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Um elefante matou um turista tailandês nesta segunda-feira no Parque Nacional de Khao Yai, a terceira pessoa morta pelo mesmo animal, anunciaram autoridades do parque. O turista, de 65 anos, da província de Lopburi, caminhava com a mulher quando foi pisoteado até a morte por um elefante chamado Oyewan, disse o chefe do parque, Chaiya Huayhongthong, à AFP.
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Sua mulher conseguiu escapar quando os guardas do parque espantaram o animal, segundo a mesma fonte.
“Esta é a terceira pessoa que Oyewan matou”, afirmou o chefe do parque, explicando que o animal pode ser responsável por outras mortes que permanecem sem explicação. De acordo com Chaiya, as autoridades se reunirão na sexta-feira para decidir o destino do animal. “Provavelmente decidiremos realocá-lo ou modificar seu comportamento”, disse ele, sem dar mais detalhes.
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Em janeiro, um elefante matou uma turista espanhola enquanto ela o banhava em um santuário no sul da Tailândia. Desde 2012, elefantes selvagens causaram a morte de mais de 220 pessoas na Tailândia, incluindo turistas, segundo o Departamento de Parques Nacionais, Vida Selvagem e Conservação de Plantas.
O número de elefantes selvagens na Tailândia aumentou de 334 em 2015 para quase 800 no ano passado, o que levou as autoridades a administrar vacinas anticoncepcionais em fêmeas para controlar o rápido crescimento da população.
A agência especial americana, Nasa, realizou nesta segunda-feira os importantes testes finais de seu foguete lunar antes do lançamento de sua primeira missão tripulada à Lua em mais de meio século. Aproximadamente às 11h25 na Flórida (13h25 em Brasília), o diretor de lançamento da missão Artemis II deu sinal verde para iniciar o abastecimento de combustível no gigante foguete SLS em Cabo Canaveral, indicou a Nasa em seu site.
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O teste, que inclui a verificação de vazamentos e outras checagens técnicas, é o mais complexo antes da agência estabelecer a data de início da missão Artemis II, que não pousará na Lua, mas sobrevoará o satélite terrestre.
Embora os testes estivessem programados para o fim de semana, a agência espacial adiou seus planos devido às previsões de temperaturas abaixo de zero no local de lançamento, enquanto grande parte do país enfrenta uma onda de frio extremo.
Além de verificar a capacidade de carregar mais de 700 mil galões de propelente criogênico no foguete de 98 metros, as equipes simularão uma contagem regressiva e uma retirada segura do combustível.
Este ensaio de lançamento está previsto para as 21h locais (23h em Brasília), mas pode ser atrasado até as 1h de terça-feira (3h na capital federal brasileira).
Se tudo correr bem, a Nasa pode enviar a equipe de quatro astronautas da Artemis II para um sobrevoo da Lua em 8 de fevereiro, como data mais próxima.
Os astronautas permanecem em quarentena em Houston, no Texas.
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A missão não tripulada Artemis I ocorreu em novembro de 2022, após vários adiamentos e duas tentativas de lançamento fracassadas.
A Nasa espera levar humanos de volta à Lua, enquanto a China avança com um projeto rival que visa, no máximo, 2030 para sua primeira missão tripulada. A missão não tripulada Chang’e 7 está prevista para ser lançada em 2026, com o objetivo de explorar o polo sul da Lua, e os testes da espaçonave tripulada Mengzhou também devem ocorrer ainda este ano.
A Nasa espera que a Lua possa ser usada para ajudar a preparar futuras missões a Marte. Mas o programa tem sido assolado por atrasos.
A agência espacial americana surpreendeu muitos no final do ano passado ao afirmar que a missão Artemis II poderia acontecer já em fevereiro, uma aceleração explicada pelo desejo do governo de Donald Trump de se antecipar à China.
A missão Artemis III, atualmente programada para 2027, deverá ser adiada, visto que especialistas do setor afirmam que a SpaceX, de Elon Musk, está atrasada na entrega do megafoguete Starship, necessário para a missão.
