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“Deixei o paraíso da Ilha Grande, no litoral fluminense, há pouco mais de cinco meses. Lá, era marinheiro mercante e surfista nas horas vagas. Troquei o azul do mar de Lopes Mendes pelo cinza das trincheiras e o branco da neve ucraniana, onde nesses últimos dias enfrentamos uma temperatura de -20°C. Muita gente acha que vim por aventura, mas foi uma decisão de muita consciência. Não conseguia ficar em casa, no conforto, sabendo que um povo inteiro estava sendo esmagado. Como servi no Exército, tinha algo a oferecer. Eu sentia que era meu dever moral dizer: “Vocês não estão sozinhos.” Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O principal responsável pela segurança do Irã afirmou neste sábado que houve avanços em direção a negociações com os Estados Unidos, mesmo em meio ao agravamento das tensões militares entre os dois países. A declaração ocorreu no mesmo dia em que o chefe do Exército da República Islâmica advertiu Washington contra o lançamento de ataques, afirmando que as forças iranianas estão em plena prontidão defensiva e militar para responder a qualquer ação.
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Washington deslocou um grupo naval de combate liderado pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln para águas próximas ao Irã, depois que o presidente americano, Donald Trump, ameaçou intervir na esteira de uma repressão mortal a protestos antigovernamentais no país. A chegada da flotilha elevou os temores de um confronto direto, e Teerã advertiu que responderia com ataques de mísseis contra bases, navios e contra aliados dos EUA — especialmente Israel — em caso de ataque.
Meios militares dos EUA mobilizados no Oriente Médio
Arte/ O GLOBO
Trump, no entanto, afirmou acreditar que o Irã preferirá fechar um acordo sobre seus programas nuclear e de mísseis a enfrentar uma ação militar americana. Em resposta, autoridades iranianas disseram que Teerã está disposto a dialogar sobre o tema nuclear, desde que seus mísseis e suas capacidades de defesa não entrem na pauta das negociações.
— Contrariando a agitação da guerra midiática fabricada, os arranjos estruturais para as negociações estão avançando — afirmou Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, um dia depois de o Kremlin informar que ele manteve conversas em Moscou com o presidente russo, Vladimir Putin.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também se pronunciou neste sábado, afirmando que um conflito mais amplo prejudicaria tanto o Irã quanto os Estados Unidos. A declaração foi feita durante uma ligação com o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, segundo a Presidência iraniana.
— A República Islâmica do Irã nunca buscou, nem de forma alguma busca, a guerra e está firmemente convencida de que uma guerra não seria do interesse nem do Irã, nem dos Estados Unidos, nem da região — disse Pezeshkian.
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Antes disso, o chefe do Exército iraniano, Amir Hatami, havia advertido os EUA e Israel contra qualquer ataque, afirmando que suas forças estavam “em plena prontidão defensiva e militar” para responder.
— Se o inimigo cometer um erro, sem dúvida colocará em risco sua própria segurança, a segurança da região e a segurança do regime sionista — declarou Hatami, segundo a agência estatal IRNA, acrescentando que a tecnologia e o conhecimento nuclear do Irã “não podem ser eliminados”.
Escalada de tensões
Com a escalada das tensões, autoridades iranianas se apressaram em negar que vários incidentes ocorridos neste sábado estivessem ligados a qualquer ataque ou sabotagem. Entre eles, uma explosão na cidade portuária de Bandar Abbas, no sul do país, que bombeiros locais disseram ter sido causada por um vazamento de gás.
Na sexta-feira, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) afirmou que a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) realizaria “um exercício naval com disparos reais de dois dias” no Estreito de Hormuz, ponto estratégico para o trânsito global de energia. Em comunicado, o CENTCOM advertiu a IRGC contra “qualquer comportamento inseguro e pouco profissional nas proximidades das forças dos EUA”.
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A declaração foi criticada pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, que se manifestou em rede social: “Operando ao largo de nossas costas, o Exército dos EUA agora tenta ditar como nossas Poderosas Forças Armadas devem conduzir exercícios de tiro em seu próprio território”, escreveu ele no X.
Os Estados Unidos designaram a IRGC como organização terrorista em 2019, medida que a União Europeia seguiu na quinta-feira, provocando reações indignadas em Teerã. Em junho, os EUA realizaram ataques contra instalações nucleares-chave do Irã, quando se juntaram brevemente a Israel em uma guerra de 12 dias contra seu rival regional.
Cenário local
No plano interno, protestos em todo o país contra o aumento do custo de vida começaram em 28 de dezembro e depois se transformaram em um movimento antigovernamental mais amplo, que atingiu o auge em 8 e 9 de janeiro. As autoridades classificaram os episódios como “distúrbios” e atribuíram a responsabilidade aos Estados Unidos e a Israel.
