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Manifestantes que protestavam contra a morte de uma mulher pelas mãos de um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês) em Minneapolis na quarta-feira, entraram em confronto com forças de segurança nesta quinta-feira, em meio à crescente indignação com o caso — 9º envolvendo um agente da força federal disparando com arma de fogo contra um civil nos últimos quatro meses, em cinco estados diferentes e na capital Washington, em meio à ofensiva do presidente americano, Donald Trump, contra a imigração, que rivais políticos denunciam como uma ingerência sobre a segurança.
Pelo menos um manifestante foi preso nesta quinta-feira, enquanto agentes federais usavam spray de pimenta e gás lacrimogêneo contra uma grande multidão em Saint Paul, cidade próxima a Minneapolis. Um dos manifestantes carregava uma placa com os dizeres “ICE = assassino”.
A morte da mulher ocorreu na quarta-feira, durante um protesto contra as políticas de imigração de Trump. A vítima, identificada pela mídia local como Renee Nicole Good, de 37 anos, tentou fugir quando agentes se aproximaram do veículo que ela dirigia e tentaram abrir a porta.
Vídeo mostra momento em que agente do ICE atira em mulher em Minneapolis
Trump acusou a mulher de tentar atropelar o agente, embora imagens filmadas no local e no momento do incidente tenham provocado interpretações variadas sobre o caso. Ao menos por um ângulo, o agente parece estar fora da trajetória do veículo, no momento em que saca a arma e dispara a queima-roupa contra a motorista.
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, classificou a postura do governo federal como “uma grande besteira” e exigiu que os agentes do ICE deixassem a cidade após dois dias de operações. (Com AFP)
*Matéria em atualização
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou nesta quinta-feira que os Estados Unidos estão “desrespeitando as normas internacionais” e “se distanciando progressivamente” de alguns aliados, em um contexto diplomático de crescente “agressividade neocolonial”. Macron fez essas declarações durante seu tradicional discurso aos embaixadores franceses em todo o mundo, que este ano ocorre após o ataque dos EUA e a captura de Nicolás Maduro na Venezuela, além de suas ameaças de anexação da Groenlândia.
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“Os Estados Unidos são uma potência consolidada, mas estão se distanciando progressivamente de alguns de seus aliados e desrespeitando as normas internacionais que ainda promoviam até recentemente”, disse Macron no Palácio do Eliseu, residência presidencial.
“As instituições multilaterais funcionam de forma cada vez pior. Estamos evoluindo para um mundo de grandes potências com uma verdadeira tentação de dividir o mundo”, acrescentou o presidente francês, que disse “rejeitar o novo colonialismo, o novo imperialismo”.
Embora a França tenha comemorado o fim da “ditadura de Maduro”, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, afirmou na terça-feira que a operação militar dos EUA é “ilegal” e “contraria a Carta das Nações Unidas”.
Nesse contexto, Macron afirmou que a UE deve proteger seus interesses e defendeu a “consolidação” da regulamentação europeia do setor tecnológico, que tem sido alvo de críticas nos Estados Unidos, e a aceleração da agenda de preferências comerciais europeias. A França, que detém a presidência do G7 este ano, também buscará promover uma “reforma da governança global”, assegurou aos embaixadores.
O presidente francês fez um apelo para que “os grandes países emergentes que desejam participar” também se unam a esse objetivo. Macron já havia defendido uma reforma do Conselho de Segurança da ONU para incluir as potências emergentes e expressou seu apoio à inclusão do Brasil como membro permanente desse órgão.
Com uma imagem gerada por IA de uma onça-pintada posando para uma foto ao lado de uma águia, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, deu detalhes sobre a conversa telefônica que manteve com o presidente americano, Donald Trump, na quarta-feira — considerada por observadores uma tentativa de arrefecer a retórica utilizada entre os dois países e desescalar as tensões entre as lideranças, após semanas de trocas de acusações que chegaram a ameaças de ações militares.
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“Entre os assuntos que discutimos, o presidente Trump e eu, estava a discordância que tínhamos em relação à sua visão sobre o relacionamento dos EUA com a América Latina”, escreveu Petro em uma publicação nas redes sociais, descrevendo sua proposta para o desenvolvimento de energia limpa na região, em substituição aos combustíveis fósseis, uma pauta avessa às ideias de Trump. “A exploração petrolífera da América Latina só levaria à destruição do direito internacional e, consequentemente, à barbárie e a uma terceira guerra mundial. A paz mundial estaria seriamente ameaçada e caminharíamos para um colapso climático irreversível com a extinção da vida”.
