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Metade dos prédios residenciais de Kiev ficou sem calefação nesta sexta-feira, após uma noite de intensos ataques russos que deixaram pelo menos quatro mortos e durante os quais, pela segunda vez desde o início da guerra, Moscou lançou um míssil hipersônico Oreshnik.
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O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, pediu aos moradores em condições de fazê-lo que deixassem temporariamente a cidade.
“Metade dos prédios residenciais de Kiev — quase 6.000 — está atualmente sem calefação devido aos danos à infraestrutura crítica da capital causados por um intenso ataque do inimigo”, disse Klitschko em comunicado publicado em seu canal oficial no Telegram.
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A capital ucraniana registrou cerca de -8°C nesta sexta-feira, e a temperatura continuava caindo.
A empresa privada de eletricidade DTEK informou que 417.000 residências em Kiev estavam sem energia. Cerca de 40 prédios foram danificados nos ataques russos, incluindo 20 residenciais e a embaixada do Catar na capital, segundo o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky. A polícia relatou quatro mortos e 24 feridos.
Moscou bombardeou Kiev poucas horas depois de rejeitar um plano europeu para enviar uma força multinacional à Ucrânia após um possível fim da guerra. A Ucrânia e seus aliados, empenhados em pôr fim ao conflito que se aproxima do seu quarto ano, estabeleceram nesta semana que a Europa enviará tropas para o território ucraniano após um eventual cessar-fogo.
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Mas Moscou, que lançou a invasão em fevereiro de 2022, em parte para impedir a entrada da Ucrânia na Otan, rejeitou repetidamente a ideia de forças ocidentais enviadas ao país e afirmou, na quinta-feira, que tais tropas seriam consideradas “alvos militares legítimos”.
Enquanto a diplomacia tenta fazer a sua parte, a Rússia prossegue com ataques diários contra a Ucrânia em meio às temperaturas congelantes do inverno. O Ministério da Defesa russo alegou ter usado um míssil hipersônico Oreshnik, com capacidade nuclear, contra “alvos estratégicos” na madrugada desta sexta-feira, em resposta a um suposto ataque com drone em dezembro contra uma residência do presidente Vladimir Putin, o qual a Ucrânia nega.
A Rússia já havia usado um míssil semelhante, com ogiva convencional, contra a Ucrânia no final de 2024. As autoridades ucranianas afirmaram que uma “instalação de infraestrutura” foi atingida pelo míssil perto da cidade de Lviv, no oeste do país. O Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) publicou imagens de destroços que apresentou como pertencentes ao míssil Oreshnik.
“Teste” para UE e Otan
Zelensky exigiu uma “resposta clara” da comunidade internacional ao ataque, que “ocorreu justamente quando uma forte onda de frio atingiu o país”. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sibiga, descreveu o ataque hipersônico como uma ameaça à Europa e um “teste” para os aliados de Kiev.
“Um ataque desse tipo perto da fronteira da UE e da Otan representa uma séria ameaça à segurança do continente europeu e um teste para a comunidade transatlântica. Exigimos respostas firmes”, disse nas redes sociais.
A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou nesta sexta-feira que o lançamento do míssil hipersônico é um sinal “claro” de uma “escalada” no conflito. Reino Unido, Alemanha e França o classificaram como “inaceitável”.
Segundo Etienne Marcuz, da Fundação para a Pesquisa Estratégica, a escolha de Lviv, perto das fronteiras da UE, “busca enviar um sinal aos países europeus”. “É uma forma de lembrá-los de sua vulnerabilidade”, afirmou no X.
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A Força Aérea ucraniana declarou que os russos lançaram 36 mísseis e 242 drones de vários tipos, e acrescentou que seus sistemas de defesa aérea derrubaram 226 veículos aéreos não tripulados e 18 projéteis.
Do outro lado da fronteira, o governador da região russa de Belgorod informou que mais de meio milhão de pessoas ficaram sem eletricidade ou calefação após um ataque ucraniano a instalações de serviços públicos. Quase 200 mil pessoas também ficaram sem água, acrescentou o governador Vyacheslav Gladkov.
“Muito longe” de um acordo
Esta última onda de ataques russos ocorre depois de a Embaixada dos Estados Unidos em Kiev ter alertado, na quinta-feira, que um “ataque aéreo potencialmente significativo” poderia ocorrer a qualquer momento nos próximos dias.
A Ucrânia continua lutando para restabelecer a calefação e o abastecimento de água a centenas de milhares de casas após os ataques russos desta semana a instalações de energia nas regiões de Dnipropetrovsk e Zaporizhzhia.
Embora Zelensky tenha afirmado que o acordo entre Kiev e Washington sobre as garantias de segurança dos EUA estava “praticamente pronto para ser concluído”, o chanceler alemão Friedrich Merz reconheceu que um acordo de cessar-fogo ainda estava “muito longe”, dada a posição da Rússia.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou na quinta-feira que se reunirá com María Corina Machado, líder da oposição venezuelana, na próxima semana em Washington, após escanteá-la de uma eventual transição ao poder a partir da prisão de Nicolás Maduro pelos EUA. A tentou se aproximar de Trump e, no início desta semana, ofereceu-lhe o Prêmio Nobel da Paz que recebeu no ano passado, algo que o republicano ambiciona há muito tempo.
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“Entendo que ela virá na próxima semana e estou ansioso para cumprimentá-la”, disse Trump ao apresentador da Fox News, Sean Hannity, em uma entrevista na Casa Branca.
María Corina liderou uma campanha eleitoral bem-sucedida em 2024 contra Maduro e tinha a maior legitimidade popular para liderar a nação, mas Trump disse que ela não tem o apoio ou o respeito necessários dentro da Venezuela para governá-la.
