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O governo de Donald Trump anunciou nesta terça-feira (13) o fim do status que permitia a cidadãos da Somália residir e trabalhar temporariamente nos Estados Unidos, e anunciou que eles devem deixar o país até meados de março. A decisão foi tomada em meio a uma arremetida contra a comunidade somali no estado de Minnesota, onde o governo intensificou sua ofensiva contra a imigração e onde a morte recente de uma mulher baleada por um agente gerou protestos em todo o país.
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“Nossa mensagem é clara: voltem para seu país de origem ou vamos deportá-los”, publicou o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) no X, ao anunciar a eliminação do Status de Proteção Temporária (TPS, na sigla em inglês) para a Somália.
Segundo dados oficiais, cerca de 4 mil somalis se beneficiam desse amparo humanitário, concedido a estrangeiros quando guerras ou desastres naturais tornam inseguro o retorno a seu país de origem.
— A situação na Somália melhorou — afirmou hoje a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem. — Permitir que os cidadãos somalis permaneçam temporariamente nos Estados Unidos vai de encontro aos interesses nacionais.
Localizada no Chifre da África e devastada por quase 35 anos de guerra, a Somália é um dos países menos desenvolvidos do mundo, segundo a ONU. O Departamento de Estado americano desaconselha viagens a esse país, devido ao risco de terrorismo, sequestro e crimes violentos.
‘Se tivermos que escolher, ficamos com a Dinamarca’, diz premier da Groenlândia em meio a crise
Nas últimas semanas, o governo Trump usou um escândalo de fraude na assistência social envolvendo a comunidade somali de Minnesota – a maior do país, de cerca de 80.000 pessoas – para atacá-la e endurecer sua política migratória no estado. As operações na cidade de Minneapolis resultaram em cerca de 2 mil detenções.
Na rede Truth Social, Trump atacou os líderes democratas de Minnesota, a quem acusou de usar “a agitação causada por anarquistas e agitadores profissionais” no estado para “desviar a atenção” do escândalo de desvio de recursos públicos.
Esse caso de grande repercussão, que veio à tona em 2022, levou à acusação de 98 pessoas, “85 das quais de origem somali”, ressaltou no mês passado a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi.
O primeiro-ministr da Groenlândia afirmou nesta terça-feira que, se tivessem que escolher, os groenlandeses prefeririam permanecer ao lado da Dinamarca em vez de passar a fazer parte dos Estados Unidos, diante da insistência do presidente Donald Trump em se apoderar da ilha. “Estamos enfrentando uma crise geopolítica e, se tivermos que escolher entre os Estados Unidos e a Dinamarca aqui e agora, escolhemos a Dinamarca”, declarou Jens-Frederik Nielsen em uma coletiva de imprensa em Copenhague ao lado de sua homóloga dinamarquesa, Mette Frederiksen.
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A Groenlândia tornou-se o centro de uma enorme controvérsia global devido à insistência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em controlar a ilha, um território autônomo da Dinamarca. No fim de semana, Trump chegou a afirmar que seu governo assumiria o controle da Groenlândia — atualmente um território autônomo da Dinamarca — “de uma forma ou de outra”.
— Há algo que deve ficar claro para todos: a Groenlândia não quer ser propriedade dos Estados Unidos. A Groenlândia não quer ser governada pelos Estados Unidos. A Groenlândia não quer fazer parte dos Estados Unidos — disse Nielsen.
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Por sua vez, Frederiksen admitiu que “há muitos indícios de que a parte mais difícil ainda está por vir”. A coletiva de imprensa conjunta serviu, segundo as autoridades, para uma amarga repreensão pela “pressão completamente inaceitável” por parte de um aliado tão próximo como os EUA.
Frederiksen ressaltou que “é claro que queremos fortalecer a cooperação em matéria de segurança no Ártico com os Estados Unidos, com a Otan com a Europa e com os Estados árticos dentro da Otan”.
Otan entra em cena
A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e a Groenlândia anunciaram na segunda-feira a intenção de cooperar para reforçar a defesa deste vasto território autônomo dinamarquês, com o objetivo de dissuadir o presidente americano, Donald Trump, decidido a assumir seu controle sob o argumento da ameaça chinesa e russa. O presidente dos Estados Unidos aumentou os temores ao declarar no domingo que tomaria a Groenlândia “de uma forma ou de outra” e descartou a possibilidade de um arrendamento afirmando que precisam “da propriedade”.
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Diante da possibilidade, cada vez mais verossímil, de uma tentativa de anexação pela força, o primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, depositou suas esperanças na Aliança Atlântica, da qual os Estados Unidos são o membro mais poderoso.
— Nossa segurança e defesa são responsabilidade da Otan. Este é um princípio fundamental e inabalável — declarou nesta segunda.
Assim, o governo groenlandês “se empenhará para garantir que o desenvolvimento da defesa na Groenlândia e em seus arredores seja realizado em estreita colaboração com a Otan, por meio do diálogo com nossos aliados, incluindo os Estados Unidos, e em cooperação com a Dinamarca”, acrescentou.
Essa afirmação parece fazer parte de um esforço conjunto com o secretário-geral da organização, Mark Rutte, para convencer Trump de que a Groenlândia está segura diante da Rússia e da China, os argumentos apresentados pelo presidente americano para justificar seu desejo de controle.
Os Estados-membros da Otan discutiram o tema na semana passada em Bruxelas e cogitaram várias opções, como aumentar o número de navios no Ártico, mas não foram tomadas decisões concretas.
No entanto, é incerto se esse esforço prometido convencerá Trump, que reconheceu na semana passada que provavelmente teria de escolher entre preservar a integridade da Aliança Atlântica e assumir o controle da Groenlândia.
Uma anexação significaria o fim da Otan, advertiu a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, no início de janeiro.