O número oficial de mortos divulgado pelo governo é de 3.117. No entanto, a agência Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos Estados Unidos, afirmou ter confirmado 6.563 mortes, incluindo 6.170 manifestantes e 124 crianças.
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No sábado, Pezeshkian pediu a seu governo que atendesse às queixas da população após as manifestações e que “servisse ao povo”. Na fronteira de Kapikoy, que separa o Irã da Turquia, onde pouco mais de 100 pessoas cruzaram neste sábado, iranianos relataram desejo de liberdade em relação aos líderes clericais em Teerã.
— Nós também queremos ser livres, ver turistas como na Turquia… Todo mundo nos vê como terroristas. Com os mulás, voltamos 100 anos — disse Shabnan, usando um pseudônimo. — Eles estavam atirando em nós pelas costas. Chegaram a nos atingir através das janelas. Todo mundo perdeu entes queridos, amigos, vizinhos, conhecidos. .
Rosa, de 29 anos, que viajava para Istambul a partir da travessia, afirmou que a pressão americana em relação aos protestos não é suficiente.
— Agora é tarde demais. Sabemos que eles não virão por nós, mas pelo petróleo. Pelos próprios interesses. Nós não contamos — disse.
O enviado especial do presidente americano Donald Trump, Steve Witkoff, disse, neste sábado, ter mantido conversas “construtivas” durante um encontro na Flórida, Estados Unidos, com o enviado russo, Kirill Dmitriev, como parte dos esforços de mediação dos EUA para pôr fim a quase quatro anos de guerra na Ucrânia.
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A reunião ocorreu apenas um dia antes de negociadores ucranianos e russos se encontrarem em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, para debater um plano de paz apoiado pelos EUA.
“Nos sentimos encorajados por esta reunião, que demonstra que a Rússia está trabalhando pela paz na Ucrânia”, escreveu Witkoff em sua conta no X.
Na publicação, ele afirmou que a delegação americana também incluiu o secretário do Tesouro, Scott Bessent; o genro do presidente, Jared Kushner; e o assessor da Casa Branca Josh Gruenbaum.
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Uma fonte próxima às negociações informou à AFP que o encontro começou às 8h00 no horário local (10h no horário de Brasília). Nenhuma das partes deu detalhes sobre o conteúdo da reunião.
Dmitriev, o principal enviado econômico do presidente russo, Vladimir Putin, já havia se reunido com Witkoff e Kushner em janeiro, à margem do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.
Ele também manteve conversas com negociadores americanos sobre a Ucrânia durante uma visita a Miami em dezembro.
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Está previsto que a segunda rodada de conversas em Abu Dhabi comece amanhã, embora o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, tenha dito que o calendário pode sofrer alterações devido à crise entre os EUA e o Irã.
Zelenski afirmou, neste sábado, que tem reuniões diplomáticas “na próxima semana”, o que parecia descartar o encontro previsto em Abu Dhabi no domingo entre seus negociadores e a delegação russa.
— Estamos em contato permanente com a parte americana e esperamos que nos dê esclarecimentos sobre as próximas reuniões. A Ucrânia está disposta a trabalhar em todos os formatos de trabalho. É importante que essas reuniões aconteçam e que resultem em resultados concretos — acrescentou.
As equipes da Ucrânia e da Rússia também se reuniram na sexta-feira e no sábado da semana passada em Abu Dhabi, no que foram as primeiras negociações presenciais sobre o plano de paz impulsionado por Trump.
Os EUA afirmam que ambas as partes estão perto de alcançar um acordo, mas até agora não foram capazes de chegar a um compromisso. O principal impasse é a questão da divisão territorial de algumas áreas da Ucrânia, segundo Kiev.
O Kremlin afirmou na sexta-feira que Putin havia aceitado um pedido de Trump para interromper temporariamente os ataques contra a Ucrânia.
Uma juíza federal decidiu neste sábado manter em vigor a Operação Metro Surge, a ação de fiscalização migratória que levou milhares de agentes federais a Minnesota, enquanto segue em tramitação uma ação judicial movida pelo Estado e pelas cidades de Minneapolis e St. Paul. A decisão ocorre em meio à intensificação de protestos contra o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), com manifestações e paralisações registradas em Minnesota e em diversas regiões do país.
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A juíza Katherine M. Menendez negou o pedido de liminar apresentado pelo procurador-geral de Minnesota, Keith Ellison, e pelos prefeitos das duas maiores cidades do Estado. A ação buscava suspender imediatamente ou limitar o alcance da operação, argumentando que o governo federal estaria violando proteções constitucionais, em especial a Décima Emenda, que estabelece limites à interferência federal sobre a soberania dos Estados.
Em sua decisão, Menendez afirmou que, embora haja evidências de impactos severos da operação, os autores da ação não demonstraram, neste momento, probabilidade suficiente de êxito no mérito para justificar a concessão da liminar. Segundo a magistrada, o tribunal precisa avaliar se os argumentos apresentados teriam chances reais de prevalecer ao fim do processo.
