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Há dez anos, Kory Evans, um biólogo evolucionista, estava observando um peixe incomum em um laboratório. O peixe, um peixe-caçador-de-pedra, era minúsculo e robusto, disse ele, e parecia “tão diferente de todos os outros ao seu redor”.
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Mas a característica que mais o destacava era o “grande buraco” no meio da cabeça, disse ele. Por mais de um século, a cavidade na cabeça do caçador furtivo intrigou os cientistas. Daniel Geldof, que na época era estudante de graduação na Universidade de Washington, comentou de passagem com o Evans sobre como os peixes poderiam estar usando o buraco para produzir som.
No ano passado, o Geldof apresentou sua dissertação de mestrado aos orientadores da Universidade Estadual da Louisiana, resultado de anos de pesquisa e horas de análise minuciosa. Ela explica que o caçador furtivo de cabeças-de-pedra usa o buraco em sua cabeça como um instrumento de percussão, semelhante a um tambor ou uma maraca. Quando suas costelas batem na cavidade, um som vibrante emerge.
“Subestimei claramente o quanto ele iria testar essa hipótese”, disse o Evans, que agora é pesquisador na Universidade Rice.
“Faz todo o sentido”, disse Kassandra Ford, bióloga evolucionista da Universidade de Minnesota que não participou do estudo. Ela considerou os métodos do Geldof uma “forma criativa” de descobrir os “comportamentos realmente peculiares e únicos dessa espécie específica de peixe”.
Muitos peixes emitem algum tipo de som. O peixe-sapo possui bexigas natatórias gigantes que vibram para produzir chamados de acasalamento. O bagre esfrega seus ossos para produzir um som semelhante a um coaxar.
Eis aqui o caçador furtivo de cabeças de pedra, com sua própria abordagem anatômica para explosões acústicas.
“Este aqui é extraordinário, pois é bastante barulhento para o seu tamanho, faz coisas malucas e, claro, tem um buraco na cabeça enorme”, disse o Geldof.
O peixe-caçador-de-pedra, membro da família Agonidae, é encontrado em zonas intertidais rasas do nordeste do Oceano Pacífico. Possui um corpo blindado e não é maior que um dedo humano. Inicialmente, os cientistas pensaram que a cavidade na cabeça servia de camuflagem, fazendo com que o peixe se parecesse com uma rocha com uma fenda. Mas o interior da cavidade apresentava estruturas minúsculas e únicas, sugerindo uma função mais complexa, como a produção de som.
“As pessoas vêm refletindo sobre essa ideia há anos”, disse o Dr. Ford.
Para desvendar o mistério, o Geldof utilizou um tomógrafo computadorizado de microfoco para estudar a anatomia do peixe. Ele descobriu que as costelas do peixe estão conectadas aos seus músculos mais fortes por meio de tendões e são achatadas contra a fossa, sugerindo que o animal pode estar usando-as como “baquetas”.
Na zona entre marés, fazer o som se propagar pode ser um desafio. Os sons são frequentemente abafados e o ambiente pode ser complexo e caótico para se navegar. Entre as ondas quebrando, as rochas se movendo e os caranguejos estalando, os caçadores furtivos de rochas estão “vivendo em um show de rock 24 horas por dia, 7 dias por semana”, disse o Geldof.
Para se comunicarem ou encontrarem outros peixes, os pescadores furtivos de peixe-cabeça-de-pedra provavelmente precisam chamar uns aos outros. Como o peixe fica no fundo da poça de maré, o som semelhante a um zumbido que ele produz pode vibrar contra o solo, ajudando o som a se propagar.
Para um peixe pequeno em um ambiente barulhento, “desenvolver esse sistema de produção sonora complexo é, na verdade, uma solução muito inteligente”, disse o Evans. Desde o comentário do Geldof há 10 anos, o Dr. Evans vem acompanhando o mistério. “É realmente gratificante ver Dan finalmente conseguir desvendar isso”, disse ele.
