiagem, é apontado como o estopim do crime.
Promotores classificaram o caso como feminicídio e reforçaram que crimes de honra são “completamente inaceitáveis”. Investigadores relataram que a jovem vivia sob um padrão de intimidação e controle dentro de casa.
Após o crime, Khaled fugiu para a Síria, onde permanece escondido. Durante a investigação, ele enviou dois e-mails ao jornal holandês De Telegraaf assumindo a autoria e tentando inocentar os filhos, versão rejeitada pela Promotoria. Os irmãos foram presos poucas horas após a localização do corpo e seguem sob custódia.
Dados apresentados no tribunal indicam que ao menos cinco mulheres por ano na Holanda necessitam de proteção policial reforçada devido a riscos de crimes de honra.
O bar Le Constellation, palco de um incêndio durante a festa de Ano Novo na estação de esqui de Crans-Montana, não passava por inspeções periódicas desde 2020. A informação foi confirmada nesta terça-feira pelo prefeito da cidade, Nicolas Feraud, em entrevista coletiva.
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Segundo Feraud, houve “uma falha na realização de inspeções” no período entre 2020 e 2025. Ele afirmou “lamentar profundamente” a constatação, feita após o incêndio que resultou na morte de 40 pessoas e deixou mais de uma centena de feridos.
O episódio ocorreu na madrugada do dia 1º de janeiro e provocou ainda 116 feridos, dos quais mais de dois terços seguem hospitalizados. No fim de semana, as autoridades suíças anunciaram a abertura de uma investigação criminal contra dois gerentes do estabelecimento.
De acordo com comunicado da polícia e do Ministério Público do cantão do Valais, os dois responsáveis — ambos de nacionalidade francesa — são investigados por homicídio culposo, lesões corporais culposas e incêndio culposo. Até o momento, não foi decretada prisão preventiva.
Ao término da investigação, caberá ao Ministério Público decidir se o caso será arquivado ou se haverá apresentação de denúncia formal. A procuradora-geral do cantão, Béatrice Pilloud, destacou que a apuração segue em curso.
— A investigação foi aberta porque há suspeitas, mas enquanto não houver condenação, prevalece a presunção de inocência — afirmou Pilloud.
Um instrutor de mergulho britânico morreu poucos minutos após iniciar a exploração de um navio naufragado em Malta, segundo concluiu um inquérito realizado no Reino Unido, nesta semana. Darrel Nicholas Pascoe, de 66 anos, sofreu uma parada cardíaca depois de subir rapidamente à superfície durante um mergulho nos destroços do submarino P29, em 12 de outubro do ano passado, enquanto passava férias com a esposa.
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Pascoe estava submerso havia cerca de três minutos, acompanhado por um parceiro, quando sinalizou que queria encerrar a atividade. De acordo com a investigação conduzida em Truro, na Cornualha, na Inglaterra, ele ascendeu diretamente à superfície sem cumprir os procedimentos de segurança destinados a evitar danos relacionados à pressão.
Causa da morte e circunstâncias do mergulho
O inquérito apontou que a causa da morte foi um barotrauma pulmonar fatal associado ao mergulho, provocado pela subida muito rápida. Os investigadores destacaram que não se tratou de doença da descompressão, condição específica em que gases como o nitrogênio se acumulam nos tecidos do corpo.
De acordo com a imprensa britânica, após o colapso, Pascoe foi retirado da água pelo companheiro de mergulho, com auxílio de outra pessoa. Tentativas de reanimação cardiopulmonar foram feitas até a chegada dos serviços de emergência, que o encaminharam ao Hospital Mater Dei, em Msida, onde a morte foi confirmada.
Durante a audiência, foi informado que o instrutor não mergulhava havia cerca de 18 meses e possuía um problema cardíaco não diagnosticado. Também ficou registrado que ele não apresentou um atestado médico recente comprovando aptidão para a atividade, optando por uma escola de mergulho que dispensava essa exigência em razão de sua experiência anterior.