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Na segunda-feira, a opositora disse à Fox News que entregar o prêmio a Trump seria um gesto de gratidão do povo venezuelano pela destituição de Maduro. Ela já havia dedicado o prêmio a Trump.
Trump disse na entrevista de quinta-feira que “seria uma grande honra” aceitar a oferta de María Corina, acrescentando que era “uma grande vergonha para a Noruega”, onde o Nobel da Paz é concedido, ele não ter sido agraciado com a congratulação.
O magnata frequentemente reivindica o crédito por ter encerrado várias guerras desde que assumiu o cargo em janeiro e assumiu o crédito pela libertação de presos políticos em andamento na Venezuela. Em alguns casos, as partes em conflito lhe atribuíram o mérito de promover a paz ou acalmar as hostilidades. Em outros, seu papel é contestado ou menos claro, ou os combates foram retomados.
Segunda leva de ataques ‘cancelada’
Em uma publicação na rede Truth Social nesta sexta-feira, Trump afirmou que cancelou uma segunda onda de ataques militares contra a Venezuela em razão da cooperação do país com Washington, mas disse que embarcações americanas permanecerão posicionadas na região “por motivos de segurança”. A declaração se dá em meio a um movimento no Senado americano para restringir a capacidade do presidente de ordenar novas ações militares contra o país sul-americano sem autorização do Congresso.
Segundo Trump, a Venezuela está “trabalhando bem” com os EUA, tanto na libertação de “grandes números” de presos políticos quanto na reconstrução de sua infraestrutura de petróleo e gás, o que teria tornado desnecessária uma nova ofensiva militar. “Por causa dessa cooperação, cancelei a segunda onda de ataques previamente esperada”, escreveu o presidente, acrescentando que todos os navios americanos permaneceriam no local “por razões de segurança”.
Foi a primeira vez que Trump mencionou publicamente a possibilidade de uma segunda onda de ataques contra a Venezuela. A declaração ocorre cerca de uma semana após o presidente ter ordenado uma operação militar que resultou na captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em uma ação noturna surpresa. Após a operação, Trump afirmou que os Estados Unidos passariam, na prática, a “administrar” o país e não descartou a possibilidade de um envolvimento militar prolongado.
Trump diz que cooperação da Venezuela, com libertação de presos políticos, levou ao cancelamento de uma segunda onda de ataques, mas afirma que embarcações dos EUA seguem na região
Reprodução
Na quinta-feira, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, anunciou a libertação de um “número significativo” de presos por razões políticas, incluindo cidadãos estrangeiros, a ativista Rocío San Miguel, presa em 2024 sob acusação de “traição à pátria, terrorismo e conspiração”, e o ex-candidato à Presidência Enrique Márquez. O governo venezuelano definiu a medida como um “gesto unilateral” para a “convivência pacífica”. Trump elogiou a ação, classificando-a como um “gesto muito importante e inteligente”.
O presidente americano também afirmou que Washington e Caracas estão cooperando na reconstrução da infraestrutura de petróleo e gás da Venezuela “em uma forma muito maior, melhor e mais moderna”. Trump disse ainda que se reuniria nesta sexta com executivos de grandes companhias petrolíferas na Casa Branca para incentivá-los a aumentar a produção venezuelana e fazer novos investimentos no país. Ele afirmou que “pelo menos US$ 100 bilhões” seriam investidos pela indústria, ainda que o setor tenha manifestado ceticismo quanto à disposição de aportar dezenas de bilhões de dólares ao longo de uma década. (Com New York Times)
Mesmo que impulsionada por uma ação militar duramente condenada pelo Brasil, uma eventual estabilização econômica da Venezuela é vista em Brasília como uma possível janela de oportunidades. Interlocutores do governo brasileiro, do setor privado e especialistas avaliam que, se a intervenção dos Estados Unidos produzir algum grau de reorganização da economia do país vizinho, haverá impacto positivo sobre o comércio bilateral, a retomada de investimentos e o equacionamento de passivos acumulados nos últimos anos.
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O anúncio feito pelo presidente Donald Trump, na quarta-feira, de que a Venezuela comprará apenas produtos fabricados nos Estados Unidos com o dinheiro obtido com a venda de petróleo não invalida essa expectativa. Uma retomada da combalida economia venezuelana poderá ocorrer de forma gradual, e a velocidade desse processo dependerá do que acontecer internamente no país, agora sob a supervisão de Washington.
Efeitos no longo prazo
Na dimensão política, segundo a avaliação de um interlocutor do Itamaraty que acompanha de perto o tema, qualquer melhora pontual da economia venezuelana tenderá a ser capitalizada pelos EUA e pela direita latino-americana — inclusive no Brasil. Já a repercussão econômica deve ser positiva para todos os brasileiros e venezuelanos.
Ainda assim, segundo essa leitura, não há perspectiva de melhora no curto ou no médio prazo. O país, afirma o diplomata, “continua a mesma bagunça de antes, inclusive sob o mesmo regime, e ainda por cima sendo pilhado pelos EUA”.
A política recente dos EUA para a Venezuela — intensificada após a operação militar — mira no controle de vendas e nas receitas do petróleo venezuelano. Também prevê o domínio dos recursos para alavancar a economia do país e orientar uma transição política favorável aos interesses americanos.
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Para o presidente da Associação Comercial e Empresarial do Estado de Roraima (ACERR), Eduardo Oestreicher, o setor privado venezuelano não deixará de comprar produtos do Brasil, mesmo diante da intervenção americana e das restrições anunciadas por Washington.
— Eles não vão deixar de comprar produto brasileiro para comprar só americano. O setor empresarial puro vai comprar o que tiver no dia, com o preço mais negociável — afirma.
Ele acredita que setores específicos da Venezuela devem se beneficiar da volta de profissionais qualificados que emigraram para outros países nos últimos anos, com destaque para energia, petróleo e indústria automobilística.
