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O empresário José Adrián Corona Radillo, presidente do Grupo Corona, foi sequestrado e assassinado no interior do México no fim de dezembro passado, confirmou nesta terça-feira a imprensa local.
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Segundo informações oficiais, o crime ocorreu em 27 de dezembro, quando Corona Radillo viajava de carro com sua família por uma rodovia no estado de Jalisco, na região oeste do país. Homens armados interceptaram o veículo, roubaram pertences dos ocupantes e levaram apenas o empresário, deixando os familiares à beira da estrada. O corpo do executivo foi encontrado dois dias depois, nas proximidades do local onde ocorreu o sequestro, com sinais de violência e ferimentos causados por arma de fogo, segundo o Ministério Público mexicano.
O Grupo Corona, sediado no município de Tonaya, é uma empresa tradicional no México especializada na produção de tequila, vinhos, licores e mezcal, e não possui relação com a cerveja Corona, que pertence ao Grupo Modelo, controlado pela AB InBev.
Autoridades mexicanas abriram investigação para apurar as circunstâncias do sequestro e identificar os responsáveis. Até o momento, não há informações públicas sobre prisões ou sobre uma motivação explícita, e a principal linha de apuração aponta para um ataque aleatório, sem relação direta com a atuação empresarial da vítima.
O caso ressalta a persistente violência nas rodovias e zonas rurais do México, onde empresários e transeuntes já haviam sido alvo de crimes semelhantes nos últimos anos, e reacende debate sobre segurança pública e o combate ao crime organizado no país.
Contexto e repercussão
O assassinato de Corona Radillo, figura respeitada no setor de bebidas alcoólicas, provocou comoção no meio empresarial local e entre colegas da indústria, segundo relatos na imprensa. A falta de pedido de resgate público surpreendeu autoridades e analistas, que também avaliam se outros fatores podem ter motivado o ataque.
Na região onde ele foi privado da liberdade e assassinado, há forte presença do Cartel de Jalisco “Nova Geração”. A investigação segue em curso, com as autoridades de Jalisco sob pressão para avançar nos apelos por respostas e por maior segurança nas estradas do estado.
Até o momento, a Vice-Procuradoria Regional mantém o caso sob sigilo operacional, pois, embora tenham sido registrados outros assaltos semelhantes nessa rodovia sem pedágio que leva ao litoral de Jalisco, ainda não houve prisões nem foi definida uma motivação definitiva para o assassinato.
Segundo informações do Infobae, inicialmente, considerou-se a possibilidade de que o crime estivesse relacionado à atividade empresarial da vítima; no entanto, novas informações fornecidas por fontes próximas à investigação indicam que o ataque teria sido aleatório, e não motivado, em um primeiro momento, por seu perfil.
A Nasa está considerando encerrar antes do previsto uma missão a bordo da Estação Espacial Internacional após um astronauta sofrer uma emergência médica. A agência espacial americana não divulgou, até o momento, o que acometeu o integrante da tripulação na missão Crew-11, que é formada por pessoas dos Estados Unidos, do Japão e da Rússia. O adiantamento do retorno, caso ocorra, será um feito raro.
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Nesta quinta-feira, uma caminhada espacial que estava prevista foi adiada devido à crescente preocupação com a saúde do astronauta. A decisão foi comunicada pela agência, inclusive por meio de um comunicado em seu site oficial. Na nota, a Nasa diz, em um trecho:
“A agência está monitorando um problema de saúde de um membro da tripulação que surgiu na tarde de quarta-feira a bordo do complexo orbital. Devido à privacidade médica, não é apropriado que a NASA divulgue mais detalhes sobre o tripulante. A situação é estável.”
Os astronautas normalmente passam períodos de seis a oito meses na estação espacial, onde há acesso a equipamentos médicos básicos e medicamentos para alguns tipos de emergências, destaca a Reuters. A tripulação está na unidades desde o lançamento da Flórida, no EUA, em agosto de 2025 e tinham previsão de retorno para maio deste ano.
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Para esta quinta-feira, a caminhada espacial que estava prevista iria durar cerca de 6 horas e 30 minutos, com a finalidade de instalar equipamentos na parte externa da estação. Essas caminhadas são missões que exigem preparo e condições adequadas, por serem arriscadas e difíceis. A tripulação realiza meses de treinamento, com uso de trajes espaciais e monitoramento constatne, enquanto o astronauta está preso à estação espacial. As informações são da Reuters.
Nesta quinta-feira, a Nasa divulgou um novo comunicado para atualizar sobre a situação médica, em que destaca que acometeu apenas um integrante, que “se encontra em condição estável”.