A ex-presidente chilena Michelle Bachelet foi registrada pelo Chile como candidata ao cargo de secretária-geral das Nações Unidas, com o apoio do México e do Brasil, anunciou o presidente chileno, Gabriel Boric. Michelle Bachelet, de 74 anos, pediatra de formação, é a única mulher a ter ocupado a presidência do Chile (2006-2010 e 2014-2018), com o Partido Socialista. Posteriormente, atuou como diretora executiva da ONU Mulheres (2010-2013) e, mais tarde, como alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos (2018-2022).
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— A candidatura da presidente Bachelet, que já foi registrada nas Nações Unidas, será apresentada em conjunto com nossos países irmãos, Brasil e México — declarou Boric em coletiva de imprensa nesta segunda-feira no palácio presidencial, em Santiago.
Bachelet é uma das candidatas para substituir o português António Guterres, cujo segundo mandato termina em 31 de dezembro de 2026.
— Sinto-me muito honrada por ser candidata a secretária-geral, não só pelo Chile, mas também pelo Brasil e pelo México. Agradeço o apoio a esta candidatura e aceito a enorme responsabilidade que ela acarreta — declarou a ex-presidente ao lado de Boric.
Segundo um comunicado conjunto de Chile, México e Brasil, “essa candidatura reflete a vontade compartilhada dos nossos países de contribuir ativamente para o fortalecimento do sistema multilateral e de promover uma liderança capaz de responder aos desafios atuais”.
“A trajetória de Bachelet é marcada pelo pioneirismo. Foi a primeira mulher a presidir o Chile, por duas vezes, e a primeira a ocupar os cargos de ministra da Defesa e da Saúde em seu país. No sistema das Nações Unidas, teve papel decisivo na criação e consolidação da ONU Mulheres, como sua primeira diretora-executiva, dando escala institucional à agenda da igualdade. Como alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, trabalhou para proteger os mais vulneráveis, avançar no reconhecimento do direito humano a um meio ambiente limpo, saudável e sustentável, e dar voz a quem mais precisa ser ouvido”, escreveu Lula em uma rede social ao anunciar o apoio à chilena nesta segunda-feira.
Bachalet ainda não sabe se contará com o apoio do futuro governo de José Antonio Kast, de extrema direita, eleito em dezembro para assumir a Presidência do país andino. Kast afirmou que se pronunciará sobre o tema depois de 11 de março, quando assumir o poder. A ex-presidente também terá que buscar o apoio dos Estados Unidos, que poderiam se inclinar por outro candidato.
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— O nome Bachelet não agrada 100% o presidente dos EUA, Donald Trump — disse à AFP Rodrigo Espinoza, analista político da Universidade Diego Portales.
Para Espinoza, é mais provável que Trump apoie o nome do argentino Rafael Grossi, diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), impulsionado pelo governo de Javier Milei.
Competirão também pelo cargo a costa-riquenha Rebeca Grynspan, secretária-geral da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Alicia Bárcena, secretária de Meio Ambiente do México, e Mia Mottley, primeira-ministra de Barbados.
Em 80 anos, nenhuma mulher ocupou o cargo máximo na ONU e houve apenas um representante da América Latina: o diplomata peruano Javier Pérez de Cuéllar, que serviu de 1982 a 1991. Segundo uma prática não regulamentada e nem sempre respeitada, o cargo de secretário-geral é rotativo entre as regiões. Desta vez, seria a vez da América Latina, e há consenso de que a vaga deve ser ocupada por uma mulher.
O governo mexicano reforçou a operação de busca por 10 trabalhadores de um projeto da mineradora canadense Vizsla Silver, sequestrados há mais de uma semana no conturbado estado de Sinaloa (noroeste do país). O contingente mobilizado para localizá-los agora totaliza 1.190 pessoas, incluindo membros do Exército, da Guarda Nacional, da Polícia Estadual e do Ministério Público, informou o governador de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, no domingo (1º) em sua conta no X.
