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Diante da polarização política nos Estados Unidos, o Papa Leão XIV, o primeiro pontífice americano, optou por críticas discretas e indiretas, mantendo, porém, os canais de comunicação abertos. Desde sua eleição em maio, o prelado nascido em Chicago, que também possui nacionalidade peruana, posicionou-se claramente contra algumas decisões do governo do presidente Donald Trump. Ele denunciou o tratamento “desumano” oferecido aos migrantes, pediu diálogo na Venezuela e lamentou a “diplomacia da força”.
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Mas, nas últimas semanas, Leão XIV tem demonstrado uma inclinação para a moderação. Ele não fez menção à possível intervenção dos EUA no Irã, nem ao interesse de Trump na Groenlândia, nem à situação instável em Minneapolis, onde dois americanos, Renee Good e Alex Pretti, foram mortos por agentes federais.
Ele tem evitado fazer alusão a esses assuntos e suas declarações à imprensa às terças-feiras, em frente à residência em Castel Gandolfo, tornaram-se raras. No domingo, ele quebrou brevemente o silêncio para expressar sua “grande preocupação” com as crescentes tensões entre Cuba e os Estados Unidos, e pediu às partes que “evitem a violência”.
“Leão é muito cauteloso. Ele sabe que sua voz é universal. Como americano, ele é, de certa forma, um opositor natural do trumpismo”, disse uma fonte do Vaticano à AFP sob condição de anonimato. “Quanto aos Estados Unidos, procedam com cautela”, disse ele.
“Ele entende que a igreja americana também é alvo das ações do ICE; as pessoas estão com medo”, disse a fonte, referindo-se à polícia de imigração, que atualmente está em meio a uma ofensiva contra pessoas sem documentos.
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O Papa atua em um “contexto hiperpolarizado, onde a Igreja é alvo de ataques por parte das populações que serve, como os migrantes ou a comunidade hispânica”, acrescentou a fonte.
Bispos na linha de frente
Mas, apesar da crescente preocupação na Santa Sé com as ações do governo Trump, o papa prefere confiar na hierarquia católica americana em vez de entrar na disputa pessoalmente.
“Acho que ele acredita que a primeira resposta deve vir dos próprios bispos”, disse à AFP Christopher White, da Universidade de Georgetown, em Washington, autor do livro “Papa Leão XIV: Por Dentro do Conclave e o Alvorecer de um Novo Papado”.
Na semana passada, o arcebispo Paul Coakley, presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, reagiu fortemente às mortes de Renee Good e Alex Pretti em Minneapolis, denunciando “a incapacidade da nossa sociedade de respeitar a dignidade de toda vida humana”. O arcebispo Anthony Taylor, do Arkansas, destacou os “paralelos óbvios” entre os Estados Unidos de hoje e a Alemanha nazista, embora tenha acrescentado que “Trump não é um Hitler”.
“Estamos condenados a repetir os erros do passado se não estivermos dispostos a nos lembrar deles e aprender com eles”, escreveu ele.
A mesma abordagem é aplicada na política internacional: em uma declaração conjunta, os cardeais Blase Cupich (Chicago), Robert McElroy (Washington) e Joseph Tobin (Newark) condenaram as tendências intervencionistas do país, a erosão do multilateralismo e os riscos à paz mundial. Segundo diversas fontes do Vaticano, o texto recebeu a aprovação tácita de Leão XIV.
Reputação
No final de dezembro, o Secretário de Estado do Vaticano, o cardeal italiano Pietro Parolin, tentou em vão dissuadir Washington de lançar sua operação militar na Venezuela, durante uma reunião com o embaixador dos EUA.
“O objetivo era evitar um banho de sangue e trazer as partes de volta à razão”, disse uma fonte do Vaticano.
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Convidado para o novo “Conselho da Paz” de Trump, o Vaticano está agindo com cautela e afirma estar “refletindo” sobre sua resposta, em mais um sinal de moderação. Leão XIV não se encontrou com Trump, embora tenha recebido o vice-presidente JD Vance duas semanas após sua eleição, em maio de 2025. O desafio é evitar exacerbar as divisões de uma Igreja americana polarizada e impedir que suas palavras sejam interpretadas por uma ótica partidária.
