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Interlocutores do governo brasileiro avaliam que a ação dos Estados Unidos na Venezuela, ao retirar Nicolás Maduro do poder de forma considerada ilegal por diversos países –inclusive o Brasil –, pode produzir um efeito paradoxal: em vez de acelerar o fim do chavismo, o episódio pode abrir uma janela de oportunidade para setores remanescentes do regime se reorganizarem política e economicamente.
Para um importante embaixador, “não dá para cravar que o desfecho disso é o fim do chavismo”. Hoje, a Venezuela é presidida interinamente por Delcy Rodriguez, antes vice-presidente de Maduro.
Com a retirada de Maduro e a ausência de perspectiva de eleições a curto prazo, a impressão de alguns auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é que parte do regime enxergue o novo cenário como uma chance de recomposição. Um dos caminhos seria a reativação do setor petrolífero, hoje com produção em torno de 700 mil barris por dia: se conseguirem aumentar a produção para um milhão, dois milhões de barris, e administrar ao menos parte desses recursos, ainda que sob algum grau de controle americano, pode haver espaço para políticas sociais mínimas.
Segundo essa leitura, uma melhora relativa das condições de vida poderia ter impacto político relevante. Se a população começa a perceber que a vida está melhorando, e o discurso sempre foi o de que o sofrimento vinha das sanções e do imperialismo americano, é possível que setores ligados ao chavismo voltem a se tornar eleitoralmente competitivos, algo que parecia fora do horizonte até recentemente.
Esses interlocutores observam que o desgaste do regime é profundo após mais de duas décadas no poder e uma crise humanitária que levou milhões de venezuelanos a deixar o país. Cerca de 9 milhões de pessoas deixaram o país e nem todas são de direita, ressaltam.
Na avaliação de integrantes do governo Lula, a operação americana, iniciada em 4 de janeiro com um ataque militar a Caracas, rompeu princípios básicos de soberania e integridade territorial e criou um precedente que preocupa inclusive governos críticos a Maduro. Eles ressaltam que, se de um lado muitos dizem que não vão chorar por Maduro, porque é um ditador; por outro há um presidente sequestrado por uma potência estrangeira, o que “bagunça todo o jogo”.
O desfecho, segundo essa avaliação, permanece em aberto e dependerá tanto da dinâmica interna venezuelana quanto das disputas dentro do próprio governo americano. Pessoas a par das discussões em Brasília apontam que há divergências entre setores mais duros, favoráveis ao confronto, e outros mais cautelosos, preocupados com o risco de instabilidade prolongada, guerra civil ou impactos eleitorais nos EUA. Nas palavras de um diplomata, “é um jogo muito difícil de antecipar; essa história ainda não está escrita”.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, manteve nesta sexta-feira conversas telefônicas com os líderes de Brasil, Colômbia e Espanha, aos quais manifestou a intenção de seu governo de enfrentar pela “via diplomática” o que classificou como “agressão criminosa” dos Estados Unidos. Estes países estão entre os mais vocais na condenação perante a comunidade internacional dos ataques americanos a Caracas no último sábado, em uma operação que culminou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
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Delcy informou, em comunicado, sobre o encontro virtual com os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Gustavo Petro e Pedro Sánchez, “no contexto da grave agressão criminosa, ilegal e ilegítima perpetrada contra a República Bolivariana da Venezuela” em 3 de janeiro, quando os Estados Unidos bombardearam Caracas e prenderam o líder chavista.
“Reafirmei que a Venezuela continuará enfrentando essa agressão pela via diplomática”, acrescentou pouco depois de anunciar que recebe uma comissão dos Estados Unidos e explora a retomada das relações diplomáticas com Washington.
Os líderes defenderam “o avanço de uma ampla agenda de cooperação bilateral” que respeite a soberania e o diálogo. Delcy também agradeceu a Lula e Sánchez por sua posição contra a “agressão” sofrida pela Venezuela.
