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Quem diria que um simples passeio pelo sótão renderia um brinde à história americana. Ao comprar um imóvel histórico em Atlanta, o empresário Jeff Notrica acabou encontrando um antigo barril de Coca-Cola escondido havia mais de um século — uma descoberta inesperada em um dos endereços mais simbólicos da trajetória da bebida.
Notrica, presidente da Inman Park Properties, adquiriu em setembro o edifício de número 125 da Edgewood Avenue por quase US$ 1 milhão. Só depois da compra veio a surpresa: um barril de madeira de cinco galões, datado da década de 1900 e possivelmente usado para armazenar o xarope original da Coca-Cola, segundo informações do The Atlanta Journal-Constitution. O imóvel pertenceu a Asa Candler, magnata que consolidou a empresa no fim do século XIX.
Um prédio que atravessou crises e transformações
Com cerca de 135 anos, o edifício é um dos últimos remanescentes dos primeiros anos da Coca-Cola em Atlanta, cidade onde a companhia mantém até hoje sua sede. No local funcionou a primeira fábrica de engarrafamento da marca na cidade, pouco depois de a empresa expandir suas operações além das fontes de refrigerante. A Coca-Cola foi criada em 1886 e, dois anos depois, teve sua receita comprada por Candler. Em 1899, um acordo simbólico de US$ 1 com os advogados Benjamin Thomas e Joseph Whitehead abriu caminho para a rápida expansão da marca, que chegou a Atlanta em 1900 e deixou a Edgewood Avenue em 1901, rumo a uma nova unidade na Spring Street.
Decidido a preservar o legado do prédio, Notrica planeja transformar o espaço de tijolos aparentes em um empreendimento comercial, como uma cafeteria ou uma casa de shows de comédia. “É extremamente empolgante estar envolvido em algo que é tão essencialmente Atlanta”, disse ele ao Journal-Constitution. O empresário afirma ter se motivado após ver diversos edifícios históricos da cidade serem demolidos ao longo dos anos.
Para a restauração, ele contratou a especialista Alison Gordon, também natural de Atlanta, que trabalha em parceria com o Atlanta Preservation Center. Mesmo com as obras ainda em andamento, a propriedade foi colocada à venda por US$ 3 milhões, numa tentativa de atrair um novo inquilino que ajude a financiar a conclusão do projeto, segundo o corretor Danny Glusman. Por ser considerado histórico, o prédio pode ainda receber créditos fiscais estaduais.
Além da ligação com a Coca-Cola, o edifício atravessou momentos decisivos da história local, como o Massacre Racial de Atlanta de 1906 e o Movimento dos Direitos Civis. “Serviu como um lembrete visual de nossas conquistas, nossos sucessos, nossas esperanças e nossos sonhos”, afirmou W. Wright Mitchell, presidente e CEO do Georgia Trust for Historic Preservation, ao Journal-Constitution. Hoje presente em mais de 200 países, a Coca-Cola segue como o refrigerante mais consumido do mundo, com faturamento anual de bilhões de dólares — uma trajetória que, ao que tudo indica, ainda guarda histórias esquecidas nos sótãos de Atlanta.
Era para ser uma fuga — e acabou como um epitáfio coletivo. Na noite gelada de 30 de janeiro de 1945, o MV Wilhelm Gustloff, um gigante dos mares transformado em navio de evacuação, afundou em menos de uma hora no Mar Báltico após ser atingido por três torpedos soviéticos. O saldo foi devastador: mais de 9 mil mortos, número seis vezes superior ao do naufrágio do Titanic, no episódio considerado hoje o mais letal desastre naval da história.
Por quase 30 anos, soldado japonês da Segunda Guerra viveu perdido em uma ilha, crendo que a guerra continuava
O contexto era o colapso da Alemanha nazista nos meses finais da Segunda Guerra Mundial. Cercada pelo avanço do Exército Vermelho pelo leste e pelos Aliados pelo oeste, a população alemã que vivia na Prússia Oriental tentava escapar a qualquer custo. Portos do Báltico, como Gdynia, tornaram-se a última rota de fuga. Dentro da chamada Operação Aníbal, mais de mil embarcações foram mobilizadas para retirar civis, militares e técnicos da região.