Para o Vaticano, o objetivo geral é “impedir que os historiadores escrevam daqui a cinco, dez ou vinte anos que a Igreja americana estava ligada ao trumpismo”, comentou o historiador italiano Massimo Faggioli, professor do Trinity College Dublin e autor do livro “De Deus a Trump: A Crise Católica e a Política Americana”.
“O risco é uma desintegração, até mesmo um colapso, da reputação e do papel histórico da Igreja Americana”, disse ele.
O sistema internacional de direitos humanos atravessa o momento mais crítico desde o fim da Guerra Fria, alerta a Human Rights Watch (HRW) na 36ª edição de seu Relatório Mundial de Direitos Humanos, divulgado nesta quarta-feira. Segundo a organização, a reeleição de Donald Trump nos Estados Unidos acelerou um processo já em curso de erosão da democracia e da ordem global regida por leis, em um cenário marcado pela convergência entre Washington, Pequim e Moscou no desprezo a normas internacionais e mecanismos de responsabilização. Como resposta, a ONG defende a criação urgente de uma nova aliança global de países comprometidos com os direitos fundamentais, citando o Brasil como um de seus participantes centrais.
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“O sistema global de direitos humanos está em perigo”, resumiu Philippe Bolopion, diretor-adjunto da HRW, em comunicado. “Sob pressão implacável do presidente Trump, e persistentemente minada pela China e pela Rússia, a ordem internacional baseada em regras está sendo destruída, ameaçando levar consigo a arquitetura na qual os defensores dos direitos humanos passaram a confiar para promover normas e proteger liberdades.”
Embora a organização reconheça que o declínio democrático antecede o atual mandato de Trump, o relatório aponta 2025 como um “ponto de virada”. Segundo o documento, estudos indicam que a democracia global regrediu a patamares de 1985, com 72% da população mundial vivendo atualmente sob regimes autoritários. Rússia e China estão menos livres do que há 20 anos. E também os Estados Unidos, que, sob Trump, realizaram um ataque sistemático às bases da democracia americana — e da própria ordem mundial.
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Ataques a pilares democráticos
Em pouco tempo, diz o relatório, o segundo mandato do republicano minou a confiança pública no processo eleitoral, reduziu a responsabilização do governo, destruiu programas de assistência alimentar e os subsídios à saúde, atacou a independência judicial, retrocedeu nos direitos das mulheres, obstruiu o acesso ao aborto, minou as reparações por danos raciais, encerrou programas que determinavam a obrigatoriedade de acessibilidade para pessoas com deficiência, puniu a liberdade de expressão e usou o governo para intimidar opositores políticos, a mídia, escritórios de advocacia, universidades, a sociedade civil e até mesmo comediantes.
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Na política migratória, a HRW também descreve um cenário de graves violações. Segundo a organização, ao alegar um risco de “apagamento da civilização” na Europa e “apoiar-se em estereótipos racistas para classificar populações inteiras como indesejáveis nos EUA”, o governo Trump adotou políticas e retórica alinhadas com a ideologia nacionalista branca. Apenas no último ano, 32 migrantes morreram sob custódia do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), o maior número desde 2004, ano seguinte à criação da agência. Outros quatro morreram apenas nos primeiros dez dias deste ano.
O relatório destaca que agentes mascarados teriam recorrido à força excessiva, promovido detenções ilegais — inclusive de cidadãos americanos — e cometido “assassinatos injustificados” em Minneapolis. Ainda que o documento afirme que o presidente “tem autoridade para controlar fronteiras”, ele pontua que a administração do líder americano não deve “negar o devido processo legal, praticar maus-tratos ou discriminar ilegalmente”: “Em uma democracia funcional, nenhum governo está acima da Constituição ou do direito internacional”, diz o texto, acrescentando: “A equipe de Trump tem repetidamente ignorado essas salvaguardas.”
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Além das fronteiras
As denúncias se estendem à atuação externa dos EUA. A HRW acusa o governo Trump de usar uma lei de 1798 para deportar centenas de venezuelanos a uma prisão em El Salvador, onde teriam sido torturados e abusados sexualmente. Ataques a embarcações no Caribe e no Pacífico teriam resultado em mais de 120 mortes extrajudiciais, segundo a ONG. Após a captura em 3 de janeiro do então presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores, Trump afirmou que os EUA passariam a “governar” a Venezuela e controlar suas reservas de petróleo.