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Em uma segunda declaração, a líder interina também agradeceu ao Emir do Catar, Sheikh Tamim bin Hamad Al Thani, por sua “disposição em contribuir para a construção de uma agenda de diálogo entre os Estados Unidos e a Venezuela”.
O Catar atua há anos como mediador nas negociações entre a Venezuela e os Estados Unidos. Após o ataque, o governo do Catar ofereceu novamente sua mediação e pediu a “resolução das disputas por meio do diálogo”.
Um homem foi preso acusado de profanar um cemitério histórico, onde ele arrombava túmulos e roubava restos de corpos e ossos para uma espécie de coleção que mantinha em sua casa. Jonathan Christ Gerlach, de 34 anos, morador da Filadélfia, na Pensilvânia, Estados Unidos, tinha mais de 100 crânios humanos, além de ossos longos, pés mumificados e torsos em decomposição, entre outros restos mortais. As informações foram divulgadas pela polícia local, que definiu o caso como “um filme de terror que ganhou vida”. O homem foi acusado por mais de 400 crimes.
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Gerlach foi detido na noite da última terça-feira, após uma investigação de cerca de um mês. O alvo da ação do homem era o Cemitério Mount Moriah, onde mais de 25 mausoléus e túmulos foram violados e arrombados, casos que vinham acontecendo desde o início de novembro. Os ossos e os restos humanos foram encontrados durante revista na casa e no depósito de Gerlach, segundo o New York Post.
No endereço ainda foram encontradas joias, que a polícia investiga se estão ligadas Às sepulturas violadas, e até mesmo um marca-passo ainda conectado.
— Eles estavam em vários estados de conservação. Alguns estavam pendurados, por assim dizer. Alguns estavam remontados, outros eram apenas crânios em uma prateleira — disse o promotor do condado de Delaware, Tanner Rouse, porta-voz sobre o caso.
O cemitério, de 1855, é considerado o maior do país em estado de abandono, de acordo com a organização Amigos do Cemitério Mount Moriah ao jornal norte-americano. São cerca de 150 mil sepulturas. Os alvos de Gerlach, de acordo com as investigações, eram mausoléus e jazigos subterrâneos.
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Os investigadores chegaram até Gerlach ao analisarem imagens de câmeras de vigilância da região. Na terça-feira, o carro dele foi avistado nos arredores do cemitério. Na ocasião, ele foi visto saindo do local com um saco de estopa e um pé de cabra. Segundo as autoridades, foram encontrados ossos no banco traseiro do veículo, destacaram publicações, como o New York Post e o The Sun. Ele foi preso quando voltava para o carro.
— Dada a enormidade do que estamos vendo e a completa falta de uma explicação razoável, é difícil dizer neste momento, exatamente o que aconteceu. Estamos tentando descobrir — disse Rouse à imprensa.
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Segundo a polícia, o homem confessou que havia levado cerca de 30 conjuntos de restos mortais humanos. Ele ainda indicou quais túmulos violou para ter acesso aos cadáveres.
Gerlach está preso sob fiança de US$ 1 milhão. Segundo o New York Post, não há advogado listado nos autos do processo. A audiência preliminar está marcada para 20 de janeiro, de acordo com o The Sun.
Ainda segundo o jornal, ele agora enfrenta 496 acusações. Destas, 100 dizem respeito ao abuso de cadáver, outras 100 de furto, 100 de receptação de bens roubados e as demais por invasão de propriedade e de profanação intencional de um monumento.
Uma mulher de 80 anos morreu e ao menos nove tiveram ferimentos leves nesta sexta-feira após uma explosão registrada em um edifício de Madri, informaram os serviços de emergência. O acidente ocorreu por volta das 16h10, no horário local, no bairro de Carabanchel, no sudoeste da capital espanhola, segundo um porta-voz dos serviços de emergência.