“A segurança na condução de nossas missões é nossa maior prioridade e estamos avaliando ativamente todas as opções, incluindo a possibilidade de um encerramento antecipado da missão da Crew-11. Essas são as situações para as quais a NASA e seus parceiros treinam e se preparam para executar com segurança”, diz um trecho da nota no site oficial da agência.
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Integrantes do governo brasileiro avaliam que, diante da assimetria de poder e do enfraquecimento dos mecanismos multilaterais, o único fator que poderia funcionar como freio a uma escalada mais ampla da política expansionista americana viria do próprio ambiente doméstico dos Estados Unidos, hoje marcado por forte polarização política e social. Para diplomatas envolvidos com o tema, o cenário aberto pela ofensiva dos EUA contra a Venezuela é sombrio e acende um alerta para o risco de novas investidas de Washington não apenas na América Latina.
Esses interlocutores observam que episódios recentes envolvendo ações do serviço de imigração dos EUA (ICE), como o ocorrido em Minneapolis — quando Renee Good, cidadã americana, foi morta a tiros por um agente do órgão, na quarta-feira —, são sinais de um ambiente interno cada vez mais tenso, com potencial de mobilização que ultrapassa os setores tradicionalmente associados à esquerda americana. Essa pressão doméstica, explicam, pode se tornar o principal fator de contenção política a uma agenda externa mais agressiva do governo de Donald Trump.
Após a operação militar conduzida pelos EUA no último fim de semana, que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, Washington passou a detalhar o que pretende fazer com a Venezuela. Anunciou a intenção de assumir o controle das vendas e das receitas do petróleo venezuelano, além de orientar diretamente a reorganização econômica e política do país. Para auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a sequência de eventos configura uma intervenção direta e inédita na história recente da região.
Colonialismo desavergonhado
Conforme O GLOBO noticiou na quarta-feira, em Brasília, a leitura é que a ação contra a Venezuela não deve ser analisada como um caso isolado. Diplomatas avaliam que ela se insere em uma estratégia mais ampla, associada a uma nova doutrina de caráter expansionista, que recoloca práticas de viés colonial no centro da política externa dos Estados Unidos. Nos bastidores, essa postura é descrita como um “colonialismo desavergonhado”, agora assumido de forma explícita, com controle direto sobre recursos naturais e sobre os rumos políticos de países considerados estratégicos.
Nesse contexto, a deposição de Maduro é vista como um precedente de alto risco. Interlocutores do governo classificam o episódio como “perigosíssimo” e avaliam que a resposta da comunidade internacional não pode ser fragmentada, sob pena de normalizar ações que violam a soberania dos Estados e os princípios básicos do direito internacional.
O nível de alerta aumentou ainda mais após declarações de integrantes graduados da Casa Branca sobre a Groenlândia. A disposição do governo Trump de discutir alternativas para a aquisição da ilha, que pertence à Dinamarca, reforçou a avaliação de que o episódio venezuelano extrapola a América Latina e aponta para um padrão de atuação com implicações globais.
A estratégia brasileira para lidar com esse novo cenário já começou a ser discutida no governo. Lula conversou sobre o tema nesta quarta-feira com o chanceler Mauro Vieira. Em breve, o presidente brasileiro pretende iniciar uma rodada de contatos com outros líderes internacionais, com o objetivo de articular uma defesa coordenada da soberania, do multilateralismo e do respeito às normas internacionais.
Desde o início da semana, Vieira vem mantendo conversas com chanceleres e autoridades diplomáticas de diversos países e organismos internacionais, entre eles Canadá, Uruguai, México, França, África do Sul, Colômbia, Venezuela, Noruega, Espanha, Irã e Países Baixos, além da União Europeia e da Organização dos Estados Americanos (OEA). Segundo auxiliares, a maior parte desses contatos ocorreu a pedido dos próprios governos.
Na visão do Itamaraty, o caso da Groenlândia ajuda a explicitar a natureza do desafio colocado pelo precedente aberto na Venezuela. O envolvimento potencial de Estados Unidos e Dinamarca — ambos membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) — amplia o alcance da crise e coloca tanto a aliança militar quanto a União Europeia no centro do debate.
Para diplomatas graduados, ameaças feitas por Trump no início do mandato — envolvendo a Groenlândia, o Panamá e a própria Venezuela — deixaram de ser meramente retóricas no caso venezuelano. “A Venezuela já é uma realidade. A Groenlândia está no radar”, resume um embaixador ouvido pela reportagem.
Soberania
A posição oficial do governo brasileiro foi tornada pública no último sábado, quando o presidente Lula condenou o ataque americano e a captura de Maduro e de sua esposa. Ambos deverão ser julgados em território americano por acusações de narcotráfico e outros crimes.