“Apesar do discurso crítico a Caracas na ONU, Trump tem trabalhado com o mesmo aparato repressivo venezuelano para promover os interesses dos EUA. Muitos aliados ocidentais optaram por permanecer em silêncio sobre essas medidas ilegais, talvez temendo tarifas erráticas e repercussões negativas para suas alianças”, destaca a HRW, pontuando o que descreveu com uma ruptura deliberada de Washington com o multilateralismo.
Apenas nos últimos 12 meses, Trump se retirou do Conselho de Direitos Humanos da ONU, da Organização Mundial da Saúde e anunciou a saída de dezenas de organismos internacionais. Ele também reduziu drasticamente o financiamento à ONU, encerrou outros programas de ajuda humanitária e se afastou de tratados voltados à preservação do meio ambiente. O americano ainda politizou o relatório anual de direitos humanos do Departamento de Estado e declarou não precisar do direito internacional, apenas de sua “própria moralidade”.
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Ao mesmo tempo, Washington passou a impor sanções contra organizações palestinas de direitos humanos, autoridades do Tribunal Penal Internacional, uma relatora especial da ONU e, por meses, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane. Para a HRW, a postura dos EUA fortalece líderes autoritários e fragiliza aliados democráticos, com Trump demonstrando especial admiração por forças de extrema direita. Como exemplo, o texto menciona o apoio do republicano a líderes como Viktor Orbán (Hungria), Recep Tayyip Erdoğan (Turquia), Nayib Bukele (El Salvador) e Abdel Fattah al-Sisi (Egito).
Em conflitos armados, a ONG acusa os EUA de contribuir para a impunidade. No Sudão, as Forças de Apoio Rápido voltaram a cometer assassinatos e estupros em massa, com indícios de apoio militar dos Emirados Árabes Unidos, aliado de Washington. Nos territórios palestinos, a HRW fala em genocídio, limpeza étnica e crimes contra a Humanidade cometidos por Israel, com mais de 70 mil mortos desde outubro de 2023. Trump manteve apoio quase incondicional a Tel Aviv e chegou a propor transformar Gaza em uma “Riviera do Oriente Médio” sem palestinos.
Na Ucrânia, o relatório acusa Trump de minimizar crimes de guerra russos e pressionar Kiev a ceder território, além de propor anistia ampla a crimes cometidos durante a invasão.
Nova aliança global
É diante desse cenário que a HRW defende a formação de uma aliança global de países engajados com os direitos humanos. Democracias como Brasil, Canadá, Japão, Austrália, África do Sul, Coreia do Sul, Reino Unido e os países da União Europeia são citadas como participantes centrais, ao lado de países menores que historicamente desempenharam papéis relevantes no sistema multilateral. A proposta inclui acordos comerciais e de segurança condicionados ao respeito a direitos, além de atuação coordenada na ONU para proteger mecanismos de responsabilização internacional.
O relatório destaca também sinais de resistência popular: protestos nos EUA contra abusos do ICE, mobilizações estudantis pró-Palestina, a destituição do presidente na Coreia do Sul, redes de ajuda mútua no Sudão e na Ucrânia e manifestações da geração Z contra corrupção e desigualdade em países da Ásia e da África.
“Quebrar a onda autoritária e defender os direitos humanos é um desafio geracional”, diz a HRW. “Em 2026, isso se manifestará de forma mais aguda nos EUA, com consequências de longo alcance para o resto do mundo. A resistência exigirá uma reação determinada, estratégica e coordenada dos eleitores, da sociedade civil, das instituições multilaterais e dos governos que respeitam os direitos humanos em todo o mundo.”
A ONU enviará uma missão ao leste da República Democrática do Congo (RDC) “nos próximos dias”, na expectativa de facilitar a implementação de um cessar-fogo na região, onde a violência continua apesar de vários acordos, segundo um comunicado divulgado nessa terça-feira pelo Catar.
A nação do Golfo tem mediado, há vários meses, o conflito entre o governo da RDC e o grupo armado antigovernamental M23.
O anúncio surge após uma reunião realizada na segunda-feira, em Doha, entre representantes do M23 e enviados de Kinshasa.
Durante essa reunião, ambas as partes concordaram em estabelecer um mecanismo de monitoramento com vistas a um cessar-fogo “permanente”.
Nesse contexto, espera-se que a intervenção da Missão das Nações Unidas na RDC (Monusco) faça parte dos acordos alcançados nos últimos meses para pôr fim ao conflito.