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Embora não tenha dado qualquer sinal sobre as impressões de Trump ao seu projeto, a publicação foi feita após Petro recuar de aprofundar ainda mais medidas de condenação ao presidente americano, em meio a disputa entre os dois sobre a interferência americana na região — sobretudo na Venezuela —, e declarações do republicano sobre “não ter problema” em realizar uma incursão militar em solo colombiano.
Ao se dirigir a uma multidão reunida na Praça Bolívar, no centro de Bogotá, que atenderam a marchas convocadas pelo líder de esquerda, em repúdio às ameaças de Trump, Petro assegurou que pensava em fazer um discurso “muito duro”, mas mudou de ideia após o telefonema com Trump, que durou pelo menos uma hora.
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O dirigente colombiano assegurou que pediu a americano que “se restabeleçam os contatos diretos entre chancelarias e presidentes” de ambas as nações, e que eles trataram sobre o tráfico de drogas e a situação na Venezuela.
— Se não se dialoga, há guerra — disse Petro em meio à ovação do público.
Também em uma publicação nas redes sociais, Trump também adotou um tom cordial. Ele convidou o líder colombiano para uma visita à Casa Branca. O republicano sugeriu que a ligação teria sido uma iniciativa de Bogotá, e que eles falaram trataram sobre “desacordos” entre ambos.
“Foi uma grande honra falar com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que me telefonou para explicar a situação das drogas e de outros desacordos que tivemos. Agradeci sua chamada e seu tom, e espero me reunir com ele em um futuro próximo”, escreveu Trump em uma mensagem publicada em sua rede Truth Social. “Estão sendo feitos acertos entre o secretário de Estado Marco Rubio e o chanceler da Colômbia. A reunião vai acontecer na Casa Branca”.
Escalada de tensões: Petro diz estar disposto a ‘pegar em armas’ após ameaças de Trump contra a Colômbia
Petro e Trump tiveram repetidos desencontros sobre temas como narcotráfico, tarifas e imigração. Aliados militares e econômicos históricos, Colômbia e Estados Unidos estão em um dos piores momentos de sua relação bilateral. Desde o fim de setembro, Petro não tem visto americano por ordem de Trump.
Em uma entrevista dada à AFP na quarta, o vice-chanceler colombiano, Mauricio Jaramillo, advertiu que uma escalada das tensões poderia levar a uma “catástrofe” humanitária sem precedentes na América Latina.
Petro também informou durante o seu discurso que falou há dois dias com a presidente interina Delcy Rodríguez, a convidou a visitar a Colômbia e lhe propôs um diálogo “mundial” para “estabilizar” a Venezuela. O dirigente colombiano não reconhece a questionada vitória de Maduro nas eleições de 2024, mas acusa Washington de sequestrá-lo e se posicionou contra a operação militar dos Estados Unidos em Caracas.
Segundo o presidente colombiano, o diálogo foi proposto a Delcy com o objetivo de evitar “violência” na sociedade venezuelana. (Com AFP)
Um piloto da Alaska Airlines responsável por conduzir em segurança um pouso de emergência após a explosão de um painel da cabine em pleno voo entrou com uma ação judicial contra a Boeing, acusando a fabricante de aeronaves de tentar transferir para ele a culpa pelo incidente. O capitão Brandon Fisher pede uma indenização de US$ 10 milhões (cerca de R$ 50 milhões) por danos morais e emocionais.
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A ação foi protocolada em 30 de dezembro no estado do Oregon e tem como base o episódio envolvendo o voo 1282 da Alaska Airlines, operado por um Boeing 737 Max 9. Pouco depois de decolar de Portland, em 5 de janeiro de 2024, um tampão da porta da cabine se soltou durante o voo, forçando a tripulação a realizar um pouso de emergência. As 177 pessoas a bordo sobreviveram.
De acordo com o processo, a Boeing teria tentado fazer de Fisher um “bode expiatório” após o acidente, ao negar responsabilidade enquanto se defendia de uma ação coletiva relacionada ao caso. Na ocasião, a empresa afirmou que seus produtos teriam sido “mantidos de forma inadequada ou usados indevidamente por pessoas e/ou entidades que não a Boeing”.