Para o Geldof, o tempo que dedicou ao estudo da cabeça de rocha pode torná-lo a pessoa que mais a estudou. “Não sou o primeiro a notar que este animal é estranho, nem o primeiro a estudá-lo, mas certamente consegui entrar em mais detalhes do que qualquer pessoa antes de mim”, disse ele.
Para mostrar às pessoas o tipo de peixe que estuda, ele carrega consigo um modelo impresso em 3D da microtomografia computadorizada do peixe. Ele já o levou consigo em primeiros encontros.
“Eu adoro essas coisas. São animais maravilhosos”, disse o Geldof. “Esta provavelmente não será a última vez que vocês verão o caçador furtivo de cabeças-de-pedra.”
Em junho de 2009, a iraniana Nabieh Babashahi tomou um susto. Viu o irmão chegar em casa, em Teerã, depois de participar de um dos protestos do chamado Movimento Verde Iraniano — mobilização contra o resultado da eleição presidencial daquele ano —, com o corpo todo machucado após ser “espancado por policiais” com golpes de cassetete. Dezessete anos depois, Nabieh revive o mesmo medo, agora a mais de 12 mil quilômetros de distância. Do Rio de Janeiro, ela não consegue entrar em contato com o irmão nem com outros familiares desde a última quinta-feira, quando o regime iraniano impôs um apagão nacional de internet como forma de repressão aos protestos antigovernamentais, que já duram mais de duas semanas e deixaram centenas de mortos. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Desde criança, Adelaida sabia que um dia deixaria a Venezuela. A ideia de conhecer novos lugares sempre a atraiu. Mas foi só na vida adulta que a decisão ganhou outros contornos: o peso de ser mulher em um dos países mais desiguais do mundo; a inflação descontrolada e a baixa qualidade de vida foram cruciais para que ela decidisse, em novembro de 2024, partir rumo ao Brasil. Aos 27 anos, a jovem sintetizou: “No meu país, dizemos que pessoas da minha geração nasceram ‘na revolução’ — o início do governo de Hugo Chávez (1999-2013) — e só conhecem isso. Eu, porém, decidi sair do meu núcleo familiar e começar uma nova etapa.”
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Adelaida é uma entre os quase 8 milhões de venezuelanos que fugiram do colapso social, político e econômico do país desde 2014. A crise migratória tornou-se a maior da História da América Latina, com uma maré humana que rivaliza — e por alguns critérios supera — o auge do êxodo sírio, em 2017. Na época, a agência da ONU para os refugiados (Acnur) registrou cerca de 5,8 milhões de sírios nos principais países de acolhida (Turquia, Líbano, Jordânia, Iraque e Egito), algo em torno de 25% dos habitantes pré-guerra. No caso venezuelano, os números de refugiados e migrantes no exterior somam cerca de 28% da população.
Pouco após a captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos em uma operação militar relâmpago em Caracas nos primeiros dias de janeiro, a posse de Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela trouxe à tona um símbolo que ajuda a explicar ao menos parte dos motivos da diáspora: mais do que o discurso de compromisso com a “paz” e o “bem-estar econômico e social” feito por ela, foi o contraste visual da cerimônia que reverberou. O vestido de luxo usado por Delcy, avaliado em cerca de US$ 742 (R$ 3.985) tornou-se uma representação explícita do abismo entre a elite governante e uma nação empobrecida.
Delcy Rodríguez toma posse como presidente da Venezuela em sessão da Assembleia Nacional, em Caracas, dois dias após a captura de Nicolás Maduro em operação militar dos EUA
Marcelo Garcia / Miraflores press office / AFP
Nas redes sociais, usuários calcularam que, com um salário mínimo equivalente a cerca de US$ 0,42 (R$ 2,26) por mês, um trabalhador venezuelano levaria aproximadamente 147 anos para economizar o valor necessário para comprar a peça usada na cerimônia. Mais do que a polêmica pontual, o episódio cristalizou uma percepção que acompanha a crise migratória desde seu início: a de um Estado que preserva padrões de consumo de luxo no topo enquanto empurra parcelas crescentes da população para fora de suas fronteiras.