A Operação Metro Surge, lançada pelo governo Trump, resultou no envio de cerca de 3 mil agentes federais às chamadas Cidades Gêmeas, Minneapolis e St. Paul. O governo federal sustenta que a ação é necessária para intensificar a fiscalização migratória e afirma que seus esforços teriam sido dificultados por leis e políticas estaduais e locais classificadas como de “santuário”.
Autoridades estaduais e municipais, por sua vez, afirmam que a operação representa uma retaliação após tentativas frustradas do governo federal de pressionar Minnesota por meio da ameaça de retenção de recursos. Elas também argumentam que a presença ampliada de agentes federais teria provocado um esgotamento inconstitucional de recursos locais, com efeitos diretos sobre serviços públicos, escolas e pequenos negócios.
Ao negar a liminar, a juíza reconheceu que há indícios de que agentes federais “se envolveram em perfilamento racial, uso excessivo da força e outras ações prejudiciais”. Menendez afirmou ainda que os autores apresentaram fortes evidências de que a operação teve — e provavelmente continuará a ter — consequências “profundas e até devastadoras” para o Estado, para as Cidades Gêmeas e para a população local. Ainda assim, ponderou que esses impactos precisam ser equilibrados com os efeitos que uma suspensão total da operação teria sobre a aplicação da lei federal de imigração.
Protestos e tensão nas ruas
A decisão judicial ocorre em um contexto de mobilização crescente contra a atuação do ICE. Nas últimas semanas, protestos se espalharam por Minnesota e por outros estados, com marchas, paralisações e atos públicos contra o reforço da fiscalização migratória. Na sexta-feira, uma greve nacional foi organizada sob o lema “sem trabalho, sem escola, sem compras”, resultando no fechamento de estabelecimentos, cancelamento de aulas e manifestações em várias cidades.
Em Minnesota, manifestações tomaram as ruas pelo segundo fim de semana consecutivo. Parte dos manifestantes chegou a se reunir sobre um lago congelado para formar um sinal humano de SOS. Em Wisconsin, estudantes prestaram homenagens a Alex Pretti, uma das vítimas fatais de ações de agentes federais no Estado neste ano.
Em Boston, centenas de pessoas se reuniram na manhã deste sábado no Boston Common. Segundo os organizadores, o objetivo da mobilização era pressionar o governo estadual e o Legislativo local a encerrar vínculos com o ICE, proteger comunidades imigrantes e outros grupos considerados em situação de risco e fortalecer formas coletivas de resistência não violenta. Durante o ato, manifestantes entoaram palavras de ordemem frente ao Capitólio estadual, com slogans como “Não há poder maior que o poder do povo” e “Os direitos civis estão sob ataque”.
O clima de tensão se agravou após dois episódios envolvendo mortes a tiros em Minneapolis. Em 7 de janeiro, a cidadã americana Renee Good foi morta por um agente federal. Pouco mais de duas semanas depois, em 24 de janeiro, agentes atiraram e mataram Alex Pretti, também cidadão americano e enfermeiro de UTI. Outros dois tiroteios, um deles com um homem venezuelano ferido, também foram registrados no período.
Um juiz federal determinou neste sábado que os Estados Unidos libertem um menino de 5 anos e seu pai, mantidos em um centro de detenção no Texas após serem detidos em um subúrbio de Minneapolis no mês passado, no contexto da ofensiva migratória do governo do presidente Donald Trump em Minnesota.
O caso ganhou repercussão depois que circularam imagens do menino, Liam Conejo Ramos, usando um gorro com orelhas de coelho e uma mochila do Homem-Aranha, cercado por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE). As imagens provocaram reações de organizações e apoiadores de direitos civis, além de um protesto em frente ao centro de detenção familiar e a visita de dois deputados democratas do Texas.
Na decisão, o juiz federal Fred Biery, nomeado pelo ex-presidente Bill Clinton, afirmou que “o caso tem sua gênese na perseguição mal concebida e implementada de forma incompetente, pelo governo, de cotas diárias de deportação, aparentemente mesmo que isso exija traumatizar crianças”.
Antes dessa decisão, outro juiz já havia determinado que Liam e seu pai, Adrian Conejo Arias, não poderiam ser removidos dos Estados Unidos, ao menos temporariamente.
Segundo vizinhos e autoridades escolares, agentes federais de imigração teriam utilizado o menino como “isca”, pedindo que ele batesse à porta de casa para que a mãe atendesse. O Departamento de Segurança Interna rejeitou essa versão, classificando-a como uma “mentira absurda”. De acordo com o órgão, o pai teria fugido a pé, deixando o menino dentro de um veículo ligado na entrada da residência.