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Questionados sobre as possíveis causas da explosão, os serviços de emergência não deram explicações. Moradores de prédios vizinhos afirmaram ter ouvido “uma forte explosão” e que, em seguida, escutaram “gritos” pedindo que saíssem de suas casas. A polícia evacuou o edifício e mantém toda a área isolada.
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Segundo o porta-voz dos bombeiros, “o prédio número 38, vizinho ao 36, também foi evacuado, totalizando a retirada de moradores de 32 residências”. Os bombeiros preveem permanecer no local durante toda a noite para tentar garantir a segurança de ambos os imóveis.
Eles estimam que os moradores evacuados só poderão retornar às suas casas após, no mínimo, três dias, já que “há risco de colapso”, alertaram. “Até que a área esteja completamente segura, não será permitida a entrada”, acrescentaram.
Imagens divulgadas na conta oficial dos serviços de emergência na rede social X mostram um desabamento parcial na fachada do prédio. Em outubro de 2025, o desabamento de um edifício em obras no centro de Madri deixou quatro mortos.
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Autoridades locais e regionais prometeram agilizar as investigações para determinar a causa exata da explosão e do colapso parcial, além de reforçar a inspeção de sistemas de gás e infraestruturas residenciais em toda a cidade para evitar novos episódios semelhantes.
A prefeitura de Madri emitiu nota lamentando as vítimas e afirmou que apoiará as famílias afetadas, ao mesmo tempo em que pediu “máxima colaboração” da população com as equipes de resgate e investigadores neste momento crítico.
O Chile desarticulou, nesta sexta-feira, uma organização criminosa e deteve pelo menos 39 pessoas, entre elas chilenos e chineses, acusados de lavar ativos no valor de 200 milhões de dólares (mais de R$ 1 bilhão) após fraudar principalmente cidadãos americanos. A investigação, informou o Ministério Público chileno, foi iniciada em maio passado após uma denúncia do FBI, que alertou sobre fraudes transnacionais por meio de plataformas fraudulentas de investimento online.
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As vítimas “eram principalmente idosos americanos que transferiram importantes somas de dinheiro para contas no Chile”, explicou o MP. Segundo indicou à imprensa o procurador-geral Ángel Valencia, como resultado da operação, “há aproximadamente 39 pessoas detidas, entre elas cidadãos chineses”.
O MP disse que entre os detidos há também venezuelanos, equatorianos, bolivianos e peruanos, mas a organização era liderada por “cidadãos chineses e chilenos”. A rede operava principalmente na cidade chilena de Iquique, cerca de 1.800 km ao norte de Santiago, e utilizava sociedades comerciais estabelecidas na zona franca dessa cidade.
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Os americanos “investiam supostamente em fundos no Chile por meio de diferentes plataformas bancárias”, explicou à imprensa a promotora regional de Tarapacá, Trinidad Steinert. Os montantes “depois eram transferidos de uma empresa para outra, para, ao final, não concretizar os investimentos que as vítimas entendiam estar realizando”, acrescentou Steinert.
Até o momento, sabe-se que há cerca de 400 pessoas afetadas nos Estados Unidos. De acordo com as autoridades chilenas, para ocultar a origem do dinheiro, a organização criou no país cerca de 119 sociedades comerciais, que facilitaram seu posterior envio ao exterior.
Um homem de 67 anos foi condenado à prisão perpétua com pena mínima de 16 anos por coagir uma mulher a manter relações sexuais com estranhos ao longo de três décadas, em um padrão de abuso descrito pelo tribunal como “predatório e compulsivo”. A sentença, proferida no Tribunal da Coroa de Norwich, em Norfolk, no Reino Unido, marca o fim de um caso que agora motiva investigações mais amplas sobre possíveis envolvidos em outros crimes sexuais no país.
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Rodney Johnston, natural de Stalham, Norfolk, organizava encontros sexuais em locais isolados, como florestas, estradas e carros, muitas vezes envolvendo várias pessoas ao mesmo tempo. De acordo com o julgamento, a vítima era levada a participar de orgias que podiam durar horas, com até 15 homens, e os atos eram frequentemente filmados ou fotografados.