Boeing da Alaska Airlines que perdeu a porta logo após decolar de Portland, em 5 de janeiro
NTSB
“A Boeing sabia que essa afirmação era falsa no momento em que foi feita, mas mesmo assim a divulgou como parte de sua estratégia frequentemente usada após acidentes para culpar pilotos por incidentes causados exclusivamente por suas próprias ações”, afirma a ação. Em outro trecho, os advogados sustentam que “ficou claro que as palavras da Boeing eram direcionadas ao capitão Fisher, numa tentativa de pintá-lo como o bode expiatório pelos inúmeros fracassos da empresa”.
Segundo o processo, o piloto sofreu intenso abalo emocional, e as declarações da fabricante teriam “exacerbado dramaticamente os impactos transformadores de vida” decorrentes do incidente.
Em junho, o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB, na sigla em inglês) concluiu que “múltiplas falhas de sistema” da Boeing e da Administração Federal de Aviação (FAA) contribuíram para o episódio. Em agosto, quatro comissários de bordo do mesmo voo também entraram com ações judiciais separadas contra a Boeing, alegando danos físicos e emocionais, segundo a agência Reuters.
Apesar da disputa judicial, autoridades da aviação e executivos da própria Boeing já haviam elogiado publicamente a atuação da tripulação do voo 1282 durante a emergência.
Procurada, a Boeing afirmou, em nota enviada à Fox Business, que continua implementando um “plano abrangente de segurança e qualidade”, desenvolvido com a participação de funcionários e sob supervisão regulatória. “Nos últimos dois anos, analisamos de forma rigorosa todos os aspectos de nossas operações de produção”, disse um porta-voz. “Desenvolvemos um plano abrangente para fortalecer a gestão de segurança, a garantia de qualidade e a cultura de segurança da Boeing — e estamos vendo os benefícios dessas ações.”
A Alaska Airlines informou que não comentaria o processo, mas voltou a elogiar a tripulação do voo 1282 pela “bravura e rapidez de raciocínio” que garantiram a segurança de todos a bordo.
O governo espanhol e a Igreja Católica chegaram a um acordo nesta quinta-feira sobre um sistema para “quitar uma dívida histórica” ​​e fornecer reparações às vítimas de abuso sexual por membros do clero, após anos de relutância e opacidade por parte da hierarquia eclesiástica. O pacto, assinado nesta quinta-feira pelo Ministério da Justiça e pela Conferência Episcopal Espanhola (CEE), prevê “reparações abrangentes para as vítimas de abuso sexual dentro da Igreja” que não podem recorrer aos tribunais comuns, geralmente devido à prescrição, afirmou o ministério em um comunicado à imprensa.
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O acordo permite “quitar uma dívida moral histórica que tínhamos com as vítimas de abuso”, já que “durante décadas houve silêncio, houve acobertamento, danos morais que muitas vezes são impossíveis de compensar”, afirmou o Ministro da Justiça, Félix Bolaños, em uma coletiva de imprensa.
O ministro indicou que as reparações serão financiadas pela Igreja, que, até então, se recusava a participar de um esquema desse tipo. “Para nós, [o acordo] representa mais um passo adiante no caminho que temos trilhado há anos”, afirmou Luis Argüello, presidente da Conferência Episcopal Espanhola (CEE), que disse que será “uma abordagem complementar” ao mecanismo interno que a Igreja já havia implementado para compensar os afetados.
O Vaticano deu “um impulso necessário e essencial para chegarmos a este acordo”, observou Bolaños, que já havia discutido o assunto com o falecido Papa Francisco e com o Secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin.
Avaliação “positiva”
O anúncio foi bem recebido pelas associações de vítimas, que há anos criticam a inação da Igreja neste país com sua profunda tradição católica.
“Nossa avaliação é positiva. Acreditamos que isso é algo pelo qual temos lutado há muitos anos”, disse Juan Cuatrecasas, porta-voz da Associação da Infância Roubada, à AFP. “O fato de a Igreja estar agora, mesmo que devido à pressão do Vaticano, se comprometendo com as reparações, parece-nos muito importante”, acrescentou.
Através do novo sistema, que deverá estar operacional dentro de um mês, as vítimas apresentarão suas queixas ao Provedor de Justiça, que proporá reparações que podem ser “econômicas, morais, psicológicas, restaurativas ou até mesmo as quatro simultaneamente”, explicou Bolaños.