O patologista consultor do Royal Cornwall Hospital, Thomas Grigor, afirmou que exames médicos realizados em Malta provavelmente não detectariam a condição cardíaca e avaliou que ela teve, no máximo, um papel secundário no desfecho. Segundo ele, há diversas hipóteses para a subida abrupta, incluindo mal-estar súbito ou falha de equipamento, mas a dificuldade em equalizar a pressão — situação que pode causar dor intensa — foi considerada a explicação mais provável.
Ao registrar a conclusão oficial, o legista assistente da Cornualha e das Ilhas Scilly, Guy Davies, afirmou que Pascoe era considerado saudável e experiente, mas que não foi possível determinar o motivo exato da ascensão acelerada. “O Sr. Pascoe morreu de barotrauma pulmonar relacionado ao mergulho, após uma subida rápida por razões desconhecidas”, declarou.
Milhares de residências seguem sem eletricidade, comunicações e aquecimento nesta terça-feira em Berlim três dias após um ataque incendiário atingir a infraestrutura energética da capital alemã. O apagão, ocorrido na noite de sábado, deixou moradores expostos a temperaturas abaixo de zero e levantou questionamentos sobre a fragilidade dos sistemas de segurança da cidade.
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De acordo com o jornal português SiC Notícias, inicialmente, a interrupção afetou cerca de 45 mil casas e 2.200 empresas. As autoridades estimam que até 100 mil pessoas tenham sido impactadas. Na noite de segunda-feira, o fornecimento foi restabelecido em parte da cidade, mas 27.800 residências e 1.450 empresas da região sudoeste permanecem sem energia.
A autoria do ataque foi reivindicada pelo grupo de extrema esquerda Vulkangruppe (Grupo Vulcão), que afirmou ter sabotado a central elétrica a gás de Berlim-Lichterfelde como forma de protesto climático. Em carta divulgada na internet e apreendida pela polícia, o grupo classificou a ação como “necessária” contra a expansão desse tipo de instalação e como um ato de “autodefesa” do planeta, pedindo desculpas às populações vulneráveis afetadas.
Segundo a investigação preliminar, os ativistas incendiaram uma ponte suspensa que concentrava cinco linhas de transmissão de energia, utilizando dispositivos incendiários posicionados sob os cabos. O ataque comprometeu o abastecimento de uma ampla área da cidade.
Em coletiva de imprensa, a senadora do Interior de Berlim, Iris Spranger, classificou o episódio como um “ataque desumano” que colocou vidas em risco de forma deliberada e afirmou que o caso pode ser enquadrado como terrorismo de esquerda. Já a senadora de Assuntos Econômicos e Energia, Franziska Giffey, solicitou apoio federal para aprofundar as investigações.
O prefeito da capital, Kai Wegner, declarou estado de emergência no domingo, permitindo o envio de apoio das Forças Armadas. Segundo ele, parte dos moradores só terá o serviço restabelecido até quinta-feira, prazo que abalou a confiança pública na capacidade de resposta das autoridades.
Com escolas e creches prolongando as férias de Ano Novo e o sistema ferroviário suburbano (S-Bahn) fora de operação até segunda-feira, a cidade passou a funcionar de forma limitada. Abrigos de emergência foram abertos para aquecimento da população, hotéis ofereceram tarifas reduzidas e o corpo de bombeiros instalou centrais de atendimento presencial, já que a falha elétrica também comprometeu as comunicações móveis.
Moradores ouvidos pelo The New York Times expressaram preocupação com a exposição da infraestrutura crítica da cidade. “Um país como a Rússia estaria observando isso atentamente para identificar pontos vulneráveis”, disse Jürgen Eicher, de 56 anos.
O transporte público em Paris retomou nesta terça-feira o funcionamento normal, após as interrupções provocadas na véspera por uma intensa nevasca que afetou aeroportos, trens e veículos particulares em várias regiões da França, além do Reino Unido e dos Países Baixos.
Na capital francesa, cerca de 30 linhas de ônibus que haviam sido suspensas na segunda-feira foram restabelecidas na manhã desta terça, enquanto os trens urbanos, bondes e o metrô operavam normalmente, informou a RATP, empresa responsável pelo transporte público da cidade.