Crise estrutural
A crise da última década deixou marcas profundas: salários foram dizimados, preços dispararam, a escassez de bens essenciais se generalizou e os serviços públicos entraram em colapso. O resultado foi o êxodo maciço, com milhões de venezuelanos deixando o país em busca de refúgio. Em 2015, o Banco Central da Venezuela, sob o controle de Maduro, deixou de divulgar dados econômicos mensais, enquanto a censura à imprensa se intensificava. A popularidade do chavismo, em queda desde 2014, jamais voltou a se recuperar. Em 2019 e 2020, a economia registrou indicadores típicos de países em guerra.
Hoje, a Venezuela enfrenta uma das piores crises econômicas da história recente do Hemisfério Ocidental. Cerca de 80% da população vive abaixo da linha da pobreza, e quase 53% em extrema pobreza, sem acesso adequado a bens e serviços essenciais, incluindo alimentos e remédios. Sob uma recuperação frágil e sustentada quase exclusivamente pela produção de petróleo, o país enfrenta vulnerabilidades estruturais profundas que ameaçam sua estabilidade no longo prazo. Para 2026, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta inflação de 629% no país.
— A economia venezuelana sofreu talvez o maior colapso em tempos de paz de qualquer país na história moderna, encolhendo mais de três quartos do seu tamanho. Embora tenha havido algum crescimento nos últimos anos, isso é uma gota no oceano diante do que foi perdido. Mais uma vez, a Venezuela está à beira da recessão, mas agora nem mesmo a válvula de escape da emigração está disponível para a maior parte da população — disse ao GLOBO o analista Phil Gunson, do International Crisis Group (ICG).
Políticas migratórias
Desde o início da diáspora, cerca de 6,5 milhões de venezuelanos se estabeleceram na América Latina e no Caribe. Mais da metade deles vive hoje na Colômbia (2,81 milhões) e no Peru (1,6 milhão) — um grupo de pessoas que supera a população do Panamá. O Brasil aparece logo na sequência como o terceiro país com mais venezuelanos na região (738 mil), embora desde 2018 mais de 1,3 milhão tenham passado pelo território, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM). Naquele ano, o governo federal lançou a Operação Acolhida, uma colaboração inédita com agências da ONU e organizações não-governamentais para responder à crise migratória.
— A migração na Venezuela ocorreu em ondas. Começou em um contexto de prolongado desgaste democrático e institucional e foi acentuado por uma grave crise política. Esses fatores estruturais foram intensificados por sucessivas ondas de repressão estatal e pela imposição de sanções excessivamente severas dos EUA sobre setores estratégicos da economia venezuelana — disse ao GLOBO Renata Segura, diretora do Programa para a América Latina e Caribe do ICG.
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Como consequência, acrescentou, a migração tem transformado profundamente o país, especialmente nas dinâmicas e vínculos familiares. A atualização mais recente da Encuesta Nacional de Condiciones de Vida (ENCOVI), publicada pela Universidade Católica Andrés Bello em 2024, mostra que os efeitos da migração são visíveis no envelhecimento da população, na redução do tamanho das famílias e no aumento da proporção de mulheres assumindo o papel de chefes de casa. Ao mesmo tempo, migrantes venezuelanos enfrentam violência, estigmatização, exploração e discriminação tanto ao longo das rotas migratórias quanto nos países de destino.
Mapa mostra áreas onde refugiados e migrantes estão concentrados
Editoria de Arte/O Globo
Restrições de mobilidade, além de políticas frágeis de regularização e episódios recorrentes de discriminação e xenofobia nos países vizinhos empurram muitos venezuelanos para rotas cada vez mais perigosas. A mais emblemática talvez seja a densa selva de Darién, na fronteira entre Colômbia e Panamá, onde migrantes são frequentemente expostos nas abusos e travessias clandestinas. Em 2023, pelo menos meio milhão de pessoas arriscaram a vida no trecho, mais da metade delas venezuelanos. O fluxo despencou após o início do segundo mandato do presidente Donald Trump, em janeiro de 2025, e atingiu os níveis mais baixos desde a pandemia, mas não desapareceu.