Naufrágio do MV Wilhelm Gustloff
Divulgação/Museu Wilhelm Gustloff
Um gigante fora de lugar
Construído em 1936 e lançado em 1938, o Wilhelm Gustloff não nasceu para a guerra. Concebido como símbolo do programa nazista “Kraft durch Freude” (Força pela Alegria), era um luxuoso hotel flutuante, com piscina aquecida, grandes refeitórios e cabines padronizadas. Batizado em homenagem a Wilhelm Gustloff, dirigente nazista suíço assassinado em 1937, o navio serviu inicialmente ao lazer da classe trabalhadora alemã.
Com o início do conflito, sua função mudou várias vezes: navio-hospital, transporte militar, alojamento da Marinha. Em 1945, já pintado de cinza e armado com canhões antiaéreos, foi designado para evacuação em massa. Embora tivesse capacidade para cerca de 1.900 passageiros, zarpou superlotado, levando mais de 10 mil pessoas — entre civis, mulheres, crianças, enfermeiras da Marinha e cerca de mil cadetes de submarino.
A viagem, que deveria seguir até Kiel, começou sob caos. Pessoas se amontoavam nos conveses, muitas expostas a temperaturas abaixo de zero. A piscina interna foi esvaziada para servir como enfermaria improvisada. Ainda assim, o navio era visto como a melhor chance de sobrevivência.
Três torpedos na escuridão
Naquela noite, decisões equivocadas selaram o destino do Gustloff. Apesar de recomendações para navegar sem luzes e próximo à costa, o capitão Friedrich Petersen optou por seguir em águas profundas. Ao receber informações sobre a aproximação de um comboio alemão, ordenou que as luzes de navegação fossem acesas — tornando o navio um alvo fácil.
O submarino soviético S-13, comandado por Alexander Marinesko, avistou o transatlântico iluminado e o seguiu por cerca de duas horas. Pouco depois das 21h, três torpedos atingiram o casco, destruindo os motores e cortando a energia. O navio mergulhou na escuridão e no pânico.
Em menos de 40 minutos, o Wilhelm Gustloff começou a adernar. Muitos botes salva-vidas estavam congelados e não puderam ser lançados. Escadas ficaram bloqueadas, milhares ficaram presos nos conveses inferiores e a maioria dos que saltaram ao mar morreu rapidamente de hipotermia. Apenas cerca de 1.200 pessoas sobreviveram.
Silêncio, memória e debate histórico
A tragédia foi abafada pelo regime nazista, temeroso de desmoralizar uma população já à beira do colapso. O episódio passou quase despercebido no fim da guerra. Décadas depois, historiadores ainda debatem se o ataque pode ser classificado como crime de guerra, dado o grande número de civis a bordo — embora o navio estivesse armado e operasse como transporte militar.
O comandante soviético Marinesko, longe de ser celebrado à época, foi punido por indisciplina e só recebeu reconhecimento oficial anos depois, já postumamente. Hoje, o casco do Wilhelm Gustloff repousa a 44 metros de profundidade no Mar Báltico, considerado um túmulo subaquático e protegido por lei.
A história voltou à tona em livros e filmes, como Nacht fiel über Gotenhafen (1959) e Die Gustloff (2008), além do romance Lágrimas no Mar, de Ruta Sepetys.
Paris aprendeu cedo, e da pior forma, que a guerra moderna também vinha do céu. Quando os primeiros ruídos metálicos cortaram o ar da capital francesa, em agosto de 1914, ainda não se falava em radar, sirenes ou defesa antiaérea sofisticada. Falava-se em medo. E, mais tarde, em ilusão — no sentido mais literal da palavra.