O leste da RDC, devastado pela guerra há 30 anos, tem sido afetado desde o fim de 2021 pelo ressurgimento do M23, apoiado por Ruanda e seu exército.
O grupo armado tomou as principais cidades de Goma, em janeiro de 2025, e Bukavu, em fevereiro do mesmo ano.
Um acordo de cessar-fogo foi assinado em julho e, no início de dezembro, um acordo entre a RDC e Ruanda foi ratificado em Washington. No entanto, nenhum desses pactos pôs fim aos combates.
Integrante da Monusco conversa com oficiais do Exército da República Democrática do Congo, em Goma
Michel Lunanga / AFP
Segundo o Catar, a Monusco deveria iniciar o monitoramento e verificação do cessar-fogo em Uvira.
Essa cidade estratégica, localizada na fronteira com o Burundi, foi tomada em dezembro pelo M23, que se retirou após dez dias. Atualmente, está sob controle do exército congolês.
Em um comunicado, a Monusco declarou-se “pronta” para desempenhar essa função.
Uma jogadora grita de alegria ao se apoderar do “pomo de ouro”: a cena poderia se passar na escola fictícia de Hogwarts, mas acontece em um vilarejo de Uganda, o inesperado berço africano do quadribol, o esporte favorito do icônico personagem Harry Potter.
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A modalidade, oficialmente rebatizada como quadball em 2022 (mas vamos ficar, mesmo, é com o bom e velho quadribol), foi introduzida em 2013 em Katwadde (sudoeste do país) por John Ssentamu, hoje um professor de 47 anos, que descobriu as aventuras do célebre bruxinho ao dar uma olhada no livro de um vizinho de ônibus.
Jogadores durante partida de quadribol na vila de Katwadde, em Uganda
Luis TATO / AFP
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Na impossibilidade – óbvia – de jogarem montados em vassouras voadoras, como em Harry Potter, os jogadores de quadribol em Uganda correm com hastes entre as pernas
Luis TATO / AFP
– Então pedi o livro emprestado. A palavra quadribol não me dizia nada, nem em inglês nem em nenhum outro idioma. Aí fui ao Google – explica. – E então pensei: ‘Poxa, é um esporte!’… e depois: ‘Uau, é incrível!’. Achei que poderia apresentá-lo à minha comunidade.
Em 2023, sua equipe organizou e venceu o primeiro torneio nacional de quadribol, na escola Good Shepherd, em uma remota área agrícola coberta de bananeiras.
Falta de recursos
Nos campos, sete jogadoras e jogadores por equipe correm com cabos entre as pernas, tentando lançar uma bola de vôlei (a quaffle) através de aros e capturar o pomo de ouro, uma pequena bola presa a um jogador neutro.
Uganda conta, hoje, com mais de 200 jogadores, alguns no norte do país, comemora o professor, embora aponte a falta de recursos como um entrave a um desenvolvimento maior.
Mas a introdução do esporte no vilarejo, situado a 135 quilômetros da capital ugandesa, Kampala, mudou a vida da comunidade, garante Ssentamu.
Um dos efeitos secundários benéficos do quadribol em Uganda: atraiu mais alunos para as escolas
Luis TATO / AFP
O quadribol “engloba todos os outros esportes imagináveis; encontramos o netball (uma espécie de basquete jogado com uma bola menor), o futebol, o vôlei e o rúgbi”, afirma, acrescentando que a formação mista é obrigatória nas equipes, cujos integrantes aprenderam a “valorizar o papel de cada um em campo”.
O quadribol também atraiu muitas crianças para a escola, em uma região onde muitos centros de ensino são de difícil acesso e onde a educação nem sempre é prioridade para as famílias, afirma o professor.
‘Espetacular’
A filha de Ssentamu, Vicky Edith Nabbanja, atua como batedora, responsável por defender os companheiros.
A jogadora, de 25 anos, conta que o esporte, “espetacular”, se popularizou rapidamente no vilarejo e “reuniu a juventude”.
Além disso, “me permite conhecer pessoas do mundo inteiro”, ressalta, acrescentando que sonha em participar algum dia do Mundial de quadribol.
Nos últimos anos, atletas e órgãos dirigentes da modalidade têm trabalhado para que a modalidade seja reconhecida como uma prática esportiva por direito próprio.