O fim do Status de Proteção Temporária (TPS) para venezuelanos nos EUA, somado ao endurecimento mais amplo das políticas migratórias do governo Trump, aumentou a incerteza e o medo entre os migrantes. Ao mesmo tempo, para quem permanece na Venezuela, o temor também é predominante: embora Delcy tenha assumido a Presidência interina, não está claro como será feito o controle das Forças Armadas e os aparatos de segurança que sustentaram o chavismo por mais de duas décadas. A permanência no país de figuras como o ministro venezuelano Diosdado Cabello, considerado um dos principais nomes da ala dura do governo, alimenta temores de represálias, fechamento do espaço político e violência.
— Tentativas de desestabilizar o governo na Venezuela, porém, podem desencadear uma série de crises humanitárias, incluindo novas ondas de deslocamento e migração — disse Renata. — Um vácuo de governança poderia, por exemplo, aumentar os riscos apresentados por grupos armados e criminosos, agravando a insegurança para os civis. Choques econômicos associados a um confronto militar piorariam ainda mais uma situação que já é crítica para muitas famílias.
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Antes da queda de Maduro, um estudo do Niskanen Center que simulava fluxos de refugiados diante de diferentes cenários de ação militar americana estimou que eventuais ataques dos EUA poderiam forçar entre 1,7 milhão e 3 milhões de pessoas a deixar a Venezuela em poucos anos. Se o embate se prolongasse, o número de deslocados poderia ultrapassar 4 milhões, pressionando ainda mais países vizinhos. Ainda que o cenário tenha mudado desde que a pesquisa foi divulgada, em novembro, muitas dúvidas permanecem: os EUA, ao apresentarem seu plano de três etapas para o futuro do país sul-americano, alertaram que ainda podem exercer influência sobre o país “por anos”.
— É bem sabido o histórico que outros países têm após encontros desse tipo com os EUA. Não gostaria de ver meu país, que é muito novo na história mundial e onde há um nível considerável de ignorância, se entregar à ideia de que, na desesperança, alguém virá nos salvar e resolver todos os nossos problemas — disse Adelaida. — Mas sinto que isso é algo que, como venezuelana, não posso controlar.
Enquanto milhares tomam as ruas do Irã, uma figura histórica do país ganha peso entre aos manifestantes. Trata-se do ex-príncipe herdeiro da dinastia persa, Reza Pahlevi, exilado desde a revolução de 1979 que derrubou seu pai, o xá Mohammed Reza Pahlevi, e deu início ao regime da República Islâmica, atualmente liderado pelo líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. Opositor ao atual governo, ele declarou apoio à intervenção dos EUA em prol dos protestos — que tiveram início devido à desvalorização da moeda e à disparada dos preços, e agora se voltam contra os governantes teocráticos — e chegou a apelar ao presidente americano, Donald Trump, para que ele se envolvesse. Das voltas que o mundo dá, Pahlevi, de 65 anos, foi de sucessor de uma linhagem preterida e odiada pelos iranianos aos cânticos de “viva o xá!” e os que entoam pelo seu retorno ao poder. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O presidente dos EUA, Donald Trump, reúne-se nesta terça-feira com altos funcionários do governo americano para discutir possibilidades de intervenção no Irã, em resposta à repressão liderada pelo regime teocrático que governa o país contra manifestantes antigoverno — que já provocou a morte de ao menos 648 pessoas, segundo as estimativas mais conservadoras de grupos de defesa dos direitos humanos, em meio a um bloqueio de internet que dificulta o acesso a informações sobre o que se passa no terreno. Trump, que ameaçou atacar Teerã em caso de violência contra os manifestantes, afirmou no domingo que líderes iranianos pediram uma reunião para negociar com Washington, mas sugeriu que poderia “ter que agir” antes do suposto encontro. Em resposta, o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, declarou na segunda-feira que o país está pronto para negociar ou ir para a guerra — uma afirmação que contrasta com a situação do regime dos aiatolás, fragilizado desde o início da guerra em Gaza, e atento as suas vulnerabilidade desde os desdobramentos recentes na Venezuela. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
