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O crescente acúmulo de detritos espaciais na órbita baixa da Terra voltou a acender o sinal de alerta entre cientistas e agências espaciais. Pesquisadores ligados à NASA advertiram que o aumento contínuo desses resíduos eleva o risco de que fragmentos em reentrada na atmosfera possam interferir no tráfego aéreo e até colidir com aeronaves comerciais até 2026.
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A órbita terrestre baixa (LEO, na sigla em inglês) é a região localizada entre 160 e 1.930 quilômetros de altitude e figura hoje entre as áreas mais congestionadas do espaço próximo à Terra. Milhares de satélites ativos dividem esse espaço com uma grande quantidade de detritos oriundos de missões passadas, que vão de fragmentos de foguetes a peças liberadas em colisões. Estimativas indicam a existência de mais de 40 mil objetos rastreáveis nessa faixa orbital, sem considerar partículas menores e mais difíceis de detectar.
A síndrome de Kessler e o risco em cadeia
A preocupação destacada atualmente pelos pesquisadores não é inédita. Em 1978, os cientistas da NASA Donald Kessler e Burton Cour-Palais já haviam chamado atenção para o problema ao formular a chamada síndrome de Kessler. A teoria alerta que a órbita terrestre baixa pode se tornar tão congestionada a ponto de uma única colisão gerar uma reação em cadeia de impactos sucessivos.
Caso esse cenário se concretize, os prejuízos não ficariam restritos ao espaço. A destruição de satélites essenciais comprometeria sistemas fundamentais para a vida moderna, incluindo telecomunicações, navegação por GPS, produção agrícola, monitoramento climático e voos internacionais.
Por que os detritos espaciais podem afetar a aviação
Um dos principais temores atuais é que detritos espaciais em reentrada descontrolada atravessem regiões de intenso tráfego aéreo. Ao contrário do imaginário popular, o risco não se limita a grandes fragmentos incandescentes caindo do céu, mas também envolve partículas pequenas, capazes de provocar danos significativos.
De acordo com um estudo publicado no início de 2025, há uma probabilidade de 26% de que detritos espaciais reentrem em algumas das áreas de maior tráfego aéreo do mundo ao longo de 2026 — o equivalente a mais de uma chance em quatro.
Benjamin Virgili Bastida, engenheiro de sistemas de detritos da Agência Espacial Europeia, afirmou à revista Space que até fragmentos minúsculos representam perigo. “Aeronaves podem ser afetadas por detritos muito menores. Voar através de cinzas vulcânicas já é arriscado por causa de partículas microscópicas; algo semelhante pode ocorrer com detritos espaciais durante a reentrada na atmosfera”, explicou.
Entre os cenários mais preocupantes está a possibilidade de esses fragmentos serem sugados pelos motores de uma aeronave, o que poderia provocar falhas técnicas graves e uma queda abrupta.
Incidentes recentes e a busca por soluções
Os alertas ganharam ainda mais peso após um episódio registrado no verão de 2025, quando uma espaçonave da SpaceX reentrou na atmosfera terrestre sobre o espaço aéreo europeu. O incidente levou ao fechamento preventivo de rotas aéreas, causou atrasos e reacendeu o debate sobre como administrar esse tipo de risco para a sociedade.
Embora não haja registro de acidentes aéreos causados por detritos espaciais até o momento, especialistas concordam que a sorte não pode ser a única estratégia diante de um problema em expansão. Enquanto sistemas de monitoramento, controle e remoção desses resíduos seguem em desenvolvimento, cientistas defendem a adoção de protocolos mais rigorosos para reentradas controladas e uma coordenação mais estreita com a aviação civil.