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Desde o início da Primeira Guerra Mundial, a cidade foi alvo de bombardeios alemães, primeiro esporádicos, depois cada vez mais letais. Em 29 de janeiro de 1916, dois zepelins lançaram bombas sob um céu de inverno, matando 24 civis e ferindo outros 30. O ataque aprofundou o trauma coletivo iniciado meses antes, quando aeronaves — até então usadas apenas para reconhecimento — passaram a ser armas de destruição. A ameaça aérea expunha sobretudo mulheres e crianças, longe de qualquer frente de batalha.
O luto tomou as ruas dias depois. Em 7 de fevereiro, milhares de parisienses acompanharam um funeral solene até a igreja de Notre-Dame de la Croix, no leste da cidade. Ao presidir a cerimônia, o cardeal Léon-Adolphe Amette afirmou que as vítimas haviam tombado “não em um campo de batalha”, mas sob a barbárie da guerra moderna, em referência aos ataques alemães.
Uma capital feita de luz e papelão
Os bombardeios não cessaram. Em 1917, enquanto Londres se tornava o principal alvo do novo bombardeiro pesado alemão Gotha G.IV, os franceses passaram a esperar que Paris voltasse à mira. Foi então que o Ministério da Guerra apostou numa estratégia incomum: construir uma Paris falsa para ser bombardeada no lugar da verdadeira.
A lógica era simples e arriscada. Sem instrumentos de navegação avançados, os pilotos alemães se guiavam por referências visuais, como o curso do rio Sena, ferrovias e zonas industriais. A solução foi criar réplicas dessas paisagens fora da cidade, capazes de enganar observadores aéreos durante ataques noturnos.
O plano permaneceu secreto até 1920, quando a imprensa britânica revelou os detalhes. Segundo o jornal The Globe, a França chegou a erguer uma “capital inteira” fictícia, com ruas, casas, fábricas, trilhos e estações de trem. A reportagem fotográfica do The Illustrated London News, publicada em novembro daquele ano, mostrou mapas e imagens da operação, descrita como “uma Paris falsa fora de Paris”.
A concepção ficou a cargo do engenheiro elétrico italiano Fernand Jacopozzi, conhecido na época como o “mágico da luz”. Contratado pela Défense Contre Avions (DCA) no fim de 1917, com aval do então primeiro-ministro Georges Clémenceau, Jacopozzi aplicou sua experiência em iluminação monumental para criar cenários verossímeis vistos do céu, sem exageros que levantassem suspeitas.
Três zonas de isca foram planejadas. A principal ficava em Maisons-Laffitte, aproveitando uma curva do Sena semelhante à que corta o centro de Paris. Outras duas imitariam áreas industriais e ferroviárias: Vaires-sur-Marne, a leste, e Villepinte, ao nordeste, como réplica de Saint-Denis. Em Villepinte, Jacopozzi chegou a construir uma falsa Gare de l’Est, com vagões de madeira e faixas de luz simulando trens em movimento. Fábricas de papelão, tetos de lona e jogos de lâmpadas reproduziam incêndios e colunas de fumaça industriais.
Apesar da sofisticação, o projeto nunca entrou em operação. As obras começaram apenas em 1918 e uma das três zonas foi parcialmente concluída. Em setembro daquele ano, um bombardeiro alemão ainda atingiu Paris real, matando seis pessoas. Dois meses depois, com o armistício de novembro de 1918, a guerra terminou, e a cidade falsa foi desmontada sem jamais ter sido testada em combate.
Ainda assim, o governo francês considerou a iniciativa uma defesa relevante contra futuras ameaças, segundo registros do The Globe. O autor da façanha permaneceu anônimo por algum tempo, embora Jacopozzi tenha sido condecorado com a Legião de Honra. Nos anos seguintes, tornou-se uma figura central na transformação visual de Paris, iluminando a Torre Eiffel, a Praça da Concórdia e o Arco do Triunfo, além do célebre painel luminoso da Citroën exibido na torre.
Após sua morte, em 1932, os obituários celebraram o artista da luz, mas silenciaram sobre sua contribuição ultrassecreta à defesa francesa. A Paris falsa, feita de madeira, lona e lâmpadas, acabou esquecida — um lembrete de que, na guerra, até a salvação pode depender de uma boa encenação.