Durante visita realizada em 28 de janeiro pelos deputados Joaquin Castro e Jasmine Crockett, o menino dormiu nos braços do pai. Segundo Castro, Adrian afirmou que o filho estava frequentemente cansado e com dificuldade para se alimentar no centro de detenção, que abriga cerca de 1.100 pessoas.
Desde a reabertura da unidade no ano passado, famílias detidas relatam condições precárias, como presença de vermes na comida, disputa por água potável e atendimento médico deficiente. Em dezembro, um relatório apresentado pelo ICE reconheceu que cerca de 400 crianças foram mantidas sob custódia por período superior ao limite recomendado de 20 dias.
Em atualização.
Grupos de defesa da liberdade de imprensa, organizações civis e lideranças do Partido Democrata denunciaram as prisões de dois jornalistas independentes nos Estados Unidos — entre eles o ex-âncora da CNN Don Lemon — como um sinal de uma nova e preocupante escalada da administração do presidente Trump contra a mídia. As detenções ocorreram após a cobertura de um protesto contra ações federais de imigração em Minnesota e foram classificadas por críticos como um ataque direto à Primeira Emenda da Constituição americana.
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Lemon foi detido na noite de quinta-feira por agentes federais em Los Angeles, apesar de um juiz magistrado ter se recusado, uma semana antes, a autorizar acusações relacionadas à sua atuação em um protesto realizado em uma igreja de Minnesota. A manifestação ocorreu em um templo no estado e teve como alvo ações consideradas violentas do governo federal na aplicação das leis de imigração.
Outra jornalista, Georgia Fort, que também cobriu o protesto de 18 de janeiro na igreja Cities, em Saint Paul, transmitiu ao vivo sua prisão nas primeiras horas de sexta-feira por meio do Facebook. Para entidades de defesa da imprensa, o caso representa uma mudança significativa na forma como o governo federal lida com jornalistas que cobrem protestos.
— A prisão, pelo Departamento de Justiça, de jornalistas que reportam protestos anti-ICE é extremamente alarmante, especialmente considerando que múltiplos juízes se recusaram a aprovar mandados de prisão apenas na semana passada — afirmou ao The Guardian Jameel Jaffer, diretor-executivo do Knight First Amendment Institute, da Universidade Columbia.
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Segundo Jaffer, a preocupação é ampliada pelo contexto político. Ele afirmou que “cobrir protestos não é crime”, ressaltando que a prática é protegida pela Primeira Emenda. Também disse estar “especialmente preocupado” com essas prisões porque “elas ocorrem no pano de fundo de um esforço mais amplo da administração Trump para apertar o cerco à liberdade de imprensa”, disse.
‘Ataque inequívoco’
O International Press Institute (IPI) também pediu a libertação imediata dos dois jornalistas. Em nota, o diretor-executivo da entidade, Scott Griffen, classificou as detenções como “uma escalada chocante e perturbadora da campanha da administração Trump contra a imprensa livre nos Estados Unidos”.
“As prisões de dois jornalistas independentes no exercício de suas funções constituem um ataque inequívoco à Primeira Emenda e ao direito do povo americano de saber”, afirmou Griffen. Para o IPI, o desfecho do caso terá impacto direto sobre o futuro da mídia livre no país. A entidade condenou as tentativas do governo de criminalizar o jornalismo e defendeu o arquivamento de todas as acusações.
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A Associação Nacional de Jornalistas Negros (NABJ, na sigla em inglês) destacou, em comunicado, preocupações com o que chamou de direcionamento seletivo de profissionais da imprensa. Segundo a organização, o foco em jornalistas — “especialmente negros e LGBTQIA” — levanta questionamentos sobre aplicação desigual da lei e policiamento retaliatório contra a mídia, além de refletir um padrão mais amplo de criminalização de quem documenta injustiças.
— Como jornalistas, nossa primeira obrigação é testemunhar e informar. Quando essas obrigações são respondidas com detenção ou processo, em vez de proteção, precisamos perguntar: ‘Que mensagem estamos enviando sobre quem pode reportar e quem será silenciado?’ — disse a presidente da NABJ, Errin Haines, destacando que a detenção de jornalistas no exercício da profissão alimenta o debate sobre liberdade de imprensa.
O Comitê de Repórteres pela Liberdade de Imprensa classificou a atuação do Departamento de Justiça como “sem precedentes” e um exemplo de excesso no uso da legislação federal. De acordo com a entidade, casos envolvendo jornalistas que documentam protestos em propriedade privada, historicamente, são tratados como questões de invasão de propriedade no âmbito estadual.
— Essas acusações quase sempre são arquivadas ou, quando chegam a julgamento, os jornalistas geralmente vencem — afirmou Gabe Rottman, vice-presidente de políticas do grupo.
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Para Jenna Ruddock, diretora de advocacy do Free Press Action, as prisões fazem parte de um “ataque total” da administração Trump às comunidades de Minnesota e de uma tentativa de silenciar a cobertura jornalística. Segundo ela, enquanto jornalistas e civis seguem documentando as condições no local “diante da escalada de violência por parte de agentes federais”, o governo estaria usando todos os meios disponíveis para sufocar esforços de documentação e reportagem.