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No último ano, a Dinamarca aumentou significativamente seus investimentos na Groenlândia para apaziguar Washington. Em 2025, Copenhague destinou 1,2 bilhão de euros (R$ 7,5 bilhões) à segurança na região, lembrou Frederiksen.
Essa vasta ilha ártica, com uma população de 57 mil habitantes, possui importantes recursos minerais, a maioria ainda inexplorados, e é considerada um local estratégico.
Os Estados Unidos já mantêm uma base militar ali — chegaram a operar cerca de dez durante a Guerra Fria — e, segundo Rutte, “os dinamarqueses não teriam nenhum problema” se os Estados Unidos estabelecessem “uma presença maior do que a atual”.
Desde 1951, um acordo de defesa, atualizado em 2004, concedeu às Forças Armadas americanas praticamente plena liberdade em território groenlandês, com a única condição de informarem previamente as autoridades.
Autoridades israelenses prenderam, nesta terça-feira, dois israelenses e um palestino suspeitos de se passarem por soldados para assaltar uma joalheria no sul da Cisjordânia, informaram as autoridades locais. Os suspeitos foram detidos “enquanto tentavam fugir do local de um assalto à mão armada em uma joalheria na cidade de Dahariya”, disse a polícia israelense em um comunicado.
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Os assaltantes chegaram à cidade palestina em um veículo “equipado com luzes piscantes e vestidos com uniformes de estilo militar, coletes à prova de balas e capacetes, e estavam armados”.
“Fingindo serem soldados, eles invadiram uma joalheria, roubaram grandes quantidades de ouro, ameaçaram civis e danificaram partes do estabelecimento”, confirmou o prefeito de Dahariya, Akram Abu Alan, à AFP, especificando que o incidente ocorreu na manhã desta terça-feira.
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As prisões foram feitas durante uma operação conjunta da polícia israelense, da polícia de fronteira e do exército, após os suspeitos serem localizados na cidade de Samu’a, no sul da Cisjordânia, perto da fronteira entre este território palestino e Israel.
O exército declarou que o grupo criminoso era composto por “um palestino e dois civis israelenses”.
O governo brasileiro afirmou, em nota divulgada nesta terça-feira, que cabe exclusivamente aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país, ao comentar a onda de manifestações em curso no Irã. No comunicado, o Itamaraty instou todos os atores a se engajarem em um “diálogo pacífico, substantivo e construtivo”, ao mesmo tempo em que disse acompanhar com preocupação a evolução dos protestos registrados desde 28 de dezembro em diversas localidades do país.
“Ao sublinhar que cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país, o Brasil insta todos os atores a se engajarem em diálogo pacífico, substantivo e construtivo”, diz um trecho do texto, em uma referência velada às pressões externas sobre o país, com destaque para os Estados Unidos.
Na mesma nota, o Ministério das Relações Exteriores lamentou as mortes ocorridas durante as manifestações e transmitiu condolências às famílias das vítimas. Segundo o Itamaraty, a Embaixada do Brasil em Teerã mantém atenção permanente às necessidades da comunidade brasileira no país e, até o momento, não há registros de nacionais mortos ou feridos. A estimativa oficial é de que 85 brasileiros residam atualmente no Irã.
Desde o fim de dezembro de 2025, o Irã vive uma das maiores ondas de manifestações de sua história recente, impulsionadas pela deterioração da economia, com inflação elevada, desvalorização abrupta da moeda e aumento do custo de vida. Os atos se espalharam rapidamente por diversas cidades e províncias, incorporando estudantes e outros segmentos da sociedade, com reivindicações que extrapolam a pauta econômica e incluem críticas ao regime político.
A resposta das autoridades iranianas tem sido marcada por forte repressão, com bloqueio generalizado da internet e das comunicações, prisões em massa e uso de força letal pelas forças de segurança. Esse contexto dificulta a verificação independente do número real de mortos e detidos. Estimativas mais conservadoras apontam cerca de 650 mortes, enquanto uma autoridade iraniana ouvida sob anonimato pela Reuters, na terça-feira, mencionou a possibilidade de até 2 mil vítimas fatais.
O contingente de brasileiros no Irã corresponde a apenas 0,0017% do total de 4,9 milhões de nacionais que residem no exterior. As maiores comunidades brasileiras fora do país estão concentradas nos Estados Unidos, em Portugal, no Paraguai, no Reino Unido e no Japão.
O cenário é de “vítimas em massa”, a maior parte composta por “pessoas comuns”. O testemunho, relatado por um médico iraniano ao New York Times, ecoa outras vozes que, aos poucos, conseguem vir a público para tentar descrever ao mundo a realidade vivenciada no Irã desde o início das manifestações anti-governo que tomaram o país, há duas semanas. Em meio ao bloqueio quase total das comunicações imposto pelo governo, vídeos e depoimentos que conseguem ser coletados pela imprensa sugerem que forças de segurança conduzem uma das repressões mais mortais contra a agitação social em mais de uma década.
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— Vi com meus próprios olhos. Eles atiraram diretamente contra fileiras de manifestantes, e as pessoas caíam onde estavam — disse Omid, um iraniano de cerca de 40 anos cujo nome foi alterado por razões de segurança, à BBC, acrescentando que, em uma pequena cidade no sul do Irã, as forças de segurança abriram fogo contra manifestantes desarmados com fuzis de assalto do tipo Kalashnikov. — Estamos lutando contra um regime brutal com as mãos vazias.