A ciência moderna permanece dividida sobre um dos artefatos mais intrigantes da arqueologia antiga: a chamada Bateria de Bagdá. Quase noventa anos após sua descoberta, um novo estudo experimental reacendeu o debate ao propor que este objeto, datado entre os séculos I e III d.C., não era uma simples célula eletroquímica rudimentar, mas sim um dispositivo com duas células conectadas em série, capaz de gerar mais de 1,4 volts — uma potência muito superior à que lhe era atribuída anteriormente. No entanto, para diversos especialistas, a explicação elétrica permanece pouco convincente.
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O objeto foi descoberto em 1936 durante escavações em Khujut Rabu, a poucos quilômetros de Bagdá, em camadas que datam do período Parta. Segundo as descrições, consistia em um vaso de cerâmica não vidrada contendo um cilindro de cobre selado com asfalto, dentro do qual havia uma haste de ferro suspensa sem tocar as paredes metálicas. O formato do objeto levou o então diretor do Museu do Iraque, Wilhelm König, a sugerir em 1938 que poderia ser um “elemento galvânico”, uma hipótese que desde então oscila entre o fascínio científico e o ceticismo acadêmico.
Um dos críticos mais influentes dessa ideia foi o químico alemão Gerhard Eggert, que analisou o dispositivo sob uma perspectiva histórica e eletroquímica. Em seu estudo, Eggert argumentou que, embora seja possível gerar uma diferença de potencial imergindo dois metais diferentes em um eletrólito, o projeto do objeto não permitiria uma corrente estável ou útil por um período razoável.
Segundo sua análise, os ácidos orgânicos disponíveis na antiguidade — como sucos fermentados ou líquidos naturalmente ácidos — seriam muito fracos para sustentar reações significativas, e a construção selada do cilindro de cobre teria impedido a entrada de oxigênio, reduzindo rapidamente a corrente a níveis insignificantes. Para Eggert, a explicação mais provável é que se tratava de um recipiente ritual ou mágico, possivelmente destinado a guardar textos, bênçãos ou feitiços escritos em materiais orgânicos.
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Cortesia de Alexander Bazes
Essa interpretação contradiz diretamente o estudo publicado em janeiro de 2026 na revista Sino-Platonic Papers pelo pesquisador independente Alexander Bazes. Após uma reconstrução detalhada do artefato, Bazes afirma ter identificado um elemento-chave que havia sido negligenciado em experimentos anteriores: o papel ativo do vaso de cerâmica.
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Segundo a proposta, o dispositivo funcionaria como duas baterias em uma. A célula “interna” seria composta pela haste de ferro e pelo recipiente de cobre com um eletrólito ácido, enquanto a célula “externa” aproveitaria a porosidade da cerâmica e a presença de solda à base de estanho para criar uma bateria metal-ar, na qual o oxigênio atmosférico atuaria como cátodo.
Nessa configuração, ambas as células estariam conectadas em série, permitindo atingir uma voltagem superior a 1,4 volts. De acordo com os experimentos descritos, essa energia seria suficiente para produzir efeitos visíveis e “úteis”, como a eletrólise da água, a formação de bolhas de gases, a corrosão de superfícies metálicas ou processos de eletrocorrosão. Bazes argumenta que esse resultado constitui a evidência mais forte até o momento de que um conhecimento prático — embora não teórico — de eletroquímica pode ter existido no antigo Oriente Médio, quase dois milênios antes dos experimentos de Alessandro Volta.
A proposta, no entanto, está longe de resolver o debate. Em uma análise publicada pela Chemistry World, o próprio Bazes reconhece que sua interpretação não convence todos os especialistas. Alguns arqueólogos apontam que a ausência de outros dispositivos elétricos, aplicações tecnológicas documentadas ou referências escritas a processos eletroquímicos na antiguidade enfraquece a hipótese da bateria. Eles acreditam que o objeto poderia ter servido a propósitos simbólicos ou rituais.