Ao reagir aos ataques dos EUA à Venezuela no último sábado — que culminaram com a captura do ditador Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores —, o Brasil tem reiterado, em instâncias multilaterais, a defesa da Carta das Nações Unidas, do direito internacional e dos princípios de soberania e não intervenção, diante do que diplomatas consideram um precedente perigoso.
Ao mesmo tempo, há o reconhecimento de que uma reorganização da economia venezuelana — ainda que estimulada por Washington — pode reabrir espaços econômicos hoje praticamente fechados.
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O comércio bilateral, que já foi expressivo — os venezuelanos chegaram à sexta posição entre os maiores mercados para o Brasil, com um fluxo de US$ 5 bilhões em 2008 —, encolheu drasticamente após o colapso econômico da Venezuela e a saída de empresas brasileiras do país. Atualmente, o intercâmbio é residual, muito distante dos níveis registrados no passado.
A Venezuela ocupa hoje o 52º lugar entre os compradores de produtos brasileiros. Entre janeiro e novembro de 2025, as exportações do Brasil para o país vizinho somaram US$ 751 milhões, queda de 32% em relação a igual período de 2024. O país importa do Brasil, principalmente, máquinas agrícolas, açúcar, alimentos e veículos.
Tem peso significativo nesse cenário uma dívida acumulada estimada em cerca de R$ 10 bilhões com o Brasil, referente a financiamentos concedidos pelo governo brasileiro para exportações e grandes obras de infraestrutura, como a expansão do metrô de Caracas, pontes, siderúrgicas e estaleiros. Inadimplente desde 2028, a Venezuela alega que as sanções aplicadas pelos EUA impedem o envio de remessas monetárias ao exterior, o que dificulta uma negociação.
Tatiana Prazeres, secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), afirma que ainda é cedo para fazer previsões sobre os impactos da situação da Venezuela no comércio exterior brasileiro. Ela destaca que a recuperação da economia venezuelana é condição central para uma eventual retomada do comércio bilateral em níveis mais elevados.
— Há um potencial muito importante (para beneficiar o Brasil), mas que depende fundamentalmente do crescimento econômico do país.
Ronaldo Carmona, professor de geopolítica da Escola Superior de Guerra (ESG), afirma que um contexto de estabilização política e econômica na Venezuela — mesmo que acomodando interesses mercantis dos Estados Unidos — seria “o mais desejável” para o Brasil.
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— Penso que, para o Brasil, o pior cenário que poderia se estabelecer na Venezuela seria o de uma intervenção militar direta dos Estados Unidos, com tropas no terreno, que resultasse numa guerra civil, com propagação do caos, falência das instituições e da economia e consequente descontrole imigratório em grandes proporções — diz.
Crise prolongada
Lucas Martins, especialista em História Americana e Estudos Globais da Temple University, na Filadélfia, avalia que uma eventual estabilização econômica da Venezuela pode ter efeitos concretos para o Brasil.
— A crise prolongada no país vizinho desorganiza cadeias produtivas, reduz a demanda por bens brasileiros, pressiona a infraestrutura das cidades fronteiriças e cria um ambiente de incerteza para empresas que historicamente atuam no mercado venezuelano. Qualquer melhora tende a aliviar a pressão migratória em Roraima, reativar rotas comerciais que estão praticamente paralisadas e permitir que projetos de integração energética e logística, engavetados há anos, voltem ao debate — afirma.
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Por compartilhar a maior fronteira terrestre com a Venezuela, o Brasil acompanha de perto os desdobramentos. Qualquer mudança relevante na situação política ou econômica do país vizinho tem impacto direto sobre o território brasileiro, seja na área de segurança, seja nos fluxos migratórios.
Um incidente chocante ocorreu no bairro de Palermo, em Buenos Aires, no dia 13 de dezembro, mas só veio a público nesta quinta-feira, quando um homem sentado a uma mesa na calçada em frente a um café foi surpreendido pelo impacto de um painel de vidro que se desprendeu da sacada do quarto andar de um prédio e caiu sobre sua cabeça.
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“No momento do incidente, eu estava conversando com meus colegas de trabalho porque ainda não era meu turno. Eu estava nos fundos [da loja] quando ouvi um barulho alto, como se um pacote de batatas fritas tivesse caído. Vi meus colegas correrem em direção à porta e eu corri também. Quando cheguei lá, vi o homem sentado, coberto de sangue”, disse Lisandro López, de 19 anos, funcionário da Candela Mate y Café, onde o incidente ocorreu, ao jornal La Nacion.
Conforme mostram as imagens capturadas pela câmera de segurança do mesmo prédio de onde o painel se desprendeu, a vítima foi atingida por um painel de vidro temperado que caiu de uma altura de vários metros.
“Eu queria sair para colocar o vidro debaixo da varanda, pelo menos, mas um colega da cozinha me disse para não sair, por precaução, porque outro painel de vidro poderia cair”, contou López. “O homem ficou mais ou menos inconsciente por alguns segundos e depois se levantou sozinho para ajeitar a mesa. Quando ele se levantou, nós o seguramos e o trouxemos para cá. Ele tinha um corte bastante grande no braço e estava perdendo muito sangue. Eu fui trazendo tudo o que eles pediam: papel, gaze, para fazer os primeiros curativos”, acrescentou.
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Após alguns minutos, a equipe de saúde chegou ao local e, após prestar os primeiros socorros, transferiu o homem para o Hospital Pirovano, onde foi constatado que ele estava fora de perigo e recebeu mais de 20 pontos. Fontes do Sistema de Atendimento Médico de Emergência (SAME) informaram ao jornal La Nacion que o homem sofreu uma fratura no crânio e lacerações na cabeça e em parte do braço esquerdo, onde três tendões foram rompidos.