Apesar das limitações, uma imagem recorrente conseguiu sair do Irã: fileiras e mais fileiras de sacos para cadáveres. Vídeos publicados nas redes por ativistas da oposição mostram famílias chorando, reunidas em torno de corpos ensanguentados em sacos abertos. Em imagens exibidas pela televisão estatal iraniana, um funcionário de um necrotério, vestido com uniforme azul, aparece entre sacos cuidadosamente alinhados no chão de uma sala branca, sob luzes fluorescentes intensas. Nos hospitais, se antes as pessoas chegavam com ferimentos causados por balas de chumbo, agora elas dão entrada com ferimentos por arma de fogo.
O número de mortos e feridos em todo o país é incerto. Grupos de direitos humanos têm dificuldade para contatar suas fontes dentro do Irã e seguir a metodologia que costumam usar para verificar informações, mas dizem já ter contabilizado centenas de mortos. Enquanto estimativas mais conservadoras citam ao menos 734 óbitos, um alto funcionário do Ministério da Saúde iraniano afirmou que pelo menos 3 mil pessoas foram mortas em todo o país. A certeza, por enquanto, é uma só: tanto os que ainda apoiam o governo quanto os que estão nas ruas pedindo sua queda concordam que são dias de brutalidade como nunca tinham visto.
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Testemunhas relataram ter observado atiradores de elite posicionados em telhados no centro de Teerã e disparando contra multidões; protestos pacíficos que se transformaram abruptamente em cenas de carnificina e pânico quando balas atravessaram cabeças e torsos, fazendo corpos tombarem ao chão; e um pronto-socorro que atendeu 19 feridos por arma de fogo em apenas uma hora. À BBC Persian, um morador afirmou que manifestantes passaram a sair às ruas usando máscaras e roupas escuras para evitar identificação por câmeras de segurança.
— Virou um campo de batalha, com manifestantes e forças de segurança se posicionando e buscando abrigo nas ruas — disse um morador. — Em uma guerra, os dois lados têm armas. Aqui, as pessoas apenas gritam palavras de ordem e são mortas. É uma guerra de um lado só.
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Outros testemunhos apontam para a presença de agentes em hospitais, onde feridos seriam presos, e para a recusa das autoridades em entregar corpos às famílias. Em Ardabil, no noroeste do país, um morador afirmou que agentes de segurança se instalaram em uma unidade de saúde para deter manifestantes feridos. Em Mashhad, no leste do Irã, relatos mencionam um número elevado de mortos e o uso de rajadas de tiros, além da circulação de veículos armados em cidades vizinhas. “Atiram contra a multidão com espingardas”, escreveu um leitor. Nesta terça-feira, a Organização Hengaw para os Direitos Humanos afirmou que o país já definiu o primeiro manifestante a ser condenado à morte: Erfan Soltani, de 26 anos, deverá ser executado na quarta-feira.
— O regime está em uma matança desenfreada — disse uma manifestante identificada como Yasi, afirmando que, enquanto marchava por uma avenida na capital na noite de sexta-feira, viu forças de segurança avançarem e atirarem na perna de um adolescente na frente da mãe dele. — [A mulher gritava:] ‘Meu filho! Meu filho! Eles atiraram no meu filho!’
‘Banho de sangue’
Um dos maiores protestos nacionais contra o governo ocorreu na última quinta-feira, na 12ª noite de manifestações. Muitos parecem ter aderido aos atos depois dos apelos de Reza Pahlevi, filho exilado do último xá do Irã, deposto na Revolução Islâmica de 1979. No dia seguinte, o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, declarou que a República Islâmica não iria recuar. Tudo indica que o pior derramamento de sangue ocorreu após esse aviso, já que as forças de segurança da Guarda Revolucionária recebem ordens diretas dele, publicou a BBC.
— Até bairros afastados de Teerã estavam lotados de manifestantes, lugares que você não acreditaria — disse um morador à rede britânica. — Mas, na sexta-feira, as forças de segurança só mataram, mataram e mataram. Ver isso com meus próprios olhos me deixou tão mal que perdi completamente o ânimo. Sexta-feira foi um dia sangrento. As pessoas passaram a ter medo de sair às ruas. Agora, muitos entoam slogans a partir de becos e dentro de suas casas.
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Nos últimos cinco dias, autoridades iranianas desligaram a internet, as linhas telefônicas internacionais e, em alguns momentos, até mesmo as conexões móveis domésticas. Isso deixou grupos de direitos humanos, jornalistas e famílias lutando para compreender a dimensão do que ocorreu. Os que relataram suas experiências à BBC Persian dizem que a realidade dentro do Irã é difícil de imaginar para quem está fora do país, e que o número de mortos divulgado até agora pela mídia internacional representa apenas uma fração de suas próprias estimativas.
— Consegui me conectar por alguns minutos só para dizer que aqui é um banho de sangue — disse Saeed, empresário de Teerã, ao NYT. — Eu vi pessoalmente um jovem levar um tiro na cabeça. Testemunhei alguém ser baleado no joelho. A pessoa caiu no chão inconsciente, e então as forças de segurança se reuniram em torno dela.
Reações diplomáticas
Mais cedo nesta terça-feira, o presidente americano, Donald Trump, incentivou os manifestantes iranianos, instando-os a tomar instituições do país e a registrar os nomes de seus “assassinos e abusadores”. A declaração, feita nas redes sociais, terminou com o indício mais claro até agora de que o republicano está decidido a algum tipo de intervenção indireta: “A ajuda está a caminho”, escreveu. Ainda nesta terça, segundo a imprensa americana, altos funcionários devem discutir possíveis cursos de ação em uma reunião na Casa Branca.
“Cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que a matança sem sentido de manifestantes pare”, escreveu Trump, que no dia anterior anunciou tarifas de 25% sobre importações dos EUA provenientes de parceiros comerciais do Irã. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia classificou a medida como “chantagem”e afirmou que as ameaças americanas de ataques contra o Irã são “categoricamente inaceitáveis”.