Integrantes do governo lembram ainda que, no ano passado, o próprio Brasil esteve na linha de fogo de medidas adotadas por Washington, como o tarifaço e a aplicação de sanções a autoridades brasileiras, entre elas o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. À época, ressaltam, o país recorreu à diplomacia para defender sua soberania.
Esses interlocutores destacam que a postura brasileira mantém coerência com posições assumidas em outras crises recentes, como a condenação da invasão da Ucrânia pela Rússia e a atuação para conter a escalada de tensões entre Venezuela e Guiana, quando Maduro sinalizou a possibilidade de anexar a região do Essequibo, rica em petróleo e minerais.
Para diplomatas, o fio condutor dessas crises é a erosão acelerada das normas que sustentaram a ordem internacional nas últimas décadas. Na avaliação deles, o retorno explícito de práticas de força e tutela sobre países mais frágeis aprofunda um cenário de instabilidade prolongada, no qual a defesa do multilateralismo deixou de ser apenas um princípio e passou a ser uma necessidade estratégica.
Os presidentes da Colômbia, Gustavo Petro, e americano, Donald Trump, concordaram em realizar ações conjuntas contra o Exército de Libertação Nacional (ELN) — principal guerrilha em atividade, com atuação marcante na fronteira com a Venezuela, afirmou nesta quinta-feira o ministro do Interior colombiano, Armando Benedetti, um dia após a confirmação de um contato direto entre os dois.
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Após uma escalada de tensões em razão dos bombardeios americanos em Caracas, da captura do presidente venezuelano deposto, Nicolás Maduro, e de ameaças de possíveis ações militares na Colômbia, Petro e Trump reduziram o tom numa ligação na noite de quarta-feira, a primeira entre eles.
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Os líderes “se comprometeram a fazer ações conjuntas” contra o ELN, que desafia o governo de Petro com ataques constantes e sequestros de agentes de segurança após negociações de paz fracassadas, revelou Benedetti em entrevista à Blu Radio. Em dezembro, a organização paramilitar ordenou o confinamento de civis nas áreas sob seu domínio, no que chamou de “greve armada” para responder às “ameaças de intervenção de Trump”.
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No telefonema, o esquerdista Petro aceitou um convite de Trump para uma reunião em Washington e pediu “ajuda para atingir duramente o ELN na fronteira” com a Venezuela, afirmou Benedetti. Segundo o ministro, os guerrilheiros “sempre terminavam na Venezuela” após confrontos com a força pública colombiana.
“Havia vezes em que a Venezuela ajudava e outras em que não”, pontuou.
Colômbia e Venezuela compartilham uma fronteira porosa de 2.200 quilômetros, onde diferentes grupos armados disputam as rendas do narcotráfico, da mineração ilegal e do contrabando. Para Benedetti, é necessário que os guerrilheiros “também sejam atacados na retaguarda quando são atacados aqui”.
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Petro tentou sem sucesso negociar a paz com o ELN após assumir o poder em 2022, como parte de sua política para desmobilizar todos os grupos armados por meio do diálogo.
As negociações com o ELN estão suspensas após uma ofensiva dos rebeldes contra combatentes de outra guerrilha em uma área de fronteira conhecida como Catatumbo, há um ano, que deixou uma centena de mortos e dezenas de milhares de deslocados.
‘Se não se dialoga, há guerra’, diz Petro
Ao se dirigir a uma multidão reunida na Praça Bolívar, no centro de Bogotá, que atenderam a marchas convocadas pelo líder de esquerda, em repúdio às ameaças de Trump, Petro assegurou que pensava em fazer um discurso “muito duro”, mas mudou de ideia após o telefonema com Trump, que durou pelo menos uma hora. O dirigente colombiano assegurou que pediu a americano que “se restabeleçam os contatos diretos entre chancelarias e presidentes” de ambas as nações, e que eles trataram sobre o tráfico de drogas e a situação na Venezuela.
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— Se não se dialoga, há guerra — disse Petro em meio à ovação do público.
Também em uma publicação nas redes sociais, Trump também adotou um tom cordial. Ele convidou o líder colombiano para uma visita à Casa Branca. O republicano sugeriu que a ligação teria sido uma iniciativa de Bogotá, e que eles falaram trataram sobre “desacordos” entre ambos.
“Foi uma grande honra falar com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que me telefonou para explicar a situação das drogas e de outros desacordos que tivemos. Agradeci sua chamada e seu tom, e espero me reunir com ele em um futuro próximo”, escreveu Trump em uma mensagem publicada em sua rede Truth Social. “Estão sendo feitos acertos entre o secretário de Estado Marco Rubio e o chanceler da Colômbia. A reunião vai acontecer na Casa Branca”.