A embaixada dos Estados Unidos no Irã emitiu um alerta nesta segunda-feira pedindo que cidadãos americanos deixem o país “imediatamente” devido à escalada dos protestos e à instabilidade crescente no país. O aviso vem em meios a manifestações antigovernamentais que ocorrem há mais de duas semanas, com protestos em mais de 100 cidades contra a deterioração econômica e o regime teocrático. Também ocorre após as constantes ameaças do presidente americano, Donald Trump, de que os Estados Unidos podem atacar “muito duramente” o país para deter a repressão contra os manifestantes e a
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“Os protestos em todo o Irã estão se intensificando e podem se tornar violentos, resultando em prisões e feridos. Medidas de segurança reforçadas, fechamento de estradas, interrupções no transporte público e bloqueios da internet estão em curso. O governo iraniano restringiu o acesso a redes móveis, fixas e à internet nacional. As companhias aéreas continuam limitando ou cancelando voos de e para o Irã, com várias delas suspendendo suas operações até sexta-feira, 16 de janeiro”, diz o comunicado. “Os cidadãos dos EUA devem esperar interrupções contínuas na internet, planejar meios alternativos de comunicação e, se for seguro fazê-lo, considerar deixar o Irã por terra rumo à Armênia ou à Turquia.”
Nesta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, disse que o Irã está pronto para “negociações justas” com os EUA, mas também “preparado para uma guerra”.
— A República Islâmica do Irã não busca a guerra, mas está totalmente preparada para ela — afirmou durante um discurso para embaixadores estrangeiros em Teerã, alertando os adversários contra qualquer “erro de cálculo”. — Também estamos prontos para negociações justas, com igualdade de direitos e baseadas no respeito mútuo.
No domingo, a bordo do “Air Force One”, o avião presidencial dos EUA, Trump já havia adiantado sobre uma negociação com Teerã, confirmada pelo chanceler iraniano nesta segunda. O republicano afirmou que representantes do regime procuraram autoridades americanas, mas alertou que Washington “pode ter que agir antes da reunião”.
— Estamos analisando isso com muita seriedade — afirmou o presidente. — Os militares estão analisando isso, e estamos considerando algumas opções muito fortes. Tomaremos uma decisão.
Os protestos no país persa começaram em 28 de dezembro e, desde então, cresceram e evoluíram para um movimento que desafia o regime teocrático da República Islâmica. A ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, reportou nesta segunda ao menos 648 manifestantes mortos no Irã desde o início dos protestos contra o governo.
Apesar do bloqueio quase total da internet imposto pelas autoridades na última quinta-feira, que dificulta a comunicação e a verificação das informações, imagens e vídeos que circulam nas redes sociais mostram centenas de pessoas nas ruas, além de incêndios em equipamentos públicos e corpos enfileirados dentro de sacos do lado de fora de hospitais.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira que vai impor tarifas de 25% a qualquer país que comercialize com o Irã, em um momento em que aumenta a pressão sobre Teerã devido à repressão contra protestos antigovernamentais.
“Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará tarifas de 25% sobre qualquer transação que realize com os Estados Unidos. Esta ordem é definitiva e conclusiva”, disse Trump em sua rede Truth Social.
Rede social de Trump
Reprodução de internet
O Irã é um dos principais parceiros comerciais do Brasil no Oriente Médio. Em 2024, as exportações brasileiras com destino a Teerã ultrapassaram US$ 3 bilhões, consolidando o país persa como o quinto maior destino das vendas nacionais na região, segundo dados do Ministério da Indústria e Comércio.
Além disso, desde de 2024 o Irã integra o Brics, o bloco de países fundado por Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul e que hoje também tem Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Indonésia.
As exportações do Brasil para o Irã são dominadas pelo agronegócio, com destaque para soja, milho, farelo de soja, açúcar e carne bovina. Os iranianos compraram mais de US$ 1,6 bilhão em soja brasileira em 2024, tanto em grão quanto em farelo para ração animal. O Brasil importa do Irã principalmente ureia para fertilizantes.
