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A jovem argentina Narela Micaela Márquez Barreto, de 27 anos, foi encontrada morta na manhã de quinta-feira na área metropolitana de Los Angeles, nos Estados Unidos, após dias desaparecida. Natural de Banfield, na província de Buenos Aires, ela vivia há cerca de dois anos na cidade americana, onde residia sozinha em um apartamento na região central e trabalhava como garçonete.
Em Nova York: Como homem se passou por agente do FBI para tentar libertar Luigi Mangione, acusado de matar CEO nos EUA?
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Narela havia sido vista pela última vez na terça-feira, 23 de janeiro, quando saiu de casa após informar à mãe que “ia trabalhar”. Uma testemunha relatou tê-la visto entrar em um carro de aplicativo em frente ao prédio onde morava. Desde então, não retornou ao apartamento nem manteve contato com familiares ou amigos.
O telefone celular permaneceu ativo até a segunda-feira seguinte, ao meio-dia, quando foi desligado definitivamente, coincidindo com o momento em que a família tomou conhecimento oficial da busca.
A ausência foi percebida por amigas, que deram o alerta na sexta-feira seguinte ao desaparecimento.
Mulher argentina é encontrada morta após seis dias desaparecida em Los Angeles
Reprodução
A polícia de Los Angeles iniciou uma operação de buscas que durou seis dias, concentrada nas imediações da residência da jovem. Detetives analisaram imagens de câmeras de segurança do prédio e da região para tentar reconstruir seus últimos movimentos. A família também tentou identificar o veículo de aplicativo e o trajeto feito pelo motorista, com base nos registros de vigilância.
Diante do desaparecimento, familiares viajaram aos Estados Unidos, e o pai de Narela chegou a Los Angeles durante as buscas. Eles também entraram em contato com o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE), temendo que a jovem tivesse sido detida, hipótese descartada pelo órgão. Segundo a família, toda a documentação migratória de Narela estava regular.
Paralelamente, amigos e conhecidos espalharam cartazes em inglês e espanhol pelo bairro e divulgaram alertas nas redes sociais em busca de informações.
A confirmação oficial da morte foi comunicada diretamente ao pai, já presente nos Estados Unidos.
O corpo foi localizado na mesma cidade em que ela morava e trabalhava, mas o local exato não foi divulgado, por decisão da Justiça, enquanto são realizados exames médicos e periciais.
Até o momento, as autoridades não informaram as causas da morte nem divulgaram detalhes sobre suspeitos ou eventuais responsabilidades. A investigação segue em andamento.
Era para ser uma noite de música em alto volume e ressurreição esportiva. Só a primeira parte deu certo. Espremidos num bar de rock lendário em Pequim, dezenas de jovens se reuniram na noite de sábado para prestigiar quatro bandas da cena independente e assistir à final da Copa Asiática de futebol sub-23, China contra o Japão. Por baixo dos casacos pretos, muitos vestiam a camisa da seleção chinesa. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Preso nos Estados Unidos após se passar por agente do FBI em uma suposta tentativa de libertar Luigi Mangione, um homem de 36 anos identificado como Mark Anderson alegou ter autorização judicial para retirar o detento do Metropolitan Detention Center, no Brooklyn, em Nova York. Mangione é acusado de assassinar o CEO da United Healthcare, Brian Thompson, morto a tiros em 2024.
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De acordo com o documento apresentado à Justiça, Anderson foi até o local afirmou a funcionários do presídio que era agente federal e que portava papéis assinados por um juiz determinando a libertação de um preso.
Embora o nome de Mangione não conste formalmente na acusação, uma fonte das forças de segurança confirmou à BBC que o alvo da tentativa era o réu pelo homicídio do executivo do setor de saúde.
Como o homem foi desmascarado?
A versão apresentada começou a ruir quando Anderson foi questionado sobre suas credenciais. Ele não apresentou identificação oficial do FBI e exibiu apenas uma carteira de motorista do estado de Minnesota. Ainda segundo o relato, o homem declarou estar armado e passou a mostrar e arremessar documentos sobre o balcão, comportamento que aumentou a desconfiança dos funcionários da unidade.