Petro e Trump tiveram repetidos desencontros sobre temas como narcotráfico, tarifas e imigração. Aliados militares e econômicos históricos, Colômbia e Estados Unidos estão em um dos piores momentos de sua relação bilateral. Desde o fim de setembro, Petro não tem visto americano por ordem de Trump.
Em uma entrevista dada à AFP na quarta, o vice-chanceler colombiano, Mauricio Jaramillo, advertiu que uma escalada das tensões poderia levar a uma “catástrofe” humanitária sem precedentes na América Latina.
Petro também informou durante o seu discurso que falou há dois dias com a presidente interina Delcy Rodríguez, a convidou a visitar a Colômbia e lhe propôs um diálogo “mundial” para “estabilizar” a Venezuela. O dirigente colombiano não reconhece a questionada vitória de Maduro nas eleições de 2024, mas acusa Washington de sequestrá-lo e se posicionou contra a operação militar dos Estados Unidos em Caracas.
Segundo o presidente colombiano, o diálogo foi proposto a Delcy com o objetivo de evitar “violência” na sociedade venezuelana. (Com AFP)
O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira a libertação de um “número significativo” de presos por razões políticas, incluindo cidadãos estrangeiros. Segundo ele, as solturas começaram “a partir deste exato momento”, sem que tenha sido informado o total de beneficiados.
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Trata-se das primeiras libertações sob o governo interino de Delcy Rodríguez, que assumiu temporariamente após a operação militar dos Estados Unidos, em 3 de janeiro, que resultou na captura do presidente deposto Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Ambos estão detidos em Nova York, onde respondem a diversos processos judiciais, incluindo acusações de narcotráfico.
De acordo com Jorge Rodríguez, a decisão foi tomada “para a convivência pacífica” e não envolveu negociação com outras partes. O chefe do Parlamento, no entanto, agradeceu a intermediação do ex-presidente do governo da Espanha José Luis Rodríguez Zapatero, do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e do governo do Catar, que, segundo ele, atenderam prontamente a um pedido da presidente interina. Ainda não está clara a participação desses governos na decisão.
— É um gesto unilateral do governo bolivariano — afirmou, em declarações à imprensa no Palácio Legislativo, em Caracas. — Considerem este gesto do governo bolivariano, com sua ampla intenção de buscar a paz, como a contribuição que todos devemos dar para garantir que nossa república continue sua vida pacífica.
O anúncio de Rodríguez foi feito um dia após o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmar que o governo dos EUA estruturou um plano de três fases para a Venezuela. Segundo Rubio, a primeira etapa do plano é a estabilização do país, com foco em evitar que a situação venezuelana se transforme em um cenário de caos. Em seguida, disse, ocorrerá a fase de recuperação, com a libertação de opositores presos, concessão anistias e a reconstrução da sociedade civil.
Finalmente, de acordo com o ele, a terceira etapa será a transição política no país. O secretário destacou que o plano tem como objetivo estruturar um caminho claro após a recente intervenção militar que culminou com a remoção de Maduro do comando. Não há, porém, previsão para que isso ocorra, com o líder americano, Donald Trump, afirmando em entrevista ao New York Times que os EUA deverão permanecer como tutores políticos na Venezuela por “muito mais tempo”.
Espanhóis entre os presos
Pelo menos quatro espanhóis estão entre os que foram soltos por autoridades venezuelanas, segundo fontes diplomáticas ao El País. São eles Andrés Martínez Adasme, José María Basoa, Miguel Moreno e Ernesto Gorbe. Além dos quatro, há pelo menos outros 15 detentos com dupla nacionalidade hispano-venezuelana, sobre os quais ainda não há informações a respeito de quantos também podem ter sido liberados.
— As informações que venho acompanhando ao longo de todo o dia indicam que essas libertações estão ocorrendo, conforme anunciado pelo presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Jorge Rodríguez, e que, com todas as cautelas, há cidadãos espanhóis entre as libertações — disse o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, ao canal TVE. — [Se confirmada a soltura,] será um passo muito positivo.
A ONG Foro Penal estima que a Venezuela tenha atualmente 806 presos por razões políticas, entre eles 175 militares. Em 2024, a mesma ONG anunciou que o país tinha o maior número de presos políticos dos últimos 25 anos, com cerca de 1.780 detidos. Na ocasião, a Venezuela tinha apresentado um aumento considerável nas detenções após as eleições contestadas de 28 de julho, quando Maduro foi proclamado o presidente eleito. Do total de detidos, 114 eram menores.