Se a vítima ou a Igreja não aceitarem essa proposta, ela será analisada por uma “comissão mista composta por Igreja, Estado e vítimas”, e se também não houver acordo nessa comissão, “prevalecerá a decisão do Provedor de Justiça”, acrescentou o ministro. O sistema estará em vigor por um ano, “renovável por dois”, um período “mais do que suficiente para que todas” as vítimas “iniciem o processo”, disse Bolaños.
Sem “imposição”
A Conferência Episcopal Equatoriana (CEE) esclareceu em comunicado que o acordo “não se baseia na imposição de uma obrigação legal, mas sim no compromisso moral da Igreja”. A Conferência Episcopal Espanhola (CEE) também saudou o fato de o governo do socialista Pedro Sánchez ter concordado em isentar as indenizações financeiras de impostos, já que, caso contrário, as vítimas teriam que pagar até 30% do valor recebido, segundo Luis Argüello.
Por fim, a CEE celebrou o compromisso do governo “em abordar a reparação integral das vítimas de abusos em todas as esferas da vida social”, algo que a Igreja vinha exigindo, pois sempre insistiu que o foco não fosse apenas nela ao se discutir esses abusos.
Diante da inação da Igreja e a pedido do Parlamento espanhol, o Provedor de Justiça preparou um relatório, publicado em 2023, que estimou que, desde 1940, mais de 200 mil menores sofreram abuso sexual por parte do clero católico, número que subiria para 400 mil se fossem incluídos os abusos cometidos por leigos em contextos religiosos.
A Igreja encomendou uma auditoria a um escritório de advocacia que identificou pelo menos 2.056 vítimas. Mas a Conferência Episcopal Espanhola (CEE), crítica tanto do relatório do Provedor de Justiça quanto da auditoria, publicou seu próprio relatório, que documentou 1.057 “casos registrados” em suas diversas dioceses, dos quais apenas 358 foram considerados “comprovados” ou “plausíveis”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na noite de quarta-feira que espera que os EUA administrem a Venezuela e extraiam petróleo de suas vastas reservas por anos. Em entrevista ao New York Times, Trump disse que o governo interino venezuelano, formado inteiramente por aliados de Nicolás Maduro, está cooperando com Washington. Ao ser perguntado por quanto tempo sua administração exigirá supervisão direta sobre o país sul-americano, porém, o líder republicano evitou estabelecer prazos:
— Só o tempo dirá — disse, acrescentando que a política dos EUA ocorre sob a ameaça permanente de uma ação militar. — Nós vamos reconstruí-la de uma forma muito lucrativa. Vamos usar petróleo, e vamos tirar petróleo. Estamos baixando os preços do petróleo, e vamos dar dinheiro à Venezuela, algo que eles precisam desesperadamente.
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As declarações foram feitas pouco após integrantes do governo americano afirmarem que os EUA planejam assumir o controle da venda do petróleo venezuelano por tempo indeterminado. A medida faz parte de um plano em três fases apresentado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, a membros do Congresso. Embora parlamentares republicanos tenham apoiado em grande parte as ações do governo, democratas reiteraram na quarta-feira seus alertas de que o país caminha para uma intervenção internacional prolongada sem uma base legal clara.
Durante a entrevista, Trump foi questionado mais uma vez sobre por quanto tempo os EUA deveriam permanecer como tutores políticos da Venezuela. Indagado se o período seria de três meses, seis meses, um ano ou mais, ele respondeu: “Eu diria que muito mais tempo”. Na mesma conversa, o presidente abordou diversos temas, entre eles o tiroteio fatal envolvendo agentes do Serviço de Imigração (ICE) em Minneapolis, a imigração, a guerra entre Rússia e Ucrânia, a Groenlândia, a Otan, sua saúde e planos para novas reformas na Casa Branca.
Tempo indefinido
Trump não assumiu compromissos sobre quando eleições seriam realizadas na Venezuela, que teve uma longa tradição democrática do fim dos anos 1950 até Hugo Chávez chegar ao poder em 1999. Ele também não respondeu o motivo de ter reconhecido Delcy Rodríguez, vice-presidente de Maduro, como líder da Venezuela, em vez de apoiar María Corina Machado, líder opositora cujo partido conduziu uma campanha eleitoral bem-sucedida contra Maduro em 2024 e que recebeu o Nobel da Paz. Questionado se havia falado com Delcy, ele se recusou a comentar.
— Mas o Marco fala com ela o tempo todo — disse, referindo-se ao secretário de Estado Marco Rubio. — Posso dizer que estamos em comunicação constante com ela e com o governo.