Diante da situação, agentes do Bureau of Prisons decidiram detê-lo e realizaram uma revista em sua bolsa. No interior, encontraram objetos considerados incompatíveis com a função alegada: um grande garfo de dois dentes, semelhante aos usados em churrascos, e uma ferramenta parecida com um cortador de pizza.
Investigadores apuraram que Anderson havia viajado de Mankato, em Minnesota, para Nova York em busca de oportunidades de trabalho. No momento da prisão, ele estava empregado em uma pizzaria local. As autoridades afirmam não haver qualquer indício de que ele mantivesse vínculo legítimo com o FBI ou com o sistema judicial americano.
Após ser detido, Anderson foi levado à Justiça e compareceu perante um juiz na quinta-feira seguinte aos fatos. Ele ainda não apresentou declaração formal de culpa ou inocência e foi acusado de se passar por agente público, crime federal nos Estados Unidos. A BBC informou ter procurado um advogado que, segundo consta, representa o acusado.
Quem é Luigi Mangione?
Luigi Mangione é acusado de assassinar o CEO da United Healthcare, Brian Thompson, e está preso desde 2024, quando foi capturado em um restaurante do McDonald’s na Pensilvânia após uma operação policial que envolveu forças de segurança de vários estados.
Luigi Mangione
Divulgação/ Departamento de Polícia de Altoona
Posteriormente, ele foi extraditado para Nova York. Mangione responde a acusações estaduais e federais pelo assassinato de Brian Thompson e se declarou inocente.
Desde a prisão, o caso passou a atrair atenção nas redes sociais, com manifestações de apoio ao acusado e presença de simpatizantes nas audiências judiciais.
O crime cometido por Mangione reacendeu, nos Estados Unidos, o debate sobre os altos custos do sistema de saúde. O julgamento federal de Mangione é aguardado com expectativa, e a seleção do júri está prevista para setembro.
Uma mulher de Michigan, nos Estados Unidos, viveu, no início deste ano, o desfecho que parecia improvável após mais de 12 meses de incerteza. Julie recebeu a ligação que aguardava desde o verão de 2024: Walker, seu cachorro desaparecido, havia sido encontrado vivo e saudável a cerca de 80 quilômetros de distância, graças à identificação por microchip.
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Walker, um cão de médio porte, branco e peludo, viveu com Julie por seis anos antes de desaparecer de casa, no norte do estado. A ausência deu início a uma longa busca marcada por meses de angústia, esperança e tentativas frustradas de reencontro. O silêncio só foi quebrado quando o animal deu entrada como cão de rua no abrigo do Condado de Kent, em Grand Rapids.
O reencontro no abrigo
Durante a triagem de rotina, funcionários do abrigo escanearam o animal e localizaram um microchip com nome e contato registrados. A ligação feita pela equipe revelou que o cachorro que abanava o rabo diante deles pertencia a Julie, que percorreu dezenas de quilômetros para revê-lo. Segundo o abrigo, assim que ela atravessou as portas, não houve dúvida de que os dois se reconheceram.
“Ficamos todos muito felizes que, depois de tanto tempo separados, esses dois pudessem se reencontrar. Foi realmente a melhor maneira de começar o ano novo”, afirmou Angela Hollinshead, diretora do abrigo, em entrevista à Newsweek. Imagens do momento, divulgadas nas redes sociais, mostram Walker pulando em direção à tutora e fixando os olhos nela “como se nenhum tempo tivesse passado”, segundo a equipe.
A história foi compartilhada para reforçar a importância da microchipagem de animais de estimação. De acordo com dados da Human Animal Support Services, pets com microchip têm, em média, três vezes mais chances de voltar para casa do que aqueles sem identificação eletrônica. Ainda assim, um estudo com 17 abrigos financiados pelo governo mostrou que apenas 18% dos animais de rua chegam aos locais com microchip — cerca de um em cada seis.
