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Quando os pesquisadores da Universidade do Texas e de Stanford concluíram que satélites russos eram a fonte das interferências no sinal de GPS registradas sobre a Europa desde 2019, a pergunta que ficou no ar não era mais técnica, e sim estratégica: por quê? As intervenções identificadas seguem padrão de dias úteis e horário comercial — um indício, para especialistas, de que Moscou ensaia capacidade de guerra eletrônica contra a Otan.
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O paper Chasing Lightning (“À caça do relâmpago”, em tradução livre), publicado em maio de 2026 e ainda em fase de revisão científica, identificou a constelação russa, que atua formalmente contra mísseis balísticos, como responsável por 75 dias de perturbações que derrubaram sinais de GPS, Galileo e BeiDou. E sobre um território que vai da Polônia ao Canadá.
O principal autor do estudo, o professor americano Todd Humphreys, descarta uma ação acidental. O padrão temporal das interferências, concentradas entre terças e quintas, sempre em horário comercial europeu, é incompatível com qualquer falha aleatória de hardware.
— Estou convicto de que é jamming deliberado — disse Humphreys ao GLOBO.
Para Mauricio Santoro, pesquisador colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha e especialista em relações internacionais, a descoberta se encaixa com precisão num quadro que a Europa já reconhece, mesmo sem nomear abertamente.
— Um embaixador aposentado brasileiro que viajou recentemente à Europa me disse que, para ele, o continente estava em pré-guerra com a Rússia. Achei uma expressão muito boa — disse Santoro. — Você não tem exércitos atirando uns nos outros, mas todo um cenário de tensão, de preparação militar, de disputa por domínios novos do campo de batalha.
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Estação de satélites construída pelos EUA na Guerra Fria, conhecida como ‘Mickey Mouse’, em colina perto de Kangerlussuaq, no oeste da Groenlândia, em junho de 2025
Ivor Prickett/The New York Times
A tensão nas relações entre a Europa e a Rússia não era tão elevada desde o fim da Guerra Fria. A Alemanha ampliou seus gastos militares de forma expressiva. Polônia, países bálticos e Romênia reforçam suas defesas diante da ameaça de incursões russas. Drones sobrevoam fronteiras. E, segundo Santoro, as interferências no GPS se encaixam nesse contexto como um ensaio, não uma operação de combate, mas um teste de capacidade para uso eventual.
A lógica foi resumida por Humphreys: se a Rússia quisesse causar dano real, bastaria calibrar o sinal para coincidir exatamente com a frequência central do GPS e mantê-lo ativo de forma contínua. Hoje, a interferência está centrada 2 Megahertz ao lado da frequência-alvo e dura apenas alguns segundos, o suficiente para verificar que o sistema funciona e insuficiente para revelar todo o potencial destrutivo.
— Se os sinais fossem calibrados para coincidir exatamente com a frequência central do GPS e transmitidos de forma contínua, o impacto sobre aviação, navegação marítima, sistemas bancários e redes elétricas representaria uma escalada massiva em guerra eletrônica — alertou o cientista.
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O GPS como arma
Ao longo de quatro anos de conflito contra a Ucrânia, a Rússia disparou milhares de mísseis de cruzeiro contra o território vizinho, todos dependentes de sistemas de navegação por satélite para encontrar seus alvos. O GPS, nesse contexto, deixou de ser apenas uma ferramenta civil e se tornou infraestrutura de combate.
Santoro lembra um episódio recente que ilustra bem a disputa. Em 2024, mísseis iranianos erraram alvos em larga escala — resultado, segundo especialistas, de interferências americanas e israelenses nos sistemas de navegação. No ano seguinte, a precisão iraniana melhorou de forma expressiva. A hipótese mais aceita é a de que Teerã trocou o GPS pelo BeiDou chinês, aproveitando a cooperação militar com Pequim.
Satélite GPS
Freepik
— Quando a gente fala dessa capacidade de usar um satélite para interferir com o GPS, isso tem um impacto enorme nos mísseis de cruzeiro — disse Santoro. — Controlar esse domínio espacial é fundamental para a guerra contemporânea quando você está falando de estados com alto nível tecnológico.
Na prática, a dimensão do risco vai além dos campos de batalha. Do espaço, a visibilidade é direta e total, ou seja, um jamming contínuo e calibrado afetaria simultaneamente aviação civil, navegação marítima, sincronização de sistemas bancários, redes de energia elétrica e logística.
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Quem responde e como?
A dificuldade de atribuição — foram seis anos de cálculos e estudos científicos para identificar o satélite responsável — não é um detalhe secundário, e pode ser interpretada como parte da estratégia. Sem prova técnica incontestável, qualquer resposta diplomática ou militar do Ocidente fica juridicamente fragilizada.
Representação visual do congestionamento de satélite na órbita da Terra
Reprodução/satellitemap.space
A Otan ainda não tem doutrina clara para tratar ataques no espectro eletromagnético como atos de guerra. Ataques cibernéticos russos contra a Estônia, anos atrás, foram classificados como guerra híbrida, não como agressão militar direta. Santoro acredita que essa classificação deve mudar com o tempo, à medida que o dano potencial desses ataques se torna mais evidente.