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Pouco depois de quatro repórteres do New York Times se sentarem com Trump, o presidente interrompeu a entrevista para atender a uma ligação do líder da Colômbia, Gustavo Petro. O contato ocorreu dias depois de Trump ter ameaçado tomar medidas contra a Colômbia por seu papel como polo do tráfico de cocaína. O americano convidou os repórteres a permanecerem para ouvir a conversa, sob a condição de que o conteúdo permanecesse fora do registro. Estavam presentes o vice-presidente JD Vance e Rubio, que deixaram o local após o fim da ligação.
Depois de falar com Petro, Trump ditou a um assessor uma publicação para sua rede social afirmando que o colombiano havia ligado “para explicar a situação das drogas” provenientes de laboratórios rurais de cocaína e que fora convidado a visitar Washington. A ligação, que durou cerca de uma hora, pareceu afastar qualquer ameaça imediata de ação militar dos EUA contra a Colômbia. Trump indicou ainda acreditar que a captura de Maduro intimidou outros líderes da região a se alinharem a Washington. Ao NYT, Trump celebrou a operação.
Ele disse ter acompanhado de perto o treinamento das forças, incluindo a construção de uma réplica em tamanho real do complexo onde Maduro estava com a esposa, Cilia Flores. Trump afirmou temer que a operação se transformasse em um “desastre do Jimmy Carter”, em referência à fracassada missão de resgate de reféns americanos no Irã, em 1980. Na ocasião, um helicóptero americano colidiu com uma aeronave no deserto, uma tragédia que marcou o legado de Carter, mas levou à criação de forças de operações especiais muito mais bem treinadas.
— Não sei se ele (Carter) teria vencido a eleição. Mas certamente não tinha chance alguma depois daquele desastre — disse Trump, comparando o sucesso da captura de Maduro, em uma operação que matou cerca de 70 venezuelanos e cubanos, com ações conduzidas por governos anteriores. — Você não teve um Jimmy Carter derrubando helicópteros por todo lado, nem um desastre do Afeganistão do [ex-presidente Joe] Biden (quando a retirada americana no país, em 2021, resultou na morte de 13 militares dos Estados Unidos).
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Futuro venezuelano
Trump disse que os EUA já começaram a obter ganhos financeiros ao apreender petróleo que estava sob sanções internacionais. Ele citou o anúncio feito na noite de terça de que Washington obterá entre 30 milhões e 50 milhões de barris de petróleo bruto pesado venezuelano. Trump, no entanto, não estabeleceu um cronograma para o processo e reconheceu que a recuperação do setor petrolífero levará anos.
— O petróleo vai levar um tempo — afirmou.
O presidente pareceu muito mais focado na missão de resgate do que nos detalhes de como conduzir o futuro da Venezuela. Ele se recusou a dizer, por exemplo, em que circunstâncias enviaria tropas americanas ao território venezuelano. Questionado se isso ocorreria caso o governo local bloqueasse o acesso ao petróleo ou se se recusasse a expulsar militares russos e chineses, respondeu: “Não posso dizer isso”. Trump disse que autoridades venezuelanas têm o tratado “com grande respeito”, indicando que boa relação “com o governo que está lá agora”.
O americano também evitou responder por que não instalou Edmundo González Urrutia, o diplomata aposentado reconhecido pelos EUA e outros governos internacionais como vencedor da eleição presidencial venezuelana de 2024. González Urrutia era considerado um candidato de consenso da oposição, ligado a María Corina Machado. Trump reiterou que aliados de Maduro seguem cooperando com Washington:
— Eles estão nos dando tudo o que consideramos necessário. Não se esqueçam de que eles tomaram o petróleo de nós anos atrás — afirmou, em referência à nacionalização de ativos de empresas petrolíferas americanas.
Segundo Trump, executivos do setor de energia dos Estados Unidos já foram procurados para investir nos campos venezuelanos. Muitos, porém, demonstram cautela, temendo que a operação perca sustentação quando Trump deixar o cargo ou que militares e serviços de inteligência da Venezuela minem o processo por estarem excluídos dos lucros. Ao fim da entrevista, Trump disse que gostaria de visitar a Venezuela no futuro.
— Acho que em algum momento será seguro — afirmou.