Em 2024, o Condado de Kent inaugurou uma estação de microchipagem e leitura que funciona 24 horas por dia, em frente ao Campus Norte do abrigo, em Cedar Springs, iniciativa noticiada pela Fox 17 News. A medida busca facilitar o reencontro de animais perdidos com seus donos, especialmente em regiões mais afastadas. Segundo Hollinshead, dificuldades de transporte e a impossibilidade de faltar ao trabalho são obstáculos frequentes para a recuperação dos pets.
O abrigo também alerta para o aumento de 200% no número de cães abandonados desde 2019 e destaca que coleiras e etiquetas podem se perder com o tempo. “Um microchip não maior que um grão de arroz pode ser o caminho de volta para casa”, escreveu a instituição. “Julie teve uma segunda chance. Nem toda história termina assim.”
Luke Kitterman, de 23 anos, foi encontrado morto após desaparecer sob o gelo de um lago no condado de Clinton, em Illinois, nos Estados Unidos, enquanto tentava salvar seu cachorro, Bourbon. O caso ocorreu na tarde desta segunda-feira (26), por volta das 15h (horário local), durante uma caçada com amigos na região de New Memphis, onde o jovem morava.
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Segundo testemunhas ouvidas pela emissora WTSP, o cachorro caiu no gelo ao tentar pegar um pássaro que havia se afogado. Kitterman reagiu imediatamente, rastejando sobre a superfície congelada para alcançar o animal. No entanto, o gelo cedeu, e ele caiu na água gelada. Em um primeiro momento, o cachorro também voltou a cair, mas o jovem conseguiu resgatá-lo novamente antes de desaparecer sob a água, sem retornar à superfície.
Buscas sob condições extremas
Um amigo tentou alcançar Kitterman, mas não conseguiu atravessar o gelo com segurança, relatou Peyton Matthews, da Polícia de Conservação do Departamento de Recursos Naturais de Illinois. “Eles conseguiram tirar o cachorro da água e colocá-lo em uma canoa, mas infelizmente o perderam de vista”, disse Matthews ao veículo. Equipes de emergência foram acionadas imediatamente, e mergulhadores passaram horas realizando buscas, que foram interrompidas por volta das 21h, quando a operação passou de resgate para recuperação.
Na terça-feira, os trabalhos foram retomados. As equipes precisaram perfurar um buraco de cerca de três polegadas no gelo para permitir a entrada dos mergulhadores no lago. Amigos de Kitterman acompanharam as buscas no local. Horas depois, o corpo do jovem foi localizado.
Descrito pela família como um apaixonado pela natureza, Kitterman era pescador, caçador, ambientalista e membro da organização Ducks Unlimited, segundo seu obituário. “Ele se preocupou muito em garantir que florestas, rios e lagos fossem protegidos para que caçadores e pescadores pudessem desfrutá-los no futuro”, afirmou a família. Luke deixa os pais, um irmão e outros parentes.
Um casal foi punido com 140 chibatadas na província de Aceh, na Indonésia, após ser considerado culpado de violar normas da sharia, a lei islâmica aplicada oficialmente na região. A pena resultou da soma de duas infrações previstas no código penal islâmico local: manter relações sexuais fora do casamento, punida com 100 chibatadas, e consumir álcool, infração que prevê mais 40 golpes.
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A punição foi executada em uma sessão pública de flagelação, prática recorrente em Aceh. A mulher, de 21 anos, recebeu os golpes aplicados por três agentes femininas, que se revezaram no uso de uma vara de rattan, um tipo de bambu tradicionalmente utilizado nesses castigos.
Durante a execução da pena, segundo a rede BBC, ela chorou e acabou desmaiando após um número de golpes que as autoridades classificaram como recorde em uma única sessão pública. Após perder a consciência, foi retirada do local por agentes mulheres e levada de ambulância.