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Também nesta terça-feira, França, Alemanha, Espanha, Itália, Holanda, Reino Unido, Finlândia e Dinamarca anunciaram que convocaram os respectivos embaixadores do Irã em seus países para apresentar formalmente protestos contra as mortes. O Ministério das Relações Exteriores da Alemanha afirmou: “A repressão brutal do regime iraniano contra sua própria população é chocante”, enquanto o chanceler francês classificou os episódios como “violência de Estado desencadeada sem questionamentos contra manifestantes pacíficos”.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, disse ter convocado o embaixador para “instar ao respeito aos direitos fundamentais dos iranianos”. Por sua vez, em visita diplomática à Índia nesta terça-feira, o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou acreditar que o governo iraniano está em seus “dias e semanas finais”, acrescentando que o regime carece de “legitimidade obtida por meio de eleições junto à população” e que, “se um regime só consegue se manter no poder pela força, então ele está, na prática, no fim”.
(Com New York Times)
Em meio a uma onda de protestos que se espalharam por todo o Irã, o regime totalitário chefiado pelo aiatolá Ali Khamenei emplaca uma ofensiva contra os meios de comunicação no território. Mesmo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que pretende conversar com o bilionário sul-africano Elon Musk sobre a possibilidade de restaurar o acesso à internet por meio do serviço de satélite Starlink, operado pela empresa SpaceX, o apagão quase total permanece. De acordo com a organização de monitoramento NetBlocks, os níveis de conexão com o mundo exterior permanecem em 1% dos níveis normais. A realização de chamadas telefônicas e o envio de mensagens de texto também foi dificultada por lá. Esta não é a primeira interrupção digital que o país enfrenta, mas especialistas em infraestrutura da internet, incluindo Doug Madory, acreditam que seja quase sem precedentes em sua gravidade e precisão.
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Madory e alguns outros analistas supõem que o governo construiu um sistema de desligamento automático, capaz de cortar a energia para a maioria, mas colocá-la na lista de permissões para outros. Isso significa que, embora o público iraniano tenha ficado praticamente sem internet, outros, como o próprio líder supremo, ainda conseguiram postar no X e no Telegram.
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O corte mais recente de internet no país foi uma das interrupções nacionais mais severas do mundo, segundo Alp Toker, fundador do NetBlocks. O Irã já bloqueou o acesso à internet durante protestos antigovernamentais anteriormente, inclusive durante um levante generalizado pela liberdade das mulheres em 2022, mas enquanto aqueles desligamentos foram graduais, o mais recente foi imposto em todo o país e de forma célere.
— Vimos que o processo foi totalmente automatizado em um verdadeiro ‘botão de desligamento’ que permite à autoridade cortar a nação inteira, o que é extraordinário — disse Toker.
Especialistas em direitos digitais alertaram na terça-feira que, embora o restabelecimento possa ajudar familiares a se reconectarem, ele pode criar novos riscos ao permitir que as autoridades monitorem os cidadãos e rastreiem suas atividades.
— Há agora um risco muito maior associado ao uso dessas linhas fixas, porque elas não são seguras nem criptografadas — ponderou Toker, acrescentando: — E, de fato, é bem possível que seja por isso que esse serviço tenha sido habilitado seletivamente.
Oficialmente, as autoridades disseram que o bloqueio foi ordenado após a conclusão de que os manifestantes estavam sendo orientados do exterior para criar o caos no país. Na terça-feira, Fatemeh Mohajerani, porta-voz do governo, disse que as autoridades ainda não decidiram quando restaurarão o acesso à internet.
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Há relatos de que a teocracia recorreu a “jammers” — supostamente de uso militar — para bloquear o acesso ao Starlink, que é proibido no país. Paralelamente, forças de segurança passaram a apreender antenas parabólicas em cidades como Teerã, Sanandaj e Isfahan, além de Marivan, Mahabad e Baneh, noticiou a BBC Persian. Após anos priorizando o bloqueio eletrônico de sinais, o regime indica agora uma mudança de estratégia, com a retomada da retirada física das parabólicas como forma de controle das comunicações.
O bloqueio da internet acendeu o alerta de organizações de direitos humanos sobre um possível endurecimento da repressão no Irã. A Anistia Internacional declarou que o corte da internet parece ter como objetivo ocultar a dimensão de violações graves de direitos humanos durante a repressão, uma acusação que as autoridades iranianas rejeitam. O comandante-chefe da polícia, Ahmadreza Radan, afirmou que o “nível de repressão” foi elevado e que prisões importantes foram realizadas. Segundo ele, parte das mortes teria ocorrido por golpes de faca ou disparos feitos por “elementos treinados”, e não pelas forças de segurança. O governo também acusa os EUA e Israel pelos distúrbios.
Com o apagão, brasileiros em Teerã procuraram a embaixada nos últimos dias para contatar familiares no Brasil e tranquilizá-los, conforme antecipou a coluna Lauro Jardim. Esses cidadãos, segundo a reportagem, se dirigiram pessoalmente à sede da representação brasileira para pedir auxílio. A missão diplomática também enfrenta dificuldades de comunicação, mas tem buscado alternativas para falar com Brasília.
‘Guerra eletrônica’
Sobre a caça aos usuários da Starlink, apontada ao Wall Street Journal por Amir Rashidi, diretor do Miaan Group, uma organização sem fins lucrativos dos EUA que se opõe à censura na internet, a avaliação dele é de que se trata de uma “guerra eletrônica” em curso. Ele afirmou que as interrupções são piores justamente em partes de Teerã onde ocorrem protestos e à noite, quando os manifestantes se reúnem.