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“A operação de busca pelos mineradores desaparecidos no município de Concordia está sendo significativamente reforçada”, acrescentou o governador, que detalhou que três helicópteros armados e dois aviões também estão sendo utilizados na operação.
Os trabalhadores foram sequestrados em 23 de janeiro no sul do estado, que sofre com uma onda de violência desde setembro de 2024, devido a disputas internas de poder dentro do poderoso cartel de Sinaloa.
As vítimas trabalham no complexo Pánuco, uma comunidade de cerca de 350 habitantes localizada no município de Concordia.
As autoridades não especificaram a nacionalidade dos sequestrados. Segundo a imprensa local, a maioria é do estado vizinho de Sonora (noroeste).
O reforço da operação de busca ocorre após o governo ter anunciado, na última quinta-feira, o envio de 1.600 militares para a região, onde dois deputados locais também foram baleados na semana passada. Antes da chegada deste último contingente, cerca de 11 mil agentes federais já estavam mobilizados no distrito para controlar o surto de violência.
Sinaloa é considerado um dos cinco estados mais violentos do México, especialmente desde o início da guerra interna do cartel, que deixou mais de 1.700 mortos e quase 2.000 desaparecidos, segundo as autoridades.
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O capitão russo de um navio porta-contêineres que colidiu com um petroleiro no Mar do Norte em março de 2025, causando uma morte, foi declarado culpado de homicídio culposo nesta segunda-feira pela Justiça britânica. Vladimir Motin, de 59 anos, que estava sendo julgado desde 12 de janeiro em Londres, foi considerado culpado pela morte de seu tripulante, o filipino Mark Angelo Pernia, por um júri no tribunal de Old Bailey após oito horas de deliberações.
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A sentença será anunciada nesta quinta-feira. O capitão do navio cargueiro havia se declarado inocente após o acidente de 10 de março, no qual o navio porta-contêineres “Solong” colidiu com o petroleiro “Stena Immaculate”, ancorado a cerca de 20km da costa nordeste da Inglaterra, perto de Hull.
A colisão entre o Solong, comandado por Motin, que ostentava a bandeira portuguesa e pertencia à empresa alemã Ernst Russ, e o Stena Immaculate, fretado pelos Estados Unidos e pertencente à empresa sueca Stena Bulk, causou explosões e enormes incêndios na costa leste da Inglaterra.
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Durante o julgamento, o réu negou ter adormecido em serviço e acrescentou que nunca saiu da ponte de comando na manhã do acidente. Motin também explicou que não acionou a parada de emergência porque temia que isso pudesse causar a morte de membros da tripulação do petroleiro. A acusação sustentou que Motin não fez “nada” para evitar a morte do tripulante em seu navio.
O corpo de Mark Angelo Pernia, de 38 anos, nunca foi encontrado. O falecido tinha um filho de cinco anos e sua mulher estava grávida. Após o anúncio do veredicto, Craig Nicholson, o policial responsável pela investigação, afirmou que o fato de não haver “mais mortes ou feridos” foi um “milagre”.
Um dos tanques do “Stena Immaculate”, que continha aproximadamente 220 mil barris de querosene, “rompeu” na colisão, segundo a empresa americana Crowley, que operava o petroleiro. A colisão gerou preocupações sobre seu impacto na vida marinha, mas voos de vigilância confirmaram, três dias após o acidente, que não havia vestígios de poluição procedentes das duas embarcações.
Novos documentos relacionados ao escândalo de Jeffrey Epstein, com mais de três milhões divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA na última sexta-feira (30), revelaram o envolvimento de membros proeminentes da elite da Noruega, incluindo a princesa herdeira do país. Foram encontrados mais de 100 e-mails amistosos entre Mette-Marit e Epstein após ele ter sido considerado culpado de crimes sexuais contra crianças em 2008.