Antes do pleito, havia 199 presos políticos, segundo registros da organização. Depois da eleição, mais 1.581 foram contabilizados em apenas um mês, aumentando para 2,4 mil no período subsequente. Desde então, mais de 2 mil foram liberados, segundo dados oficiais. Em dezembro passado, no dia do Natal, a Venezuela libertou 99 pessoas que haviam sido detidas durante os protestos contra a reeleição de Maduro, segundo o Ministério do Serviço Penitenciário.
“O governo nacional da Venezuela e o sistema de Justiça decidiram avaliar caso a caso e conceder, de acordo com a lei, medidas cautelares, o que permitiu a libertação de 99 cidadãos, como expressão concreta do compromisso do Estado com a paz, o diálogo e a Justiça”, afirmou o ministério em nota, acrescentando que os 99 “estavam privados de liberdade por sua participação nos atos de violência e incitação ao ódio, posteriores à jornada eleitoral de 28 de julho de 2024”.
Em atualização.
O Departamento de Apreensão Criminal de Minnesota, agência estadual de investigação forense, foi barrado das investigações envolvendo a morte de uma mulher, atingida por tiros disparados por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês) em Minneapolis, na quarta-feira. O episódio — nono envolvendo disparos de um agente do ICE nos últimos quatro meses — desencadeou uma onda de insatisfação no Estado americano, com novas manifestações nesta quinta-feira terminando em confronto entre policiais e manifestantes.
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A superintendência da agência estadual divulgou um comunicado nesta quinta-feira, afirmando que com a entrada do FBI na investigação, seus funcionários foram retirados imediatamente do trabalho. O desentendimento sobre competências acontece em meio a uma disputa que opõe os governos de Minnesota (estadual) e de Minneapolis (municipal) — liderados pelos democrata Tim Walz e Jacob Frey, respectivamente — e a Casa Branca de Donald Trump, enquanto manifestações tomam as ruas em atos contra a violência e a política de imigração de Trump.
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Em uma manifestação à TV americana CNN, o procurador-geral de Minnesota, Keith Ellison, classificou o caso como “extremamente preocupante”, e disse ter tentado alertar as autoridades federais sobre os danos à confiabilidade da investigação sem uma participação ampla de todos os órgão de investigação disponíveis — sobretudo em um cenário politizado.
— Minha pergunta é: do que vocês têm medo? Por que temem uma investigação independente? — disse Ellison na manifestação mencionada pela rede americana.
A disputa sobre a investigação acontecem em um momento em que novos protestos contra as forças federais são convocados, impulsionados pela morte de Renee Nicole Good, de 37 anos. Manifestantes entraram em confronto com forças de segurança em frente a um edifício federal na cidade de Saint Paul, vizinha a Minneapolis. A multidão barulhenta entoava slogans contra o ICE, quando os policiais avançaram detendo vários, incluindo um que atingiu um agente com um cartaz de papelão.
Entre as forças federais atuando na repressão, veículos de imprensa americano confirmaram a presença de agentes da Patrulha da Fronteira. Os agentes usaram spray de pimenta, gás lacrimogêneo e munição não-letal contra a multidão, ao tentarem forçar os cidadãos para o lado oposto da rua onde está localizado o prédio federal.
Vídeo mostra momento em que agente do ICE atira em mulher em Minneapolis
Renee foi morta na quarta-feira, em um protesto contra a política de imigração de Trump, após ser abordada por agentes do ICE. Trump acusou a mulher de tentar atropelar o agente, embora imagens filmadas no local e no momento do incidente tenham provocado interpretações variadas sobre o caso. Ao menos por um ângulo, o agente parece estar fora da trajetória do veículo, no momento em que saca a arma e dispara a queima-roupa contra a motorista.
Em meio à escalada de tensões, escolas públicas de Minneapolis cancelaram as aulas pelo resto da semana. As forças de segurança estão em alerta pela presença do secretário do Tesouro de Trump, Scott Bessent, que tem um discurso agendado para hoje no Economic Club of Minnesota — o que poderia atrair manifestantes.
Algumas centenas de pessoas se reuniram no local do assassinato da mulher, na noite de quarta-feira, com um grupo ocupando e bloqueando um cruzamento e outro reunido perto de onde o carro, já sem qualquer controle, bateu. Alguns manifestantes entoavam cânticos em coro, incluindo “De quem são as ruas? Nossas ruas!” e “Fora, ICE!”.
Um memorial foi montado pelos manifestantes, e iluminado com velas. Flores, cartazes e uma cruz de madeira foram deixados no local em homenagem a Renee, descrita por parentes e pessoas da comunidade como uma pessoa carinhosa e disponível.