Ruddock afirmou ainda que as detenções se inserem em uma sequência de violações da Primeira Emenda. Em sua avaliação, parte da mídia corporativa teria cedido às pressões do governo, enquanto jornalistas independentes continuam a produzir reportagens críticas em condições cada vez mais inseguras.
Uso indevido do poder
A PEN America também criticou a prisão de Don Lemon. Para Tim Richardson, diretor do programa de jornalismo e desinformação da organização, o fato de um juiz magistrado federal e um tribunal federal de apelações já terem rejeitado as provas apresentadas contra o jornalista torna a detenção ainda mais preocupante. Segundo ele, o caso evidencia o uso indevido do poder estatal para intimidar a imprensa e evitar responsabilização.
As prisões ainda provocaram reações no meio político. O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, afirmou em discurso que a detenção de jornalistas envia “uma mensagem sombria” à imprensa americana. “Se ousarem criticar esta administração, cuidem-se. Isso não é democracia. Isso é um Estado policial”, disse. Para Schumer, a democracia será prejudicada se o governo restringir as liberdades civis.
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Na Câmara, o líder democrata Hakeem Jeffries afirmou que não havia “base alguma” para a prisão de Lemon, também classificando o episódio como “uma afronta vergonhosa à Primeira Emenda” e uma instrumentalização do sistema de justiça criminal. Em nota, Jeffries disse que o jornalista é o alvo mais recente de ataques contra aqueles que desafiam a administração Trump e se recusam a se alinhar ao governo.
“Os extremistas ilegítimos na administração Trump serão responsabilizados por seus crimes contra a Constituição”, afirmou. “A América não será intimidada.”
O comandante do Exército do Irã, Amir Hatami, advertiu neste sábado os governos dos Estados Unidos e Israel de que as Forças Armadas do país estão em alerta máximo, frente à mobilização militar americana no Golfo, com uma dúzia de navios de guerra, liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln. O militar enfatizou que a tecnologia nuclear da República Islâmica “não pode ser eliminada”, em resposta às pressões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
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— Se o inimigo cometer um erro, não tenham dúvida de que colocará em risco sua própria segurança, a da região e a do regime sionista (Israel) — declarou Hatami, segundo a agência oficial de notícias IRNA, acrescentando que as Forças Armadas do Irã estão “plenamente preparadas”.
A declaração foi feita em um dos momentos mais delicados na região desde a guerra de 12 dias entre Irãl e Israel, no ano passado, que terminou após inéditos ataques americanos a instalações nucleares do país. Diante da repressão a protestos nas maiores cidades iranianas, que deixaram milhares de mortos nas últimas semanas , de acordo com relatos não oficiais, Trump sinalizou que poderia “ajudar” os manifestantes, algo lido como uma possível ação militar.
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Também neste sábado, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse que líderes dos EUA, de Israel e da Europa exploraram os problemas econômicos do país, incitaram agitação e forneceram às pessoas os meios para “despedaçar a nação” nas manifestações.
Nas últimas semanas, Washington enviou ao Oriente Médio uma força naval de ataque, desenhando uma campanha de pressão semelhante à mobilização no Caribe do final do ano passado, que resultou na captura e deposição do líder chavista Nicolás Maduro nos primeiros dias de 2026.
Porta-aviões USS Abraham Lincoln, deslocado para o Oriente Médio
Zachary PEARSON / Marinha dos EUA / AFP
Segundo fontes diplomáticas, Trump chegou a tomar a decisão de bombardear o Irã, mas foi persuadido a mudar de ideia por três monarquias do Golfo — Catar, Omã e Arábia Saudita —, que citaram os riscos à estabilidade regional. Contudo, os planos jamais saíram da mesa do republicano: na semana passada, após reunião do Fórum Econômico Mundial, em Davos, Trump disse que “estava observando o Irã”, e que havia “uma grande força indo na direção” do país.
A mobilização militar no Golfo provocou o receio global de um confronto direto dos EUA com o Irã, que tem alertado reiteradamente que, neste caso, responderá com disparos de mísseis contra bases americanas no Oriente Médio e ataques contra os aliados de Washington, em particular Israel.
Na sexta-feira, Trump, encorajado pelo êxito da operação americana em Caracas, afirmou que Teerã quer “chegar a um acordo” para evitar uma intervenção militar.
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O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, disse que seu país está disposto a negociar sobre seu programa atômico “em pé de igualdade”, não sob ameaça. Os Estados Unidos, Israel e países europeus afirmam que o programa nuclear iraniano tem o objetivo de desenvolver a bomba atômica, o que Teerã nega.