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Pessoas próximas à coroa norueguesa também aparecem nos novos documentos liberados. Entre eles está Thorbjorn Jagland, primeiro-ministro da Noruega nos anos 1990, que mais tarde presidiu o comitê responsável pela concessão do Prêmio Nobel da Paz e ainda atuou como secretário-geral do Conselho da Europa por 10 anos. E-mails divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA mostram que ele planejou férias em família em uma ilha pertencente a Epstein em 2014.
No último sábado, dia seguinte após a liberação dos documentos, Mette-Marit pediu desculpas por manter contato com Jeffrey Epstein, dizendo que agiu com falta de bom senso. O primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Stoere, concordou com ela.
— Estou usando as próprias palavras dela. Ela diz que demonstrou falta de bom senso. Concordo e acho importante dizer isso quando me pedem minha opinião sobre o assunto — disse Stoere aos repórteres.
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O primeiro-ministro acrescentou que Mette-Marit e outros noruegueses proeminentes que foram mencionados nos documentos mais recentes sobre Epstein, incluindo os diplomatas mais importantes do país, deveriam fornecer mais detalhes sobre seu envolvimento com o bilionário.
Outros nomes noruegueses que aparecem na nova leva de documentos liberados. Terje Rod-Larsen e Mona Juul, um casal que talvez seja o mais famoso corpo diplomático do país por ter ajudado a intermediar os Acordos de Oslo entre Israel e Palestina, também tiveram vínculos com Epstein. Seus filhos estavam entre os beneficiários do testamento do bilionário e criminoso, segundo os documentos.
Jeffrey Epstein morreu em 2019, enquanto aguardava julgamento, mas suas ligações com o jet-set global e a longa lista de acusações de abuso e tráfico humano há mais de uma década servem de combustível para discursos políticos e teorias da conspiração. Em 2024, o então candidato à Presidência Donald Trump prometeu divulgar uma suposta lista de clientes do financista, sugerindo que nomes como os dos ex-presidentes democratas Bill Clinton e Barack Obama estariam ali.
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Uma vez eleito, Bondi sinalizou que poderia divulgar a tal lista, cuja existência era questionada até pelos advogados que representaram Epstein e Maxwell. Meses depois, o FBI, a polícia federal americana, reconheceu que a lista não existia. Para alguns republicanos, que também usaram o caso Epstein como plataforma política, a explicação não foi suficiente, e eles começaram a pressionar a Casa Branca pela divulgação de todos os documentos do processo.
A pressão interna, apoiada pela oposição democrata, ameaçou votações importantes, e culminou com a aprovação de uma lei exigindo a derrubada de sigilo. Trump queria abafar o caso, mas foi obrigado a ceder e sancionar o texto. Apesar de não trazerem (até o momento) elementos concretos que possam levar a novas condenações, os mais de 3 milhões de documentos serviram para jogar luz sobre a proximidade de Epstein com o núcleo de poder global. Entre os citados estão ex-presidentes, ex-primeiros-ministros, CEOs e outras pessoas influentes em suas áreas de atuação.
A nova leva de documentos do caso contra o financista Jeffrey Epstein, que morreu antes de ser julgado por acusações de abuso de menores e de comandar uma rede de tráfico humano, expôs, mais uma vez, suas ligações com a elite econômica e política dos EUA, mas também desferiu mais golpe contra suas vítimas: os nomes de dezenas delas não foram omitidos pelo Departamento de Justiça, e imagens mostraram os corpos e os rostos das mulheres, muitas delas menores de idade na época.
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De acordo com uma revisão dos mais de 2 milhões de documentos — que incluem desde e-mails até fotos e mensagens de texto — feita pelo Wall Street Journal (WSJ), os nomes de 43 vítimas aparecem. Em um caso, o de uma menor de idade na época dos abusos, há 160 citações, por vezes acompanhadas de outros detalhes que deveriam ser sigilosos, como contas de e-mail e endereços residenciais.
Advogados que representam as vítimas disseram ao jornal que entregaram, no começo de dezembro, uma lista com 350 nomes que não poderiam ser citados publicamente.