A mulher, que tem anonimato garantido por lei, relatou que as experiências traumáticas ocorreram por muitos anos e que se sentia desprezada, usada e aterrorizada, sem poder recusar ou escapar ao controle de Johnston. A juíza que presidiu o caso qualificou o comportamento como “sexo forçado na prática, mesmo que não no nome” e afirmou que o impacto sobre a vítima seria “severo e duradouro”.
— Acabei em uma situação que nunca imaginei que viveria. O que tive de suportar depois disso não desejo a ninguém. Eu não tinha voz, nem escolha. Eu me sentia suja, enjoada, usada, degradada, humilhada e aterrorizada, mas isso acabou se tornando o meu normal — disse a mulher em depoimento.
O esquema foi descoberto após uma investigação da polícia de Norfolk, que analisou milhares de mensagens de texto e aproximadamente 30 000 imagens e vídeos recuperados, os quais ajudaram a comprovar a coerção e exploração da vítima. Johnston negou repetidamente as acusações durante o julgamento, alegando que os encontros eram consensuais ou “brincadeira”, mas o júri rejeitou sua versão.
Investigação ampliada e centenas de suspeitos
Após a condenação, as autoridades britânicas anunciaram que centenas de homens, possivelmente até mil, podem enfrentar acusações relacionadas a crimes sexuais no âmbito de uma investigação mais ampla. O inspetor-detetive responsável afirmou que a polícia está a “examinar evidências para identificar vítimas e responsáveis, e fará tudo para levar perpetradores à Justiça”.
A descoberta de mensagens e multimídia do esquema de encontros, além de relatos de outras possíveis vítimas, impulsionou as investigações para além do caso individual de Johnston. A polícia britânica encoraja mulheres que possam ter passado por situações semelhantes a apresentarem relatos, parte de um esforço maior para compreender a extensão dos abusos.
Johnston foi condenado por vários crimes, incluindo coação de mulher para manter relações sexuais sob ameaça, causar atividade sexual sem consentimento e intimidação de testemunha. A sentença perpétua significa que ele não poderá ser considerado para liberdade condicional até cumprir o mínimo estabelecido pela juíza.
Repercussão e impacto
O caso chamou a atenção nacional e internacional pela extensão do abuso e pela aparente normalização de encontros sexuais coercitivos em sites de redes sociais ou por meio de mensagens em massa. A defesa do condenado havia argumentado que os encontros eram consensuais e mediados por plataformas adultas, mas a corte e a investigação policial concluíram que a dinâmica de poder e a coerção da vítima eram evidentes.
Organizações de apoio a sobreviventes de abuso sexual destacaram a importância de reconhecer padrões de coerção e manipulação, mesmo quando não evidentes à primeira vista, e de fornecer suporte contínuo às vítimas.
O caso permanece sob investigação, com autoridades alertando para a possibilidade de novos desdobramentos e acusações à medida que mais evidências e relatos são analisados.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira que o presidente colombiano, Gustavo Petro, um esquerdista que sua administração há muito menospreza, visitará a Casa Branca no próximo mês, expressando otimismo em relação às relações bilaterais. Os dois concordaram na quinta-feira em realizar ações conjuntas contra o Exército de Libertação Nacional (ELN) — principal guerrilha em atividade, com atuação marcante na fronteira com a Venezuela — após uma escalada de tensões em razão dos bombardeios americanos em Caracas, da captura do presidente venezuelano deposto, Nicolás Maduro, e de ameaças de possíveis ações militares semelhantes na Colômbia. A tensão regional pelas ameaças de Trump também alcança o México, cuja presidente, Claudia Sheinbaum, demonstrou nesta sexta-feira o desejo de “fortalecer coordenação” com os Estados Unidos.