Memorial montado em homenagem a Renee Nicole Good, morta por agente do ICE em Minneapolis
Scott Olson/Getty Images/AFP
Os protestos aumentaram depois que o governador democrata de Minnesota, Tim Walz, considerou um “dever patriótico” manifestar-se contra o assassinato.
— O desejo de sair às ruas, protestar e denunciar a esta administração o quão errada ela está é um dever patriótico neste momento, mas precisa ser feito com segurança — disse Walz na quarta-feira.
Agentes federais começaram a chegar à região de Minneapolis-St. Paul no início de dezembro, sob o que o ICE chamou de Operação “Metro Surge”. O governo Trump afirmou esta semana que a operação envolverá até 2 mil agentes federais e já resultou em pelo menos 1,5 mil prisões.
O limite e o escopo das operações federais autorizadas por Trump — que chegaram a outras regiões e cidades emblemáticas do país, como Los Angeles — tem sido alvo de recorrente questionamento por autoridades democratas e grupos da sociedade civil.
Uma reportagem transmitida pela Rádio Pública de Minnesota informou que agentes armados da Patrulha da Fronteira teriam invadido as dependências de uma escola secundária em Minneapolis, abordando pessoas e algemando dois funcionários, além de terem usado armas com produtos químicos contra os presentes.
O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) lançou uma campanha de recrutamento no verão passado para adicionar 10 mil agentes do ICE ao contingente existente de 6 mil. Isso gerou críticas de que os novos agentes em campo não estavam recebendo treinamento suficiente. (Com AFP e Bloomberg)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem intensificado declarações e gestos que indicam seu interesse em assumir o controle da Groenlândia, a maior ilha do mundo, coberta em grande parte por gelo e localizada no Ártico. Nos últimos meses, Trump ridicularizou equipes dinamarquesas que utilizam trenós puxados por cães para patrulhamento no território e mencionou a presença de navios chineses e russos “misteriosos” operando próximos à costa. Há poucos dias, afirmou: “Precisamos da Groenlândia do ponto de vista da segurança nacional”.
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Mas a questão é: os EUA realmente precisam comprar a Groenlândia — ou fazer algo ainda mais drástico — para alcançar os objetivos de Trump? Sob um acordo pouco conhecido da Guerra Fria, os americanos já desfrutam de amplo acesso militar à ilha, onde têm uma base em um canto remoto. Mas o acordo lhes permite “construir, instalar, manter e operar” bases militares em toda a Groenlândia, “abrigar pessoal” e “controlar pousos, decolagens, fundeadouros, ancoragens, movimentos e a operação de navios, aeronaves e embarcações aquáticas”.
O acordo foi assinado em 1951 pelos Estados Unidos e pela Dinamarca, que colonizou a Groenlândia há mais de 300 anos e ainda controla alguns de seus assuntos. Para Mikkel Runge Olesen, pesquisador do Instituto Dinamarquês de Estudos Internacionais, em Copenhague, o acordo dá aos EUA liberdade quase total de ação.
— Os EUA têm tanta liberdade de ação na Groenlândia que podem, basicamente, fazer o que quiserem — disse. — Tenho muita dificuldade em imaginar que os EUA não conseguiriam praticamente tudo o que quisessem se simplesmente pedissem educadamente.
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Mas comprar o território — algo que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse aos parlamentares na terça ser o plano mais recente de Trump — é outra questão. A Groenlândia não quer ser comprada por ninguém, especialmente não pelos Estados Unidos. E a Dinamarca não tem autoridade para vendê-la, disse Olesen.
No passado, a Dinamarca teria sido a decisora. Em 1946, logo após a Segunda Guerra Mundial, Copenhague rejeitou uma oferta do governo do então presidente Harry Truman, que propôs pagar US$ 100 milhões em ouro pelo território. Hoje, o cenário é distinto. Os groenlandeses têm o direito de convocar um referendo sobre independência, e autoridades dinamarquesas afirmam que cabe aos cerca de 57 mil habitantes da ilha decidir seu futuro. Uma pesquisa realizada no ano passado indicou que 85% da população é contrária a uma tomada de controle pelos EUA.
— Nosso país não está à venda — disse o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, voltando a descartar a hipótese nesta semana.
O acordo de defesa entre Estados Unidos e Dinamarca, considerado relativamente curto e direto, foi atualizado em 2004 para incluir o governo semiautônomo da Groenlândia, garantindo-lhe participação nas discussões sobre o impacto das operações militares americanas sobre a população local.
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As origens do pacto remontam à Segunda Guerra Mundial. Naquele período, a Dinamarca estava ocupada pela Alemanha nazista. Seu embaixador em Washington, isolado de Copenhague, decidiu firmar por conta própria um acordo de defesa da Groenlândia com os Estados Unidos. O temor era que a ilha fosse usada pelos nazistas como trampolim para um ataque ao território americano. Os alemães haviam instalado pequenas bases meteorológicas na costa leste da Groenlândia e transmitiam dados usados em operações militares na Europa.