Nas primeiras horas da madrugada do último sábado, helicópteros do Exército dos Estados Unidos voaram a 30 metros de altura do nível do mar e, em seguida, sobre Caracas, rumo ao Forte Tiuna, onde estavam o então líder venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores. A rota das aeronaves havia sido aberta por um ataque cibernético — com ajuda de um avião de “guerra eletrônica” —, que deixou a capital às escuras, e por caças americanos que bombardearam as defesas aéreas venezuelanas de fabricação russa. Inicialmente, os helicópteros, transportando dezenas de militares das forças especiais do Exército, voaram sem serem detectados. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
A formação da maioria necessária para dar sinal verde ao acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul pode estar cada vez mais próximo. Nesta sexta-feira, os embaixadores permanentes dos 27 estados-membros da UE se reunirão em Bruxelas para decidir se o texto deve seguir para a aprovação pelo Conselho Europeu.
Caso a votação avance e o Conselho formalize a decisão, o documento final do acordo poderá ser assinado definitivamente já na segunda-feira, dia 12, pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
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A expectativa é que o acordo, negociado desde 1999, seja finalmente assinado. Para ter o aval, contudo, o texto precisa ter maioria qualificada entre os países da UE. Isso significa que ao menos 15 dos 27 Estados-membros precisam votar a favor, desde que representem no mínimo 65% da população do bloco.
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Nicolas Tucat/AFP
O tratado é resultado de 26 anos de negociações e é considerado histórico porque criará uma zona de livre-comércio de mais de 720 milhões de consumidores. Combinadas, as economias somam US$ 22,3 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB).
Em dezembro, a UE adiou a tentativa de assinatura após o presidente da França, Emmanuel Macron, e da premiê italiana, Giorgia Meloni, recusarem-se a apoiar o texto até que fossem aprovadas garantias para proteger o setor agrícola europeu.
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Nesta semana, Bruxelas intensificou as negociações para tentar remover os últimos obstáculos. Na quarta-feira, ministros da Agricultura da UE se reuniram para discutir medidas de reforço ao apoio aos produtores rurais, que temem competição com produtos do Mercosul.
Na reunião, foi anunciado o adiantamento de até 45 bilhões de euros em subsídios previstos no próximo orçamento da Política Agrícola Comum (PAC). Ao todo, o orçamento garantido da PAC soma 293,7 bilhões de euros. A medida foi elogiada pela Itália, que indicou ter retirado sua objeção.
Protesto em Paris
A ofensiva política não conteve os protestos do campo e nem convenceu os líderes dos outros países resistentes. O presidente da França, Emmanuel Macron, disse que o país votará contra a assinatura do acordo e invocando uma “rejeição política unânime”. Ontem, agricultores franceses protestaram com tratores em frente à Torre Eiffel e ao Arco do Triunfo, em Paris.
Também ontem, o vice-primeiro-ministro da Irlanda, Simon Harris, também declarou que se uniria a países como França, Hungria e Polônia na oposição ao texto.
Itália será decisiva
Ainda assim, a avaliação predominante em Bruxelas é que os votos contrários desses países não seriam suficientes para barrar o avanço do acordo. A mudança de postura da Itália, que havia se alinhado ao grupo liderado pela França pouco antes do Natal, pode garantir a maioria necessária no Conselho.
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Por isso, as atenções se voltam para o país. O governo italiano obteve concessões relevantes nos últimos dias, em especial uma salvaguarda de 5% para produtos agrícolas sensíveis. Uma demanda de Roma para apoiar o acordo, segundo afirmou o ministro da Agricultura ao jornal Il Sole 24 Ore. A Itália agora quer exigir que essa cláusula seja incluída no texto do acordo para votar a favor.
INFO 1 – UE MERCOSUL NOVO – Saiba mais sobre o acordo
Arte O GLOBO
Se aprovado, quais são os próximos passos do acordo?
Se aprovado na reunião desta sexta-feira e assinado na segunda-feira, o texto segue direto para o Parlamento Europeu, que precisa aprovar o texto para que ele possa entrar em vigor. Nessa etapa, é necessário apenas maioria simples dos eurodeputados.