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“Tenho certeza de que tudo correrá muito bem para a Colômbia e para os EUA, mas a cocaína e outras drogas devem ser IMPEDIDAS de entrar nos Estados Unidos”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
Os dois líderes “se comprometeram a fazer ações conjuntas” contra o ELN, que desafia o governo de Petro com ataques constantes e sequestros de agentes de segurança após negociações de paz fracassadas desde que assumiu o poder em 2022. Em dezembro, a organização paramilitar ordenou o confinamento de civis nas áreas sob seu domínio, no que chamou de “greve armada” para responder às “ameaças de intervenção de Trump”.
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No telefonema, Petro já havia aceitado o convite de Trump para uma reunião em Washington e pediu “ajuda para atingir duramente o ELN na fronteira” com a Venezuela, afirmou o ministro do Interior colombiano, Armando Benedetti. Segundo o ministro, os guerrilheiros “sempre terminavam na Venezuela” após confrontos com a força pública colombiana. “Havia vezes em que a Venezuela ajudava e outras em que não”, pontuou na quinta-feira.
Horas mais tarde, o líder rebelde mais procurado da Colômbia convocou outros comandantes guerrilheiros para uma reunião a fim de discutir a prisão de Maduro pelos Estados Unidos. “Hoje enfrentamos um inimigo comum”, disse Ivan Mordisco, líder dos remanescentes do extinto movimento armado das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), em um vídeo enviado à imprensa. “Convocamos vocês com urgência para uma cúpula de comandantes insurgentes da Colômbia e de toda a América.”
Colômbia e Venezuela compartilham uma fronteira porosa de 2.200 quilômetros, onde diferentes grupos armados disputam as rendas do narcotráfico, da mineração ilegal e do contrabando. Para Benedetti, é necessário que os guerrilheiros “também sejam atacados na retaguarda quando são atacados aqui”.
Petro tentou sem sucesso negociar a paz com o ELN após assumir o poder em 2022, como parte de sua política para desmobilizar todos os grupos armados por meio do diálogo. As negociações com o ELN estão suspensas após uma ofensiva dos rebeldes contra combatentes de outra guerrilha em uma área de fronteira conhecida como Catatumbo, há um ano, que deixou uma centena de mortos e dezenas de milhares de deslocados.
Petro e Trump tiveram repetidos desencontros sobre temas como narcotráfico, tarifas e imigração. Aliados militares e econômicos históricos, Colômbia e Estados Unidos estão em um dos piores momentos de sua relação bilateral. Desde o fim de setembro, Petro não tem visto americano por ordem de Trump.
Ameaça de ataque por terra
Também sob a mira americana, a presidente do México afirmou nesta sexta-feira que seu governo busca maior coordenação com os Estados Unidos após Trump, ter ameaçado “atacar por terra” os cartéis de drogas.
— Ontem [quinta-feira], pedi ao chanceler Juan Ramón de la Fuente que entrasse em contato direto com o secretário do Departamento de Estado e, se necessário, conversasse com o presidente Trump para fortalecer a coordenação no âmbito [do acordo bilateral de segurança] — disse a presidente em sua coletiva de imprensa matinal.
Sheinbaum abordou o assunto em resposta a uma pergunta sobre seu telefonema na quinta-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
— Discutimos muitos tópicos, incluindo a situação na América Latina e a defesa da soberania — disse a presidente.
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Em atualização. Com AFP.
O agente federal da Agência de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês), que atirou e matou uma mulher de 37 anos em Minneapolis durante uma operação na última quarta-feira, é um veterano da Guerra do Iraque e serviu por quase 20 anos na Patrulha da Fronteira. As informações foram reveladas pela agência de notícias Associated Press (AP). A morte provocou protestos nas cidades de Mineápolis e Saint Paul, em Minnesota, onde os manifestantes também gritaram contra a presença do ICE na região.