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Embora o sul-africano e a SpaceX não tenham comentado o assunto, Musk tem apoiado a disponibilização do Starlink a iranianos para ajudá-los a contornar as restrições impostas pelo governo, inclusive durante protestos anteriores, em 2022. Naquele ano, a Casa Branca, ainda sob comando do democrata Joe Biden, dialogou com o bilionário para implementar os serviços da Starlink no Irã, depois que o país foi tomado por protestos após a morte, sob custódia policial, de Masha Amini, de 22 anos. Os protestos atuais seriam os maiores desde então.
Os vídeos das ruas nas manifestações costumam funcionar como uma das poucas maneiras de divulgar informações capazes de dimensionar os protestos e as ações das autoridades iranianas.
De acordo com a empresa de segurança digital Cloudflare, interrupções generalizadas de serviços vêm ocorrendo desde quinta-feira. Ainda que apagões de internet sejam comuns no país, Amir Rashidi, diretor de segurança da internet e direitos digitais da ONG Miaan Group, disse à BBC que nunca tinha visto condições como essa. Outro pesquisador da área, Alireza Manafi, afirmou que a única forma provável de conexão seria via satélite Starlink, mas alertou que os usuários devem ter cautela, porque as atividades podem ser rastreadas pelo governo.
— Eu nem quero pensar nisso. A ideia me assusta. Eu poderia ser acusado de espionagem — disse um morador ao ser questionado sobre o que as autoridades iranianas fariam se descobrissem que ele estava conectado. — [Mas] essa dor e essa fúria não deveriam ficar escondidas. O mundo precisa saber o que está acontecendo conosco aqui dentro.
Repressão e vigilância
Outros moradores conseguiram, em janelas curtas de conexão, relatar a situação em diferentes cidades. Em mensagens enviadas à BBC Persian, leitores descrevem um cenário de repressão e vigilância. Um morador de Karaj afirmou que, em um único dia, dezenas de mortos e muitos feridos foram levados a apenas um hospital. Segundo ele, manifestantes passaram a sair às ruas usando máscaras e roupas escuras para evitar identificação por câmeras de segurança.
Em Fardis, na região metropolitana de Teerã, um leitor relatou que forças de segurança passaram a usar apenas munição real. De acordo com o depoimento, agentes teriam se posicionado em telhados para atirar contra a população. “Em cada rua morreram duas ou três pessoas”, escreveu, acrescentando que a internet estava completamente fora do ar. O mesmo relato diz que integrantes da Guarda Revolucionária e da milícia Basij substituíram a tropa de choque, armados com fuzis e apoiados por veículos com metralhadoras pesadas.
Vídeos mostram manifestações no Irã apesar de bloqueio da internet
Outros testemunhos apontam para a presença de agentes em hospitais, onde feridos seriam presos, e para a recusa das autoridades em entregar corpos às famílias. Em Ardabil, no noroeste do país, um morador afirmou que agentes de segurança se instalaram em uma unidade de saúde para deter manifestantes feridos. Em Mashhad, no leste do Irã, relatos mencionam um número elevado de mortos e o uso de rajadas de tiros, além da circulação de veículos armados em cidades vizinhas. “Atiram contra a multidão com espingardas”, escreveu um leitor.
Mensagens recebidas pelo veículo indicam que serviços de telefonia e SMS também sofrem interrupções, sobretudo à noite, e que até aplicativos nacionais deixam de funcionar. Um leitor relatou que, após determinado ponto, sair de casa passou a ser visto como risco de morte. Sem correspondentes estrangeiros no país, não é possível verificar de forma independente os relatos, embora descrições semelhantes tenham sido enviadas à imprensa de diferentes regiões.
Guga Chacra: Em defesa das iranianas e iranianos
Organizações de direitos humanos alertam que o apagão prolongado impede a confirmação de dados sobre vítimas. A ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, afirma ter confirmado ao menos 192 mortes, mas considera que o número real pode ser muito maior. A Hrana, outra organização com sede nos EUA, por sua vez, disse ter verificado a morte de 490 manifestantes e 48 integrantes das forças de segurança, além da prisão de mais de 10,6 mil pessoas em duas semanas de protestos. O Irã não divulgou um balanço oficial de mortos.
Os protestos tiveram início em 28 de dezembro, motivados pela disparada dos preços e pelo agravamento da crise econômica. Com o passar dos dias, as manifestações ganharam um caráter mais amplo e passaram a questionar diretamente a elite clerical que governa o país desde a Revolução Islâmica de 1979. A insatisfação também se voltou contra a Guarda Revolucionária, força poderosa com interesses bilionários em setores estratégicos da economia iraniana. (Com agências internacionais).
Interlocutores do governo brasileiro afirmam, com base em informações enviadas da Venezuela, que o país atravessa um momento marcado pela tensão. Com divisões no núcleo do poder do regime chavista, o cenário é caracterizado por incertezas políticas e institucionais. 
Embora não haja qualquer confronto explícito, internamente o governo é descrito como dividido entre uma ala mais pragmática, associada à vice-presidente Delcy Rodríguez, o que inclui quadros técnicos; e um setor mais duro, ligado a figuras tradicionais do chavismo, como o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, e o dirigente Diosdado Cabello. 
O desfecho dessa disputa, considerado incerto, eleva o grau de imprevisibilidade sobre o futuro do país. 
Apesar das declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a Venezuela ficaria por um período indefinido sobre o controle dos EUA, as decisões do cotidiano continuam sendo tomadas pelas autoridades venezuelanas.
Na leitura de interlocutores da diplomacia brasileira, a saída de Nicolás Maduro do centro do poder não resultou em uma transformação profunda do sistema político. O que se observa é a permanência de estruturas e práticas do chamado madurismo, ainda que de forma atenuada. 
A liberação de presos ocorre de maneira gradual e limitada, com a soltura de alguns estrangeiros e opositores, sem um movimento amplo ou sistemático.