No caso do Mercosul, cada nação precisa ratificar o acordo em seu próprio parlamento. No Brasil, isso significa a aprovação pelo Congresso Nacional, explica Roberto Jaguaribe, conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e ex-embaixador do Brasil na Alemanha.
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Segundo ele, como o acordo na UE foi desmembrado, ele não precisa passar individualmente pelos parlamentos de cada país europeu. A Comissão Europeia tem competência para negociar a parte comercial e tarifária em nome do bloco.
— Isso faz com que a expectativa de que ele entre em vigor seja mais realista. Se tivesse que passar por cada parlamento (europeu), sabemos que isso não aconteceria. Mas não é o caso — diz Jaguaribe, que projeta a assinatura como um primeiro passo simbólico significativo para os países envolvidos.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone nesta quinta-feira com três chefes de Estado sobre a situação da Venezuela após a intervenção militar dos Estados Unidos que capturou o então presidente do país, Nicolás Maduro, no fim de semana. Lula falou com os presidentes Gustavo Petro, da Colômbia; Claudia Sheinbaum, do México; e com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.
As ligações, que ocorreram separadamente, reforçam o movimento do governo brasileiro de defesa do multilateralismo e de oposição à intervenção militar liderada pelo presidente americano Donald Trump, que viola o Direito Internacional.
Os governos de Colômbia e México, comandados por líderes de centro-esquerda, já haviam criticado as ações dos Estados Unidos na Venezuela. No dia seguinte à deposição de Maduro, os dois países já haviam se somado ao Brasil e a Chile, Uruguai e Espanha em uma nota conjunta que rechaçava as ações militares americana e as classificavam como contrárias a “princípios fundamentais do direito internacional”.
A conversa de Lula com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, abordou a questão na Venezuela, mas é especialmente simbólica porque o Partido Liberal, agremiação de Carney, venceu as eleições em abril de 2025 após declarações de Donald Trump dizendo que o país seria o 51º estado americano. Na ocasião, a onda de rejeição dos canadenses às falas do presidente americano ajudou a reverter a baixa popularidade dos liberais e os ajudaram a vencer o pleito.
De acordo com o Palácio do Planalto, nesta quinta Carney ligou para Lula. “Os dois líderes trocaram impressões sobre a situação na Venezuela e suas implicações para a região”.
“Ambos condenaram o uso da força sem amparo na Carta das Nações Unidas e no direito internacional. Lula destacou que o destino da Venezuela deve ser decidido soberanamente por seu povo e que a América do Sul deve continuar sendo uma zona de paz”, diz o comunicado.
O presidente e o primeiro-ministro canadense concordaram sobre a “necessidade de reforma das instituições de governança global” e Carney aceitou o convite de Lula para realizar uma visita ao Brasil em abril deste ano. A nota ainda afirma que ambos “manifestaram forte interesse em avançar de forma acelerada na negociação de um acordo comercial entre o Mercosul e o Canadá”.
Também foi o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, quem telefonou a Lula, um dia após o líder colombiano ter conversado, também por telefone, com Donald Trump e distensionado a situação entre o país caribenho e os Estados Unidos. O americano, que já chegou a acusar Petro, sem provas, de associação com o narcotráfico e sugeriu considerar uma intervenção similar à realizada na Venezuela em solo colombiano, baixou o tom na quarta-feira ao convidar o líder caribenho a visitar a Casa Branca.
Lula e Petro saudaram o anúncio feito na tarde desta quinta-feira pelo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez Gómez, irmão da presidente interina do país, Delcy Rodríguez, de libertar presos políticos nacionais e estrangeiros.
No telefonema desta quinta, Lula e o presidente da Colômbia “concordaram que a situação na Venezuela deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos, da negociação e do respeito à vontade do povo venezuelano”.
Após capturar Maduro e encaminhá-lo preso para Nova York para ser julgado por supostamente fazer parte de uma associação criminosa que promove o narcotráfico, o governo dos Estados Unidos reconheceu a legitimidade de Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela. Delcy é aliada de longa data do regime chavista-madurista e era vice-presidente de Nicolás Maduro.