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Jonathan Ross, que atirou em Renee Good, trabalha como agente do ICE desde 2015. Ele é designado para operações de captura de fugitivos, buscando prender “alvos de alto valor”, conforme testemunhou em depoimento judicial no mês passado. O agente também foi líder da Força-Tarefa Conjunta de Combate ao Terrorismo do FBI, instrutor de armas de fogo e membro da Swat, unidade de elite da polícia, treinadas e equipadas para situações de alto risco.
— Eu defino os alvos, crio um dossiê, realizo a vigilância e, em seguida, elaboro um plano para executar o mandado de prisão — contou Ross, na ocasião, segundo a AP.
Renee Nicole Good
Reprodução
No mesmo depoimento, Ross afirmou ter servido no Iraque entre 2004 e 2005 com a Guarda Nacional de Indiana, como metralhador em um caminhão. Ele, ainda de acordo com a AP, retornou do Iraque em 2005, cursou a faculdade e ingressou na Patrulha da Fronteira em 2007, perto de El Paso, no Texas. Trabalhou lá até 2015, atuando como agente de inteligência de campo, coletando e analisando informações sobre cartéis, tráfico de drogas e contrabando de pessoas.
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Após a morte de Renee, protestos começaram a ser organizados por Minnesota, motivados pelo governador democrata Tim Walz, que considerou um “dever patriótico” manifestar-se contra o assassinato.
— O desejo de sair às ruas, protestar e denunciar a esta administração o quão errada ela está é um dever patriótico neste momento, mas precisa ser feito com segurança — disse Walz na quarta-feira.
Alguns manifestantes exigem que Ross seja indiciado criminalmente, e as autoridades de Minnesota também querem investigar o caso. Pelo menos um manifestante foi preso em frente a um edifício federal na cidade de Saint Paul, na quinta-feira, durante um protesto contra a presença do ICE no estado — uma estratégia que opositores democratas afirmam estar sendo usada pelo presidente americano, Donald Trump, sob pretexto de coibir a imigração ilegal, para interferir e pressionar estados governados por opositores.
Apoio do governo Trump
A Secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, e outros funcionários do governo Trump defenderam o agente como um profissional experiente da lei que seguiu seu treinamento e atirou na mulher depois de acreditar que ela estava tentando atropelá-lo. O FBI está investigando se o tiro foi, de fato, em legítima defesa.
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O vice-presidente americano, JD Vance, elogiou o serviço prestado pelo agente ao país na quinta-feira, sem mencionar seu nome, dizendo que o oficial do ICE “merece gratidão”.
— Este é um cara que realmente fez um trabalho muito, muito importante para os Estados Unidos da América — disse Vance. — Ele foi agredido, atacado e ficou ferido por causa disso.
A porta-voz do Departamento de Segurança Interna, Tricia McLaughlin, disse que Ross “agiu de acordo com o treinamento recebido”.
— O agente é um veterano do ICE que serviu ao seu país durante toda a sua vida — afirmou a porta-voz.
Ross ficou ferido em outra operação
Em 17 de junho do ano passado, Ross era o líder de uma equipe de agentes que foi prender um homem que estava ilegalmente nos EUA, no subúrbio de Bloomington, em Minneapolis. Os agentes se reuniram em frente à casa do homem, Roberto Munoz-Guatemala, que saiu de carro. Agentes do FBI acionaram as sirenes, ordenando que ele encostasse, mas ele não obedeceu. Ross, então, posicionou seu veículo diagonalmente na frente de Muñoz-Guatemala para forçá-lo a parar.
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Ross ordenou ao motorista que baixasse o vidro completamente, o que não foi feito. Ele usou um dispositivo conhecido como “quebra-vidros com mola” para quebrar o vidro traseiro do lado do motorista e, em seguida, alcançou o interior do carro para destrancar a porta do motorista. Munoz-Guatemala, então, arrancou com o carro enquanto o braço de Ross estava preso, arrastando o agente pela rua. Ross disparou sua arma de choque, atingindo Munoz-Guatemala com os dardos na cabeça, rosto e ombro.