De acordo com uma importante autoridade de Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve contato direto com Delcy Rodríguez em duas ocasiões recentes, no intervalo de poucos dias — uma no sábado, dia do ataque dos Estados Unidos, e outra na segunda-feira seguinte. As conversas se inserem no acompanhamento próximo da situação política e humanitária do país vizinho.
No último dia 3, Trump ordenou uma ação militar no país vizinho, com bombas e a captura de Maduro e sua mulher, Cilia Flores. 
Embora persistam incertezas sobre os desdobramentos internos, relatos recebidos em Brasília indicam que a vida cotidiana em Caracas segue relativamente normal. A leitura no governo brasileiro é que, até o momento, não se observam sinais concretos de desorganização institucional ou de agravamento abrupto da situação humanitária.
No campo econômico, a movimentação em torno do setor petrolífero é vista com cautela. A avaliação é que qualquer recuperação da produção venezuelana depende de um processo de médio e longo prazo, que exige investimentos elevados e infraestrutura adequada, uma vez que o petróleo do país é pesado e requer refino específico para transporte. Por essa razão, anúncios de curto prazo são tratados com reserva.
Há também sinais de uma reaproximação gradual entre Caracas e Washington, como a discussão sobre a reabertura da embaixada americana e o envio de um encarregado de negócios à capital venezuelana. Ainda assim, interlocutores do governo brasileiro ressaltam que o ambiente pode estar sujeito a mudanças rápidas, sobretudo diante da fragilidade do equilíbrio político interno.
Segundo a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, “ataques aéreos seriam uma das muitas opções” que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem sobre a mesa para uma possível ofensiva militar contra o Irã, palco de uma onda de protestos que já duram mais de duas semanas e deixaram centenas de mortos. Em continuidade com suas constantes ameaças de ataque à República Islâmica, caso o regime mate manifestantes, Trump afirmou nesta terça-feira que todas as reuniões com autoridades iranianas foram canceladas até que a repressão pare e — em tom enigmático, como de praxe — acrescentou: “a ajuda está a caminho”.
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Em Teerã, o ministro das Relações Exteriores Abás Araqchi afirmou, na segunda-feira, que o Irã está pronto para “negociações justas”, mas também “preparado para uma guerra”.
— A República Islâmica do Irã não busca a guerra, mas está totalmente preparada para ela — afirmou Araqchi durante um discurso para embaixadores estrangeiros em Teerã, alertando os adversários contra qualquer “erro de cálculo”. — Também estamos prontos para negociações justas, com igualdade de direitos e baseadas no respeito mútuo.
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No último domingo, o presidente do Parlamento iraniano afirmou que, caso os EUA lancem um novo ataque, Teerã retaliaria mirando alvos militares e navais americanos, além de instalações israelenses.
— Em caso de um ataque militar dos Estados Unidos, a ocupação [referindo-se a Israel] e as bases militares americanas e navios serão ambos nossos alvos legítimos — declarou Mohammad Bagher Ghalibaf ao Legislativo iraniano, em comentários transmitidos pela televisão estatal.
As declarações ocorrem em um momento de forte escalada retórica entre Teerã e Washington. Trump, que anunciou na segunda-feira uma tarifa de 25% para países que fazem negócios com o Irã, tem ameaçado intervir “muito duramente” o país caso manifestantes fossem mortos — não só pelo meio militar, mas também com sanções e ações cibernéticas, como revelado pelo jornal americano New York Times no domingo.
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Na última sexta-feira, por exemplo, o republicano disse a repórteres que o Irã estava em “sérios apuros” e que “é melhor” o regime “não começar a atirar, porque nós também começaremos”. Nesta terça, o presidente americano deve se reunir com altos funcionários de segurança nacional. Entre as autoridades que devem participar do encontro estão o secretário de Estado Marco Rubio e o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, que comandou o ataque à Venezuela seguido da captura do líder chavista Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, no início do ano.
E a operação bem-sucedida para capturar Maduro gerou especulações de que as opções de Trump poderiam incluir uma ofensiva semelhante para decapitar o regime iraniano.
Militares americanos no Oriente Médio
Atualmente, segundo a emissora americana ABC News, há 30 mil soldados americanos destacados no Oriente Médio e na região do Golfo Pérsico, incluindo 2.500 no Iraque e 1.000 na Síria. Além disso, existem seis navios da Marinha americana na região, incluindo três destróieres de mísseis guiados. O Pentágono deverá deslocar recursos adicionais para a área, a fim de ajudar a proteger essas tropas contra possíveis ataques retaliatórios, como ameaçado pelo presidente do Parlamento iraniano.
Ex-autoridades americanas ouvidos pela ABC afirmaram que as opções sobre a mesa de Trump variam de ataques militares em larga escala aos mais direcionados a líderes iranianos específicos ou ainda à infraestrutura policial que supostamente ajudou o regime a reprimir violentamente os protestos.
Mapa mostra alcance balístico do Irã e bases usadas pelos EUA no Oriente Médio
NYT
À ABC, Mick Mulroy, ex-secretário adjunto de Defesa para o Oriente Médio no Pentágono, afirmou que o presidente provavelmente receberá uma avaliação de inteligência sobre o impacto de um ataque militar direto e se isso poderia levar a uma mudança de regime.
— Acredito que, se optarem por prosseguir [com um ataque militar], este se concentrará em alvos do regime específicos para controlar ou reprimir os protestos — avaliou Mulroy. — Isso incluiria as forças Basij da Guarda Revolucionária Islâmica ou outros elementos de segurança interna, que foram responsabilizados pelas mortes dos manifestantes.