Dentro da ONU, a União Internacional de Telecomunicações é o fórum competente, mas sua velocidade, segundo o especialista, é incompatível com a urgência do tema. Humphreys é direto ao avaliar que os governos precisam confrontar a Rússia diplomaticamente e, ao mesmo tempo, investir em sistemas de navegação completamente independentes do GPS, combinando sinais terrestres de alta potência com distribuição de tempo por fibra óptica.
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Santoro vai na mesma direção ao observar que países como China, Coreia do Sul e Reino Unido já desenvolvem redes alternativas. Mesmo o Brasil, que não está envolvido em conflitos diretos com outros países, já criou um Grupo Técnico através da Agência Espacial Brasileira (AEB) para estudar e propor a implantação de um Sistema Brasileiro de Posição, Navegação e Tempo (PNT).
Segundo a AEB, os objetivos são o diagnóstico das vulnerabilidades da atual dependência de sistemas estrangeiros de navegação, como o GPS; a formulação de estratégias para o desenvolvimento de um sistema nacional autônomo; e o mapeamento das capacidades industriais, laboratoriais e tecnológicas necessárias à viabilização do projeto.
— A maioria dos sistemas de localização foram afetados. No momento, isso é um incômodo. Mas, se os sinais de interferência fossem sintonizados para coincidir exatamente com os do GPS/Galileo/BDS, teríamos um problema significativo. É necessário confrontar a Rússia sobre essa interferência e preparar sistemas de backup que sejam totalmente independentes [para lidar com o fato] — afirma Humphreys.
Um cadáver em decomposição foi encontrado no porta-malas de um carro estacionado em frente ao estádio no México onde a seleção iraniana de futebol treina para a Copa do Mundo de 2026, confirmou a AFP nesta sexta-feira (12). O veículo, um SUV Toyota cinza, estava no estacionamento de um supermercado de frente para o Estádio Caliente, em Tijuana, local utilizado diariamente pela equipe persa e situado perto de seu hotel.
O ‘Team Melli’ foi forçado, de última hora, a estabelecer seu campo base no México em vez de nos Estados Unidos, como havia sido planejado originalmente, devido ao conflito em curso entre Washington e Teerã. Ao abrir o veículo, os policiais se depararam com um forte odor de putrefação. Agentes protegidos por trajes de segurança examinaram o corpo no local antes de removê-lo.
A Promotoria de Tijuana informou à AFP que uma patrulha localizou o carro e, ao inspecioná-lo, “encontrou uma pessoa envolta em um saco preto no porta-malas, apresentando sinais de violência”. O órgão informou que o veículo estava estacionado no local desde quarta-feira.
Tijuana é considerada uma das cidades mais perigosas do país, tendo registrado mais de 1.200 homicídios em 2025, segundo estatísticas oficiais.
Um comboio fortemente armado da Guarda Nacional escolta o ônibus que transporta a seleção iraniana entre o hotel e o estádio, um trajeto que leva apenas um minuto. Na sexta-feira, a equipe deixou o estádio logo após as autoridades terem removido o corpo.
A equipe não respondeu à AFP sobre se a segurança seria reforçada após o incidente.
O Irã estreia na Copa do Mundo na segunda-feira contra a Bélgica, em Los Angeles, na partida de abertura do Grupo G, que também inclui Egito e Nova Zelândia.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na noite desta sexta-feira que os Estados Unidos realizaram um ataque mortal contra o líder do Tren de Aragua, uma gangue transnacional fundada na Venezuela. O ataque “rápido e letal” das forças militares dos EUA contra Héctor Guerrero Flores, conhecido como Niño Guerrero, “foi coordenado de perto com nossos amigos na Venezuela, com quem estamos trabalhando muito bem”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
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O governo Trump tem repetidamente descrito o Tren de Aragua como um dos focos de suas políticas de deportação, indicando que os membros da organização infiltraram-se ilegalmente no país e “estão conduzindo uma guerra irregular e realizando ações hostis”.
O Tren de Aragua nasceu em 2014, dentro da prisão de Tocorón, no estado de Aragua. Sob a liderança de Flores, Tocorón tornou-se uma das prisões mais notórias da Venezuela. A liberdade dos criminosos no local e os lucros obtidos com suas atividades permitiram a construção de uma piscina, restaurante, boate e até um zoológico dentro da prisão.
Condenado a 17 anos por múltiplos homicídios, tráfico de drogas e outros crimes, Flores é um indivíduo conhecido pela polícia venezuelana há anos. No começo dos anos 2000, já era conhecido por atacar policiais, havendo registro de ao menos um homicídio em 2005.
Ele passou pela prisão algumas vezes, em 2010 e 2013, antes de ser preso pela última vez em 2018, já como líder do Tren de Aragua. Foi nas passagens pelo sistema prisional que transformou a cadeia de Tocorón na central de operações de sua organização criminosa.