Em abril, o ministro da Agricultura do Irã esteve no Brasil e se reuniu com o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro. Na ocasião, os dois governos concordaram com a criação de um comitê agrícola e consultivo bilateral, com o objetivo de agilizar pautas de interesse comum e ampliar o intercâmbio técnico.
Os Estados Unidos revogaram mais de 100 mil vistos no primeiro ano desde que o presidente Donald Trump assumiu o cargo com um discurso anti-imigração, um número recorde, informou o governo nesta segunda-feira (12).
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Segundo o Departamento de Estado, milhares de vistos foram revogados pela prática de crimes, incluindo agressão e dirigir sob efeito de álcool.
— A administração Trump não tem prioridade maior do que proteger os cidadãos americanos e defender a soberania dos Estados Unidos — declarou o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott.
O número de vistos anulados desde a segunda posse do republicano, em 20 de janeiro de 2025, é duas vezes e meia superior ao de 2024, quando o democrata Joe Biden era presidente.
O secretário de Estado, Marco Rubio, destacou com orgulho a revogação de vistos de estudantes que protestaram contra Israel. Rubio utilizou uma lei da era McCarthy, que permite aos Estados Unidos proibir a entrada de estrangeiros considerados contrários à política externa americana, embora alguns dos afetados de alto perfil tenham conseguido contestar com êxito as ordens de deportação nos tribunais.
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O Departamento de Estado informou que 8 mil dos vistos revogados correspondiam a estudantes.
O governo americano também endureceu os controles para a obtenção de vistos, incluindo a verificação das publicações nas redes sociais dos requerentes.
As revogações de vistos fazem parte de uma campanha mais ampla de deportações em massa por parte do governo, levada a cabo de forma agressiva mediante o aumento do número de agentes federais. O Departamento de Segurança Interna disse no mês passado que o segundo governo Trump deportou mais de 605 mil pessoas e que outras 2,5 milhões deixaram o país voluntariamente.
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A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e a Groenlândia anunciaram nesta segunda-feira a intenção de cooperar para reforçar a defesa deste vasto território autônomo dinamarquês, com o objetivo de dissuadir o presidente americano, Donald Trump, decidido a assumir seu controle sob o argumento da ameaça chinesa e russa. O presidente dos Estados Unidos aumentou os temores ao declarar no domingo que tomaria a Groenlândia “de uma forma ou de outra” e descartou a possibilidade de um arrendamento afirmando que precisam “da propriedade”.
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Diante da possibilidade, cada vez mais verossímil, de uma tentativa de anexação pela força, o primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, depositou suas esperanças na Aliança Atlântica, da qual os Estados Unidos são o membro mais poderoso.
— Nossa segurança e defesa são responsabilidade da Otan. Este é um princípio fundamental e inabalável — declarou nesta segunda.
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Assim, o governo groenlandês “se empenhará para garantir que o desenvolvimento da defesa na Groenlândia e em seus arredores seja realizado em estreita colaboração com a Otan, por meio do diálogo com nossos aliados, incluindo os Estados Unidos, e em cooperação com a Dinamarca”, acrescentou.
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Essa afirmação parece fazer parte de um esforço conjunto com o secretário-geral da organização, Mark Rutte, para convencer Trump de que a Groenlândia está segura diante da Rússia e da China, os argumentos apresentados pelo presidente americano para justificar seu desejo de controle.
Os Estados-membros da Otan discutiram o tema na semana passada em Bruxelas e cogitaram várias opções, como aumentar o número de navios no Ártico, mas não foram tomadas decisões concretas.
No entanto, é incerto se esse esforço prometido convencerá Trump, que reconheceu na semana passada que provavelmente teria de escolher entre preservar a integridade da Aliança Atlântica e assumir o controle da Groenlândia.
Uma anexação significaria o fim da Otan, advertiu a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, no início de janeiro.