Segundo a promotoria, Muñoz-Guatemala não foi incapacitado pela arma de eletrochoque e continuou dirigindo, levando Ross a percorrer a distância de um campo de futebol em 12 segundos. O agente, que ficou gravemente ferido, acabou levando dezenas de pontos em um hospital. Os promotores disseram que ele havia sofrido “múltiplos cortes profundos e escoriações no joelho, cotovelo e rosto”.
— Foi uma dor bastante excruciante — testemunhou Ross.
Muñoz-Guatemala, posteriormente, foi preso e acusado de agressão a um agente federal com arma perigosa ou letal. No mês passado, um júri considerou Munoz-Guatemala culpado, concluindo que ele “deveria razoavelmente saber que Jonathan Ross era um agente da lei e não um cidadão comum tentando agredi-lo”.
O principal foco de incêndio florestal na Patagônia argentina consumia, até esta sexta-feira, cerca de 3.500 hectares e provocou a evacuação de milhares de pessoas, confirmaram autoridades da província de Chubut, no sul do país. Desde segunda-feira, o balneário de Puerto Patriada, a cerca de 1.700 quilômetros a sudoeste de Buenos Aires, enfrenta um dos incêndios mais graves de uma série de queimadas florestais em várias províncias patagônicas.
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O governador Ignacio Torres afirmou na rede social X que, nesse povoado andino de cerca de 50 habitantes, o fogo “já afetou 3.500 hectares de campo e floresta nativa” e que o Ministério Público determinou que “foi iniciado de forma intencional, com o uso de acelerantes”. A área equivale a 4,9 mil campos de futebol.
As chamas tomam os morros que margeiam o lago Epuyén, e grandes nuvens de fumaça cobrem a paisagem andina. Nas últimas horas, o fogo cruzou a Ruta Nacional 40, a principal via da região, elevando o risco para áreas residenciais e florestais. Ao menos cinco casas foram destruídas e moradores próximos tiveram que evacuar suas casas diante da propagação rápida do fogo e das altas temperaturas e ventos fortes que dificultam o trabalho de brigadistas e bombeiros.
As previsões meteorológicas indicam condições adversas novamente, o que agrava ainda mais a situação para as equipes de combate às chamas e para as comunidades afetadas. Além das altas temperaturas predominantes nos últimos dias, as intensas rajadas de vento registradas na tarde de ontem também dificultaram o trabalho dos brigadistas.
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Cerca de 3 mil turistas em Puerto Patriada e oito famílias da área vizinha de Coihue, perto da localidade de Epuyén, ao sul do lago, foram evacuados, detalhou Torres. Pelo menos 10 casas foram atingidas pelas chamas.
O risco de incêndio era previsível desde maio do ano passado porque “Chubut registrou níveis históricos de déficit de precipitações, da ordem de 50%”, disse nesta sexta-feira ao canal TN Ariel Amthauer, diretor de incêndios do Parque Nacional Los Alerces.
“Muitos dos córregos dos quais podemos obter água para enterrar motobombas estão secos (…) há lagoas que estão chegando a níveis mínimos”, afirmou Amthauer.
Além de Chubut, há incêndios florestais nas províncias patagônicas de Neuquén, Río Negro e Santa Cruz, segundo a Agência Federal de Emergências. Centenas de brigadistas combatem o fogo com apoio de helicópteros e aviões-tanque.
Amthauer acrescentou que “o comportamento do incêndio para hoje e amanhã (sexta e sábado) realmente não é animador (…) e, para o restante do verão, a projeção, por enquanto, não é boa. Em janeiro não estamos vendo precipitações e, em fevereiro, muito pouco”.
Torres afirmou que “os miseráveis que atearam fogo vão terminar presos” e anunciou uma recompensa de 50 milhões de pesos (aproximadamente R$182 mil) para quem fornecer informações sobre o incêndio.
*Com informações de La Nación e AFP
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*Com informações de La Nación e AFP

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