Apesar de encarcerado, Guerrero continuava a chefiar o grupo mafioso que atua em uma vasta gama de crimes, como sequestro, roubo, tráfico de drogas, prostituição e extorsão, além de assassinatos por encomenda.
Em 2022, autoridades colombianas acusaram o grupo de pelo menos 23 assassinatos depois que a polícia começou a encontrar partes de corpos em sacos plásticos. Integrantes do grupo também foram presos no Chile e no Brasil, onde a gangue se aliou ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Relatórios obtidos pelo GLOBO mostram que a facção assumiu o controle de bocas de fumo em pelo menos cinco bairros de Roraima, além de Manaus e cidades fronteiriças no Amazonas.
Presença nos EUA
Nos Estados Unidos, embora muitos detalhes sobre o tamanho e a sofisticação do grupo ainda sejam desconhecidos, a gangue passou a ser uma preocupação real para as autoridades nos últimos anos. Em Nova York, o grupo tem se concentrado no roubo de celulares, furtos no varejo e assaltos. A gangue ainda está envolvida na distribuição de uma droga sintética rosa em pó, conhecida como Tusi, frequentemente misturada com cetamina, MDMA ou fentanil.
As autoridades também acreditam que o grupo recruta membros dentro dos abrigos para migrantes da cidade e que, em diferentes momentos, entrou em conflito ou formou alianças com outras gangues. Em outras partes do país, pessoas acusadas de ligação com o Tren de Aragua foram indiciadas por crimes como tiroteios e tráfico de pessoas, geralmente tendo como alvo membros da comunidade venezuelana.
Um ladrão profissional foi preso após cometer erros básicos durante um de seus crimes, que tinha como alvo um imóvel residencial em Belgravia, distrito no centro de Londres, Inglaterra. O homem, identificado como Glen Banks, de 57 anos, acabou por deixar vários itens para trás quando estava em fuga. O ladrão deixou cair uma jaqueta com documentos e a foto do passaporte, o que agilizou a sua identificação pelas autoridades.
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O caso aconteceu em 14 de fevereiro do ano passado, segundo a imprensa internacional. Banks foi a julgamento na última quarta-feira (10) no Tribunal da Coroa de Southwark. Ele ficou, mais uma vez, cara a cara com a juíza Sally-Ann Hales, responsável por o poupar da prisão em um caso de delito anterior cometido apenas 11 dias antes da tentativa de furto ao imóvel.
Banks tem uma extensa ficha criminal, e acumulava, até então, condenação por 34 furtos e 10 roubos. Além de desta vez ser sentenciado a 28 meses de prisão, teve adicionado mais 12 meses de detenção, sentença ativada referente a um crime anterior. Com a reincidência, ele terá que cumprir 40 meses, isto é, mais de 3 anos de prisão.
— A julgar pelo número de vezes que você foi pego, você não é muito bom nisso — disse a juíza durante a sentença.
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Furto frustrado
O crime aconteceu quando Glen Banks tentava furtar um imóvel num bairro de alto padrão em Belgravia. Segundo a investigação, um dos proprietários da casa relatou que, por volta das 18h daquele dia, ao voltar para casa, percebeu que uma janela estava aberta. Ele acreditava que tinha fechado-a antes de sair. Em um dos ambientes, percebeu que havia lama em uma mesa, mas não notou nada de diferente disso. Em cerca de 10 minutos, ouviu um ruído e, ao conferir o que acontecia, viu Banks fugir.
De acordo com o proprietário, nada foi levado da casa. No entanto, o ladrão deixou para trás uma jaqueta, que depois passou por exames de DNA, o qual comprovou que era de Banks, e documentos nos bolsos da peça, incluindo uma foto do passaporte. Esse último item facilitou a identificação do suspeito, que meses depois acabou condenado à prisão.
Banks se declarou culpado pelo crime em seu novo julgamento, há dois dias.
Antes da tentativa de furto a esse imóvel, o homem havia estado no tribunal há 11 dias respondendo a um crime de roubo também em uma residência, ocorrido em 9 de julho de 2024. Nessa ocasião, ele conseguiu levar bolsas Louis Vuitton e Celine, além de um colar, carteiras, AirPods e £ 155 (R$ 1.051, na cotação atual). Banks chegou a ser encaminhado para um centro de tratamento de dependentes químicos em Scarborough, North Yorkshire, mas foi retirado do local apenas três dias após sua chegada por mau comportamento.
Uma gigantesca mangueira de cerca de 300 toneladas que apareceu misteriosamente em uma praia do Japão será removida pelas autoridades locais em uma operação que deve custar aproximadamente 50 milhões de ienes, ou mais de 311 mil dólares, o equivalente a cerca de R$ 1,6 milhão na cotação atual.