— Nós os notificamos do problema dentro de uma hora após a divulgação — afirmou Brad Edwards, um dos advogados das vítimas, ao WSJ. — Foi reconhecido como um erro grave; não há desculpa para não corrigi-lo imediatamente, a menos que tenha sido feito intencionalmente.
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US DEPARTMENT OF JUSTICE
De acordo com a lei que determina a divulgação ds documentos do caso Epstein, aprovada com o apoio de governistas no Congresso, no ano passado, o Departamento de Justiça é obrigado a omitir os nomes de todas as vítimas, assim como proteger suas imagens em fotos e vídeos antes que sejam tornados públicos. Um dos deputados democratas que apresentou o projeto, Ro Khanna, o governo violou a lei, e não descartou pedir a saída de membros do departamento, incluindo a secretária de Justiça, Pam Bondi.
— Na minha opinião, é um dos maiores escândalos da história do nosso país — disse Khanna em entrevista à rede NBC, no domingo.
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Para as vítimas, que ainda buscam justiça décadas depois dos abusos, a forma “abominável” (como descreveu a advogada delas) como o Departamento de Justiça as deixou desprotegidas foi mais uma forma de violência, agora pelas mãos do Estado.
— Estamos francamente chocadas com o nível de descaso que o departamento demonstrou em relação a essas mulheres — afirmou Brittany Henderson, advogada de uma das mulheres cujo nome apareceu nos arquivos, ao New York Times.
Além de nomes, centenas de imagens das vítimas foram divulgadas sem que seus rostos estivessem cobertos. Algumas fotos mostram mulheres nuas em uma praia na ilha particular de Epstein no Caribe — onde ocorreram muitos dos abusos — em salas e em quartos de propriedades do financista.
— É difícil imaginar uma forma mais flagrante de não proteger as vítimas do que disponibilizar imagens delas completamente nuas para download no mundo todo —disse ao New York Times Annie Farmer, uma das mulheres abusadas por Epstein e sua cúmplice, Ghislaine Maxwell. — É extremamente perturbador.
O Departamento de Justiça reconheceu os erros, mas o número dois do órgão, Todd Blanche, afirmou que eles correspondem a “0,001% de todos os materiais”.
— Sempre que recebemos uma mensagem de uma vítima ou de seu advogado informando que acreditam que seu nome não foi devidamente ocultado, corrigimos isso imediatamente — declarou à rede ABC no domingo.
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Para as vítimas, a explicação não foi convincente, e deixou claro o que elas veem como descaso do Departamento de Justiça.
— Há ali um verdadeiro tesouro de informações das vítimas. Então, a questão para mim e para muitos outros sobreviventes é: “O que estamos protegendo?” — disse Danielle Bensky, uma das sobreviventes do esquema de Epstein, à rede CNN. — Portanto, se você não está protegendo os sobreviventes, então quem você está protegendo?
Jeffrey Epstein morreu em 2019, enquanto aguardava julgamento, mas suas ligações com o jet-set global e a longa lista de acusações de abuso e tráfico humano há mais de uma década servem de combustível para discursos políticos e teorias da conspiração. Em 2024, o então candidato à Presidência Donald Trump prometeu divulgar uma suposta lista de clientes do financista, sugerindo que nomes como os dos ex-presidentes democratas Bill Clinton e Barack Obama estariam ali.
Uma vez eleito, Bondi sinalizou que poderia divulgar a tal lista, cuja existência era questionada até pelos advogados que representaram Epstein e Maxwell. Meses depois, o FBI, a polícia federal americana, reconheceu que a lista não existia. Para alguns republicanos, que também usaram o caso Epstein como plataforma política, a explicação não foi suficiente, e eles começaram a pressionar a Casa Branca pela divulgação de todos os documentos do processo.