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William Hafford, arqueólogo da Universidade da Pensilvânia e curador do Museu Penn, estudou fragmentos do artefato — agora desaparecido após ter permanecido em um museu iraquiano até 2003 — e se mostra cético quanto à ideia de que se tratava de uma bateria funcional. Hafford destaca que achados semelhantes na região, incluindo recipientes com múltiplos cilindros de cobre encaixados, sugerem dispositivos mágicos mais prováveis. Nesse contexto, o procedimento envolveria inserir uma oração ou maldição escrita em papel, selar o recipiente com betume e enterrá-lo como parte de um ritual dirigido a divindades do submundo.
Curiosamente, o próprio Bazes não descarta completamente uma função ritual. Embora seu estudo demonstre que o objeto poderia ter funcionado eficazmente como uma bateria, ele propõe que essa capacidade energética poderia ter sido usada para “corroer ritualmente” uma oração enrolada na haste de ferro, oferecendo evidências visuais de que uma força invisível havia agido sobre ela.
Assim, longe de solucionar o enigma, as novas experiências aprofundaram a controvérsia. A Bateria de Bagdá continua oscilando entre dois mundos: o de uma possível tecnologia eletroquímica à frente de seu tempo e o de um objeto ritual cuja forma, interpretada com olhos modernos, alimenta um dos debates mais persistentes entre arqueologia, química e história da ciência.
O Papa Leão XIV voltará em breve a residir no Palácio Apostólico, no Vaticano, uma tradição interrompida por 12 anos e 39 dias pelo Papa Francisco, já que as reformas iniciadas logo após sua eleição estão quase concluídas. Mas a surpresa é que ele não retornará ao tradicional andar nobre dos aposentos papais, mas sim a um mezanino ou sótão localizado entre a terceira Loggia – o terceiro andar de onde ele aparece todos os domingos – e o telhado do Palácio Apostólico, como revelou nesta sexta-feira o jornal La Repubblica.
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Trata-se de um apartamento independente e pouco visível do exterior, exceto por algumas pequenas janelas que podem ser vistas logo acima das enormes bem conhecidas pelos fiéis que vêm à Praça de São Pedro aos domingos para a oração mariana do Angelus.
Embora os setores mais conservadores e nostálgicos talvez esperassem um retorno à “normalidade” — isto é, o retorno do Papa ao “Apartamento”, como o chamam, já que muitos haviam vivenciado como um trauma a decisão disruptiva do papa argentino de residir na residência de Santa Marta — Robert Prevost, o primeiro papa americano, queria algo diferente, algo igualmente original. E, com seu pragmatismo americano, solicitou que o mezanino mencionado, ou “mansarda” em italiano, fosse reformado — um espaço mais simples, mais privado e mais austero do que o apartamento papal, onde também foi instalada uma academia.
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Uma residência sóbria e simples
Prevost, nascido em Chicago há 70 anos, ao contrário de seu antecessor argentino, é um papa esportivo. Aliás, ele instituiu o costume de reservar todas as terças-feiras para relaxar e se exercitar — jogando tênis ou nadando — na residência de Castel Gandolfo, nos arredores de Roma.
No mezanino para onde em breve se mudará, Leão XIV terá à sua disposição um amplo ginásio com vista para o interior do Palácio, mais especificamente para a torre onde funciona o Instituto para as Obras de Religião (IOR). Seu quarto também estará voltado para essa direção e não terá vista para a Praça de São Pedro. Essa decisão foi motivada não apenas por questões de privacidade, mas também por preocupações com a segurança. Por esse motivo, o efeito da luz acendendo e apagando no quarto papal, que muitos lembram da época da dramática agonia de São João Paulo II (1978-2005), não existirá mais.
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“Leão XIV permanecerá em uma esfera menos exposta e menos solene”, observou La Repubblica, que destacou que, embora o apartamento papal histórico nunca tenha sido opulento, os aposentos para onde Prevost se mudará são “certamente austeros”.
Tudo foi pintado de branco, não porque essa seja a cor do hábito do líder dos 1,4 bilhão de católicos do mundo, mas por uma questão de simplicidade. A simplicidade também definiu a decoração e os móveis aparentemente “essenciais”.