No mesmo evento, outras quatro pessoas também foram castigadas. Entre elas estava um agente da polícia islâmica de Aceh, que recebeu 23 chibatadas ao lado de sua parceira. Segundo as autoridades, ambos foram punidos por estarem em proximidade íntima em um local privado, conduta considerada uma violação da sharia. De acordo com o chefe da polícia islâmica da província, Muhammad Rizal, o agente foi encontrado sozinho com a mulher na casa dela e, além da punição física, seria demitido.
Aceh é a única província da Indonésia autorizada a aplicar oficialmente a sharia, apesar de o país ser majoritariamente muçulmano. Na região, diversas infrações morais e comportamentais são punidas com chibatadas públicas, uma prática em vigor há anos.
Organizações de direitos humanos, no entanto, criticam duramente esse tipo de punição, classificando-a como cruel e desumana. Os grupos alegam que as chibatadas não são devidamente regulamentadas. Segundo eles, as regras deveriam ser aperfeiçoadas, especialmente para garantir apoio físico e psicológico às pessoas submetidas ao castigo após a execução da pena.
Um tarpão de cerca de 1,4 metro morreu após ser retirado da água por dois homens que invadiram, durante a madrugada, o Aquário Encounters of Florida Keys, em Marathon, na Flórida. Segundo o Gabinete do Xerife do Condado de Monroe (MCSO), Derrick Lee Vivian, de 25 anos, e Christopher Jeffrey Smith, de 20, foram acusados de furto qualificado e de retirar da água um tarpão com mais de 40 polegadas — prática proibida pela legislação estadual.
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Imagens de câmeras de segurança mostram a entrada dos suspeitos por volta das 2h50 do dia 25 de maio, horas após o fechamento do local. Eles pescaram o animal em uma lagoa privada, habitat do peixe, e o mantiveram fora d’água por cerca de cinco minutos para fotografias. O tarpão foi devolvido à lagoa, mas funcionários o encontraram morto pouco depois.
Legislação ambiental e riscos à espécie
De acordo com a Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida (FWC), tarpons com mais de 40 polegadas devem permanecer na água, exceto em casos específicos de registro de recorde com etiqueta apropriada. A comissão recomenda manter o peixe — especialmente as guelras — submerso pelo máximo de tempo possível, dentro dos limites de segurança, para reduzir o estresse e aumentar as chances de sobrevivência.
O tarpão é considerado um ícone da pesca esportiva de água salgada no estado. A FWC alerta que o estresse da briga durante a captura pode comprometer a sobrevivência do animal, além do risco de predação por tubarões enquanto o peixe é recolhido; nesses casos, a orientação é trazer o peixe rapidamente e cortar a linha o mais próximo possível do anzol.
Vivian foi preso em 8 de novembro de 2025, e Smith foi fichado na prisão nesta quarta-feira (28), segundo as autoridades. Para réus primários, a pena pode chegar a 60 dias de prisão e multa de até US$ 500.
O MCSO também informou que, em 2024, Smith havia sido autuado por posse de um robalo fora de época e abaixo do tamanho permitido. Na ocasião, agentes abordaram um sedã Nissan em Marathon por suspeita de película escura ilegal; durante a busca, foi encontrado um robalo em um balde. A pesca do robalo é regulamentada desde a década de 1950 na Flórida, com períodos de defeso e limite de um peixe por pessoa por dia, conforme a FWC.
Nas regiões geladas do Ártico e da Antártida, onde o solo permanece congelado por milênios, o aquecimento global vem provocando uma mudança silenciosa, mas profunda. Uma revisão internacional liderada pela Universidade McGill indica que o degelo está ativando comunidades microbianas antes inativas, acelerando a liberação de carbono e intensificando as mudanças climáticas.
Publicado em novembro de 2025 na Nature Reviews Microbiology, o estudo — financiado pelo Conselho de Ciências Naturais e Engenharia do Canadá, pelo Programa de Cátedras de Pesquisa do Canadá e pela Agência Espacial Canadense — reúne dados de ambientes árticos, antárticos, alpinos e subárticos. A análise mostra que micróbios presentes em geleiras, permafrost e gelo marinho exibem atividade sem precedentes à medida que as temperaturas sobem.