A morte de uma mulher de 37 anos em Minneapolis, alvejada por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês) na quarta-feira, deu início a uma guerra de narrativas entre republicanos leais ao governo e opositores do Partido Democrata, à medida que imagens gravadas deste que é o 9º caso de disparo de arma de fogo envolvendo um funcionário da agência federal nos últimos quatro meses vão sendo publicadas (veja abaixo). A cena provocou reações diversas, inclusive por parte do presidente dos EUA, Donald Trump, que classificou a gravação como “horrível de assistir” em uma entrevista ao New York Times — pouco depois de ter culpado a vítima pela ação do agente de segurança. As imagens contestam a versão oficial, que culpa a mulher pelo incidente.
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A sequência básica dos acontecimentos na cidade localizada em Minnesota — marcada nos últimos anos por inquietações sociais após casos de violência, como a morte do homem negro George Floyd por um policial branco — não é contestada: a motorista de um veículo é abordada por agentes do ICE após bloquear a pista durante um protesto. Ela dá ré e depois avança. Um agente próximo do veículo dispara. A motorista, identificada posteriormente como Renee Nicole Good, morre.
Vídeo mostra momento em que agente do ICE atira em mulher em Minneapolis
A interpretação sobre os fatos — e sobre as imagens — é que ocorreu de maneira radicalmente diferente. Líderes políticos deram seus veredictos em questão de horas, apresentando narrativas aparentemente conclusivas, mesmo sem os fatos estarem devidamente esclarecidos.
Em uma publicação na rede social Truth Social, Trump descreveu o caso como um ataque violento contra um agente federal. Ele afirmou que a motorista do veículo seria “uma agitadora profissional”, afirmando que ela teria gritado e resistido às ordens das autoridades, até “atropelar violentamente, intencionalmente e cruelmente” o agente do ICE. Ainda disse que o agente parecia ter atirado “em legítima defesa”.
A secretária de Segurança Interna Kristi Noem foi além em suas conclusões. Em uma coletiva de imprensa no Texas, ela classificou o caso como “um ato de terrorismo doméstico”, reforçando as afirmações do presidente sobre a intenção da mulher — mãe de três filhos, incluindo uma criança de seis anos — em atropelar o agente, e o enquadramento do caso como legítima defesa.
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Em Minnesota, os dois democratas mais proeminentes do Estado assistiram às mesmas imagens e chegaram à conclusão oposta. O governador Tim Walz instou o público a rejeitar o que chamou de “máquina de propaganda” do governo federal, e observou que Washington já havia declarado o caso encerrado antes mesmo de os investigadores retirarem a mulher de seu veículo. O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, rechaçou a alegação de legítima defesa como “absurda”, e usou um palavrão para dizer que o ICE deveria sair da cidade.
Uma análise visual realizada pelo New York Times, a partir de vídeos gravados no local do incidente, aponta que as imagens contradizem a versão da Casa Branca. A publicação afirma que um vídeo de um ângulo de trás do carro — provavelmente o visto primeiramente por Trump e seus aliados — dá a impressão de que o veículo tivesse tentado atropelar o agente. Contudo, ao cruzar com imagens filmadas do lado oposto, fica claro que o agente estava fora da rota traçada pela motorista, que mais parecia tentar se retirar do local.
As imagens analisadas pelo New York Times ainda mostram que os agentes impediram cidadãos no local, incluindo um que se identificou como médico, de prestarem primeiros-socorros à vítima. A análise sugere que os agentes também podem ter alterado a cena de um possível crime.
Foto de Renee Good é colada em poste, no local em que ela foi morta por agente do ICE
David Guttenfelder/The New York Times
Em entrevista à rede americana CNN, o ex-agente do FBI Josh Campbell afirmou que a situação pode ser mais complexa de analisar do que os comentários iniciais das autoridades. Campbell afirmou que os agentes não recebem treinamento ou autorização para disparar contra um veículo apenas para impedi-lo de progredir, mas que o agente também não é obrigado a recuar ao se deparar com alguém potencialmente violento. A direção do veículo e intenção da vítima, pelas imagens, também entram em um campo interpretativo.
— Essa situação é tão explosiva, porque envolve essencialmente dois aspectos: Existe a política, a lei, o que os agentes estão autorizados a fazer, e existe também a questão do julgamento: só porque você pode fazer algo, isso significa que você deveria? — disse o analista da CNN.
Em uma entrevista exclusiva a repórteres do New York Times, na quarta-feira, Trump falou sobre o vídeo novamente — após a postagem nas redes sociais. Ele disse não querer “ver ninguém ser baleado”, mas afirmou que também não era de ser agrado ter ninguém “gritando e tentando atropelar policiais”, culpando a mulher pelo crime.