A companhia esclareceu, no entanto, que algumas rotas de ônibus ainda permaneciam interrompidas. Segundo a RATP, o serviço será restabelecido de forma progressiva ao longo do dia, à medida que melhorem as condições das vias, ainda parcialmente congeladas.
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AFP
As linhas noturnas de ônibus, que operam a partir da meia-noite, não circularam durante a madrugada de terça-feira, acrescentou a empresa.
A agência meteorológica nacional, Météo-France, mantinha 23 departamentos do noroeste do país em alerta para neve e gelo, de acordo com boletim divulgado na manhã desta terça-feira.
“As temperaturas estão muito baixas, frequentemente entre −3 e −8 graus Celsius, e localmente abaixo de −10 graus”, informou o órgão, que destacou, no entanto, que o alerta deveria ser suspenso por volta do meio da manhã.
Em razão da situação registrada na véspera nos aeroportos parisienses de Charles de Gaulle e Orly, as companhias aéreas tiveram de reduzir em 15% o número de voos, devido às intensas nevascas.
Nos Países Baixos, cerca de 700 voos foram cancelados no aeroporto de Amsterdã-Schiphol — mais da metade dos aproximadamente 1.200 pousos e decolagens previstos para o período.
O tráfego ferroviário também sofreu fortes perturbações, especialmente na região de Amsterdã. Os trens Eurostar que ligam os Países Baixos a Paris e Londres chegaram a ter suas operações suspensas.
Nos holofotes desde que assumiu interinamente a presidência da Venezuela, a chavista Delcy Rodríguez tem um largo histórico de posicionamentos sobre a política do Brasil e seus diferentes governos. Nos últimos anos, Delcy, que é muito ativa nas redes sociais, se manifestou a favor de Lula em diversas ocasiões e criticou os ex-presidentes Jair Bolsonaro e Michel Temer, que fustigaram o regime liderado por Nicolás Maduro em seus governos. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Ele foi jogar fora um saco de lixo em uma caçamba localizada na rua Leandro N. Alem, 4900, em frente ao Clube de Golfe Mar del Plata, quando o gesto cotidiano se transformou em algo extraordinário — e macabro. Entre os resíduos da caçamba, o vizinho encontrou um crânio humano.
A descoberta chocante ocorreu na manhã de sábado (3), após um vizinho assustado ligar para o 911 para relatar o achado. Quando a polícia chegou ao local, a pessoa que havia feito a ligação já não estava mais presente, mas o crânio foi encontrado, mal escondido entre sacos de lixo, caixas de papelão e outros detritos.
Agentes da 9ª delegacia de polícia, responsável pela área de Playa Grande, a apenas dois quarteirões da Avenida Juan B. Justo, isolaram o local da descoberta e acionaram equipes da Polícia Científica para realizar os primeiros procedimentos.
Hipótese inicial
Segundo fontes policiais citadas pela mídia local, o crânio, completamente desprovido de pele e cabelo, aparentava ter sido tratado com algum tipo de composto químico, como ocorre com restos ósseos preparados para estudos médicos.
A polícia envolveu a Unidade Funcional de Instrução e Julgamento nº 7, chefiada pelo promotor Carlos María Russo, que determinou a realização de diligências complementares para apurar se os restos mortais têm origem em um crime violento e, em caso positivo, proceder à identificação.
De acordo com avaliações iniciais de especialistas, o crânio não apresenta sinais de violência recente e pode ter passado por tratamento químico, o que reforça a hipótese de se tratar de material de estudo anatômico descartado de forma irregular.
Mesmo assim, o promotor Russo ordenou a realização de um exame forense para esclarecer a origem do crânio e descartar definitivamente a possibilidade de que seja resultado de um crime grave.
O episódio trouxe à memória, em Mar del Plata, outro caso ocorrido em uma noite fria de meados de 2024, quando uma equipe de coleta de lixo do distrito de General Pueyrredón encontrou vários restos mortais dentro de um saco de lixo deixado em uma lixeira na esquina das ruas Italia e Rivadavia. Na ocasião, a investigação ficou a cargo do promotor Leandro Arévalo.