O texto diz, ainda, que Brasil e Colômbia “reafirmaram sua intenção de seguir cooperando em prol da paz e da estabilidade na Venezuela” e ressalta “os importantes contingentes de migrantes venezuelanos que (os dois países) têm acolhido nos últimos anos”.
A conversa entre Lula e Claudia Shwinbaum, presidente do México, teve tom similar. A nota do Planalto sobre o telefonema diz que os dois repudiam “os ataques contra a soberania venezuelana” e “rejeitaram qualquer visão que possa implicar na divisão ultrapassada do mundo em zonas de influência”.
“Reiteraram, nesse contexto, a defesa do multilateralismo, do direito internacional e do livre-comércio”, diz a nota. Os dois presidentes manifestaram ainda “interesse em seguir cooperando com a Venezuela em favor da paz, do diálogo e da estabilidade do país e da região”. Lula voltou a convidar Sheinbaum para visitar o Brasil, em data a ser negociada entre as chancelarias dos dois países.
Comunicação sem mencionar Trump e Maduro
Nesta quinta-feira, o ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, afirmou que a posição do governo brasileiro sobre a intervenção militar americana na Venezuela não prejudica o diálogo entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O Brasil ainda tenta reverter os efeitos remanescentes do tarifaço imposto por Trump sobre exportações brasileiras. As tarifas foram reduzidas para commodities agrícolas, mas ainda pesam sobre a indústria brasileira.
— A divergência não afeta em nada a relação. O presidente Lula já teve diferenças em relação à posição do presidente (George W.) Bush na Guerra do Iraque (iniciada em 2003). No entanto, foi o presidente americano com quem ele melhor se relacionou. Nossa comunicação (no governo) não vai fugir da defesa da autodeterminação dos povos e da soberania — afirmou Sidônio a jornalistas.
Apesar disso, os comunicados sobre os temas vão evitar, segundo o ministro, qualquer menção aos nomes de Nicolás Maduro e Donald Trump. — Não tem por que citar um ou outro, o problema ali é de uma nação com a outra — disse.
Agentes federais dos Estados Unidos atiraram e feriram duas pessoas na cidade de Portland, no oeste do país, nesta quinta-feira, informou a polícia local.
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— Duas pessoas estão hospitalizadas após um tiroteio envolvendo agentes federais — afirmou a Polícia de Portland em comunicado, um dia depois de uma mulher americana ter sido morta a tiros por um agente de imigração em Minneapolis.
Segundo o Departamento de Polícia de Portland, os agentes envolvidos eram da U.S. Customs and Border Protection (Alfândega e Proteção de Fronteiras), e não da agência de imigração ICE, esclarecimento divulgado por fontes federais e pela imprensa.
Policiais foram acionados pouco antes das 14h30 (horário local) para uma ocorrência de tiroteio envolvendo forças federais. Ao chegarem ao local, encontraram um homem e uma mulher com ferimentos aparentes por arma de fogo na área de Northeast 146th Avenue e East Burnside Street, no leste da cidade.
Os dois feridos foram transportados a hospitais da região, mas as autoridades ainda não divulgaram o estado de saúde das vítimas.
O chefe da polícia de Portland, Bob Day, pediu calma à comunidade, citando o “momento de emoção e tensão” após um tiroteio letal na véspera em Minneapolis, onde um agente do ICE matou uma mulher durante uma operação de imigração. O FBI está apurando incidente, sem detalhes imediatos sobre o que teria levado os agentes a disparar.
O episódio ocorre em um contexto de crescentes preocupações sobre o uso da força por autoridades federais nos Estados Unidos e o impacto dessas ações nas comunidades locais.
Prefeito se pronuncia
O prefeito de Portland, Keith Wilson, publicou em mídias oficiais um comunicado condenando o ato dos agentes, mencionando o caso de Minnesota. Ele criticou a militarização das ações federais, afirmou que a cidade “não aceitará a erosão de direitos constitucionais” e pediu a “suspensão imediata” das operações do ICE em Portland até a conclusão de uma investigação completa.