“Os bombeiros chegaram em cinco ou dez minutos. Depois, a polícia chegou cerca de cinco minutos depois e, finalmente, os paramédicos. Em menos de 20 minutos, todos estavam lá”, lembrou López.
Muitas pessoas não presenciaram a cena dramática, mas só souberam dela depois. “Percebemos que algo tinha acontecido quando os bombeiros chegaram. Depois vimos uma ambulância chegar”, disse Sol, de 32 anos, funcionário do supermercado Carrefour localizado a poucos metros do café, ao jornal La Nacion.
“Um amigo e eu saímos para ver o que tinha acontecido e os vizinhos nos disseram que um painel de vidro havia caído de cima de uma pessoa sentada na única mesa ocupada na calçada. Quando saímos, o homem havia sumido; alguém o tinha levado embora. Alguns disseram que ele tinha morrido, outros que ele tinha saído andando, outros que havia muito sangue e outros que nada tinha acontecido com ele. Havia muitas versões diferentes”, lembrou Sol.
Fontes da Secretaria de Segurança da Cidade de Buenos Aires detalharam que agentes da 14ª Delegacia B foram enviados ao café onde o homem de 50 anos sofreu o incidente. Indicaram também que bombeiros da cidade foram até o apartamento de onde o painel de vidro se desprendeu. O apartamento estava desocupado e a chave estava em posse do zelador do prédio, já que o proprietário reside na província de Córdoba.
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Por precaução, os agentes removeram o outro painel de vidro que havia permanecido no parapeito da varanda. A Unidade de Flagrantes da Zona Norte, chefiada por Amanda Bernstein, assumiu o caso. O homem de 50 anos é um morador conhecido da região, identificado por muitos como “o vizinho da jaqueta de couro”, e mora na esquina das ruas Ciudad de la Paz e Jorge Newbery.
“Ele é uma pessoa muito gentil. Está sempre sozinho. Entra, compra suas bebidas e vai embora; é um cliente assíduo. É muito quieto”, disse Sol. Ele sempre compra refrigerante. Nós o identificamos porque ele sempre usa uma jaqueta de couro. Eu não sabia quem era a pessoa que havia se machucado, então falei com os caras da Candela. Eles me disseram: ‘É o homem da jaqueta de couro’. Foi aí que eu entendi quem ele era”, acrescentou.
O vizinho recebeu alta e gradualmente retomou sua rotina. “Ele voltou para Candela anteontem e está melhor. Nós o vimos com boa aparência, embora toda a mão esteja enfaixada. Pelo que sei, ele não tem mobilidade no dedo mínimo”, disse López. “Quando o vi novamente pela primeira vez após o incidente, ele estava lá fora fumando um cigarro. Eu disse aos meus colegas: ‘É o homem do acidente’. Eu não conseguia acreditar; não sabia se ele estava bem ou a gravidade dos ferimentos”, relatou Sol.
Segundo vários vizinhos, esta não seria a primeira vez que um incidente como este ocorre no prédio. “Pelo que sei e pelo que me disseram, não é a primeira vez que algo assim acontece. Outra janela já havia caído antes, devido ao vento. Estou aqui há oito meses, mas esse incidente foi anterior”, explicou Sol.
A lei
Questionado sobre o incidente, o governo da cidade de Buenos Aires destacou que “a Lei 6116 (antiga 257) exige que proprietários e condomínios mantenham as fachadas em bom estado para a segurança de terceiros. O condomínio é responsável pelas áreas comuns, e o proprietário de sua unidade também, mas ambos devem responder por danos causados ​​por queda de detritos.
Esta lei destaca ainda que “o condomínio é responsável por garantir o cumprimento da lei e as inspeções técnicas periódicas obrigatórias, especialmente em prédios mais antigos. A responsabilidade é compartilhada, e o administrador do prédio deve garantir o cumprimento da lei e das decisões da assembleia”.
O jornal La Nacion perguntou se, além da responsabilidade privada, a Prefeitura visitou o local em Palermo para verificar o cumprimento das normas vigentes e, em caso de descumprimento, se alguma advertência foi emitida. Representantes da Agência de Controle Governamental (AGC) responderam que não, visto que o alvará de construção recente ainda não contempla a exigência de inspeções técnicas periódicas. Essas inspeções são obrigatórias após o prédio completar 15 anos, esclareceram, o que, neste caso, ocorrerá em 2028.
O lançamento, pela Rússia, de um míssil de última geração Oréshnik contra a Ucrânia, na madrugada desta sexta-feira, foi considerado “uma escalada” e “inaceitável” pelos líderes do Reino Unido, da Alemanha e da França. A avaliação foi compartilhada pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, pelo chanceler alemão, Friedrich Merz, e pelo presidente francês, Emmanuel Macron, segundo informou uma porta-voz do governo britânico.
O ataque ocorreu durante uma ofensiva russa de grande escala contra Kiev, que deixou ao menos quatro mortos. A ação foi realizada poucas horas depois de Moscou rejeitar como “militarista” um plano europeu que prevê o eventual envio de uma força multinacional à Ucrânia após um possível fim da guerra.
Com o conflito se aproximando de quatro anos, a Ucrânia e seus aliados ocidentais vêm intensificando esforços para encerrar as hostilidades. Nesta semana, houve consenso entre os parceiros europeus de que tropas do continente poderiam ser destacadas para o país em caso de um futuro cessar-fogo. Moscou, no entanto, que lançou a invasão em fevereiro de 2022 em parte para impedir a adesão da Ucrânia à Otan, tem rejeitado repetidamente a presença de forças ocidentais em território ucraniano.