Explosões
De acordo com o jornal israelense Haaretz, pelo menos cinco pessoas morreram em explosões que ocorreram, a princípio, em dois locais no Irã neste sábado. O jornal estatal Tehran Times noticiou uma explosão em um prédio residencial na cidade de Ahvaz, no sudoeste do Irã, perto da fronteira com o Iraque, que matou quatro pessoas. Posteriormente, o Corpo de Bombeiros local afirmou que a explosão foi causada por um vazamento de gás.
— A causa inicial do acidente (…) foi um acúmulo de gás que escapou, provocando uma explosão — disse o chefe do Corpo de Bombeiros local, Mohammad Amin Lyaghat, à TV estatal.
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Segundo o Haaretz, uma mãe e uma criança também ficaram presas sob os escombros em Ahvaz, e vídeos mostram bombeiros resgatando uma criança dos destroços da explosão. Testemunhas também relataram uma outra explosão perto da capital, Teerã.
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E mais uma explosão ocorreu no porto de Bandar Abbas, no sul do Irã. A agência de notícias semioficial Tasnim afirmou que as notícias veiculadas nas redes sociais, alegando que um comandante da Marinha da Guarda Revolucionária foi alvo da explosão, no entanto, eram “completamente falsas”.
Segundo a AFP, houve vários incidentes em outras partes do país, mas veículos de imprensa descartaram qualquer ligação com um possível ataque ou sabotagem.
Duas autoridades israelenses disseram à agência Reuters que Israel não está envolvido na série de explosões que ocorreram no Irã. A agência de notícias Fars informou que a Marinha iraniana negou, por sua vez, qualquer ataque com drones contra seu quartel-general em Hormozgan, acrescentando que nenhum prédio foi danificado.
O porto de Bandar Abbas fica no Estreito de Ormuz, uma via navegável vital entre o Irã e Omã, por onde passa cerca de um quinto do petróleo transportado por via marítima no mundo.
Exercícios iranianos no Estreito de Ormuz
Na sexta-feira, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) afirmou que a Guarda Revolucionária iraniana, o exército ideológico do regime, organizará “um exercício naval de dois dias com fogo real” no Estreito de Ormuz, um ponto muito sensível por onde passam gás liquefeito e petróleo procedentes do Golfo.
Em um comunicado, o Centcom, o braço militar dos EUA no Oriente Médio e outras partes da Ásia, aconselhou a Guarda a não adotar “qualquer comportamento inseguro e pouco profissional nas proximidades de forças americanas”.
O governo dos Estados Unidos classificou a Guarda Revolucionária como organização terrorista em 2019, durante o primeiro mandato de Trump. Uma iniciativa que a União Europeia (UE) também adotou na última quinta-feira. O Irã prometeu adotar uma resposta.
Na semana passada, as Forças Armadas dos EUA anunciaram exercícios de prontidão aérea no Oriente Médio. As autoridades iranianas acusam os americanos de promoverem a instabilidade na região, e fizeram um alerta: qualquer país que ajudar em um ataque será tratado como “hostil”.
Em comunicado, o Centcom disse que “realizará um exercício de prontidão de vários dias para demonstrar a capacidade de desdobrar, dispersar e sustentar poder aéreo de combate”. O texto não detalha se haverá participação de outras nações, mas destaca que as manobras servirão para “fortalecer parcerias regionais e preparar a execução de respostas flexíveis”, e para validar estratégias “de comando e controle integrados e multinacionais sobre uma ampla área de operações”.
(Com AFP)
O desabamento de uma mina de coltan controlada pelo grupo armado antigovernamental M23 na cidade de Rubaya, no leste da República Democrática do Congo (RDC), causou ao menos 200 mortes e deixou 20 feridos, informaram um porta-voz e diversas testemunhas nesta sexta-feira.
Rubaya, que produz entre 15% e 30% do coltan mundial, caiu nas mãos do M23 em abril de 2024. Devastada por conflitos há 30 anos, a região leste da República Democrática do Congo detém entre 60% e 80% das reservas mundiais desse mineral, do qual se obtém o tântalo, essencial para a fabricação de equipamentos eletrônicos modernos.
A mina, onde trabalham garimpeiros artesanais, está localizada a cerca de 70 quilômetros a oeste da grande cidade de Goma, capital da província de Kivu do Norte e também sob controle do M23 desde janeiro de 2025.
Segundo informações iniciais, parte da colina na área de mineração, que se estende por várias dezenas de quilômetros quadrados, se desprendeu na tarde de quarta-feira. Outro deslizamento de terra ocorreu na manhã de quinta-feira.
“O morro desabou e matou pessoas”, disse à AFP Eraston Bahati Musanga, governador da província oriental de Kivu do Norte, nomeado pelo M23, que estava presente no local.
“Alguns corpos foram encontrados”, acrescentou, sem fornecer números, mas mencionando um número possivelmente elevado de mortos.