O quarto de Leão XIV – que viveu metade de sua vida sacerdotal no Peru – não possui banheiro privativo, sendo o acesso feito por um corredor; e a cozinha ali construída também é básica.
O mezanino também tinha espaço para mais dois quartos para seus dois secretários particulares – o peruano Edgar Iván Rimaycuna e o italiano Marco Billeri – e uma capela, que é muito menor do que a da Terza Loggia.
“Enquanto no piso térreo um imponente lustre ilumina a entrada, no piso superior foi escolhida uma luminária LED mais moderna e informal”, detalhou o jornal. “León também poderá rezar no terraço na cobertura, onde João Paulo II desejava colocar uma réplica da Gruta de Lourdes e onde antes havia uma fonte”, acrescentou.
Desde sua eleição em 8 de maio, o Papa Leão X continuou a viver no mesmo apartamento no antigo edifício do Santo Ofício, onde residia como cardeal e prefeito do Dicastério para os Bispos. No entanto, logo anunciou sua intenção de retornar ao Palácio Apostólico, onde grandes reformas haviam começado: devido ao desuso, o edifício estava em ruínas, com infiltrações e manchas de umidade que já existiam durante o papado de Bento XVI (2005-2013).
Foi necessário, portanto, reconstruir todo o sistema elétrico e hidráulico, que também foi modernizado. No entanto, a obra de restauração também foi demorada, pois o Vaticano dispõe de poucos funcionários e, além disso, presume-se que também foi necessário equipar esse novo espaço com um escudo virtual contra possíveis invasões cibernéticas.
A decisão de se mudar para um mezanino em vez do “piano nobile”, versão confirmada ao La Nacion por uma fonte, é vista como mais um sinal de continuidade com Francisco, que sempre foi austero e detestava os adornos e a “corte” do Vaticano.
Nas reuniões que antecederam o conclave após a sua morte, vários cardeais sugeriram que o novo Papa regressasse ao Palácio Apostólico, não só por uma questão de tradição, mas também por razões de segurança. Leão regressará agora, mas à sua maneira.
Os Estados Unidos e a Argentina estão em negociações avançadas para assinar um acordo que permitiria aos EUA deportar imigrantes de outros países para a nação sul-americana, de acordo com duas pessoas familiarizadas com as negociações e documentos do governo americano obtidos pelo The New York Times. As negociações ocorrem em um momento em que o governo Trump mobilizou um esforço de deportação amplo e agressivo, incluindo o envio de agentes de imigração para cidades americanas, às vezes com consequências fatais. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
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De forma similar ao feito com a Venezuela, que viu a montagem de uma presença militar americana perto de sua costa antes da captura de Nicolás Maduro e sua mulher, Cilia Flores, em 3 de janeiro, o governo de Donald Trump vem reforçando a presença militar perto do Irã como parte de uma campanha de pressão para forçar o país à negociação sobre seu programa nuclear. O atual deslocamento de recursos militares americanos para a região, que inclui chegada do porta-aviões americano USS Abraham Lincoln após um deslocamento de 11 dias a partir do Mar da China, é o maior já realizado desde que os EUA atacaram o país persa em junho do ano passado, quando bombardeiros B-2 lançaram 14 bombas fura-bunkers de 13.600 kg sobre três instalações nucleares da República Islâmica. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O líder chinês, Xi Jinping, afirmou que grandes perigos e oportunidades frequentemente chegam juntos. Isso se aplica especialmente a ele agora, após ter desmantelado o alto comando das Forças Armadas da China, deixando um vácuo que se espera que ele preencha com uma nova geração de leais escolhidos a dedo. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira as prisões de dois jornalistas, além de dois ativistas, por acusações ligadas a um protesto em uma igreja em Minnesota, há cerca de dez dias. Entre os presos está Don Lemon, ex-âncora da rede CNN e crítico do presidente Donald Trump, a quem já chamou de racista e mentiroso. Embora as autoridades apontem violações de leis federais, a ação é encarada como um novo e perigoso capítulo dos ataques do trumpismo à imprensa livre, que incluem processos bilionários, corte de financiamento e interferência editorial.