Assessora de Donald Trump mostra gravação de incidente em Minneapolis a repórteres do New York Times
Doug Mills/The New York Times
O presidente insistiu em exibir imagens do local do crime aos repórteres, mas antes da exibição reconheceu a natureza trágica do caso. Enquanto um vídeo em câmera lenta do tiroteio era exibido, segundo os repórteres, o presidente foi contestado de que o ângulo não parecia mostrar que um agente do ICE havia sido atropelado.
— Bem — disse Trump. — Eu… do jeito que eu vejo…
Ao final do vídeo, o presidente americano afirmou se tratar de “uma cena terrível”.
— Acho horrível de assistir. Não, eu detesto ver isso — disse.
Questionado se os disparos — o mais recente de uma série de nove disparos feitos por agentes do ICE contra pessoas de cinco estados e de Washington, resultando em ao menos um outro morto — eram um sinal de que as operações da agência tinham ido longe demais Trump esquivou-se da pergunta, culpando as políticas de imigração de seu antecessor. (Com NYT)
Um passageiro viveu momentos de terror após uma bateria externa explodir dentro do bolso de sua jaqueta em uma estação de metrô de Xangai, na China. O incidente ocorreu enquanto o homem descia uma escada rolante na estação ferroviária oeste da cidade, provocando correria e pânico entre os demais usuários. As cenas foram registradas em vídeos que circularam nas redes sociais e na mídia local nos últimos dias.
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As imagens mostram o passageiro correndo pela estação com as roupas em chamas, enquanto pessoas ao redor recuavam assustadas. Em seguida, um segundo vídeo revela o local tomado por uma densa fumaça preta, o que levou à paralisação temporária dos serviços. Testemunhas relataram que o fogo começou sem qualquer aviso prévio. “Ficamos chocados ao ver o homem fugindo com chamas na jaqueta. As pessoas começaram a gritar e imediatamente alertamos a equipe da estação”, disse uma passageira à imprensa local.
Confira o momento:
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Equipamento tinha certificação e não estava em uso
Segundo informações divulgadas pelas autoridades, faíscas teriam saído do bolso do homem segundos antes de o incêndio se alastrar. O carregador portátil havia sido comprado no mês anterior, possuía a certificação de segurança 3C — exigida na China — e não estava conectado a nenhum aparelho no momento da explosão. O fogo foi controlado rapidamente, e, de forma considerada milagrosa pelas testemunhas, não houve registro de ferimentos graves.
Após o episódio, autoridades chinesas emitiram novos alertas sobre os riscos associados a baterias externas. De acordo com os órgãos de segurança, esses dispositivos podem pegar fogo mesmo quando estão ociosos, em razão de curtos-circuitos internos, defeitos de fabricação, exposição a altas temperaturas ou danos causados por carregamento inadequado.
O caso na China ocorre em meio a preocupações semelhantes nos Estados Unidos. Recentemente, autoridades de emergência de Oklahoma relataram um incidente em que uma bateria externa de íon-lítio explodiu dentro de uma residência, quase atingindo dois cães. O dispositivo, deixado ao alcance dos animais, entrou em combustão após um deles mastigá-lo, espalhando faíscas e fumaça e incendiando móveis da casa. Os cães conseguiram escapar e foram resgatados sem ferimentos, segundo o Corpo de Bombeiros de Tulsa.
A corporação norte-americana divulgou imagens do ocorrido e reforçou o alerta para que baterias portáteis não sejam deixadas sem supervisão, especialmente perto de animais de estimação. O órgão destacou que carregadores danificados, perfurados ou com falhas internas podem entrar em combustão de forma súbita, sem sinais prévios.
A morte de Renee Nicole Good, de 37 anos, baleada por um agente do ICE em Minneapolis, ganhou novos contornos dramáticos após a divulgação de imagens da esposa da vítima em prantos, tomada pelo desespero no local do tiroteio. Chorando, ela afirmou se sentir responsável pela tragédia.
Agente de imigração dos EUA mata mulher a tiros em Minneapolis; incidente provocou protestos pelo país
— Eu fiz ela vir para cá, é culpa minha. Eles acabaram de atirar na minha esposa — disse a mulher, não identificada, em meio a lágrimas, segundo vídeos gravados por testemunhas.