A AFP não conseguiu confirmar o número total de vítimas com fontes independentes na noite de sexta-feira.
“Choveu, ocorreu o deslizamento de terra e arrastou pessoas. Algumas foram soterradas e outras ainda estão nos poços da mina”, descreveu Franck Bolingo, um garimpeiro entrevistado no local pela AFP.
Na sexta-feira, dezenas de garimpeiros estavam nas encostas do vasto depósito, cavando a terra com pás simples, segundo imagens da AFP.
Vestidos com camisetas sem mangas e botas de borracha (no caso dos mais bem equipados), homens e mulheres, alguns carregando sacos pesados ​​amarrados à cabeça com panos, continuaram trabalhando nas minas após o desabamento, em troca de rendimentos geralmente modestos.
Segundo especialistas da ONU, o M23 estabeleceu em Rubaya “uma administração semelhante à de um Estado”, criando, por exemplo, um “ministério encarregado da exploração mineral” que emite “licenças para mineradores e operadores econômicos”.
Segundo os novos documentos do caso Jeffrey Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos na sexta-feira, o falecido criminoso sexual enviou £10.000 (mais de R$ 70 mil, na cotação atual) em transferências bancárias para o marido do lorde britânico Peter Mandelson. Os dados publicados mostram que o marido de Mandelson, o brasileiro Reinaldo Avila da Silva, enviou um e-mail para Epstein em 7 de setembro de 2009, cerca de dois meses após Epstein cumprir uma pena de 13 meses em regime semiaberto, pedindo uma ajuda financeira.
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No e-mail, Reinaldo detalha os custos de um curso de osteopatia, fornece seus dados bancários e agradece ao financista por “qualquer ajuda que você possa me dar”. Epstein responde algumas horas depois, dizendo que transferiria o valor do empréstimo. No dia seguinte, o brasileiro, que se casou com lorde britânico em 2023 após um relacionamento de 30 anos, responde com um agradecimento.
“Enviei-lhe alguns e-mails na semana passada sobre as despesas do meu curso de osteopatia, incluindo taxas, modelos anatômicos e laptop, caso possa me ajudar com isso. Espero que os tenha recebido”, escreveu Reinaldo a Epstein, à época.
Em abril de 2010, Reinaldo enviou outra mensagem a Epstein, compartilhando seus dados bancários, conforme mostram os novos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA. Epstein, de acordo com o Financial Times, encaminhou o e-mail para seu contador, acrescentando: “envie 13 mil dólares”.
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Em correspondências subsequentes, Epstein instrui seu contador, Rich Kahn, a “enviar 2 mil dólares por mês para Reinaldo”. Kahn, então, pergunta se isso é “além dos 13 mil dólares” e confirma se a moeda é dólares americanos. Epstein responde que “após repensar, envie apenas 4 mil dólares”.
Em setembro do ano passado, uma pessoa próxima a Mandelson ouvida pelo Financial Times afirmou que “não havia nenhum relacionamento” entre Reinaldo e Epstein, e que os dois não se davam bem. Essa pessoa negou que Mandelson tivesse recebido dinheiro de Epstein, seja diretamente ou por meio de seu marido.
Epstein e o lorde
Os documentos mais recentes, portanto, levantam novas questões sobre a relação de Epstein com Mandelson, que foi demitido do cargo de embaixador do Reino Unido em Washington quando detalhes de seu apoio ao financista vieram à tona, em setembro do ano passado.
Em outro conjunto de e-mails, o lorde Mandelson pede para se hospedar em uma das propriedades de Epstein. Essas mensagens são de 16 de junho de 2009, quando Epstein ainda cumpria pena de 13 meses por aliciar uma menor para prostituição. Durante grande parte de sua sentença, o financista tinha permissão para trabalhar em seu escritório durante o dia e retornava à prisão todas as noites.
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Mandelson afirmou repetidas vezes que se arrepende de sua amizade com Epstein e que nunca presenciou nenhuma irregularidade, mas “acreditou em suas mentiras”. Ele chegou a pedir desculpas, durante o programa Newsnight, às vítimas de Epstein.
Ainda de acordo com o Financial Times, os e-mails divulgados pelo Departamento de Justiça revelam outros aspectos da relação entre Mandelson e Epstein, incluindo o político britânico pedindo conselhos sobre a compra de um apartamento no Brasil.
Em março de 2011, quando Mandelson dirigia a Global Counsel, uma empresa de consultoria londrina, ele escreveu ao financista sobre um esquema para minimizar impostos, que envolvia a criação de uma empresa offshore no Panamá que faria parceria com uma nova empresa brasileira administrada por Reinaldo.
O comandante do Exército do Irã, Amir Hatami, anunciou neste sábado (31) os governos dos Estados Unidos e Israel de que as forças do país estão em alerta máximo, após o envio de navios de guerra americanos ao Golfo. O conflito envolve o Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Ponto estratégico, o local funciona como a única rota marítima natural que permite a saída e a entrada de navios no Golfo Pérsico, uma região rica em petróleo e gás natural.