O meio que envolve essa modalidade também buscou se distanciar das posições de J. K. Rowling, criadora de Harry Potter, sobre os direitos das pessoas transgênero e de sua opinião de que o sexo biológico é imutável — uma visão, no entanto, amplamente compartilhada em uma Uganda muito conservadora.
Ssentamu destaca que a equipe ugandesa foi convidada várias vezes para o mundial de quadribol — organizado desde 2012 —, mas nunca pôde comparecer, principalmente por falta de recursos financeiros.
– Mas esse é o meu sonho: ver algum dia uma equipe ugandesa se classificar para a Copa do Mundo, porque isso seria uma revelação para o mundo inteiro.
Navios de guerra dos Estados Unidos chegaram ao Haiti, informou nessa terça-feira a embaixada dos EUA na ilha caribenha, em meio à ofensiva contra as gangues e à instabilidade política do país.
“Os navios USS Stockdale, USCGC Stone e USCGC Diligence chegaram à baía de Porto Príncipe como parte da operação ‘Southern Spear’”, disse a embaixada dos Estados Unidos no Haiti em sua conta no X, por ordem do secretário de Defesa, Pete Hegseth.
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“Sua presença reflete o firme compromisso dos Estados Unidos com a segurança, a estabilidade e um futuro melhor para o Haiti”, acrescentou o texto.
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Clarens SIFFROY / AFP
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A chamada operação “Southern Spear” (Lança do Sul), anunciada em novembro por Hegseth, faz parte do deslocamento de navios de guerra e aeronaves militares dos Estados Unidos na América Latina para combater, segundo Washington, as embarcações usadas para o tráfico de drogas por cartéis “narcoterroristas”. As operações americanas no Caribe e no Pacífico já deixaram mais de 100 mortos, sem que tenha havido qualquer comprovação de que os alvos eram realmente narcotraficantes.
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Haiti, o país mais pobre do continente americano, atravessa novas turbulências políticas a poucos dias do fim oficial do mandato do Conselho Presidencial de Transição (CPT), o órgão de governo, previsto para 7 de fevereiro.
O país caribenho sofre também há muitos anos com a violência de gangues criminosas, que cometem assassinatos, estupros, saques e sequestros.
Os Estados Unidos anunciaram recentemente novas restrições de vistos dirigidas a altos responsáveis haitianos, entre eles membros do CPT, acusados de apoiar as gangues na ilha caribenha.
Os navios americanos, entre eles o USS Stockdale, fazem parte da armada enviada pelos Estados Unidos ao Caribe no âmbito do combate ao tráfico de drogas.
Os Estados Unidos capturaram, em 3 de janeiro, o mandatário venezuelano Nicolás Maduro, levado à Nova York para enfrentar a Justiça americana por acusações de narcotráfico.
Quando Nekima Levy Armstrong foi transportada do tribunal federal em St. Paul, Minnesota, para a Cadeia do Condado de Sherburne com três camadas de correntes em seu corpo — nos pulsos, na cintura e nos pés — foi a vez, segundo ela, em que se sentiu mais próxima da escravidão. Ainda assim, ela caminhava calmamente, com o rosto resoluto e a cabeça erguida. Mas se você visse uma fotografia divulgada pela Casa Branca de Levy Armstrong, que foi presa por protestar em um culto religioso, você não saberia disso. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Nos anos que se seguiram à prisão do criminoso sexual Jeffrey Epstein em 2019 e seu suicídio em uma prisão de Manhattan, algumas das pessoas mais ricas e poderosas do mundo se apressaram em se distanciar do homem com quem um dia fizeram negócios, jantaram em locais luxuosos ou viajaram em jatos particulares. Mas uma divulgação gradual de documentos e outras revelações nos últimos meses — culminando na liberação, na sexta-feira, de quase 3 milhões de páginas de registros relacionados a Epstein — ressaltaram a profundidade, a intensidade e a persistência de suas conexões com a elite global, contradizendo ou minando anos de negações cuidadosas. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
A União Europeia (UE) vai apresentar ao Estados Unidos (EUA) uma proposta de parceria em minerais críticos para conter a influência da China, buscando moldar o impulso do governo Trump para fechar acordos globais nesta semana.
Segundo fontes próximas, a UE está preparada para assinar um memorando de entendimento com os EUA para desenvolver um “Roteiro de Parceria Estratégica” dentro de três meses.