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A estrutura foi encontrada na costa da cidade de Shika, na província de Ishikawa, região central do país, em dezembro do ano passado. Desde então, autoridades tentam descobrir sua origem, para que o proprietário possa removê-la, mas sem sucesso. Agora, o próprio governo local decidiu que irá removê-la, segundo informações da emissora japonesa NHK.
A mangueira tem cerca de 150 metros de comprimento e chega a aproximadamente dois metros de diâmetro em seu trecho mais largo. Segundo as autoridades, trata-se de um equipamento normalmente utilizado em operações de dragagem para remover sedimentos e lama do fundo do mar.
O mistério aumentou após a identificação do nome de uma empresa chinesa na estrutura. A prefeitura informou que entrou em contato com a companhia, mas não conseguiu determinar quem é o proprietário da mangueira nem em qual projeto ela estava sendo utilizada antes de chegar à costa japonesa.
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Os trabalhos de remoção estão programados para começar na próxima segunda-feira (15). A operação prevê que a mangueira seja cortada em diversas partes antes de ser transportada para um aterro sanitário.
A expectativa é que todo o processo seja concluído até o fim de setembro.
Um visitante de cerca de 50 anos que esteve no local afirmou ter ficado impressionado com o tamanho do objeto.
— Fiquei surpreso porque era muito maior do que eu imaginava — disse à NHK.
Oka Hideo, funcionário da divisão de reciclagem de recursos da prefeitura, afirmou que o objetivo é retirar a estrutura o mais rapidamente possível para garantir a segurança e a tranquilidade dos moradores locais.
Apesar das investigações realizadas até o momento, as autoridades ainda não conseguiram explicar como a enorme estrutura foi parar na praia nem de onde ela veio.
Nove integrantes do principal cartel de narcotráfico da Colômbia morreram em um bombardeio militar, informou nesta sexta-feira o comandante das Forças Armadas, a uma semana e meia do segundo turno da eleição presidencial, marcada por uma escalada da violência.
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O general Hugo López publicou na rede social X vídeos aéreos da explosão e fotos do material apreendido na operação, como fuzis, munições e carregadores. O ataque foi realizado em Chocó, departamento de floresta tropical no noroeste do país onde atua o Clã do Golfo.
O governo mantém negociações com o cartel desde o ano passado, no Catar. A poderosa organização, de origem paramilitar, é um dos diversos grupos armados responsáveis pela pior onda de violência enfrentada pela Colômbia na última década.
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Os colombianos irão às urnas em 21 de junho para escolher o novo presidente entre Iván Cepeda, candidato do partido governista de esquerda, e Abelardo de la Espriella, um outsider que promete combater o narcotráfico com mão firme e apoio dos Estados Unidos.
O candidato de ultradireita venceu o primeiro turno em maio por uma margem estreita, defendendo um discurso de fortalecimento da segurança pública após as tentativas do presidente Gustavo Petro de negociar o desarmamento de todos os grupos armados do país.
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O Clã do Golfo e outras organizações ligadas ao narcotráfico se fortaleceram durante as iniciativas de diálogo promovidas por Petro, o primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia.
A expectativa é que parte dos integrantes desses grupos chegue nas próximas semanas a zonas rurais especiais designadas pelo governo para a negociação de acordos.
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No entanto, o advogado do cartel reconheceu recentemente que será “impossível” assinar um acordo definitivo de paz com Petro.
A crise de segurança é uma das principais preocupações dos colombianos em um país marcado por mais de seis décadas de conflito armado.
O candidato de esquerda Iván Cepeda foi um dos idealizadores da política de paz de Petro. Em entrevista à AFP na quinta-feira, afirmou estar disposto a promover as “mudanças” que forem “necessárias” nessa estratégia.
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Favorito em uma pesquisa recente, De la Espriella promete ampliar os bombardeios, construir megapresídios e intensificar as ofensivas contra grupos criminosos com apoio dos EUA, especialmente após receber o respaldo do presidente americano, Donald Trump.
O presidente da Federação Palestina de Futebol, Jibril Rajoub, afirmou à AFP nesta sexta-feira que não obteve visto de entrada nem para os Estados Unidos nem para o Canadá para participar dos eventos da Copa do Mundo de 2026.
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Rajoub explicou que esteve presente na quinta-feira na cerimônia de abertura realizada na Cidade do México, organizada antes da partida inaugural entre México e África do Sul.
— Não me concederam o visto para os Estados Unidos depois que fiz o pedido em Amã. O comportamento deles é ridículo — declarou o dirigente palestino em entrevista por telefone à AFP.
— Atualmente estou no México, vou assistir a uma partida da Tunísia (em 14 de junho, em Monterrey, contra a Suécia) e depois retornarei (aos Territórios Palestinos) — acrescentou.
Em abril, Rajoub participou do congresso da FIFA em Vancouver, onde se recusou a participar de uma foto oficial ao lado de um representante da federação israelense, a convite do presidente da entidade, Gianni Infantino.
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A Federação Palestina apresentou recurso ao Tribunal Arbitral do Esporte contra a decisão da FIFA de não impor sanções a Israel devido à participação de clubes localizados na Cisjordânia em competições supervisionadas pela Federação Israelense de Futebol.