Comunicado de Keith Wilson, prefeito de Portland
Portland.gov
“Não podemos ficar de braços cruzados enquanto as garantias constitucionais são corroídas e o derramamento de sangue aumenta. Portland não é um ‘campo de treinamento’ para agentes militarizados, e a “força total” ameaçada pela administração tem consequências letais. (…) Usarei todas as ferramentas legais e legislativas disponíveis para proteger os direitos civis e humanos de nossos moradores”, escreveu o prefeito, que finalizou o comunicado convocando a população da cidade para que se manifestassem.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou nesta quinta-feira que o país “não está subordinado nem submetido” depois que os Estados Unidos invadiram o país e depuseram seu líder, o chavista Nicolás Maduro. Ela ainda revelou que houve combate por parte das forças venezuelanas durante a incursão americana na capital Caracas e em outros estados.
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— Aqui ninguém se entregou. Aqui houve combate e houve combate por esta pátria — disse Delcy durante um ato em homenagem aos mortos durante a operação americana que deixou ao menos 100 vítimas fatais, segundos números oficiais. — Não somos subordinados nem somos submetidos. Temos dignidade histórica e temos compromisso e lealdade com o presidente Nicolás Maduro, que foi sequestrado.
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Antes, na terça-feira, Delcy garantiu que nenhum “agente externo” governa o país após a captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores na operação militar realizada na madrugada de sábado. Desde então, autoridades, especialistas e a imprensa internacional têm levantado especulações sobre quem estaria de fato no comando do país. Isso porque, ao detalhar a operação horas após os ataques à capital e três outros estados, o presidente americano, Donald Trump, disse em declaração a jornalistas que os EUA iriam administrar a Venezuela.
— O governo venezuelano governa o nosso país, ninguém mais. Não há nenhum agente externo governando a Venezuela — declarou Rodríguez em um pronunciamento televisionado.
Delcy ainda prestou homenagem “aos mártires que deram suas vidas defendendo a Venezuela”. Pelo menos 55 militares venezuelanos e cubanos da equipe de segurança de Maduro morreram no ataque de 3 de janeiro, segundo dados oficiais.
— Este é um povo que não se rende, somos um povo que não desiste. Estamos aqui governando ao lado do povo — declarou a líder chavista.
Na noite de domingo, Delcy defendeu em uma publicação nas redes sociais uma relação equilibrada e respeitosa com Trump. Simultaneamente, o republicano afirmou a jornalistas, a bordo do Air Force One, que Washington está “no comando” do país sul-americano.
“Consideramos prioritário avançar rumo a uma relação internacional equilibrada e respeitosa entre os EUA e a Venezuela, e entre a Venezuela e os países da região, baseada na igualdade soberana e na não interferência. Esses princípios norteiam nossa diplomacia com o resto do mundo”, escreveu a presidente interina. “Estendemos um convite ao governo dos EUA para trabalharmos juntos em uma agenda de cooperação, orientada para o desenvolvimento compartilhado, dentro da estrutura do direito internacional, e para fortalecer a coexistência comunitária duradoura”.
O crescimento econômico global vai desacelerar um pouco em 2026, à medida que as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump tenham um impacto mais pronunciado e as incertezas geopolíticas se espalhem, segundo uma avaliação anual das Nações Unidas.
A economia global deve crescer 2,7% neste ano, abaixo de uma estimativa de 2,8% em 2025, afirmou a ONU em seu estudo Situação e Perspectivas da Economia Mundial, divulgado hoje. Para 2027, a expectativa é de que o crescimento volte a subir para 2,9%.