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A pressão interna, apoiada pela oposição democrata, ameaçou votações importantes, e culminou com a aprovação de uma lei exigindo a derrubada de sigilo. Trump queria abafar o caso, mas foi obrigado a ceder e sancionar o texto. Apesar de não trazerem (até o momento) elementos concretos que possam levar a novas condenações, os mais de 3 milhões de documentos serviram para jogar luz sobre a proximidade de Epstein com o núcleo de poder global. Entre os citados estão ex-presidentes, ex-primeiros-ministros, CEOs e outras pessoas influentes em suas áreas de atuação.
— Existem pessoas ricas e poderosas que podem não ter cometido nenhum crime, mas que trocam e-mails com Jeffrey Epstein muito tempo depois de ele ter sido condenado por pedofilia, falando sobre ir à ilha dele, falando sobre querer participar de festas extravagantes — disse Khanna à ABC. — O povo americano está se perguntando: “Como é que as nossas pessoas ricas e poderosas vivem neste país? Que código moral elas seguem?”.
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Para Trump, citado mais de mil vezes na nova leva de documentos, o caso ainda é uma espécie de bomba-relógio. Há menções positivas feitas por Epstein, mas também antigas acusações de abuso de menores contra o então magnata do setor imobiliário: uma das vítimas afirmou ao FBI ter sido estuprada por Trump quando tinha 13 anos, e que ela havia sido “presenteada” ao hoje presidente por Maxwell. O republicano nega as acusações, e no sábado, ao ser questionado, pareceu confiante.
— Eu não vi com meus próprios olhos, mas algumas pessoas muito importantes me disseram que isso não só me absolve, como é o oposto do que as pessoas esperavam.
Marius Borg Høiby, de 29 anos, filho da princesa herdeira da Noruega, foi preso novamente no domingo (1º) sob suspeita de agressão e ameaças, um dia antes do início de seu julgamento por estupros em Oslo, anunciou a polícia nesta segunda-feira (2).
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“Marius Borg Høiby foi preso pela polícia na noite de domingo sob suspeita de agressão, ameaças com faca e violação de uma ordem de restrição”, disse a polícia de Oslo em um comunicado, sem nomear a(s) suposta(s) vítima(s).
A polícia solicitará sua detenção por quatro semanas “devido ao risco de reincidência”, acrescentou, sem maiores comentários.
Nascido de um relacionamento anterior ao casamento de sua mãe Mette-Marit com o príncipe herdeiro Haakon, Høiby já deve comparecer a um tribunal de Oslo para responder a 38 acusações, incluindo quatro estupros, violência física e psicológica e uma infração relacionada a drogas.
Ele nega as acusações mais graves.
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Sete pessoas são as supostas vítimas neste caso, quatro delas por suspeitas de estupro quando não estavam em condições de se defender.
Høiby está sob uma ordem judicial formal que o proíbe de contatá-las.
Se considerado culpado das acusações mais graves já apresentadas, o filho da futura rainha pode pegar até 16 anos de prisão.
Seu julgamento continuará até 19 de março e o veredicto é esperado algumas semanas depois.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta segunda-feira o apoio do Brasil à candidatura de Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile e ex-alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, à secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
O atual secretário-geral da ONU, o português António Guterres, vai deixar o cargo em 31 de dezembro deste ano, dez depois de chegar ao cargo. Em novembro de 2025, a organização deu início ao processo para a substituição de Guterres. Bachelet já era pré-candidata desde então e formalizou sua candidatura nesta segunda-feira.
“É com muita honra que o Brasil apoia a candidatura de @mbachelet à Secretária-Geral da ONU. Em oito décadas de história, é hora de a organização finalmente ser comandada por uma mulher”, escreveu Lula em uma rede social.
“A trajetória de Bachelet é marcada pelo pioneirismo. Foi a primeira mulher a presidir o Chile, por duas vezes, e a primeira a ocupar os cargos de ministra da Defesa e da Saúde em seu país. No sistema das Nações Unidas, teve papel decisivo na criação e consolidação da ONU Mulheres, como sua primeira diretora-executiva, dando escala institucional à agenda da igualdade. Como alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, trabalhou para proteger os mais vulneráveis, avançar no reconhecimento do direito humano a um meio ambiente limpo, saudável e sustentável, e dar voz a quem mais precisa ser ouvido”, diz o texto.