Há anos, a Federação Palestina sustenta que clubes estabelecidos em assentamentos da Cisjordânia não deveriam disputar torneios organizados pela federação israelense.
Os assentamentos israelenses instalados na Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967, são considerados ilegais pelo direito internacional.
Em 2024, especialistas das Nações Unidas informaram ter identificado ao menos oito clubes que atuam em “assentamentos israelenses” e pediram que a FIFA “assumisse suas responsabilidades em matéria de respeito aos direitos humanos”.
FIFA não controla os vistos
Rajoub afirmou que também não conseguiu visto para entrar no Canadá, país que divide a organização da Copa do Mundo de 2026.
— Alguns setores não querem que critiquemos Israel — afirmou, alegando, sem apresentar provas, que “os israelenses” exerceram pressão.
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O dirigente disse ainda ter informado a FIFA sobre a situação.
A rígida política migratória do presidente Donald Trump tem causado dificuldades de entrada nos Estados Unidos para cidadãos de determinados países e já afetou participantes ligados à Copa do Mundo. O árbitro somali Omar Artan, por exemplo, teve a entrada negada apesar de possuir visto válido.
Na véspera da abertura do Mundial, na Cidade do México, Infantino classificou o caso de Artan como “lamentável”, mas lembrou que a FIFA não tem controle sobre a emissão de vistos para a competição.
As autoridades americanas também negaram vistos a integrantes iranianos ligados à seleção nacional, além de torcedores do Senegal e da Costa do Marfim.
Já o Canadá recusou a entrada do jogador ganês Thomas Partey, que será julgado no próximo ano na Grã-Bretanha por acusações de estupro e agressão sexual.
Cinco leões que viviam sob o risco constante de ataques russos na Ucrânia foram retirados de uma zona de guerra graças a uma operação liderada pelo ativista britânico Cam Whitnall. A missão resgatou os felinos Yuna, Rori, Vanda, Amani e Lira, animais que sofriam os efeitos físicos e psicológicos dos bombardeios e que agora vivem em segurança no Reino Unido.
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A iniciativa se tornou um dos episódios mais marcantes da trajetória de Whitnall, diretor do Paradise Wildlife Park, em Hertfordshire, na Inglaterra. Em 2024, ele lançou uma campanha para retirar os animais de Kiev, onde estavam expostos aos ataques de mísseis e drones em meio à guerra iniciada pela invasão russa da Ucrânia.
Em entrevista ao jornal britânico Daily Mail, Whitnall contou que os leões apresentavam sinais de choque e até concussões provocadas pelas explosões próximas aos recintos onde eram mantidos. Ele acompanhava a situação por vídeos enviados por WhatsApp, que mostravam bombardeios e ataques aéreos nas proximidades dos animais.
Os cinco leões haviam chegado à Ucrânia após serem comprados ilegalmente como animais de estimação exóticos. O conservacionista alerta que muitas pessoas adquirem grandes felinos ainda filhotes sem compreender os riscos envolvidos.
— Um deslize, um momento de complacência, e tudo muda — afirma Whitnall ao periódico, ao destacar o perigo de manter predadores selvagens em ambientes domésticos.
Para viabilizar o resgate, ele criou a instituição de caridade Big Cats in Crisis, responsável por arrecadar recursos para a operação. A meta era levantar pelo menos 750 mil libras esterlinas para transportar os animais e construir uma estrutura adequada para recebê-los.
A campanha resultou na criação do Centro de Resgate de Leões, próximo à cidade de Ashford, no condado de Kent. O espaço foi inaugurado oficialmente pela ministra britânica do Bem-Estar Animal, Baronesa Hayman, e pelo embaixador da Ucrânia no Reino Unido, Valerii Zaluzhnyi.
Em um dos vídeos publicados nas suas redes sociais, ele mostra como foi o regate de Ursa.
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Ao comentar a recuperação de Yuna, uma das leoas resgatadas, Whitnall destacou a transformação observada após sua chegada ao novo lar. Ele celebrou, em um dos seus vídeos, a primeira vez que ela pisou na grama, depois de viver uma vida inteira em cativeiro.
— Resgatar Yuna da guerra na Ucrânia, dar a ela uma segunda chance de vida e agora vê-la sentir o ar fresco e a grama pela primeira vez é algo incrivelmente especial e bonito. Sabemos que ainda temos um longo caminho pela frente, mas ela está demonstrando uma coragem incrível e até um pouco de irreverência, e não poderíamos estar mais felizes — celebrou Whitnall .
Filho de uma família ligada à administração do Paradise Wildlife Park, Whitnall cresceu cercado por animais. Na infância, conviveu com suricatas, porcos-espinhos, pumas, lobos e macacos. Aos 11 anos, tornou-se o tratador de zoológico mais jovem do Reino Unido a participar do programa infantil Blue Peter.