O militar enfatizou que a tecnologia nuclear da República Islâmica “não pode ser eliminada”, em resposta às pressões do presidente americano Donald Trump, que exige que o Irã negocie um acordo sobre seu programa atômico para pretender evitar um ataque. Trump cita a ameaça de um ataque militar desde a campanha de repressão das autoridades iranianas à onda de protestos contra o regime, que, segundo várias ONGs, deixou milhares de mortos.
“Se o inimigo cometer um erro, não terá dúvida de que colocará em risco sua própria segurança, a segurança da região e a segurança do regime sionista”, declarou Hatami, segundo a agência oficial de notícias IRNA.
Ele acrescentou que as Forças Armadas do Irã estão “plenamente qualificadas”. O governo dos Estados Unidos inveja ao Oriente Médio uma força naval de ataque, liderada pelos porta-aviões “USS Abraham Lincoln”.
A mobilização militar provoca o temor de um confronto direto com o Irã, que tem alertado reiteradamente que, neste caso, responderá com disparos de mísseis contra bases americanas no Oriente Médio e ataques contra seus aliados, em particular Israel.
Na sexta-feira, Trump afirmou que Teerã quer “chegar a um acordo” para evitar uma intervenção militar americana.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, disse que seu país está disposto a negociar sobre seu programa atômico “em pé de igualdade”, e não sob ameaça, e ressaltou que “nunca” aceitará negociar sobre suas capacidades em termos de armas e defesa.
Estados Unidos, Israel e várias potências ocidentais afirmam que o programa nuclear iraniano tem como objetivo desenvolver uma bomba atômica, o que Teerã nega. Washington atacou três centros nucleares iranianos em 22 de junho, como parte de uma guerra de 12 dias entre Israel e o Irã.
Durante o conflito, os ataques israelenses visaram diversos alvos militares e mataram comandantes das forças iranianas, além de cientistas do programa atômico.
“A ciência e a tecnologia nuclear da República Islâmica do Irã não podem ser eliminadas, mesmo que os cientistas e os filhos desta nação morram como mártires”, disse Amir Hatami.
Estreito de Ormuz
Imagem de satélite mostra a localização do Estreito de Ormuz
Divulgação/Nasa via AFP
Situado entre o Irã ao norte e o território de Omã (com proximidade aos Emirados Árabes Unidos) ao sul, o estreito tem entre 33 km e 60 km de largura e tem papel central na logística global de energia.
Diariamente, por ele passam cerca de 20 milhões de barris de petróleo e grandes quantidades de gás natural liquefeito (GNL), representando aproximadamente um quinto do consumo mundial de petróleo e uma fatia substancial do comércio marítimo de energéticos. Essa concentração de fluxos energéticos faz dele um dos principais “pontos de estrangulamento” (chokepoints) do comércio global, onde qualquer interrupção pode reverberar nos preços e na oferta de energia no mundo inteiro.
Politicamente, Ormuz é um nó geoestratégico sensível por estar cercado por atores regionais e globais com interesses muitas vezes conflitantes. O Irã, que controla a costa norte do estreito, tem usado a proximidade geográfica como alavanca em disputas com os Estados Unidos e outras potências ocidentais, chegando a ameaçar fechar ou restringir o tráfego como retaliação a pressões externas. Em anos recentes, o parlamento iraniano inclusive aprovou uma medida simbólica para fechar o estreito em resposta a ataques norte-americanos, gerando temores de impacto econômico global e volatilidade nos mercados de energia.
Além da dinâmica Irã-Estados Unidos, o estreito influencia relações entre países importadores e exportadores. Grandes consumidores de energia, especialmente na Ásia — como China, Índia, Japão e Coreia do Sul — dependem fortemente das exportações que passam por ali, o que os torna sensíveis a qualquer escalada de tensão na região. Disrupções percebidas, mesmo sem fechamento efetivo, já geraram picos nos preços do petróleo e aumentaram o risco geopolítico percebido pelos mercados internacionais.
Exercícios iranianos no Estreito de Ormuz
Na sexta-feira, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) afirmou que a Guarda Revolucionária Iraniana, o exército ideológico do regime, organizou “um exercício naval de dois dias com fogo real” no Estreito de Ormuz, um ponto muito sensível por onde passam gás liquefeito e petróleo proveniente do Golfo.
Em um comunicado, o CENTCOM aconselhou a Guarda a não adotar “qualquer comportamento inseguro e pouco profissional nas proximidades das forças americanas”.
O governo dos Estados Unidos classificou-se como Guarda Revolucionária como organização terrorista em 2019, durante o primeiro mandato de Trump
Uma iniciativa que a União Europeia (UE) também introduziu na quinta-feira. O Irã prometeu adotar uma resposta.

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