“Os ataques em curso da Rússia na Ucrânia, incluindo o uso nesta manhã de um míssil balístico de alcance intermediário Oréshnik no oeste da Ucrânia, representam uma escalada e são inaceitáveis”, afirmaram Macron, Merz e Starmer, de acordo com a porta-voz do premiê britânico. Segundo ela, “ficou claro que a Rússia estava utilizando acusações fabricadas para justificar o ataque”.
A porta-voz relatou que os três líderes conversaram na manhã desta sexta-feira, após a reunião da chamada Coalizão de Voluntários, realizada nesta semana em Paris. “Os líderes começaram refletindo sobre a forte unidade em apoio à Ucrânia demonstrada na reunião de terça-feira, assim como sobre os bons avanços alcançados em relação aos próximos passos”, disse.
Ainda de acordo com o governo britânico, Starmer, Macron e Merz “celebraram a contínua e estreita coordenação com os Estados Unidos para assegurar uma paz justa e duradoura para a Ucrânia”.
Uma equipe internacional de pesquisadores descobriu fósseis de hominídeos na cidade marroquina de Casablanca, datados de 773 mil anos atrás. Os restos humanos podem ser capazes de solucionar enigmas sobre a origem dos humanos modernos, o Homo sapiens.
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— Estamos prestes a descobrir de onde viemos — comemoraram os pesquisadores.
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A descoberta foi apresentada nesta quarta-feira, em uma conferência em Rabat, liderada pelo Ministro da Cultura, Mohamed Mehdi Bensaid, e por alguns dos pesquisadores que participaram do estudo, publicado na revista Nature. A descoberta foi feita por uma equipe de pesquisadores do Marrocos, França, Itália, Espanha e Alemanha.
A origem africana, e não eurasiática, do Homo sapiens agora é mais fortemente apoiada graças à descrição e datação de restos fósseis encontrados em Casablanca, que fornecem novas evidências de que a África é a origem da espécie humana.
Os cientistas acreditam que o último ancestral comum dos humanos modernos, dos neandertais e dos denisovanos (nomeados em homenagem às cavernas siberianas onde foram encontrados) viveu entre 765 mil e 550 mil anos atrás. A questão que permanece é: onde ele viveu?
Descobertas como a do Homo antecessor na Sierra de Atapuerca (Burgos, norte da Espanha), datado de 800 mil anos, apontaram para a ocorrência dessa ligação ancestral na Europa.
No entanto, os fósseis marroquinos descritos reforçam a teoria de que o hominídeo que serviu de elo entre os neandertais e os sapiens veio da África.
Os restos mortais descritos incluem uma mandíbula adulta quase completa, a segunda metade de uma mandíbula adulta, a mandíbula de uma criança, numerosos dentes e vértebras.
O diretor da missão de pesquisa franco-marroquina “Pré-história de Casablanca”, Abderrahim Mohib, explicou que o material estudado consistia em várias mandíbulas humanas, uma delas pertencente a uma criança, restos dentários e pós-cranianos.
Todos foram desenterrados em 2008 em uma caverna conhecida como ‘Grotte à Hominidés’, no sítio arqueológico Thomas Quarry I, em Casablanca.
— Os hominídeos descobertos nesta caverna constituem o melhor candidato para a origem comum do homem moderno, porque combinam características arcaicas observadas no Homo erectus com traços derivados mais modernos — observou Mohib durante a conferência de imprensa na qual também apresentou os restos fósseis estudados.
O cientista marroquino indicou que as descobertas preenchem uma lacuna importante no registro fóssil africano, em um momento em que, de acordo com dados paleogenéticos, ocorreu a separação evolutiva entre os ancestrais africanos do Homo sapiens e os grupos humanos que migraram para a Eurásia e que posteriormente deram origem aos neandertais e aos denisovanos.
— Os fósseis apresentam uma combinação única de características primitivas e mais evoluídas, o que fornece evidências de populações humanas próximas a essa fase de bifurcação entre as linhagens humanas da África e da Europa. Isso confirma a antiguidade e a profundidade das raízes africanas de nossa espécie (Homo sapiens) e ressalta o papel fundamental do Norte da África nas principais etapas da evolução humana — observou ele.
Os restos humanos mais antigos conhecidos de Homo sapiens, datando de aproximadamente 315 mil anos, foram descobertos em 2017 no sítio arqueológico de Jbel Irhoud, no sul de Marrocos.
Preenche lacuna importante
— Este estudo preenche uma lacuna fundamental no registro africano, justamente no intervalo em que a genética situa a separação entre a linhagem que eventualmente se tornaria o Homo sapiens e o Neandertal — afirma Juan Ignacio Morales, pesquisador do Instituto Catalão de Paleoecologia Humana e Evolução Social.
— Os hominídeos de Casablanca poderiam ser entendidos, em termos gerais, como um equivalente africano do Homo antecessor, no sentido de que ambos representariam formas evoluídas do Homo erectus em duas extremidades do Mediterrâneo em épocas semelhantes, com uma anatomia que combina características primitivas e modernas — afirma o pesquisador.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que cancelou uma segunda onda de ataques militares contra a Venezuela em razão da cooperação do país com Washington, mas disse que embarcações americanas permanecerão posicionadas na região “por motivos de segurança”. A declaração foi feita em uma publicação na rede Truth Social nesta sexta-feira, em meio a um movimento no Senado americano para restringir a capacidade do presidente de ordenar novas ações militares contra o país sul-americano sem autorização do Congresso.
Contexto: Venezuela anuncia libertação de presos políticos como ‘gesto de paz unilateral’
Casa Branca: Libertação de presos na Venezuela é ‘exemplo da influência de Trump’
Segundo Trump, a Venezuela está “trabalhando bem” com os EUA, tanto na libertação de “grandes números” de presos políticos quanto na reconstrução de sua infraestrutura de petróleo e gás, o que teria tornado desnecessária uma nova ofensiva militar. “Por causa dessa cooperação, cancelei a segunda onda de ataques previamente esperada”, escreveu o presidente, acrescentando que todos os navios americanos permaneceriam no local “por razões de segurança”.