Sua família reformulou o zoológico ao longo dos anos, ampliando recintos, melhorando a infraestrutura e acolhendo animais resgatados de circos. A experiência ajudou a consolidar sua atuação na conservação da vida selvagem.
Whitnall também denuncia os impactos do tráfico de animais, que classifica como uma das maiores atividades criminosas do mundo, atrás apenas do tráfico de drogas. Segundo ele, espécies são frequentemente capturadas em armadilhas e submetidas a sofrimento extremo para abastecer o comércio ilegal de animais exóticos.
Apesar dos desafios, o conservacionista afirma que programas de reprodução controlada, proteção de habitats e resgates como o realizado na Ucrânia oferecem esperança para espécies ameaçadas. O objetivo final, defende, é garantir que os animais possam viver em ambientes protegidos e seguros, mesmo que esse processo leve décadas.
Nos últimos cinco dias, os Estados Unidos e o Irã trocaram ataques com mísseis após a queda de um helicóptero americano. Israel bombardeou o Líbano, provocando retaliação do Irã. E os houthis, apoiados pelo Irã, juntaram-se à represália no Iêmen. Em questão de horas na quinta-feira, após fazer novas ameaças públicas, o presidente dos EUA, Donald Trump, cancelou outro grande ataque contra a República Islâmica e voltou a apresentar a possibilidade de um acordo de paz, que Teerã minimizou.
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Nos dois meses desde que os EUA e o Irã declararam nominalmente um cessar-fogo, a linha entre paz e guerra praticamente desapareceu no Oriente Médio, com ataques e contra-ataques acompanhados de promessas de fim das hostilidades que nunca se concretizam. É menos um cessar-fogo do que um “fogo menor”, nas palavras do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.
Mesmo que os combatentes consigam chegar a um acordo preliminar desta vez, essa zona cinzenta de “nem guerra nem paz” pode persistir por semanas ou meses, dizem analistas e diplomatas. Nem Trump nem o Irã parecem dispostos a fazer concessões significativas nas negociações para uma trégua de longo prazo, com muitos detalhes complexos a serem resolvidos — principalmente em relação ao futuro do programa nuclear iraniano.
Tal impasse condenaria o Oriente Médio a um purgatório de violência esporádica e ansiedade constante. E forçaria o resto do mundo a confrontar uma nova e dura realidade econômica. A interrupção prolongada do fornecimento de petróleo e gás proveniente do Golfo Pérsico, diante do bloqueio do Estreito de Ormuz, teria um efeito cascata nas cadeias de suprimentos globais, causando escassez de alimentos e elevando os preços nos postos de gasolina e nos supermercados.
— Há uma boa chance de que o equilíbrio atual, ou algo semelhante, persista — disse Caitlin Talmadge, professora do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) especializada em questões de segurança do Golfo Pérsico. — Nem toda guerra tem um fim limpo.
O que torna este conflito particularmente complexo são seus múltiplos combatentes, cada um com suas próprias agendas, muitas vezes conflitantes. Trump, enfrentando eleições de meio de mandato e dificuldades políticas internas, sinalizou que está ansioso para virar a página.
O Irã, tendo sofrido baixas terríveis, incluindo a morte de seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, vê este confronto como uma guerra de sobrevivência e dificilmente limitará seu programa nuclear em troca de uma trégua de curto prazo. Israel, por sua vez, considera o Irã uma ameaça existencial — suas instalações nucleares estão soterradas sob escombros, mas não destruídas, e seus aliados estão se reagrupando no Líbano, em Gaza e no Iêmen.
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Enquanto o presidente americano se confronta com o Irã, ele conduz negociações paralelas com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ora implorando que ele suspenda os ataques no Líbano, ora defendendo o direito de Israel de retaliar. Já Netanyahu enfrenta sua própria eleição, com o Irã representando uma importante questão pendente.
— Se houver um cessar-fogo, mas não uma paz duradoura, será preciso ficar de olho no Irã — afirmou Charles A. Kupchan, que trabalhou no Conselho de Segurança Nacional dos EUA durante o governo do ex-presidente Barack Obama. — Também podemos ver a continuidade de guerras por procuração relacionadas ao Hamas, ao Hezbollah e aos Houthis (aliados iranianos espalhados pela região).
Kupchan, agora professor de relações internacionais na Universidade de Georgetown, comparou o desafio para os Estados Unidos e Israel a “cortar a grama”, uma expressão que se refere às ofensivas militares que Israel realizava periodicamente em Gaza para enfraquecer o Hamas antes do ataque do grupo em 7 de outubro de 2023.
Tal situação não é inédita no Oriente Médio. Durante vários anos antes da guerra liderada pelos Estados Unidos no Iraque, Washington impôs sanções e zonas de exclusão aérea a Bagdá. Guerras por procuração eclodiram e instalações militares americanas foram atacadas, mais dramaticamente em 2000, quando o porta-aviões USS Cole foi destruído em um atentado suicida realizado por terroristas da Al-Qaeda em Aden, no Iêmen.