Tropas americanas acabaram expulsando os alemães e instalaram mais de uma dúzia de bases na ilha, com milhares de soldados, pistas de pouso e outras estruturas militares. Após a guerra, os Estados Unidos mantiveram algumas dessas instalações e uma rede de radares de alerta antecipado. Com o fim da Guerra Fria, quase todas foram desativadas, restando apenas uma, hoje chamada Base Espacial de Pittufik, usada para rastrear mísseis que cruzam o Polo Norte.
A presença dinamarquesa na Groenlândia, por sua vez, é limitada a algumas centenas de militares, incluindo forças especiais que utilizam trenós puxados por cães em patrulhas de longa distância. Nos últimos meses, o governo da Dinamarca prometeu modernizar suas bases e ampliar a vigilância no território.
Novo impulso
O debate ganhou novo impulso após forças especiais dos Estados Unidos capturarem o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em um esconderijo. Segundo analistas, o episódio deixou Trump mais confiante. Stephen Miller, um de seus principais assessores, afirmou então que a Groenlândia deveria pertencer aos EUA e que “ninguém vai lutar contra os Estados Unidos” por ela, o que elevou a apreensão entre autoridades dinamarquesas e groenlandesas. Na noite de terça-feira, líderes da Dinamarca e da Groenlândia solicitaram uma reunião com Rubio, segundo informou o ministro das Relações Exteriores da Groenlândia.
Cenário inédito: Entenda como a ameaça expansionista de Trump sobre a Groenlândia põe Otan em xeque
As tensões entre Trump e a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, também vêm crescendo. Enquanto o americano insiste na necessidade de “conseguir” a Groenlândia, ela tem rejeitado qualquer concessão. Recentemente, ela citou o acordo de 1951 para afirmar que os EUA já dispõem de amplo acesso ao território e pediu que Washington “cesse as ameaças”. Segundo a premier, um ataque americano à Groenlândia significaria o fim da ordem internacional. Na terça, líderes europeus divulgaram uma declaração conjunta reiterando os termos do acordo de 1951 e afirmando que “a Groenlândia pertence ao seu povo”.
Especialistas em defesa avaliam que uma eventual tentativa dos Estados Unidos de usar o pacto como justificativa para enviar grande número de tropas e ocupar a ilha também seria ilegal. A emenda de 2004 determina que Washington deve consultar Dinamarca e Groenlândia antes de promover “quaisquer mudanças significativas” em suas operações militares. O texto, assinado pelo então secretário de Estado americano Colin Powell (2001-2005), reconhece explicitamente a Groenlândia como “parte igual do reino da Dinamarca”.
Na prática, porém, analistas afirmam que pedidos razoáveis dos EUA costumam ser atendidos. Para o analista de defesa Peter Ernstved Rasmussen, trata-se de uma formalidade diplomática.
— É uma fórmula de cortesia — disse. — Se os Estados Unidos quisessem agir sem pedir, poderiam simplesmente informar à Dinamarca que estão construindo uma base, um aeródromo ou um porto.
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Esse cenário provoca críticas entre especialistas dinamarqueses. Jens Adser Sorensen, ex-alto funcionário do Parlamento da Dinamarca, afirmou que, se Trump quisesse reforçar a segurança da Groenlândia, poderia fazê-lo dentro do marco legal existente.
— Por que não usar o mecanismo do acordo de defesa se há tanta preocupação com a situação de segurança? — questionou. — A estrutura existe. Está em vigor.
Mas a localização estratégica da Groenlândia não é a única coisa que atraiu o círculo íntimo de Trump. A enorme ilha tem outro atrativo: minerais críticos — muitos deles — enterrados sob o gelo. Também aqui, dizem analistas, os Estados Unidos não precisam assumir o controle da ilha para obtê-los. Autoridades locais afirmam que os groenlandeses estão abertos a fazer negócios com praticamente qualquer país.
Um funcionário de uma unidade do Kentucky Fried Chicken (KFC) em Las Vegas, no estado de Nevada, foi esfaqueado múltiplas vezes durante uma confusão com clientes que teria começado por causa de um pedido de molho gravy. Dois homens foram presos e acusados de tentativa de homicídio pelo ataque ocorrido em 27 de dezembro, segundo a polícia local.
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De acordo com a emissora KSNV, James Carter, de 48 anos, e Gerald Carter, de 32, foram detidos após agentes atenderem a uma ocorrência de agressão dentro da rede de fast food. No local, os policiais abordaram quatro pessoas e encontraram um grande canivete no bolso de Gerald, conforme o relato.