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A parceria tem como objetivo encontrar em conjunto formas de obter minerais críticos, necessários para a maioria das tecnologias modernas, sem depender da China. Tanto os EUA quanto a UE tornaram-se dependentes de minerais chineses abundantes e baratos, o que dá a Pequim poder de barganha sobre suas cadeias de suprimento.
As fontes, que falaram sob condição de anonimato para discutir deliberações privadas, revelaram que a proposta oferece várias maneiras de reduzir essa dependência.
O memorando sugere que UE e EUA explorem projetos conjuntos de minerais críticos e mecanismos de apoio a preços. Também recomenda formas de proteger ambos os mercados de uma oferta excessiva de minerais externos e de outras formas de manipulação de mercado. Além disso, a proposta afirma que os dois lados devem construir cadeias de suprimento seguras entre si.
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Ainda de acordo com as fontes, a proposta da UE também insiste que ambos os lados respeitem a integridade territorial um do outro. A relação EUA-UE quase se rompeu nas últimas semanas depois que o presidente Donald Trump sinalizou planos de comprar a Groenlândia, território do país-membro da UE Dinamarca.
A proposta da UE surge enquanto os EUA se preparam para reunir dezenas de ministros das Relações Exteriores e altos funcionários de países aliados nesta quarta-feira, para buscar acordos semelhantes que reduzam a dependência de minerais críticos chineses.
A Comissão Europeia, braço executivo da UE, classificou as negociações como “vitais para diversificar nossos suprimentos para longe de qualquer país único”, sem comentar a proposta do bloco.
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O tema é prioridade máxima para Washington depois que Pequim impôs restrições à exportação, no ano passado, sobre as chamadas terras raras. As restrições foram adiadas em outubro como parte de um acordo entre Trump e o líder chinês Xi Jinping, mas autoridades americanas agora estão determinadas a avançar rapidamente na questão.
Em particular, os EUA estão pressionando países a concordar com um mecanismo de preços para ajudar a isolar refinadores e extratores de minerais de terras raras de exportações chinesas mais baratas, que poderiam minar suprimentos extraídos e refinados no Ocidente.
Como parte desse esforço, os EUA pressionaram alguns Estados-membros da UE a assinar acordos bilaterais. Em resposta, a Comissão pediu que os países do bloco permanecessem unidos, e as capitais europeias deram à Comissão um mandato para negociar um acordo. Autoridades, no entanto, expressaram ceticismo de que um acordo substancial possa ser finalizado com rapidez suficiente.
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Ainda assim, a oferta da UE mostra que as negociações continuam no caminho certo. E revela que os dois lados podem encontrar pontos em comum.
As fontes afirmaram que o memorando da UE menciona a possibilidade de formar estoques de minerais críticos, algo que também é foco de Trump. Na segunda-feira, o presidente dos EUA lançou um estoque de minerais críticos de US$ 12 bilhões para ajudar a proteger fabricantes contra escassez súbita de suprimentos.
Os principais pilares da proposta que a UE elaborou e está preparada para assinar, segundo as fontes próximas, são:
Cooperar para garantir cadeias de suprimento e reduzir dependências, inclusive por meio do desenvolvimento de mercados premium internacionalmente e do trabalho conjunto para resistir a quaisquer interrupções;
Aprofundar a integração industrial e econômica, inclusive por meio de projetos conjuntos;
Isentar um ao outro de restrições à exportação relacionadas a matérias-primas minerais críticas;
Colaborar em pesquisa e inovação ao longo de toda a cadeia de valor;
Trocar informações, inclusive sobre cadeias de suprimento e identificação de riscos, além de trabalhar juntos para trazer mais transparência ao mercado. Medidas para prevenir interrupções podem incluir a formação de estoques ou a criação de um grupo de resposta UE-EUA;
Cooperação em restrições à exportação aplicadas a terceiros países.
Dois dias antes de se matar em uma prisão federal dos EUA, o magnata Jeffrey Epstein assinou um documento que destinava grande parte de sua então vasta fortuna — um total de US$ 100 milhões (R$ 525 milhões) — à sua namorada na época.
No documento, o agressor sexual afirmou que havia cogitado se casar com a namorada, Karyna Shuliak, e que queria lhe dar seu anel de diamante de 33 quilates.