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Ponto-chave
O que diferencia este conflito dos anteriores é o Estreito de Ormuz. Ao bloqueá-lo, o Irã exerceu uma nova e devastadora forma de pressão, mesmo que ainda não tenha forçado Trump a um acordo de paz.
A navegação comercial permanece amplamente suspensa. O recente abate do helicóptero Apache, pelo qual os Estados Unidos culparam o Irã, serve como um lembrete dos riscos de um plano da Marinha americana para ajudar a garantir a passagem de navios pelo estreito.
— Esta é mais uma medida temporária do que uma situação duradoura — destacou Martin Kelly, chefe de consultoria do EOS Risk Group, uma empresa de consultoria com sede no Reino Unido.
Os preços do petróleo dispararam na quinta-feira em meio a temores de um retorno à guerra total, enquanto nos Estados Unidos a taxa de inflação ultrapassou os 4%. As preocupações com as consequências econômicas da guerra provavelmente dominarão a reunião dos líderes do G7 na próxima semana, na França.
Os líderes europeus propuseram uma missão para garantir a segurança da navegação comercial, mas isso depende de um acordo entre Trump e Teerã para uma resolução de paz mais duradoura. O Irã também está sob pressão, com suas exportações de petróleo praticamente paralisadas pelo bloqueio retaliatório da Marinha dos EUA no estreito.
— Essa situação de “nem guerra, nem paz” não é sustentável — pontuou Vali R. Nasr, especialista em Irã da Escola de Estudos Internacionais Avançados da Universidade Johns Hopkins. — A economia iraniana, assim como a economia global, não consegue sustentar isso ao máximo por mais de quatro ou cinco meses.
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Por essas razões, Nasr disse esperar que cada lado tente forçar o outro a recalcular a estratégia.
— É exatamente isso que estamos presenciando — declarou, referindo-se aos ataques dos EUA contra bases de drones iranianas perto do estreito, que, segundo ele, foram calculados para romper o controle iraniano sobre a hidrovia.
O impasse está criando suas próprias circunstâncias no terreno, muitas das quais são perigosas para os Estados Unidos, de acordo com analistas. Um grande número de tropas americanas está mobilizado na região, reduzindo sua capacidade de exercer influência em outros lugares, principalmente contra a China. Uma escalada significativa esgotaria ainda mais os estoques de defesa aérea e outras armas, que já estão baixos.
— Você está reduzindo os estoques e mobilizando recursos, o que significa que está afetando a prontidão das Forças Armadas — ressaltou Seth G. Jones, presidente do departamento de defesa e segurança do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington. — Isso cria um risco enorme no Pacífico.
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Foco concentrado
A guerra também está minando a capacidade da Casa Branca de lidar com outras crises. O presidente Volodymyr Zelensky, da Ucrânia, que está em guerra com a Rússia, conflito que Trump prometeu encerrar em 24 horas, disse recentemente:
— Vemos que os Estados Unidos estão totalmente focados na questão do Irã. Ele instou o presidente Vladimir Putin, da Rússia, em uma carta aberta provocativa, a negociar diretamente com ele. Putin, no entanto, recusou.
Mesmo no Oriente Médio, a influência dos EUA tem demonstrado ter limites. Os ataques com mísseis e drones do Irã tornaram mais perigoso para os militares americanos operarem a partir de suas bases, enquanto a Marinha tem evitado, em grande parte, enviar grandes navios para o Golfo Pérsico, aparentemente por medo de serem alvejados.
— Há novas realidades militares — salientou Talmadge, a professora do MIT. — Por muito tempo, presumimos que nossas forças de superfície e nossas bases teriam um ambiente seguro, e não têm.
Uma situação mais otimista do que o atual limbo, segundo analistas, seria um acordo de cessar-fogo duradouro, no qual os Estados Unidos e o Irã concordassem em reabrir o Estreito de Ormuz, adiando a espinhosa questão do programa nuclear iraniano para uma negociação posterior. Isso poderia silenciar os ataques com mísseis do Irã contra os países do Golfo. Mas não está claro se tal movimento impediria Israel de atacar o Hezbollah, aliado do Irã no Líbano, já que o grupo xiita rejeitou um cessar-fogo e Israel alega que precisa se defender.
— Quanto mais essa guerra persistir, mais fissuras provavelmente surgirão entre Israel e os Estados Unidos — disse Jones.
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Em certa medida, Trump está numa situação delicada que ele mesmo criou. O presidente americano parece relutante em fechar um acordo com o Irã que críticos linha-dura do Partido Republicano poderiam rotular como uma repetição do acordo nuclear de 2015 do presidente Barack Obama com a República Islâmica. “Nenhum acordo é melhor do que um mau acordo”, é o refrão do grupo de aliados de Trump.
No entanto, a retomada de uma guerra de alta intensidade agravaria o caos econômico, além de colocar as tropas americanas em risco, cinco meses antes das eleições de meio de mandato, nas quais os republicanos já enfrentam uma batalha árdua.