De acordo com relatos no local, Renee Good e a companheira atuavam como observadoras legais, filmando a abordagem de agentes federais durante um protesto contra operações migratórias na cidade. Testemunhas afirmam que Renee foi atingida três vezes no rosto quando um agente abriu fogo durante a confusão na rua.
As autoridades federais alegam que a vítima tentou atropelar agentes com o carro, versão que é contestada por autoridades locais, testemunhas e pela Prefeitura de Minneapolis, que classificou a ação como imprudente. Vídeos analisados pela imprensa mostram agentes se aproximando de um SUV parado, tentando abrir a porta do motorista, antes de os disparos serem efetuados quando o veículo tenta se mover.
O caso está sob investigação do FBI. Em comunicado, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmou que o agente disparou em “legítima defesa”, alegando que o carro teria sido usado como arma. Já o Conselho Municipal de Minneapolis disse que Renee estava apenas “cuidando de seus vizinhos”.
O episódio provocou protestos e vigílias na cidade e em outras regiões dos Estados Unidos, reacendendo o debate sobre uso da força por agentes federais e a presença do ICE em cidades governadas por democratas. O local do tiroteio fica a cerca de 1,5 km de onde George Floyd foi morto em 2020.
A comoção aumentou com o depoimento da esposa de Renee, cuja dor passou a simbolizar a revolta de manifestantes que pedem o fim das operações do ICE na cidade. As escolas públicas de Minneapolis cancelaram as aulas pelo restante da semana, citando preocupações com segurança após confrontos e prisões próximas a unidades escolares.
Mais dois milhões de pessoas participaram, nesta terça-feira (6), da tradicional Procissão dos Três Reis Magos na Polônia, uma das maiores celebrações públicas católicas da Europa. Conhecido localmente como Orszak Trzech Króli, o evento marcou a Epifania e mobilizou comunidades de norte a sul do país, com desfiles realizados simultaneamente em 941 cidades e vilas.
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Vestidos como personagens bíblicos e usando coroas de papel, os participantes percorreram as ruas ao som de cânticos natalícios até presépios montados em praças públicas. Em Varsóvia, a principal procissão partiu do Monumento a Copérnico, seguiu pela Krakowskie Przedmieście e terminou na Praça do Castelo, no centro histórico, reunindo milhares de pessoas. Pela primeira vez, o desfile da capital foi transmitido ao vivo em inglês pela EWTN Polónia.
A Epifania, celebrada em 6 de janeiro, recorda a manifestação de Jesus Cristo ao mundo, simbolizada na tradição cristã pela visita dos Três Reis Magos ao menino recém-nascido, guiados por uma estrela. A data marca o reconhecimento de Cristo como salvador não apenas pelos judeus, mas também pelos povos estrangeiros, e encerra oficialmente o ciclo litúrgico do Natal na Igreja Católica.
Assista:
De iniciativa escolar a tradição nacional
De acordo com o Vatican News, o número de localidades envolvidas cresceu em relação a 2025, quando cerca de menos de dois milhões de fiéis participaram em procissões realizadas em 905 comunidades na Polônia e no exterior. Neste ano, foram produzidas aproximadamente 600 mil coroas, 150 mil livretos com cânticos e 200 mil autocolantes para distribuição aos participantes. Só em Varsóvia, a procissão havia reunido cerca de 50 mil pessoas na edição anterior.
A primeira procissão de rua dos Três Reis Magos ocorreu em 2009, na capital polaca, como desdobramento de uma peça de Natal encenada por alunos de uma escola local. O crescimento ganhou impulso a partir de 2011, quando a Epifania passou a ser feriado nacional, transformando a iniciativa num evento de alcance nacional.
Orszak Trzech Króli
Divulgação
Uma mensagem de esperança e reconciliação
O lema deste ano, “Alegrai-vos na Esperança”, dialoga com o tema do Ano Jubilar da Igreja Católica, “Peregrinos da Esperança”, que se encerra nesta terça-feira. A expressão tem origem num cântico natalício polonês do século XVII, tradicionalmente associado à Epifania. Segundo os organizadores, a proposta foi reforçar uma mensagem de confiança, fé e reconciliação num contexto de desafios globais.
O presidente da Polônia e a primeira-dama enviaram uma mensagem aos participantes, destacando o simbolismo dos Três Reis Magos como exemplo de perseverança na busca pela paz. Inspirada em tradições locais, a procissão também incorpora elementos de celebrações da Epifania em países como Espanha e México, reforçando o caráter cultural e religioso do evento.

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