Degelo ativa metabolismo e libera gases
Segundo os autores, o aquecimento acelera o metabolismo microbiano e a decomposição da matéria orgânica armazenada no solo congelado, liberando dióxido de carbono e metano, dois dos principais gases de efeito estufa. “Sabemos que essas mudanças terão consequências significativas não apenas para o ciclo global do carbono, mas também para as comunidades humanas, a segurança alimentar e econômica e a liberação de toxinas”, afirmou Scott Sugden, coautor do estudo e pesquisador do Laboratório de Microbiologia Polar da Universidade McGill.
A revisão identifica um padrão comum: em solos congelados, a atividade microbiana é limitada pela baixa temperatura e pela escassez de nutrientes. Com o degelo, essas restrições diminuem e o ciclo do carbono se acelera. Além disso, o descongelamento do permafrost pode liberar poluentes acumulados por séculos, como o mercúrio, que podem se espalhar por rios e cadeias alimentares, ultrapassando as fronteiras polares.
Os pesquisadores também destacam que fatores como oxigênio e umidade do solo após o degelo influenciam fortemente o comportamento microbiano. Mudanças nessas condições podem alterar, de forma imprevisível, os ritmos de liberação de carbono.
Apesar dos avanços, a microbiologia polar ainda enfrenta limites de dados históricos. “Nossos registros mais antigos começam no início dos anos 2000”, observou Sugden, o que dificulta projeções de longo prazo. Para superar barreiras logísticas e financeiras, os autores defendem maior coordenação internacional e o uso de ferramentas simples. “Dados consistentes, mesmo básicos, podem fazer uma grande diferença”, disse Christina Davis, coautora e especialista em astrobiologia.
“A atividade microbiana nos polos está mudando mais rápido do que imaginávamos”, alertou Sugden. A revisão conclui que ampliar a coleta de dados e a colaboração global será decisivo para antecipar os impactos desses microrganismos no clima do planeta.
Nas regiões geladas do Ártico e da Antártida, onde o solo permanece congelado por milênios, o aquecimento global vem provocando uma mudança silenciosa, mas profunda. Uma revisão internacional liderada pela Universidade McGill indica que o degelo está ativando comunidades microbianas antes inativas, acelerando a liberação de carbono e intensificando as mudanças climáticas.
Publicado em novembro de 2025 na Nature Reviews Microbiology, o estudo — financiado pelo Conselho de Ciências Naturais e Engenharia do Canadá, pelo Programa de Cátedras de Pesquisa do Canadá e pela Agência Espacial Canadense — reúne dados de ambientes árticos, antárticos, alpinos e subárticos. A análise mostra que micróbios presentes em geleiras, permafrost e gelo marinho exibem atividade sem precedentes à medida que as temperaturas sobem.
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Segundo os autores, o aquecimento acelera o metabolismo microbiano e a decomposição da matéria orgânica armazenada no solo congelado, liberando dióxido de carbono e metano, dois dos principais gases de efeito estufa. “Sabemos que essas mudanças terão consequências significativas não apenas para o ciclo global do carbono, mas também para as comunidades humanas, a segurança alimentar e econômica e a liberação de toxinas”, afirmou Scott Sugden, coautor do estudo e pesquisador do Laboratório de Microbiologia Polar da Universidade McGill.
A revisão identifica um padrão comum: em solos congelados, a atividade microbiana é limitada pela baixa temperatura e pela escassez de nutrientes. Com o degelo, essas restrições diminuem e o ciclo do carbono se acelera. Além disso, o descongelamento do permafrost pode liberar poluentes acumulados por séculos, como o mercúrio, que podem se espalhar por rios e cadeias alimentares, ultrapassando as fronteiras polares.
Os pesquisadores também destacam que fatores como oxigênio e umidade do solo após o degelo influenciam fortemente o comportamento microbiano. Mudanças nessas condições podem alterar, de forma imprevisível, os ritmos de liberação de carbono.