— Fazer com que essa guerra se transforme em um conflito ainda maior às vésperas da eleição não será politicamente vantajoso para os republicanos — avaliou Talmadge. — Mas o status quo também é ruim.
A União Europeia (UE) dará na próxima segunda-feira um novo passo no processo de adesão da Ucrânia e da Moldávia ao bloco. Os embaixadores dos 27 países-membros aprovaram nesta sexta-feira uma posição comum que permite a abertura formal do primeiro bloco de negociações com os dois candidatos, destravando um processo que havia permanecido paralisado por quase dois anos devido à oposição da Hungria.
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A decisão será formalizada em Luxemburgo, onde a UE realizará conferências intergovernamentais separadas com Ucrânia e Moldávia. O avanço ocorre poucos dias após Budapeste retirar o veto que impedia o andamento das negociações, depois de alcançar um acordo com Kiev sobre os direitos da minoria húngara que vive em território ucraniano.
A posição aprovada pelos embaixadores inclui um roteiro para o fortalecimento do Estado de Direito e um plano de ação voltado aos direitos das minorias. Este último foi atualizado para refletir o resultado das consultas realizadas entre os governos da Hungria e da Ucrânia, tema que havia se tornado o principal ponto de atrito entre os dois países.
O processo de adesão à UE é dividido em 33 capítulos, agrupados em seis áreas temáticas. O primeiro, chamado de “fundamentos”, reúne temas ligados ao Estado de Direito, direitos humanos e ao funcionamento do sistema judiciário. Trata-se da primeira etapa formal das negociações e também da última a ser encerrada antes da adesão efetiva.
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A abertura desse agrupamento vinha sendo buscada pela Ucrânia e pela Moldávia desde que os dois países receberam o status de candidatos à adesão. O veto imposto pelo então premier húngaro Viktor Orbán, porém, bloqueou qualquer avanço. Durante o período, autoridades europeias tentaram diversas alternativas para superar o impasse, sem sucesso, e a questão tornou-se um dos principais pontos de atrito entre Budapeste e Kiev. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, criticou repetidamente o bloqueio húngaro e defendeu que a adesão à UE representa uma garantia de segurança para o futuro do país.
Mudança de posição
A mudança de posição da Hungria ocorreu após a eleição do primeiro-ministro Peter Magyar, que assumiu o governo prometendo reconstruir as relações com a Ucrânia. Na semana passada, Magyar afirmou que os dois países alcançaram um acordo sobre os direitos da minoria húngara que vive na região ucraniana da Transcarpátia, tema que há anos está no centro das divergências bilaterais.
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Segundo o premier húngaro, o entendimento prevê a ampliação dos direitos linguísticos, educacionais, culturais e políticos da comunidade húngara na Ucrânia, estimada em cerca de 100 mil pessoas. Entre as medidas anunciadas estão a restauração de um sistema escolar voltado para minorias étnicas, a possibilidade de uso da língua materna em todos os ambientes escolares e a realização de provas em húngaro.
Magyar afirmou ainda que a Ucrânia concordou em incorporar os compromissos assumidos tanto à sua legislação quanto ao plano de ação apresentado a Bruxelas como parte do processo de adesão. Segundo ele, caso essas medidas sejam implementadas, a Hungria apoiará a abertura do primeiro agrupamento das negociações.
Apesar do avanço, o governo húngaro mantém reservas sobre uma eventual aceleração do processo de entrada da Ucrânia no bloco. Magyar declarou que não apoia uma adesão acelerada e afirmou que, se Kiev concluir os 33 capítulos de negociação nos próximos 10 a 15 anos, a questão será submetida a um referendo vinculante na Hungria.
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A comissária europeia para o Alargamento, Marta Kos, por sua vez, comemorou a decisão e afirmou que Ucrânia e Moldávia já estão cumprindo os requisitos relacionados ao Estado de Direito exigidos pelos países-membros. O momento, disse, é de “acelerar o caminho dos dois países rumo à adesão à União Europeia”.
Em publicação nas redes sociais, o presidente Volodymyr Zelensky afirmou que a decisão representa um “apoio político e moral significativo” para os ucranianos. Segundo ele, a Ucrânia está defendendo não apenas seu próprio território, mas também a ideia de uma Europa formada por nações livres, unidas e em paz.
A meta de Kiev é avançar rapidamente nas negociações e abrir todos os seis blocos temáticos ainda entre junho e setembro. O objetivo é demonstrar à população, desgastada pela guerra, que a perspectiva de adesão ao bloco permanece concreta. A estratégia tem o apoio da Comissão Europeia e de vários Estados-membros.
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“Ao aproximar nossas nações, fortalecemos a paz, a segurança e a prosperidade em todo o nosso continente”, afirmaram em comunicado conjunto a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa. Os dois líderes classificaram a decisão desta sexta como um reconhecimento da “determinação, coragem e trabalho árduo” demonstrados por Ucrânia e Moldávia na implementação de reformas, apesar dos desafios.
(Com AFP)

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