Foi a primeira vez que Trump mencionou publicamente a possibilidade de uma segunda onda de ataques contra a Venezuela. A declaração ocorre cerca de uma semana após o presidente ter ordenado uma operação militar que resultou na captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em uma ação noturna surpresa. Após a operação, Trump afirmou que os Estados Unidos passariam, na prática, a “administrar” o país e não descartou a possibilidade de um envolvimento militar prolongado.
Trump diz que cooperação da Venezuela, com libertação de presos políticos, levou ao cancelamento de uma segunda onda de ataques, mas afirma que embarcações dos EUA seguem na região
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Na quinta-feira, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, anunciou a libertação de um “número significativo” de presos por razões políticas, incluindo cidadãos estrangeiros, a ativista Rocío San Miguel, presa em 2024 sob acusação de “traição à pátria, terrorismo e conspiração”, e o ex-candidato à Presidência Enrique Márquez. O governo venezuelano definiu a medida como um “gesto unilateral” para a “convivência pacífica”. Trump elogiou a ação, classificando-a como um “gesto muito importante e inteligente”.
O presidente americano também afirmou que Washington e Caracas estão cooperando na reconstrução da infraestrutura de petróleo e gás da Venezuela “em uma forma muito maior, melhor e mais moderna”. Trump disse ainda que se reuniria nesta sexta com executivos de grandes companhias petrolíferas na Casa Branca para incentivá-los a aumentar a produção venezuelana e fazer novos investimentos no país. Ele afirmou que “pelo menos US$ 100 bilhões” seriam investidos pela indústria, ainda que o setor tenha manifestado ceticismo quanto à disposição de aportar dezenas de bilhões de dólares ao longo de uma década.
Resistência no Senado
Embora Trump tenha afirmado que cancelaria a segunda ofensiva após sinais de cooperação com a Venezuela, a declaração do presidente foi feita apenas horas depois de o Senado americano avançar uma resolução baseada na Lei dos Poderes de Guerra que busca limitar a capacidade do presidente de conduzir novos ataques contra o país sem aprovação do Congresso. A medida foi aprovada por 52 votos a 47 para seguir adiante, com apoio de democratas e de cinco senadores republicanos.
A resolução praticamente não tem chances de se tornar lei, já que teria de ser aprovada pela Câmara dos Representantes, controlada pelos republicanos, e sancionada pelo próprio Trump. Ainda assim, o avanço do texto foi visto como um sinal de desconforto de parlamentares diante da ampliação das ações militares do governo na região.
— Se o presidente decidir colocar tropas em solo venezuelano, isso exigiria que o Congresso se manifestasse — afirmou Josh Hawley, um dos cinco senadores republicanos que votaram a favor da proposta.
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Trump reagiu ao resultado afirmando que os senadores que votaram a favor “nunca mais deveriam ser eleitos” e que a resolução “prejudica gravemente a autodefesa americana e a segurança nacional”. Democratas afirmaram que a votação representa uma rejeição à ideia de que o presidente possa, sozinho, decidir sobre o envio de tropas ao exterior sem debate ou autorização legislativa. O movimento ocorre enquanto o governo Trump avalia seus próximos passos não apenas na Venezuela, mas também em outros cenários internacionais, como a Groenlândia, citada como um possível alvo de ações mais assertivas dos EUA.
— Esta não foi apenas uma votação processual. É uma rejeição clara da ideia de que uma única pessoa pode, unilateralmente, enviar filhos e filhas americanos para o perigo sem o Congresso, sem debate — disse o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, de Nova York.
Investida terrestre
Apesar do sinal positivo para a Venezuela, Trump indicou que a atividade militar dos EUA na região pode não ter chegado ao fim. Em entrevista à Fox News na noite de quinta-feira, o presidente afirmou que os Estados Unidos “começarão agora a atingir alvos em terra no que diz respeito aos cartéis”, referindo-se a instalações ligadas ao narcotráfico. O governo americano informou ter atacado mais de uma dúzia de embarcações que, segundo Washington, estavam envolvidas no tráfico de drogas.
A administração Trump usou o combate ao narcoterrorismo como uma das justificativas para a operação contra Maduro. Desde então, o presidente indicou que, embora os EUA considerassem usar as Forças Armadas para garantir a cooperação do governo interino em Caracas, ele esperava não precisar ordenar novas ações militares. Ainda assim, há meses ele vem sinalizando disposição para atingir instalações de produção de drogas em outros países, incluindo Colômbia e México.
— Vamos começar agora a atacar por terra os cartéis. Os cartéis estão controlando o México — disse Trump. — É muito, muito triste ver o que aconteceu nesse país.
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As declarações de Trump na quinta-feira ocorreram apesar de o presidente ter enviado sinais otimistas após uma ligação telefônica com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, na quarta-feira. Após a conversa, Trump publicou nas redes sociais que apreciou a “ligação e o tom” de Petro. Petro, em sua própria publicação, afirmou que era mais conveniente iniciar um diálogo “do que resolver as coisas nos campos de batalha”. Os líderes concordaram em se reunir em Washington.
Também em Washington, o presidente americano deverá encontrar-se na próxima semana com María Corina Machado, líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz. Ainda à Fox News, Trump disse que estava “ansioso” para reunir-se com ela — que, em entrevista ao mesmo canal, afirmou que gostaria de entregar seu Nobel ao republicano pelo empenho dele em “devolver a democracia à Venezuela”. Quando questionado sobre isso, o presidente respondeu:
— Ouvi dizer que ela queria fazer isso. Seria uma grande honra.