Um grupo raro de planetas que vagam pelo espaço sem estar ligados a qualquer estrela começa a revelar seus segredos. Ao contrário da maioria dos corpos celestes, que orbitam estrelas de forma estável, esses chamados planetas errantes desafiam os modelos tradicionais da astronomia ao viajar sozinhos pelo espaço interestelar. A identificação recente de um desses objetos, com medições precisas de massa e distância, representa um avanço inédito, segundo estudo publicado na revista Science.
A pesquisa, publicada na revista Science, nesta quinta-feira (1), conseguiu caracterizar um planeta à deriva localizado a cerca de 3.000 parsecs da Terra, o equivalente a aproximadamente 10 mil anos-luz. O trabalho também trouxe novos elementos para compreender os processos de formação e ejeção planetária, além de ajudar a explicar a existência do chamado “deserto de Einstein”, uma faixa quase vazia entre planetas subyovianos e anãs marrons.
Uma observação rara no espaço profundo
A análise só foi possível graças a uma combinação incomum de observações feitas a partir da Terra e do telescópio espacial Gaia. Durante um evento de microlente gravitacional, o Gaia registrou seis observações em apenas 16 horas, justamente no pico do aumento de brilho de uma estrela de fundo, causado pela passagem do planeta errante.
Essa sequência ocorreu porque o planeta se moveu quase perpendicularmente ao eixo de precessão do telescópio, uma geometria considerada fortuita pelos pesquisadores. Esse alinhamento permitiu aplicar a técnica da paralaxe de microlente gravitacional, essencial para calcular a distância do objeto, algo que normalmente não é possível nesse tipo de evento.
Até então, a maioria dos exoplanetas era detectada por métodos indiretos ligados às suas estrelas hospedeiras, como o trânsito — quando o planeta provoca pequenas quedas periódicas no brilho da estrela — ou pela oscilação causada pela atração gravitacional. Para planetas errantes, que não emitem luz própria nem orbitam estrelas, esses métodos simplesmente não funcionam.
Nesse cenário, a microlente gravitacional se tornou a única ferramenta viável. O fenômeno ocorre quando um objeto massivo curva e amplifica a luz de uma estrela distante ao cruzar a linha de visão do observador, produzindo um aumento súbito de brilho. A forma dessa curva permite estimar a massa, mas geralmente deixa ambígua a relação entre massa e distância.
A quebra dessa limitação ocorreu no evento associado ao planeta designado KMT-2024-BLG-0792, também identificado como OGLE-2024-BLG-0516. Observações simultâneas feitas por diferentes instrumentos, incluindo o Gaia, permitiram calcular com precisão a paralaxe gravitacional e, assim, definir ambos os parâmetros fundamentais.
As medições indicaram que o planeta tem cerca de 22% da massa de Júpiter, valor um pouco inferior ao de Saturno. A estrela de fundo observada no evento foi identificada como uma gigante vermelha, o que ajudou a refinar ainda mais os cálculos apresentados no artigo da Science.
Os resultados reforçam um padrão já sugerido por estudos anteriores: a maioria dos planetas errantes parece ter massas menores que a de Júpiter, indicando que se formaram em discos protoplanetários e foram ejetados após interações gravitacionais violentas. Objetos mais massivos encontrados fora de sistemas estelares tendem a ser anãs marrons, grandes demais para serem planetas e pequenas demais para sustentar fusão nuclear.
Segundo os autores, essa distribuição ajuda a explicar o “deserto de Einstein”. Quanto maior a massa de um planeta, menor a chance de ele ser completamente expulso de seu sistema original. Por isso, predominam entre os errantes corpos com massas semelhantes ou inferiores às de Saturno ou Netuno. Como resume o estudo, processos dinâmicos extremos moldam tanto os planetas que permanecem ligados às suas estrelas quanto aqueles condenados a vagar sozinhos pelo cosmos.