Lula diz que a “experiência, liderança e compromisso” de Bachelet com o multilateralismo a credenciam para conduzir a ONU, “em um contexto internacional marcado por conflitos, desigualdades e retrocessos democráticos”.
O presidente faz referência à maior crise da ONU desde a sua fundação no pós-guerra. A sucessão de Guterres ocorre em meio à proposta do presidente americano, Donald Trump, de criar um órgão paralelo às Nações Unidas, chamado de Conselho da Paz, visto como uma tentativa de esvaziar a ONU.
A ex-presidente chilena vai disputar o cargo com pelo menos outros dois candidatos, também latino-americanos: a ex-vice-presidente da Costa Rica Rebeca Grynspan e o diplomata argentino Rafael Grossi. Ambos trabalham atualmente no sistema das Nações Unidas. Ela lidera a Agência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad). Já Grossi é o atual diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea).
Além do Brasil, Bachelet terá também o apoio do México. Nesta segunda, o presidente chileno Gabriel Bóric, que deixa o posto em março, comemorou o lançamento da candidatura de Bachelet.
“Hoje, o estado do Chile, junto ao Brasil e ao México, temos a honra e o orgulho de oficializar a inscrição da candidatura de Michelle Bachelet Jeria à secretaria-geral das Nações Unidas. A ex-presidenta Michelle Bachelet encarna fielmente os valores da ONU, e esta candidatura expressa uma esperança compartilhada: que América Latina e o Caribe façam ouvir sua voz na construção de soluções coletivas aos tremendos desafios do nosso tempo”, afirmou Boric na rede social X.
A passagem fronteiriça de Rafah, principal ligação entre a Faixa de Gaza e o Egito, reabriu parcialmente nesta segunda-feira, após quase dois anos bloqueada pelo Exército de Israel em meio ao conflito com o Hamas. A liberação da única rota entre o enclave e um território não israelense era aguardada com particular ansiedade pelos cerca de 20 mil palestinos à espera de atendimento médico no exterior — uma espera que ainda deva se prolongar, enquanto as estritas condições para passagem na fronteira não estão totalmente claras e a crise humanitária no território continua a ser denunciada por órgãos internacionais como grave.
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Autoridades israelenses confirmaram a reabertura do posto fronteiriço — um ponto central no plano do presidente americano Donald Trump para pôr fim à guerra em Gaza — após a chegada de uma missão de vigilância europeia à região nesta segunda-feira. Fontes no Egito afirmaram que o número de pessoas autorizados a passar pelo posto nos primeiros dias será limitado a 50 em cada sentido. A TV israelense Kan informou um número ligeiramente superior: 150 pessoas estariam autorizadas a sair do território israelense, incluindo 50 doentes, enquanto 50 pessoas poderiam cruzar do Egito para Gaza.
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As condições para a passagem também levantam dúvidas nos dois lados da fronteira. Sabe-se que um serviço de transporte por meio de ônibus foi organizado, mas uma fonte ligada ao Comitê Nacional para Administração de Gaza, grupo de tecnocratas que deve ficar responsável pelo governo civil do enclave, questionou se os próprios palestinos teriam que pagar pelo serviço. A preferência para as saídas em direção ao Egito seriam de doentes com seus acompanhantes, mas fontes palestinas e israelenses falaram sobre limitações àqueles que têm uma autorização prévia, emitida pelo governo de Israel.
Fontes palestinas ouvidas pelo jornal israelense Haaretz criticaram a falta de informação no enclave sobre o sistema de saídas em direção ao Egito, enquanto relataram haver uma exigência por parte do Cairo sobre um número similar de saídas e entradas de cidadãos palestinos do país — que atualmente abriga cerca de 80 mil palestinos deslocados pelo conflito.