Apesar dos avanços, a microbiologia polar ainda enfrenta limites de dados históricos. “Nossos registros mais antigos começam no início dos anos 2000”, observou Sugden, o que dificulta projeções de longo prazo. Para superar barreiras logísticas e financeiras, os autores defendem maior coordenação internacional e o uso de ferramentas simples. “Dados consistentes, mesmo básicos, podem fazer uma grande diferença”, disse Christina Davis, coautora e especialista em astrobiologia.
“A atividade microbiana nos polos está mudando mais rápido do que imaginávamos”, alertou Sugden. A revisão conclui que ampliar a coleta de dados e a colaboração global será decisivo para antecipar os impactos desses microrganismos no clima do planeta.
O Telescópio Espacial James Webb confirmou a existência de uma galáxia que já emitia luz apenas 280 milhões de anos após o Big Bang, estabelecendo um novo marco na observação do universo primitivo. Batizada de MoM-z14, a galáxia foi identificada por meio de análises espectroscópicas com o instrumento NIRSpec, o espectrógrafo de infravermelho próximo do Webb, e revela condições físicas muito diferentes das previstas pelos modelos teóricos atuais.
A equipe liderada por Rohan Naidu, do Instituto Kavli de Astrofísica e Pesquisa Espacial do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), determinou que a MoM-z14 possui um desvio para o vermelho de 14,44, o que indica que sua luz levou cerca de 13,5 bilhões de anos para alcançar a Terra. Os resultados foram divulgados no servidor de pré-publicações arXiv e descritos no Open Journal of Astrophysics. Segundo Naidu, “com o Webb, podemos ver mais longe do que nunca, e é completamente diferente do que previmos”, avaliação que sintetiza o impacto da descoberta para a cosmologia.
Uma galáxia brilhante demais para seu tempo
A confirmação espectroscópica, ressaltada por Pascal Oesch, da Universidade de Genebra, é considerada essencial para garantir a distância e a natureza do objeto observado. A MoM-z14 integra um grupo crescente de galáxias inesperadamente brilhantes para uma época tão remota do universo, chegando a superar em até 100 vezes o brilho estimado pelos modelos atuais. Para o pesquisador Jacob Shen, pós-doutorando do MIT, esse descompasso “levanta questões instigantes que precisam ser exploradas no futuro”.
Outro aspecto que chama atenção é o alto teor de nitrogênio presente na MoM-z14. Elementos semelhantes são encontrados em estrelas muito antigas da Via Láctea, sugerindo um paralelo entre fósseis galácticos próximos e galáxias observadas a distâncias extremas. Naidu compara o processo a uma arqueologia cósmica, em que o Webb permite observar diretamente características químicas do universo primordial.
A idade da galáxia impõe um desafio adicional aos modelos de evolução química, já que o curto intervalo entre o Big Bang e sua formação parece insuficiente para que várias gerações de estrelas enriquecessem o ambiente com tanto nitrogênio. Os pesquisadores levantam a hipótese de que estrelas supermassivas, comuns em regiões densas do universo primitivo, tenham desempenhado papel central nesse processo.
Além da composição química, a MoM-z14 oferece pistas sobre a reionização, fase em que a luz das primeiras estrelas dissipou a névoa de hidrogênio primordial, permitindo que a radiação se propagasse livremente. A confirmação de galáxias tão antigas ajuda a refinar a cronologia desse período-chave da história cósmica, algo inviável antes do Webb.
Antes dele, o Telescópio Espacial Hubble havia identificado a galáxia GN-z11, formada cerca de 400 milhões de anos após o Big Bang. O Webb confirmou essa medição e avançou ainda mais no passado, revelando que galáxias brilhantes nos primeiros 500 milhões de anos do universo talvez não sejam exceções. Como resumiu Yijia Li, da Universidade Estadual da Pensilvânia, “este é um momento incrivelmente empolgante”, que evidencia o quanto o universo primitivo ainda reserva surpresas.

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