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No último ano, a Dinamarca aumentou significativamente seus investimentos na Groenlândia para apaziguar Washington. Em 2025, Copenhague destinou 1,2 bilhão de euros (R$ 7,5 bilhões) à segurança na região, lembrou Frederiksen.
Essa vasta ilha ártica, com uma população de 57 mil habitantes, possui importantes recursos minerais, a maioria ainda inexplorados, e é considerada um local estratégico.
Os Estados Unidos já mantêm uma base militar ali — chegaram a operar cerca de dez durante a Guerra Fria — e, segundo Rutte, “os dinamarqueses não teriam nenhum problema” se os Estados Unidos estabelecessem “uma presença maior do que a atual”.
Desde 1951, um acordo de defesa, atualizado em 2004, concedeu às Forças Armadas americanas praticamente plena liberdade em território groenlandês, com a única condição de informarem previamente as autoridades.
Preparativos diplomáticos
A Dinamarca também tentará jogar a carta diplomática com uma reunião prevista para esta semana, possivelmente em Washington, entre autoridades dinamarquesas, groenlandesas e o secretário de Estado americano, Marco Rubio.
O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, publicou nesta segunda-feira uma foto de uma reunião de trabalho preparatória com sua homóloga groenlandesa, Vivian Motzfeldt.
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A diplomacia dinamarquesa busca apresentar uma frente unida com as lideranças da Groenlândia, após a imprensa ter noticiado, na semana passada, uma tensa videoconferência entre parlamentares dinamarqueses e groenlandeses sobre como negociar com os Estados Unidos.
Diante das reiteradas ameaças de Trump, o primeiro-ministro groenlandês reconheceu em sua mensagem de segunda-feira entender que exista “preocupação” entre a população e reiterou que o governo não aceitaria “sob nenhuma circunstância” cair em mãos americanas. Essa posição é amplamente compartilhada pelos moradores da capital, Nuuk.
— Americanos? Não! Fomos uma colônia durante tantos anos. Não estamos preparados para voltar a ser uma colônia, para ser colonizados — declarou à AFP o pescador e caçador Julius Nielsen, de 48 anos.
Uma violenta briga entre vendedores de churros e smoothies surpreendeu turistas e moradores locais que aproveitavam um dia ensolarado em uma das praias de Mar Azul, no município argentino de Villa Gesell. “Não permitiremos que um grupo de intrusos interfira nas vendas e cause perturbações”, afirmou a prefeitura em comunicado.
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“Não há lugar para violência ou pessoas indesejáveis ​​em nossas praias. Portanto, assim que tomamos conhecimento da briga em Mar Azul, a equipe de segurança iniciou uma investigação para encontrar os envolvidos. Nosso destino é para que os turistas se divirtam e para que os trabalhadores o façam seguindo regras claras. Aqueles que agirem dessa forma não serão mais permitidos em nossas praias”, enfatizou a prefeitura de Villa Gesell.
O incidente viralizou depois que uma testemunha gravou a briga e expressou sua indignação. “Todo mundo está trocando socos aqui. É uma loucura. Cadê a polícia? Nós pagamos por segurança aqui na praia. É uma vergonha”, é possível ser ouvido no vídeo.
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As imagens mostram como a discussão verbal escalou rapidamente, transformando-se em uma briga física que pareceu envolver cada vez mais pessoas. Tudo isso aconteceu diante de dezenas de adultos e crianças atônitos. A briga só pareceu parar quando um salva-vidas interveio. Ainda não se sabe se houve feridos graves ou se a polícia foi acionada.
Esse tipo de incidente tem se tornado cada vez mais comum durante o período de férias de verão. Há apenas um ano, também em Villa Gesell, dois vendedores ambulantes se envolveram em uma briga violenta. Os homens começaram a discutir, e a briga se transformou em violência física. Poucos segundos depois, um terceiro vendedor e uma mulher se juntaram à confusão.
Nesse caso, os envolvidos na briga foram presos por policiais por perturbação da ordem pública, e o município de Villa Gesell decidiu revogar a licença de venda das quatro pessoas.

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