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Lemon foi detido na noite de quinta-feira em Los Angeles, onde cobriria os Grammys, no domingo. Em comunicado, seu advogado, Abbe Lowell, citou a carreira de mais de 30 anos do jornalista, prometeu derrubar as acusações no tribunal e disse se tratar de um “ataque sem precedentes à Primeira Emenda” da Constituição, que trata da liberdade de expressão.
O processo contra Don Lemon gira em torno de um protesto em uma igreja de Saint Paul, em Minnesota, no dia 18. Na ocasião, manifestantes apontaram que o pastor prestou serviços para o ICE, o serviço de controle de imigração à frente da devassa promovida por Trump contra estrangeiros nos Estados Unidos, e interromperam a cerimônia. A secretária de Justiça, Pam Bondi, prometeu punir os envolvidos “com toda a força da lei federal”. Lemon rejeita os argumentos.
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Nos últimos dias, pedidos de prisão contra Lemon e a jornalista independente Georgia Fort — detida na sexta-feira — foram negados por tribunais. Mas o Departamento de Justiça afirmou que um Grande Júri aceitou as acusações contra os jornalistas, além dos ativistas Trahern Jeen Crew e Jamael Lydell Lundy, pelos crimes de conspiração para violar direitos constitucionais e violação à expressão de prática religiosa.
Após audiência judicial, todos foram liberados para responder em liberdade, e Lemon foi autorizado a viajar ao exterior em junho.
— A Primeira Emenda da Constituição protege esse trabalho para mim e para inúmeros outros jornalistas que fazem o que eu faço. Estou ao lado de todos eles e não ficarei em silêncio — disse Lemon, logo após a audiência, em Los Angeles. — Repito, não vou parar agora. Nunca vou parar.
Don Lemon, jornalista preso nesta sexta-feira, durante premiere de documentário
Angela Weiss / AFP
Ex-âncora da CNN, de onde foi demitido após comentários sexistas sobre a então pré-candidata republicana à Presidência Nikki Haley, Don Lemon é um antigo algoz de Donald Trump. Desde o nascimento político de Trump, Lemon já o chamou de mentiroso, corrupto e racista, e foi ameaçado várias vezes pela equipe jurídica do presidente. Há alguns dias, alertou que o governo federal poderia “adequar” a legislação para prendê-lo.
— Se uma coisa não funciona, eles tentam outra, e essa também falha, e eles tentam outra coisa, e aí eles simplesmente não desistem, porque, sabe, eles querem manter as aparências, mas eu não sei o que vem depois — declarou ao site Scripps News no domingo.
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A detenção foi duramente atacada por adversários de Trump e organismos de defesa da liberdade de expressão. A presidente do Comitê para a Proteção dos Jornalistas, Jodie Ginsberg, disse que “as prisões são apenas as mais recentes em uma série de ameaças crescentes à imprensa nos Estados Unidos”. Hakeem Jeffries, líder da minoria democrata na Câmara, afirmou que “o Departamento de Justiça de Trump é ilegítimo e todos esses extremistas serão responsabilizados por seus crimes”.
A Casa Branca não pareceu se importar: na conta oficial na rede social X, fez uma publicação com a frase “Se a vida te dá limões…”, um emoji de correntes e uma imagem com a notícia da prisão de Don Lemon (limão, em inglês).
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Antes de chegar à Presidência, Trump jamais escondeu seu desdém por jornalistas. Em 2015, em um discurso no qual elogiou o presidente russo, Vladimir Putin (há 26 anos no poder), disse que “jamais mataria jornalistas”, mas que os odeia e que “alguns são pessoas mentirosas e nojentas”.
Em seu primeiro mandato, a imprensa não teve vida fácil, com ataques pessoais a veículos de imprensa e jornalistas, também alvos de sua milícia digital. Após o retorno à Casa Branca, o jornalismo não se tornou apenas um algoz incômodo, mas sim um alvo preferencial.