— Os civis que não se enquadram na definição de casos humanitários também poderão sair? — questionou uma fonte ligada ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza à publicação israelense. — E o que acontecerá com aqueles que retornam do Egito?
Grande parte da população que permaneceu no enclave está deslocada dentro do próprio território, e vive em moradias temporárias, muitas delas tendas improvisadas. Recentemente, a Organização Mundial da Saúde alertou para o aumento de infecções respiratórias agudas, incluindo casos graves que requerem cuidados intensivos, em meio ao inveno e às condições precárias das instalações de água e saneamento. Pelo menos 11 crianças morreram de hipotermia no território desde o início do inverno, segundo a OMS.
Ambulâncias aguardam em fila no lado egípcio da passagem de fronteira de Rafah com a Faixa de Gaza
AFP
Esperança e ansiedade
Em meio ao frágil cessar-fogo, que tanto Israel quanto o Hamas acusam ter sido violado, doentes e feridos esperam com particular ansiedade por uma chance de deixar o território em busca de ajuda médica especializada — uma vez que a ajuda humanitária no território, já carente a anos pela guerra, ficou ainda mais sob risco, com a ordem israelense para saída da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) de Gaza, após recusa em fornecer a lista de seus funcionários palestinos.
— Quanto mais espero, pior fica o meu estado, e temo que os médicos tenham de amputar minhas duas pernas — contou Zakaria, um homem de 39 anos ferido em 2024 em um bombardeio israelense, questionado pela AFP sobre a reabertura.
Mohamed Nasir, outro homem palestino ferido em ação israelense, afirmou à agência francesa que a saída de Gaza era sua única chance de encontrar a ajuda médica necessária para sua condição de saúde.
Jovens pacientes palestinos esperam retirada: cerca de 20 palestinos precisam de tratamento no exterior
Bashar Taleb/AFP
— A passagem de Rafah é um salva-vidas — disse Nasir. — Preciso de uma operação séria que não está disponível em Gaza.
Embora os enfermos sejam tratados como prioridade, não são os únicos a esperarem pela chance de se afastarem da guerra. Asma al-Arqan, uma estudante palestina, disse vislumbrar um futuro melhor com a abertura de Rafah, porque lhe permitiria prosseguir com os estudos no exterior.
O porta-voz do Hamas em Gaza, Hazem Qasem, advertiu no domingo que “qualquer obstrução ou condição prévia imposta por Israel” constituiria uma violação” da trégua.
Condições no terreno
Enquanto a embaixada palestina no Cairo informou que os cidadãos que desejassem voltar a Gaza só poderiam levar uma quantidade limitada de pertences, sem objetos metálicos ou eletrônicos, e com quantidades limitadas de medicamentos, uma fonte na fronteira declarou à AFP que apenas algumas dezenas de pessoas chegaram pelo lado egípcio nesta segunda-feira na esperança de conseguir entrar em Gaza.
Interlocutores palestinos dizem que os cidadãos do enclave prefeririam retornar a seu território ancestral, mas que isso está condicionado a uma reconstrução da região, dizimada pela guerra e atualmente inserida em uma realidade de miséria e entrada de ajuda controlada por Israel — o único posto de controle por onde entram carregamentos com insumos é o de Kerem Shalom, dentro do território do Estado judeu.
A ingerência sobre a ajuda internacional foi alvo de críticas da relatora especial da ONU para os territórios ocupados, Francesca Albanese. Em uma publicação no X, a autoridade se manifestou sobre a proibição de entrada da Médicos Sem Fronteiras em Gaza, afirmando que Israel não tem “autoridade” para tomar tal decisão.
“Israel NÃO tem autoridade para impedir a entrada de ninguém no território palestino que ocupa ilegalmente. Parem de normalizar a ocupação ilegal cedendo aos seus ditames. Respeitem a deliberação do Tribunal Penal Internacional: obriguem Israel a pôr fim à ocupação. A hora da justiça é AGORA”, escreveu a relatora. (Com AFP)

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