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Ao mesmo tempo, porém, autoridades americanas disseram que precisavam ter cuidado para que quaisquer ataques militares não tivessem o efeito oposto — galvanizando a opinião pública iraniana a apoiar o governo — ou desencadeassem uma série de ataques retaliatórios que pudessem ameaçar o pessoal militar e diplomático americano na região. Ao jornal americano New York Times, um alto oficial dos EUA afirmou que os comandantes na região gostariam de ter mais tempo antes de qualquer possível ataque para consolidar as posições militares e preparar as defesas para eventuais contra-ataques do Irã.
Possíveis respostas do Irã
Caso os EUA realizem, de fato, um ataque militar, uma das possíveis repostas de Teerã já foi revelada pelo presidente do Parlamento: equipamentos militares e navais americanos, além de instalações israelenses, seriam “alvos legítimos”. O Irã possui uma lista de alvos com cerca de 20 bases americanas para escolher em toda a região do Oriente Médio. Um dos alvos mais próximos é o extenso quartel-general da poderosa Quinta Frota da Marinha dos EUA em Mina Salman, no Bahrein.
Em entrevista à rede catári al-Jazeera, Araqchi respondeu às recentes ameaças de ação militar de Washington devido à repressão dos protestos, reiterando que seu país estava pronto para a guerra se os EUA quisessem “testar” sua capacidade de resistência.
— Se Washington quiser testar a opção militar que já testou antes, estamos prontos para isso — disse o chanceler iraniano, acrescentando que esperava que os EUA escolhessem “a opção sábia” do diálogo, ao mesmo tempo que alertava para “aqueles que tentam arrastar Washington para a guerra a fim de servir aos interesses de Israel”.
Na entrevista, quando falou que os EUA já “testaram antes” a capacidade de resistência do Irã, o ministro se referia à guerra de 12 dias em junho do ano passado, travada entre Teerã, Tel Aviv e Washington. À época, seis bombardeiros B-2 americanos lançaram 12 bombas antibunker sobre uma instalação nas montanhas de Fordow, e submarinos da Marinha dispararam 30 mísseis de cruzeiro contra as instalações nucleares de Natanz e Isfahan. Um B-2 também lançou duas bombas antibunker sobre Natanz.
Imagem de satélite com antes e depois da instalação de Fordow após os ataques dos EUA
AFP PHOTO/ SATELLITE IMAGE ©2025 MAXAR TECHNOLOGIES
A ofensiva americana representou um pesado ataque direto ao Irã, com dano ao programa nuclear e de mísseis do país. As principais instalações foram atingidas e importantes líderes militares e cientistas nucleares foram mortos.
No ocasião, em retaliação, Teerã atacou as forças americanas estacionadas na base aérea de al-Udeid, no Catar — a maior instalação militar dos EUA no Oriente Médio, que funciona como quartel-general avançado do Comando Central dos EUA (Centcom, na sigla em inglês). Já em 2020, quando Trump ordenou o assassinato do líder da Força Quds do Irã, Qassim Suleimani, o Irã respondeu atacando militares americanos no Iraque.
O Irã também poderia lançar “ataques em enxame” contra os seis navios de guerra naval dos EUA que estão na região, usando drones e lanchas torpedeiras rápidas, algo que a Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária iraniana tem praticado exaustivamente ao longo dos anos, segundo a rede britânica BBC. O objetivo, caso seguisse esse caminho, seria sobrepujar as defesas navais americanas pela superioridade numérica. Poderia também solicitar a seus aliados no Iêmen, os rebeldes Houthis, que retomassem os ataques contra navios americanos que transitam entre o Oceano Índico e o Mar Vermelho.
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Na segunda-feira, em entrevista ao Financial Times, um alto funcionário do governo Trump afirmou que “o presidente está ciente dos impactos de todas as opções” de ataque e enfatizou que o republicano ainda considera o Irã o maior patrocinador do terrorismo em todo o mundo. Trump, porém, nem sempre cumpre suas ameaças.
— Ele ameaçou mandar o Hamas de volta à Idade da Pedra diversas vezes. Não vimos isso acontecer — dissea Matthew Levitt, ex-funcionário americano de contraterrorismo do Instituto de Washington para Política do Oriente Próximo, ao Financial Times. — Trump é a incógnita aqui, e eles (os líderes iranianos) o temem.
(Com New York Times)
O amor literalmente ganhou asas em um voo da companhia aérea Southwest Airlines. Um casal chamado Tina e Roger oficializou a união no corredor da aeronave, em plena viagem, em uma cerimônia que emocionou passageiros e viralizou nas redes sociais, alcançando mais de 5,2 milhões de visualizações e um milhão de curtidas no TikTok.
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O vídeo, publicado pela usuária @katrinabadowksi no sábado, mostra o momento em que uma comissária de bordo anuncia o casamento pelo sistema de som do avião, assumindo o papel de mestre de cerimônias. “Como todos sabem, a Southwest é a companhia aérea do amor e hoje o amor está no ar”, diz ela. “Temos um casal, Tina e Roger, que está prestes a literalmente caminhar até o altar neste voo, e todos vocês estão convidados para o casamento”.
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A funcionária pede aos passageiros que permaneçam sentados “como cortesia aos noivos” e orienta que, caso alguém precise usar o banheiro, utilize o localizado na parte traseira da aeronave — detalhe que acabou gerando comentários irônicos nas redes, mas que foi apenas complementar diante do clima festivo do evento.
Em seguida, Tina surge caminhando pelo corredor com um buquê de flores laranja, ao som de música que remete ao final de uma comédia romântica. À frente do avião, Roger a aguarda vestindo camisa e gravata na mesma cor. De mãos dadas, eles ouvem as palavras da celebrante: “Tina e Roger, hoje é um dia como nenhum outro. Vocês não estão apenas embarcando na aventura do casamento, mas fazendo isso em meio às nuvens, cercados por 136 passageiros que se tornaram novos amigos”.