A começar pela mídia pública. Em janeiro, a Corporação para Radiodifusão Pública, responsável por financiar cerca de 1,5 mil veículos públicos nos EUA, fechou as portas após um corte de US$ 1,1 bilhão autorizado pelo Congresso. Segundo a Casa Branca, o dinheiro estava financiando veículos de comunicação “enviesados”.
Fachada da PBS, a rede de TV pública federal dos EUA
Kayla Bartkowski / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP
Na mídia privada, a interferência fala um idioma bem conhecido por Trump: os processos.
Em 2024, ele processou a rede ABC depois que um apresentador, George Stephanopoulos, disse em entrevista que Trump foi condenado pelo estupro de uma escritora nos anos 1990 – a defesa do presidente reconheceu que ele foi condenado, mas por abuso sexual. Após a vitória do republicano, a empresa fechou um acordo para pagar US$ 15 milhões a Trump. Em setembro passado, a mesma ABC, parte do grupo Disney, suspendeu por uma semana o programa do comediante Jimmy Kimmel, após comentários sobre a morte do ativista Charlie Kirk que enfureceram Trump e seus aliados.
Em julho do ano passado, a Paramount, que controla a CBS News, concordou em pagar US$ 16 milhões a Trump para resolver um processo em que acusava a emissora de favorecer a candidata democrata, Kamala Harris, em uma entrevista. Segundo o New York Times, decisão tomada para garantir o aval da Comissão Federal de Comunicações (controlada por um aliado de Trump) à fusão da Paramount com a Skydance Media. Em ao menos duas ocasiões Trump ameaçou usar a agência para suspender as licenças de operação das redes ABC e NBC, alegando “cobertura injusta” contra ele
Vista geral do “Centro de Confinamento do Terrorismo” (CECOT), inaugurado em 2023
MARVIN RECINOS / AFP
Meses depois, Bari Weiss, jornalista alinhada às visões trumpistas, assumiu como editora-chefe da CBS News, e ordenou que uma matéria do programa “60 Minutes”, um dos mais tradicionais da TV americana, não fosse exibida: a jornalista Sharyn Alfonsi contava sem filtros a realidade do Cecot, a megaprisão que o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, construiu em seu país, e que abriga centenas de estrangeiros deportados por Trump. Alfonsi disse que a decisão foi política. A matéria foi exibida há alguns dias, mas com inserções de representantes do governo federal.
A lista de processos não seria completa sem a ação contra Rupert Murdoch, dono do Wall Street Journal, ligada à publicação de uma carta de Trump ao milionário Jeffrey Epstein, morto em 2019 e dono de uma rede de exploração sexual. O presidente pede US$ 10 bilhões. Ou então o igualmente bilionário processo — US$ 5 bilhões — contra a rede britânica BBC pela edição considerada “maliciosa” de um discurso de Trump. Antes do veredito, o diretor-geral da corporação, Tim Davies, deixou o cargo.
Presidente dos EUA, Donald Trump, diante de mapa com a grafia determinada unilateralmente por seu governo para o Golfo do México, chamado por ele de “Golfo da América”
ALEX WONG / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP
As restrições são sentidas até na Casa Branca. No ano passado, foram anunciadas mudanças no “pool” que acompanha o presidente em eventos oficiais, e que passou a privilegiar veículos alinhados ideologicamente. A agência Associated Press foi banida de coberturas por não aceitar a nomenclatura trumpista para Golfo do México (“Golfo da América”) e o secretário da Guerra (ou Defesa), Pete Hegseth, passou a exigir que as matérias passassem por censura prévia. Ao invés de concordar com as regras, alguns veículos devolveram as credenciais.
“Ao analisarmos tudo em conjunto, uma conclusão é inevitável: o presidente dos Estados Unidos está travando uma guerra total contra a liberdade de imprensa e o jornalismo”, afirmou, em comunicado, Clayton Weimers, diretor-executivo da ONG Repórteres Sem Fronteiras na América do Norte. “Donald Trump é um predador da liberdade de imprensa.”

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