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Uma cópia do documento de 32 páginas — chamado Truste 1953 — foi incluída nas cerca de 3 milhões de páginas de arquivos investigativos sobre Epstein divulgadas pelo Departamento de Justiça na sexta-feira.
Não está claro quanto exatamente Shuliak e as outras 40 pessoas citadas como potenciais beneficiárias receberão do espólio, que encolheu consideravelmente nos últimos sete anos após o pagamento de impostos, indenizações às vítimas e elevados honorários advocatícios.
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O truste, batizado com o ano de nascimento de Epstein, nunca havia sido tornado público antes.
O documento previa que Shuliak, hoje com 36 anos, receberia um total de US$ 100 milhões, incluindo uma anuidade de US$ 50 milhões a ser criada em seu benefício. Também estabelecia que ela ficaria com grande parte das propriedades de Epstein, embora o espólio tenha vendido a maioria de suas residências.
Os outros dois principais beneficiários listados no truste são o advogado pessoal de longa data de Epstein, Darren Indyke, e seu contador interno, Richard Kahn. O truste previa que Indyke receberia US$ 50 milhões e que Kahn ficaria com US$ 25 milhões. Ambos são coexecutores do espólio de Epstein.
Indenizações na frente
Shuliak, natural de Belarus (ou Bielorrússia), aparece com frequência pelo nome nos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça. Os autos mostram que ela conhecia Epstein pelo menos desde 2012. Epstein ajudou a pagar seus estudos em uma faculdade de odontologia. Acredita-se que ela esteja morando em Nova York.
Procurado pelo NYT, um advogado de Shuliak — que foi a última pessoa para quem Epstein ligou quando estava preso, antes de as autoridades afirmarem que ele se matou — não estava imediatamente disponível para comentar.
Daniel Weiner, advogado do espólio, afirmou que nem Indyke nem Kahn, nem quaisquer dos beneficiários “receberão qualquer dinheiro desse espólio a menos e até que todos os credores e reivindicações contra o espólio tenham sido plenamente satisfeitos, incluindo pedidos de indenização feitos por mulheres que sofreram abusos pelas mãos do sr. Epstein”.
Fortuna foi muito maior
No momento de sua morte, o espólio de Epstein era avaliado em cerca de US$ 600 milhões. Um recente documento judicial avaliou o espólio em US$ 120 milhões. Mas o patrimônio pode valer mais, pois vários investimentos de capital de risco ainda estão avaliados com base no valor que tinham na época de sua morte, em 2019.
Alguns dos 40 nomes citados no truste estão tarjados nos arquivos do Departamento de Justiça. Mas entre outros beneficiários pretendidos cujos nomes não foram ocultados estão seu irmão, Mark Epstein, e Ghislaine Maxwell, condenada em 2021 por acusações federais de conspiração com Epstein para abusar sexualmente de adolescentes.
O documento dizia que cada um deles deveria receber US$ 10 milhões. Epstein também pretendia deixar US$ 5 milhões para Martin Nowak, professor de matemática da Universidade Harvard com quem manteve amizade por anos.
Nowak, cujo nome foi grafado incorretamente no documento, não respondeu a um pedido de comentário enviado por e-mail.
Mark Epstein disse que não sabia que havia sido nomeado beneficiário. Maxwell cumpre atualmente uma pena de 20 anos de prisão.
A maioria das pessoas nomeadas como beneficiárias eram indivíduos que haviam trabalhado para Jeffrey Epstein. Notavelmente, o documento não previa qualquer destinação para as mais de 200 adolescentes e jovens mulheres que se acredita terem sido abusadas por Epstein.
Após a morte de Epstein, porém, Indyke e Kahn criaram um fundo de indenização que pagou US$ 121 milhões às vítimas. O espólio também desembolsou US$ 49 milhões em acordos com vítimas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu nesta terça-feira que os americanos deixem para trás o escândalo do criminoso sexual Jeffrey Epstein, e reiterou que foi inocentado pela recente divulgação de milhões de documentos.
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“Nada veio à tona sobre mim além da conclusão de que houve uma conspiração contra mim, literalmente, por parte de Epstein e outras pessoas. Mas acho que agora é hora de o país talvez se concentrar em outra coisa, como saúde ou algo que seja importante para as pessoas”, disse ele a repórteres na Casa Branca.
*Em atualização

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