Na última década, a bioacústica — ciência que estuda os sons produzidos por diferentes espécies — foi impulsionada por avanços tecnológicos como a inteligência artificial (IA) e o monitoramento acústico passivo (PAM). Ela é fundamental para a captação dos sons dos animais, que não só são capazes de desvendar os comportamentos de uma espécie, como também fornecem pistas sobre os riscos que um ecossistema enfrenta e até mesmo sobre as mudanças pelas quais o planeta está passando.
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A integração das novas ferramentas levou a um progresso substancial em três áreas do conhecimento: identificação e censo de espécies em diversos habitats, análise de padrões e dinâmicas acústicas e monitoramento mais preciso do impacto do ruído antropogênico.
Dispositivos de código aberto permitem que cientistas e cidadãos com interesses científicos implantem redes de microfones digitais em todo o mundo para monitoramento de longo prazo. Esses aparelhos podem até mesmo captar frequências ultrassônicas, como o voo de uma mariposa. Inclusive, um estudo recente revelou que as plantas emitem sons ultrassônicos, que podem ser ouvidos pelas mariposas, possibilitando-as decidir o melhor local para depositar seus ovos. Esta interação acústica também é possibilitada por novas tecnologias que permitem catalogar facilmente essas frequências sonoras.
Outras ferramentas, como hidrofones avançados, têm contribuído significativamente para o monitoramento de áreas marinhas. Microfones subaquáticos de alta precisão estão sendo utilizados para monitorar populações de cetáceos e outros organismos aquáticos, possibilitando estudos menos invasivos e protegendo ecossistemas em tempo real. Um exemplo disso é o trabalho desenvolvido pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) no estudo da acústica de mamíferos marinhos.
A NOAA utiliza monitoramento acústico passivo para detectar baleias e mitigar ameaças como colisões com embarcações. Duas décadas de pesquisa permitiram identificar como os mamíferos marinhos produzem uma ampla gama de sons que os ajudam a navegar, encontrar alimento e se comunicar. Esses sons podem ser usados ​​para identificar animais por espécie ou grupo.
Os misticetos (baleias de barbatanas) emitem pulsos e gemidos de baixa frequência, enquanto os odontocetos (baleias dentadas) emitem assobios de média a alta frequência e cliques de ecolocalização.
Os pinípedes (focas e leões-marinhos) emitem grunhidos, bem como trinados e latidos de frequência baixa a média. Este é, em linhas gerais, o glossário básico de uma linguagem que os especialistas usam para realizar estudos comportamentais cada vez mais precisos, mas também para monitorar indivíduos e grupos.
São utilizados hidrofones com diferentes alcances e, para otimizar a análise, os dados gravados são processados ​​com detectores acústicos especializados na detecção dos sons de cada espécie. Esses detectores conseguem distinguir os sons característicos dos mamíferos de ruídos de fundo, como os de outros animais, vento, ondas e ruído de navios.
Os cientistas podem analisar sons em um espectrograma (uma representação visual do som) e identificar quais espécies estão presentes e o que elas podem estar fazendo. Redes neurais podem identificar e classificar automaticamente as vocalizações das espécies, permitindo que os cientistas analisem dados em uma escala e velocidade maiores.
As baleias-cachalote emitem cliques de ecolocalização para detectar suas presas, enquanto as baleias-jubarte machos emitem cantos elaborados para atrair parceiras ou estabelecer território.
Um novo estudo alertou que os narvais param de usar a ecolocalização e abandonam a área quando expostos ao ruído alto de um navio.
Isso também indica que esses mamíferos marinhos são sensíveis a sons a mais de 20 quilômetros de distância, o que contribuiu para seu declínio de cerca de 90% nas últimas duas décadas. O ruído do transporte marítimo global dobra a cada 11 anos, com consequências muito graves para os ecossistemas marinhos.
Códigos secretos
Assim, as paisagens sonoras — a combinação de sons bióticos, abióticos e antropogênicos — atuam como indicadores de saúde ambiental. A bioacústica torna-se uma ferramenta fundamental para compreender e mitigar o impacto do ruído antropogênico (navios, construções, estradas) nos ecossistemas, bem como para entender novos comportamentos de espécies moldados pela atividade humana.