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No ano passado, a economia internacional conseguiu absorver o choque das tarifas que Trump impôs em abril à maioria dos parceiros comerciais dos EUA, mas seus efeitos vão se tornar mais evidentes em 2026, segundo o relatório. O documento projeta que o crescimento do comércio global, estimado em 3,8% para 2025, desacelere para 2,2% neste ano.
Além das tensões comerciais, a ONU vê outros riscos, incluindo conflitos geopolíticos que podem reduzir as taxas de crescimento, compensando o aumento dos gastos dos consumidores e mercados de trabalho mais estáveis.
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— Uma combinação de tensões econômicas, geopolíticas e tecnológicas está remodelando o cenário global, gerando nova incerteza econômica e vulnerabilidades sociais — afirmou o secretário-geral António Guterres em comunicado.
A economia mundial vem crescendo, há vários anos, em um ritmo mais lento do que no período anterior à pandemia, quando o crescimento médio foi de 3,2%.
Uma exceção à desaceleração geral prevista para este ano são os Estados Unidos, onde os pesquisadores esperam que o crescimento avance para 2% — ante 1,9% em 2025 — sustentado por políticas fiscais e monetárias expansionistas.
Aliados como a União Europeia e o Japão, no entanto, devem registrar uma leve queda em suas taxas de crescimento, segundo a ONU. Na China, principal alvo das tarifas dos EUA, o crescimento deve desacelerar para 4,6%, ante 4,9%.
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O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, telefonou na tarde desta quinta-feira ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os dois líderes de esquerda discutiram a situação na Venezuela após uma operação militar dos Estados Unidos ter capturado o então presidente do país Nicolás Maduro. Na conversa, ambos saudaram o anúncio feito na tarde desta quinta-feira pelo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez Gómez, irmão da presidente interina do país, Delcy Rodríguez, de libertar presos políticos nacionais e estrangeiros.
Comunicado divulgado pelo Palácio do Planalto afirma que os dois presidentes “manifestaram grande preocupação com o uso da força contra um país sul-americano, em violação ao direito internacional, à Carta das Nações Unidas e à soberania da Venezuela”.
Os dois líderes também “destacaram que tais ações constituem um precedente extremamente perigoso para a paz e a segurança regionais e para a ordem internacional”, diz o texto.
Lula e Petro “concordaram que a situação na Venezuela deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos, da negociação e do respeito à vontade do povo venezuelano”. Após capturar Maduro e encaminhá-lo preso para Nova York para ser julgado por supostamente fazer parte de uma associação criminosa que promove o narcotráfico, o governo dos Estados Unidos reconheceu a legitimidade de Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela. Delcy é aliada de longa data do regime chavista-madurista e era vice-presidente de Nicolás Maduro.
“O presidente Lula informou que, a pedido da Venezuela, está enviando 40 toneladas de insumos e medicamentos, de um total de 300 toneladas já arrecadadas, para reabastecer o estoque de produtos e soluções para diálise que estavam em um centro de abastecimento atingido pelos bombardeios do último dia 3 de janeiro”, diz o comunicado do governo Lula.
O texto diz, ainda, que Brasil e Colômbia “reafirmaram sua intenção de seguir cooperando em prol da paz e da estabilidade na Venezuela” e ressalta “os importantes contingentes de migrantes venezuelanos que (os dois países) têm acolhido nos últimos anos”.
O telefonema entre Lula e Petro ocorre um dia após o presidente colombiano ter conversado também com Donald Trump e distensionado a situação entre o país caribenho e os Estados Unidos.
No telefonema, Petro aceitou um convite de Trump para uma reunião em Washington. Nesta quinta-feira, o ministro do Interior colombiano, Armando Benedetti, disse que Petro e Trump concordaram em realizar ações conjuntas contra o Exército de Libertação Nacional (ELN), a principal guerrilha ainda em atividade na Colômbia, com atuação marcante na fronteira com a Venezuela.
Benedetti afirmou que Petro pediu a Trump “ajuda para atingir duramente o ELN na fronteira” com a Venezuela. Segundo o ministro colombiano, os guerrilheiros “sempre terminavam na Venezuela” após confrontos com a força pública colombiana.