No entanto, em Oslo, o Instituto Nobel declarou que é impossível transferir o prêmio. À AFP, o porta-voz da organização, Erik Aasheim, disse que “um Prêmio Nobel não pode ser revogado nem transferido a outra pessoa”. Ele acrescentou que, uma vez que o laureado é anunciado, “a decisão permanece para sempre”. Ainda assim, afirmou, o premiado “tem liberdade para fazer o que considerar apropriado com o dinheiro do prêmio”. (Com Bloomberg e AFP)
O filho mais novo do ex-presidente Donald Trump, Barron Trump, de 19 anos, tem feito aulas para ajustar o sotaque e se sentir mais confiante ao falar em público. A informação foi divulgada pelo jornalista Rob Shuter, com base em relatos de fontes ligadas à Casa Branca.
Segundo essas fontes, Barron estaria empenhado em “soar mais próximo dos colegas americanos” e atento à forma como se apresenta, num momento em que passa a ter maior exposição pública. Vídeos compilados pela imprensa mostram a evolução da voz do jovem ao longo dos anos — inclusive um registro viral de quando ele tinha quatro anos, falando inglês com forte sotaque esloveno.
Criado majoritariamente pela mãe, Melania Trump, nascida na Eslovênia, e pelos avós maternos, Barron teria incorporado o padrão de fala familiar. Melania, conhecida por proteger a privacidade do filho, reagiu recentemente contra influenciadores que divulgaram conversas privadas e imagens de Barron em Mar-a-Lago.
Desde que completou 18 anos, Barron passou a aparecer com mais frequência — especialmente durante a campanha de 2024 —, ainda que mantenha um perfil mais reservado do que os irmãos mais velhos. Ele retornou à residência oficial da Casa Branca após o primeiro ano na New York University, e seguirá os estudos no campus da universidade em Washington.
Aliados republicanos veem em Barron potencial para atuação política no futuro, o que ajudaria a explicar o esforço atual para refinar a comunicação e ganhar segurança em eventos públicos.
O anúncio do Ministério da Defesa da Rússia sobre o disparo de mísseis hipersônicos Oreshnik contra “alvos estratégicos” na Ucrânia, em ataque realizado entre a noite de quinta e a madrugada desta sexta-feira, confirma o retorno de uma das armas mais modernas do arsenal russo no campo de batalha do Leste Europeu — em uma demonstração da operacionalidade de equipamentos com capacidade de carregar ogivas nucleares.
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O primeiro uso confirmado do Oreshnik em campo de batalha foi em novembro de 2024, quando o próprio líder russo, Vladimir Putin, anunciou um ataque bem-sucedido contra Dnipro e tratou das capacidades do equipamento de guerra publicamente. Àquela época, Putin afirmou que o míssil tem capacidade para atingir dez vezes a velocidade do som (Mach 10), detalhando que isso corresponde a “2,5 km a 3 km por segundo”.
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O presidente também detalhou que o míssil tem capacidade para carregar “dezenas de ogivas”, incluindo teleguiadas, e que está incluído na categoria de míssil de médio alcance (MRBM) — o que, de acordo com a Associação para o Controle de Armas, significa um limite operacional entre mil e 3 mil quilômetros, além de uma margem de erro de cerca de 150 metros em relação ao alvo determinado. As classificações quanto à capacidade operacional diferem a depender da fonte consultada, com algumas indicando um alcance de até 5,5 mil km.
Sergei Karakayev, comandante das Forças de Mísseis Estratégicos da Rússia — que controlam o arsenal nuclear de Moscou e o programa de mísseis balísticos intercontinentais — afirmou que o Oreshnik pode atingir alvos “em toda a Europa”.
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Embora Putin tenha dito que “atualmente não há maneiras de conter” a arma, especialistas dizem que o míssil não pode ser manobrado da mesma forma que os mísseis hipersônicos típicos, o que comprometeria parte da capacidade ofensiva projetada.
— Assim como outros mísseis balísticos intermediários e intercontinentais, suas ogivas entram na atmosfera e atingem seus alvos em velocidades hipersônicas — disse Marcin Andrzej Piotrowski, analista do Instituto Polonês de Assuntos Internacionais (PISM), em 2024. — Mas, diferentemente das armas hipersônicas, as ogivas do Oreshnik não realizaram nenhuma manobra em velocidades hipersônicas, o que complicaria a operação das defesas antimísseis.
Devastador
Também em 2024, Putin disse que os elementos destrutivos do míssil podem atingir uma temperatura próxima à da superfície do Sol.
— Portanto, tudo no epicentro da explosão se fragmenta em partículas elementares, essencialmente em pó — declarou, acrescentando que poderia atingir “até mesmo alvos altamente protegidos e localizados a grandes profundidades”.
No local do primeiro ataque do Oreshnik em Dnipro, em 2024, a AFP constatou danos limitados: o telhado de um prédio foi arrancado e árvores foram queimadas. Autoridades ucranianas também relataram apenas destruição limitada, sugerindo que o míssil estava equipado com ogivas simuladas. Moradores relataram um “ruído infernal” e clarões intensos durante o ataque.
Análises sobre a arma
Em seu canal no Telegram, Yan Matveev, analista militar russo, disse acreditar que o Oreshnik seja uma adaptação do projeto de míssil balístico de alcance intermediário (IRBM) RS-26 Rubej, que tem alcance de até 5,8 mil km e capacidade de levar até quatro ogivas nucleares de 0,3 megaton cada (a bomba Little Boy, usada pelos EUA contra Hiroshima, em 1945, tinha poder explosivo de 0,015 megaton).
Oficialmente, o programa de desenvolvimento do RS-26 havia sido paralisado em 2018, e uma decisão final sobre a continuidade ou não não seria tomada antes de 2027, afirmou o site militar russo Top War, citando o orçamento militar do país. No passado, os EUA afirmaram que o projeto violava o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, assinado em 1987 por Washington e Moscou e que previa a eliminação dos mísseis balísticos e de cruzeiro com alcance entre 500 km e 5,5 mil km. O acordo foi abandonado em 2019.