Agora, o desafio para a IA é classificar corretamente tanta informação. Um estudo recente da Universidade de Wolverhampton, no Reino Unido, utilizou um modelo desenvolvido com memória associativa usando uma rede neural de Hopfield que levou 5,4 segundos para pré-processar e classificar as 10.384 gravações de morcegos disponíveis publicamente em um MacBook Air padrão. Os morcegos usam a ecolocalização para navegar e caçar, emitindo pulsos ultrassônicos que variam conforme se aproximam da presa.
Além disso, as novas tecnologias facilitaram o desenvolvimento de aplicativos e plataformas que permitem que naturalistas e voluntários contribuam com gravações e dados. Grandes arquivos sonoros de sons de animais dependem fortemente da ciência cidadã, como a Biblioteca Macaulay, que, após um século, possui mais de 150.000 arquivos de áudio. Outro exemplo é o Arquivo de Sons de Animais do Museu de História Natural de Berlim, uma das coleções de sons de animais mais antigas e abrangentes do mundo, com 120.000 gravações. Entre elas, estão o canto complexo do pássaro-lira, que imita sons ambientais; os cantos das baleias-jubarte usados ​​para atrair parceiros e marcar território; e o infrassom usado por elefantes para se comunicar a longas distâncias, entre outros.
Viagens de avião podem ser tensas e, por vezes, gerar momentos divertidos em família mesmo diante de cenários inesperados. No caso do voo de Amanda Rae ao lado dos pais, o jeito foi rir ao se surpreender negativamente com o espaço entre as poltronas da aeronave de uma companhia aérea canadense de baixo custo. A pequena distância entre o assento e o encosto da poltrona da frente tornou a viagem desconfortável, com mudanças de postura para tentar caber no espaço apertado. A experiência foi dividida com internautas, numa publicação nas redes sociais, surpreendendo e gerando revolta.
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A família estava em viagem no último dia 27 de dezembro em Edmonton, Canadá. A experiência desconfortável foi a bordo de uma aeronave da WestJet, criada no país.
No curto vídeo — que viralizou ao ser postado no TikTok e acumula mais de 1 milhão e visualizações — Amanda aparece fazendo perguntas aos pais sobre como estão se sentindo ao estarem apertados entre as poltronas. O pai dela é quem tem mais dificuldades. Por ser alto, a depender da posição em que se acomoda os joelhos batem no encosto do assento da frente. Para evitar isso, é preciso se sentar com as pernas direcionadas para o lado, em direção à esposa.
— Pai, você pode esticar as pernas aí? — perguntou Amanda ao vê-lo tentando se acomodar da melhor forma.
Ele e a esposa responderam:
— Impossível — enquanto riem.
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A família continua conversando, e a mãe diz que terá que dividir seu pequeno espaço com o marido:
— Vou ter que dividir o espaço das minhas pernas com ele.
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Amanda segue e, de forma descontraída, diz que só havia espaço suficiente para uma perna e, para a outra, teria que pagar a mais. Em algumas das aeronaves da WestJet essa afirmação pode ser real, uma vez que, desde outubro, os assentos padrão têm o “menor espaço para as pernas”, como a empresa anunciou. Para ter mais distância para se esticar, é preciso desembolsar mais, como na classe executiva, com custo maior por passagem.
A WestJet reconfigurou suas aeronaves Boeing 737-8 MAX e 737-800 para oferecer uma “experiência de cabine moderna”, o que, na prática, quer dizer que diminuiu o espaço entre as filas de poltronas para acrescentar mais uma. A justificativa foi de reduzir o valor da passagem, o que impactou diretamente no conforto do público, noticiou o New York Post há três meses.
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O vídeo de Amanda gerou uma repercussão negativa para a empresa. Muitos reclamaram que a nova configuração é absurda, enquanto outros disseram que não vão mais escolher a companhia por temerem passar por situação semelhante.
“Recuso-me a voar com a WestJet por causa disso. Tenho 1,83 m de altura, então não consigo imaginar o que as pessoas mais altas passam. Os assentos deles são assim há anos”, disse uma pessao no comentário.
“Apelo à WestJet… MELHORE! Isso é inaceitável!’, pediu outro.
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