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Ela prossegue: “Dizem que o amor não conhece limites e, de fato, graças à Southwest, agora ele não conhece altitude.” Em seguida, vem a pergunta clássica: “Roger, você aceita Tina como sua esposa legítima? E Tina, você aceita Roger como seu marido legítimo?” Após o “sim” de ambos, a celebrante declara o casal “marido e mulher” e conclui: “Você pode beijar a noiva.”
O beijo é seguido por aplausos, gritos e comemoração geral. Os recém-casados caminham pelo corredor cumprimentando os passageiros, enquanto Tina chega a jogar o buquê, apanhado por uma passageira. Um livro de convidados também circula pela cabine para registrar mensagens dos presentes.
Ao desembarcarem, os passageiros atravessam um finger decorado com fitas rosas e corações. A celebração termina no terminal do aeroporto, com o casal sendo conduzido em um carrinho de malas identificado com a frase “Just Married” (“Recém-casados”, em tradução).
Casal que trocou alianças em voo nos EUA ganha recepção no aeroporto
Reprodução: TikTok
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Nas redes sociais, além dos elogios, a cerimônia também virou alvo de piadas. “‘Obrigado a todos por estarem aqui’, como se eles tivessem outra escolha”, ironizou um usuário. “Nunca vi uma situação de refém em casamento”, comentou outro.
Apesar do tom bem-humorado, especialistas lembram que casar em pleno voo é legalmente possível, mas envolve cuidados. O advogado nova-iorquino Casey Greenfield, especialista em direito matrimonial, afirmou à revista Traveler que existem muitos “mitos sobre se casar no ar”, especialmente a ideia de que pilotos teriam autoridade para realizar o casamento.
Segundo ele, o ideal é que a cerimônia ocorra em espaço aéreo doméstico dos Estados Unidos, já que voos internacionais podem trazer complicações legais. Como o casamento é regulamentado estado por estado, qualquer pessoa legalmente autorizada — como um juiz de paz, ministro religioso ou alguém com licença temporária — pode oficializar a união, dependendo da legislação local.
Por isso, especialistas recomendam que a parte legal seja feita em solo, deixando o evento a bordo apenas como celebração simbólica. Ainda assim, os obstáculos jurídicos não têm desanimado casais apaixonados: no inverno passado, por exemplo, outro casal trocou votos em pleno voo entre Islândia e França, reforçando que, para alguns, o amor realmente não conhece limites — nem altitude.
Diversos países europeus, entre Finlândia, Dinamarca, Reino Unido, França, Espanha e Alemanha, convocaram representantes do Irã nesta terça-feira, após a violenta repressão aos protestos contra o regime teocrático de Teerã, cujas autoridades ordenaram o corte da internet.
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“O regime iraniano cortou a internet para poder matar e oprimir em silêncio”, declarou a ministra das Relações Exteriores da Finlândia, Elina Valtonen, no X. “Não toleraremos isso”, afirmou, acrescentando que convocaria o embaixador iraniano ainda pela manhã.
Enquanto isso, o Ministério das Relações Exteriores da Dinamarca convocou o encarregado de negócios do Irã, já que o embaixador não se encontra no país, “para expressar a condenação do governo ao uso da violência pelo regime iraniano contra os manifestantes”.
Segundo um comunicado do ministério, o país também foi instado a cumprir suas obrigações internacionais, incluindo os direitos à liberdade de expressão, associação e reunião.
“Isso também se aplica à garantia da liberdade e do acesso irrestrito à internet”, concluiu o documento.
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No Reino Unido, a Secretária de Relações Exteriores, Yvette Cooper, também indicou que convocaram o embaixador iraniano “para sublinhar a gravidade deste momento e exigir que o Irã seja responsabilizado pelos relatos horríveis” que o governo britânico recebeu sobre a situação no país.
O governo francês também convocou o embaixador iraniano, anunciou o Ministro das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, para denunciar a “violência estatal que foi indiscriminadamente desencadeada contra manifestantes pacíficos”.
Na Espanha, o Ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, afirmou que o que seria transmitido ao embaixador “é que o direito dos iranianos ao protesto pacífico e à sua liberdade de expressão devem ser respeitados”.
Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha anunciou a convocação no X. “A brutal repressão do regime iraniano contra sua própria população é chocante”, declarou o ministério.
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também se manifestou publicamente sobre a repressão aos protestos no Irã nesta terça-feira. Trump declarou que iranianos deveriam continuar ocupando as ruas de todo o país e os encorajou a tomar o controle das instituições governamentais e registrar os nomes de todos os “assassinos e abusadores” ligados ao regime, afirmando que “a ajuda está a caminho”.
“Patriotas iranianos, continuem protestando – ocupem suas instituições! Guardem os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um preço alto. Cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que o assassinato sem sentido de manifestantes pare. A ajuda está a caminho”, escreveu o presidente americano em sua plataforma Truth Social, utilizando a sigla MIGA, em um trocadilho com o MAGA (“Make America Great Again”, ou Faça a América Grande de Novo — trocando América por Irã).
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Milhares de vítimas
A ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, afirmou que pelo menos 734 pessoas, incluindo nove menores de 18 anos, foram mortas pelas forças de segurança iranianas durante os protestos — embora uma autoridade iraniana ouvida em anonimato pela Reuters nesta terça-feira tenha falado em 2 mil mortos. Segundo a organização, milhares de manifestantes ficaram feridos e mais de 10.000 pessoas foram presas. Na segunda-feira, o grupo havia alertado que o número real de mortos pode ultrapassar 6.000.
“Os números que publicamos são baseados em informações recebidas de menos da metade das províncias do país e de menos de 10% dos hospitais iranianos. O número real de mortos provavelmente chega a milhares”, disse Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor da ONG.
(Com AFP)

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