Entre as semelhanças operacionais com o RS-26, o Oreshnik, afirmam especialistas e fontes dos serviços de inteligência dos EUA e Reino Unido, poderia levar uma carga conhecida como MIRV (Veículo de Reentrada Múltiplo Independentemente Direcionado, em inglês), que lhe permite transportar múltiplas ogivas, inclusive nucleares.
— Este é um grande foguete com capacidade de carga útil, presumivelmente MIRVs, e tem a capacidade associada a ele de transportar cargas nucleares — disse à CNN Tom Karako, diretor do Projeto de Defesa de Mísseis do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), apontando que provavelmente foi a primeira vez em que o sistema de múltiplas ogivas foi usado em combate.
Contudo, Matveev destaca que lançar um míssil balístico é caro e ineficiente em um cenário como o conflito na Ucrânia — não há informações detalhadas sobre os danos provocados em Dniéper, e um vídeo divulgado pelo vice-presidente do Conselho de Segurança russo, Dmitry Medvedev, não mostra grandes explosões. As autoridades locais afirmam que três pessoas ficaram feridas, e houve danos em um centro de reabilitação e “uma unidade industrial”. Mais cedo, Putin disse que o míssil destruiu uma fábrica de armamentos.
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Para Pavel Povdig, analista nuclear independente baseado em Genebra, a escolha pode ter sido mais simbólica do que prática.
— A ideia principal é demonstrar que a Rússia está pronta para usar esses mísseis, inclusive para os fins a que se destinam. O sinal é que, se necessário, serão utilizadas com uma ogiva nuclear — disse ao site independente russo iStories.
O argumento foi corroborado por Fabian Hoffmann, pesquisador na Universidade de Oslo.
— O que eles querem nos dizer hoje é “vejam, o ataque da noite passada tinha uma ogiva não nuclear, mas vocês sabem, se o que quer que vocês estejam fazendo continuar, o próximo ataque pode ser com uma ogiva nuclear” — opinou ao New York Times.
Lançamento de míssil balístico intercontinental durante exercícios das forças de dissuasão nuclear
Handout / Russian Defence Ministry / AFP
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Ele afirma que os russos já cogitam realizar um teste atômico (envolvendo seus mísseis) há algum tempo, mas optaram pelo ataque “convencional” para não incomodar aliados regionais, especialmente a China, e ao mesmo tempo enviar um sinal claro ao Ocidente.
— Isto é uma escalada — disse Tatiana Stanovaya, pesquisadora do Centro Carnegie, citada pelo New York Times. — Eu realmente acredito que a situação é muito perigosa.
A deputada Gladis Aurora López, do Partido Nacional e representante de Honduras no Parlamento Centro-Americano (Parlacen), foi atacada nesta quinta-feira com um artefato explosivo enquanto respondia a perguntas da imprensa, antes de entrar no Congresso Nacional. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que uma pessoa posicionada atrás da parlamentar lança o dispositivo, provocando ferimentos graves no pescoço e nas costas.
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Segundo o jornal local El Heraldo, a bancada nacionalista e alguns deputados do Parlacen haviam comparecido ao plenário após convocação do presidente do Congresso, Luis Redondo, para votar uma moção que propunha a recontagem dos votos das eleições gerais de novembro de 2025.
O ataque ocorreu momentos antes da entrada da deputada no prédio do Legislativo. López foi socorrida por pessoas que estavam no local e por equipes dentro das instalações do Congresso.
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“Determinei de maneira imediata à segurança do Congresso Nacional que fossem revisadas as câmeras de segurança internas, bem como os registros do sistema 911, com o objetivo de identificar o responsável por lançar um artefato explosivo do lado de fora (na via pública) e proceder conforme a lei”, afirmou Redondo.
Em seguida, o presidente declarou: “Condenamos energicamente o ato de violência ocorrido no Congresso Nacional, que colocou em risco a integridade das pessoas e afetou diretamente a companheira congressista Gladis Aurora López. Não será tolerado nenhum ato de violência dentro do recinto legislativo nem contra qualquer membro do Poder Legislativo”.
Deputada é atingida por artefato explosivo em frente ao Congresso Nacional de Honduras
Reprodução
Horas antes do episódio, Redondo havia convidado a população hondurenha a comparecer ao Congresso e “permanecer pelo tempo que fosse necessário” para acompanhar a sessão, o que levou à montagem de uma operação com reforço policial para permitir a presença do público.
Cortes profundos nas costas
Após o ataque, imagens dos ferimentos sofridos por López passaram a circular nas redes sociais. Nas fotos, a deputada aparece com cortes profundos nas costas enquanto recebe atendimento médico. Em outra imagem, é possível ver que a camisa usada por ela ficou rasgada, com um buraco na região central das costas.
Deputada é atingida por artefato explosivo em frente ao Congresso Nacional de Honduras
Reprodução
A vice-presidente do Partido Nacional Hondurenho, Abigail Gómez, repudiou a agressão em suas redes sociais e afirmou que Honduras “não se constrói a partir do ódio nem da violência”.
Em publicação, declarou: “Como hondurenha e como mulher corajosa, levanto minha voz com profundo amor pela minha pátria e pela democracia. Condeno energicamente os atos de intimidação e violência que considero próprios do terror, promovidos e incentivados por autoridades do Partido Libre, que apenas buscam semear medo e dividir o povo hondurenho”.
Gómez também denunciou publicamente Redondo por “ter convocado ações irresponsáveis que tiveram consequências graves e colocaram em risco e prejudicaram” a deputada Gladis Aurora López.

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