Em meio a protestos em, pelo menos, 25 das 31 províncias do Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o país nesta quinta-feira, afirmando que Teerã poderá ser “atingido muito duramente” caso as autoridades iranianas passem a matar manifestantes. A declaração ocorre no mesmo dia em que a ONG Vigilância de Segurança Cibernética Netblocks informou que o regime impôs um corte de internet em “escala nacional”, no 12º dia de um movimento de protestos que desafia diretamente o poder da República Islâmica, acusado de intensificar a repressão.
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— Deixei claro para eles que se começarem a matar pessoas — o que tendem a fazer durante as manifestações, que eles têm muitas —, nós os atingiremos muito duramente — afirmou Trump durante uma entrevista ao apresentador de rádio conservador Hugh Hewitt.
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Trump já havia feito uma ameaça semelhante na semana passada, quando afirmou que os EUA estão “com as armas preparadas e carregadas, prontos para agir”. Não se sabe até que ponto Trump está disposto a usar seu poderio militar — como quer um de seus maiores aliados , Israel — mas o resultado final pode não ser o esperado pela Casa Branca.
Manifestantes agitam bandeiras do Irã anteriores à Revolução Islâmica de 1979 durante um protesto contra a repressão do regime iraniano aos protestos no centro de Paris, em 4 de janeiro de 2026
BLANCA CRUZ / AFP
“Se o Irã atirar e matar violentamente manifestantes pacíficos, o que é seu costume, os Estados Unidos da América virão em seu socorro”, escreveu o presidente em sua plataforma Truth Social, na última sexta-feira, pouco mais de seis meses depois de bombardear instalações nucleares no país.
Após essas primeiras declarações, o chefe do Exército iraniano, general Amir Hatami, respondeu, dizendo que “considera a escalada da retórica inimiga contra a nação iraniana como uma ameaça”.
Já o presidente do Irã, Masud Pezeshkian, pediu nesta quinta-feira “a máxima moderação” frente aos manifestantes, bem como o “diálogo” e a escuta às “reivindicações do povo”.
Historicamente, as autoridades iranianas recorrem à violência para reprimir levantes. Em 2022, após a morte sob custódia de Mahsa Amini, detida por uso considerado inadequado do hijab, mais de 550 pessoas teriam sido mortas por forças de segurança, segundo organizações de direitos humanos. Desta vez, a resposta inicial pareceu mais contida, mas vídeos verificados mostram intensificação do uso da força desde último sábado.
Protestos já duram nove dias no Irã; manifestações começaram com o intuito de protestar pelo custo de vida. Agora, avançaram para questões políticas
UGC/AFP
Os protestos no Irã eclodiram em 28 de dezembro, quando comerciantes de Teerã organizaram uma manifestação contra o aumento dos preços no país e o colapso do rial, o que desencadeou uma onda de ações semelhantes em outras cidades. Desde então, os atos deixaram dezenas de mortos, incluindo membros das forças de segurança.
Segundo a ONG Iran Human Rights, ao menos 45 manifestantes morreram durante os protestos. A quarta-feira, por exemplo, foi o dia mais sangrento, com 13 mortos, ainda de acordo com a ONG, que também indicou que “centenas” de pessoas ficaram feridas e que mais de 2 mil foram detidas. A agência de notícias francesa France-Presse (AFP), por sua vez, informou que o balanço seria de ao menos 21 mortos.
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A República Islâmica já havia classificado como “linha vermelha” e desestabilização regional uma possível intervenção americana no país após as primeiras ameaças de Trump. As declarações do republicano provocaram, inclusive, uma reação de dois assessores do líder supremo do Irã, Ali Khamenei.