Um dos detidos afirmou em depoimento que havia comprado comida no KFC e deixado o restaurante depois que Gerald “ficou chateado com seu molho”, segundo um relatório policial obtido pela imprensa. Ainda de acordo com o documento, o cliente irritado teria se exaltado ainda mais após ir e voltar ao restaurante várias vezes, alegando que os funcionários “o desrespeitaram”.
Imagens de câmeras de segurança mostram que Gerald retornou ao local acompanhado do tio, James, e que ambos passaram para trás do balcão. No vídeo, Gerald aparece esfaqueando o funcionário diversas vezes enquanto James o coloca “em um estrangulamento severo por vários segundos”, segundo o relatório.
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A vítima foi levada a um hospital da região para atendimento médico, mas seu estado de saúde não foi divulgado até o momento. Posteriormente, Gerald admitiu à polícia que se envolveu em uma briga com o funcionário, mas afirmou que a faca permaneceu em seu bolso. Ele também alegou que o empregado estaria “chamando-o de nomes e desrespeitando-o”, o que teria provocado a confusão.
A Justiça de Las Vegas determinou fiança de US$ 100 mil para Gerald Carter e de US$ 10 mil para James Carter. Caso sejam soltos mediante pagamento, ambos terão de usar tornozeleira eletrônica, segundo a emissora 8newsnow.
Nos Estados Unidos, as consultas de empresários interessados em investir na Venezuela se multiplicaram nos últimos dias. Os mais especuladores “querem entrar já”, mas muitos outros, confirmou ao GLOBO o ex-diplomata americano Ricardo Zuñiga, que foi o número 2 da divisão das Américas do Departamento de Estado americano durante o governo do democrata Joe Biden, “querem ter mais certezas jurídicas e políticas”. A grande expectativa entre os empresários que consideram a Venezuela um bom negócio são as licenças para operar no país que deve liberar o governo de Donald Trump nos próximos dias e semanas.
— Não sabemos ainda que tipo de licenças serão aprovadas, mas acreditamos que serão individuais, para favorecer, num primeiro momento, empresas próximas do governo americano — explica Zuñiga, que foi enviado especial de Biden para a América Central, e hoje trabalha com consultor privado.
Para ele, que foi conselheiro político na embaixada americana em Brasília entre 2010 e 2012, e cônsul dos Estados Unidos em São Paulo, entre 2015 e 2018, “reconstruir a indústria venezuelana pode demorar de três a quatro anos, e custará em torno de US$ 60 bilhões de dólares”.
— Estamos recebendo muitas consultas, as pessoas querem entender o contexto político e e jurídico. Diria que a maioria das empresas sérias quer esperar ter essas certezas — afirma o ex-diplomata.
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Além de empresas do setor petroleiro, acrescentou Zuñiga, credores da dívida venezuelana e empresários que venceram arbitragens internacionais em disputa com o regime chavista querem saber qual é o horizonte de pagamento. Estimativas privadas apontam que a dívida externa da Venezuela atinge cerca de US$ 200 bilhões.
— A presidente interina, Delcy Rodríguez, é vista como uma pessoa capaz dentro do chavismo. Ela e seu irmão [Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional] entenderam como sobreviver — afirma o consultor americano, confirmando informações de que os irmãos Rodríguez foram alvo de sondagens por parte dos EUA — incluindo o setor privado americano — antes do ataque da madrugada de 3 de janeiro.
Zuñiga lembrou, ainda, a importância, nessas sondagens, do governo do Catar. Muitas das reuniões entre Jorge Rodríguez e Delcy ocorreram justamente no Catar.
— O Catar tem interesse econômicos e políticos. Quer investir na Venezuela e quer ser um sócio confiável para Trump — conclui o ex-diplomata.
Mesmo sem petróleo, o navio apreendido pelos Estados Unidos no Atlântico Norte, na quarta-feira, tornou-se um ativo estratégico na relação entre Washington e Moscou. Sob bandeira russa e perseguido por semanas pela Marinha americana, o petroleiro de 300 metros — rebatizado de Marinera após ser sancionado pelos EUA como Bella 1, em 2024 — é suspeito de integrar a chamada “frota fantasma” usada por Rússia, Irã e Venezuela para driblar sanções internacionais. A interceptação, realizada enquanto forças russas se deslocavam para a região, levanta teorias que variam desde a especulação de que armas russas de alto valor estejam escondidas no casco, até o potencial do navio para se tornar um troféu simbólico em uma disputa de poder transatlântica entre a Casa Branca e o Kremlin. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.

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