“Qualquer mão intervencionista que ataque a segurança do Irã sob qualquer pretexto será alvo de uma resposta”, escreveu Ali Shamkhani, conselheiro de Khamenei, em uma publicação no X. “A segurança do Irã é uma linha vermelha.” Já o também conselheiro Ali Larijani escreveu que “Trump deveria saber que qualquer interferência dos Estados Unidos neste assunto interno seria o equivalente a desestabilizar toda a região e prejudicar os interesses americanos”: “Que tenha cuidado com seus soldados”, acrescentou.
De acordo com vídeos cuja autenticidade foi verificada pela AFP, os manifestantes entoavam slogans como “é a batalha final, Pahlavi voltará”, em alusão à dinastia derrubada pela Revolução Islâmica de 1979, ou “Seyyed Ali será destituído”, em referência ao líder supremo Ali Khamenei, no poder desde 1989.
A primeira grande libertação de prisioneiros na Venezuela desde a deposição do presidente Nicolás Maduro se deve à “pressão máxima” exercida pelo presidente dos EUA, Donald Trump, disse a Casa Branca nesta quinta-feira. Mais cedo, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira a libertação de um “número significativo” de presos por razões políticas no país.
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“Este é um exemplo de como o presidente está usando toda a sua influência para fazer o que é certo para os povos americano e venezuelano”, disse a vice-secretária de imprensa Anna Kelly em um comunicado à AFP.
Trata-se das primeiras libertações sob o governo interino de Delcy Rodríguez, que assumiu temporariamente após a operação militar dos Estados Unidos, em 3 de janeiro, que resultou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Ambos estão detidos em Nova York, onde respondem a diversos processos judiciais, incluindo acusações de narcotráfico.
De acordo com Jorge Rodríguez, a decisão foi tomada “para a convivência pacífica” e não envolveu negociação com outras partes. O chefe do Parlamento, no entanto, agradeceu a intermediação do ex-presidente do governo da Espanha José Luis Rodríguez Zapatero, do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e do governo do Catar, que, segundo ele, atenderam prontamente a um pedido da presidente interina. Ainda não está clara a participação desses governos na decisão.
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— É um gesto unilateral do governo bolivariano — afirmou Delcy, em declarações à imprensa no Palácio Legislativo, em Caracas. — Considerem este gesto do governo bolivariano, com sua ampla intenção de buscar a paz, como a contribuição que todos devemos dar para garantir que nossa república continue sua vida pacífica.
Entre os presos estão a ativista e especialista em questões militares Rocío San Miguel, presa em 2024, e o ex-candidato à Presidência Enrique Márquez.
Na época em que Rocío foi detida, o procurador-geral do país, Tarek William Saab, afirmou que ela seria acusada de “traição à pátria, terrorismo e conspiração”. Diretora da ONG Controle Cidadão, ela foi considerada a presa política mais importante do governo de Maduro.
Já Márquez, figura relevante da oposição ao chavismo, também foi libertado nas últimas horas. Ele se opôs a reconhecer a vitória de Maduro nas últimas eleições presidenciais, em 2024, e desde então estava preso. Segundo o El País, sua esposa aguarda instruções para ir ao encontro dele.
A ONG Foro Penal estima que a Venezuela tenha atualmente 806 presos por razões políticas, entre eles 175 militares. Em 2024, a mesma ONG anunciou que o país tinha o maior número de presos políticos dos últimos 25 anos, com cerca de 1.780 detidos. Na ocasião, a Venezuela tinha apresentado um aumento considerável nas detenções após as eleições contestadas de 28 de julho, quando Maduro foi proclamado o presidente eleito. Do total de detidos, 114 eram menores.
Antes do pleito, havia 199 presos políticos, segundo registros da organização. Depois da eleição, mais 1.581 foram contabilizados em apenas um mês, aumentando para 2,4 mil no período subsequente. Desde então, mais de 2 mil foram liberados, segundo dados oficiais. Em dezembro passado, no dia do Natal, a Venezuela libertou 99 pessoas que haviam sido detidas durante os protestos contra a reeleição de Maduro, segundo o Ministério do Serviço Penitenciário.
Com AFP.

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